sábado, 31 de dezembro de 2011

Ovelha gera ovelha!

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Existe uma verdade fundamental que muitos esquecem: ovelha gera ovelha! Muitas vezes as pessoas, quando vêem uma igreja com poucos membros, começam a falar que a culpa é do pastor e que a solução é substituí-lo. Quando um time de futebol está em uma fase ruim, a culpa é sempre do técnico, nunca dos jogadores, e a direção do time não pensa duas vezes antes de substituir o técnico, mesmo sabendo que muitas vezes a culpa é dos jogadores. É mais fácil mudar uma pessoa do que pensar na possibilidade de mudar a grande maioria. Em certas igrejas, ocorre o mesmo quando a igreja não vai bem em relação à evangelização: a culpa só cai sobre o pastor e as ovelhas não param para pensar que isso é consequência de seus próprios erros. Existem ovelhas que não decidem cumprir com suas responsabilidades, por vários motivos, seja ele o tempo, a vergonha, entre outras barreiras criadas pelas próprias ovelhas.

Como mulheres inteligentes que somos, vamos fazer a nossa parte, vamos falar de nosso Cristo. O melhor campo missionário que temos para fazer isso é o nosso ambiente familiar, onde existem pessoas que amamos, para as quais queremos o melhor, ficando aflitas só em pensar na possibilidade de condenação delas. Para falarmos de Cristo não precisamos ser teólogos, podemos evangelizar sem nem mesmo abrir a boca, com uma conduta íntegra em relação a Deus. Melhor do que ser chamada de boa esposa, boa mãe e boa dona de casa, é ser chamada mulher de Deus. Se nossos filhos e maridos já são servos de nosso Senhor, glória a Deus por isso, mas ainda temos familiares, vizinhos, pessoas que convivem conosco em locais que visitamos, etc, que não conhecem o Evangelho. Então, surge uma pergunta: para quantas dessas pessoas falamos de Cristo? Quantas delas convidamos para ir à igreja?

Em certo congresso, um pastor estava pregando sobre evangelização. Depois de terminado o congresso, uma mulher o procurou e começou a falar os motivos pelos quais ela não evangelizava. Falou que não tinha como sair de casa, pois era viúva e tinha que cuidar dos filhos. O pastor, então, virou para ela e perguntou: “Quem entrega o leite em sua casa?”. Ela respondeu que era o leiteiro. Ele voltou a perguntar: “Quem entrega o pão?”. Ela prontamente respondeu que era o padeiro. Então, o pastor tranquilamente falou: “Deus te abençoe”. Ela, então, voltou para casa se questionando acerca da conversa com o pastor. No dia seguinte, ela não colocou a garrafa vazia na porta de sua casa para o leiteiro pegar. Quando o leiteiro observou que a garrafa não estava no local, decidiu bater na porta. Momentos depois a mulher atendeu e o leiteiro perguntou se ela não queria leite naquele dia. Ela imediatamente respondeu que queria sim o leite, mas que antes queria fazer uma pergunta. Então, ela perguntou: “Se você morresse hoje, para onde você iria?”. Assustado com a pergunta, ele respondeu que fazia semanas que isso o atormentava. Ela, então, começou a falar da vida eterna, da morte e ressurreição de Cristo, e o homem se tornou um servo de Deus. Ela começou a fazer isso por onde andava, e muitos passaram a conhecer a Deus.

Essa breve narração nos mostrar como é fácil falarmos da Palavra de Deus. Às vezes, por vergonha, não fazemos isso. Não devemos apenas reter o conhecimento que Deus nos concede, mas devemos também transmiti-lo. A Palavra de Deus diz que devemos cumprir com o “ide” do Senhor, indo e anunciando as verdades bíblicas.

Existem pessoas que, às vezes, falam que desejam ir a lugares distantes, mas para as pessoas que moram perto, que convivem com elas, elas nunca falaram da Palavra de Deus. Então, ficamos nos questionando se essas pessoas são capazes de falar de Deus em lugares distantes, se não têm experiência alguma de evangelização. Antes de olharmos para a necessidade espiritual de determinado local fora de nosso alcance, devemos observar as necessidades das pessoas que convivem conosco.

