quinta-feira, 21 de julho de 2016

O que é educação clássica?

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Por Susan Wise Bauer
A educação clássica conta com um processo tripartido de treinamento da mente. Os primeiros anos da escola são gastos na absorção de fatos, lançando sistematicamente os fundamentos para o estudo avançado. Nas séries intermediárias, os estudantes aprendem a pensar através de argumentos. Nos últimos anos da escola, eles aprendem a se autoexpressar. Esse padrão clássico é chamado de “trivium”.

Os primeiros anos de educação são chamados de “estágio gramatical” – não porque você gasta quatro anos fazendo Português, mas porque esses são os anos em que os blocos de construção para todos os outros aprendizados são lançados, assim como a gramática é o fundamento para a linguagem. Nos anos elementares da escola – o que nós comumente pensamos como os primeiros quatro anos do Ensino Fundamental – a mente está pronta para absorver informação. Crianças nessa idade, na verdade, acham a memorização divertida. Assim, durante esse período, a educação envolve não a autoexpressão ou a autodescoberta, e sim a aprendizagem de fatos: regras de fonética e soletração, regras de gramática, poemas, o vocabulário de idiomas estrangeiros, as histórias da História e literatura, descrições de plantas, animais e do corpo humano, os fatos da matemática – e a lista continua. Essa informação constitui a gramática, ou os blocos básicos de construção, para o segundo estágio da educação.

Por volta do quinto ano, a mente da criança começa a pensar mais analiticamente. Estudantes dos últimos anos do Ensino Fundamental são menos interessados em descobrir fatos do que em perguntar “por quê?”. A segunda fase da educação clássica, o “estágio lógico”, é um tempo quando a criança começa a prestar atenção à causa e efeito, ao relacionamento entre os diferentes campos relacionados do conhecimento, à forma pela qual os fatos se ajustam em uma estrutura lógica.

Um estudante está pronto para o estágio lógico quando a capacidade para o pensamento abstrato começa a amadurecer. Durante esses anos, o estudante começa álgebra e o estudo da lógica, e começa a aplicar a lógica em todos os assuntos acadêmicos. A lógica da escrita, por exemplo, inclui a construção de parágrafos e o aprendizado para defender uma tese; a lógica da leitura envolve a crítica e a análise de textos, não a simples absorção da informação; a lógica da história demanda que o estudante descubra por que a Guerra de 1812* foi travada, ao invés de simplesmente ler sua história; a lógica da ciência requer que a criança aprenda o método científico.

A fase final de uma educação clássica, o “estágio retórico”, constrói sobre os dois primeiros. Nesse ponto, o estudante do Ensino Médio aprende a escrever e falar com força e originalidade. O estudante de retórica aplica as regras da lógica aprendidas nos últimos anos do Ensino Fundamental à informação fundamental aprendida nos primeiros anos do Ensino Fundamental, e expressa suas conclusões em uma linguagem clara, vigorosa e elegante. Os estudantes também começam a se especializar no ramo do conhecimento que os atrai; esses são os anos para acampamentos de arte, cursos na faculdade, intercâmbios, ensino profissionalizante e outras formas de treinamento especializado.

Uma educação clássica é mais do que simplesmente um padrão de aprendizagem, entretanto. A educação clássica é focada na linguagem; a aprendizagem é realizada através de palavras, escritas e faladas, ao invés de imagens (figuras, vídeos e televisão).

Por que isso é importante? A aprendizagem através da linguagem e a aprendizagem através das imagens requerem hábitos muito diferentes de pensamento. A linguagem requer que a mente trabalhe pesado; ao ler, o cérebro é forçado a traduzir um símbolo (palavras na página) em um conceito. Imagens, tais como aquelas em vídeos e na televisão, levam a mente a ser passiva. Na frente de uma tela, o cérebro pode “sentar atrás” e relaxar; encarando uma página branca, a mente é mandada a arregaçar as mangas e voltar ao trabalho.

