quarta-feira, 8 de junho de 2011

A cidade de Roma nos tempos bíblicos

2 comentários

Trabalho feito por mim para a disciplina de Missões Urbanas do Seminário Teológico do Nordeste, da Igreja Presbiteriana do Brasil (Teresina-PI).

Roma é uma cidade localizada na Península Itálica, às margens do Rio Tibre, sobre sete colinas: Palatino, Aventino, Campidoglio (ou Capitólio), Quirinale, Viminale, Esquilino e Celio.. Segundo a lenda, foi fundada em 753 a.C, por dois irmãos, Rômulo e Remo, que teriam sido criados por uma loba. Ainda segundo a lenda, Rômulo matou Remo e se tornou o primeiro rei de Roma.

Roma tornou-se uma República em 509 a.C e passou a conquistar diversos territórios em volta do Mar Mediterrâneo. No século I a.C, Roma tornou-se a capital do recém fundado Império Romano, sendo César Augusto, filho de Júlio César, o primeiro imperador. Foi nesse contexto histórico, quando César Augusto era imperador, que Jesus nasceu (Lc 2.1).

Na época do Novo Testamento, Roma ocupava um lugar central em toda a sociedade ao redor do Mediterrâneo. Havia estradas por todo o Império Romano que ligavam as cidades a Roma, facilitando o comércio e a migração de pessoas. A população da cidade era de cerca de 1.200.000 pessoas, sendo a metade composta por escravos e tendo muitas pessoas livres vivendo de esmolas. Havia muito luxo na cidade, mas também muita devassidão moral e muitos crimes. A educação era reservada para poucos, entre os quais não se encontravam os plebeus.

A economia de Roma era bastante diversificada, possibilitando o comércio de diversos produtos: jóias, linho, seda, madeira, móveis, especiarias, vinho, farinha, trigo, gado, etc. Escravos também eram comercializados, constituindo-se grande fonte de lucro.

A religião de Roma consistia em um politeísmo baseado numa mitologia muito semelhante à grega, com vários deuses antropomórficos, cada um deles exercendo determinada função, e tendo Zeus como o deus supremo. Porém, além desses deuses mitológicos, a religião romana também se misturava com a política, adorando o Imperador e considerando-o deus e senhor. Por isso, quando os cristãos diziam que Jesus é o Senhor e recusavam-se a dizer o mesmo de César, isso era visto com maus olhos pelos romanos e considerado não apenas como declaração de uma crença religiosa, mas principalmente como insubordinação política.

Deus começou a atuar de forma especial em Roma quando os primeiros judeus começaram a migrar para lá, desde que a Palestina passou a fazer parte do Império Romano, e essa atuação foi ainda maior quando os cristãos judeus chegaram à cidade. Não se sabe ao certo como o Evangelho chegou a Roma, mas é muito provável que, entre os judeus que visitaram Jerusalém no Pentecostes e se converteram com a pregação de Pedro, havia alguns que eram de Roma, tendo levado o Evangelho para a cidade quando retornaram. O que se sabe é que já em 49 d.C. havia cristãos em Roma, pois o historiador Suetônio disse que, nessa data, Cláudio expulsou judeus de Roma por terem criado tumulto “por causa de um tal Cresto” (provável referência a Cristo), entre os quais estavam Áquila e Priscila (At 18.2). Assim, em 56 d.C., Paulo escreveu uma carta à igreja de Roma, que já estava bem estabelecida, antes da atuação de qualquer apóstolo (Rm 1.8-13), e sendo composta por judeus e gentios (Rm 1.16).

Paulo esteve preso em Roma durante dois anos, cerca de 60-62 d.C., morando em uma casa alugada com um soldado, onde teve a oportunidade de pregar aos judeus (At 28.16-31) e de onde escreveu as chamadas cartas da prisão: Filemon, Colossenses, Efésios e Filipenses. Segundo a tradição, Pedro também esteve em Roma, o que parece ser confirmado por sua menção da Babilônia (provável Roma) em sua Primeira Carta (1Pe 5.13). Assim, apesar de não ter sido fundada por apóstolos, a igreja de Roma pôde contar com o trabalho direto de Pedro e Paulo por alguns anos. Ainda segundo a tradição, Pedro e Paulo foram martirizados em Roma, sob Nero, cerca de 67 ou 68 d.C.

