sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

O Natal e os dias para ações de graças

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Alguém me perguntou se não seria correto separar um dia de ações de graças pelo nascimento de Jesus. Como minha resposta pode ser de interesse para outras pessoas, decidi publicá-la aqui:

Sobre as ações de graças, elas são mencionadas na Confissão de Fé de Westminster 21.5. O que isso significa? O Diretório de Culto de Westminster explica: “Na Bíblia não há nenhum Dia que seja ordenado para ser guardado como santo sob o Evangelho, senão o Dia do Senhor, que é o Sábado Cristão. Os dias de festa, comumente chamados de dias Santos, não tendo base na Palavra de Deus, não devem ser continuados. Contudo, é lícito e necessário, quando surgem ocasiões, separar um dia ou dias para Jejum Público ou Ações de Graças, à medida que as várias dispensações importantes e extraordinárias da providência de Deus ministrarem um motivo e oportunidade a seu povo” (Diretório de Culto de Westminster, p.66).

Ou seja, as ações de graças são dias separados para agradecermos por alguma coisa. Que coisa? Não poderíamos separar um dia para agradecermos pelo nascimento de Cristo? Não, isso não faria sentido, porque já temos 52 dias separados no ano para isso, todos os domingos do ano. Os dias de ações de graças são separados para agradecermos por alguma coisa que não agradecemos no culto comum a Deus, no dia do Senhor. Veja que o Diretório explica que esses dias para ações de graças são separados "à medida que as várias dispensações importantes e extraordinárias da providência de Deus ministrarem um motivo e oportunidade a seu povo". Os dias de ações de graças são separados para agradecer por coisas que Deus tem feito por Seu povo no decorrer da história, como Reforma Protestante, organização de uma igreja local e assim por diante. Não faz sentido ter um dia de ações de graças pelo nascimento de Jesus, se isso já é celebrado no culto dominical.

Se eu tivesse que separar um dia de ações de graças para celebrar a encarnação e o nascimento de Jesus, logo eu perceberia que seria incoerente separar um dia apenas para esse estágio da obra de Cristo. Então, eu iria querer separar um dia para cada estágio da obra de Cristo: um dia para a encarnação e o nascimento ("Natal"), um dia para a circuncisão, um dia para o batismo, quarenta dias para a tentação no deserto ("Quaresma"), uma semana para a paixão ("Semana Santa"), um dia para a entrada em Jerusalém ("Domingo de Ramos"), um dia para a morte ("Sexta-feira Santa"), um dia para o sepultamento ("Sábado de Aleluia"), um dia para a ressurreição ("Páscoa"), um dia para o Pentecostes, e sabe-se lá o que mais. Quando eu menos esperasse, já estaria com um calendário litúrgico completo, que não conta com o mínimo amparo do Novo Testamento, uma vez que não há nenhum mandamento, exemplo ou inferência que me leve a separar todos esses dias para comemorar as diferentes fases e diferentes estágios da obra de Cristo. Seria mais simples e bíblico celebrar a obra redentora completa de Cristo em todos os domingos, enfatizando em cada domingo o estágio que seja mais enfatizado na passagem da Escritura que será exposta naquele domingo, dentro da série de exposições que esteja sendo realizada.

Minha posição sobre o Natal

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Não sou contra:

1) A encarnação e o nascimento de Jesus. Ambos são estágios importantíssimos no estado de humilhação de Cristo.

2) A celebração da encarnação e do nascimento de Jesus. Toda a obra redentora de Cristo deve ser celebrada no culto, inclusive a encarnação e o nascimento, sem os quais a morte e a ressurreição não seriam possíveis.

3) Músicas e hinos que falam da encarnação e do nascimento de Jesus. Se podemos cantar no culto, além dos salmos, outros cânticos inspirados do Novo Testamento e outros cânticos não inspirados com fundamento bíblico, é claro que podemos cantar sobre a encarnação e o nascimento do Salvador.

4) Pregações sobre a encarnação e o nascimento de Jesus. Se a Bíblia fala da encarnação e do nascimento de Jesus, e se é dever do pregador anunciar todo o conselho de Deus, é óbvio que se deve pregar sobre essas fases da vida de Cristo.

Sou contra:

1) Uma festa específica (o Natal) para celebrar a encarnação e o nascimento de Jesus. Há apenas uma festa religiosa instituída sob o Novo Testamento: a Ceia do Senhor, que celebra a morte de Cristo. Ainda que toda a vida e a obra de Cristo tenham uma importância fundamental, certamente a cruz de Cristo é o cerne do evangelho.

2) Um dia específico (o dia de Natal) para celebrar a encarnação e o nascimento de Jesus. Há apenas um dia religioso instituído sob o Novo Testamento: o Dia do Senhor ou Domingo, dia da ressurreição de Jesus, onde celebramos toda a obra redentora de Cristo, inclusive Sua encarnação, nascimento, vida, morte, ressurreição, ascensão, sessão, derramamento do Espírito e segunda vinda.

3) Um calendário litúrgico com Advento, Natal, Quaresma, Páscoa, Pentecostes, Tempo Comum, etc., que não tem amparo no Novo Testamento. Se o calendário litúrgico do Antigo Testamento foi estabelecido pelo próprio Deus, incluindo todas as festas religiosas e dias santos, que autoridade teria eu, no Novo Testamento, de inventar meu próprio calendário litúrgico? O calendário litúrgico do Novo Testamento são os 52 domingos do ano.

Portanto:

1) Eu não separo um dia específico no ano para celebrar uma parte da obra redentora de Jesus (a encarnação e o nascimento), pois já tenho 52 domingos no ano para celebrar toda a obra redentora de Cristo, inclusive a encarnação e o nascimento.

2) Eu não separo um dia específico do ano para cantar sobre a encarnação e o nascimento de Jesus, pois eu posso fazer isso em 52 domingos do ano.

3) Eu não separo um dia específico do ano para pregar sobre a encarnação e o nascimento de Jesus, pois eu posso fazer isso em 52 domingos do ano. Quem prega expositivamente e sequencialmente pregará com alguma frequência sobre esses temas, sem necessidade de separar um dia (Natal) ou um mês (Advento) para isso. Eu pregaria sobre a encarnação e o nascimento de Jesus no dia 25 de dezembro se esses fossem temas que estivessem na sequência das exposições bíblicas. Mas não deixaria a sequência das exposições para pregar sobre a encarnação e o nascimento de Jesus no dia 25 de dezembro.
 

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