segunda-feira, 27 de maio de 2013

Mudanças em minha Teologia e em minha Vida (Parte 2)

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Mudanças em minha Teologia

Batismo infantil

Desde que eu me tornei reformado, alguns conceitos reformados sobre o batismo e a Ceia do Senhor já eram claros para mim. Por exemplo, eu já os considerava como sacramentos e meios de graça, e não apenas como símbolos (At 22.16; 1Co 10.16). Além disso, eu já entendia que a forma do batismo não precisava ser a imersão, mas que também poderia ser a aspersão ou a efusão (cf. Ez 36.25; Jl 2.28). Mesmo quando eu me mudei para a Igreja Batista Central de Campinas, essas concepções sobre os sacramentos não mudaram.

Outro aspecto da teologia reformada do qual eu já tinha algum entendimento desde os primeiros meses de reformado era a teologia do pacto. Eu já entendia que o Antigo e o Novo Testamento não eram duas alianças distintas, mas a mesma aliança da graça administrada de maneiras distintas; que havia continuidade entre Israel no Antigo Testamento e a Igreja no Novo Testamento; que a Lei moral de Deus, os Dez Mandamentos, eram válidos no Novo Testamento tanto quanto eram no Antigo, de maneira que tudo o que não era abolido no Novo Testamento era válido para os dias de hoje; e até mesmo que a circuncisão do Antigo Testamento era equivalente ao batismo do Novo Testamento, e a Páscoa, à Ceia do Senhor.

Apesar disso, porém, eu ainda não aceitava o batismo infantil, por fazer uma falsa aplicação do Princípio Regulador do Culto, o qual afirma que “o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo, e é tão limitado pela sua vontade revelada, que ele não deve ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens, ou sugestões de Satanás, nem sob qualquer representação visível, ou de qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras” (Confissão de Fé de Westminster 21.1). Como o batismo é elemento do culto e como não há nenhum mandamento ou exemplo explícito de batismo infantil no Novo Testamento, eu raciocinava que ele não deve ser praticado. Eu reconhecia que havia continuidade entre a circuncisão e o batismo, de modo que ambos significam a mesma realidade espiritual (Cl 2.11,12). Mas quando observava algumas diferenças entre a circuncisão e o batismo, como o fato de a circuncisão ser aplicada apenas a homens e o batismo ser aplicado também a mulheres, eu entendia que a descontinuidade entre os dois ritos se manifestava também na exclusão dos recém-nascidos do batismo. Outro fato que me impedia de receber o batismo infantil era a ligação íntima existente entre batismo e fé (Rm 6.3,4; Cl 2.11,12). Se os recém-nascidos não podem exercer fé, então não podem receber o batismo, eu pensava.

Quando conheci Jacilene resolvi reexaminar o assunto. Peguei a Teologia Sistemática de Berkhof e reli todos os capítulos sobre o pacto das obras, o pacto da graça e os sacramentos, especialmente o batismo, que eu já havia lido em 2008. Também li um livro chamado O Batismo Infantil, com capítulos de John Sartelle, John Evans, Paulo Anglada e Joseph Pipa. Essas leituras abriram meus olhos para dois fatos que eu nunca tinha observado muito bem, e que eram o que faltava para que eu recebesse o batismo infantil como bíblico. Primeiro, descobri que no Novo Testamento os filhos dos crentes também fazem parte da aliança, assim como acontecia no Antigo Testamento (At 2.38,39; At 16.31; 1Co 7.14). Logo, se no Antigo Testamento os filhos dos crentes recebiam o selo da aliança (a circuncisão), no Novo Testamento eles também deveriam receber esse selo (o batismo). Segundo, observei que a circuncisão também estava intimamente ligada à fé, tanto que é chamada de “selo da justiça da fé” (Rm 4.11), e mesmo assim era aplicada a crianças que ainda não tinham fé. Logo, a ligação da fé com o batismo não era um motivo bom o suficiente para negá-lo aos recém-nascidos.

