segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Exposição de Atos 1.8: Características da Evangelização Bíblica

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Sermão pregado por mim na Igreja Reformada em Campinas “Soli Deo Gloria”, em Campinas-SP, no Dia do Senhor de 30/01/2011.

“Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra” (Atos 1.8).

Introdução

Irmãos, minha intenção nesta manhã é examinar esse texto de Atos com vocês e, à partir da exposição dele, apresentar algumas características da evangelização bíblica. Esse assunto é especialmente relevante para a nossa época por, pelo menos, duas razões:

Primeira, existe muita negligência atualmente quanto a esse aspecto do Cristianismo por parte dos cristãos professos. Há poucos cristãos evangelizando com suas palavras e suas vidas no dia-a-dia, e menos ainda os que se dispõem a deixar tudo para anunciar o Evangelho em lugares ainda não alcançados.

Segunda, entre aqueles que estão evangelizando, muitos há que o fazem de uma maneira não-bíblica, apresentando o Evangelho superficialmente e utilizando métodos pragmáticos, que visam mais ao entretenimento do que à salvação de almas.

Diante dessa situação, uma análise de algumas características da evangelização, segundo o ensino bíblico, será de grande utilidade para todos nós. Nós não examinaremos todas as características da evangelização de forma exaustiva, mas apenas aquelas que o texto dessa manhã nos apresenta, já que essa é uma pregação expositiva e não um estudo temático. Muitas outras características da evangelização poderão ser encontradas em outros textos bíblicos.

Contexto

Antes de mais nada, vejamos o contexto do nosso versículo. Ele foi dito por Jesus durante os quarenta dias em que Ele esteve com os discípulos após Sua ressurreição (v.3) e antes de Sua ascensão. Ele parece ser uma das últimas coisas que Jesus disse antes de ascender aos céus (vs.9-11).

Lucas registra o início dessa conversa de Jesus com os discípulos nos seguintes termos: “E, comendo com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual, disse ele, de mim ouvistes. Porque, João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (At 1.4-5).

Jesus está falando sobre o batismo com o Espírito Santo que os discípulos receberiam após Sua ascensão. Mas, então, Ele é interrompido pelos discípulos que ainda têm uma visão materialista do Reino de Deus. Eles imaginam o Reino de Deus como um reino político a ser estabelecido na nação de Israel: “Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel?” (At 1.6). Jesus lhes responde mostrando o que realmente importa no Reino de Deus, e é nessa resposta que o nosso texto está inserido: “Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade; mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo...” (At 1.7-8).

Como ficou evidente, toda essa passagem tem como tema principal o batismo com o Espírito Santo e, o versículo 8 especificamente, apresenta-nos um dos resultados desse batismo: a evangelização. É esse versículo que examinaremos a partir de agora, para extrair dele algumas características da evangelização. Apesar desse versículo ter sido dirigido inicialmente aos onze apóstolos, ele contém princípios que são aplicáveis a todos os cristãos, conforme veremos no decorrer da exposição.

Examinemos, portanto, quatro características da evangelização bíblica que se encontram em nosso texto:

1) O Pré-Requisito Para a Evangelização: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo”.

A primeira característica da evangelização que o texto nos apresenta é que seu pré-requisito é o batismo com o Espírito Santo. Jesus disse aos discípulos que eles receberiam poder quando o Espírito Santo descesse sobre eles, e então eles seriam testemunhas de Cristo. Ou seja, o testemunho que eles dariam a partir de então dependia totalmente desse revestimento de poder proveniente do batismo com o Espírito Santo.

Mas o que é o batismo com o Espírito Santo? Antes de encontrarmos uma definição para ele, vamos examinar algumas passagens bíblicas sobre o assunto. Como minha intenção não é falar exaustivamente sobre o batismo com o Espírito Santo, não vou tratar de todos os pontos polêmicos relacionados a ele, mas apenas daqueles necessários à compreensão da relação existente entre o batismo com o Espírito e a evangelização.

O batismo com o Espírito Santo tinha sido prometido por João Batista e por Jesus. Como vimos no início do sermão, no contexto do nosso versículo (At 1.5), Jesus menciona a promessa de João Batista quanto ao batismo com o Espírito: “Eu, na verdade, vos batizo com água, mas vem o que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo” (Lc 3.16). Jesus também referiu-se ao batismo com o Espírito em Jo 7.37-39: “No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado”. E antes de ascender aos céus, Jesus disse aos discípulos: “Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder” (Lc 24.49).

Essa profecia cumpriu-se no dia de Pentecostes, que era uma festa judaica. Assim Lucas registra o evento: “Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem” (At 2.1-4). Pedro, então, explica que esse batismo também havia sido prometido pelo profeta Joel: “Mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel” (At 2.16). A profecia à que Pedro se refere é a seguinte: “E acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões; até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias. Mostrarei prodígios no céu e na terra: sangue, fogo e colunas de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e terrível Dia do SENHOR. E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo; porque, no monte Sião e em Jerusalém, estarão os que forem salvos, como o SENHOR prometeu; e, entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar” (Jl 2.28-32).

Mas, afinal, em que consiste esse batismo com o Espírito Santo? Duas passagens serão úteis para entendermos perfeitamente.

A primeira é o apelo de Pedro logo após sua pregação no dia de Pentecostes: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar” (At 2.38-39). Pedro diz que o dom do Espírito Santo, que é um sinônimo de batismo com o Espírito Santo, é recebido por todos aqueles que se arrependem e por todos aqueles que Deus chamar. Isso significa que todos os crentes recebem o batismo com o Espírito Santo no momento da conversão.

A segunda passagem está em 1Co 12.13: “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito”. O significado desse texto no grego é que os crentes foram batizados tanto no Espírito quanto no corpo de Cristo, que é a Igreja. Wayne Grudem assim se expressa: “O Espírito Santo era o elemento em que eles foram batizados, e o corpo de Cristo, a igreja, era o lugar em que eles se achavam depois do batismo”.1

Essas duas passagens nos levam à conclusão de que o batismo com o Espírito Santo é recebido por todos os crentes no momento da conversão, ao contrário do que os pentecostais ensinam. Sendo assim, podemos definir o batismo com o Espírito Santo como Grudem: “‘Batismo no Espírito Santo’, portanto, deve-se referir à atividade do Espírito Santo no início da vida cristã quando ele nos dá nova vida espiritual (na regeneração), além de nos purificar e conceder um claro rompimento com o poder do pecado e o amor por ele (o estágio inicial da santificação). Nesse sentido, ‘batismo no Espírito Santo’ refere-se a tudo aquilo que o Espírito Santo faz no início de nossa vida cristã”.2

Dizer que o batismo com o Espírito Santo refere-se a toda obra do Espírito Santo no início da vida cristã não significa dizer que os crentes do Antigo Testamento não desfrutassem das bênçãos da salvação, já que o batismo com o Espírito é exclusivo da Nova Aliança. Os crentes do Antigo Testamento também foram regenerados, justificados, adotados e santificados. A diferença entre a obra do Espírito Santo no Antigo e no Novo Testamento não é de natureza, mas de grau. No Novo Testamento o Espírito Santo age na vida dos crentes de forma muito mais poderosa, num grau muito maior, e por isso essa obra do Espírito merece até um novo nome.

Tendo uma idéia mais clara sobre o que é o batismo com o Espírito Santo, podemos retornar ao exame da relação dele com a evangelização. Na própria profecia de Joel nós vemos essa relação de forma implícita, quando Joel diz que uma das conseqüências do derramamento do Espírito é que "todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo" (Jl 2.32). Ora, só é possível invocar o nome do Senhor depois de ter ouvido falar Dele, e só se pode ouvir falar Dele através da evangelização. Paulo expressa isso ao citar essa profecia de Joel: “Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas!” (Rm 10.13-15). Assim, vemos que a própria profecia de Joel apresenta o batismo com o Espírito Santo como um pré-requisito para a evangelização.