Vamos, portanto, como mulheres de Deus que somos, falar do Evangelho para aqueles que ainda não o conhecem, começando por aqueles que estão próximos de nós. Reconhecendo que a evangelização não é tarefa apenas para pastores, mas para todo cristão, vamos gerar outras ovelhas, como ovelhas que somos, para a glória de Deus!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Breve Catecismo de Westminster: Domingo 52

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Pergunta 107: O que nos ensina a conclusão da Oração Dominical?

Resposta: A conclusão da Oração Dominical, que é: “Pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém”, nos ensina que na oração devemos confiar somente em Deus,1 e louvá-lo em nossas orações, atribuindo-lhe reino, poder e glória.2 E em testemunho do nosso desejo e certeza de sermos ouvidos, dizemos: Amém.3

Referências:

1 “Inclina, ó Deus meu, os ouvidos e ouve; abre os olhos e olha para a nossa desolação e para a cidade que é chamada pelo teu nome, porque não lançamos as nossas súplicas perante a tua face fiados em nossas justiças, mas em tuas muitas misericórdias. Ó Senhor, ouve; ó Senhor, perdoa; ó Senhor, atende-nos e age; não te retardes, por amor de ti mesmo, ó Deus meu; porque a tua cidade e o teu povo são chamados pelo teu nome” (Dn 9.18,19); “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças” (Fp 4.6).

2 “Teu, SENHOR, é o poder, a grandeza, a honra, a vitória e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu, SENHOR, é o reino, e tu te exaltaste por chefe sobre todos. Riquezas e glória vêm de ti, tu dominas sobre tudo, na tua mão há força e poder; contigo está o engrandecer e a tudo dar força. Agora, pois, ó nosso Deus, graças te damos e louvamos o teu glorioso nome” (1Cr 29.11-13).

3 “E, se tu bendisseres apenas em espírito, como dirá o indouto o amém depois da tua ação de graças? Visto que não entende o que dizes” (1Co 14.16); “Aquele que dá testemunho destas coisas diz: Certamente, venho sem demora. Amém! Vem, Senhor Jesus! A graça do Senhor Jesus seja com todos” (Ap 22.20,21).

sábado, 24 de dezembro de 2011

A verdadeira beleza

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“Enganosa é a graça, e vã, a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa será louvada” (Pv 31.30).

Nos dias atuais, vemos em todos os lugares pessoas em uma busca sedenta pela beleza física, procurando a perfeição de seus corpos, procurando cada vez mais usar roupas caras, só assim tornando-se pessoas satisfeitas. Elas esquecem-se da importância de uma vida sem a centralidade do eu, e assim o mundo está ficando cada vez mais egocêntrico.

Essa é uma característica das pessoas mundanas, mas está penetrando no meio cristão cada vez mais. Em certas igrejas não mais presenciamos a centralidade de Deus no culto. Vemos pessoas que vão, não mais para adorar ao Senhor, mas sim para exibir a roupa nova, um cabelo impecável, etc. Além disso, existem pessoas que vivem dentro de academias em procura da forma perfeita, pessoas que até deixam de viver uma vida com Deus, para viver uma vida de veneração de seus próprios corpos.

A verdadeira beleza não consiste em uma beleza física impecável ou em usar roupas caras. A verdadeira beleza é a beleza que vem do íntimo do ser e transborda por todo o corpo. E só adquirimos essa beleza quando vivemos de maneira íntegra, uma vida de santidade, uma vida de centralidade em Deus. Quando estamos na posição de servas e não na posição de deusas sendo auto veneradas, tornamo-nos pessoas com uma beleza inacabável, pois a nossa beleza não consistirá mais em uma beleza fútil e passageira, mas em uma beleza que conduzirá para a vida eterna.