Assim, minha argumentação não deveria ser que, se não há exemplo claro de batismo infantil no Novo Testamento, ele não deve ser praticado, mas sim que, se não há proibição do batismo infantil no Novo Testamento, ele deve ser praticado. O fato de o batismo ser aplicado também a mulheres no Novo Testamento não deveria ser um problema, pois isso apenas indicaria a amplitude maior da Nova Aliança em relação à Antiga. Faz sentido a aliança se tornar mais ampla para que as mulheres também recebam o selo da aliança, mas não faz sentido que a aliança retroceda, de modo que os recém-nascidos, que faziam parte da aliança no Antigo Testamento e continuam fazendo parte no Novo, deixem de receber o selo da aliança. E finalmente, a ligação entre o batismo e a fé não deveria inibir o batismo infantil, porque o recém-nascido pode ser batizado na esperança de que exerça fé no futuro, e bem pode ser que ele já tenha sido regenerado e já tenha uma fé incipiente, como João Batista, cheio do Espírito Santo já do ventre materno (Lc 1.15).

Chegando a essas compreensões sobre o batismo infantil, eu o recebi como bíblico na primeira quinzena de outubro de 2010.

Governo presbiteriano

Quando eu estudei a Teologia Sistemática de Wayne Grudem em 2006, passei a entender que a forma de governo eclesiástico mais bíblica era o congregacionalismo. Nessa forma de governo, cada igreja local é absolutamente independente das outras, os oficiais são eleitos pela própria igreja local e é a igreja local toda reunida quem exerce o governo, por meio das assembléias, onde todos os membros decidem todos os assuntos da igreja. A autoridade dos oficiais para governar não é diferente da que tem todo crente e sua única diferença em relação aos demais é sua função de ensinar e de administrar a igreja. Nenhuma estrutura que não seja a igreja local pode impor qualquer coisa a essa igreja, e qualquer relação com outras igrejas tem em vista apenas a cooperação na obra de Deus.

Quando passei a congregar na Igreja Batista Central de Campinas, em 2009, comecei a observar alguns problemas práticos com o congregacionalismo, que pareciam contrariar algumas doutrinas bíblicas sobre a natureza da Igreja. Por exemplo, a independência de cada igreja local promovida por esse modelo, na prática, produzia uma diferença doutrinária tão grande entre as igrejas que não era possível ver nenhuma unidade na Igreja visível. Além disso, a ideia de que todos os membros da igreja local a governavam juntamente com os oficiais fazia esses oficiais tão subordinados aos membros que muitos pastores caíam na tentação de ensinar, não o que os membros precisavam ouvir, mas o que queriam ouvir, para agradá-los.

Assim, em 2010, quando reli alguns capítulos da Teologia Sistemática de Berkhof sobre os sacramentos, também reli os capítulos referentes à forma de governo. Isso me fez repensar qual era a forma de governo eclesiástico mais bíblica. Observei que, ainda que toda a igreja local tivesse autoridade para resolver certos assuntos, como a eleição de oficiais (At 14.23), muitos outros assuntos, como questões doutrinárias, só os oficiais decidiam. Além disso, percebi que as igrejas locais do primeiro século não eram absolutamente independentes umas das outras, mas havia uma estrutura acima delas que exercia autoridade. Esses dois fatos podem ser vistos no Concílio de Jerusalém, em Atos 15. A Igreja de Antioquia teve um problema com judaizantes que ensinavam os gentios a se circuncidarem (v.1). Porém, esse caso não foi resolvido pela própria Igreja de Antioquia, mas foi levado a uma assembleia maior de oficiais (apóstolos e presbíteros), que se reuniram para examinar a questão (vv.2,6). Nessa assembleia, somente oficiais discutiram o assunto (vv.7-21) e decidiram a respeito dele (At 16.4).