Nós vemos essa verdade de forma prática na vida dos discípulos após o Pentecostes. Os mesmos discípulos medrosos que abandonaram Jesus quando ele foi preso (Mt 26.56), após receberem o batismo com o Espírito Santo anunciaram a Palavra de Deus com grande ousadia: “Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus” (At 4.31). O mesmo Pedro que negou a Cristo três vezes (Mt 26.69-75) agora dava testemunho de Cristo com muita coragem: “Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo” (At 2.36).

Qual é a importância prática de se saber que o batismo com o Espírito Santo é o pré-requisito para a evangelização? Um cristão poderia pensar que como ele já possui o batismo com o Espírito Santo, saber que isso é um pré-requisito para a evangelização não tem muito utilidade. Porém, esse é um grande engano. Conhecer o poder com o qual fomos revestidos quando recebemos o batismo com o Espírito Santo, na conversão, é fonte de grande motivação para a grande tarefa que temos pela frente. Hoje nós temos um poder para evangelizar muito maior do que qualquer profeta teve no Antigo Testamento. O Espírito Santo hoje opera em nós e nos usa de maneira muito mais extraordinária do que com qualquer santo da Antiga Aliança. Para ser testemunha de Cristo até aos confins da terra é necessário um poder espiritual de proporções gigantescas, mas nós temos esse poder em nós! Aleluia! Que esse fato nos leve a um testemunho poderoso a respeito de Cristo em nossas vidas diárias, como a continuação desse versículo expressa!

2) A Inevitabilidade da Evangelização: “e sereis”.

A segunda característica da evangelização que encontramos nesse texto é que ela é inevitável. Quando Jesus disse “e sereis”, Ele não estava dando um mandamento aos discípulos. Se fosse um mandamento Ele teria dito: “vocês deverão ser”. Mas Ele não está dando um mandamento, Ele está afirmando um fato inevitável: “vocês serão minhas testemunhas”. Assim que eles recebessem o batismo com o Espírito Santo, eles se transformariam, naturalmente, em testemunhas de Jesus.

Pedro expressa essa verdade algum tempo depois, dizendo: “Nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos” (At 4.20). Ao ser intimado pelos religiosos da época a não mais falar sobre Jesus, Pedro responde que nem ele, nem os demais apóstolos poderiam deixar de falar do Evangelho. As coisas que eles viram e ouviram tinham se apossado do coração deles de tal modo que era impossível que eles não falassem delas. Era inevitável que eles pregassem o Evangelho.

Isso é verdade não só a respeito dos apóstolos da Nova Aliança, mas também dos profetas da Antiga. Jeremias fala da mesma coisa quando diz: “Quando pensei: não me lembrarei dele e já não falarei no seu nome, então, isso me foi no coração como fogo ardente, encerrado nos meus ossos; já desfaleço de sofrer e não posso mais” (Jr 20.9). Jeremias estava sofrendo tanta resistência do povo de Israel que chegou a pensar em parar de falar da Palavra de Deus. Porém, esse pensamento queimou de tal forma em seu coração que ele percebeu que não podia se calar. Ele também não poderia deixar de falar das coisas que tinha visto e ouvido.

Mas a evangelização não era inevitável apenas para os apóstolos e profetas. Veremos mais adiante que alguns cristãos são separados para se dedicarem especialmente à evangelização, mas a evangelização não se limita apenas a eles. Pelo contrário, todos os cristãos vêem a evangelização como algo natural e inevitável. Em At 8.1 lemos que iniciou-se uma grande perseguição contra a igreja e, por conta dessa perseguição, todos os cristãos, exceto os apóstolos, foram dispersos. E em At 8.4 vemos que esses cristãos “que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra”.

Por que isso acontece? Por que esses crentes não apenas sabiam, mas também sentiam que a evangelização era inevitável para eles? Há algo na própria natureza do cristão que o faz uma testemunha. A evangelização está no próprio DNA espiritual do crente, de modo que ele não pode deixar de ser uma testemunha. Assim como um peixe não vive fora d’água, um cristão não vive sem evangelizar. Isso é verdade a respeito de todo crente que já pisou neste mundo, especialmente os da Nova Aliança, que receberam o batismo com o Espírito Santo quando creram.

Irmãos, não podemos nós mesmos dizer que isso também é verdade a nosso respeito? Creio que todos nós que já somos cristãos podemos testemunhar que logo após nossa conversão tivemos um desejo incontrolável de falar de Jesus às pessoas. Falávamos de Jesus em tempo e fora de tempo, na escola, na faculdade, no trabalho, para familiares, amigos e vizinhos. Versículos bíblicos e frases evangelísticas eram comuns em nosso Orkut, Facebook ou Twitter. Às vezes abordávamos até mesmo pessoas desconhecidas na rua, através de atividades evangelísticas de nossas igrejas locais ou mesmo por iniciativa própria. Mesmo os mais tímidos dentre nós achavam algum modo de testemunhar para seus amigos mais íntimos.

Nosso testemunho, porém, não se limitava apenas às palavras, mas envolvia também nossas atitudes. Testemunhávamos nossa fé quando dizíamos “não” ao pecado: “não” à embriaguez, “não” ao sexo ilícito, “não” à pornografia, “não” à preguiça no trabalho, “não” à vingança, “não” à fofoca, “não” à mentira. E também testemunhávamos nossa fé quando dizíamos “sim” à santidade: “sim” à meditação bíblica, “sim” à oração, “sim” à comunhão na igreja, “sim” ao amor ao próximo, “sim” às esmolas.

Mas creio que nem todos nós podemos dizer que as coisas continuam assim. Talvez o tempo tenha esfriado o nosso coração e nosso ardor evangelístico tenha desaparecido quase que completamente. O próprio Jeremias, conforme lemos, desejou se calar em determinado momento de sua vida. Como explicar isso, se a evangelização é natural e inevitável para o cristão? A explicação é que nós ainda não alcançamos a perfeição e ainda temos muitas incoerências. Em Rm 6 Paulo explica que o cristão já morreu para o pecado e, no entanto, ainda precisa lutar para não pecar. Existe um sentido em que o pecado já faz parte do nosso passado e não somos mais servos dele. Mas também é verdade que temos que batalhar diariamente para não cairmos em tentação. Transportando essa verdade para a evangelização, é verdade que todo cristão é uma testemunha por natureza e que evangeliza inevitavelmente. Por outro lado, também é verdade que o cristão pode ser incoerente e agir contra a sua natureza, deixando de evangelizar por um período de tempo.

Que lição podemos tirar de tudo isso? Saber que nossa natureza como cristãos é uma natureza evangelística deve nos levar a uma profunda reflexão sobre como estamos vivendo. Estamos sendo coerentes com a nossa natureza? Temos dado testemunho como testemunhas que somos? Se você tem deixado de testemunhar, como Jeremias em certo momento, você já deve estar sentindo seu coração queimar como fogo ardente. Só há uma solução para isso: arrependa-se do seu pecado e volte a testemunhar de Cristo. Faça das palavras de Jeremias as suas esta manhã: “já desfaleço de sofrer e não posso mais” (Jr 20.9). Não posso mais me calar, não posso mais continuar com essa incoerência! Perdoa-me, Senhor, e ajude-me, pela Tua graça, para que eu viva de acordo com a natureza que Tu me deste. Sou uma testemunha; portanto, dá-me graça para que eu testemunhe.

