sábado, 22 de janeiro de 2011

Exposição de 2 Coríntios 4.6

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Sermão pregado por mim na Congregação Presbiteriana Nova Jerusalém e na Igreja Presbiteriana Filadélfia, em Parnaíba-PI, no Dia do Senhor de 16/01/2011.

“Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo” (2 Coríntios 4.6).

Irmãos, o texto que examinaremos esta noite nos apresenta a nossa salvação de uma perspectiva tão gloriosa que é de tirar o fôlego! Muitas vezes nós pensamos em nossa salvação de uma maneira muito mesquinha, como se ela se resumisse a uma simples decisão que tomamos em determinado momento da vida, quando recebemos a Cristo. Porém, conforme veremos, a salvação é um evento extraordinário, um milagre de proporções gigantescas!

“Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração”.

Paulo inicia este texto relembrando a criação do mundo. Lemos em Gênesis que Deus criou os céus e a terra quando nada havia. Ao contrário do homem, que cria coisas de materiais pré-existentes, Deus criou o mundo “do nada”, tamanho é o poder de Deus! Além disso, a criação do mundo foi um ato totalmente soberano de Deus. Deus criou o mundo por causa de Sua vontade. Mas também lemos que “A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo” (Gn 1.2). E em meio a esse caos e trevas Deus chama a luz à existência: “Haja luz” (Gn 1.3), ou, como Paulo escreve, “Das trevas resplandecerá a luz”.

Mas a intenção de Paulo não é falar apenas da criação do mundo. Após relembrar este evento tão grandioso, Paulo usa essa primeira criação para ilustrar algo que aconteceu com cada um de nós. Paulo diz que o mesmo Deus que criou a luz através da Sua Palavra, Ele mesmo também resplandeceu ou brilhou em nosso coração! Do que Paulo está falando?

No versículo 4 deste mesmo capítulo Paulo tinha dito que “o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus”. Todos nós, antes de sermos salvos, tínhamos a nossa mente cega para as coisas de Deus. Nós estávamos em trevas espirituais, como João diz: “Aquele, porém, que odeia a seu irmão está nas trevas, e anda nas trevas, e não sabe para onde vai, porque as trevas lhe cegaram os olhos” (1Jo 2.11). Nossa mente não podia compreender as coisas de Deus e o nosso coração não conseguia ter prazer nelas. Essas trevas espirituais são causadas pelo pecado e também são conhecidas na teologia como “depravação total”. Paulo expressa isso em Rm 3.10-12: “Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer”. Ele diz a mesma coisa em Ef 2.1-3: “estando vós mortos em delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais”.

Como nós estávamos nessas trevas espirituais tão terríveis, não havia nada que pudéssemos fazer para sermos salvos. Não poderíamos nem mesmo escolher a Deus. Estávamos completamente cegos e perdidos.

Por isso foi necessário que Deus brilhasse em nosso coração! Na primeira criação, Deus criou tudo do nada, soberanamente, e dissipou as trevas criando a luz. Agora, para nos salvar, Deus realiza uma nova criação, que eu diria que é muito mais espetacular, miraculosa e gloriosa que a primeira! Deus cria em nós um novo coração capaz de desejá-lo (Ez 36.26-27), e o faz soberanamente também, pois não tínhamos nenhuma capacidade de cooperar com Ele nessa obra. E como Paulo diz nessa passagem, ao invés de criar uma luz para dissipar as trevas do nosso coração, como fez na primeira criação, agora Deus mesmo brilha em nós e dissipa todas as trevas espirituais!

Há três definições de Deus na Bíblia. A Bíblia diz que “Deus é espírito” (Jo 4.24), que “Deus é amor” (1Jo 4.8) e há passagens da Bíblia que definem Deus como “luz”. Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida”. (Jo 8.12). O apóstolo João afirmou: “Deus é luz, e não há nele treva nenhuma” (1Jo 1.5). Esse Deus, que é luz, não uma luz material que possa ser vista com os olhos físicos, mas uma luz espiritual que só pode ser contemplada com os olhos do entendimento, esse mesmo Deus resplandeceu em nosso coração e dissipou nossas trevas.

