segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Nós nos reconheceremos após a morte e a ressurreição?

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Segundo a Bíblia, nós nos reconheceremos após a morte e a ressurreição. Depois da morte, o rico no inferno reconheceu Lázaro no paraíso (Lc 16.23), a quem havia conhecido em vida. E não apenas isso, o rico também reconheceu Abraão e Abraão reconheceu o rico e Lázaro (Lc 16.23,25), apesar de eles nunca terem se conhecido antes. Jesus também falou sobre pessoas que recebem seus amigos nos tabernáculos eternos, obviamente reconhecendo-os (Lc 16.9). Quando Jesus se transfigurou diante dos discípulos, dando-lhes uma prévia do que seria a ressurreição, Moisés e Elias apareceram diante de Jesus e dos discípulos. Apesar dos discípulos nunca terem visto Moisés e Elias antes, eles os reconheceram (Mt 17.1-8). Ao falar sobre o reino dos céus, Jesus disse que muitos tomariam lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó (Mt 8.11), e que os perdidos no inferno também veriam esses patriarcas no reino de Deus (Lc 13.28), o que só teria significado se os patriarcas pudessem ser reconhecidos. Paulo declarou que os tessalonicenses eram a sua esperança, alegria, coroa e glória na vinda de Jesus (1Ts 2.19,20), o que só seria verdade se Paulo pudesse reconhecê-los naquele dia (cf. 2Co 4.14).

Porém, apesar de a Bíblia mostrar com clareza esse reconhecimento mútuo após a morte e a ressurreição, alguns tentam negar essa realidade, porque acham que, se reconhecerem parentes e amigos que foram para o inferno, não poderão se alegrar no céu. Esse erro é fruto de um desconhecimento do ensino bíblico a respeito do assunto. Na mesma história do rico e do Lázaro, fica evidente que Lázaro no paraíso está contemplando os tormentos do rico no inferno, mas isso não o impede de ser consolado (Lc 16.25). De fato, a Bíblia ensina que os perdidos serão atormentados no inferno, com fogo e enxofre, “diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro” (Ap 14.10), e até diante dos salvos, que “sairão e verão os cadáveres dos homens que prevaricaram contra mim; porque o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará; e eles serão um horror para toda a carne” (Is 66.24). Na verdade, os salvos se alegrarão com o juízo de Deus contra o ímpio: “Alegrar-se-á o justo quando vir a vingança; banhará os pés no sangue do ímpio” (Sl 58.10). Eles até louvarão a Deus com alegria por esse juízo (Ap 15.2-4; 19.1-3).

Como isso será possível? O teólogo reformado Turretini explica: “A ausência de amigos e parentes que serão excluídos da felicidade não poderá perturbar a alegria dos bem-aventurados, porque todo afeto carnal será destruído, o qual os crentes nutriam nesta vida em suas relações humanas. E assim como, por sua vez, se amarão em Deus e em virtude de Deus, assim não terão sentimento de compaixão para com aqueles a quem verão excluídos da presença de Deus, os objetos de sua ira e maldição eternas. Aliás, se alegrarão em seus justos juízos e os aprovarão com pleno assentimento” (Compêndio de teologia apologética, 20.11.10). Bede também afirma: “Os justos contemplarão os injustos em tormento para que sua alegria aumente, porquanto contemplam o mal do qual, de forma misericordiosa, escaparam, e assim mais profundas ações de graças renderão ao seu Redentor, na medida em que mais evidentemente veem em outros o que poderiam ter suportado se esses males lhes fossem transferidos” (Apud Turretini, Compêndio de teologia apologética, 20.11.10). Portanto, a contemplação do sofrimento dos perdidos não trará tristeza aos salvos, porque eles terão uma perspectiva renovada quanto a isso.