3) O Conteúdo da Evangelização: “minhas testemunhas”.

A terceira característica da evangelização que o texto menciona é que o conteúdo dela é o próprio Cristo. Jesus disse: “e sereis minhas testemunhas”. Os apóstolos testemunhariam de Cristo, Jesus seria o conteúdo da mensagem deles. A implicação disso é que evangelizar é falar de Cristo, pregar o Evangelho é pregar a Cristo.

Isso pode parecer muito óbvio para alguns, mas essa característica da evangelização precisa ser enfatizada em nosso tempo, porque muitos a perderam de vista. Basta que você ligue a sua TV em um programa dito evangélico para entender o que eu estou dizendo. Aqueles que deveriam estar pregando o Evangelho, cujo conteúdo é o próprio Cristo, têm pregado de tudo, menos a Cristo. Eles irão te ensinar como ser curado de determinada enfermidade, como ter sucesso em sua vida profissional, como conseguir o carro ou a casa dos seus sonhos, como ser vitorioso, enfim, como ser “cabeça e não calda”. Mas eles pouco ou nada dirão sobre a grandeza dos seus pecados e sobre o poder de Cristo para perdoá-los.

Como, então, deve ser a evangelização bíblica? A melhor forma de entendermos de que modo podemos apresentar Cristo como o conteúdo da evangelização é analisando a forma que os próprios apóstolos utilizaram para isso. Como eu sei que aqui na Soli Deo Gloria o genuíno Evangelho tem sido apresentado a cada domingo, vou me limitar a uma rápida apresentação do Evangelho, buscando ser simples, sem ser superficial. Muitos outros detalhes importantes poderiam ser acrescentados. Mas, basicamente, os apóstolos apresentaram o Evangelho em quatro pontos:

a) O pecado

Primeiramente, os apóstolos falaram do pecado. É impossível pregar as Boas Novas de salvação antes de falarmos das péssimas novas de perdição. Só deseja o remédio quem sabe que está doente. Por isso os apóstolos sempre apresentaram o pecado dos seus ouvintes, antes de falarem da salvação em Cristo: “vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos” (At 2.23); “matastes o Autor da vida” (At 3.15); “Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração” (At 7.51). E Cristo é de tal modo o conteúdo da evangelização que até mesmo o pecado foi apresentado em referência a Cristo! A conseqüência desse pecado é a morte física, espiritual e eterna: “O salário do pecado é a morte” (Rm 6.23).

b) A vida, morte e ressurreição do Senhor Jesus Cristo

Em segundo lugar, os apóstolos anunciaram fatos sobre a vida, morte e ressurreição de Jesus. Pedro pregou em At 2.24: “Varões israelistas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis; sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos; ao qual, porém, Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte, porquanto não era possível fosse ele retido por ela [...] Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo”.

Ao testemunhar de Cristo é necessário falar sobre a obra redentora que Ele realizou neste mundo ao viver, morrer e ressuscitar dentre os mortos. Esse Jesus, que é o Filho de Deus (At 9.19) e o próprio Deus (Jo 1.1; Fp 2.5), foi concebido por obra do Espírito Santo assumindo uma natureza humana (Jo 1.14) e nasceu da virgem Maria. Viveu uma vida sem pecado (Hb 7.26), pregando, ensinando e realizando muitos milagres. Ao final de Sua vida Ele foi crucificado e levou sobre Si os nossos pecados (1Pe 2.24), morrendo a morte que nós merecíamos (Hb 2.9, 14-15). Tanto a vida como a morte de Cristo foram substitutivas: Ele viveu a vida que deveríamos viver e morreu a morte que deveríamos morrer. Porém, Ele não ficou no túmulo: ao terceiro dia ressuscitou dos mortos, demonstrando assim que Sua obra redentora foi aceita pelo Pai.

Nesse anúncio, a morte de Cristo é central, pois ela foi o ápice de Sua obra redentora para nos salvar do pecado e da morte. Por isso Paulo escreve: “Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus quanto gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus” (1Co 1.22-24).

c) A salvação através de Cristo somente

Em terceiro lugar, os apóstolos sempre deixaram claro que só Jesus Cristo salva do pecado e da morte: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4.12). Isso eles tinham aprendido do próprio Jesus, que disse: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6). Assim, eles sempre apresentaram Cristo como plenamente suficiente para nos perdoar de todos os nossos pecados e nos livrar da ira vindoura.

d) A necessidade de arrependimento e de fé em Cristo

Por fim, os apóstolos sempre encerravam o anúncio do Evangelho com um apelo ao arrependimento e à fé em Cristo: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados” (At 3.19); “Por meio de seu nome, todo aquele que nele crê recebe remissão de pecados” (At 10.43); “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua casa” (At 16.31). Cristo morreu pelos pecados do Seu povo e eu me aproprio dessa salvação abandonando os meus pecados em arrependimento e colocando minha fé e confiança em Cristo.

Então, como nós devemos anunciar o Evangelho hoje? Resumidamente, mostrando o pecado dos nossos ouvintes, apresentando os fatos sobre a vida, morte e ressurreição de Jesus, demonstrando como Jesus é suficiente para salvá-los de todos os seus pecados e como essa salvação está disponível a todo aquele que se arrepende dos seus pecados e crê em Jesus.

4) A Extensão da Evangelização: “tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra”.

A última característica da evangelização que podemos extrair desse texto é que sua extensão é global. Os discípulos seriam testemunhas em Jerusalém (a cidade onde se encontravam), Judéia (a província da qual Jerusalém era uma cidade, e que incluía muitas outras cidades), Samaria (uma província que no passado era parte do Reino do Norte de Israel) e até nos confins da terra (outros países do mundo). Em outros dois textos das Escrituras essa verdade também aparece com clareza. Em Mt 28.18-20 Jesus diz: “Toda a autoridade me foi nada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século”. Na passagem paralela de Mc 16.15 ele diz a mesma coisa: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”. Vemos, assim, que o alcance da evangelização é mundial.

De fato, pela leitura do livro de Atos, descobrimos que a promessa de Jesus em At 1.8 é exata. Os discípulos testemunharam primeiro em Jerusalém e na Judéia (At 2.14-41; At 3.11-26; 4.5-22; 6.8-7.53), depois em Samaria (At 8.4-25) e finalmente em outros países, os confins da terra (At 10.23-43; 13.1-14.28; 15.36-20-38). Paulo desejou cumprir essa profecia à risca, pois em Rm 15.28 ele fala de seu plano de testemunhar também na Espanha, um dos lugares mais distantes do mundo conhecido na época, literalmente os “confins da terra” para eles.

Nós podemos aplicar essa última parte do texto à nossa realidade atualmente, aqui em Campinas, no estado de São Paulo, fazendo uma equivalência entre as cidades e províncias daquele tempo e as nossas hoje. Campinas é a nossa Jerusalém; o estado de São Paulo é a nossa Judéia; os outros estados do Brasil correspondem à Samaria; e os outros países do mundo são os confins da terra para nós.

Não é difícil perceber que alguns detalhes dessa última parte do texto não se aplicam diretamente a todos os cristãos. Nem todo cristão de Campinas, pode, por exemplo, testemunhar de Cristo em outras cidades do estado de São Paulo, em outros estados do Brasil e em outros países do mundo. Alguns cristãos são especialmente chamados por Deus para anunciarem o Evangelho em distantes regiões do Brasil e do mundo, onde nem todos podem ir. Apesar disso, mesmo que nem todos os aspectos desse versículo se apliquem diretamente a todos nós, existem aplicações indiretas, conforme veremos a seguir. Vamos, portanto, examinar cada uma dessas regiões onde nós, crentes de Campinas, podemos testemunhar de Cristo.

a) Missões locais: Campinas e o estado de São Paulo

Nossa cidade é o primeiro lugar onde podemos anunciar o Evangelho. Campinas é uma cidade grande que está em expansão. Já existem muitos evangélicos e muitas igrejas por aqui. Mas ainda há muito a fazer: vários bairros ainda não foram alcançados pelo genuíno Evangelho e muitos outros, que têm igrejas, não têm recebido um testemunho biblicamente fiel da parte dos crentes professos dessas igrejas.

