quinta-feira, 30 de junho de 2011

Resenha: Livro Ide e fazei discípulos (Roger Greenway)

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GREENWAY, Roger. Ide e fazei discípulos: uma introdução às missões cristãs. São Paulo: Cultura Cristã, 2001.
Roger Greenway (B.D., Th.M., Calvin Theological Seminary) foi missionário no Sri Lanka (1958-1962) e no México (1963-1970), secretário de uma organização responsável por missões na América Latina (1972-1978), membro do Comitê de Lausanne para a evangelização dos judeus, pastor de uma igreja reformada (1978-1982) e professor de várias instituições de ensino teológico, tais como Westminster Seminary (1982-1986) e Fuller Theological Seminary. Atualmente é professor de Missiologia no Calvin Seminary e autor de vários livros ainda não traduzidos para o português, como An Introduction to Christian Missions (Uma Introdução às Missões Cristãs), Guidelines for Urban Planting (Diretrizes para Plantação Urbana), entre outros.
“Ide e fazei discípulos” é um livro sobre missões bastante claro, prático e abrangente. A proposta de Roger Greenway é apresentar o assunto de forma simples para que todo cristão entenda e pratique.

O livro é dividido em três partes. Na primeira delas, “O mundo para o qual Cristo nos envia”, Greenway analisa três pontos: os desafios mundiais da atualidade, os missionários como cooperadores de Deus e os motivos para missões.

Os desafios mundiais dos dias de hoje, longe de serem razão para desmotivação com a ação missionária, devem nos empolgar, segundo o autor. Dez desafios mundiais são apresentados, mas alguns se destacam. O crescimento populacional é um grande desafio, já que a população mundial passa de seis bilhões e continua crescendo, principalmente na Ásia, América Latina e África, exigindo mais missionários. Outro desafio são as barreiras culturais, como línguas, costumes, religiões, etc. Para superá-lo é necessário um treinamento sobre como apresentar o Evangelho de uma cultura para outra. Há também o desafio das grandes religiões mundiais, como o Islamismo, Hinduísmo e Budismo, que além de estarem crescendo, são responsáveis por perseguirem cristãos em diversos países.

Greenway prossegue mostrando biblicamente que Deus é um grande Enviador, enviando Sua Palavra, Seu Filho, Seu Espírito e Seus servos. Jesus, por sua vez, é apresentado como enviado e enviador. Ele foi enviado pelo Pai ao mundo e depois Ele mesmo enviou Seus discípulos (Jo 20.21). Ao enviar Seus discípulos ao mundo para continuar a obra de pregação do Evangelho, Cristo fez deles cooperadores com Ele. Essa cooperação se dá em três aspectos principais. Primeiro, eles são co-participantes no trabalho de Deus (1 Co 3.9; 2Co 6.1), pois Deus decidiu anunciar o Evangelho através de mensageiros humanos, que são seus embaixadores (2Co 5.20). Segundo, eles são co-participantes no sofrimento de Cristo (Cl 1.24,25), pois o anúncio do Evangelho é frequentemente acompanhado por perseguição. Terceiro, eles são co-participantes no testemunho do Espírito (Jo 15.26,27; At 5.32), pois o mesmo Espírito que glorifica ao Filho também guia os discípulos a toda a verdade, a fim de que eles também testemunhem de Cristo.

Depois, o autor examina os motivos para as missões. Ele apresenta primeiramente alguns motivos errados, como o desejo de ser admirado, a busca por auto-realização e por aventura, a fuga dos problemas do lar, etc. Ao contrário desses, o motivo primeiro e supremo para as missões é o desejo de que Deus seja adorado e glorificado por todos os povos, como também consta na resposta à primeira pergunta do Breve Catecismo de Westminster. Além desse, outros motivos corretos para as missões apresentados pelo autor são o desejo de obedecer ao mandamento de Cristo de fazer discípulos de todas as nações (Mt 28.19), o desejo de que pecadores sejam salvos dos seus pecados (1Co 9.19-22) e a preocupação de que o reino de Deus seja estendido por toda a terra, por meio do crescimento e multiplicações de igrejas. O alvo final das missões, que deve ser o combustível para a obra missionária, é que, na eternidade, pessoas de todos os povos, tribos, línguas e nações se reúnam diante do trono de Deus, para adorar a Ele e ao Cordeiro (Ap 5.9; 7.9).