Devemos ter em mente que bens materiais, roupas, sapatos, bolsas, etc, são bens que não subsistirão por muito tempo, pois são corroídos por ferrugem e traças. Quando depositamos nossa confiança e nossa alegria nesses bens, elas vão definhando na medida da corrupção desses bens. Certamente essa é uma vida que ninguém quer viver, uma vida de oscilação da felicidade. A vida que queremos é uma vida de progressão da felicidade, mesmo quando não tivermos as melhores coisas do mundo, dando graças a Deus pelo que temos e cultivando nossa felicidade na confiança que temos em nosso Senhor.

A melhor forma de nos tornarmos pessoas belas e preservar essa beleza, é desprezar a sede por ela, e nos espelharmos na beleza santa de Cristo.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A palavra dita a seu tempo, quão boa é!

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“A palavra dita a seu tempo, quão boa é!” (Pv 15.23).

Esse provérbio é tão simples que parece nem exigir uma explicação. Mas mesmo com toda a sua simplicidade, quão frequentemente ele tem sido negligenciado em nossa prática, como se nem mesmo o conhecêssemos! Parece que nos esquecemos de que “tudo tem o seu tempo determinado” (Ec 3.1), inclusive “tempo de estar calado e tempo de falar” (Ec 3.7).

Às vezes falamos antes da hora. Não conhecemos alguém o suficiente, mas nos precipitamos em dirigir-lhe palavras românticas e sedutoras, iludindo seu coração e provocando sentimentos que não poderão ser correspondidos.

Às vezes falamos depois da hora. Não exortamos ou repreendemos nossos filhos desde sua tenra idade, mas deixamos para fazer isso na adolescência, quando a rebeldia já tomou conta de seus corações.

Às vezes falamos quando deveríamos estar calados. Um amigo perde de forma trágica um ente querido incrédulo, e tudo o que ele precisa é de alguém que o abrace e que chore com ele, mas nos apressamos em apresentar o destino eterno do falecido.

Às vezes ficamos calados quando deveríamos falar. Somos testemunhas do espancamento diário de uma vizinha pelo seu marido, mas preferimos não nos envolver e não denunciar.

A verdade é que dizer a palavra certa no momento certo não é algo fácil. “A língua, nenhum dos homens é capaz de domar” (Tg 3.8), já dizia Tiago. Mas essa dificuldade não é insuperável. Diz-nos outro provérbio que “o coração do sábio é mestre de sua boca” (Pv 16.23), o que nos mostra que um coração sábio pode domar a língua para falar no tempo apropriado. E àqueles que têm falta de sabedoria para tanto, Tiago incentiva: “Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida” (Tg 1.5).

Nós precisamos viver esse provérbio. Precisamos entender a seriedade das nossas palavras e a importância de palavras apropriadas nas ocasiões apropriadas. Palavras mal utilizadas podem trazer morte, mas palavras a seu tempo, vida (Pv 18.21). Que nós saibamos dizer a palavra a seu tempo, “palavras agradáveis como favo de mel: doces para a alma e medicina para o corpo” (Pv 16.24).

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Breve Catecismo de Westminster: Domingo 51

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Pergunta 106: Pelo que oramos na sexta petição?

Resposta: Na sexta petição, que é: “E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal”, pedimos que Deus nos guarde de sermos tentados a pecar,1 ou nos preserve e livre, quando formos tentados.2

Referências:

1 “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26.41); “Também da soberba guarda o teu servo, que ela não me domine; então, serei irrepreensível e ficarei livre de grande transgressão” (Sl 19.13).

2 “Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal” (Jo 17.15); “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar” (1Co 10.13).

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Breve Catecismo de Westminster: Domingo 50

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Pergunta 105: Pelo que oramos na quinta petição?

Resposta: Na quinta petição, que é: “E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores”, pedimos que Deus, por amor de Cristo, nos perdoe gratuitamente os nossos pecados,1 o que somos animados a pedir, porque, pela sua graça, somos habilitados a perdoar de coração ao nosso próximo.2

Referências:

1 “Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; e, segundo a multidão das tuas misericórdias, apaga as minhas transgressões. Lava-me completamente da minha iniqüidade e purifica-me do meu pecado [...] Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo que a neve” (Sl 51.1,2,7).

2 “Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão” (Mt 18.35).