Uma educação clássica, então, tem dois aspectos importantes. É focada na linguagem. E ela segue um padrão específico tripartido: a mente precisa ser, primeiro, suprida com fatos e imagens, depois, receber as ferramentas lógicas para organização dos fatos, e, finalmente, equipada para expressar conclusões.

Mas isso não é tudo. Para a mente clássica, todo conhecimento é inter-relacionado. A astronomia (por exemplo) não é estudada de forma isolada; ela é aprendida lado a lado com a história das descobertas científicas, o que conduz ao relacionamento da igreja com a ciência e dali para as complicações da história da igreja medieval. A leitura da Odisseia conduz o estudante à consideração da história grega, a natureza do heroísmo, o desenvolvimento do épico, e o entendimento humano do divino.

Isso é mais fácil de dizer do que de fazer. O mundo está repleto de conhecimento, e encontrar as ligações entre os campos de estudo pode ser uma tarefa que confunde a mente. Uma educação clássica enfrenta esse desafio tomando a história como seu esboço organizador – começando com os antigos e prosseguindo com os modernos em história, ciência, literatura, arte e música.

Nós sugerimos que os doze anos de educação consistam de três repetições do mesmo padrão de quatro anos: Antiguidade, Idade Média, Renascença e Reforma, e Tempos Modernos. A criança estuda esses quatro períodos de tempo em níveis variados – simples nos primeiros quatro anos, mais difícil do quinto ao oitavo ano (quando o estudante começa a ler as fontes originais), e tomando uma abordagem ainda mais complexa do nono ao décimo segundo ano, quando o estudante trabalha através desses períodos de tempo usando fontes originais (de Homero a Hitler) e também tem a oportunidade de seguir um interesse particular (música, dança, tecnologia, medicina, biologia, escrita criativa) com profundidade.

As outras áreas de assunto do currículo estão ligadas aos estudos históricos. O estudante que está estudando a história antiga lerá a mitologia grega e romana, os contos da Ilíada e Odisseia, escritos medievais antigos, contos de fadas chineses e japoneses, e (para os estudantes mais velhos) os textos clássicos de Platão, Heródoto, Virgílio, Aristóteles. Ele lerá Beowulf, Dante, Chaucer, Shakespeare no próximo ano, quando ele estiver estudando história medieval e início da renascença. Quando os séculos dezoito e dezenove são estudados, ele começa com Swift (As Viagens de Gulliver) e termina com Dickens; finalmente, ele lê literatura moderna enquanto está estudando história moderna.

As ciências são estudadas em um padrão de quatro anos que corresponde aproximadamente aos períodos da descoberta científica: biologia, classificação e o corpo humano (assuntos conhecidos dos antigos); ciência da terra e astronomia básica (que floresceu durante o começo da renascença); química (que começou a ser bem sucedida no começo do período moderno); e então física básica e ciência da computação (assuntos bem modernos).

Esse padrão traz coerência ao estudo da história, ciência e literatura – assuntos que são muito frequentemente fragmentados e que causam confusão. O padrão estende-se e aprofunda-se à medida que o estudante progride em maturidade e aprendizado. Por exemplo, um estudante do primeiro ano ouve você ler a história da Ilíada de uma das versões ilustradas disponíveis em qualquer biblioteca pública. Quatro anos depois, o estudante do quinto ano lê uma das adaptações populares para os últimos anos do Ensino Fundamental – The Trojan War [A Guerra de Troia], de Olivia Coolidge, ou The Tale of Troy [O Conto de Troia], de Roger Lancelyn Greene. Quatro anos se passam, e o estudante do nono ano – face a face com a própria Ilíada – mergulha de cabeça, destemido.

A educação clássica é, acima de tudo, sistemática – em contraste direto com a natureza dispersa e desorganizada de tanta educação secundária. Esse estudo sistemático e rigoroso tem dois propósitos.

