quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Resumo: Livro Questões últimas da vida (Ronald Nash), capítulo 10

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NASH, Ronald. Questões últimas da vida: uma introdução à filosofia. São Paulo: Cultura Cristã, 2008.

Capítulo 10: Epistemologia I: O que aconteceu com a verdade?

Neste capítulo de seu livro, Ronald Nash inicia o assunto da epistemologia, a doutrina do conhecimento, tratando particularmente da verdade e de como ela é vista no mundo pós-moderno.

Ele inicia dando uma definição de verdade: “Verdade é a propriedade de proposições que correspondem à maneira como as coisas são”. A verdade é objetiva e não depende da opinião pessoal das pessoas.

Ele continua diferenciando o conceito de verdade dos testes da verdade, que frequentemente são confundidos. Os testes da verdade ajudam no reconhecimento da verdade e são três: o teste da correspondência, da coerência e do pragmatismo. No teste da correspondência, verifica-se pela experiência se uma determinada proposição é verdadeira. Por exemplo, diante da proposição de que determinado edifício tenha determinado número de degraus, conta-se os degraus para se verificar a veracidade da proposição. Obviamente, nem sempre o teste da correspondência pode ser realizado, o que nos leva aos outros testes. O teste da coerência testa a veracidade de uma proposição analisando o quão coerente ela é em relação a todas as informações disponíveis relacionadas àquela proposição. O teste do pragmatismo, por sua vez, verifica a veracidade de uma proposição por sua funcionalidade. Se uma crença funciona ela é verdadeira. O problema desse teste é que proposições falsas podem funcionar e proposições verdadeiras podem não funcionar, o que faz dele um teste inadequado.

O autor trata, logo em seguida, do relativismo epistemológico, que nega a existência de uma verdade objetiva. A base para esse posicionamento é a discordância entre as pessoas sobre diversas proposições, porém, o fato de haver discordâncias não significa que não exista uma verdade. Platão refutou uma das versões do relativismo epistemológico, de Protágoras, que afirma que o “o homem é a medida de todas as coisas”. Entre vários argumentos utilizados, Platão argumentou que, se Protágoras está correto, então a opinião de um cidadão de Atenas que pense que Protágoras está errado estará correta, o que é logicamente absurdo.

Nash continua falando sobre o pós-modernismo, um movimento atual que rejeita as crenças supostamente ensinadas no Iluminismo e no modernismo. Ele trata, primeiramente, do pós-modernismo e da linguagem. Os pós-modernistas não acreditam que a linguagem possa se referir a coisas e objetos, mas apenas a si mesma. Assim, textos não podem transmitir uma verdade objetiva, porque eles só podem fazer referência a outros textos. Eles também dizem que a linguagem é um constructo social arbitrário e nenhum sentido ou interpretação é melhor do que o outro. Dentro deste assunto, o autor fala de dois aspectos do pós-modernismo em relação à linguagem. Primeiro, a hermenêutica da suspeita, segundo a qual os textos são tentativas de pessoas poderosas de impor sua vontade sobre os fracos. Assim, o pós-modernista não procurará o significado do texto, mas aquilo que ele está encobrindo, a relação de poder que está oculta no texto, o que é chamado de leitura subversiva. Segundo, as metanarrativas, que seriam histórias sobre a História, são consideradas impossíveis pelos pós-modernistas, já que um texto não pode falar de nada fora de si mesmo. Deste modo, o pós-modernismo é anti-realista, pois não crê que um conhecimento sobre o mundo real é possível.

Depois o autor apresenta a atitude do pós-modernismo para com a razão. Há dois sentidos de razão. Razão pode se referir às leis objetivas da lógica, que são indispensáveis para o pensamento e comunicação, mas também foi utilizada pelos iluministas para se referir ao processo de raciocínio. O segundo uso do termo “razão” é incorreto, mas os pós-modernistas são contrários até mesmo ao primeiro uso do termo, negando que existam leis objetivas para a lógica, o que leva a um completo irracionalismo.

Na continuação, Nash trata do desconstrucionismo, um novo tipo de relativismo que afirma que todos os sentidos de um texto dependem do intérprete e não do autor. Ele examina o assunto em quatro passos.

Primeiro, ele examina o ataque ao descontrucionismo do professor Rothbard. Nesse ataque, Rothbard mostra como, para o desconstrucionismo, não apenas o intérprete não pode descobrir o significado de um texto, mas também nem mesmo o próprio autor sabe o que ele quis dizer. Assim, a atividade do intérprete é mais importante que o texto. Rothbard conclui, assim, que nem mesmo os desconstrucionistas podem entender textos literários, e não podem entender nem mesmo os livros onde descrevem seus princípios. Além disso, a ira dos desconstrucionistas contra Rothbard, por causa de sua crítica contra o descontrucionismo, também não é justificada, pois se todo sentido é subjetivo, eles não podem se irar contra declarações que não podem ser entendidas.

Segundo, Nash analisa a hermenêutica da suspeita, mostrando que, se ela é verdadeira, então os escritos de Marx e Lenin, tão estimados por muitos desconstrucionistas, são apenas instrumentos de poder e dominação dos mais fracos.

Terceiro, Nash se apresenta como exemplo na avaliação de um livro de um desconstrucionista e tratando-o como um argumento em favor da existência de Deus e da verdade objetiva da fé cristã. O desconstrucionista ficaria irado por uma interpretação tão distorcida das suas palavras, e essa sua ira seria uma ótima refutação do próprio desconstrucionismo.

Quarto, o autor observa que, apesar dos desconstrucionistas negarem a possibilidade de se conhecer o significado de um texto, eles mesmos se comunicam entre si e parecem entender os textos uns dos outros. Segue-se que a comunicação é possível e que o desconstrucionismo é uma mentira.

Após essa análise do desconstrucionismo, Nash analisa o ataque à verdade objetiva por parte de Philip Kenneson. Kenneson afirma que “não há coisa tal como verdade objetiva”, mas diz que não é um relativista, porque só existe relativismo em relação à verdade, e como a verdade não existe, não existe relativismo. Nash observa que essa é uma manobra para fugir da acusação de relativismo, e que não há coisa alguma que funcione como argumento nessa posição de Kenneson. Mas a ausência de argumentos é compreensível, uma vez que Kenneson não acredita em verdade objetiva, e a utilização de argumentos lógicos seria incoerente.

Outros problemas com a visão de Kenneson são sua aceitação do anti-realismo, sua rejeição da teoria da correspondência da verdade e a ausência de qualquer referência à lógica, à ética e à Escritura em sua obra. Algo curioso é que não é a intenção de Kenneson apresentar um argumento em favor da visão dele, e isso por dois motivos: primeiro, ele não tem um argumento, e segundo, não poderia apresentar um argumento, não crendo na lógica.

Nash continua apresentando a verdade objetiva na Escritura e na vida diária. Na Escritura, a verdade objetiva pode ser encontrada, por exemplo, no resumo que Paulo faz do Evangelho em 1 Coríntios 15.3-8. Na vida diária, a verdade objetiva pode ser encontrada em fatos como um policial de trânsito dando uma multa, uma enfermeira dizendo que o recém-nascido é uma menina, um médico dizendo que o ente querido de alguém morreu, etc. Nenhum desses fatos é subjetivo.

O autor encerra o capítulo respondendo a pergunta inicial do capítulo: “o que aconteceu com a verdade?”. Ele responde que nada aconteceu com a verdade, que ainda continua sendo verdade. A verdadeira questão é: o que aconteceu com a espécie humana no final do século 20?

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