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Resumo: Livro Questões últimas da vida (Ronald Nash), capítulo 10

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NASH, Ronald. Questões últimas da vida: uma introdução à filosofia. São Paulo: Cultura Cristã, 2008.

Capítulo 10: Epistemologia I: O que aconteceu com a verdade?

Neste capítulo de seu livro, Ronald Nash inicia o assunto da epistemologia, a doutrina do conhecimento, tratando particularmente da verdade e de como ela é vista no mundo pós-moderno.

Ele inicia dando uma definição de verdade: “Verdade é a propriedade de proposições que correspondem à maneira como as coisas são”. A verdade é objetiva e não depende da opinião pessoal das pessoas.

Ele continua diferenciando o conceito de verdade dos testes da verdade, que frequentemente são confundidos. Os testes da verdade ajudam no reconhecimento da verdade e são três: o teste da correspondência, da coerência e do pragmatismo. No teste da correspondência, verifica-se pela experiência se uma determinada proposição é verdadeira. Por exemplo, diante da proposição de que determinado edifício tenha determinado número de degraus, conta-se os degraus para se verificar a veracidade da proposição. Obviamente, nem sempre o teste da correspondência pode ser realizado, o que nos leva aos outros testes. O teste da coerência testa a veracidade de uma proposição analisando o quão coerente ela é em relação a todas as informações disponíveis relacionadas àquela proposição. O teste do pragmatismo, por sua vez, verifica a veracidade de uma proposição por sua funcionalidade. Se uma crença funciona ela é verdadeira. O problema desse teste é que proposições falsas podem funcionar e proposições verdadeiras podem não funcionar, o que faz dele um teste inadequado.

O autor trata, logo em seguida, do relativismo epistemológico, que nega a existência de uma verdade objetiva. A base para esse posicionamento é a discordância entre as pessoas sobre diversas proposições, porém, o fato de haver discordâncias não significa que não exista uma verdade. Platão refutou uma das versões do relativismo epistemológico, de Protágoras, que afirma que o “o homem é a medida de todas as coisas”. Entre vários argumentos utilizados, Platão argumentou que, se Protágoras está correto, então a opinião de um cidadão de Atenas que pense que Protágoras está errado estará correta, o que é logicamente absurdo.

Nash continua falando sobre o pós-modernismo, um movimento atual que rejeita as crenças supostamente ensinadas no Iluminismo e no modernismo. Ele trata, primeiramente, do pós-modernismo e da linguagem. Os pós-modernistas não acreditam que a linguagem possa se referir a coisas e objetos, mas apenas a si mesma. Assim, textos não podem transmitir uma verdade objetiva, porque eles só podem fazer referência a outros textos. Eles também dizem que a linguagem é um constructo social arbitrário e nenhum sentido ou interpretação é melhor do que o outro. Dentro deste assunto, o autor fala de dois aspectos do pós-modernismo em relação à linguagem. Primeiro, a hermenêutica da suspeita, segundo a qual os textos são tentativas de pessoas poderosas de impor sua vontade sobre os fracos. Assim, o pós-modernista não procurará o significado do texto, mas aquilo que ele está encobrindo, a relação de poder que está oculta no texto, o que é chamado de leitura subversiva. Segundo, as metanarrativas, que seriam histórias sobre a História, são consideradas impossíveis pelos pós-modernistas, já que um texto não pode falar de nada fora de si mesmo. Deste modo, o pós-modernismo é anti-realista, pois não crê que um conhecimento sobre o mundo real é possível.

Depois o autor apresenta a atitude do pós-modernismo para com a razão. Há dois sentidos de razão. Razão pode se referir às leis objetivas da lógica, que são indispensáveis para o pensamento e comunicação, mas também foi utilizada pelos iluministas para se referir ao processo de raciocínio. O segundo uso do termo “razão” é incorreto, mas os pós-modernistas são contrários até mesmo ao primeiro uso do termo, negando que existam leis objetivas para a lógica, o que leva a um completo irracionalismo.

Na continuação, Nash trata do desconstrucionismo, um novo tipo de relativismo que afirma que todos os sentidos de um texto dependem do intérprete e não do autor. Ele examina o assunto em quatro passos.