Esse evento é chamado por vários nomes na Bíblia, como novo nascimento (Jo 3.3) ou regeneração (Tt 3.5; 1Pe 1.23). A nossa Confissão de Fé, a Confissão de Fé de Westminster, o chama de vocação eficaz, pois Ele também é um chamado divino das trevas para a luz: “para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim” (At 26.18). “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2.9).

Mas qual é a importância de conhecermos todos esses fatos sobre nossa salvação? Como essas verdades se aplicam às nossas vidas? Nós só poderemos viver uma vida digna da vocação a que fomos chamados (Ef 4.1) quando compreendermos a grandeza dessa vocação. Nós, que participamos de tão grande salvação, sendo tirados das trevas e iluminados espiritualmente pelo próprio Deus, devemos viver agora como filhos da luz: “Pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz” (Ef 5.8).

Nós somos filhos de Deus, que é a luz, e por isso devemos andar na luz e não nas trevas: “Se dissermos que mantemos comunhão com ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros...” (1Jo 1.6-7).

A santidade não é uma opção para o cristão. Ela é uma exigência da sua própria natureza, dessa própria iluminação espiritual, com a qual ele foi iluminado por Deus. Como as trevas do seu coração já se foram e agora brilha a verdadeira luz, o verdadeiro cristão deve viver longe do pecado, buscando viver a cada dia em santidade.

“para iluminação do conhecimento da glória de Deus”.

Paulo continua dizendo que esse brilho de Deus em nosso coração tem como objetivo nos iluminar espiritualmente para que possamos conhecer a glória de Deus.

O que é a glória de Deus? Certa vez, um amigo deu uma definição muito bíblica: “A glória de Deus é o brilho que emana de todas as Suas perfeições”. Deus tem diversos atributos: Ele é amor, Ele é justo, Ele é santo, Ele é onipotente, onisciente e onipresente, etc. E todos esses atributos somados produzem um brilho espiritual, que é a glória de Deus.

Para entendermos melhor, imagine um diamante com várias faces. Alguém ilumina esse diamante e a luz é espalhada para todos os lados, pelas faces do diamante. A glória de Deus é como essa luz que se espalha pelo diamante, com a diferença de que, no caso de Deus, essa luz é emitida por Ele próprio, por todos os Seus atributos, por todas as Suas perfeições.

Por que Paulo diz que Deus nos iluminou para que conheçamos a Sua glória? Que importância tem a glória de Deus para nós? Antes de entendermos a importância que a glória de Deus tem para nós, temos que entender a importância que a glória de Deus tem para Deus.

A Bíblia nos ensina que a glória de Deus é o motivo supremo para tudo o que Deus faz. Vemos isso, por exemplo, em Rm 11.36: “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém”. Nessa passagem Paulo diz que Deus é a origem de todas as coisas (“dele”), o meio pelo qual todas as coisas existem (“por meio dele”) e o objetivo para o qual todas as coisas foram criadas (“para ele”). Assim, nós vemos que Deus e a Sua glória são a razão suprema para tudo o que existe: “A ele, pois, a glória eternamente”.

O objetivo supremo de Deus não é o bem das suas criaturas ou de Seus filhos. Esses são objetivos secundários. Se Deus não tivesse como objetivo supremo a própria glória Dele, Deus seria idólatra e não seria Deus. Se Deus não Se amasse supremamente, com todo o Seu ser, acima de todas as coisas, Deus teria ídolos em Seu coração e estaria negando a Si mesmo. É a própria natureza de Deus que O leva a buscar a Sua própria glória acima de todas as coisas!

Nós podemos ver essa verdade de forma particular em, pelo menos, três fatos.

Primeiro, Deus criou o mundo para a Sua glória: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos” (Sl 19.1). Deus fez o mundo para que ele manifestasse a Sua glória. Esse foi o propósito supremo de Deus quando criou o Universo.