Essa percepção, juntamente com muitos outros fatos da Escritura que não cabe enumerar aqui, me levou a reconhecer o presbiterianismo como o governo mais bíblico, também em outubro de 2010.

Domingo como Sábado Cristão

Logo quando me tornei reformado, comecei a entender que os Dez Mandamentos eram um resumo da Lei moral de Deus, e que essa Lei era essencialmente a mesma do Novo Testamento. Esse entendimento era fruto dos seguintes fatos: os Dez Mandamentos têm um caráter único, pois foram escritos em tábuas de pedra pelo dedo de Deus (Ex 31.18; Dt 5.22); na Nova Aliança esses mesmos mandamentos que haviam sido inscritos em tábuas de pedra seriam inscritos na mente e no coração do povo de Deus (Jr 31.31-33); Jesus não veio revogar a lei, mas cumpri-la (Mt 5.17,18); os Dez Mandamentos são repetidos no Novo Testamento em diversas passagens (Mt 5.21-37; 19.17-19; Rm 13.8-10; Tg 1.25; 2.8-12); e os dois grandes mandamentos mencionados por Cristo – amar a Deus de todo coração e amar ao próximo como a si mesmo – são apenas resumos da Lei (Mt 22.34-40). Tudo isso mostrava o caráter permanente dos Dez Mandamentos.

Esse entendimento a respeito da permanência dos Dez Mandamentos no Novo Testamento obviamente incluía o quarto mandamento, que trata da guarda do dia de descanso. O argumento de alguns de que o sábado era um mandamento da Lei cerimonial não fazia sentido para mim, pois se todos os outros nove mandamentos eram parte da Lei moral, seria incoerente que apenas o quarto mandamento fosse cerimonial. Cristo mesmo tinha afirmado a validade do sábado no Novo Testamento (Mc 2.27,28). Além disso, o sábado já era guardado antes da entrega dos Dez Mandamentos no Monte Sinai (Gn 2.2,3; Ex 16.22-30), assim como todos os outros nove mandamentos.

Eu também já entendia que o quarto mandamento, também válido no Novo Testamento, deveria ser guardado por meio de um santo repouso durante todo o dia, com a abstenção de qualquer ocupação temporal, como trabalho, comércio, estudos, lazer, etc, e uma dedicação exclusiva à adoração pública e particular (Ex 20.8-11; Is 58.13,14), com exceção do tempo necessário para os deveres de necessidade e misericórdia (Mt 12.1-14).

Mas apesar de eu já compreender perfeitamente que o sábado era válido no Novo Testamento, eu ainda não concordava que havia ocorrido uma mudança no dia de descanso do Antigo para o Novo Testamento, do sétimo para o primeiro dia da semana, e que o domingo era o sábado cristão. Eu entendia que a essência do quarto mandamento era guardar um dia em sete, e que não importava o dia da semana que era guardado, se o sábado ou se o domingo. Mas embora eu tivesse essa compreensão a respeito do quarto mandamento, só comecei a me esforçar por guardá-lo no ano de 2009, procurando descansar no primeiro dia da semana, escolhendo esse dia pela conveniência.

Porém, tudo isso começou a mudar no dia 29 de outubro de 2010, quando conheci pessoalmente Pr. Emerson Iglesias, pastor de Jacilene, e compartilhei com ele minha dificuldade de entender o domingo como o sábado cristão. Ele me deu alguns argumentos para a mudança do dia, do sétimo para o primeiro, e me recomendou o livro O Dia do Senhor (Joseph Pipa).

