quinta-feira, 30 de junho de 2011

Resenha: Livro Ide e fazei discípulos (Roger Greenway)

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GREENWAY, Roger. Ide e fazei discípulos: uma introdução às missões cristãs. São Paulo: Cultura Cristã, 2001.
Roger Greenway (B.D., Th.M., Calvin Theological Seminary) foi missionário no Sri Lanka (1958-1962) e no México (1963-1970), secretário de uma organização responsável por missões na América Latina (1972-1978), membro do Comitê de Lausanne para a evangelização dos judeus, pastor de uma igreja reformada (1978-1982) e professor de várias instituições de ensino teológico, tais como Westminster Seminary (1982-1986) e Fuller Theological Seminary. Atualmente é professor de Missiologia no Calvin Seminary e autor de vários livros ainda não traduzidos para o português, como An Introduction to Christian Missions (Uma Introdução às Missões Cristãs), Guidelines for Urban Planting (Diretrizes para Plantação Urbana), entre outros.
“Ide e fazei discípulos” é um livro sobre missões bastante claro, prático e abrangente. A proposta de Roger Greenway é apresentar o assunto de forma simples para que todo cristão entenda e pratique.

O livro é dividido em três partes. Na primeira delas, “O mundo para o qual Cristo nos envia”, Greenway analisa três pontos: os desafios mundiais da atualidade, os missionários como cooperadores de Deus e os motivos para missões.

Os desafios mundiais dos dias de hoje, longe de serem razão para desmotivação com a ação missionária, devem nos empolgar, segundo o autor. Dez desafios mundiais são apresentados, mas alguns se destacam. O crescimento populacional é um grande desafio, já que a população mundial passa de seis bilhões e continua crescendo, principalmente na Ásia, América Latina e África, exigindo mais missionários. Outro desafio são as barreiras culturais, como línguas, costumes, religiões, etc. Para superá-lo é necessário um treinamento sobre como apresentar o Evangelho de uma cultura para outra. Há também o desafio das grandes religiões mundiais, como o Islamismo, Hinduísmo e Budismo, que além de estarem crescendo, são responsáveis por perseguirem cristãos em diversos países.

Greenway prossegue mostrando biblicamente que Deus é um grande Enviador, enviando Sua Palavra, Seu Filho, Seu Espírito e Seus servos. Jesus, por sua vez, é apresentado como enviado e enviador. Ele foi enviado pelo Pai ao mundo e depois Ele mesmo enviou Seus discípulos (Jo 20.21). Ao enviar Seus discípulos ao mundo para continuar a obra de pregação do Evangelho, Cristo fez deles cooperadores com Ele. Essa cooperação se dá em três aspectos principais. Primeiro, eles são co-participantes no trabalho de Deus (1 Co 3.9; 2Co 6.1), pois Deus decidiu anunciar o Evangelho através de mensageiros humanos, que são seus embaixadores (2Co 5.20). Segundo, eles são co-participantes no sofrimento de Cristo (Cl 1.24,25), pois o anúncio do Evangelho é frequentemente acompanhado por perseguição. Terceiro, eles são co-participantes no testemunho do Espírito (Jo 15.26,27; At 5.32), pois o mesmo Espírito que glorifica ao Filho também guia os discípulos a toda a verdade, a fim de que eles também testemunhem de Cristo.

Depois, o autor examina os motivos para as missões. Ele apresenta primeiramente alguns motivos errados, como o desejo de ser admirado, a busca por auto-realização e por aventura, a fuga dos problemas do lar, etc. Ao contrário desses, o motivo primeiro e supremo para as missões é o desejo de que Deus seja adorado e glorificado por todos os povos, como também consta na resposta à primeira pergunta do Breve Catecismo de Westminster. Além desse, outros motivos corretos para as missões apresentados pelo autor são o desejo de obedecer ao mandamento de Cristo de fazer discípulos de todas as nações (Mt 28.19), o desejo de que pecadores sejam salvos dos seus pecados (1Co 9.19-22) e a preocupação de que o reino de Deus seja estendido por toda a terra, por meio do crescimento e multiplicações de igrejas. O alvo final das missões, que deve ser o combustível para a obra missionária, é que, na eternidade, pessoas de todos os povos, tribos, línguas e nações se reúnam diante do trono de Deus, para adorar a Ele e ao Cordeiro (Ap 5.9; 7.9).