Ainda assim, mesmo com todo esse testemunho bíblico, alguns tentam negar que nos reconheceremos no futuro apelando para Is 65.17: “Pois eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, jamais haverá memória delas”. Segundo eles, essa passagem de Isaías afirma que não nos lembraremos de mais nada do passado quando estivermos na nova terra. Mas essa é uma interpretação incorreta tanto do termo “coisas passadas” quanto do termo “lembrança”. Segundo o contexto dessa passagem, “coisas passadas” significa “angústias passadas”: “porque já estão esquecidas as angústias passadas e estão escondidas dos meus olhos” (Is 65.16 ). Ou seja, os salvos não se lembrarão das angústias passadas. Mas o que significa “lembrança”? Agostinho explica: “A alma lembrar-se-á dos males passados, mas intelectualmente e sem senti-los. Médico bem instruído, por exemplo, conhece à arte médica, quase todas as enfermidades do corpo; muitas, porém, as que não sofreu, desconhece-as experimentalmente. Assim, os males podem ser conhecidos de dois modos: por ciência intelectual ou por experiência corpórea. De um modo conhece os vícios a sabedoria do homem de bem; de outro, a vida desregrada do libertino. E podem ser esquecidos também de dois modos. De um modo esquecem-nos o sábio e o estudioso; de outro quem os sofreu: esquecem-nos aqueles, descuidando o estudo; este, despojado de sua miséria. Segundo esse último esquecimento, os santos não se lembrarão dos males passados. Estarão isentos de todos os males, sem que deles lhes reste a menor sensação, e, não obstante, a ciência que então possuirão em maior grau não apenas não ocultará deles seus males passados, como nem mesmo a miséria eterna dos condenados. Com efeito, se não recordarem haver sido miseráveis, como, segundo diz o salmo, cantarão eternamente as misericórdias do Senhor? Sabemos que a maior alegria dessa Cidade será cantar cântico de glória à graça de Cristo, que nos libertou com seu sangue” (A Cidade de Deus, 22.30). Ou seja, o salvo conservará a memória das angústias passadas no intelecto, pois dará graças a Deus pelo livramento dessas angústias, mas não mais as experimentará, como explica Ap 21.4: “E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram”. Essa interpretação de Is 65.17 concorda com o restante da Bíblia, que afirma que nos lembraremos intelectualmente dos nossos sofrimentos depois da morte e da ressurreição (Lc 16.19-31; Ap 5.8-10; 6.9-11).

Portanto, o ensino bíblico é que nós nos reconheceremos na eternidade, o que de modo algum prejudicará a alegria dos salvos na presença de Deus.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Respostas bíblicas aos argumentos homossexuais

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Da perspectiva de Deus, o homossexualismo é um pecado, o que se percebe claramente na Bíblia. Apesar disso, alguns homossexuais tentam argumentar que a Bíblia não proíbe o homossexualismo e, mais do que isso, que a Bíblia o permite. A seguir estão alguns desses argumentos homossexuais e as respostas bíblicas a cada um deles.

Primeiro, alguns homossexuais argumentam que a Bíblia não proíbe o homossexualismo. Quanto à passagem de Gn 19, eles afirmam que o pecado de Sodoma não foi o homossexualismo, mas a falta de hospitalidade para com estrangeiros, e tentam provar isso com Ez 16.49. Porém, segundo Jd 7, o pecado de Sodoma não foi apenas a falta de hospitalidade, mas também a perversão sexual.

Quanto a Lv 18.22, esses homossexuais dizem que essa passagem proíbe apenas o homossexualismo associado a cultos pagãos, argumentando que a palavra “abominação”, usada para descrever essa prática, sempre se refere à idolatria na lei de Moisés. Mas esse é um argumento falho, uma vez que o capítulo 18 de Levítico não está tratando de idolatria, mas de pecados sexuais diversos, inclusive o incesto e o bestialismo. Além disso, a palavra “abominação” não é só usada para descrever a idolatria, mas também pecados diversos (Dt 22.5; 25.16), inclusive sexuais (Dt 24.4). Assim, apesar de Dt 23.17,18 condenar o homossexualismo cultual, como argumentam os homossexuais, Lv 18.22 condena todo tipo de homossexualismo.