Assim, comecei a leitura de O Dia do Senhor, onde encontrei argumentos convincentes para a mudança do dia. O primeiro fato a ser considerado é que Jesus ressuscitou no primeiro dia da semana (Jo 20.1) e apareceu algumas vezes aos discípulos, após a ressurreição, no primeiro dia da semana (20.19,26). Isso por si mesmo não indica nada. Porém, um segundo fato importante é que, após a ressurreição, os cristãos passaram a adorar no primeiro dia da semana (At 20.7-12; 1Co 16.1,2), o que na primeira passagem é indicado pela pregação e Ceia, elementos de culto, e na segunda passagem indicado pela coleta de ofertas, também um elemento de culto. Isso é muito significativo, porque o dia de adoração no Antigo Testamento era o sétimo, e se os cristãos passaram a adorar no primeiro dia da semana, isso mostra que ocorreu uma mudança no dia de adoração a Deus. Finalmente, há um fundamento teológico para a mudança do dia em Hb 4.9,10: “Portanto, resta um repouso para o povo de Deus. Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das suas”. Não é possível fazer uma exegese dessa passagem aqui, mas a palavra “repouso” tem o significado de “repouso sabático” e é diferente da palavra usada para “descanso” nos versos anteriores. O autor aos Hebreus tem em vista aqui o dia de descanso semanal e afirma que ainda há um dia de descanso para o povo de Deus. Então, ele fundamenta isso, comparando a obra da criação com a obra da redenção. “Aquele” é melhor traduzido como “ele”, referindo-se a Cristo. No Antigo Testamento se guardava o sétimo dia, porque Deus criou em seis dias e descansou no sétimo. No Novo Testamento, porém, Cristo tem uma vida inteira de intenso trabalho e descansa da obra de redenção no primeiro dia da semana, com Sua ressurreição, quando Ele entra no descanso de Deus. O argumento, portanto, é que no Novo Testamento ainda há um dia de descanso, e esse dia é o mesmo em que Cristo descansou de Sua obra de redenção, o primeiro dia da semana.

Somado a esses fatos bíblicos, há alguns fatos históricos que provam a antiguidade da guarda do primeiro dia da semana. O Didaquê, um documento escrito no final do primeiro século, afirma que os cristãos adoravam no primeiro dia da semana, e o chama de Dia do Senhor, a mesma linguagem de João em Ap 1.10. Outros escritores antigos, como Inácio de Antioquia, afirmam a mesma coisa.

Alguns procuram negar a validade do sábado para o Novo Testamento apelando para passagens como Rm 14.5 e Cl 2.16,17. Mas essas passagens devem ser entendidas dentro do contexto maior de toda a teologia bíblica. Dessa forma, os dias de Rm 14.5 poderiam ser os dias de festas da religião judaica e os sábados de Cl 2.16,17, os sábados de anos da lei cerimonial.

Esses argumentos me convenceram de que o domingo é o sábado cristão, o Dia do Senhor, e o recebi como bíblico na segunda quinzena de dezembro de 2010.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Exposição de 1 Coríntios 14.13-19: O uso da mente é fundamental para a verdadeira espiritualidade

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Sermão pregado por mim na Congregação Presbiteriana em José de Freitas-PI, no Dia do Senhor de 19/05/2013.

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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Seminário Teológico do Nordeste: um lugar onde Teologia e Vida se encontram

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Será possível encontrar uma escola de teologia onde o estudo teológico não seja divorciado da vida devocional? Onde os professores não sejam meros acadêmicos, mas pastores piedosos? Onde os alunos sejam estimulados não apenas a memorizar todos os paradigmas da 3ª declinação do grego coinê, mas também a se dedicar à adoração particular, doméstica e pública? Sim, essa instituição de ensino teológico existe, e o seu nome é Seminário Teológico do Nordeste (STNe).

De fato, o Seminário Teológico do Nordeste é um lugar onde Teologia e Vida se encontram. Na verdade, Teologia e Vida estão no próprio lema do STNe, que é "Pieta et Scientia" (Piedade e Conhecimento). Para que os leitores deste blog, especialmente os da região Norte e Nordeste, conheçam um pouco mais sobre o STNe, coloquei abaixo algumas informações do Seminário retiradas do próprio site. Muitas outras informações poderão ser encontradas no site, que pode ser acessado clicando aqui.