Devido à sua grande influência por ser capital do império e devido à atuação direta de Pedro e Paulo, Roma passou a abrigar uma das igrejas mais importantes da cristandade. Os bispos de Roma passaram a ter uma autoridade cada vez maior sobre as igrejas de outras cidades, autoridade que cresceu após a legalização do Cristianismo por Constantino, no século IV. Finalmente, o papado apareceu em sua forma plenamente desenvolvida no século V e VI, quando o Império Romano caiu e o bispo de Roma surgiu como um substituto religioso e político do antigo imperador romano.

Porém, a mesma Roma que abrigou essa igreja tão importante e influente, também foi uma forte opositora do Cristianismo nos primeiros séculos. Nero perseguiu muitos cristãos, matando-os cruelmente em cruzes e até mesmo utilizando-se deles como tochas humanas. Vários outros imperadores perseguiram os cristãos, lançando-os às feras no Coliseu. Essas cruéis perseguições de Roma obrigaram os cristãos a se refugiar em abrigos subterrâneos, que eram utilizados como locais de culto e cemitérios, e que foram chamados de catacumbas.

Roma também foi a responsável pela destruição de Jerusalém e do templo em 70 d.C., através do general Tito, que viria a se tornar imperador, cumprindo assim a profecia de Jesus em Lucas 21.

Finalmente, por conta dos seus terríveis pecados, não só de perseguição contra o povo de Deus, mas também de luxúria, a perspectiva bíblica sobre Roma é bastante negativa. João a apresenta como uma prostituta em Apocalipse 17, chamando-a de “Babilônia, mãe das meretrizes e das abominações da terra”. Ela está assentada sobre a besta com sete cabeças, cujas cabeças são representações dos montes sobre os quais Roma está edificada (Ap 17.9). Assim, o seu destino é a destruição, profetizada em Apocalipse 18, e que de fato ocorreu em 476 d.C.

Bibliografia:

BÍBLIA DE ESTUDO DE GENEBRA. São Paulo: Cultura Cristã, 1999.
BOYER, Orlando. Pequena Enciclopédia Bíblica. São Paulo: Vida, 2002.

Comentários

2 comentários em "A cidade de Roma nos tempos bíblicos"

Daniel Rachadel disse...
4 de setembro de 2017 14:58

Claudio não expulsou os judeus de Roma, pois Cresto era alguém que era escravo e pertencia a religião cínica ele era espartano e comandou uma revolta contra Roma, e fora esmagado pelo general romano por volta dos anos -80 desta era, e a religião romana ludibriando a história chamou o chefe desta revolta de Espártaco, quando na verdade o nome dele era Cresto e era espartano, e foi derrotado nos anos -80 desta era e quando se entregou foi crucificado junto com seus soldados e por isto foram chamados de cristo, que era um nome dado aos que eram crucificado e se o povo os considerasse inocente deste crime os chamava de cristo, e quando o general crucificou Cresto e seus soldados, que escravos fugido de seus senhores. para ser usado por Cresto na guerra decretada contra Roma!
Mas quando o general dominou a revolta mandou crucificar todos os que sobraram, e como eram muito foi crucificando em grupos ao longo da via desde o sul da Península Itálica até a entrada de Roma.
E a estes o povo chamou de cristo e por serem muitos foram chamados de cristãos e estes foram os primeiros cristãos saído da religião cínica e mais tarde quando Nero mandou crucificar todos os religiosos por supor que tinham sido eles que puseram fogo em Roma, e foi dai em diante que todos os religiosos das religiões advinda da filosofia grega passaram a ser chamados de cristãos!

André Aloísio disse...
4 de setembro de 2017 16:44

Olá Daniel,

Quais são as fontes históricas primárias para essas informações? Sem as fontes históricas primárias, qualquer relato não passa de lenda.

 

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