quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Fé e Evidências – Uma Breve Meditação

Comente Aqui

Quando me perguntam sobre qual é a principal prova para a existência de Deus, eu sempre dou a mesma resposta: “A Fé!”. Isso pode soar estranho, mas se a Fé é "a prova das coisas que se não vêem" (Hb 11:1), não podemos atribuir a nada além dela o título de “prova para o Cristianis-mo”. O que quero dizer com minha resposta não é que crer em Cristo seja um ato cego e anti-intelectual; quero apenas lembrar que é a Fé, e unicamente a Fé, a responsável pela nossa entrega de vida a Cristo. Apenas uma análise intelectual das evidências filosóficas e científicas não levará as pessoas a Cristo, mas receber a Fé que vem de Deus, através do Espírito Santo (Ef 2:8-9).

Quando percebemos isso, vencemos a tendência de muitos que, por dedicar-se à defesa racional da Fé Cristã, jogam nas evidências todo o crédito da conversão dos céticos. Acreditar que é de um modo meramente intelectual que os homens serão convencidos a crer em Cristo é tão lógico quando acreditar que podemos convencer mortos a comprar sabão. Digo isso porque, se é verdade que os homens são espiritualmente mortos (Ef 2:1), não podemos, sem o poder do Espírito Santo, trazê-los à vida.

Michael J. Vlach, em seu livro “Faith For All of Life” (Fé Para Tudo na Vida), fala sobre quando começou a crer que a Fé é a prova para Deus, e não as evidências:

A Palavra de Deus é clara que o problema primário para os incrédulos é moral e espiritual – não intelectual. O incrédulo é alguém que suprime a verdade (Rm. 1:18b), cuja mente é totalmente escurecida para as coisas de Deus (Ef. 4:18). [...] Tornei-me convicto que co-meçar com a evidência empírica e histórica num apelo ao intelecto do incrédulo não aborda na verdade o cerne do problema. Se o problema principal do incrédulo é moral e espiritual, não deveria minha estratégia como um cristão abordar diretamente os pro-blemas morais e espirituais do incrédulo? [...] [Eu] passei a crer que o ponto de partida para lidar com a incredulidade era a Palavra de Deus e o Espírito de Deus. Eu não pode-ria colocar a existência de Deus ou a autoridade da Bíblia numa mesa de laboratório, pa-ra ser examinada por um incrédulo, que é por natureza alguém que suprime a verdade com a sua mente obscurecida. A Bíblia não concede ao incrédulo tal autonomia, nem eu deveria fazê-lo. [1]
Existe algo nesta citação que é motivo de grande debate. Quando Vlach diz que não pode, de modo algum, permitir que as Escrituras sejam dissecadas pelo incrédulo, ele dá a entender que as evidências a favor do Cristianismo não podem ser usadas nem mesmo como meios para a pregação do Evangelho. Por hora, não quero me posicionar na discussão entre o pressuposiciona-lismo e evidencialismo , mas quero deixar claro um ponto: uma defesa intelectual do Evangelho é vã se não for acompanhada da pregação desse mesmo Evangelho. A Palavra de Deus é a se-mente incorruptível que regenera o homem (I Pe 1:23) e sem a pregação desta Palavra, ninguém será salvo. Não importa o quanto eu argumente a favor da veracidade da Fé cristã, se eu não expuser Cristo aos homens eles continuarão mortos em seus pecados.

Algo precisa ser mais bem considerado: existem, sim, evidências filosóficas e científicas para o Cristianismo. Não quero, em momento algum, negar isso. Se a Fé em Deus é real, quando anali-samos a realidade encontraremos evidências para essa crença. Mesmo assim, precisamos lembrar que evidências não farão com que as pessoas escolham a Cristo, mas a pregação do Evangelho de Deus, precedida ou não de um debate intelectual.

Referencias:

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O propósito de Deus para o casamento

3 comentários

Por Jacilene Santos da Silva


O primeiro e o maior propósito do casamento não difere do propósito inicial de um servo, que é glorificar a Deus e desfrutar de Seus bens. O casal deve ter isso em mente. Mas além desse propósito prioritário, o casamento exige algo mais dos cônjuges, que vamos analisar à luz da Palavra de Deus:

Companheirismo e complementação mútua do casal

“Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea” (Gn 2.18).

Depois da análise do texto podemos observar a necessidade do homem em ter uma auxiliadora, uma companheira. O homem vivia em meio aos vários elementos da criação, mas mesmo assim ele se sentia sozinho. Então, Deus fez cair um sono pesado sobre o homem e de sua costela fez a mulher e a chamou de varoa, pois do varão foi tirada. O homem e a mulher se completam, pois assim como a mulher provém do homem, o homem também é nascido da mulher.

“No Senhor, todavia, nem a mulher é independente do homem, nem o homem, independente da mulher” (1Co 11.11).

Prazer amoroso do casal

“Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias de tua vida fugaz, os quais Deus te deu debaixo do sol; porque esta é a tua porção nesta vida pelo trabalho com que te afadigaste debaixo do sol” (Ec 9.9).

Devemos ter em mente que há uma grande necessidade do cumprimento dos deveres conjugais relacionados à área sexual, o que é de grande importância para se manter o casamento, pois quando uma das partes negar em cumprir seu dever ela abre a porta para o pecado do adultério, podendo levar ao divórcio. Pode haver um momento em que ambas as partes decidam abster-se do sexo, por motivo espiritual ou outro, mas quando o tempo determinado por ambos acabar é necessário que se volte às atividades normais dentro do núcleo matrimonial.

“Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência” (1Co 7.5).

Preservação da pureza e da moral na família e na sociedade

“Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo” (1Co 6.18).

A preservação moral é uma das responsabilidades de um servo de Deus. Lutar contra os prazeres carnais é algo muito importante. Antes do casamento é necessário que se mantenha o corpo puro, longe dos prazeres carnais, mas mesmo depois do casamento é muito importante que se busque a pureza. Sabemos que o prazer amoroso é algo fundamental no casamento, mas que isso não seja um pretexto para fazer do sexo uma prática de todo momento, tornando-o um ídolo. Sabemos que somos espelhos para outras pessoas, por isso devemos ser cautelosos também dentro do casamento, para que as pessoas não se escandalizem com nossos atos. Além disso, não devemos esquecer de que o propósito prioritário do casamento é glorificar a Deus, como foi dito no início do texto.

“Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” (1Co 6.19-20).

Formação e propagação do gênero humano através dos filhos

“E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra” (Gn 1.28).

Uma das principais ordenanças acerca do casamento consiste na propagação da espécie humana, ou seja, em ter filhos. A Bíblia relata que no início da história da humanidade esse foi um dos primeiros mandamentos, o qual prevalece até hoje. Portanto, que a união dos corpos tenha esse objetivo. Não apenas “saciar a sede da carne”, mas reproduzir e assim dar continuidade à vida da espécie humana até o dia em que Deus permitir.

“Tomai esposas e gerai filhos e filhas, tomai esposas para vossos filhos e dai vossas filhas a maridos, para que tenham filhos e filhas; multiplicai-vos aí e não vos diminuais” (Jr 29.6).

Depois da análise desses quatro pontos podemos ter uma visão mais simplificada do propósito de Deus para o casamento.

domingo, 26 de setembro de 2010

Carta a Eliel Vieira

4 comentários

Caro irmão,

Foi lendo um dos seus artigos sobre a existência do “inferno de fogo” que me deparei com uma declaração interessante. Você diz: "...um inferno com tortura e sofrimento eterno é algo que nenhuma pessoa que já viveu merece, pois seus erros foram ‘finitos’ ao passo que o castigo no inferno seria infinito".

Embora haja várias considerações que eu gostaria de comentar em seus artigos sobre o “inferno”, essa chamou minha atenção de um modo especial porque foi uma dúvida que carreguei por muito tempo. Claro que não pretendo argumentar sobre tudo que você considerou em seu estudo e, muito menos, encerrar o debate, mas gostaria de lidar com essa sua afirmação. Antes disso, deixe-me lidar com alguns poucos dos incontáveis textos que pregam a eternidade do inferno:

"Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno" (Daniel 12:2)
Alguns argumentam que o termo hebraico ‘olam (עוֹלָם) nem sempre significa eterno e que pode significar algo de “longa duração”. Mas, neste caso, há uma comparação entre a duração do céu (vida eterna) e a duração do inferno (vergonha e horror). Então, assim como a vida com cristo é eterna, o horror dos condenados será eterno.

"E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna" (Mt 25:46).
Esse verso lembra o caso anterior, onde há uma comparação entre a duração da vida e do castigo. O termo grego aionios (αιωνιος) que é traduzido como 1. eterno pode significar, também, 2. Sem início ou 3. Sem início nem fim. Não é difícil perceber que “eterno” é a tradução mais coerente com esse contexto.

"Em verdade o Filho do homem vai, como acerca dele está escrito, mas ai daquele homem por quem o Filho do homem é traído! Bom seria para esse homem se não houvera nascido" (Mt 26:24).
A pergunta é: Se podemos ter uma vida de prazeres e satisfação e depois apenas deixar de existir, por que seria melhor não nascer? A punição ser eterna é a resposta bíblica mais plausível.

"Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder, quando vier para ser glorificado nos seus santos e ser admirado em todos os que creram" (I Ts 1:9,10).
Olethros (ολεθρος), aqui traduzido como destruição, pode ser traduzido, também, como ruína (como em I Ts 6:9 e I Co 5:5). Assim, esse texto não trata, necessariamente, de uma aniquilação da alma, mas de uma ruína que durará para sempre.