O primeiro passo é testemunhar de Cristo para aqueles que estão próximos de nós: familiares, amigos, vizinhos, colegas de trabalho, etc. Compartilhe o Evangelho com eles e deixe que a convivência demonstre a eles como o poder do Evangelho tem transformado a sua própria vida.

O próximo passo é anunciar o Evangelho aos desconhecidos. Isso pode ser feito através da igreja local. A Soli Deo Gloria pode organizar uma equipe de irmãos para evangelizar um bairro de Campinas onde o Evangelho seja escasso. Vocês podem promover uma pregação evangelística em algum lugar público do bairro, como uma praça, para que muitas pessoas ao mesmo tempo ouçam o Evangelho, que é o poder de Deus (Rm 1.16). Depois podem fazer um trabalho de evangelismo e ensino em cada casa do bairro, com o objetivo de, a médio prazo, estabelecer uma nova igreja. Essa é, obviamente, uma sugestão que deve ser planejada e levada a Deus em oração.

Mas nosso testemunho não deve se limitar apenas à nossa cidade. O estado de São Paulo também é um campo missionário. Segundo o IBGE, em 2008, a porcentagem de evangélicos no estado de São Paulo era de 28,2%. Pode parecer um número expressivo, mas muitos desses crentes professos podem não o ser de fato, e ainda há muitas cidades no estado de São Paulo que conhecem pouco ou nada sobre Cristo. Alguém precisa lhes falar das Boas Novas de salvação. Reconheço que anunciar o Evangelho em outras cidades do estado não é tão fácil e que exige um grande esforço e cooperação de vários irmãos. Mas também creio firmemente que uma igreja local unida pode fazer muito nesse sentido. Existem igrejas em Campinas com equipes missionárias evangelizando cidades distantes até três horas de Campinas. Esse é um alvo que a Soli Deo Gloria pode assumir para os próximos anos.

b) Missões transculturais: Brasil e outros países

Eu disse que alguns detalhes do versículo não se aplicam diretamente a todos os cristãos e creio que chegamos a eles. Para anunciar o Evangelho em lugares distantes do Brasil e do mundo é necessário um chamado especial da parte de Deus. Em At 13.2, por exemplo, Deus chama especialmente a Paulo e a Barnabé para pregar o Evangelho aos gentios. Nem todos os cristãos de Antioquia poderiam pregar o Evangelho nas distantes cidades do Império Romano. Foi necessário um chamado divino de pessoas específicas para essa grande obra.

Talvez entre vocês da Soli Deo Gloria exista alguém que Deus esteja chamando ou irá chamar para pregar o Evangelho em distantes lugares do Brasil e do mundo. Talvez você já esteja sentindo esse chamado há algum tempo. Você sente um amor especial por determinado povo e um desejo de lhes falar de Cristo. Às vezes se pega pensando sobre isso durante o dia e sonhando com isso à noite. Outras vezes nem mesmo consegue dormir, tamanha é a pressão que esses pensamentos exercem sobre você. Isso pode indicar que Deus esteja te chamando para uma missão transcultural, no Brasil ou no mundo.

Se isso é assim, provavelmente você tem batalhado com dois dilemas: como ter certeza do chamado missionário e de onde tirar forças para deixar tudo por amor a Cristo e anunciar o Evangelho em lugares distantes.

Quanto à certeza do chamado, essa não é uma questão simples e a resposta pode ser muito subjetiva e pessoal. A forma como alguém toma consciência do chamado varia de pessoa para pessoa. Pode envolver pensamentos, sentimentos e convicções muito fortes. Pode se dar através de circunstâncias da vida, boas e más. Mas o chamado sempre passará, basicamente, por duas etapas: você toma consciência do seu chamado e o seu chamado é reconhecido pela sua igreja. A certeza absoluta do chamado se dá quando essa convicção interior é apoiada pelo reconhecimento exterior dos irmãos que convivem com você.

Quanto à coragem para abandonar tudo e seguir o seu chamado, ela virá naturalmente assim que você tiver plena certeza. Você também pode encontrá-la nesta promessa de Jesus: “Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos por amor de mim e por amor do evangelho, que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e, no mundo por vir, a vida eterna” (Mc 10.29-30). Tudo o que você deixou você receberá cem vezes mais neste mundo, e no mundo futuro, a vida eterna. As coisas não serão fáceis, pois você será perseguido, sofrerá privações e sentirá falta de tudo o que deixou para trás. Mas a certeza do seu chamado e a promessa de Jesus te dará coragem para seguir adiante e dizer “sim” ao chamado missionário.

Conheço um homem em Cristo que sentiu seu chamado ao ministério da Palavra bastante jovem, logo após sua conversão. Esse chamado foi reconhecido pela igreja dele algum tempo depois, mas ele ainda não tinha plena certeza de tudo o que seu chamado envolvia. Ele só teve essa certeza depois de conhecer sua futura esposa e entender que Deus o estava chamando para testemunhar do Evangelho a uma distante região do Brasil. Com a certeza veio também a coragem para deixar tudo: sua família, seus amigos, seu trabalho, sua igreja e sua cidade.

Se você está sendo chamado, coloque a mão no arado e não olhe para trás (Lc 9.62)! E que as seguintes estatísticas sobre a evangelização do Brasil e do mundo possam te motivar ainda mais.

O Brasil é um grande campo missionário. Apesar de termos entre 20 a 27 milhões de evangélicos, ainda há muito a ser feito. Existem 258 tribos indígenas no Brasil, das quais 113 ainda não foram alcançadas pelo Evangelho. Na região Norte do Brasil há cerca de 36.157 comunidades sem igrejas. Quem falará de Cristo a eles? Por que não você?

Outros países do mundo também precisam encarecidamente das Boas Novas. 27% da população mundial ainda não foi alcançada. No mundo todo há cerca de 1000 povos que nunca ouviram o Evangelho. 60% das línguas do mundo não têm a tradução de nenhum versículo bíblico sequer! Há muito a ser feito e você pode ser um dos instrumentos usados por Deus para mudar essa realidade!

Por fim, quero me dirigir a todos vocês. Ainda que o chamado de anunciar o Evangelho até aos confins da terra não se aplique diretamente a todos vocês, vocês podem participar dessa obra de duas maneiras fundamentais: orando e contribuindo financeiramente. Assim como em um exército existem aqueles que lutam na linha de frente e outros que ficam na retaguarda dando suporte, assim também com respeito à evangelização.

Intercedam por missionários no Brasil e no exterior, orem por aqueles países onde a perseguição contra os cristãos é cruel, peçam por aqueles povos que ainda não conhecem Jesus, supliquem pelas pessoas que não tem a Bíblia em seu próprio idioma e roguem ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a Sua seara (Mt 9.39)! Mas também abram suas carteiras e bolsas e sejam liberais em contribuir com a obra missionária! E Deus, “segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades” (Fp 4.19).