Na segunda parte, Roger Greenway apresenta o fundamento bíblico das missões. Ele expõe primeiramente o que costa do assunto no Antigo Testamento. O Antigo Testamento apresenta doutrinas sem as quais as missões seriam impossíveis, como o teísmo (Deus existe), o monoteísmo (só há um Deus), o exclusivismo (o Deus verdadeiro demanda adoração exclusiva), a criação do universo e do homem, o pecado e o caminho da salvação (por exemplo, o proto-evangelho em Gn 3.15). Além disso, o povo de Israel tinha um chamado missionário, no sentido de ser uma testemunha de Deus diante das nações (Is 42.5-7; 43.10-13).

Greenway prossegue mostrando as missões nos quatro evangelhos. Primeiro, o próprio Jesus foi um missionário, sendo enviado pelo Pai (Jo 20.21) para ser o Salvador do mundo (Jo 4.42). Jesus anunciou a salvação a pessoas como Nicodemos (Jo 3) e a mulher samaritana (Jo 4), e contou histórias como as da ovelha perdida, da dracma perdida e do filho pródigo (Lc 15), que tem um caráter claramente missionário. Segundo, os quatro evangelhos foram escritos com propósitos missionários: Mateus escreveu sobre Jesus a judeus; Marcos apresentou um breve relato sobre a vida de Jesus aos gentios; Lucas, um gentio, escreveu ao também gentio Teófilo; e João escreveu com um propósito missionário bem claro: “Para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome (Jo 20.31). Finalmente, os quatro evangelhos se encerram com a grande comissão de levar o Evangelho a todas as nações (Mt 28.18-20; Mc 16.15-18; Lc 24.44-48; Jo 20.21-23).

Depois o autor apresenta as missões em Atos e nas Epístolas. Ele inicia mostrando as oposições que as missões cristãs enfrentaram, tanto da parte de judeus quanto de gentios, e prossegue mostrando algumas abordagens missionárias dos primeiros discípulos. Primeiro, eles tiveram que “traduzir” o único Evangelho em linguagens e atitudes que pudessem ser compreendidas pelos povos aos quais eles pregavam. Segundo, eles insistiram para que aqueles que os ouviam fossem convertidos, crendo em Cristo como único Salvador e Senhor e abandonando os seus pecados. Terceiro, eles trabalharam com alguns irmãos de tempo integral, como os apóstolos e evangelistas, e outros leigos que colaboravam com eles. E quarto, eles utilizaram muitos métodos diferentes, pregando em sinagogas, casas, edifícios alugados e ao ar livre, enfatizando a vida moral tanto quanto a doutrina e tendo a oração como a principal ferramenta para as missões cristãs, juntamente com a leitura das Escrituras.

O autor também trata dos métodos missionários do apóstolo Paulo. O método por excelência utilizado pelo apóstolo Paulo foi a pregação da Palavra, pois, como ele mesmo disse, “a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (Rm 10.17). O Evangelho que ele pregava era de Deus, havia sido prometido pelos antigos profetas, tinha como conteúdo o próprio Cristo e era para todas as pessoas de todos os lugares (Rm 1.1-5). Dentro deste método maior, sete métodos usados pelo apóstolo se destacam. Primeiro, ele confrontou as pessoas com a salvação e senhorio de Cristo, apelando a que se submetessem a Ele. Segundo, Paulo focalizou as famílias para a evangelização e o alcance da sociedade. Terceiro, Paulo enfatizou a importância de plantar igrejas e cuidar delas. Quarto, ele concentrou-se no desenvolvimento de líderes para as igrejas locais. Quinto, Paulo usou o parentesco e amizade entre as pessoas na propagação do Evangelho. Sexto, Paulo começou igrejas nas casas. E sétimo, Paulo ensinou a importância de um viver exemplar na sociedade e do cuidado com a criação.