"Estes são manchas em vossas festas de amor, [...] Ondas impetuosas do mar, que escumam as suas mesmas abominações; estrelas errantes, para os quais está eternamente reservada a negrura das trevas." (Jd 12,13).
Judas diz que para os falsos mestres está reservado um lugar negro. Além disso, há uma informação adicional: esse lugar está reservado eternamente!

"A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, e não têm descanso algum, nem de dia nem de noite, os adoradores da besta e da sua imagem e quem quer que receba a marca do seu nome" (Ap 14:11).
Creio que a clareza deste verso é inegável. O tormento dos infiéis não será apenas pelos séculos dos séculos, mas também será sem descanso algum.

"E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre" (Ap 20:10).
A expressão grega traduzida por “para todo sempre” (ou pelo século dos séculos) é a mais forte de todas para designar algo eterno. É evidente, no texto, que esse tormento será para todo o sempre. Alguns, lutando contra o texto, tentam argumentar que quem sofre não são os homens, mas apenas o diabo. Mas, quando continuamos lendo apocalipse 20, vemos no verso 15 que “aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo”. Tanto os homens quanto satanás serão lançados no mesmo lago. Assim, é pouco provável que uns sejam aniquilados e outros não.

Ainda existem muitos outros versos que pregam a eternidade do inferno, mas creio que essa lista de textos é suficiente para convencê-lo que a punição eterna não é apenas uma conjectura de Dante, mas sim uma realidade bíblica.

Sobre sua afirmação, creio que ela seja bem pertinente, sendo ela também efetuada por teólogos famosos como Clark Pinnock e John Stott, os quais declararam, respectivamente: “Apenas não faz sentido dizer que um Deus de amor torturará pessoas para sempre por pecados cometidos no contexto de uma vida finita.” [1] e “Não haveria uma séria desproporção entre pecados cometidos conscientemente por um tempo e o tormento experimentado conscientemente através da eternidade?” [2]

Sobre essas indagações, imagino por que não poderíamos considerar o pensamento de Jonathan Edwards [3], perfeitamente sintetizado por John Piper, que diz:

“... a gravidade do pecado origina-se do que ele diz acerca de Deus. Deus é infinitamente digno de ser honrado. Mas o pecado diz o oposto. O pecado diz que existem coisas mais desejáveis e mais dignas. Até que ponto isso é grave? A gravidade de um crime é determinada, em parte, pela dignidade da pessoa e do cargo que está sendo desrespeitado. Se a pessoa for infinitamente digna, infinitamente ilustre, infinitamente querida e ocupar um cargo de infinita dignidade e autoridade, rejeitá-la é um crime infinitamente ultrajante. Portanto, merece um castigo infinito. A intensidade das palavras de Jesus acerca do inferno não é uma reação exagerada a pequenas ofensas. As palavras de Jesus são um testemunho ao infinito valor de Deus e à desonra ultrajante do pecado humano.” [4]

Acredito que essa é uma consideração importante. Se pararmos para contemplar a Infinita Dignidade de Deus, ficaremos atônitos diante Daquele que mede todo o mar na concha de Sua mão; toma a medida dos céus aos palmos; recolhe, numa medida, o pó da terra e pesou os montes com peso e os outeiros em balanças. Como continua dizendo Isaías: “Eis que as nações são consideradas por ele como a gota de um balde, e como o pó miúdo das balanças; eis que ele levanta as ilhas como a uma coisa pequeníssima. Nem todo o Líbano basta para o fogo, nem os seus animais bastam para holocaustos. Todas as nações são como nada perante ele; ele as considera menos do que nada e como uma coisa vã. A quem, pois, fareis semelhante a Deus, ou com que o comparareis?” (40:12-18).

Creio que, como Cristãos que somos, só podemos concordar que Deus é Infinitamente Santo, Infinitamente Perfeito, Infinitamente Digno e Infinitamente Soberano. Você acredita, assim como eu, que nunca houve, não há e nunca haverá ser superior ao sempiterno Deus Jeová. Creio que defender que Deus é grande não é necessário, já que isso é uma das principais bases do pensamento Cristão.

“Quem entre os deuses é como tu, ó Senhor? a quem é como tu poderoso em santidade, admirável em louvores, operando maravilhas?” (Êx 15:11).

Agora, algo que não sei se concordaremos é sobre a gravidade do pecado. Considerando que a gravidade de um crime é medida, em parte, analisando a dignidade daquele contra quem essa ofensa é dirigida, só podemos pensar que um pecado contra alguém infinitamente digno só pode ser infinitamente grave. Como Deus é Infinitamente Justo, Ele não deixará impunes tais criminosos. Então, se esses homens cometeram um crime infinito, eles precisam de uma punição infinita. Pense bem: Se você encontra seu filho esmagando formigas em sua casa, você não vai dar muita atenção para isso. Já se você encontrá-lo esmagando gatos, você reagirá diferente, pois, para você, gatos são mais importantes que formigas. E ainda, se você encontrasse alguém esmagando seu filho, sua reação seria bastante diferente do que nos casos passados, pois seu filho é muito mais valioso que gatos e formigas. E o que é o pecado? É uma tentativa de esmagar a glória do Deus Todo Poderoso. E nada é mais valioso do que a glória d’Ele.

Quando falo da gravidade do pecado, não posso deixar de me lembrar de Davi quando pecou com Bate-Seba em II Samuel 11. Sabemos que o rei pecou contra todos. Ele pecou contra Bate-Seba, pois a profanou; ele pecou contra o marido dela, pois o matou; ele pecou contra o exército, pois o usou para seus interesses; ele pecou contra o povo, pois deveria representá-los justamente. Creio que é difícil encontrarmos alguém contra quem Davi não pecou com seu ato. Ainda assim, quando o rei escreve um salmo em arrependimento, ele diz: “contra Ti, contra Ti somente pequei” (Sl 51:4). Em certo nível, isso é uma mentira, pois ele pecou contra todos, mas, quando analisamos isso de um modo mais profundo, vemos que é a mais profunda verdade, pois cada pecado que é cometido, por mais banal que pareça, é um pecado direto contra O Senhor.

Creio que o problema, bom irmão, é que nossa cultura atual trata o pecado como pisar acidental no pé de um amigo quando, de certo, deveríamos tratar como cuspir na cara do presidente. Claro que é uma analogia pobre comparado com nosso Crime Universal contra o Salvador. Como diz o psiquiatra americano Karl Menninger: "[O pecado é] uma qualidade implicitamente agressiva — uma crueldade, um ferimento, um afastamento de Deus e do restante da humanidade, uma alienação parcial, ou um ato [supremo!] de rebelião... O pecado possui uma qualidade voluntariosa, desafiadora ou desleal: alguém é desafiado ou ofendido ou magoado".

Lembre-se, também, que a concepção cristã de inferno não é como a idéia romanista de purgatório, onde homens são melhorados pelo sofrimento. O inferno não melhora ninguém. A natureza má dos homens só piora ao longo da punição, tornando-os ainda mais culpados.

Espero que essa curta meditação possa levar-te a reconsiderar, pelo menos, o argumento citado inicialmente: “um inferno com tortura e sofrimento eterno é algo que nenhuma pessoa que já viveu merece, pois seus erros foram ‘finitos’ ao passo que o castigo no inferno seria infinito”. Oro a Deus, pedindo que Cristo Ilumine nossas mentes pela Sua eterna Palavra.

De seu irmão,

Yago Martins.

Referências:

[1] Clark Pinnock e Delwin Brown, Theological Crossfire: Na Evangelical/Liberal Dialogue [Grand Rapids: Zondervam Publishing House, 1990], p. 226.
[2] David Edwards, Evangelical Essentials, with a Response from John Stott.
[3] “O crime de algum ser de desprezar e lançar desonra sobre outro é, proporcionalmente, mais ou menos infame, como se ele tivesse maior ou menor obrigação de obedecê-lo. Conseqüentemente, se houver algum ser que temos obrigação infinita de amar, honrar e obedecer, o contrário concernente a ele deve ser infinitamente censurável. Nossa obrigação de amar, honrar e obedecer algum ser está em proporção com sua amabilidade, honradez e autoridade. [...] Mas Deus e um ser infinitamente amoroso, porque ele tem excelência e beleza infinitas. [...] Portanto, o pecado contra Deus, sendo uma violação de obrigações infinitas, deve ser um crime infinitamente infame e, assim, merece punição infinita. [...] A eternidade do castigo de homens incrédulos torna-a infinita... e, logo, faz com que não seja mais do que proporcional a infâmia daquilo de que são culpados.” (Jonathan Edwards, The Justice of God in Damnation of Sinners: The Works of Jonathan Edwards, vol. 1 [edinburgo: The Banner of Truth Trust, 1974], p. 669.)
[4] John Piper, O que Jesus espera de seus seguidores: Mandamentos de Deus para o mundo. Editora Vida.

sábado, 25 de setembro de 2010

... a Palavra, não!

1 Comentário

"...Sofro ao ponto de ser preso como criminoso; mas a Palavra de Deus não está algema-da" (II Tm 2:9).