O Seminário Teológico do Nordeste é uma das instituições de ensino teológico da Igreja Presbiteriana do Brasil. Surgiu graças ao espírito empreendedor da Igreja Presbiteriana da Coreia, que enviou para Teresina o Rev. Sung Il Kang. 
Inaugurado em 1992, como Instituto Bíblico do Nordeste, tornou-se Seminário Teológico do Nordeste em 1995 , sendo formalmente recebido pela IPB em 2002, por decisão da reunião ordinária do Supremo Concílio, evento ocorrido no Rio de Janeiro sob a presidência do Rev. Roberto Brasileiro Silva. O Seminário, desde então, encontra-se sob a jurisdição da JURET N/Ne, que naquela data era presidida pelo presb. Uziel Furtado Gueiros Filho. A referida JURET designou os Revs. Maely Ferreira Vilela e Moisés Cavalcante Bezerril como diretor e capelão, respectivamente. Atualmente a direção é composta, desde janeiro de 2013, pelo Rev. José Alex Barreto Costa Barbosa (diretor) e pelo Rev. Jefté Laves de Assis (capelão).
O STNe se propõe a combinar três grandes objetivos, indispensáveis à formação pastoral, a saber: erudição, fidelidade doutrinária e piedade. Para tanto, dispõe de um colegiado de professores qualificados, atendendo aos padrões de titulação exigidos pela JET, que tem contribuído para que os seus discentes obtenham excelentes resultados em todas as edições do Exame Nacional de Formandos – o provão. 
O Seminário enfatiza a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento teológico, reafirmando sua fidelidade às Escrituras Sagradas, como única regra de fé prática, sua lealdade à Confissão de Fé de Westminster e seus Catecismos, sua obediência à Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil e sua permanente vigilância pela manutenção de um clima organizacional que valorize a espiritualidade, o companheirismo, a experiência pastoral e o ardor missionário. 
O patrimônio físico do STNe conta com uma chácara aprazível em um dos bairros residenciais de Teresina, onde se encontra um conjunto arquitetônico que compreende salas de aula, biblioteca, alojamentos para alunos solteiros e casados, residências de professores, capela e área de lazer com campo e quadra poliesportiva. Conheça, ore e ajude o STNe, uma casa de Profetas de Portas abertas para acolher e treinar vocacionados.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Exposição de 1 Coríntios 14.6-12: Falar em línguas sem interpretação não é proveitoso para a igreja

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Sermão pregado por mim na Congregação Presbiteriana em José de Freitas-PI, no Dia do Senhor de 12/05/2013.

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segunda-feira, 13 de maio de 2013

A Pregação Autêntica

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Texto escrito pelo irmão Davi Luan Carneiro, no dia 6 de janeiro de 2013.

Em Mateus 3.7-12, vemos a conversa de João Batista com os fariseus e saduceus. Como precursor do Messias, João Batista foi um modelo de pregador. Que tal observarmos o seu diálogo, a fim de aprendermos sobre como é a pregação autêntica?

Em primeiro lugar, a pregação autêntica confronta o pecado. No verso 7, João Batista não hesitou em dirigir-se aos seus ouvintes com termos fortes e inconfundíveis: "Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?". A pregação cristã não é auto-ajuda, nem consiste em discurso motivacional. Nosso objetivo não é acariciar o ego dos nossos ouvintes, nem dizermos palavras bonitas e inspiradoras. Precisamos, com sinceridade e amor, confrontar o pecado. É necessário mostrar o que é o pecado e a grande culpa que os pecadores carregam. Se não formos claros a respeito da natureza, engano e consequências do pecado, nossos ouvintes não poderão ser salvos. Eles nunca apreciarão a graça salvadora de Jesus Cristo, enquanto não conhecerem a miséria devastadora de seus próprios corações.