Na segunda parte, Roger Greenway apresenta o fundamento bíblico das missões. Ele expõe primeiramente o que costa do assunto no Antigo Testamento. O Antigo Testamento apresenta doutrinas sem as quais as missões seriam impossíveis, como o teísmo (Deus existe), o monoteísmo (só há um Deus), o exclusivismo (o Deus verdadeiro demanda adoração exclusiva), a criação do universo e do homem, o pecado e o caminho da salvação (por exemplo, o proto-evangelho em Gn 3.15). Além disso, o povo de Israel tinha um chamado missionário, no sentido de ser uma testemunha de Deus diante das nações (Is 42.5-7; 43.10-13).

Greenway prossegue mostrando as missões nos quatro evangelhos. Primeiro, o próprio Jesus foi um missionário, sendo enviado pelo Pai (Jo 20.21) para ser o Salvador do mundo (Jo 4.42). Jesus anunciou a salvação a pessoas como Nicodemos (Jo 3) e a mulher samaritana (Jo 4), e contou histórias como as da ovelha perdida, da dracma perdida e do filho pródigo (Lc 15), que tem um caráter claramente missionário. Segundo, os quatro evangelhos foram escritos com propósitos missionários: Mateus escreveu sobre Jesus a judeus; Marcos apresentou um breve relato sobre a vida de Jesus aos gentios; Lucas, um gentio, escreveu ao também gentio Teófilo; e João escreveu com um propósito missionário bem claro: “Para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome (Jo 20.31). Finalmente, os quatro evangelhos se encerram com a grande comissão de levar o Evangelho a todas as nações (Mt 28.18-20; Mc 16.15-18; Lc 24.44-48; Jo 20.21-23).

Depois o autor apresenta as missões em Atos e nas Epístolas. Ele inicia mostrando as oposições que as missões cristãs enfrentaram, tanto da parte de judeus quanto de gentios, e prossegue mostrando algumas abordagens missionárias dos primeiros discípulos. Primeiro, eles tiveram que “traduzir” o único Evangelho em linguagens e atitudes que pudessem ser compreendidas pelos povos aos quais eles pregavam. Segundo, eles insistiram para que aqueles que os ouviam fossem convertidos, crendo em Cristo como único Salvador e Senhor e abandonando os seus pecados. Terceiro, eles trabalharam com alguns irmãos de tempo integral, como os apóstolos e evangelistas, e outros leigos que colaboravam com eles. E quarto, eles utilizaram muitos métodos diferentes, pregando em sinagogas, casas, edifícios alugados e ao ar livre, enfatizando a vida moral tanto quanto a doutrina e tendo a oração como a principal ferramenta para as missões cristãs, juntamente com a leitura das Escrituras.

O autor também trata dos métodos missionários do apóstolo Paulo. O método por excelência utilizado pelo apóstolo Paulo foi a pregação da Palavra, pois, como ele mesmo disse, “a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (Rm 10.17). O Evangelho que ele pregava era de Deus, havia sido prometido pelos antigos profetas, tinha como conteúdo o próprio Cristo e era para todas as pessoas de todos os lugares (Rm 1.1-5). Dentro deste método maior, sete métodos usados pelo apóstolo se destacam. Primeiro, ele confrontou as pessoas com a salvação e senhorio de Cristo, apelando a que se submetessem a Ele. Segundo, Paulo focalizou as famílias para a evangelização e o alcance da sociedade. Terceiro, Paulo enfatizou a importância de plantar igrejas e cuidar delas. Quarto, ele concentrou-se no desenvolvimento de líderes para as igrejas locais. Quinto, Paulo usou o parentesco e amizade entre as pessoas na propagação do Evangelho. Sexto, Paulo começou igrejas nas casas. E sétimo, Paulo ensinou a importância de um viver exemplar na sociedade e do cuidado com a criação.

Greenway continua essa segunda parte mostrando a relação do Espírito Santo com as missões, a relação do Evangelho com as outras religiões, a unicidade e suficiência de Jesus Cristo e a relação da oração com as missões.