Que afirmação incrível! Paulo está dizendo: “eu posso estar preso; mas a Palavra, não!”. Quão glorioso e quão confortante é saber que A Palavra de Deus vai além de nossas limitações! Se você estivesse no lugar de Paulo, o que você diria em II Timóteo 2:9? Eu posso estar aleijado; mas a Palavra, não! Eu posso ser falho; mas a Palavra, não! Eu posso ser inculto; mas a Palavra, não! Eu posso ser incapaz; mas a Palavra, não! Inúmeras são as dificuldades que muitos poderiam citar. Se dependesse de nosso poder, força ou capacidade, nenhum pecador seria salvo. Mas, (exultem!) não depende de nosso poder nem de nossa força nem de nossa capacidade, tudo, sim, tudo depende unicamente de Deus falando através da Escritura!

Paulo, em outro momento, diz: "...como crerão naquele de quem não ouviram?" (Rm 10:14). Ele está falando que o único modo de crer em Cristo para a salvação eterna é ouvindo! A per-gunta é: ouvindo o que? Muitos comentaristas bíblicos defendem que quando o verbo grego “ouvir” (akouo) é seguido por uma pessoa no caso genitivo, como no verso citado, a tradução correta não é “ouvir sobre a pessoa”, mas “ouvir a pessoa”. Então, Paulo não está dizendo que as pessoas crerão por ouvir sobre Cristo, mas, sim, por ouvir o próprio Cristo! Nossa força para pregar o Evangelho é renovada depois que meditamos nisto. Ainda que estejamos incapacitados e fra-cos, Jesus não está preso nem algemado. Ele irá falar por meio da pregação das Boas Novas (v. 15)! A Palavra não está presa, ela é viva e eficaz (II Tm 3:16,17; Hb 4:12)!

Alguns podem ficar confusos sobre o que significa Cristo falar através da pregação. Creio que João 10 é um texto muito elucidativo nesta questão:

"A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome às suas ove-lhas, e as traz para fora. E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz" (v. 3,4). "Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor" (v. 16).
Olhe para os versos 3 e 4. O que faz com que as ovelhas vão até Cristo? Ouvirem Sua voz. E o que faz com que as ovelhas continuem seguindo-O? Por continuarem ouvindo a voz do Pastor. Olhe agora para o verso 16. Como todos os povos serão reunidos ao rebanho do Senhor? Ouvin-do a voz Daquele que os chama. É fácil perceber que é a voz do Senhor, transmitida pela prega-ção bíblica, que irá chamar os pecadores a Cristo e manter n’Ele os que já foram. Paulo sabia dis-so (Rm 10:14) e transmitiu essa mesma essência quando escreveu a Timóteo (II Tm 2:9). Quando temos essa realidade vívida em nossos corações, estaremos livres de não esmorecer diante das dificuldades que atrapalham nossa pregação, além de evitar que depositemos nossa confiança naquilo que é vão.

Quando falo de nos libertarmos de não esmorecer diante das dificuldades, quero lembrar que Deus é Soberano. E, como Soberano, Ele irá falar através da nossa pregação, mesmo quando estamos limitados pelas circunstâncias. Cristo fala por meio das Boas Novas, e suas Palavras não saem em vão!

 “Porque, assim como desce a chuva e a neve dos céus, e para lá não tornam, mas regam a terra, e a fazem produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come, assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei. Porque com alegria saireis, e em paz sereis guiados...” (Is 55:10-12).
 Já quando me refiro que essa teologia evita que depositemos nossa confiança naquilo que é vão, quero chamar nossa atenção para não perdermos nosso tempo crendo que uma pregação foi ou será eficaz porque fomos eloqüentes ou porque a música de fundo estava comovente o suficiente ou algo assim. Devemos depositar nossa confiança unicamente em Deus e no Seu chamado eficaz. Jesus trará Suas ovelhas para Seu pasto:
"Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer...” (Jo 6:44).
Deus é soberano. Ele mesmo chama Suas ovelhas através da pregação do Evangelho. En-tão, não importa quais sejam as suas incapacidades. Creia em Cristo, pregue o Evangelho. Não é em vão que a Palavra de Deus sairá de Sua boca. Você pode falhar; A Palavra, não!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Relato da Operação Jesus Transforma em Manaus (Parte 5)

1 Comentário

Parte: [1] [2] [3] [4] [5]
Veja as fotos: Álbum da Trans Manaus 2010


Estudos bíblicos

Quarta-feira, dia 07/07, tivemos um novo irmão para nos auxiliar, um jovem de 19 anos, chamado Paulo, da Primeira Igreja Batista de Manaus. Ele ficaria conosco até o fim da Trans. Minha dupla realizou 6 estudos, de manhã, à tarde e à noite. Por conta disso recenseamos apenas 6 casas, distribuímos 7 folhetos, 7 Evangelhos de João e marcamos 2 estudos bíblicos. Um dos estudos foi realizado na casa de Alberto, o jovem que tinha recebido a Cristo na terça-feira. Além dele, estavam presentes mais três pessoas: a irmã de Alberto, de nove anos, chamada Marisa; um amigo de Alberto, adolescente, de nome Igor; e um outro adolescente, de nome Pablo. Todos eles estavam bastante interessados e atentos ao estudo, respondendo corretamente as perguntas e também perguntando. Notei que Alberto, em especial, não só nesse estudo, mas também nos próximos, começou a dar evidências da genuinidade de sua conversão, pelos desejos e resoluções de viver uma vida conforme a Cristo, o que muito me alegrou.

Nesse dia eu comecei a ser tomado por um forte desânimo, devido a uma série de razões. As principais foram o cansaço físico e mental provocado pelo trabalho e o fato de eu estar dormindo muito pouco. Porém, como eu não havia tomado nenhuma vacina para me proteger contra a febre amarela e a malária, e como havia vários carapanãs em nosso quarto à noite, comecei a temer que eu pudesse ter contraído alguma dessas doenças e que o desânimo estivesse ligado a isso. Esse desânimo influenciou negativamente o meu desempenho no trabalho por dois dias, abandonando-me apenas na sexta-feira.

Na quinta-feira minha dupla recenseou 13 casas, realizou 2 estudos, distribuiu 5 folhetos, 3 Evangelhos de João e marcou 3 estudos. E na sexta-feira, como realizamos 5 estudos, conseguimos recensear apenas 3 casas e distribuir 2 folhetos. Em todo esse trabalho de evangelismo e recenseamento que realizamos durante a semana, observamos um fato curioso e triste, que eu chamei de “familiaridade descompromissada com o Evangelho”: existem muitos evangélicos em Manaus, mas muitos são não-praticantes e dão um péssimo testemunho, enquanto outros são desviados. Observamos que esse fato, aliado ao grande número de denominações e seitas diferentes em Manaus, que provocam grande confusão mental nas pessoas, é uma das maiores barreiras que impedem os pecadores de virem a Cristo e serem salvos.

Culto doméstico num lar pobre

Na sexta-feira à noite, toda minha equipe fez um culto na casa de uma mulher muito pobre do bairro. Ela havia sido evangelizada por outra dupla e tinha recebido a Cristo. Enquanto nos dirigíamos ao lugar onde ela morava, cantamos algumas músicas, levando a Bíblia em uma das mãos e sacolas com alimentos na outra. Havia um córrego entre a calçada e a casa dela e tivemos que atravessá-lo por uma ponte de madeira muito precária, estreita, sem proteções laterais e com algumas tábuas soltas. A mulher era muito magra, porque, às vezes, deixava de comer para alimentar seus 3 ou 4 filhos. Sua casa era um barraco com dois cômodos extremamente simples. O lugar cheirava mal e havia alguns gatos. Fizemos o culto do lado de fora da casa, todos de pé. Oramos, cantamos e o pai de Paulo, que tinha vindo para o culto, pregou sobre “O que é o Evangelho”. Após o culto Maria das Neves recitou uma poesia. Observei que a família ficou muito contente em nos receber. Eu fiquei muito comovido quando a mulher fez um agradecimento a Deus por Ele ter dado aquela casa a ela. Lembrei-me arrependido das vezes em que eu reclamei de barriga cheia.

Ação social e últimos estudos bíblicos

No sábado de manhã, toda a minha equipe foi a uma escola do bairro, onde faríamos ação social o dia todo, junto com mais voluntários da Primeira Igreja Batista de Manaus. Tivemos ginecologistas, dentistas, oftalmologistas, etc. Muitas pessoas do bairro se beneficiaram com essa ação social. Eu fiquei na porta da sala de ginecologia, pegando as fichas de quem faria a consulta. Minha dupla só ficou durante a parte da manhã, pois à tarde tínhamos alguns estudos para fazer.

Fizemos o último estudo com Laci, a mulher que havia perdido um filho de 21 anos. A irmã dela, chamada Isabel, participou de todos os estudos. No decorrer dos estudos durante a semana percebemos como Laci tornou-se mais sorridente e feliz, muito diferente de como a encontramos, triste e chorosa. Ela e sua irmã gostaram muito de nós e nos tornamos amigos. No final deste último estudo Laci recebeu a Cristo, o que me deixou muito feliz. Mas não tenho dúvidas de que a alegria no céu foi muito maior (Lc 15.7)!

Depois disso fizemos o último estudo do dia e o meu último estudo na Trans. A mulher que receberia o estudo morava numa casa de madeira bem simples. Fizemos o estudo sentados no chão da cozinha. Apesar de sua simplicidade, a mulher era bastante inteligente e já conhecia a Bíblia. Maria das Neves ficou responsável por continuar os estudos com ela depois que eu partisse.

Despedidas

Voltamos para casa, tomei um banho e preparei minhas malas. A Trans continuaria até o dia 17/07, mas eu teria que voltar antes, porque minhas férias do trabalho terminariam no domingo. Depois que os outros irmãos chegaram da ação social tomamos açaí, jantamos e conversamos.

