quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Resenha: Livro O chamado para líderes cristãos (John Stott)

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O livro O chamado para líderes cristãos, de John Stott, é uma série de exposições nos quatro primeiros capítulos de 1 Coríntios. Entendendo que nesses capítulos há uma mensagem especial para os líderes cristãos, Stott se dirige especialmente a eles ao longo desse livro.

John Stott inicia dando uma definição simples de liderança: “ir adiante, mostrar o caminho e inspirar outras pessoas para que o sigam”.[1] No entanto, apesar de a palavra “liderança” ser comum tanto a cristãos quanto a não cristãos, o conceito de liderança para os cristãos é bastante diferente, o que poderia ser chamado de liderança servil (Mt 10.42-44). Paulo foi o líder cristão mais influente na Igreja primitiva e escreve os quatro primeiros capítulos de 1 Coríntios de um modo bastante relevante para os líderes cristãos da atualidade.

Na primeira exposição, de 1Co 1.1-17, Stott trata da ambiguidade da Igreja. Ele intitula assim essa exposição por causa do paradoxo existente no cerne da Igreja, entre o que ela diz ser e o que ela parece ser. Primeiro ele examina a autodescrição de Paulo, mostrando que não há mais apóstolos hoje em dia, pois eles formavam um grupo único com três características principais: tinham sido pessoalmente escolhidos por Jesus Cristo; foram testemunhas do Jesus histórico e de Sua ressurreição (At 1.21,22); foi-lhes prometida uma inspiração especial do Espírito (Jo 16.12-15), de modo que eles escreveram o Novo Testamento (1Ts 2.13). Segundo, ele examina a descrição de Paulo da Igreja de Corinto, onde a ambiguidade da Igreja se apresenta: ela está em Corinto (moradia terrena) e em Cristo (moradia celestial), ela é santificada em Cristo Jesus (santidade concreta) e é chamada para ser santa (santidade potencial). Finalmente, Stott examina a relação de Paulo com Corinto, nos três trechos claramente delimitados dessa seção. Em 1.1-3, Paulo saúda a Igreja, enfatizando a santidade da mesma e mostrando a sua ambiguidade, como já visto acima. Depois, em 1.4-9, Paulo dá graças pela igreja e enfatiza os dons da mesma, onde se percebe outra ambiguidade: a Igreja é completa, pois não lhe falta nenhum dom (v.7), mas ao mesmo tempo ela é incompleta, pois ainda espera ansiosamente a vinda de Cristo (v.9). Finalmente, em 1.10-17, Paulo apela à Igreja e enfatiza sua unidade, onde vemos a última ambiguidade: ela é um só corpo, mas ainda está dividida.

A segunda exposição cobre 1Co 1.18-2.5, tratando do poder por meio da fraqueza. John Stott apresenta esse assunto em três partes. Primeiro, ele examina o poder por meio da fraqueza no próprio evangelho, em 1.18-25. Ele afirma que, assim como naquele tempo, ainda hoje a cruz é um escândalo para todos os que adoram o poder, loucura para os que são intelectualmente arrogantes, mas o poder e a sabedoria de Deus para o Seu povo. Em segundo lugar, ele apresenta o poder por meio da fraqueza nos convertidos de Corinto, em 1.26-31. Eles eram em si mesmos loucos, fracos e humildes, para que nenhum deles se orgulhasse, mas Cristo Jesus se tornou para eles sabedoria, que é a justiça (salvação passada), santificação (salvação presente) e redenção (salvação futura). Em terceiro lugar, Stott fala do poder por meio da fraqueza no evangelista Paulo, em 2.1-5. Paulo não pregou o evangelho com sabedoria (filosofia humana), mas com Jesus Cristo e este crucificado. Ele também não pregou o evangelho com ostentação de linguagem (retórica humana), mas em fraqueza, temor e grande tremor. Em resumo, a sua pregação foi demonstração de Espírito e de poder em meio à fraqueza.