Primeiro, ele examina o ataque ao descontrucionismo do professor Rothbard. Nesse ataque, Rothbard mostra como, para o desconstrucionismo, não apenas o intérprete não pode descobrir o significado de um texto, mas também nem mesmo o próprio autor sabe o que ele quis dizer. Assim, a atividade do intérprete é mais importante que o texto. Rothbard conclui, assim, que nem mesmo os desconstrucionistas podem entender textos literários, e não podem entender nem mesmo os livros onde descrevem seus princípios. Além disso, a ira dos desconstrucionistas contra Rothbard, por causa de sua crítica contra o descontrucionismo, também não é justificada, pois se todo sentido é subjetivo, eles não podem se irar contra declarações que não podem ser entendidas.

Segundo, Nash analisa a hermenêutica da suspeita, mostrando que, se ela é verdadeira, então os escritos de Marx e Lenin, tão estimados por muitos desconstrucionistas, são apenas instrumentos de poder e dominação dos mais fracos.

Terceiro, Nash se apresenta como exemplo na avaliação de um livro de um desconstrucionista e tratando-o como um argumento em favor da existência de Deus e da verdade objetiva da fé cristã. O desconstrucionista ficaria irado por uma interpretação tão distorcida das suas palavras, e essa sua ira seria uma ótima refutação do próprio desconstrucionismo.

Quarto, o autor observa que, apesar dos desconstrucionistas negarem a possibilidade de se conhecer o significado de um texto, eles mesmos se comunicam entre si e parecem entender os textos uns dos outros. Segue-se que a comunicação é possível e que o desconstrucionismo é uma mentira.

Após essa análise do desconstrucionismo, Nash analisa o ataque à verdade objetiva por parte de Philip Kenneson. Kenneson afirma que “não há coisa tal como verdade objetiva”, mas diz que não é um relativista, porque só existe relativismo em relação à verdade, e como a verdade não existe, não existe relativismo. Nash observa que essa é uma manobra para fugir da acusação de relativismo, e que não há coisa alguma que funcione como argumento nessa posição de Kenneson. Mas a ausência de argumentos é compreensível, uma vez que Kenneson não acredita em verdade objetiva, e a utilização de argumentos lógicos seria incoerente.

Outros problemas com a visão de Kenneson são sua aceitação do anti-realismo, sua rejeição da teoria da correspondência da verdade e a ausência de qualquer referência à lógica, à ética e à Escritura em sua obra. Algo curioso é que não é a intenção de Kenneson apresentar um argumento em favor da visão dele, e isso por dois motivos: primeiro, ele não tem um argumento, e segundo, não poderia apresentar um argumento, não crendo na lógica.

Nash continua apresentando a verdade objetiva na Escritura e na vida diária. Na Escritura, a verdade objetiva pode ser encontrada, por exemplo, no resumo que Paulo faz do Evangelho em 1 Coríntios 15.3-8. Na vida diária, a verdade objetiva pode ser encontrada em fatos como um policial de trânsito dando uma multa, uma enfermeira dizendo que o recém-nascido é uma menina, um médico dizendo que o ente querido de alguém morreu, etc. Nenhum desses fatos é subjetivo.

O autor encerra o capítulo respondendo a pergunta inicial do capítulo: “o que aconteceu com a verdade?”. Ele responde que nada aconteceu com a verdade, que ainda continua sendo verdade. A verdadeira questão é: o que aconteceu com a espécie humana no final do século 20?

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Breve Catecismo de Westminster: Domingo 49

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Pergunta 104: Pelo que oramos na quarta petição?

Resposta: Na quarta petição, que é: “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje”, pedimos que da livre dádiva de Deus recebamos uma porção suficiente das coisas boas desta vida,1 e gozemos com elas das suas bênçãos.1

Referências:

1 “afasta de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário; para não suceder que, estando eu farto, te negue e diga: Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecido, venha a furtar e profane o nome de Deus” (Pv 30.8,9).

2 “De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes” (1Tm 6.6-8); “A bênção do SENHOR enriquece, e, com ela, ele não traz desgosto” (Pv 10.22).
 

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