Segundo, Deus governa o mundo para a Sua glória: “Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade; que chamo a ave de rapina desde o Oriente e de uma terra longínqua, o homem do meu conselho. Eu o disse, eu também o cumprirei; tomei este propósito, também o executarei. Ouvi-me vós, os que sois de obstinado coração, que estais longe da justiça. Faço chegar a minha justiça, e não está longe; a minha salvação não tardará; mas estabelecerei em Sião o livramento e em Israel, a minha glória” (Is 46.9-13). Esta passagem mostra o controle que Deus tem sobre todas as coisas. Deus não apenas criou o mundo, Ele agora o governa soberanamente, de acordo com Sua própria vontade: “o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade”. O governo de Deus se estende a todas as Suas criaturas, animadas e inanimadas, racionais e irracionais. Vemos o controle de Deus até em conduzir uma ave e direcionar um homem. E Deus diz que faz todas essas coisas para estabelecer em Israel “a minha glória”. Ou seja, o governo de Deus sobre o mundo também tem como propósito a Sua própria glória.

Terceiro, Deus nos salvou em Cristo para a Sua glória: “nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade, a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo” (Ef 1.11-12). Aqui Paulo apresenta a nossa predestinação para a salvação como fruto da própria vontade de Deus. Deus nos escolheu em Cristo porque assim quis. E Ele o fez, diz Paulo, “a fim de sermos para louvor da sua glória”. Ao decidir nos salvar, Deus desejou, primeiramente, a manifestação da Sua própria glória.

Então, voltando ao que dizíamos anteriormente, qual é a importância de conhecermos a glória de Deus? Como todos esses fatos sobre a glória de Deus se aplicam a nós? Assim como o objetivo supremo de Deus é buscar a Sua própria glória, o objetivo supremo do próprio homem é buscar a glória de Deus. A 1ª Pergunta do Breve Catecismo e do Catecismo Maior de Westminster assim diz: “Qual é o fim supremo e principal do homem? Resposta: O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre”.

Toda a nossa vida deve ser vivida para a glória de Deus. Nossa adoração não se limita apenas ao culto público no Dia do Senhor. Cada atividade de nossa vida deve ser um ato de adoração. Cada aspecto de nossa vida deve ter como objetivo supremo a glória de Deus. Essa verdade é expressa em 1Co 10.31: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus”. Paulo cita as coisas mais ínfimas e simples da vida, como comer e beber, e diz que elas devem ser feitas para a glória de Deus.

Como eu posso comer e beber para a glória de Deus? Reconhecendo que Deus é quem me dá o alimento diário (Mt 6.11; At 17.25), dando graças a Ele (1Ts 5.18) e não cometendo glutonaria, nem embriaguez (Lc 21.34).

Como eu posso viver meu casamento para a glória de Deus? As mulheres sendo submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor, e o marido amando a esposa como Cristo amou a Igreja e a Si mesmo se entregou por ela (Ef 5.22-23).

Como eu posso criar meus filhos para a glória de Deus? Criando-os na disciplina e na admoestação do Senhor (Ef 6.4).

Como eu posso trabalhar para a glória de Deus? Trabalhando como se fosse para o Senhor, e não para os homens (Ef 6.7).

“na face de Cristo”.

Paulo finalmente afirma que a glória de Deus que somos iluminados para conhecer é a glória de Deus que resplandece na face de Jesus Cristo! Isso porque a glória de Deus se manifesta com infinito esplendor no próprio Cristo. Eu disse anteriormente que a glória de Deus é manifesta na criação. Mas ela se manifesta na criação de modo derivado; a criação é iluminada pela glória de Deus assim como a Lua é iluminada pelo Sol. Cristo, porém, é a própria fonte da qual a glória de Deus resplandece. Ele não é a Lua iluminada pelo Sol, Ele é o próprio “Sol nascente das alturas, para alumiar os que jazem nas trevas e na sombra da morte” (Lc 1.78-79)! Por isso Isaías disse com respeito a Cristo: “O povo que jazia em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região e sombra da morte resplandeceu-lhes a luz” (Mt 4.16).

Diversas passagens das Escrituras apresentam Cristo como a expressão da glória e do Ser de Deus:

Jo 1.18: “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou”.

Cl 1.15: “Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação”.

Cl 2.9: “porquanto, nele, habita corporalmente toda a plenitude da Divindade”.

Hb 1.3: “Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser”.

2Co 4.4: “nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus”.