O estudo rigoroso desenvolve virtude no estudante. Aristóteles definiu virtude como a habilidade de agir de acordo com o que alguém sabe ser correto. O homem virtuoso (ou mulher) pode forçar a si mesmo a fazer o que ele sabe ser correto, mesmo quando isso vai contra suas inclinações. A educação clássica continuamente exige que um estudante trabalhe contra suas inclinações mais básicas (preguiça, ou o desejo de assistir mais meia hora de TV) a fim de alcançar um objetivo – o domínio de um assunto.

O estudo sistemático também leva o estudante a participar do que Mortimer Adler chama de “Grande Conversação” – a conversação contínua de grandes mentes através das eras. Muita educação moderna é tão eclética que o estudante tem pouca oportunidade de fazer conexões entre eventos passados e a enchente da informação atual. “A beleza do currículo clássico”, escreve o professor clássico David Hicks, “é que ele demora-se sobre um problema, um autor, ou uma época tempo suficiente para dar, mesmo ao estudante mais jovem, a chance de exercitar sua mente de uma forma acadêmica: fazer conexões e traçar desenvolvimentos, linhas de raciocínio, padrões de ação, simbolismos recorrentes, tramas e motivos”.

* A Guerra de 1812, ou a Guerra Anglo-Americana, foi uma guerra entre os Estados Unidos e o Reino Unido e suas colônias (N.T.)

Por: Susan Wise Bauer. Website: www.welltrainedmind.com
Tradução: André Aloísio Oliveira da Silva

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Fé, Esperança e Amor

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“Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor” (1Co 13.13). A Bíblia frequentemente apresenta lado a lado a fé, a esperança e o amor. Essas três virtudes, conhecidas como “virtudes teologais”, porque têm sua origem em Deus, estão presentes em todos os cristãos e resumem o que é o Cristianismo. Mas das três, a maior é o amor.

A fé é “a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem” (Hb 11.1). Ter fé é crer naquilo que não pode ser visto, por ser invisível: “Bem-aventurados os que não viram e creram” (Jo 20.29). Mais especificamente, a fé é dirigida ao Deus invisível (1Tm 1.17), Pai, Filho e Espírito Santo, como professamos no Credo Apostólico. Assim, a fé é importantíssima. Ela é o único instrumento da salvação (Rm 3.28) e sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11.6). Mas quando estivermos diante desse Deus Triuno e contemplarmos a Sua face (Ap 22.1-5), a fé não mais será necessária, pois será substituída pela visão.

A esperança, assim como a fé, também é dirigida àquilo que não pode ser visto. Mas no caso da esperança, isso não pode ser visto porque ainda é futuro. A esperança espera aquilo que ainda não chegou: “Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos” (Rm 8.24,25). Ter esperança é esperar pelo cumprimento das promessas de Deus na volta de Jesus, o qual é a nossa esperança (1Tm 1.1). Manifestamos essa esperança ao orarmos pelas promessas de Deus, como na Oração Dominical (Mt 6.9-13): “venha o teu reino”. Mas quando aquilo que aguardamos vier e as promessas de Deus se cumprirem, a esperança também dará lugar à visão.

O amor é a maior das três virtudes. Primeiro, ele não só é dirigido a Deus, ao qual devemos amar de todo coração, mas também ao próximo, ao qual devemos amar como a nós mesmos (Mc 12.30,31). Assim, o amor é o resumo da Lei, dos Dez Mandamentos (Êx 20.1-17). Além disso, ao contrário da fé e da esperança, “o amor jamais acaba” (1Co 13.8). Mesmo no mundo futuro prosseguiremos e cresceremos em amor a Deus e ao próximo, eternamente. Ainda mais, o amor é algo que está presente também em Deus. “Deus é amor” (1Jo 4.8), e ao amarmos, estamos imitando o próprio Deus (Ef 5.1,2). Assim, o amor derramado em nossos corações pelo Espírito Santo (Rm 5.5) é o dom supremo.

Essas são as três virtudes fundamentais de todo cristão. Portanto, nos momentos de dúvida, tenha fé em Deus; nos momentos de ansiedade, tenha esperança nas promessas de Deus; mas, principalmente, tenha um amor absoluto por Deus e intenso por todos.
 

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