Depois tivemos um devocional, onde os irmãos fizeram uma despedida, cada um lendo um texto bíblico para mim. Halysson leu Atos 26.16-18. Consolação leu o Salmo 128. Núbia leu Romanos 8.31-39. Não me lembro dos versículos lidos por Rainércia e Maria das Neves. Anaylse e Paulo não estavam presentes, pois tinham voltado para a casa deles e só retornariam à Trans no domingo. Os irmãos também me entregaram um pequeno cartão com o texto de I Coríntios 13.6-7, atrás do qual cada um escreveu uma mensagem. Consolação: “André, nós te amamos. Não vamos te esquecer”. Halysson: “Cara, Jesus te ama muito! Busque a Ele”. Maria das Neves: “André, foi bom conhecer você. Deus te abençoe”. Rainércia: “Agrada-te do Senhor e Ele satisfará os desejos do teu coração. Felicidades”. Núbia: “Ter vindo para a Trans foi muito bom. Melhor é ter conhecido você e saber que sou importante. Que Deus continue abençoando sua vida. Beijos...”.

Quando Pr. Dinê chegou à casa, para me levar ao aeroporto, despedi-me dos irmãos. Foi um momento bastante triste para mim. Eu havia me apegado bastante a eles. Era como se fizessem parte da minha família, o que não deixa de ser verdade, pois pertencíamos todos à família de Deus e sentíamos como se nos conhecêssemos há muito tempo. No carro, à caminho do aeroporto, conversei com Pr. Dinê sobre como a Trans foi uma grande benção em minha vida. Despedi-me dele no aeroporto de Manaus, também com uma grande tristeza e um princípio de saudade. O vôo partiu à 1:15 da madrugada e cheguei em Campinas cerca de 6:00.

A Trans marcou-me de muitas formas. Foi maravilhoso anunciar o Evangelho em um lugar tão distante e tão diferente. Foi maravilhoso conhecer novas pessoas, novos lugares e uma nova cultura. Mas a coisa mais marcante nessa Trans foi a comunhão existente entre os irmãos da minha equipe. Pessoas de lugares, sotaques, culturas e gostos gastronômicos tão diferentes, convivendo na mesma casa, de forma tão harmoniosa! Esses irmãos ficaram em meu coração e essa é uma experiência da qual nunca me esquecerei.

Epílogo

Esta é uma história incompleta. Ela narrou apenas as experiências da minha dupla durante os dias em que estive na Trans. Porém, muitos fatos aconteceram com outras duplas, creio que alguns muito mais interessantes do que os aqui narrados. Só em minha equipe havia pelo menos outras 2 duplas. Em toda a Trans Manaus havia 15 equipes, com mais de 150 voluntários no total. E todos eles continuaram trabalhando por mais uma semana. Quantas histórias não poderiam ser contadas! Muitas outras pessoas foram salvas através da pregação do Evangelho. Igrejas foram plantadas e outras, revitalizadas. Bairros que não conheciam o Evangelho genuíno foram alcançados. Mas mesmo a Trans Manaus é apenas um dos milhares de esforços que têm sido feitos por todo o mundo para que o Evangelho seja pregado em cada canto da terra, até o glorioso dia em que “a terra se encherá do conhecimento da glória do SENHOR, como as águas cobrem o mar” (Hc 2.14)!

Sim, de fato, esta é uma história incompleta. Mas foi bom fazer parte dela...

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Contato

8 comentários

Teologia e Vida

E-mail: teologia.vida@gmail.com
Redes de relacionamento: | TWITTER |

André Aloísio Oliveira da Silva

E-mail: tecmou@gmail.com
MSN: tecmou@hotmail.com
Redes de relacionamento: | BLOGGER | FACEBOOK | TWITTER |











Davi Luan Carneiro
E-mail: daviluan@gmail.com
MSN: daviluan@hotmail.com
Redes de relacionamento: | BLOGGER | FACEBOOK |

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Mateus 7 e o Julgamento Cristão

3 comentários





Creio que o texto áureo para atacar a prática do julgamento é Mateus 7, quando Jesus diz: "Não julgueis, para que não sejais julgados” (Mt 7:1). Lendo esse verso, temos a impressão de que não devemos nunca julgar, não é mesmo? Mas, quando continuamos lendo, percebemos que há algo mais profundo em jogo:




”Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão" (Mt 7:2-5).

Responda: Cristo está proibindo todo e qualquer tipo de julgamento? O contexto deixa claro que não. Observemos como Cristo encerra sua declaração sobre julgamento: “tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão". Cristo está ensinando que, a partir do momento que eu tiro a trave do meu olho, eu posso, sim, retirar o cisco do olho de meu irmão. Ou seja, a partir do momento em que não ajo hipocritamente, eu posso, sim, julgar. Então, qual é o tipo de julgamento que Cristo está proibindo? Acredito que é o julgamento hipócrita.

Para deixar isso mais claro, vejamos o que Cristo diz após aparentemente proibir o julgamento: ”Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu?”. Cristo está repreendendo os judeus contra a hipocrisia presente nos julgamentos deles e é exatamente esse julgamento que Cristo proíbe. Além de que, se todo julgamento estivesse sendo proibido por Jesus, Ele mesmo estaria em erro por julgar os fariseus como hipócritas na mesma passagem, caindo na condenação de Romanos: “Portanto, você, que julga os outros é indesculpável; pois está condenando a si mesmo naquilo em que julga, visto que você, que julga, pratica as mesmas coisas” (2:1).

Muitos podem concordar que devemos, com certeza, julgar doutrinas (1 Ts 5:21), espíritos (1 Jo 4:1), profecias (1 Co 14:29), etc. Como disse Cristo: “E por que não julgais também por vós mesmos o que é justo?” (Lc 12:57) e Paulo: “Falo como a entendidos; julgai vós mesmos o que digo” (1 Co 10:15). Muitos concordam que devemos julgar essas coisas, mas discordam quando se trata de julgar pessoas. Além de ver que o texto de Mateus 7 não proíbe este ato (pelo contrário, o incentiva), temos outros versos que deixam claro que devemos, em alguns casos, agir deste modo.

Paulo, após perguntar com que direito julgaria os que estão de fora da comunhão com Cristo, pergunta: “Todavia, não deveis vós julgar os que são de dentro?” (1 Co 5:12). Jesus e Paulo nos advertem: "Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores" (Mt 7:15) e “E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles” (Rm 16:17-18). Como tomar cuidado com os falsos profetas e falsos mestres se não julgarmos os homens de acordo com suas obras? Como vamos separar-nos destes homens se não examinarmos tudo de acordo com a Palavra de Deus, julgando cada homem? Se nunca julgamos, não poderemos obedecer a esses versos. Paulo, novamente, nos diz: “Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois porventura indignos de julgar as coisas mínimas? [...] Para vos envergonhar o digo. Não há, pois, entre vós sábios, nem mesmo um, que possa julgar entre seus irmãos?” (1 Co 6:2,5). E que exemplo melhor do que o do próprio Paulo, quando julgou Pedro:

“Quando, porém, Cefas veio a Antioquia, resisti-lhe face a face, porque se tornara repreensível. Com efeito, antes de chegarem alguns da parte de Tiago, comia com os gentios; quando, porém, chegaram, afastou-se e, por fim, veio a apartar-se, temendo os da circuncisão. E também os demais judeus dissimularam com ele, a ponto de o próprio Barnabé ter-se deixado levar pela dissimulação deles. Quando, porém, vi que não procediam corretamente segundo a verdade do evangelho, disse a Cefas, na presença de todos...” (Gl 2:11-14).

Se olharmos para a Antigo Testamento, temos vários exemplos de profetas de Deus que proferiram julgamentos justos. Jeremias julgou os homens: “Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra: os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam de mãos dadas com eles; e é o que deseja o meu povo...” (Jr 5:30,31). Abraão julgou Sodoma e Gomorra ao ponto de não acreditar que houvesse mais de dez justos na cidade (Gn 18:24-32). Inúmeros são os exemplos de Deus mandando que seus servos julguem o povo, como Jeremias (5:30,31), Isaías (59:7,8) e Ezequiel (13). Diante de tudo isso, só posso crer que podemos, sim, julgar pessoas. E não só podemos, como, às vezes, devemos e seremos julgados por Deus se não o fizermos.

Dizer que podemos julgar pessoas tanto quanto ensinos e práticas não significa que somos livres para, como satanás, sair pelas ruas caçando ferozmente os erros alheios e, com a boca espumando, bradar palavras de maldição contra outros. Um dos problemas da visão daqueles que proíbem julgamentos é que essa é a imagem que eles possuem sobre o julgamento. Acredito que essa é a visão que devemos ter do julgamento segundo o mundo, mas não do julgamento genuinamente cristão. Para evitar confusões, gostaria de listar alguns pontos que creio serem úteis para sabermos como julgar de um modo bíblico:

1. Tenha Cautela

"Portanto, nada julgueis antes de tempo, até que o Senhor venha, o qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas, e manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o louvor" (1 Co 4:5). Devemos tomar sempre cuidado com julgamentos precipitados. Cristo, quando vier, trará luz sobre tudo o que antes estava oculto. Proteja-se de julgar erradamente, confie em Cristo e no julgamento correto que Ele trará.