Além disso, a pregação autêntica convoca ao arrependimento. No verso 8, lemos a convocação de João Batista: "Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento". Em outras palavras, eles deveriam arrepender-se e mostrar obras comprovadoras do arrependimento. Esse tipo de mensagem é essencial no Evangelho de Cristo. Apesar de todas as pessoas serem pecadoras, Deus está disposto a perdoar e salvar todos aqueles que, em arrependimento, aproximam-se de Cristo pela fé. Somente Jesus salva, mas não existe salvação sem arrependimento. Os pregadores do Evangelho precisam entender que não podem deixar seus ouvintes confortáveis em suas vidas pecaminosas, mas devem incomodá-los com a mensagem do arrependimento.

João Batista continua, mostrando-nos que a pregação autêntica denuncia a falsa segurança. No verso 9, o profeta orienta seus ouvintes a não serem presunçosos, pensando que estão seguros simplesmente por serem descendentes de Abraão. Hoje em dia, há muitos que têm uma falsa segurança de salvação. Alguns sentem-se seguros por acharem que são boas pessoas. Outros, por sua vez, pensam que tudo está bem pelo fato de serem membros de uma igreja. Que cada um de nós tome cuidado! A verdadeira segurança de salvação é obra do Espírito Santo, que fala ao nosso coração por meio da Palavra de Deus, nos mostrando que fomos salvos pela maravilhosa graça do Senhor Jesus Cristo, que padeceu por nossos pecados e ressuscitou para nossa justificação. A pregação autêntica ensina isso. Ela denuncia a falsa segurança, a fim de que os ouvintes possam, pela graça, gozar da verdadeira segurança.

Em quarto lugar, a pregação autêntica adverte sobre o juízo final. No verso 10, João Batista fala com toda a ousadia: "E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo". A humanidade caminha segundo o seu próprio coração, vivendo conforme os seus desejos e desprezando o Seu Criador. As pessoas ignoram que, um dia, terão de comparecer perante Deus e serão julgadas por Ele. Esse juízo certamente virá. Será inescapável, exaustivo, definitivo. O Deus que vê tudo, inclusive as profundezas de cada coração, há de julgar a Sua criação. A pregação autêntica adverte sobre isso. Ela não deixa os pecadores continuarem vivendo como se nunca tivessem de prestar contas ao Senhor do universo.

O relato bíblico prossegue, ensinando-nos que a pregação autêntica anuncia o Senhor Jesus. No verso 11, João Batista aponta para o Messias, dizendo: "Eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas Aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de carregar". O supremo assunto da pregação cristã é o Senhor Jesus Cristo. Ele é o Rei do universo e toda a criação deve adorá-Lo. Ele é o Criador, que formou o mundo com Seu grande poder. Ele é o Sustentador, que mantém todas as coisas pela Sua Palavra. Ele é Aquele que se fez homem e viveu no meio de nós, vencendo o mundo, triunfando sobre as tentações e derrotando o diabo. Na cruz, movido por um grande e incompreensível amor, Jesus suportou a culpa dos pecados de Seu povo, para que pudesse libertá-lo para sempre. Além disso, ao terceiro dia Ele ressuscitou dentre os mortos e está vivo, assentado à direita do trono de Deus. Um dia, o Cristo ressuscitado voltará com grande poder, destruindo definitivamente todo o mal que há no mundo e trazendo toda a Sua Igreja para Si. Que maravilhoso é o Senhor Jesus Cristo! Quem é como Ele? Seu caráter é glorioso, Suas obras são poderosas! O pregador do Evangelho é sempre cristocêntrico. Seu grande assunto é a Pessoa e obra de Cristo. Toda a pregação gira em torno do Senhor Jesus e é, acima de tudo, realizada para a glória do Seu nome.