Ap 21.23: “A cidade não precisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada”. Esta passagem de Apocalipse em particular mostra que a Nova Jerusalém, na eternidade, será iluminada pela glória de Deus, mas a lâmpada da cidade é o Cordeiro (Jesus). Ou seja, a lâmpada da qual a glória de Deus é irradiada para iluminar a cidade é o próprio Jesus. Ele é a fonte da glória de Deus!

Mas é importante dizer que a glória de Deus não se manifesta infinitamente em Cristo apenas em Sua divindade, mas também em Sua humanidade. Cristo é, também como Deus e Homem em uma única Pessoa, a plena manifestação da glória de Deus: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo 1.14).

Nós podemos ver a glória de Cristo em alguns eventos relacionados com a Sua vinda ao mundo.

Primeiro, vemos a glória de Cristo em Sua vida. Ele nasceu numa manjedoura, mas Seu nascimento foi anunciado por anjos e por astros; Ele curou paralíticos, cegos, leprosos, endemoninhados e ressuscitou mortos; Ele transformou água em vinho, multiplicou pães e peixes, andou sobre as águas e acalmou uma tempestade; Ele ensinou com autoridade, repreendeu com amor, exortou com mansidão e julgou com humildade. E finalmente, no final de Sua vida, ocorreu o evento no qual a glória de Cristo se manifestou com maior esplendor antes de Sua ressurreição: a transfiguração. O rosto de Cristo brilhou como o Sol e Suas vestes ficaram brancas como a luz. Jesus deu aos Seus discípulos um vislumbre daquela glória que Ele teria quando ressurgisse dentre os mortos.

Segundo, vemos a glória de Cristo em Sua morte. Alguém poderia perguntar que glória há em morrer. Paulo, antecipando essa pergunta, afirma em 1Co 1.18,22-24: “Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus [...] Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus quanto gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus”. De fato, para o mundo, não há nenhuma glória na morte de Cristo. Mas para nós, que somos salvos, esse é um dos eventos mais gloriosos relacionados a Ele!

Podemos ver a glória de Cristo em Sua morte em Jo 19.30: “Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado! E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito”. Quando Jesus diz “Está consumado”, Ele está mostrando o absoluto controle que Ele tinha sobre toda a situação. Sua morte era parte de um plano divino que agora estava terminado. Ele veio ao mundo para “buscar e salvar o perdido” (Lc 19.10), dando Sua vida “em resgate por muitos” (Mt 20.28), e agora esse propósito estava cumprido. O controle de Jesus fica ainda mais evidente quando o texto diz que Jesus “rendeu o espírito”. Jesus não foi assassinado. Foi Ele mesmo quem entregou a Sua vida. Ele disse em Jo 10.17-18: “Por isso, o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai”. Jesus tinha controle até sobre a hora em que deveria morrer.

Mas a glória de Cristo em Sua morte não se limita a isso. A morte de Cristo foi um evento tão extraordinário que provocou até milagres, conforme está registrado em Mt 27.51-52: “Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo; tremeu a terra, fenderam-se as rochas; abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos, que dormiam, ressuscitaram”. O véu do templo era tão espesso que precisaria de vários bois de cada lado para rasgá-lo, de baixo para cima. Porém, quando Cristo morreu, o véu se rasgou de cima para baixo! Um terremoto aconteceu, provocando o rompimento de rochas e a abertura de sepulcros. E o mais impressionante: muitos santos do passado ressuscitaram!

Terceiro, vemos a glória de Cristo em Sua ressurreição. Em At 2.24-27, Pedro diz: “ao qual, porém, Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte; porquanto não era possível fosse ele retido por ela. Porque a respeito dele diz Davi: Diante de mim via sempre o Senhor, porque está à minha direita, para que eu não seja abalado. Por isso, se alegrou o meu coração, e a minha língua exultou; além disto, também a minha própria carne repousará em esperança, porque não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção”. Cristo é tão poderoso que nem a morte poderia mantê-lo no sepulcro!

Quarto, veremos a glória de Cristo em Sua segunda vinda: “Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória. E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus” (Mt 24.29-31). O retorno de Cristo será tão glorioso que todo o universo será afetado, Sol, Lua e estrelas. E essa glória de Cristo em Sua segunda vinda será vista por todos (Ap 1.7).