2. Não seja um hipócrita

“Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão" (Mt 7: 5). Não devemos nunca julgar hipocritamente. Um assassino não pode reprovar outro, como diz o já citado verso de Romanos: “Portanto, você, que julga os outros é indesculpável; pois está condenando a si mesmo naquilo em que julga, visto que você, que julga, pratica as mesmas coisas” (Rm 2:1).

3. Não seja um carrasco...

”Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós” (Mt 7:2). Você deve lembrar que também será julgado por Deus, pois "...todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo..." (2Co 5:10) e tal julgamento começará pela Igreja (1Pe 4:17). Assim, sabendo que, com a medida com a qual julgamos outros, Deus nos julgará, devemos seguir com mais afinco a exortação Paulina: “Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado” (Gl 6:1).

Além disso, cuidado com julgamentos severos demais por pontos secundários. "O que come não despreze o que não come; e o que não come, não julgue o que come... Assim que não nos julguemos mais uns aos outros; antes seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão..." (Rm 14:1; cf 1Co 10:23-33; Cl 2:16-17). Lembre-se que "... O Senhor conhece os que são seus ..." (2 Tm 2:19), logo, devemos evitar ao máximo agir erradamente com os filhos de Deus, ainda que eles sejam fracos na fé. Deus zela pela Sua Igreja; não queira ser um inimigo dela.

4. ...mas saiba quando ser severo

Depois de meditarmos sobre não sermos duros sem necessidade, precisamos considerar sobre sermos duros quando há necessidade. Paulo julgou com severidade um homem que abusava da mulher de seu pai (1 Co 5:1) e Jesus foi extremamente ofensivo com os judeus, chamando-os de hipócritas, raça de víboras, sepulcros, filhos do inferno, dentre outras coisas (Mt 23). Precisamos, muitas vezes, ser duros com os falsos mestres e com os falsos cristãos. Seja sábio para discernir com quem você está lidando, se com um cristão fraco ou com um falso crente. Às vezes, precisaremos expor os pecados de outros e julgá-los como condenados para impedir que eles continuem a enganar o povo de Deus. Esteja preparado para quando precisar agir assim.

5. Seja perdoador

Em João 8:1-11, temos o caso de quando os fariseus trouxeram uma mulher adúltera aos pés de Jesus, acusando-a de adultério. Quando lemos a história, em momento algum Jesus nega que ela seja pecadora. Jesus está, certamente, julgando aquela mulher como pecadora e adúltera, assim como aqueles judeus. A diferença entre o julgamento dos dois é notória: os religiosos queriam apedrejar a mulher, enquanto Jesus queria perdoá-la. No lugar de apedrejá-la, Cristo disse: "[Eu não] te condeno; vai-te, e não peques mais" (Jo 8:11). Existem outros exemplos de pecadores arrependidos que não foram julgados por Jesus, como Zaqueu (Lc 19:1-9) e a mulher que ungiu os pés de Cristo (Lc 7:36-50). Tome Cristo como exemplo e, antes de tudo, seja perdoador.

6. Tenha lágrimas nos olhos

Acredito que nenhum livro inspirado julga tanto os outros quanto Lamentações de Jeremias, pois todos os seus cinco capítulos são completamente recheados de juízos sobre o povo da época. Algo deve ser notado: Jeremias não escreveu um livro imparcial, mas sim um livro de lamentações. O profeta estava chorando pelos pecadores. Ele estava comovido por tudo que estava ocorrendo. Essa deve ser nossa atitude quando precisamos julgar alguém: precisamos ter os olhos marejados ou pelo pecado de nosso irmão ou pela incredulidade do ímpio.

Conta-se a história de um homem que foi ao pastor de sua congregação dizendo: “Deus falou comigo que algo muito ruim aconteceria com nossa cidade”. O sábio pastor, então, respondeu: “Eu sei que essa revelação não veio de Deus, pois, se ela fosse mesmo d’Ele, você diria isso com lágrimas nos olhos”. Que não caiamos neste mesmo erro.

7. Julgue justamente

Este último ponto resume todos os outros já citados. Cristo nos dá uma ordem: "Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça" (Jo 7:24). Esse texto deixa claro: devemos, sim, julgar. Porém, somos proibidos de julgar superficialmente, de acordo com as aparências ou com os nossos preconceitos. Só há uma maneira bíblica de julgar: julgando de acordo com a justiça de Deus. Não seja abominável a Deus: “O que justifica o ímpio, e o que condena o justo, tanto um como o outro são abomináveis ao SENHOR” (Pv 17:15).

Creio que não há melhores palavras do que as de Helder Nozima para encerrar este artigo:

"Condenar a alguém não significa tripudiar sobre a pessoa, nem caluniá-la ou ficar fofocando sobre o pecado alheio. Em Mateus 12:20, lemos que Jesus “não quebrará o caniço rachado e não apagará o pavio fumegante”. Jesus não foi enviado para condenar o mundo, mas sim para salvá-lo (Jo 3:17), e nem mesmo o arcanjo Miguel fez acusações injuriosas contra Satanás (Jd 9). A disciplina eclesiástica ou a condenação de alguém são eventos que devem despertar em nós tristeza e pesar, e não fofocas ou prazer. Se vemos que alguém está se desviando do Evangelho ou pregando heresias, o nosso objetivo principal deve ser conduzir o pecador ao arrependimento e a restauração. Caso a disciplina seja indispensável, ela deve ser feita com seriedade, amor e tristeza, sempre objetivando o arrependimento, e não a condenação eterna do pecador. E com muito temor também, afinal, não somos pessoas perfeitas e ninguém deve ser julgado ou condenado injustamente." [1]

Referências:

1. Julgar ou Não Julgar?

domingo, 19 de setembro de 2010

Ide! - Uma Breve Harmonia

Comente Aqui


Quando olhamos para o último discurso de Jesus, vemos uma ênfase forte em Missões: Ir por todo o mundo e pregar o Evangelho a toda criatura, como diz Marcos. Esta ênfase é preservada pelo testemunho de três autores bíblicos, os quais deram suas versões das Palavras de Cristo.

Segundo Mateus, Jesus nos deu uma ordem: “ide, fazei discípulos de todas as nações” (28:19). É exatamente isso que devemos fazer quando vamos (ide) por todo mundo: nós devemos fazer discípulos de Cristo, pessoas que sigam tudo o que Ele ensina. Já Marcos, referindo-se às mesmas Palavras, registra-as um pouco diferentes: “Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura” (16:15). Veja com atenção: Marcos põe “pregar o Evangelho” como sinônimo de “fazer discípulos”. Com isso, temos a resposta de uma pergunta importante: “Como eu faço discí-pulos de Cristo? Resposta: Pregue o Evangelho!”.

Não é à toa que Paulo após dizer a Timóteo que ele deveria pregar A Palavra (4:2), ele também o ordenou que cumprisse a obra de um evangelista (4:5). Não existe nada que seja um instrumento de Deus para a conversão dos perdidos tanto quanto uma pregação concisa do E-vangelho de Jesus Cristo.

Temos que ter em mente que a fé não vem pelo ouvir qualquer bobagem intitulada de “pregação evangelística”, mas sim por ouvir a Palavra de Deus (Rm 10:17) sendo exposta. Essa exposição do Evangelho pode vir de várias formas: testemunhos pessoais, apologética, até mesmo viver de um modo genuinamente cristão é uma verdadeira (e a mais verdadeira) pregação evangelística.

Além de Mateus e Marcos, Lucas também registra sua interpretação das Palavras proferidas por Cristo. Ele escreve o seguinte: “[convinha que] ...em seu [de Cristo] nome se pregasse o arre-pendimento e a remissão dos pecados, em todas as nações...” (Lc 24:47). Enquanto Mateus nos manda fazer discípulos e Marcos nos manda pregar o Evangelho, Lucas diz que, no nome de Jesus, seria pregado o arrependimento e a remissão dos pecados.

Isso é realmente interessante. Essa é a melhor definição de Boas Novas (Evangelho) que já vi: arrependimento (mudança de mente que resulta em deixar o pecado) e remissão (a dívida desses pecados não mais será cobrada do que se arrepende). Esse é o conteúdo principal de pregações exclusivamente evangelísticas. Devemos expor aos pecadores todas as facetas dos motivos pelos quais eles devem arrepender-se, além de pregar sobre a benção incalculável da remissão presente em Jesus.

É bom lembrar que o arrependimento e a remissão de pecados ocorrem lado a lado, por-que, sem a remissão, qualquer arrependimento seria vão, pois Deus ainda não poderia comungar com o homem pecador; e sem o arrependimento, a remissão não faria efeito algum no homem, já que de nada adianta morrer por alguém que não deixa seus pecados para abraçar a cruz.

Em um resumo breve: Cristo nos mandou fazer discípulos a Ele. Faremos isso pregando o E-vangelho, ou seja, pregando sobre o arrependimento e a remissão dos pecados.

Pai, Tu nos relevou pelas palavras dos Evangelhos como devemos pregar aos infiéis,
por isso, impede-nos de nos mover um centímetro sequer fora desse caminho que Tu trilhaste.
Nós amamos Tua Palavra. Que esse amor possa ser manifesto em seguir todo o Teu Santo ensino.
Em servidão, oro. Amém.

sábado, 18 de setembro de 2010

Pregue a Palavra!