Na terceira parte, Greenway examina várias questões sobre missões. Umas dessas questões é o desenvolvimento de liderança para o crescimento da igreja. Um plantador de igrejas deve gastar tempo e energia treinando líderes para as igrejas que estão sendo plantadas, para que elas possam continuar crescendo e se desenvolvendo quando ele tiver que deixá-las. Algumas qualidades que devem ser buscadas em um líder são: visão, que lhes possibilite ver o que Deus pode fazer por meio da igreja; tenacidade, de modo que possam continuar o trabalho, mesmo em meio às dificuldades; integridade, pois devem ser confiáveis no cuidado com o dinheiro e as pessoas; excelência, a fim de que busquem o bom funcionamento da igreja, de um modo que agrade a Deus e sirva às pessoas; desejo de servir, pois um líder deve trabalhar para o bem dos outros e para a glória de Deus.

Outra questão apresentada pelo autor é a relação entre os pastores e a evangelização. Ele é bastante taxativo em afirmar, e com razão, que um pastor que não se interessa por evangelização não deve ser um ministro do Evangelho. Um pastor que não tenha ardor missionário produzirá uma igreja fria e acomodada, despreocupada com as almas dos pecadores. Os pastores devem cumprir seu papel como líderes na evangelização e em missões de três formas. Primeiro, ensinando e pregando sobre evangelização e missões. Segundo, dando exemplo pessoal, com a evangelização de pessoas no seu dia-a-dia. Terceiro, promovendo atividades evangelísticas, como estudos bíblicos em prisões, escolas, casas, etc.

Greenway também trata do preparo para tornar-se um missionário, apresentando oito ferramentas missionárias básicas. Primeiro, vida espiritual forte, com leitura bíblica diária e oração. Segundo, amor pelas pessoas antes do que pelos livros. Terceiro, uma teologia bíblica de missões, pois missões sem teologia pode-se transformar em puro pragmatismo. Quarto, alvos e estratégias, planejando a planta do edifício espiritual, que é a igreja, antes de edificá-lo. Quinto, treinamento e experiência em evangelização pessoal, evangelização em equipes, pequenos grupos de estudos bíblicos, aconselhamento e ensino de novos discípulos, organização da igreja e seus ministérios, desenvolvimento de líderes e auxílio aos pobres. Sexto, fácil adaptação em outras culturas e sociedades, pois o missionário frequentemente tem que lidar com povos de outras culturas e religiões. Sétimo, que o cônjuge tenha o mesmo ardor missionário. Oitavo, o conhecimento dos próprios dons e personalidade, para um melhor aproveitamento deles no campo missionário.

Outras questões analisadas pelo autor são os ministérios de oração, cura e exorcismo, o desafio da urbanização, missões através de palavras e ações, o sustento financeiro de missões, a ética da evangelização e de missões, e missões e a unidade entre os cristãos.

O livro encerra-se com um apêndice bastante útil, contendo seis passos para a evangelização, plantação e multiplicação de igrejas: 1) Começar com um estudo bíblico; 2) Visitar os lares; 3) Iniciar uma classe de discipulado; 4) Batizar os crentes e todos os de sua casa, se possível; 5) Organizar uma igreja; 6) Prover para a vida e crescimento da igreja.

Este é um livro excelente que deveria ser lido por todo cristão, especialmente por aqueles que se sentem vocacionados ao ministério da Palavra. Tanto aqueles que desejam plantar igrejas com DNA missionário quanto aqueles que aspiram pastorear e revitalizar igrejas, a fim de que se tornem missionárias, encontrarão neste livro princípios indispensáveis para uma evangelização bíblica e poderosa.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Breve Catecismo de Westminster: Domingo 28

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Pergunta 57: Qual é o quarto mandamento?

Resposta: O quarto mandamento é: “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou”.1

Referências:

1 Ex 20.8-11.

Pergunta 58: O que o quarto mandamento exige?

Resposta: O quarto mandamento exige que consagremos a Deus os tempos determinados em sua Palavra, particularmente um dia inteiro em cada sete, para ser um dia de santo descanso a ele dedicado.1

Referências:

1Guardareis os meus sábados e reverenciareis o meu santuário. Eu sou o SENHOR” (Lv 19.30); “Guarda o dia de sábado, para o santificar, como te ordenou o SENHOR, teu Deus” (Dt 5.12).

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Breve Catecismo de Westminster: Domingo 27

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Pergunta 55: O que o terceiro mandamento proíbe?

