terça-feira, 31 de março de 2015

Peregrinos, vocês serão perseguidos!

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“Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia [...] Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros” (Jo 15.19,20). Jesus avisa os seus discípulos de que eles serão perseguidos, e a razão para essa perseguição é justamente o fato de eles serem peregrinos. Nós, cristãos, não somos deste mundo, por isso o mundo nos odeia e nos persegue.

A perseguição é uma realidade na vida dos cristãos desde o início da história da Igreja. Policarpo, bispo de Esmirna no século II, foi preso e levado ao estádio, onde havia feras. Uma carta da Igreja de Esmirna para outras Igrejas assim narra seu martírio: “O chefe da polícia insistia: ‘Jura, e eu te liberto. Amaldiçoa o Cristo!’. Policarpo respondeu: ‘Eu o sirvo há oitenta e seis anos, e ele não me fez nenhum mal. Como poderia blasfemar o meu rei que me salvou? [...] O procônsul disse: ‘Eu tenho feras, e te entregarei a elas, se não mudares de ideia’. Ele disse: ‘Pode chamá-las. Para nós, é impossível mudar de ideia, a fim de passar do melhor para o pior; mas é bom mudar, para passar do mal à justiça’. O procônsul insistiu: ‘Já que desprezas as feras, eu te farei queimar no fogo, se não mudares de ideia’. Policarpo respondeu-lhe: ‘Tu me ameaças com um fogo que queima por um momento, e pouco depois se apaga, porque ignoras o fogo do julgamento futuro e do suplício eterno, reservado aos ímpios. Mas por que tardar? Vai, e faze o que queres’”. Então, amarraram Policarpo para ser queimado e ele fez uma oração. “Quando ele ergueu o seu Amém e terminou sua oração, os homens da pira acenderam o fogo [...] O fogo fez uma espécie de abóbada, como vela de navio inflada pelo vento, e envolveu como parede o corpo do mártir [...] Por fim, vendo que o fogo não podia consumir o seu corpo, os ímpios ordenaram ao carrasco que fosse dar o golpe de misericórdia com o punhal. Feito isso, jorrou tanto sangue que apagou o fogo. Toda a multidão admirou-se de ver tão grande diferença entre os incrédulos e os eleitos”.

Peregrino, você está sofrendo perseguição na escola, no trabalho, entre parentes e amigos? Não se espante. Você será perseguido! Alegre-se pelo privilégio de ser perseguido como Jesus (At 5.41; 1Pe 4.12-14) e por fazer parte de uma longa linhagem de peregrinos perseguidos, dos quais o mundo não é digno (Hb 11.35-38), entre os quais está o próprio Policarpo.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Peregrinos, sejam santos!

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“Amados, exorto-vos, como peregrinos e forasteiros que sois, a vos absterdes das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma” (1Pe 2.11). Pedro, ao exortar os seus leitores a serem santos, apela ao fato de eles serem “peregrinos e forasteiros”. De fato, se nós, cristãos, somos peregrinos neste mundo, essa é uma boa razão para não nos envolvermos com as coisas deste mundo: “a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida” (1Jo 2.16). Em outras palavras, se somos peregrinos, devemos ser santos, separados deste mundo de pecado.

No livro O Peregrino (John Bunyan), em determinado momento de sua peregrinação, Cristão e Fiel passam pela Feira da Vaidade, uma alegoria deste mundo pecaminoso. Nessa feira se encontram “todas as mercadorias: casas, terras, negócios, empregos, honras, títulos, países, reinos, concupiscências, prazeres; e toda a espécie de delícias, tais como prostitutas, esposas, maridos, filhos, amos, criados, vida, sangue, corpos, almas, prata, ouro, pérolas, pedras preciosas [...] enganos, jogos, diversões, arlequins, teatros, divertimentos [...] roubos, mortes, adultérios, perjúrios, falsos testemunhos de toda a classe de gravidade”. Ao passarem por essa feira, Cristão e Fiel criam uma grande confusão, por três motivos: “1º- Os vestidos dos peregrinos eram muito diferentes dos que se vendiam na feira, e aquela gente cercava-os por todos os lados para vê-los. Uns diziam que os peregrinos eram idiotas, outros que eram loucos, e outros que eram estrangeiros (Jó 12.4; 1Co 4.9). 2º- E, se muitos se admiravam dos seus vestidos, não menos se espantavam do seu modo de falar, porque poucos havia que pudessem entendê-los. Eles falavam o idioma de Canaã e a gente da feira falava a linguagem do mundo; de modo que uns aos outros se supunham bárbaros (1Co 2.7,8). 3º- Mas o que mais assombrava os mercadores era que estes peregrinos faziam pouco caso das mercadorias, e nem se davam ao incômodo de olhar para elas. E, se alguém os chamava para comprarem, tapavam os ouvidos, e exclamavam: ‘Desvia os meus olhos, para que não vejam a vaidade’ (Sl 119.37). E olhavam para cima, como para darem a entender que os seus negócios estavam no céu (Fp 3.20,21)”.

Peregrinos, sejam santos! Vocês não são deste mundo. Como Cristão e Fiel, façam a diferença e transtornem o mundo (At 17.6)!

quarta-feira, 18 de março de 2015

Exposição de João 14: Deus nos faz participantes da comunhão de amor da Trindade

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Sermão pregado por mim na Congregação Presbiteriana em José de Freitas-PI, no Dia do Senhor de 15/02/2015.