Na terceira exposição, de 1Co 2.6-16, John Stott fala sobre o Espírito Santo e as Sagradas Escrituras. Ele apresenta esse tema basicamente com quatro pontos. Primeiramente, o Espírito Santo perscruta (2.10b,11). Ele é “um incansável investigador, e mesmo como um mergulhador de grandes profundidades, procurando penetrar no âmago das profundezas do ser de Deus”.[2] Em segundo lugar, o Espírito Santo revela (2.10a,12). Os apóstolos receberam de Deus não só a salvação, mas também a revelação por meio do Espírito que os capacitou a entenderem essa salvação. Em terceiro lugar, o Espírito Santo ensina (2.13). O que os apóstolos receberam por meio de revelação, eles transmitiram e registraram nas Escrituras. Nesse ponto, Stott esclarece o que a inspiração verbal das Escrituras significa, dizendo quatro coisas: não significa que cada palavra da Bíblia seja literalmente verdade, não significa ditado verbal e não significa que cada texto das Escrituras seja verdadeiro isolado do seu contexto, mas significa que o que o Espírito Santo disse por intermédio dos autores bíblicos é verdadeiro e sem erro. Finalmente, Stott apresenta o Espírito Santo como Aquele que discerne (2.13b-16). O mesmo Espírito que revelou verdades aos apóstolos agora capacita os ouvintes e leitores a compreendê-las.

A quarta exposição de John Stott, em 1Co 3, tem como tema a Igreja e a Trindade. Ele examina três metáforas que Paulo utiliza para descrever a Igreja nesse texto e a ênfase que cada uma delas dá a uma pessoa da Trindade. A primeira metáfora é a agrícola: “Lavoura de Deus... sois vós” (3.5-9b). A Igreja é como uma lavoura, onde agricultores trabalham (Paulo e Apolo), mas onde o crescimento vem de Deus, motivo pelo qual ninguém deve se orgulhar dos agricultores. A segunda metáfora é a arquitetônica: “edifício de Deus sois vós” (3.9b-16). A Igreja também é como um edifício, onde muitas pessoas trabalham edificando, mas cujo fundamento é apenas um: Cristo. Esses trabalhadores devem tomar cuidado, portanto, para não lançar outro fundamento e não edificar uma superestrutura sobre esse fundamento que seja incompatível com a natureza dele. A terceira metáfora é a eclesiástica: “sois santuário de Deus” (3.16,17). Assim, finalmente, a Igreja é comparada com o santuário, o local do templo onde a glória de Deus se fazia presente. Mas agora o próprio Espírito de Deus habita em Seu povo, de modo que aquele que tentar destruir esse santuário será destruído por Deus.

Finalmente, na última exposição, em 1Co 4, Stott apresenta alguns modelos de ministério. Em primeiro lugar, os pastores são os ministros de Cristo (4.1a), cuja ideia é de subordinação a Cristo. Desse modo, eles são responsáveis perante Cristo por seu ministério. Em segundo lugar, os pastores são os despenseiros de Cristo (4.1b,2). A ideia é que aos pastores foram confiadas as verdades antes ocultas, mas agora reveladas. Assim, os pastores são essencialmente professores, devem ensinar apenas o que foi confiado por meio das Escrituras e devem ser fieis. Em terceiro lugar, os pastores são a escória de todos (4.8-13), onde Paulo fala sobre o sofrimento do ministério. Em último lugar, os pastores são os pais da família da Igreja (4.14-21), não no sentido de terem a autoridade de um pai (Mt 23.9), mas a afeição de um pai (1Ts 2.7).

O chamado para líderes cristãos é um livro extremamente relevante para os nossos dias. Seu valor para os líderes cristãos não pode ser subestimado. Em especial para o autor desta resenha, esse livro trouxe lições muito preciosas para o exercício do ministério cristão, inclusive no modo de expor as Escrituras.





[1] STOTT, John. O chamado para líderes cristãos. São Paulo: Cultura Cristã, 2005, p.9.
[2] Ibid., p.55.

Comentários

1 comentário em "Resenha: Livro O chamado para líderes cristãos (John Stott)"

Josiel Dias disse...
22 de janeiro de 2015 10:13

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