quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Agostinho de Hipona

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Trabalho feito por mim para a disciplina de História da Filosofia do Seminário Teológico do Nordeste, da Igreja Presbiteriana do Brasil (Teresina-PI).

Biografia

Agostinho (355-430 d.C.) nasceu em Tagaste, no norte da África. Sendo sua mãe uma cristã devota, ele conheceu o Cristianismo desde cedo, mas seguiu por outros caminhos. Durante um grande período viveu em busca de prazeres, até que leu a obra O Hortêncio, de Cícero, quando começou uma busca incansável pela verdade. Essa busca começou no maniqueísmo, uma seita persa que ensinava a existência de dois princípios no Universo, o bem e o mal, que lutavam entre si. Entrando em contato com escritos do neo-platonismo, Agostinho se decepcionou com o maniqueísmo e começou a buscar a verdade em outro lugar. Finalmente, ele conheceu Ambrósio, bispo de Milão, que eliminou seus preconceitos com o Cristianismo, contribuindo com sua conversão, aos 32 anos. Após algum tempo da sua conversão, Agostinho tornou-se bispo de Hipona, cargo que ocupou até sua morte, nessa mesma cidade.

Principais influências

Agostinho foi bastante influenciado pela filosofia grega em seu pensamento. Entre outras influências, tem-se a obra O Hortêncio, de Cícero, e o neo-platonismo, de Plotino.

A influência de Cícero pode ser percebida especialmente em sua obra A vida feliz, onde Agostinho trata de um tema muito comum nas obras de Cícero: o que é a felicidade? Mas Agostinho dá uma resposta diferente dos filósofos a essa pergunta, argumentando que a felicidade tanto buscada pelos filósofos só pode ser alcançada pela posse de Deus. Em outras palavras, ser feliz é gozar de Deus. Ainda que com alguns desenvolvimentos, essa concepção de felicidade estará presente em toda a vida e pensamento posteriores de Agostinho, inclusive em sua grande obra A Trindade.

O neo-platonismo influenciou muito a teologia de Agostinho. Sua concepção de Deus como espírito puríssimo, simples, indivisível, sem membros ou paixões, deve muito aos neo-platônicos. Mas a influência do neo-platonismo também pode ser observada na epistemologia de Agostinho. Na obra O mestre, Agostinho ensina que o conhecimento não pode ser adquirido pelos sentidos, uma vez que a verdade não pode ser alcançada pelo método indutivo. O conhecimento precisa ser transmitido diretamente à mente por Deus, por ocasião das palavras que entram pelos ouvidos. Assim, quem verdadeiramente ensina não é o mestre humano, que pronuncia as palavras, mas Deus, que ensina a verdade diretamente à alma.

Heresias combatidas

No decorrer de sua vida cristã, Agostinho teve que lidar com algumas heresias e movimentos cismáticos, entre os quais se incluem o maniqueísmo, o donatismo e o pelagianismo.

Maniqueísmo: Agostinho refuta o maniqueísmo em várias de suas obras, entre as quais se incluem O livre-arbítrio e Confissões. Nessas obras, ele argumenta contra o maniqueísmo que o mal não é uma substância, mas apenas a ausência do bem, demolindo a própria essência dessa seita; que o Antigo Testamento, e não só o Novo, é obra de Deus, ao contrário do que ensinavam os maniqueístas; e que Jesus Cristo é um homem verdadeiro, com um corpo físico real, e não apenas aparente, como queriam os maniqueístas, por acreditarem que a matéria é má.

Donatismo: Os donatistas tinham uma visão muito estreita da Igreja, não recebendo de volta à comunhão cristãos que tivessem pecado depois do batismo, e considerando inválidos sacramentos administrados por ministros em pecado. Assim, eles costumavam rebatizar quem havia sido batizado por um ministro não exemplar. Agostinho argumenta contra essas falsas concepções, afirmando que a Igreja visível é composta de santos e de pecadores, e que a eficácia dos sacramentos não depende da disposição moral dos ministros, mas da Palavra de Cristo. Por conseqüência, o batismo é único e o rebatismo não deveria ser praticado. Uma das obras onde Agostinho escreve contra os donatistas é O batismo contra os donatistas.