Para baixar este sermão em áudio, clique aqui.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Cristãos, vocês são peregrinos!

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Nós, cristãos, somos peregrinos no mundo. O salmista afirma: “Sou peregrino na terra” (Sl 119.19), refletindo o ensino de Lv 25.23. Segundo Hb 11.13, os patriarcas confessavam que eram “estrangeiros e peregrinos sobre a terra”, porque a pátria deles era celestial (Hb 11.16). O mesmo é dito de todos os cristãos em Hb 13.14: “Na verdade, não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a que há de vir”.

Essa mentalidade de peregrino está presente nos cristãos no decorrer da história da Igreja. Na Carta a Diogneto, do século II, assim são descritos os cristãos: “Vivem na sua pátria, mas como forasteiros; participam de tudo como cristãos e suportam tudo como estrangeiros. Toda pátria estrangeira é pátria deles, e cada pátria é estrangeira. Casam-se como todos e geram filhos, mas não abandonam os recém-nascidos. Põem a mesa em comum, mas não o leito; estão na carne, mas não vivem segundo a carne; moram na terra, mas tem sua cidadania no céu; obedecem às leis estabelecidas, mas com sua vida ultrapassam as leis; amam a todos e são perseguidos por todos; são desconhecidos e, apesar disso, condenados; são mortos e, desse modo, lhes é dada a vida; são pobres, e enriquecem a muitos; carecem de tudo, e têm abundância de tudo; são desprezados e, no desprezo, tornam-se glorificados; são amaldiçoados e, depois, proclamados justos; são injuriados, e bendizem; são maltratados, e honram; fazem o bem, e são punidos como malfeitores; são condenados, e se alegram como se recebessem a vida. Pelos judeus são combatidos como estrangeiros, pelos gregos são perseguidos, e aqueles que os odeiam não saberiam dizer o motivo do ódio”. No livro Imitação de Cristo, do século XV, Tomás de Kempis afirma: “Se queres permanecer firme e fazer progressos, considera-te como desterrado e peregrino sobre a terra”. Nas suas Institutas, do século XVI, João Calvino declara: “Certamente, enquanto não deixamos o mundo, ‘somos peregrinos, longe do Senhor’. Por conseguinte, se comparada com a celestial, a vida terrena, sem dúvida, será facilmente desprezada e calcada aos pés”. E John Bunyan, no século XVII, escreve todo um livro tratando o cristão como “O Peregrino”.

Que possamos também nos considerar como peregrinos, o que nos ajudará na santificação (1Pe 2.11), na evangelização (Jo 17.14-18), na perseguição (Jo 16.18-20), na vida de fé (Hb 11.8-13) e no relacionamento com o mundo (Fp 3.20).

segunda-feira, 2 de março de 2015

A graça é contrária às boas obras?

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Alguns argumentam que ensinar a salvação pela graça, por meio da fé somente, desestimula as pessoas de praticarem boas obras. O raciocínio é que se a salvação não depende do que nós fazemos, então nós podemos fazer o que quisermos, inclusive o pecado. O raciocínio prossegue no sentido de que apenas se a salvação depender do que nós fizermos, nós seremos motivados a praticarmos boas obras.

Essa opinião é totalmente errada, ainda que muito popular. Ela expressa uma visão incorreta tanto da graça quanto das boas obras. Quanto às boas obras, a Bíblia as apresenta como obras feitas em obediência aos Dez Mandamentos (Ex 20.1-17), que por sua vez se resumem em amar a Deus e ao próximo (Mt 22.34-40). Desse modo, a essência das boas obras é o amor. A essência do amor, por sua vez, é ser totalmente voltado para o outro e não para si mesmo. Ele não procura os seus interesses (1Co 13.5). Logo, uma obra feita por alguém para alcançar a própria salvação não é feita por amor, mas por egoísmo e, portanto, não é uma boa obra.

Quanto à graça, ela é apresentada na Bíblia como um favor imerecido de Deus a nós, pecadores, por meio da obra de Cristo (Rm 3.21-26). Ser salvo pela graça significa que a salvação não é alcançada pelas nossas obras (Ef 2.8,9). Mas essa graça nos é dada com um propósito específico: salvar-nos do pecado (Rm 6.1,2,15-18), o qual é justamente a transgressão dos Dez Mandamentos (1Jo 3.4) e, portanto, o exato oposto das boas obras. Isso significa que ser salvo pela graça é ser salvo para praticar boas obras (Ef 2.10). Logo, ao invés de a graça desestimular as boas obras, é ela quem as produz. Só quem foi salvo pela graça e sabe que sua salvação não depende do que faz, mas do que Cristo fez (Rm 5.19), pode praticar boas obras de forma totalmente desinteressada e amorosa, pensando no bem do outro e não no próprio (Jo 15.1-5).

A graça não é contrária às boas obras. Como disse Agostinho, “A lei nos é dada para que a graça seja buscada; a graça nos é dada para que a lei seja cumprida”. Busque a salvação na graça de Deus, por meio de Cristo, pois só assim você poderá viver o genuíno amor a Deus e ao próximo, praticando obras verdadeiramente boas.
 

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