2 comentários

Existe algo que nos chama a atenção de um modo especial quando Paulo escreve sua segunda carta a Timóteo. No inicio do capitulo 4, ele faz um apelo de ênfase extrema: “Conjuro-te, pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino, que pregues a Palavra...” (v. 1,2). Na cultura atual, somos tendenciosos a menosprezar a pregação puramente bíblica. Queremos sempre algo mais: shows de oratória, atualidades, sociologia, psicologia, técnicas empresariais, etc. Uma pregação que tem como objetivo explicar as Escrituras é tida como antiquada, pois o principal é ser “legal”.

A criatividade tem seu papel, não ignoro isso, mas não vejo uma ênfase bíblica neste ponto. Pergunte a si mesmo: Paulo ensinou sobre técnicas de homilética pós-moderna? Jesus pregou sobre ser emergente a nossa cultura? Os profetas nos exortaram sobre técnicas sociológicas e psicológicas de como tratar os membros das congregações? A resposta seria, sem duvida, não, não e não. Então, por que nos preocupamos tanto com esses aspectos? Claro, como disse, a criatividade tem o seu papel, mas a ênfase que devemos dar a ela é a mesma ênfase que a Bíblia dá: quase nenhuma.

Pensando nesses pontos, precisamos responder a pergunta: onde nossa atenção deve estar? Paulo já mostra quão importante é a pregação da Palavra na ênfase que é usada antes de tocar neste ponto. Nesta argumentação, ele não está usando “o nome de Deus em vão”, mas está chamando nossa atenção para aquilo que realmente importa: Pregar a Palavra. 

Irmãos em Cristo, onde temos posto nossa atenção? Será que temos, com nossa vida, dado a ênfase que as Escrituras requerem? Cada área de nossa vida deve refletir esse apelo de Paulo. Quando prego, preciso fazer de um modo que exponha a Palavra de Deus como importante. O mesmo quando aconselho, converso, debato, oro, relaciono-me com as pessoas ao meu redor, etc. Paulo está chamando a atenção de Timóteo para algo importante. Será que nossa atenção está onde deve estar?

Basta olhar para alguns cultos que são organizados por jovens para perceber que muitos estão se perdendo neste ponto. Foca-se tudo: estilo da banda, musicas, iluminação, danças, lanche, etc. Concordo que alguns desses pontos podem ser tratados em determinados momentos, mas, ainda assim, eles nunca poderão tornar-se o foco principal de uma reunião. Sempre ouço jovens concordarem que a Palavra deve ser tratada com primazia, mas esses mesmos jovens preocupam-se mais com o que é secundário (iluminação, etc) do que com o principal (a Palavra). Não só os jovens, mas vários pastores de jovens têm enveredado neste mesmo rumo. Paulo enfatizou algo: as Escrituras. Devemos sempre enfatizar a Palavra de Deus com nossas vidas. Pergunte-se por um momento: Se alguém perguntasse ao seu melhor amigo (ou esposa, filhos, etc) sobre qual é a maior ênfase da sua vida, será que a resposta seria “a Palavra de Deus”?

Além da ênfase introdutória, Paulo fornece mais dois motivos para a pregação da Escritura ser primordial. A primeira razão vem antes da ordem de pregar, quando ele diz: “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra” (3:16,17). Devemos pregar a Palavra, primeiro, porque ela é divinamente inspirada e proveitosa. Isso é uma realidade em qualquer época, em qualquer lugar, para qualquer grupo de Cristãos. Deus está falando através da interpretação correta do texto bíblico, e Suas Palavras são Espírito e Vida (Jo 6:63). Nada pode dar vida ao espiritualmente morto, senão a Palavra de Deus. Quer você vá ensinar, redargüir, corrigir, instruir em justiça, ou qualquer atitude de edificação, tudo precisa ser completamente saturado pelas Escrituras. Se O próprio Deus está falando nas Escrituras, porque buscar qualquer outra voz?

Agora, o quanto a Palavra de Deus é proveitosa? Muito concordam com o que acabei de expor, mas adicionam que a Bíblia só é útil até certo ponto, e, depois que as limitações dela aparecem, a psicologia ou outros estudos modernos podem atuar melhor. Creio que isso não é verdade, pois “acaso, não consultará o povo ao seu Deus? A favor dos vivos se consultarão os mortos?” (Is 8:19). Se Deus está falando, porque ir às técnicas espiritualmente mortas para tentar edificar o povo? Além disso, Paulo continua: “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa... para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra” (3:16,17).

Pare um pouco para meditar nisto. Ainda que não tivéssemos nada além da Escritura, já teríamos o suficiente para chegar à perfeição Cristã. Não acredito que possamos viver, em terra, uma perfeição absoluta, mas se há um nível máximo que podemos alcançar, só precisamos da Bíblia (e nada além dela!) para conseguir isso. Então, lutemos para pôr nosso foco onde ele deve estar: Na voz de Deus que soa na teologia correta.

A segunda razão para pregar a Palavra vem depois de ordem. Paulo diz: "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas” (4: 3,4). Nossa pregação deve ser totalmente bíblica para dissipar as heresias, que como nuvens negras, tapam o brilho da Verdade nos corações.

Devemos lembrar, irmãos, que a Palavra sempre vencerá as heresias! Muitos clamam por um forte avivamento em nosso país, mas esquecem que só poderemos ser vivificados através da Palavra de Deus. Precisamos combater os enganos que são pregados em meio à Igreja e isso só será possível com uma exposição fiel da Verdade. Quando perguntaram a Lutero como ele sentia-se por ter realizado a reforma protestante, ele respondeu: Eu não fiz nada, A Palavra Fez tudo!

Olhando para os dois motivos de pregarmos a Bíblia, percebemos uma coisa importante: uma pregação, seja ela para edificar os Cristãos ou para desarmar heresias, terá sempre como conteúdo a Palavra de Deus. Então, não importa se o foco de sua pregação é defender a verdade ou atacar a mentira, o que você sempre fará ao ensinar será revelar a Palavra do Senhor aos homens.

Para finalizar, precisamos ponderar sobre um último questionamento: por que tanta ênfase na teologia bíblica? Existem vários motivos, mas o principal, sem dúvida, é porque a teologia correta revela Cristo aos homens (Jo 5:39). Nada é tão importante quanto ter comunhão com Jesus por toda a eternidade; e, sabendo que "sem santificação, ninguém verá o Senhor” (Hb 12:14) e que nós só podemos ser santificados pela Verdade contida nas Escrituras (Jo 17,17), percebemos que só veremos o Senhor se formos devotos à teologia bíblica.

Sabendo de tudo isso, espero que nossa atenção esteja sempre nas Escrituras. Que possamos tomar para nós a exortação de Paulo a Timóteo: "Persiste em ler, exortar e ensinar... Medita estas coisas; ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos. Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem" (1 Tm 4:13,15,16).

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Paraklētos: Participantes do Sofrimento, Participantes da Consolação

1 Comentário

Parte: [1] [2] [3] [4] [5]
Esta é uma série sobre II Coríntios 1:3-7, escrita pelo irmão Yago, focando-se no ministério da consolação.


Paulo, antes de entrar na digressão que encerra a argumentação de II Co 1:3-7, conclui dizendo: “E a nossa esperança a vosso respeito está firme, visto que sabemos que sois participantes dos sofrimentos e, de igual forma, sereis da consolação” (v. 7). Essa é uma afirmação forte. Paulo diz que sua esperança a respeito dos coríntios é firme, pois eles são participantes do sofrimento pela causa de Cristo e, por isso, serão participantes da consolação de Deus. O que isso significa? Significa que uma das evidencias de que você é salvo por Deus é que, quando você sofre, você persevera.

A Bíblia é clara em dizer que todos os cristãos sofrerão. Paulo diz que "... todos quantos que-rem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (II Tm 3.12). Ele também diz que sofrer com Cristo é uma condição para que sejamos glorificados com Ele: “... se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” (Rm 8:17). Jesus é enfático quando ensina sobre como o sofrimento seria constante na vida cristã:

“Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos... eles vos entregarão aos sinédrios, e vos açoitarão nas suas sinagogas; E sereis até conduzidos à presença dos governadores, e dos reis, por causa de mim... E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai o filho; e os filhos se levantarão contra os pais, e os matarão. E odiados de todos sereis por causa do meu nome... Se chamaram Belzebu ao pai de família, quanto mais aos seus domésticos?" (Mt 10.16-18,21,22,25)
Não há como negar: ser cristão é sinônimo de sofrimento. Isto, a priori, parece triste, mas não é. A Bíblia deixa claro que sofrer é um verdadeiro privilégio (Fp 1:29). Por que dor física, emocional e psicologia seria um privilégio? Simplesmente “porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação” (II Co 4:17). Delicie-se com essa afirmação! Nossas tribulações produzem um galardão (peso de glória) eterno acima de toda a comparação. É por isso que Paulo diz que “... as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Rm 8:18).

Quando percebemos isso, vemos que, ainda que sofrendo (e muito, às vezes), não temos uma vida de tristeza, mas de profunda alegria em Cristo. Se sofrer evidencia que somos salvos, só podemos nos gloriar em nossas dores:

"E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança" (Rm 5:3). "E, chamando os apóstolos, e tendo-os açoitado, mandaram que não falassem no nome de Jesus, e os deixaram ir. Retiraram-se, pois, da presença do conselho, regozijando-se de terem sido julgados dignos de padecer afronta pelo nome de Jesus" (At 5:40,41).
Paulo estava certo que os coríntios possuíam uma fé genuína por que eles sofriam em nome de Cristo sem esmorecer. Então, se nós, como cristãos, passamos por todo tipo de sofrimentos, isso evidencia que somos salvos, ou seja, seremos participantes da suprema consolação futura.