Conclusão

Irmãos, antes de terminar, eu gostaria de sugerir três livros sobre missões e evangelização. O primeiro é Alegrem-se os Povos (John Piper), que apresenta o fundamento teológico da evangelização: a glória de Deus através da alegria dos povos evangelizados. Os outros dois são biografias de missionários: A Vida de David Brainerd (Jonathan Edwards), que contém o diário de um missionário jovem entre índios norte-americanos, e Completando as Aflições de Cristo (John Piper), que conta a vida e os sofrimentos de três missionários, William Tyndale, Adoniram Judson e John Paton.

Eu espero que as características da evangelização que pudemos extrair do texto desta manhã tornem-se verdades práticas em nossas vidas. Que nós possamos, conhecendo o poder que temos através do batismo com o Espírito Santo e sabendo que nossa nova natureza é evangelística tornando a evangelização inevitável, anunciar o Evangelho com ousadia e com fidelidade bíblica, tendo Cristo como conteúdo e o mundo como campo missionário! Amém.

Notas

1 Wayne Grudem, Teologia Sistemática, pág.639
2 Idem

domingo, 30 de janeiro de 2011

Breve Catecismo de Westminster: Domingo 5

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Pergunta 7: O que são os decretos de Deus?

Resposta: Os decretos de Deus são o seu eterno propósito, segundo o conselho da sua vontade, pelo qual, para a sua própria glória, ele preordenou tudo o que acontece.1

Referências:

1 "Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!" (Rm 11.36); "assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado [...] nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade" (Ef 1.4-6,11); "sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos" (At 2.23); "de um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação" (At 17.26); "Disse isto para significar com que gênero de morte Pedro havia de glorificar a Deus. Depois de assim falar, acrescentou-lhe: Segue-me" (Jo 21.19); "que digo de Ciro: Ele é meu pastor e cumprirá tudo o que me apraz; que digo também de Jerusalém: Será edificada; e do templo: Será fundado" (Is 44.28); "Os gentios, ouvindo isto, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna" (At 13.48); "mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória" (1Co 2.7); "para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais, segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Ef 3.10-11).

Pergunta 8: Como Deus executa os seus decretos?

Resposta: Deus executa os seus decretos nas obras da criação e da providência.1

Referências:

1 "Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?" (Dn 4.35); "nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade" (Ef 1.11); "Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas" (Ap 4.11); "Levantai ao alto os olhos e vede. Quem criou estas coisas? Aquele que faz sair o seu exército de estrelas, todas bem contadas, as quais ele chama pelo nome; por ser ele grande em força e forte em poder, nem uma só vem a faltar" (Is 40.26); "Este é o desígnio que se formou concernente a toda a terra; e esta é a mão que está estendida sobre todas as nações. Porque o SENHOR dos Exércitos o determinou; quem, pois, o invalidará? A sua mão está estendida; quem, pois, a fará voltar atrás?" (Is 14.26-27); "Mas ambas estas coisas virão sobre ti num momento, no mesmo dia, perda de filhos e viuvez; virão em cheio sobre ti, apesar da multidão das tuas feitiçarias e da abundância dos teus muitos encantamentos. Porque confiaste na tua maldade e disseste: Não há quem me veja. A tua sabedoria e a tua ciência, isso te fez desviar, e disseste contigo mesma: Eu só, e além de mim não há outra. Pelo que sobre ti virá o mal que por encantamentos não saberás conjurar; tal calamidade cairá sobre ti, da qual por expiação não te poderás livrar; porque sobre ti, de repente, virá tamanha desolação, como não imaginavas" (Is 46.9-11); "Ouvindo isto, unânimes, levantaram a voz a Deus e disseram: Tu, Soberano Senhor, que fizeste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há" (At 4.24).

sábado, 29 de janeiro de 2011

Breve Catecismo de Westminster: Domingo 4

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Pergunta 5: Há mais de um Deus?

Resposta: Há um só Deus, o Deus vivo e verdadeiro.1

Referências:

1 "Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR" (Dt 6.4); "No tocante à comida sacrificada a ídolos, sabemos que o ídolo, de si mesmo, nada é no mundo e que não há senão um só Deus" (1Co 8.4); "Mas o SENHOR é verdadeiramente Deus; ele é o Deus vivo e o Rei eterno; do seu furor treme a terra, e as nações não podem suportar a sua indignação" (Jr 10.10); "E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste" (Jo 17.3).

Pergunta 6: Quantas pessoas há na Divindade?

Resposta: Há três pessoas na Divindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e estas três são um Deus, da mesma substância, iguais em poder e glória.1

Referências:

1 "Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele. E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo" (Mt 3.16-17); "Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo" (Mt 28.19); "A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós" (2Co 13.13); "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" (Jo 1.1); "Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus" (Jo 3.18); "Eu e o Pai somos um" (Jo 10.30); "Então, disse Pedro: Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo? Conservando-o, porventura, não seria teu? E, vendido, não estaria em teu poder? Como, pois, assentaste no coração este desígnio? Não mentiste aos homens, mas a Deus" (At 5.3-4); "Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas" (Hb 1.3).

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Breve Catecismo de Westminster: Domingo 3

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Pergunta 4: O que Deus é?

Resposta: Deus é espírito,1 infinito, eterno e imutável em seu ser,2 sabedoria,3 poder,4 santidade,5 justiça, bondade e verdade.6

Referências:

1 "Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade" (Jo 4.24).

2 "Disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros" (Ex 3.14); "Grande é o SENHOR e mui digno de ser louvado; a sua grandeza é insondável" (Sl 145.3); "Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus" (Sl 90.2); "Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança" (Tg 1.17); "Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos" (Ml 3.6).

3 "Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos!" (Rm 11.33).

4 "Quando atingiu Abrão a idade de noventa e nove anos, apareceu-lhe o SENHOR e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda na minha presença e sê perfeito" (Gn 17.1).

5 "E os quatro seres viventes, tendo cada um deles, respectivamente, seis asas, estão cheios de olhos, ao redor e por dentro; não têm descanso, nem de dia nem de noite, proclamando: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, que é e que há de vir" (Ap 4.8).

6 "E, passando o SENHOR por diante dele, clamou: SENHOR, SENHOR Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniqüidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniqüidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até à terceira e quarta geração!" (Ex 34.6-7).

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Breve Catecismo de Westminster: Domingo 2

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Pergunta 2: Que regra Deus nos deu para nos orientar na maneira de o glorificar e gozar?

Resposta: A Palavra de Deus, que se acha nas Escrituras do Antigo e do Novo Testamentos, é a única regra para nos orientar na maneira de o glorificar e gozar.1

Referências:

1 "E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras [...] A seguir, Jesus lhes disse: São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos" (Lc 24.27,44); "para que vos recordeis das palavras que, anteriormente, foram ditas pelos santos profetas, bem como do mandamento do Senhor e Salvador, ensinado pelos vossos apóstolos [...] e tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor, como igualmente o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, ao falar acerca destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles" (2Pe 3.2,15-16); "e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra" (2Tm 3.15-17); "Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos. Mas ele insistiu: Não, pai Abraão; se alguém dentre os mortos for ter com eles, arrepender-se-ão. Abraão, porém, lhe respondeu: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos" (Lc 16.29-31); "Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema" (Gl 1.8-9); "Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço. Tenho-vos dito estas coisas para que o meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo" (Jo 15.10-11); "À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva" (Is 8.20); "Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo" (Hb 1.1-2); "Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares e ministros da palavra, igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem, para que tenhas plena certeza das verdades em que foste instruído" (Lc 1.1-4); "Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome" (Jo 20.30-31).

Pergunta 3: Qual é a coisa principal que as Escrituras nos ensinam?