Resposta: O terceiro mandamento proíbe toda profanação ou abuso de quaisquer coisas por meio das quais Deus se faz conhecer.1

Referências:

1 “nem jurareis falso pelo meu nome, pois profanaríeis o nome do vosso Deus. Eu sou o SENHOR” (Lv 19.12); “Eu, porém, vos digo: de modo algum jureis; nem pelo céu, por ser o trono de Deus; nem pela terra, por ser estrado de seus pés; nem por Jerusalém, por ser cidade do grande Re” (Mt 5.34-35); “Se o não ouvirdes e se não propuserdes no vosso coração dar honra ao meu nome, diz o SENHOR dos Exércitos, enviarei sobre vós a maldição e amaldiçoarei as vossas bênçãos; já as tenho amaldiçoado, porque vós não propondes isso no coração” (Ml 2.2).

Pergunta 56: Qual é a razão anexa ao terceiro mandamento?

Resposta: A razão anexa ao terceiro mandamento é que, embora os transgressores deste mandamento escapem do castigo dos homens, o Senhor nosso Deus não os deixará escapar do seu justo juízo.1

Referências:

1 “Se não tiveres cuidado de guardar todas as palavras desta lei, escritas neste livro, para temeres este nome glorioso e terrível, o SENHOR, teu Deus, então, o SENHOR fará terríveis as tuas pragas e as pragas de tua descendência, grandes e duradouras pragas, e enfermidades graves e duradouras” (Dt 28.58-59).

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Breve Catecismo de Westminster: Domingo 26

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Pergunta 53: Qual é o terceiro mandamento?

Resposta: O terceiro mandamento é: “Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão”.1

Referências:

1 Ex 20.7.

Pergunta 54: O que o terceiro mandamento exige?

Resposta: O terceiro mandamento exige o santo e reverente uso dos nomes,1 títulos, atributos,2 ordenanças, palavras3 e obras de Deus.4

Referências:

1 “Tributai ao SENHOR a glória devida ao seu nome, adorai o SENHOR na beleza da santidade” (Sl 29.2).

2 “e entoavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: Grandes e admiráveis são as tuas obras, Senhor Deus, Todo-Poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações! Quem não temerá e não glorificará o teu nome, ó Senhor? Pois só tu és santo; por isso, todas as nações virão e adorarão diante de ti, porque os teus atos de justiça se fizeram manifestos” (Ap 15.3-4).

3 “Prostrar-me-ei para o teu santo templo e louvarei o teu nome, por causa da tua misericórdia e da tua verdade, pois magnificaste acima de tudo o teu nome e a tua palavra” (Sl 138.2).

4 “Rendam graças ao SENHOR por sua bondade e por suas maravilhas para com os filhos dos homens! Ofereçam sacrifícios de ações de graças e proclamem com júbilo as suas obras!” (Sl 107.21-22).

quarta-feira, 8 de junho de 2011

A cidade de Roma nos tempos bíblicos

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Trabalho feito por mim para a disciplina de Missões Urbanas do Seminário Teológico do Nordeste, da Igreja Presbiteriana do Brasil (Teresina-PI).

Roma é uma cidade localizada na Península Itálica, às margens do Rio Tibre, sobre sete colinas: Palatino, Aventino, Campidoglio (ou Capitólio), Quirinale, Viminale, Esquilino e Celio.. Segundo a lenda, foi fundada em 753 a.C, por dois irmãos, Rômulo e Remo, que teriam sido criados por uma loba. Ainda segundo a lenda, Rômulo matou Remo e se tornou o primeiro rei de Roma.

Roma tornou-se uma República em 509 a.C e passou a conquistar diversos territórios em volta do Mar Mediterrâneo. No século I a.C, Roma tornou-se a capital do recém fundado Império Romano, sendo César Augusto, filho de Júlio César, o primeiro imperador. Foi nesse contexto histórico, quando César Augusto era imperador, que Jesus nasceu (Lc 2.1).

Na época do Novo Testamento, Roma ocupava um lugar central em toda a sociedade ao redor do Mediterrâneo. Havia estradas por todo o Império Romano que ligavam as cidades a Roma, facilitando o comércio e a migração de pessoas. A população da cidade era de cerca de 1.200.000 pessoas, sendo a metade composta por escravos e tendo muitas pessoas livres vivendo de esmolas. Havia muito luxo na cidade, mas também muita devassidão moral e muitos crimes. A educação era reservada para poucos, entre os quais não se encontravam os plebeus.