Irmãos, nosso sofrimento nesta terra evidencia que seremos consolados pessoalmente pelo Supremo Paraklētos. Toda a dor, toda a luta, todo o desespero será esquecido quando estivermos com o nosso Senhor: “E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram” (Ap 21:4). Todas as vezes que somos consolados por alguém, devemos lembrar-nos da consolação suprema que receberemos por Deus. Devemos estar ansiosos pelo momento em que Cristo virá nos buscar. Quão glorioso será esse momento, e quão consolador será!

Oro a Deus para que possamos crescer na graça de ser Paraklētos d’Ele. Oro também para que O Senhor mande-nos Paraklētos nos momentos de tribulação. Que Cristo seja para sempre nosso maior exemplo e que nossos sofrimentos sejam usados por Deus para levar a mensagem da consolação d’Ele.

domingo, 12 de setembro de 2010

Paraklētos: Pelas Nossas Tribulações

3 comentários

Parte: [1] [2] [3] [4] [5]
Esta é uma série sobre II Coríntios 1:3,4, escrita pelo irmão Yago, focando-se no ministério da consolação.

Façamos um breve resumo do que já vimos até aqui no texto que estamos estudando na segunda carta de Paulo à Igreja de Corinto: O verso 3 expressa sobre Deus ser nosso consolador, assunto do primeiro artigo. O verso 4 diz que quando Deus nos consola em nossas tribulações, um dos propósitos d’Ele é que O tomemos como exemplo e, assim, possamos consolar outros. Tratamos disto no segundo e no terceiro textos. Agora olharemos para o verso 5: “Porquanto, da mesma maneira como os sofrimentos de Cristo transbordam sobre nós, igualmente por meio de Cristo transborda nossa consolação”.

Paulo diz algo, no mínimo, estranho. Ele diz que os sofrimentos de Cristo transbordam sobre ele. Como isso acontece? Como ele sofre o que alguém já sofreu? Esse é um ponto que requer um cuidado imenso. No entanto, quando entendemos o que isso quer dizer, não há como não exultar em adoração. John Piper, em seu livro “Em Busca de Deus”, escreveu um capítulo praticamente inteiro sobre essa questão. O que tentarei fazer aqui é resumir ao máximo o que precisaríamos de mais tempo para tratar.

Quando olhamos para as declarações de Paulo sobre seu próprio sofrimento, encontramos uma afirmação que deixa qualquer leitor perplexo: "Agora, eu me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a Igreja" (Cl 1:24). Paulo diz que ele preenche, no seu corpo, o que falta das aflições de Cristo. É desta maneira que o Apostolo sofre o que Cristo já sofreu: completando o que falta desses sofri-mentos em seu corpo.

Assim, resta-nos perguntar: o que falta das aflições de Cristo para que Paulo precise completá-las em seu próprio corpo? A Bíblia é clara em dizer que nossa salvação é consumada na morte de Cristo (Jo 19:30; Rm 5:9,19; Hb 9:12;10:14). Assim, o que falta nesses sofrimentos? Piper diz que “Epafrodito é a chave” para essa questão, e expressa:

“Na igreja em Filipos havia um homem de nome Epafrodito. Quando a igreja ali coletou ajuda para Paulo (talvez dinheiro, suprimentos ou livros), decidiram enviá-la a Paulo na prisão por mão de Epafrodito. Em sua viagem com esses suprimentos, Epafrodito quase perdeu a vida. Ele estava doente a ponto de morrer, mas Deus o poupou (Fp 2.27). Por isso Paulo diz à igreja em Filipos que honre Epafrodito quando ele voltar (v. 29), e explica sua razão com palavras muito semelhantes às de Colossenses 1.24: "Por causa da obra de Cristo, chegou ele às portas da morte e se dispôs a dar a própria vida, para suprir (palavra semelhante à de Cl 1.24) a vossa carência (mesma palavra de Cl 1.24) de socorro para comigo" [Fp 2.30]. No original grego, a frase "suprir a vossa carência de socorro para comigo" é quase idêntica a "preencher o que resta das aflições de Cristo". Este é o único lugar no Novo Testamento em que essas duas palavras (completar e falta) ocorrem juntas.”

Com essa análise, percebemos o que significa a afirmação de Paulo aos Colossenses. Cristo preparou uma oferta de amor para seu povo (como os filipenses a Paulo), o que falta nesta oferta é apenas levá-la, por isso, nós (como Epafrodito) completamos o que falta nos sofrimentos de Cristo, apresentando essa mensagem ao mundo.

Depois que observamos o que significa preencher o que resta das aflições de Cristo, precisamos olhar para como Paulo faz isto: “Agora, eu me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e pre-encho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a Igreja" (Cl 1:24). Veja bem: o modo como Paulo leva a mensagem de Cristo ao mundo é através de seus sofrimentos. É através das tribulações e dores da Igreja que o sofrimento de Cristo é exposto ao mundo. Sobre isso, Piper completa:

“Esta é a conclusão surpreendente: Deus quer que as aflições de Cristo sejam apresentadas ao mundo por meio das aflições do seu povo. Deus realmente quer que o corpo de Cristo, a igreja, experimente parte do sofrimento pelo qual ele passou, de modo que, quando proclamamos que a cruz é o caminho para a vida, as pessoas vejam as marcas da cruz em nós e sintam de nossa parte o amor da cruz. Nosso chamado é tornar as aflições de Cristo reais para as pessoas, por meio das aflições que experimentamos, levando-lhes a mensagem da salvação.”

Voltemos, então, ao verso que estamos estudando: “Porquanto, da mesma maneira como os sofrimentos de Cristo transbordam sobre nós, igualmente por meio de Cristo transborda nossa consolação”. Quão gloriosa é essa afirmação(!): a medida de sofrimentos que nos assolam é a mesma medida de consolação que levamos aos homens. Quanto mais somos atribulados, mais completamos, com nossa vida, o que falta das aflições de Jesus, assim, levamos a mensagem do Evangelho aos homens. Qual mensagem é mais consoladora que a mensagem da Cruz?

Irmãos, não pensem que suas tribulações não significam nada. Quando sofremos, estamos espelhando o sofrimento de Cristo pelos pecados de seu povo. Cristo nos chamou para seguir seus passos de dor: "Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas" (1 Pe 2:21). A ira de Deus lançada sobre Cristo naquele momento de dor foi a consumação de nossa salvação! Essa é a mensagem mais consoladora de todas! Ler sobre as histórias dos Mártires Cristãos sempre me dão força quando minha alma está fria, pois esses homens me mostram com mais clareza a dor de Cristo por mim. Se você está sofrendo, desde que viva seu sofrimento de um modo que glorifique a Deus, você estará sendo um paraklētos de modo único, pois, resumindo tudo, quando sofremos, estamos refletindo o sofrimento de Cristo pelos pecados de seu povo: a mensagem mais consoladora que há.

Creio que nem precisaremos meditar muito sobre o verso 6 do texto de II Coríntios para compreendê-lo bem: "Ora, se somos atribulados, é para a vossa consolação e salvação; se somos consolados é, pois, para vossa consolação, a qual vos proporciona perseverança, a fim de que suporteis as mesmas aflições que nós também estamos passando". Quando levamos a mensagem de Cristo com nossa vida, levamos consolação e salvação a outros. Quando somos consolados por Deus em meio as tribulações que caracterizam levar essa mensagem, levamos consolação a outros. E essa consolação que levamos darão força a outros, para que eles possam seguir nosso exemplo, tornando-se paraklētos de Deus.

Senhor Jesus, cremos que Teu sofrimento foi suficiente para nossa salvação.
Cremos, também, que precisamos levar essa mensagem aos outros, até mesmo com nosso corpo.
Usa-nos de acordo com Tua Soberana vontade para transmitir Tua verdade ao mundo.
Exultante, te adoro. Amém

sábado, 11 de setembro de 2010

Paraklētos: O Maior Exemplo

Comente Aqui

Parte: [1] [2] [3] [4] [5]
Esta é uma série sobre II Coríntios 1:3,4, escrita pelo irmão Yago, focando-se no ministério da consolação.

Já meditamos sobre o consolo que Deus nos dá e sobre a ordem de consolarmos outros, mensagens dignas de preencher nosso pensamento. Agora, vamos focar-nos no fim do verso 4 do texto que estamos estudando: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação; que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus” (v. 3,4). Como foi dito no texto passado, não deve-mos apenas ser Paraklētos, mas sê-lo como Deus o É. Então, para sermos verdadeiros consoladores, precisamos ver como Deus nos consola e, assim, imitá-lo, buscando a perfeição.

Se fossemos falar de um modo completo sobre como Deus nos consola (roubando as pala-vras de João), nem mesmo o mundo inteiro seria capaz de conter os livros que se escreveriam. Agora, vejamos três exemplos que considero importantes para a nossa atual meditação.

1. Quando nos arrependemos de nossos pecados, Cristo nos consola (I Jo 2:1). Logo, quando alguém se arrepende de alguma falha, devemos estar prontos para consolar aquele irmão. Em Colossenses 3:14, Paulo, antes de ordenar que nos perdoemos mutuamente, manda que sirvamos de suporte uns aos outros. Perdoar é mais que esquecer, é consolar aquele que nos ofendeu, ser-vindo de suporte para o caído. Como conclui o texto citado: “Suportai-vos uns aos outros, perdo-ai-vos mutuamente, caso alguém tenha queixa contra outrem. Assim como o Senhor nos perdoou, assim também perdoai vós” (Cl 3:13).