Pelagianismo: Pelágio ensinava que o homem nasce bom e que a única influência que o pecado de Adão exerce sobre os homens é a do mau exemplo. Assim, um homem poderia fazer o bem e querer fazer o bem, apenas com o auxílio da lei e do “evangelho”, sem necessidade de uma obra interior da graça de Deus. Agostinho combate esse erro afirmando a doutrina do pecado original, segundo a qual o pecado de Adão foi um pecado da humanidade, de maneira que todo homem nasce pecador e incapaz de fazer o bem ou mesmo desejá-lo. Por esse motivo, nenhum homem pode ser salvo sem uma obra interna da graça de Deus, renovando a vontade e habilitando-o a crer e arrepender-se. Algumas das obras onde Agostinho refuta o pelagianismo são: O espírito e a letra, A natureza e a graça, A graça de Cristo e o pecado original.

Principais obras

A produção literária de Agostinho é imensa. Ele escreveu 113 trabalhos, 224 cartas e mais de quinhentos sermões. Algumas das principais obras desse grande Doutor da Igreja são as seguintes:

A Doutrina Cristã: Esta obra é um manual de exegese, composta de quatro livros. No primeiro, Agostinho fala das verdades a serem descobertas nas Escrituras, tratando das principais doutrinas da fé cristã em uma síntese dogmática e dos princípios morais, e prossegue tratando dos princípios básicos de exegese. No segundo livro, o grande Pai da Igreja trata dos sinais a serem interpretados nas Escrituras, falando da importância de se conhecer as línguas originais (apesar de ele mesmo conhecer apenas o latim) e algumas ciências e artes cujo conhecimento pode auxiliar na interpretação do texto bíblico. No terceiro livro, Agostinho trata de algumas dificuldades na interpretação das Escrituras, apresentando algumas regras que podem auxiliar na superação dessas dificuldades. Finalmente, no quarto livro, o bispo de Hipona trata de homilética, de como ensinar a doutrina, mostrando princípios de oratória, tanto na Bíblia quanto na arte oratória.

A Trindade: Nesta obra, composta de quinze livros, Agostinho trata da doutrina da Trindade. Seu objetivo com a obra não é polêmico, como algumas obras anteriores que trataram do mesmo tema, mas doxológico. Ele quer conhecer melhor a Deus para melhor adorá-lO. Agostinho adota a doutrina nicena sobre a Trindade, mas faz importantes desenvolvimentos, ao enfatizar mais a unidade da essência do que a pluralidade de pessoas (ao contrário dos pais gregos), ao eliminar toda a subordinação de essência entre as três pessoas divinas (o que ainda existia em alguma medida), ao ensinar que o Espírito Santo procede não apenas do Pai, mas também do Filho, e ao sugerir várias analogias úteis para se compreender melhor o mistério trinitário. Entre essas analogias, são de especial valor aquelas tiradas da psicologia humana, já que o homem foi feito à imagem de Deus e sua mente expressa em alguma medida aquilo que existe perfeitamente em Deus.

Cidade de Deus: Nesta obra, composta de vinte e dois livros, Agostinho se torna o pioneiro ao apresentar um esboço de uma teologia da história. Como a invasão de Roma pelos bárbaros levou muitos a acreditarem que isso representava a queda do Reino de Deus, Agostinho decidiu escrever para corrigir essa falsa concepção. Ele apresenta a luta histórica existente entre duas cidades, a Cidade de Deus, que se relaciona com a fé e a qual pertencem todos os bons, e a cidade terrena, que se relaciona com a incredulidade e a qual pertencem todos os maus. A Cidade de Deus não pode ser confundida com a Igreja e nem com a cidade terrena ou um Estado, apesar de não poder ser perfeitamente distinguida da cidade terrena neste mundo. A separação definitiva só ocorrerá no dia do juízo.

Confissões: Esta obra é uma auto-biografia de Agostinho, escrita como uma oração a Deus. Agostinho conta sua vida, desde a infância até sua conversão, e depois passa a discorrer sobre alguns temas filosóficos e teológicos, como a memória, a felicidade, os prazeres dos sentidos, a curiosidade, a natureza do tempo, a criação a partir do nada, a criação do céu e da terra e os seis dias da criação.