A economia de Roma era bastante diversificada, possibilitando o comércio de diversos produtos: jóias, linho, seda, madeira, móveis, especiarias, vinho, farinha, trigo, gado, etc. Escravos também eram comercializados, constituindo-se grande fonte de lucro.

A religião de Roma consistia em um politeísmo baseado numa mitologia muito semelhante à grega, com vários deuses antropomórficos, cada um deles exercendo determinada função, e tendo Zeus como o deus supremo. Porém, além desses deuses mitológicos, a religião romana também se misturava com a política, adorando o Imperador e considerando-o deus e senhor. Por isso, quando os cristãos diziam que Jesus é o Senhor e recusavam-se a dizer o mesmo de César, isso era visto com maus olhos pelos romanos e considerado não apenas como declaração de uma crença religiosa, mas principalmente como insubordinação política.

Deus começou a atuar de forma especial em Roma quando os primeiros judeus começaram a migrar para lá, desde que a Palestina passou a fazer parte do Império Romano, e essa atuação foi ainda maior quando os cristãos judeus chegaram à cidade. Não se sabe ao certo como o Evangelho chegou a Roma, mas é muito provável que, entre os judeus que visitaram Jerusalém no Pentecostes e se converteram com a pregação de Pedro, havia alguns que eram de Roma, tendo levado o Evangelho para a cidade quando retornaram. O que se sabe é que já em 49 d.C. havia cristãos em Roma, pois o historiador Suetônio disse que, nessa data, Cláudio expulsou judeus de Roma por terem criado tumulto “por causa de um tal Cresto” (provável referência a Cristo), entre os quais estavam Áquila e Priscila (At 18.2). Assim, em 56 d.C., Paulo escreveu uma carta à igreja de Roma, que já estava bem estabelecida, antes da atuação de qualquer apóstolo (Rm 1.8-13), e sendo composta por judeus e gentios (Rm 1.16).

Paulo esteve preso em Roma durante dois anos, cerca de 60-62 d.C., morando em uma casa alugada com um soldado, onde teve a oportunidade de pregar aos judeus (At 28.16-31) e de onde escreveu as chamadas cartas da prisão: Filemon, Colossenses, Efésios e Filipenses. Segundo a tradição, Pedro também esteve em Roma, o que parece ser confirmado por sua menção da Babilônia (provável Roma) em sua Primeira Carta (1Pe 5.13). Assim, apesar de não ter sido fundada por apóstolos, a igreja de Roma pôde contar com o trabalho direto de Pedro e Paulo por alguns anos. Ainda segundo a tradição, Pedro e Paulo foram martirizados em Roma, sob Nero, cerca de 67 ou 68 d.C.

Devido à sua grande influência por ser capital do império e devido à atuação direta de Pedro e Paulo, Roma passou a abrigar uma das igrejas mais importantes da cristandade. Os bispos de Roma passaram a ter uma autoridade cada vez maior sobre as igrejas de outras cidades, autoridade que cresceu após a legalização do Cristianismo por Constantino, no século IV. Finalmente, o papado apareceu em sua forma plenamente desenvolvida no século V e VI, quando o Império Romano caiu e o bispo de Roma surgiu como um substituto religioso e político do antigo imperador romano.

Porém, a mesma Roma que abrigou essa igreja tão importante e influente, também foi uma forte opositora do Cristianismo nos primeiros séculos. Nero perseguiu muitos cristãos, matando-os cruelmente em cruzes e até mesmo utilizando-se deles como tochas humanas. Vários outros imperadores perseguiram os cristãos, lançando-os às feras no Coliseu. Essas cruéis perseguições de Roma obrigaram os cristãos a se refugiar em abrigos subterrâneos, que eram utilizados como locais de culto e cemitérios, e que foram chamados de catacumbas.

Roma também foi a responsável pela destruição de Jerusalém e do templo em 70 d.C., através do general Tito, que viria a se tornar imperador, cumprindo assim a profecia de Jesus em Lucas 21.