Em relação a Rm 1.26,27, alguns homossexuais argumentam que Paulo se refere apenas ao homossexualismo cultual ou à relação homossexual com vários parceiros, e não ao homossexualismo “monogâmico”, apenas entre dois parceiros, mas essa é uma interpretação forçada sem qualquer sustentação. Na passagem, Paulo está descrevendo as consequências morais de se abandonar o verdadeiro Deus para adorar falsos deuses, e entre essas consequências estão as relações homossexuais entre homens e entre mulheres.

Quanto a 1Co 6.9 e 1Tm 1.10, os homossexuais tentam reinterpretar os termos gregos “malakos” (“efeminado”) como uma referência à prostituição cultual masculina e “arsenokoites” (“sodomita”) como uma referência ao sexo de adultos com crianças. Porém, o termo “malakos”, literalmente “mole”, indica um homem delicado ou efeminado, que submete seu corpo para ser usado sexualmente como o de uma mulher; em outras palavras, o parceiro passivo numa relação homossexual. Já o termo “arsenokoites” é um neologismo de Paulo, composto de duas palavras gregas, “arsen” (“homem”) e “koite” (“cama”), indicando alguém que se deita com um homem (adulto ou criança) como se fosse mulher (como em Lv 18.22); em outras palavras, o parceiro ativo numa relação homossexual. Portanto, ao contrário do que dizem os homossexuais, esses termos descrevem todo o tipo de homossexualismo como pecado.

Além de tentar mostrar que a Bíblia não proíbe o homossexualismo, alguns homossexuais vão além ao argumentar que a Bíblia permite o homossexualismo. Eles apresentam a amizade de Davi e Jônatas (1Sm 18.1-4; 19.1-7; 20.1-43; 23.15-18; 2Sm 1.26) como um amor homossexual, porque Jônatas amava Davi como à sua própria alma (1Sm 18.1,3; 20.17), eles se beijaram (1Sm 20.41) e o amor de Jônatas por Davi ultrapassava o amor de mulheres (2Sm 1.26). Mas, na Bíblia, a palavra “amor” é usada em diversos sentidos além do sexual (Gn 25.28; Dt 6.5; Lv 19.18), inclusive com o sentido de amizade (Pv 17.17). Outro ponto é que o beijo entre homens, no rosto, era e ainda é comum na cultura oriental e não tem qualquer conotação sexual (Gn 33.4; 1Sm 10.1; 1Co 16.20). Além disso, a Bíblia não diz que o amor de Jônatas por Davi era como o amor das mulheres, mas que ultrapassava esse amor, claramente fazendo uma distinção entre esses dois tipos de amor. Davi e Jônatas eram grandes amigos, não parceiros sexuais.

Outra passagem usada algumas vezes pelos homossexuais para defender o homossexualismo é Ec 4.11: “se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só como se aquentará?”. Eles argumentam que num clima quente como o da Palestina, “aquentar-se” só pode ter conotação erótica, sendo uma referência a dois homens se relacionando sexualmente. Mas essa interpretação desconsidera tanto o contexto geográfico da Palestina quanto o contexto bíblico da passagem citada. Ao contrário do que pensam os homossexuais, na Palestina também faz frio e até neva no inverno. E no contexto de Ec 4.11, Salomão, um heterossexual tão assumido que tinha mil mulheres (1Rs 11.3), não está falando sobre homossexualismo, mas sobre as vantagens do companheirismo em relação à solidão. Ele diz que “Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho” (Ec 4.9), porque um companheiro ajuda o outro no caso de uma queda (v.10), ao terem que dormir ao relento (v.11) ou terem que enfrentar inimigos (v.12). Assim, a passagem de Ec 4.11 está falando sobre dois companheiros que dormem juntos numa noite fria para se aquecerem, não sobre uma relação sexual entre homens.

Portanto, a tentativa de alguns homossexuais justificarem seu pecado com a Bíblia não se sustenta, quando confrontada com a própria Bíblia. O homossexualismo é um pecado e não há como fugir dessa realidade.
 

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