Bibliografia

AGOSTINHO DE HIPONA. A doutrina cristã. 2.ed. São Paulo: Paulus, 2007.

__________. A graça (I). 3.ed. São Paulo: Paulus, 2007.

__________. A graça (II). São Paulo: Paulus, 1999.

__________. A Trindade. 3.ed. São Paulo: Paulus, 2005.

__________. Confissões. São Paulo: Martin Claret, 2004.

__________. O livre-arbítrio. São Paulo: Paulus, 1995.

__________. Solilóquios e A vida feliz. São Paulo: Paulus, 1998.

ALTANER, B.; STUIBER, A. Patrologia. 2.ed. São Paulo: Paulus, 1988.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Breve Catecismo de Westminster: Domingo 48

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Pergunta 103: Pelo que oramos na terceira petição?

Resposta: Na terceira petição, que é: “Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu”, pedimos que Deus, pela sua graça, nos torne capazes e desejosos de conhecer a sua vontade, de obedecer e submeter-nos a ela em tudo,1 como fazem os anjos no Céu.2

Referências:

1 “Dá-me entendimento, e guardarei a tua lei; de todo o coração a cumprirei” (Sl 119.34); “E também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção, para aprovardes as coisas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo, cheios do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus” (Fp 1.9-11).

2 “Bendizei ao SENHOR, todos os seus anjos, valorosos em poder, que executais as suas ordens e lhe obedeceis à palavra. Bendizei ao SENHOR, todos os seus exércitos, vós, ministros seus, que fazeis a sua vontade” (Sl 103.20,21).

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Breve Catecismo de Westminster: Domingo 47

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Pergunta 102: Pelo que oramos na segunda petição?

Resposta: Na segunda petição, que é: “Venha o teu reino”, pedimos que o reino de Satanás seja destruído1 e que o reino da graça seja adiantado; que nós e os outros a ele sejamos guiados e nele guardados,2 e que cedo venha o Reino da Glória.3

Referências:

1 “Levanta-se Deus; dispersam-se os seus inimigos; de sua presença fogem os que o aborrecem” (Sl 68.1); “Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso” (Jo 12.31).

2 “E, então, se dirigiu a seus discípulos: A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara” (Mt 9.37,38); “Finalmente, irmãos, orai por nós, para que a palavra do Senhor se propague e seja glorificada, como também está acontecendo entre vós” (2Ts 3.1); “Irmãos, a boa vontade do meu coração e a minha súplica a Deus a favor deles são para que sejam salvos” (Rm 10.1).

3 “Aquele que dá testemunho destas coisas diz: Certamente, venho sem demora. Amém! Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22.20).

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Breve Catecismo de Westminster: Domingo 46

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Pergunta 101: Pelo que oramos na primeira petição?

Resposta: Na primeira petição, que é: “Santificado seja o teu nome”, pedimos que Deus nos habilite, a nós e aos outros, a glorificá-lo em tudo aquilo em que se dá a conhecer;1 e que disponha tudo para a sua glória.2

Referências:

1 “Seja Deus gracioso para conosco, e nos abençoe, e faça resplandecer sobre nós o rosto; para que se conheça na terra o teu caminho e, em todas as nações, a tua salvação. Louvem-te os povos, ó Deus; louvem-te os povos todos” (Sl 67.1-3).

2 “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Rm 11.36); “Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas” (Ap 4.11).

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Breve Catecismo de Westminster: Domingo 45

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Pergunta 100: O que o prefácio da Oração Dominical nos ensina?

Resposta: O prefácio da Oração Dominical, que é: “Pai nosso que estás nos céus”, ensina-nos que devemos nos aproximar de Deus com toda a santa reverência e confiança, como filhos a um pai capaz e pronto para nos ajudar,1 e também nos ensina a orar com os outros e por eles.2

Referências:

1 “Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?” (Lc 11.13); “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai” (Rm 8.15).

2 “com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos” (Ef 6.18).
 

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