Finalmente, por conta dos seus terríveis pecados, não só de perseguição contra o povo de Deus, mas também de luxúria, a perspectiva bíblica sobre Roma é bastante negativa. João a apresenta como uma prostituta em Apocalipse 17, chamando-a de “Babilônia, mãe das meretrizes e das abominações da terra”. Ela está assentada sobre a besta com sete cabeças, cujas cabeças são representações dos montes sobre os quais Roma está edificada (Ap 17.9). Assim, o seu destino é a destruição, profetizada em Apocalipse 18, e que de fato ocorreu em 476 d.C.

Bibliografia:

BÍBLIA DE ESTUDO DE GENEBRA. São Paulo: Cultura Cristã, 1999.
BOYER, Orlando. Pequena Enciclopédia Bíblica. São Paulo: Vida, 2002.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Breve Catecismo de Westminster: Domingo 25

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Pergunta 51: O que o segundo mandamento proíbe?

Resposta: O segundo mandamento proíbe adorar a Deus por meio de imagens,1 ou de qualquer outra maneira não prescrita em sua Palavra.2

Referências:

1 “Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis” (Rm 1.22,23).

2 “Fez ele o que era reto perante o SENHOR, segundo tudo o que fizera Davi, seu pai. Removeu os altos, quebrou as colunas e deitou abaixo o poste-ídolo; e fez em pedaços a serpente de bronze que Moisés fizera, porque até àquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso e lhe chamavam Neustã” (2Rs 18.3,4).

Pergunta 52: Quais são as razões anexas ao segundo mandamento?

Resposta: As razões anexas ao segundo mandamento são a soberania de Deus sobre nós,1 o seu direito de propriedade sobre nós2 e o zelo que ele tem pelo seu culto.3

Referências:

1 “Saiamos ao seu encontro, com ações de graças, vitoriemo-lo com salmos. Porque o SENHOR é o Deus supremo e o grande Rei acima de todos os deuses” (Sl 95.2,3).

2 “Sabei que o SENHOR é Deus; foi ele quem nos fez, e dele somos; somos o seu povo e rebanho do seu pastoreio” (Sl 100.3).

3 “porque não adorarás outro deus; pois o nome do SENHOR é Zeloso; sim, Deus zeloso é ele” (Ex 34.14); “Ou provocaremos zelos no Senhor? Somos, acaso, mais fortes do que ele?” (1Co 10.22).

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Implicações da não adoção das pressuposições da Evangelização

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Trabalho feito por mim para a disciplina de Missões Urbanas do Seminário Teológico do Nordeste, da Igreja Presbiteriana do Brasil (Teresina-PI), tomando como base as pressuposições da evangelização mencionadas no livro Breve Teologia da Evangelização (Herminstein Maia Pereira da Costa).

A obra da evangelização tem algumas pressuposições básicas que devem ser adotadas para que ela seja feita de maneira bíblica e eficaz. A não adoção dessas pressuposições traz implicações trágicas que comprometem totalmente a obra evangelística. Segue uma lista com cada uma dessas pressuposições básicas para a evangelização e uma rápida análise das terríveis implicações da não adoção de cada uma delas.

1. A inspiração, inerrância e autoridade das Escrituras. Crer que as Escrituras foram inspiradas por Deus, e que, portanto, elas são a própria Palavra de Deus, é o pressuposto mais fundamental não só da evangelização, mas de todo o Cristianismo. A doutrina da inspiração, por sua vez, leva inevitavelmente à conclusão de que não há erros nas Escrituras e, portanto, elas são absolutamente autoritativas em tudo aquilo que ensinam. Não aceitar esse pressuposto compromete toda a evangelização, porque alguém que não creia que a Bíblia é a Palavra de Deus não poderá anunciá-la aos pecadores com sinceridade e em verdade. Em outras palavras, não aceitar a origem divina da Bíblia levará o indivíduo a uma pregação hipócrita, pois ele não crerá naquilo que afirma, ou a uma pregação falsa, pois ele anunciará aquilo que acredita ser a verdade, e não a Verdade que Deus revelou em Sua Palavra.

