quinta-feira, 17 de março de 2016

A Santíssima Trindade

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Introdução

A doutrina da Trindade pode ser definida da seguinte forma, de acordo com o Breve Catecismo de Westminster (perguntas 5 e 6), que resume o ensino bíblico sobre o assunto: “Há um só Deus, o Deus vivo e verdadeiro. Há três pessoas na Divindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e estas três pessoas são um Deus, da mesma substância, iguais em poder e glória”. Em outras palavras, a doutrina da Trindade consiste em três afirmações: 1) Há um só Deus; 2) O Pai, o Filho e o Espírito Santo são, cada um, totalmente Deus; 3) O Pai, o Filho e o Espírito Santo são pessoas distintas que se relacionam umas com as outras. Vamos examinar cada uma dessas afirmações.

1. Há um só Deus

A Bíblia como um todo deixa muito claro que só há um Deus: “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR” (Dt 6.4). Essa passagem é citada em Mc 12.28-34, onde ela é explicada no sentido de que Deus “é o único, e não há outro senão ele”.

Isso significa que não há vários deuses, não há três deuses, há apenas um Deus.

2. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são, cada um, totalmente Deus

Ao mesmo tempo em que a Bíblia afirma que só há um Deus, ela também declara que o Pai é Deus, que o Filho é Deus e que o Espírito Santo é Deus.

Que o Pai é Deus está declarado em toda a Bíblia. Um exemplo é Jo 17.3, onde Jesus, orando ao Pai, diz o seguinte: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”.

O Filho também é Deus. Ele é identificado com Deus (Jo 1.1-3; 20.28; Rm 9.5; Fp 2.6; Tt 2.13; 1Jo 5.20), recebe nomes divinos (Is 9.6; Is 6.1-3,9-10 e Jo 12.39-41; Jl 2.32 e Rm 10.9-15), tem atributos divinos (Jo 1.1; Mt 28.20; Jo 2.24; Is 9.6; Hb 13.8), realiza obras divinas (Jo 1.3; Hb 1.3; Mt 2.7-10; Jo 5.19-29) e recebe adoração (Jo 5.22,23; Hb 1.6).

O Espírito Santo também é Deus. Ele é identificado com Deus (At 5.3,4), recebe nomes divinos (Ex 17.7 e Hb 3.7-9; 1Co 3.16; 2Tm 3.16 e 1Pe 1.21), tem atributos divinos (Sl 139.7-10; Is 40.13,14 e Rm 11.34; 1Co 2.10,11; 1Co 12.11; Rm 15.19; Hb 9.14) e realiza obras divinas (Gn 1.2; Jó 33.4; Sl 104.30; Jo 3.5,6; Tt 3.5; Rm 8.11).

Assim, o Filho e o Espírito Santo não são criaturas, mas são o Criador, o próprio Deus. O Filho e o Espírito Santo são iguais ao Pai em Sua essência, em Seus atributos.

Ao falar que os três são Deus, não devemos pensar que cada um deles é a terça parte de Deus, como se Deus pudesse ser dividido em três partes. Não. Cada um deles é totalmente Deus, cem por cento Deus. Entre os atributos de Deus está o de que Deus é espírito (Jo 4.23,24), o que significa, entre outras coisas, que Deus não tem corpo (Lc 24.39) nem partes, e não pode ser dividido. Portanto, o Pai é totalmente Deus, o Filho é totalmente Deus e o Espírito Santo é totalmente Deus.

3. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são pessoas distintas que se relacionam umas com as outras

Ao dizermos que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são, cada um, totalmente Deus, alguém poderia pensar que esses nomes representam apenas papeis que uma mesma pessoa desempenha em momentos diferentes. Às vezes, Deus atua como Pai, às vezes, como Filho, às vezes, como Espírito Santo, como um ator que faz vários papeis em vários filmes. Porém, isso é um erro.

A Bíblia declara que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são pessoas distintas. Isso fica muito claro no batismo de Jesus (Mc 1.9-11). Quando Jesus sai da água, o Espírito Santo desce sobre Jesus como pomba, e o Pai fala dos céus. Os três aparecem ao mesmo tempo como pessoas distintas.

Alguém poderia dizer que o Espírito Santo não é uma pessoa, mas uma força. Porém, a Bíblia o identifica com uma pessoa, ao lhe dar pronomes e termos pessoais (Jo 16.14; 14.26; 15.26; 16.7), ao lhe atribuir características pessoais (Rm 8.16; At 16.7; Ef 4.30; At 8.29) e ao colocá-lo lado a lado com o Pai e o Filho, que são pessoas, na fórmula batismal e na bênção apostólica (Mt 28.19; 2Co 13.13).

O que distingue o Pai, o Filho e o Espírito Santo são justamente as relações que eles mantêm uns com os outros. O Pai é o Pai do Filho (Ef 1.3), o Filho é o Filho do Pai (2Jo 3) e o Espírito Santo é o Espírito do Pai (Mt 10.20) e do Filho (Gl 4.6). Essas relações são eternas, mas um reflexo delas pode ser visto no batismo de Jesus. A relação mútua do Pai e do Filho é caracterizada por amor: o Pai ama ao Filho e o Filho é amado pelo Pai: “Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo” (Mc 1.11). No Sl 2.7 (aplicado a Jesus em Hb 1.5), essa relação é descrita como uma geração: “Proclamarei o decreto do SENHOR: Ele me disse: Tu és meu Filho, eu, hoje, te gerei”. Em outras palavras, o Pai gera o Filho e o Filho é gerado do Pai. A relação do Espírito com o Pai e com o Filho é caracterizada como um vínculo de amor entre ambos. O Pai envia do céu o Espírito Santo sobre o Filho, como uma demonstração do Seu amor pelo Filho (Mc 1.10). O Espírito Santo, então, repousa sobre Jesus e O unge como Cristo (Mc 1.10), para que o Filho também possa enviar o Espírito (Jo 14.16,26; 15.26; 16.7), como uma demonstração de amor em resposta ao amor do Pai (Lc 10.21; Jo 14.31). Desse modo, o Espírito Santo procede ou sai eternamente tanto do Pai quanto do Filho (Ap 22.1; cf. Jo 7.37-39), o que é chamado de procedência.

Mas as relações entre as três pessoas não chamam a atenção apenas para a diversidade existente entre elas, mas também para a Sua unidade. Só existe um Filho se existir um Pai, e só existe um Pai se existir um Filho. A própria relação entre eles indica que um não pode existir sem o outro (1Jo 2.23). Além disso, o amor do Pai pelo Filho é infinito e os aproxima ao ponto de eles habitarem um no outro: “O Pai está em mim, e eu estou no Pai” (Jo 10.37; cf. Jo 14.8-11). E o Espírito Santo também participa dessa habitação mútua, pois onde o Espírito está, aí também estão o Pai e o Filho (Jo 14.16-18,20,23). Desse modo, Pai, Filho e Espírito Santo se relacionam tão intimamente que eles habitam uns nos outros.

Conclusão

Portanto, há um só Deus, mas esse Deus é três pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo, cada uma das quais é Deus. Ainda que não possamos compreender perfeitamente essa doutrina, esse é o ensino da Escritura e esse é o verdadeiro Deus a quem devemos glorificar e desfrutar para sempre (Ap 22.1-5).
 

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