Por fim, a pregação autêntica celebra as riquezas da graça. Nos versos 11 e 12, João Batista fala sobre o dom do Espírito Santo e sobre o trigo sendo recolhido no celeiro. Acredito que um dos principais motivos pelo qual o povo cristão está perdendo o vigor espiritual é que os pregadores não têm ensinado a respeito das abundantes riquezas da graça de Deus. A Bíblia usa palavras elevadíssimas a respeito do que Deus fez, tem feito e fará em favor de Seus filhos, e a pregação autêntica precisa afirmá-las com toda a profundidade possível. Veja só o que encontramos, por exemplo, na carta de Paulo aos Efésios. Lá é dito que fomos eleitos antes da fundação do mundo (1.4), selados com o Espírito Santo da promessa (1.13), alvos da sobre-excelente grandeza do poder de Deus (1.19), ressuscitados juntamente com Cristo (2.5), colocados nas regiões celestiais em Cristo (2.6), presenteados com as abundantes riquezas de Sua graça (2.7-8) e amados com um amor que excede toda a compreensão humana (3.19). A lista poderia continuar indefinidamente, em Efésios e nos demais livros da Bíblia. A pregação autêntica celebra as riquezas da graça de Deus, que encontram-se abundantemente no Senhor Jesus Cristo.

Caso você seja um pregador, atente para o modelo de João Batista e pratique-o. E que todos nós possamos orar ao Senhor, clamando para que Ele desperte pregadores autênticos, que glorificarão o nome de Jesus e serão instrumentos de salvação e edificação para o mundo.

Com amor,
Davi.

sábado, 11 de maio de 2013

Soneto da Exegese

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Poema escrito pelo irmão Davi Luan Carneiro.

A exegese é tarefa da mente
É preciso usar a inteligência
Pensar com muito afinco
Raciocinar com coerência

A exegese é tarefa do coração
É preciso usar a sensibilidade
Deixar-se ser transformado
Alegrar-se com a verdade

Regue sua exegese com adoração
Celebrando o Autor da revelação
E compreenda os tesouros do Seu amor

Ao interpretar, seja interpretado
Pelo vislumbre da glória, transformado
E aproxime-se mais do Seu Senhor!

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Exposição de 1 Coríntios 14.1-5: A profecia é superior ao falar em línguas sem interpretação

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Sermão pregado por mim na Congregação Presbiteriana em José de Freitas-PI, no Dia do Senhor de 05/05/2013.

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quarta-feira, 8 de maio de 2013

Exposição de 1 Coríntios 13.8-13: Os dons espirituais são passageiros diante da eternidade do amor

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Sermão pregado por mim na Congregação Presbiteriana em José de Freitas-PI, no Dia do Senhor de 28/04/2013.

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Errata: O verbo traduzido como “conhecerei” no v.12, de fato, tem a forma da voz média no grego, mas como é um verbo depoente, o seu significado é da voz ativa. Assim, ele não tem um significado reflexivo (“me conhecerei”) como eu disse no sermão equivocadamente, mas ativo (“conhecerei”), como aparece em todas as traduções. Assim, a tradução mais literal do v.12, parte b, seria: “agora conheço em parte, mas então conhecerei exatamente como também fui conhecido”. Isso, porém, não afeta o argumento do sermão de que Paulo está falando sobre o conhecimento de si mesmo, como pode ser percebido pelo final do versículo (“como também fui conhecido”) e pela própria ilustração do espelho, onde ele se vê no espelho de forma obscura, e depois face a face.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Exposição de 1 Coríntios 13.4-7: A essência do amor é a busca pelo bem do próximo

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Sermão pregado por mim na Congregação Presbiteriana em José de Freitas-PI, no Dia do Senhor de 21/04/2013.

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segunda-feira, 6 de maio de 2013

Exegese de Atos 2.41-47

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O grande objetivo de Lucas nesta passagem é mostrar que a perseverança daqueles que são acrescentados à Igreja por meio da Palavra e do batismo resulta no acréscimo de outros pelo Senhor Jesus Cristo.

 

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