De que modo todas essas verdades sobre a glória de Cristo se aplicam às nossas vidas? Eu vejo duas aplicações, uma para os crentes e outra para os incrédulos.

Primeiro, a maior benção da salvação, da qual nós cristãos já desfrutamos em alguma medida no presente e desfrutaremos plenamente na eternidade é contemplar a glória de Deus em Cristo! A maior benção da salvação não é a justificação, a regeneração, a adoção, a santificação e nem mesmo a glorificação, quando nossos corpos serão transformados para serem semelhantes ao de Cristo. Não, a maior benção da salvação é o próprio Deus!

A glória de Deus em Cristo é algo muito mais espetacular do que qualquer paisagem que você já tenha visto! Ela é mais estonteante do que as imagens computadorizadas do filme Avatar! E nós já podemos contemplar essa glória neste mundo, aqui e agora! Ainda não podemos vê-lO com os olhos do corpo, mas já podemos vê-lo com os olhos do entendimento, através de Sua revelação nas Escrituras.

Contemplar a glória de Cristo deve ser a maior busca do cristão neste mundo; deve ser o combustível de sua adoração. Nós vemos essa busca e anelo pela glória de Deus em diversos salmos, onde os salmistas expressam que o próprio Deus é o maior bem que possuem:

Sl 16.2,11: “Digo ao SENHOR: Tu és o meu Senhor; outro bem não possuo, senão a ti somente [...] Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente”.

Sl 63.1-2: “Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água. Assim, eu te contemplo no santuário, para ver a tua força e a tua glória”.

Sl 73.25-26: “Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra. Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre”.

Sl 84.1-3,10: “Quão amáveis são os teus tabernáculos, SENHOR dos Exércitos! A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do SENHOR; o meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo! O pardal encontrou casa, e a andorinha, ninho para si, onde acolha os seus filhotes; eu, os teus altares, SENHOR dos Exércitos, Rei meu e Deus meu [...] Pois um dia nos teus átrios vale mais que mil”.

Que nós tenhamos esse mesmo anseio de contemplar a glória de Deus na face de Cristo em nossa adoração e viver diário!

Segundo, se é em Cristo que a glória de Deus resplandece com infinito esplendor, não resta espaço algum para nenhum outro deus, nenhum ídolo e nenhum outro mediador entre Deus e os homens. Paulo diz que Deus exaltou Jesus “sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2.9). Pedro diz que “não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At 2.12). O próprio Jesus disse certa vez: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6). E novamente, Paulo: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1Tm 2.5).

O Piauí é, talvez, o estado mais católico do Brasil, e Parnaíba, uma das cidades mais católicas do Piauí. Muitos há por aqui que colocam Sua confiança em ídolos feitos por mãos humanas, que “têm boca e não falam; têm olhos e não vêem; têm ouvidos e não ouvem; têm nariz e não cheiram. Suas mãos não apalpam; seus pés não andam; som nenhum lhes sai da garganta” (Sl 115.5-7). Muitos buscam sua salvação nos santos e em Maria. Mas quando compreendemos que Cristo é o próprio esplendor da glória de Deus, que necessidade há de continuar buscando Deus através de qualquer outro?

Talvez você que me ouve tem buscado em ídolos aquilo que só Jesus pode te dar. Talvez você ainda não tenha colocado Sua confiança em Cristo, e somente em Cristo, para a sua salvação. Se esse é o caso, Deus te ordena esta noite: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo” (At 16.31). Somente crendo em Cristo você poderá desfrutar da contemplação da glória de Deus como nós, cristãos: “se creres, verás a glória de Deus” (Jo 11.40).

Irmãos e amigos, que estas verdades que pudemos aprender neste texto de 2Co 4.6 possam se apossar de nossos corações, produzindo fruto em nossas vidas. Que a compreensão da grandeza dessa salvação que Deus nos proporcionou, iluminando-nos espiritualmente e dissipando as trevas dos nossos corações, possa nos levar a uma busca constante da glória de Deus em tudo o que fazemos, e a buscar essa glória especialmente na face de Cristo, onde ela brilha infinitamente! Amém.

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