2. A universalidade do pecado. O Evangelho é as boas novas de que Jesus Cristo salva pecadores dos seus pecados. Assim, a pregação do Evangelho pressupõe a existência do pecado. Se o pecado não existe, ou não é universal, a pregação do Evangelho torna-se desnecessária. Portanto, não adotar essa pressuposição afetará a própria essência da evangelização, que é o Evangelho. Quem não a adota deve anunciar alguma outra coisa no lugar do Evangelho, limitando-se a um discurso moral que utiliza apenas a ética das Escrituras, ou a uma pregação de auto-ajuda, na qual o próprio homem resolve os seus “conflitos”, que, afinal, não são pecados.

3. A soberania de Deus. Sendo soberano, Deus decreta e governa todas as coisas que acontecem. Não há nada que ocorra contra a vontade soberana de Deus. Até mesmo a salvação dos filhos de Deus foi decretada, por Deus, na eternidade. A negação desse pressuposto levará o indivíduo que se dispõe a pregar o Evangelho à frustração, pois ele se deparará com várias situações adversas na evangelização, e não crer que elas estejam debaixo do controle de Deus trará grande decepção.

4. A responsabilidade humana. Deus salva os pecadores eleitos através de meios, e o meio ordinário para isso é a pregação do Evangelho, que requer instrumentos humanos. Assim, o homem (particularmente o cristão) é responsável por evangelizar. Quem nega esse pressuposto provavelmente o fará por acreditar que ele é contrário à soberania de Deus, e a conseqüência dessa negação será uma indiferença para com a evangelização, esperando que Deus traga os Seus eleitos e deixando de ir até eles.

5. A doutrina da eleição, o propósito de Deus em salvar o Seu povo e o ministério eficaz do Espírito Santo. Deus já elegeu, na eternidade, aqueles que serão salvos. Nada poderá impedir que eles sejam salvos por Deus, nem mesmo o diabo, o mundo ou a incompetência dos missionários, pois isso está estabelecido pelo próprio propósito de Deus em salvar o Seu povo. Além do mais, o Espírito Santo aplicará essa salvação eficaz e irresistivelmente ao povo de Deus, de maneira que os eleitos virão a Cristo necessária e voluntariamente. Saber dessa verdade traz muita ousadia na evangelização, pois aquele que proclama as boas novas de salvação o faz na certeza de que aqueles que Deus escolheu certamente serão alcançados pela Palavra. Aquele que não crê nessa doutrina, por outro lado, confiará em seus próprios métodos para convencer os pecadores dos seus pecados, esperando que o arrependimento surja como resultado do próprio livre-arbítrio deles.

6. A suficiência e eficácia da obra de Cristo. A obra de Cristo não só é suficiente para salvar totalmente o Seu povo, como também é absolutamente eficaz para cumprir esse propósito. Por isso ser verdade, Cristo pode ser apropriadamente chamado de Salvador. Quem rejeita a doutrina da expiação suficiente e eficaz terá sua evangelização seriamente comprometida, pois não poderá anunciar sinceramente que Cristo é Salvador. Se Cristo não é suficiente, alguma outra coisa precisará ser acrescentada para que sua obra tenha efeito, como a fé daqueles que serão salvos. Assim, nesse tipo de evangelização Jesus será apenas um meio Salvador.

7. O anseio pelo regresso de Cristo. Cristo só voltará quando o Evangelho for anunciado a todas as nações. Portanto, alguém que creia e que anseia pelo Seu retorno evangelizará com muito mais ardor e dedicação. O oposto é verdadeiro a respeito daquele que não crê na volta de Jesus e, conseqüentemente, não anseia por ela. Além disso, ele terá que excluir de seu anúncio um importante aspecto da Evangelização, que é o juízo vindouro que se dará quando Cristo voltar.

8. Glorificar a Deus. Finalmente, o motivo último pelo qual se deve pregar o Evangelho é a própria glória de Deus. Tudo o que fazemos, devemos fazer para a glória de Deus, e isso inclui a evangelização. Quem não aceita esse pressuposto procurará evangelizar com as motivações erradas, como glória pessoal, o bem estar do ser humano (em primeiro plano), lucro financeiro, a reputação de sua denominação, etc.

Enfim, a não adoção desses pressupostos básicos levará, no melhor dos casos, a uma evangelização frágil e ineficaz, e no pior dos casos, a uma falsa evangelização com um falso Evangelho. Por essa razão, aquele que se dispõe a pregar o Evangelho deve ter essas verdades bem estabelecidas em sua mente e coração, a fim de que seu testemunho seja bíblico e poderoso.
 

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