Resposta: A coisa principal que as Escrituras nos ensinam é o que o homem deve crer acerca de Deus, e o dever que Deus requer do homem.1

Referências:

1 "Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim" (Jo 5.39). "Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome" (Jo 20.31). "Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para os meus caminhos" (Sl 119.105). "Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança" (Rm 15.4). "Estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado" (1Co 10.11). "Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o SENHOR pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus" (Mq 6.8).

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Breve Catecismo de Westminster: Domingo 1

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Pergunta 1: Qual é o fim principal do homem?

Resposta: O fim principal do homem é glorificar a Deus,1 e gozá-lo para sempre.2

Referências:

1 "Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!" (Rm 11.36); "Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus" (1Co 10.31); "a todos os que são chamados pelo meu nome, e os que criei para minha glória, e que formei, e fiz" (Is 43.7); "nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado" (Ef 1.5-6).

2 "Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra. Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre" (Sl 73.25-26); "Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor" (Rm 14.7-8); "Todos os do teu povo serão justos, para sempre herdarão a terra; serão renovos por mim plantados, obra das minhas mãos, para que eu seja glorificado" (Is 60.21); "Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos [...] Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo" (Jo 17.22,24); "e a pôr sobre os que em Sião estão de luto uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo SENHOR para a sua glória" (Is 61.3).

Breve Catecismo de Westminster: Introdução

1 Comentário



O Breve Catecismo de Westminster foi formulado, em 1648, por teólogos puritanos da Inglaterra e da Escócia, na famosa Assembléia de Westminster. Alderi Souza de Matos assim se expressou sobre ele: "O Breve Catecismo, contendo 107 perguntas e respostas, é considerado uma obra-prima por sua estrutura harmoniosa, instrução condensada e abrangente, e expressão lúcida e vigorosa [...] Nenhum catecismo reformado tem sido mais influente do que este" (Os Catecismos de Westminster). Junto da Confissão de Fé de Westminster e do Catecismo Maior de Westminster, ele compõe os símbolos de fé da maioria das igrejas reformadas ao redor do mundo.

Devido à sua importância e grande utilidade para a vida cristã, eu resolvi publicar O Breve Catecismo de Westminster em partes aqui no blog, em todos os 52 domingos do ano. Como, porém, os 4 primeiros domingos do ano já passaram, vou publicar essas partes durante esta semana, e à partir do próximo domingo, em todos os próximos domingos.

Meu desejo é que os irmãos sejam edificados com a leitura desse catecismo que conquistou o coração de milhares de cristãos no decorrer da história.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Exposição de 2 Coríntios 4.6

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Sermão pregado por mim na Congregação Presbiteriana Nova Jerusalém e na Igreja Presbiteriana Filadélfia, em Parnaíba-PI, no Dia do Senhor de 16/01/2011.

“Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo” (2 Coríntios 4.6).

Irmãos, o texto que examinaremos esta noite nos apresenta a nossa salvação de uma perspectiva tão gloriosa que é de tirar o fôlego! Muitas vezes nós pensamos em nossa salvação de uma maneira muito mesquinha, como se ela se resumisse a uma simples decisão que tomamos em determinado momento da vida, quando recebemos a Cristo. Porém, conforme veremos, a salvação é um evento extraordinário, um milagre de proporções gigantescas!

“Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração”.

Paulo inicia este texto relembrando a criação do mundo. Lemos em Gênesis que Deus criou os céus e a terra quando nada havia. Ao contrário do homem, que cria coisas de materiais pré-existentes, Deus criou o mundo “do nada”, tamanho é o poder de Deus! Além disso, a criação do mundo foi um ato totalmente soberano de Deus. Deus criou o mundo por causa de Sua vontade. Mas também lemos que “A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo” (Gn 1.2). E em meio a esse caos e trevas Deus chama a luz à existência: “Haja luz” (Gn 1.3), ou, como Paulo escreve, “Das trevas resplandecerá a luz”.

Mas a intenção de Paulo não é falar apenas da criação do mundo. Após relembrar este evento tão grandioso, Paulo usa essa primeira criação para ilustrar algo que aconteceu com cada um de nós. Paulo diz que o mesmo Deus que criou a luz através da Sua Palavra, Ele mesmo também resplandeceu ou brilhou em nosso coração! Do que Paulo está falando?

No versículo 4 deste mesmo capítulo Paulo tinha dito que “o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus”. Todos nós, antes de sermos salvos, tínhamos a nossa mente cega para as coisas de Deus. Nós estávamos em trevas espirituais, como João diz: “Aquele, porém, que odeia a seu irmão está nas trevas, e anda nas trevas, e não sabe para onde vai, porque as trevas lhe cegaram os olhos” (1Jo 2.11). Nossa mente não podia compreender as coisas de Deus e o nosso coração não conseguia ter prazer nelas. Essas trevas espirituais são causadas pelo pecado e também são conhecidas na teologia como “depravação total”. Paulo expressa isso em Rm 3.10-12: “Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer”. Ele diz a mesma coisa em Ef 2.1-3: “estando vós mortos em delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais”.

Como nós estávamos nessas trevas espirituais tão terríveis, não havia nada que pudéssemos fazer para sermos salvos. Não poderíamos nem mesmo escolher a Deus. Estávamos completamente cegos e perdidos.

Por isso foi necessário que Deus brilhasse em nosso coração! Na primeira criação, Deus criou tudo do nada, soberanamente, e dissipou as trevas criando a luz. Agora, para nos salvar, Deus realiza uma nova criação, que eu diria que é muito mais espetacular, miraculosa e gloriosa que a primeira! Deus cria em nós um novo coração capaz de desejá-lo (Ez 36.26-27), e o faz soberanamente também, pois não tínhamos nenhuma capacidade de cooperar com Ele nessa obra. E como Paulo diz nessa passagem, ao invés de criar uma luz para dissipar as trevas do nosso coração, como fez na primeira criação, agora Deus mesmo brilha em nós e dissipa todas as trevas espirituais!

Há três definições de Deus na Bíblia. A Bíblia diz que “Deus é espírito” (Jo 4.24), que “Deus é amor” (1Jo 4.8) e há passagens da Bíblia que definem Deus como “luz”. Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida”. (Jo 8.12). O apóstolo João afirmou: “Deus é luz, e não há nele treva nenhuma” (1Jo 1.5). Esse Deus, que é luz, não uma luz material que possa ser vista com os olhos físicos, mas uma luz espiritual que só pode ser contemplada com os olhos do entendimento, esse mesmo Deus resplandeceu em nosso coração e dissipou nossas trevas.

Esse evento é chamado por vários nomes na Bíblia, como novo nascimento (Jo 3.3) ou regeneração (Tt 3.5; 1Pe 1.23). A nossa Confissão de Fé, a Confissão de Fé de Westminster, o chama de vocação eficaz, pois Ele também é um chamado divino das trevas para a luz: “para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim” (At 26.18). “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2.9).

Mas qual é a importância de conhecermos todos esses fatos sobre nossa salvação? Como essas verdades se aplicam às nossas vidas? Nós só poderemos viver uma vida digna da vocação a que fomos chamados (Ef 4.1) quando compreendermos a grandeza dessa vocação. Nós, que participamos de tão grande salvação, sendo tirados das trevas e iluminados espiritualmente pelo próprio Deus, devemos viver agora como filhos da luz: “Pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz” (Ef 5.8).

Nós somos filhos de Deus, que é a luz, e por isso devemos andar na luz e não nas trevas: “Se dissermos que mantemos comunhão com ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros...” (1Jo 1.6-7).

A santidade não é uma opção para o cristão. Ela é uma exigência da sua própria natureza, dessa própria iluminação espiritual, com a qual ele foi iluminado por Deus. Como as trevas do seu coração já se foram e agora brilha a verdadeira luz, o verdadeiro cristão deve viver longe do pecado, buscando viver a cada dia em santidade.