Greenway continua essa segunda parte mostrando a relação do Espírito Santo com as missões, a relação do Evangelho com as outras religiões, a unicidade e suficiência de Jesus Cristo e a relação da oração com as missões.

Na terceira parte, Greenway examina várias questões sobre missões. Umas dessas questões é o desenvolvimento de liderança para o crescimento da igreja. Um plantador de igrejas deve gastar tempo e energia treinando líderes para as igrejas que estão sendo plantadas, para que elas possam continuar crescendo e se desenvolvendo quando ele tiver que deixá-las. Algumas qualidades que devem ser buscadas em um líder são: visão, que lhes possibilite ver o que Deus pode fazer por meio da igreja; tenacidade, de modo que possam continuar o trabalho, mesmo em meio às dificuldades; integridade, pois devem ser confiáveis no cuidado com o dinheiro e as pessoas; excelência, a fim de que busquem o bom funcionamento da igreja, de um modo que agrade a Deus e sirva às pessoas; desejo de servir, pois um líder deve trabalhar para o bem dos outros e para a glória de Deus.

Outra questão apresentada pelo autor é a relação entre os pastores e a evangelização. Ele é bastante taxativo em afirmar, e com razão, que um pastor que não se interessa por evangelização não deve ser um ministro do Evangelho. Um pastor que não tenha ardor missionário produzirá uma igreja fria e acomodada, despreocupada com as almas dos pecadores. Os pastores devem cumprir seu papel como líderes na evangelização e em missões de três formas. Primeiro, ensinando e pregando sobre evangelização e missões. Segundo, dando exemplo pessoal, com a evangelização de pessoas no seu dia-a-dia. Terceiro, promovendo atividades evangelísticas, como estudos bíblicos em prisões, escolas, casas, etc.

Greenway também trata do preparo para tornar-se um missionário, apresentando oito ferramentas missionárias básicas. Primeiro, vida espiritual forte, com leitura bíblica diária e oração. Segundo, amor pelas pessoas antes do que pelos livros. Terceiro, uma teologia bíblica de missões, pois missões sem teologia pode-se transformar em puro pragmatismo. Quarto, alvos e estratégias, planejando a planta do edifício espiritual, que é a igreja, antes de edificá-lo. Quinto, treinamento e experiência em evangelização pessoal, evangelização em equipes, pequenos grupos de estudos bíblicos, aconselhamento e ensino de novos discípulos, organização da igreja e seus ministérios, desenvolvimento de líderes e auxílio aos pobres. Sexto, fácil adaptação em outras culturas e sociedades, pois o missionário frequentemente tem que lidar com povos de outras culturas e religiões. Sétimo, que o cônjuge tenha o mesmo ardor missionário. Oitavo, o conhecimento dos próprios dons e personalidade, para um melhor aproveitamento deles no campo missionário.

Outras questões analisadas pelo autor são os ministérios de oração, cura e exorcismo, o desafio da urbanização, missões através de palavras e ações, o sustento financeiro de missões, a ética da evangelização e de missões, e missões e a unidade entre os cristãos.

O livro encerra-se com um apêndice bastante útil, contendo seis passos para a evangelização, plantação e multiplicação de igrejas: 1) Começar com um estudo bíblico; 2) Visitar os lares; 3) Iniciar uma classe de discipulado; 4) Batizar os crentes e todos os de sua casa, se possível; 5) Organizar uma igreja; 6) Prover para a vida e crescimento da igreja.

Este é um livro excelente que deveria ser lido por todo cristão, especialmente por aqueles que se sentem vocacionados ao ministério da Palavra. Tanto aqueles que desejam plantar igrejas com DNA missionário quanto aqueles que aspiram pastorear e revitalizar igrejas, a fim de que se tornem missionárias, encontrarão neste livro princípios indispensáveis para uma evangelização bíblica e poderosa.

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