2. Deus estará sempre conosco por meio do Consolador (Jo 14:16), assim, por meio da con-solação, devemos sempre estar unidos com nossos irmãos. Vemos algo precioso nisso: não são as técnicas humanas ou formações institucionais que manterão a unidade entre os Cristãos, mas o amor que Deus põe em nossos corações, transformando-nos em Paraklētos. Não podemos aban-donar nossos irmãos nunca. Se quisermos agir como consoladores, não devemos nunca deixar so-zinhos aqueles que precisam de nós. A benção de Deus estará sempre presente em meio àqueles que vivem em união (Sl 133).

3. O Pai nos consola nas tribulações (II Co 1:4), por isso, sempre que identificarmos um irmão atribulado, devemos agir sacrificialmente, como consoladores. Claro, às vezes precisamos ser du-ros, mas apenas como um meio para acordar o que dorme (Ef 5:14). A regra, na verdade, é abra-çarmos fraternalmente aqueles que sofrem, transmitindo, assim, o cuidado de Cristo para seus fi-lhos.

Creio que esses breves exemplos já nos dão uma boa base para pensar sobre como deve-mos refletir a consolação de Deus. Oro para que possamos gastar nosso tempo meditando sobre este assunto.

Pai, que nós possamos refletir a Tua imagem a outros.
Que, assim como tu nos consola, possamos consolar nossos irmãos.
Opera em nós tanto o querer como o efetuar, Senhor.
Em Teu nome Santo, amém.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Relato da Operação Jesus Transforma em Manaus (Parte 4)

3 comentários

Parte: [1] [2] [3] [4] [5]
Veja as fotos: Álbum da Trans Manaus 2010


Os primeiros frutos

Segunda-feira, dia 05/07, no evangelismo pela manhã, Maria das Neves e eu visitamos uma casa bastante peculiar. Ela era toda feita de madeira, construída no alto, aberta nas laterais, tendo apenas o teto como proteção, muito semelhante às casas ribeirinhas. Uma rampa de madeira conduzia até a porta da casa e os cômodos eram separados por cortinas. Havia várias redes e móveis de madeira. O dono, um caboclo de meia idade casado com uma índia, trabalhava entalhando objetos em madeira: móveis, quadros, animais, pessoas, etc. Apresentamos o Evangelho a ele e à sua esposa, mas eles, apesar de terem nos recebido muito bem, não receberam tão bem nossa mensagem, dizendo-se católicos e argumentando de forma ecumênica em favor de todas as igrejas.

Deixamos essa casa sob uma chuva leve e, enquanto voltávamos para a nossa casa, um senhor chamado João, com o rosto desfigurado, que vinha ao nosso encontro, perguntou quem éramos. Explicamos rapidamente sobre a Trans e o acompanhamos até sua casa, à pedido dele próprio. A casa dele era bastante simples e havia gatos por toda parte. Enquanto conversávamos com ele e com sua esposa, eu acariciava um gato que estava ao meu lado, no sofá. João nos contou que já havia sido pastor da Igreja Universal do Reino de Deus. Porém, certo dia, enquanto andava pela rua, levou uma bolada no rosto e bateu a cabeça na sarjeta, quebrando o crânio e ficando inconsciente por algum tempo. Devido a esse acidente ele ficou com alguns problemas mentais e com algumas partes do rosto paralisadas, mas estava se recuperando. Ele já não era mais da Universal e estava, agora, frequentando uma denominação evangélica do bairro. Apesar de ter começado no lugar errado, ele parecia um verdadeiro cristão. Falamos a ele algumas palavras de encorajamento e notei que nossa conversa alegrou o coração dele e o de sua esposa.

Voltamos à nossa casa, onde almoçamos e conversamos. Depois do almoço era comum, quase todos os dias, eu lavar louça e lavar minhas camisetas da Trans, enquanto conversava com algum irmão.

À tarde, um pessoal da Primeira Igreja Batista de Manaus veio à nossa casa fazer a Escola Bíblica de Férias com as crianças do bairro, às 15:00. O evento foi um grande sucesso, com uma grande quantidade de crianças participando. Esse evento foi realizado durante todos os dias da semana, até sexta-feira. Ainda à tarde, minha dupla fez evangelismo em outras ruas do bairro e tivemos o primeiro fruto de nosso trabalho: uma jovem já casada recebeu a Cristo enquanto eu a evangelizava. Foi uma grande alegria para mim! O dia foi bastante produtivo e, ao final, minha dupla havia recenseado 19 casas, marcado 3 estudos bíblicos e distribuído 2 Evangelhos de João. No trabalho das outras duplas mais pessoas receberam a Cristo e aceitaram os estudos bíblicos.

À noite, minha dupla fez o primeiro estudo com Edson, a primeira pessoa que evangelizamos. Ele e sua esposa, católica fervorosa, foram bastante educados ao nos receberem e deram muita atenção ao estudo. Além de ministrarmos o estudo, pudemos também iniciar uma amizade com o casal, que simpatizou conosco. Foi uma experiência bastante interessante.

Ao final do dia pude avaliar o trabalho da minha dupla. Ele foi recompensador, mas também muito cansativo e desgastante. E ele estava para ficar mais desgastante à medida que os dias passassem. Tínhamos que andar bastante debaixo de Sol, de manhã e à tarde, além de falar várias vezes as mesmas coisas e interagirmos com várias pessoas diferentes. Os estudos poderiam ser marcados em qualquer horário, e às vezes tínhamos estudos à noite, tendo pouco tempo para descansar. Além de tudo isso, todas as noites eu ficava conversando até tarde com alguns irmãos, dormindo muito pouco.

Terça-feira fizemos evangelismo de manhã e à tarde. Minha dupla começou a evangelizar uma rua mais afastada e mais pobre. Quando estávamos no início da rua passamos por uma experiência muito estranha. Enquanto evangelizávamos uma casa, uma mulher do outro lado da rua começou a gritar freneticamente contra nós, atrapalhando o evangelismo, mas não conseguimos vê-la. Provavelmente ela estava escondida em uma das casas. Seus berros falavam sobre pararmos com o trabalho e continham ameaças. Curiosamente, ela possuía um vocabulário “evangélico”. Ela parecia tão descontrolada que desconfiei que estivesse possessa por um espírito maligno, momento em que lembrei de um episódio parecido, mas com algumas diferenças, que havia acontecido com o apóstolo Paulo (At 16.16-18). Então, fiz uma oração em silêncio, pedindo a Deus que a silenciasse para que pudéssemos prosseguir com a apresentação do Evangelho. Imediatamente a mulher se calou e pudemos continuar nosso trabalho em paz. Infelizmente não conseguimos encontrá-la posteriormente, para orarmos por ela e lhe falarmos da Palavra.

Nessa mesma rua conhecemos uma mulher chamada Laci, que havia perdido recentemente um filho de 21 anos por suicídio. Ela estava bastante abalada, mas ficou feliz em nos receber e marcou um estudo bíblico para a tarde de quarta-feira. Também conhecemos uma mulher que tinha um filho com autismo. Ela recebeu a Cristo, marcou um estudo bíblico e seu filho seria acompanhado por uma psicóloga da Primeira Igreja Batista de Manaus. Um jovem chamado Alberto também recebeu a Cristo e marcou um estudo bíblico. Notamos que as pessoas dessa rua eram bem mais abertas à Palavra. Minha dupla recenseou 16 casas, distribuiu 23 folhetos, 8 Evangelhos de João e marcou 8 estudos bíblicos.


Minha pregação


À noite, às 19:00, tivemos culto em nossa casa. Irmã Consolação me chamou para pregar de última hora, porque o pastor não viria. Fiquei em dúvida entre 3 textos: Atos 2.38, João 4.34-38 e Efésios 2.1-10. Conversando com Halysson, ele sugeriu o texto de Efésios, e resolvi pregá-lo.

No culto tivemos três visitantes, todos da mesma família e todos evangélicos. Eu dirigi o momento de louvor, tocando violão e cantando dois cânticos. Depois preguei expositivamente em Efésios 2.1-10. Como não tive tempo de preparar o sermão, preguei sem nenhuma anotação ou esboço, apenas com o texto diante de mim e algumas divisões que eu tinha memorizado alguns minutos antes do culto. Falei sobre:

1) Quem nós éramos (vs. 1-3): mortos em delitos e pecados, escravos do diabo, escravos de nossos desejos e filhos da ira;

2) Como Deus nos salvou (vs. 4-7): Ele nos ressuscitou espiritualmente (novo nascimento) e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus;

3) Por que Deus nos salvou (vs. 4,8,9): o amor, a misericórdia e a graça de Deus são a única motivação para a nossa salvação, que é recebida apenas mediante a fé;

Conclusão (v. 10): as boas obras fluem naturalmente daquele que foi salvo, sendo a evidência indispensável da fé salvadora; a pregação do Evangelho aos perdidos é uma boa obra em favor deles que estão na mesma situação em que nós mesmos estávamos.

A pregação durou pouco mais de meia hora. Ela não ficou muito bem elaborada, mas pude falar com alguma desenvoltura, ousadia e poder espiritual, com a graça de Deus. Alguns irmãos disseram que foram abençoados com a Palavra.
 

Teologia e Vida © Revolution Two Church theme by Brian Gardner
Converted into Blogger Template by Bloganol and modified by Filipe Melo