“para iluminação do conhecimento da glória de Deus”.

Paulo continua dizendo que esse brilho de Deus em nosso coração tem como objetivo nos iluminar espiritualmente para que possamos conhecer a glória de Deus.

O que é a glória de Deus? Certa vez, um amigo deu uma definição muito bíblica: “A glória de Deus é o brilho que emana de todas as Suas perfeições”. Deus tem diversos atributos: Ele é amor, Ele é justo, Ele é santo, Ele é onipotente, onisciente e onipresente, etc. E todos esses atributos somados produzem um brilho espiritual, que é a glória de Deus.

Para entendermos melhor, imagine um diamante com várias faces. Alguém ilumina esse diamante e a luz é espalhada para todos os lados, pelas faces do diamante. A glória de Deus é como essa luz que se espalha pelo diamante, com a diferença de que, no caso de Deus, essa luz é emitida por Ele próprio, por todos os Seus atributos, por todas as Suas perfeições.

Por que Paulo diz que Deus nos iluminou para que conheçamos a Sua glória? Que importância tem a glória de Deus para nós? Antes de entendermos a importância que a glória de Deus tem para nós, temos que entender a importância que a glória de Deus tem para Deus.

A Bíblia nos ensina que a glória de Deus é o motivo supremo para tudo o que Deus faz. Vemos isso, por exemplo, em Rm 11.36: “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém”. Nessa passagem Paulo diz que Deus é a origem de todas as coisas (“dele”), o meio pelo qual todas as coisas existem (“por meio dele”) e o objetivo para o qual todas as coisas foram criadas (“para ele”). Assim, nós vemos que Deus e a Sua glória são a razão suprema para tudo o que existe: “A ele, pois, a glória eternamente”.

O objetivo supremo de Deus não é o bem das suas criaturas ou de Seus filhos. Esses são objetivos secundários. Se Deus não tivesse como objetivo supremo a própria glória Dele, Deus seria idólatra e não seria Deus. Se Deus não Se amasse supremamente, com todo o Seu ser, acima de todas as coisas, Deus teria ídolos em Seu coração e estaria negando a Si mesmo. É a própria natureza de Deus que O leva a buscar a Sua própria glória acima de todas as coisas!

Nós podemos ver essa verdade de forma particular em, pelo menos, três fatos.

Primeiro, Deus criou o mundo para a Sua glória: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos” (Sl 19.1). Deus fez o mundo para que ele manifestasse a Sua glória. Esse foi o propósito supremo de Deus quando criou o Universo.

Segundo, Deus governa o mundo para a Sua glória: “Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade; que chamo a ave de rapina desde o Oriente e de uma terra longínqua, o homem do meu conselho. Eu o disse, eu também o cumprirei; tomei este propósito, também o executarei. Ouvi-me vós, os que sois de obstinado coração, que estais longe da justiça. Faço chegar a minha justiça, e não está longe; a minha salvação não tardará; mas estabelecerei em Sião o livramento e em Israel, a minha glória” (Is 46.9-13). Esta passagem mostra o controle que Deus tem sobre todas as coisas. Deus não apenas criou o mundo, Ele agora o governa soberanamente, de acordo com Sua própria vontade: “o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade”. O governo de Deus se estende a todas as Suas criaturas, animadas e inanimadas, racionais e irracionais. Vemos o controle de Deus até em conduzir uma ave e direcionar um homem. E Deus diz que faz todas essas coisas para estabelecer em Israel “a minha glória”. Ou seja, o governo de Deus sobre o mundo também tem como propósito a Sua própria glória.

Terceiro, Deus nos salvou em Cristo para a Sua glória: “nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade, a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo” (Ef 1.11-12). Aqui Paulo apresenta a nossa predestinação para a salvação como fruto da própria vontade de Deus. Deus nos escolheu em Cristo porque assim quis. E Ele o fez, diz Paulo, “a fim de sermos para louvor da sua glória”. Ao decidir nos salvar, Deus desejou, primeiramente, a manifestação da Sua própria glória.

Então, voltando ao que dizíamos anteriormente, qual é a importância de conhecermos a glória de Deus? Como todos esses fatos sobre a glória de Deus se aplicam a nós? Assim como o objetivo supremo de Deus é buscar a Sua própria glória, o objetivo supremo do próprio homem é buscar a glória de Deus. A 1ª Pergunta do Breve Catecismo e do Catecismo Maior de Westminster assim diz: “Qual é o fim supremo e principal do homem? Resposta: O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre”.

Toda a nossa vida deve ser vivida para a glória de Deus. Nossa adoração não se limita apenas ao culto público no Dia do Senhor. Cada atividade de nossa vida deve ser um ato de adoração. Cada aspecto de nossa vida deve ter como objetivo supremo a glória de Deus. Essa verdade é expressa em 1Co 10.31: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus”. Paulo cita as coisas mais ínfimas e simples da vida, como comer e beber, e diz que elas devem ser feitas para a glória de Deus.

Como eu posso comer e beber para a glória de Deus? Reconhecendo que Deus é quem me dá o alimento diário (Mt 6.11; At 17.25), dando graças a Ele (1Ts 5.18) e não cometendo glutonaria, nem embriaguez (Lc 21.34).

Como eu posso viver meu casamento para a glória de Deus? As mulheres sendo submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor, e o marido amando a esposa como Cristo amou a Igreja e a Si mesmo se entregou por ela (Ef 5.22-23).

Como eu posso criar meus filhos para a glória de Deus? Criando-os na disciplina e na admoestação do Senhor (Ef 6.4).

Como eu posso trabalhar para a glória de Deus? Trabalhando como se fosse para o Senhor, e não para os homens (Ef 6.7).

“na face de Cristo”.

Paulo finalmente afirma que a glória de Deus que somos iluminados para conhecer é a glória de Deus que resplandece na face de Jesus Cristo! Isso porque a glória de Deus se manifesta com infinito esplendor no próprio Cristo. Eu disse anteriormente que a glória de Deus é manifesta na criação. Mas ela se manifesta na criação de modo derivado; a criação é iluminada pela glória de Deus assim como a Lua é iluminada pelo Sol. Cristo, porém, é a própria fonte da qual a glória de Deus resplandece. Ele não é a Lua iluminada pelo Sol, Ele é o próprio “Sol nascente das alturas, para alumiar os que jazem nas trevas e na sombra da morte” (Lc 1.78-79)! Por isso Isaías disse com respeito a Cristo: “O povo que jazia em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região e sombra da morte resplandeceu-lhes a luz” (Mt 4.16).

Diversas passagens das Escrituras apresentam Cristo como a expressão da glória e do Ser de Deus:

Jo 1.18: “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou”.

Cl 1.15: “Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação”.

Cl 2.9: “porquanto, nele, habita corporalmente toda a plenitude da Divindade”.

Hb 1.3: “Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser”.

2Co 4.4: “nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus”.

Ap 21.23: “A cidade não precisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada”. Esta passagem de Apocalipse em particular mostra que a Nova Jerusalém, na eternidade, será iluminada pela glória de Deus, mas a lâmpada da cidade é o Cordeiro (Jesus). Ou seja, a lâmpada da qual a glória de Deus é irradiada para iluminar a cidade é o próprio Jesus. Ele é a fonte da glória de Deus!

Mas é importante dizer que a glória de Deus não se manifesta infinitamente em Cristo apenas em Sua divindade, mas também em Sua humanidade. Cristo é, também como Deus e Homem em uma única Pessoa, a plena manifestação da glória de Deus: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo 1.14).

Nós podemos ver a glória de Cristo em alguns eventos relacionados com a Sua vinda ao mundo.

Primeiro, vemos a glória de Cristo em Sua vida. Ele nasceu numa manjedoura, mas Seu nascimento foi anunciado por anjos e por astros; Ele curou paralíticos, cegos, leprosos, endemoninhados e ressuscitou mortos; Ele transformou água em vinho, multiplicou pães e peixes, andou sobre as águas e acalmou uma tempestade; Ele ensinou com autoridade, repreendeu com amor, exortou com mansidão e julgou com humildade. E finalmente, no final de Sua vida, ocorreu o evento no qual a glória de Cristo se manifestou com maior esplendor antes de Sua ressurreição: a transfiguração. O rosto de Cristo brilhou como o Sol e Suas vestes ficaram brancas como a luz. Jesus deu aos Seus discípulos um vislumbre daquela glória que Ele teria quando ressurgisse dentre os mortos.

Segundo, vemos a glória de Cristo em Sua morte. Alguém poderia perguntar que glória há em morrer. Paulo, antecipando essa pergunta, afirma em 1Co 1.18,22-24: “Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus [...] Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus quanto gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus”. De fato, para o mundo, não há nenhuma glória na morte de Cristo. Mas para nós, que somos salvos, esse é um dos eventos mais gloriosos relacionados a Ele!

Podemos ver a glória de Cristo em Sua morte em Jo 19.30: “Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado! E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito”. Quando Jesus diz “Está consumado”, Ele está mostrando o absoluto controle que Ele tinha sobre toda a situação. Sua morte era parte de um plano divino que agora estava terminado. Ele veio ao mundo para “buscar e salvar o perdido” (Lc 19.10), dando Sua vida “em resgate por muitos” (Mt 20.28), e agora esse propósito estava cumprido. O controle de Jesus fica ainda mais evidente quando o texto diz que Jesus “rendeu o espírito”. Jesus não foi assassinado. Foi Ele mesmo quem entregou a Sua vida. Ele disse em Jo 10.17-18: “Por isso, o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai”. Jesus tinha controle até sobre a hora em que deveria morrer.

Mas a glória de Cristo em Sua morte não se limita a isso. A morte de Cristo foi um evento tão extraordinário que provocou até milagres, conforme está registrado em Mt 27.51-52: “Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo; tremeu a terra, fenderam-se as rochas; abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos, que dormiam, ressuscitaram”. O véu do templo era tão espesso que precisaria de vários bois de cada lado para rasgá-lo, de baixo para cima. Porém, quando Cristo morreu, o véu se rasgou de cima para baixo! Um terremoto aconteceu, provocando o rompimento de rochas e a abertura de sepulcros. E o mais impressionante: muitos santos do passado ressuscitaram!

Terceiro, vemos a glória de Cristo em Sua ressurreição. Em At 2.24-27, Pedro diz: “ao qual, porém, Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte; porquanto não era possível fosse ele retido por ela. Porque a respeito dele diz Davi: Diante de mim via sempre o Senhor, porque está à minha direita, para que eu não seja abalado. Por isso, se alegrou o meu coração, e a minha língua exultou; além disto, também a minha própria carne repousará em esperança, porque não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção”. Cristo é tão poderoso que nem a morte poderia mantê-lo no sepulcro!

Quarto, veremos a glória de Cristo em Sua segunda vinda: “Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória. E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus” (Mt 24.29-31). O retorno de Cristo será tão glorioso que todo o universo será afetado, Sol, Lua e estrelas. E essa glória de Cristo em Sua segunda vinda será vista por todos (Ap 1.7).

De que modo todas essas verdades sobre a glória de Cristo se aplicam às nossas vidas? Eu vejo duas aplicações, uma para os crentes e outra para os incrédulos.

Primeiro, a maior benção da salvação, da qual nós cristãos já desfrutamos em alguma medida no presente e desfrutaremos plenamente na eternidade é contemplar a glória de Deus em Cristo! A maior benção da salvação não é a justificação, a regeneração, a adoção, a santificação e nem mesmo a glorificação, quando nossos corpos serão transformados para serem semelhantes ao de Cristo. Não, a maior benção da salvação é o próprio Deus!

A glória de Deus em Cristo é algo muito mais espetacular do que qualquer paisagem que você já tenha visto! Ela é mais estonteante do que as imagens computadorizadas do filme Avatar! E nós já podemos contemplar essa glória neste mundo, aqui e agora! Ainda não podemos vê-lO com os olhos do corpo, mas já podemos vê-lo com os olhos do entendimento, através de Sua revelação nas Escrituras.

Contemplar a glória de Cristo deve ser a maior busca do cristão neste mundo; deve ser o combustível de sua adoração. Nós vemos essa busca e anelo pela glória de Deus em diversos salmos, onde os salmistas expressam que o próprio Deus é o maior bem que possuem:

Sl 16.2,11: “Digo ao SENHOR: Tu és o meu Senhor; outro bem não possuo, senão a ti somente [...] Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente”.

Sl 63.1-2: “Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água. Assim, eu te contemplo no santuário, para ver a tua força e a tua glória”.

Sl 73.25-26: “Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra. Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre”.

Sl 84.1-3,10: “Quão amáveis são os teus tabernáculos, SENHOR dos Exércitos! A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do SENHOR; o meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo! O pardal encontrou casa, e a andorinha, ninho para si, onde acolha os seus filhotes; eu, os teus altares, SENHOR dos Exércitos, Rei meu e Deus meu [...] Pois um dia nos teus átrios vale mais que mil”.

Que nós tenhamos esse mesmo anseio de contemplar a glória de Deus na face de Cristo em nossa adoração e viver diário!

Segundo, se é em Cristo que a glória de Deus resplandece com infinito esplendor, não resta espaço algum para nenhum outro deus, nenhum ídolo e nenhum outro mediador entre Deus e os homens. Paulo diz que Deus exaltou Jesus “sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2.9). Pedro diz que “não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At 2.12). O próprio Jesus disse certa vez: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6). E novamente, Paulo: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1Tm 2.5).

O Piauí é, talvez, o estado mais católico do Brasil, e Parnaíba, uma das cidades mais católicas do Piauí. Muitos há por aqui que colocam Sua confiança em ídolos feitos por mãos humanas, que “têm boca e não falam; têm olhos e não vêem; têm ouvidos e não ouvem; têm nariz e não cheiram. Suas mãos não apalpam; seus pés não andam; som nenhum lhes sai da garganta” (Sl 115.5-7). Muitos buscam sua salvação nos santos e em Maria. Mas quando compreendemos que Cristo é o próprio esplendor da glória de Deus, que necessidade há de continuar buscando Deus através de qualquer outro?

Talvez você que me ouve tem buscado em ídolos aquilo que só Jesus pode te dar. Talvez você ainda não tenha colocado Sua confiança em Cristo, e somente em Cristo, para a sua salvação. Se esse é o caso, Deus te ordena esta noite: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo” (At 16.31). Somente crendo em Cristo você poderá desfrutar da contemplação da glória de Deus como nós, cristãos: “se creres, verás a glória de Deus” (Jo 11.40).

Irmãos e amigos, que estas verdades que pudemos aprender neste texto de 2Co 4.6 possam se apossar de nossos corações, produzindo fruto em nossas vidas. Que a compreensão da grandeza dessa salvação que Deus nos proporcionou, iluminando-nos espiritualmente e dissipando as trevas dos nossos corações, possa nos levar a uma busca constante da glória de Deus em tudo o que fazemos, e a buscar essa glória especialmente na face de Cristo, onde ela brilha infinitamente! Amém.
 

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