quarta-feira, 21 de julho de 2010

O dízimo é válido nos dias de hoje?

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Esta é a minha resposta a três perguntas sobre a validade do dízimo para os dias de hoje, publicada originalmente no blog Voltemos ao Evangelho, dia 19/06/2010. Leia o texto até o final antes de tirar qualquer conclusão.

O dízimo nos moldes que nós temos no Antigo Testamento não é mais aplicável nos nossos dias. No Novo Testamento nós temos as ofertas voluntárias para sustentar a obra de Deus.

A Epístola aos Hebreus, principalmente os capítulos 9 e 10, deixa bastante claro que todas as cerimônias do Antigo Testamento foram abolidas com a vinda de Cristo, pois elas apenas tipificavam Aquele que viria, eram sombras da realidade que é Cristo. Além dessa epístola, Paulo fala constantemente sobre a abolição das cerimônias do Antigo Testamento no Novo Testamento, como em Gl.4.8-11, Cl.2.8-23, etc. Assim, a questão é determinar se o dízimo fazia parte da lei cerimonial ou da lei moral. A lei moral é permanente (Mt.5.17-18) e a cerimonial, como eu disse acima, é transitória. Assim, dependendo de onde o dízimo se encaixa, ele é válido ou não para os dias de hoje. Quando analisamos o Antigo Testamento percebemos que o dízimo estava totalmente amarrado ao sistema sacrificial daquele tempo, e havia vários tipos de dízimo (Lv 27.32; Nm 18.21-28; Dt 12.6-17; 14.22-28; 26.12). Estando dessa forma ligado aos sacrifícios e ao sacerdócio veterotestamentário, o dízimo como era praticado no Antigo Testamento é impraticável nos dias de hoje. Assim, ele está incluso dentro da lei cerimonial e, dessa forma, não é mais aplicável no Novo Testamento.

Alguns usam a passagem de Mateus 23.23 para defender que o dízimo é válido atualmente. Mas é importante observar que, apesar do Novo Testamento começar sua narrativa com o nascimento de João Batista e de Jesus, a Nova Aliança só começou, de fato, quando Jesus morreu (Mt 26.28; 27.51; Cl 2.14; Hb 9.11-17). Assim, quando Jesus disse o que está escrito em Mt 23.23, eles ainda estavam no Antigo Testamento. Portanto, essa passagem não pode provar a validade do dízimo para o Novo Testamento.

Outros tentam defender a validade do dízimo com a passagem de Hebreus, capítulo 7. Porém, nessa passagem o autor da carta apenas mostra a superioridade de Cristo em relação ao sacerdócio do Antigo Testamento usando Melquisedeque como um tipo de Cristo, pois Arão (representando o sacerdócio veterotestamentário) pagou dízimos a Melquisedeque na pessoa de Abraão, mostrando sua inferioridade em relação à Melquisedeque. O objetivo da passagem não é falar sobre a validade ou não do dízimo para os dias de hoje, mas mostrar a superioridade do sacerdócio de Cristo.

Dito isso, é importante mencionar que, atualmente, muitos "cristãos" estão prontos para negar a validade do dízimo para os nossos dias, não porque querem dar mais, mas porque querem dar menos, ou até mesmo nada. Para esses eu digo que quem supostamente se converteu ao Senhor, mas não converteu o seu bolso, deve reavaliar sua conversão. O cristão reconhece que não apenas 10% do seu salário pertence ao Senhor, mas todos os seus bens. Assim, o verdadeiro cristão faz planejamentos financeiros para não gastar em coisas supérfluas, a fim de poder contribuir com o máximo possível para o Reino de Deus, voluntariamente. O verdadeiro cristão não busca viver uma vida de luxo, pois seu deus não é o dinheiro, e sim o Senhor, a quem Ele coloca em primeiro lugar.

Tomemos como exemplo a contribuição da igreja primitiva. A viúva no templo deu tudo o que tinha (Lc.21.1-4). Os primeiros cristãos vendiam propriedades e depositavam todo o valor aos pés dos apóstolos (At.4.34-37). Os pobres da Macedônia contribuíram acima de suas posses (II Co.8.1-3). Esse é o padrão que o cristão deve seguir.

Devemos também lembrar que os pastores que Deus designou para pastorearam o rebanho precisam de sustento, sendo responsabilidade da igreja provê-lo (1Co 9.3-14; ). Portanto, as ofertas voluntárias também são usadas para compor o salário do pastor, provendo os recursos materiais necessários para que ele continue anunciando o Evangelho.

Para aqueles irmãos que congregam em igrejas onde o dízimo é praticado (como também é o meu caso), tenho recomendado que continuem contribuindo com o dízimo, mas considerando-o em seus corações como uma oferta voluntária, e não se satisfazendo em contribuir apenas com a décima parte, mas com o máximo possível, como acontecia na igreja primitiva.

Para um estudo mais detalhado, veja no Monergismo:

O Dízimo (Túlio Cesar Costa Leite)

Veja também no blog Cinco Solas:

quarta-feira, 14 de julho de 2010

As Bênçãos do Evangelho

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Este é o capítulo 10 da Confissão de Fé do Voltemos ao Evangelho, escrito por mim, o qual se manifesta contra a perniciosa teologia da prosperidade.

Cremos que a redenção de Cristo alcançou para os eleitos bênçãos para a alma e para o corpo.1 Na cruz, Cristo tomou sobre Si não apenas os nossos pecados, mas também nossas enfermidades e dores, aniquilando pelo sacrifício de Si mesmo o pecado e todas as suas conseqüências.2 Porém, ainda que os crentes já desfrutem no presente de toda sorte de benção espiritual nos lugares celestiais em Cristo Jesus, a posse plena de todos esses benefícios está reservada para a glorificação futura, nos Novos Céus e na Nova Terra, quando serão ressuscitados com Cristo para serem semelhantes a Ele e não mais existirá morte, luto, pranto, dor ou qualquer espécie de sofrimento.3 Assim, neste mundo, os cristãos ainda estão sujeitos aos mais diversos sofrimentos, tanto como disciplina pelos seus pecados quanto como provação de sua fé,4 tais como enfermidades, perseguição, fome, nudez, perigo e espada, sendo entregues à morte o dia todo e considerados como ovelhas para o matadouro.5 Porém, em todas essas coisas eles são mais do que vencedores, por meio Daquele que os amou e que os aperfeiçoa no sofrimento, para serem participantes de Sua santidade.6 Portanto, ainda que Deus possa abençoar alguns cristãos com a cura de alguma enfermidade ou com riquezas materiais, para que auxiliem materialmente o Reino de Deus e os pobres, os salvos não devem esperar por perfeita saúde ou por prosperidade material neste mundo.7 Pelo contrário, devem viver como peregrinos e estrangeiros, com simplicidade e contentamento, não acumulando tesouros sobre a terra, mas aspirando a uma pátria superior, a celestial,8 onde se encontra o verdadeiro tesouro e a maior bênção do Evangelho, da qual desfrutarão por toda a eternidade: o próprio Deus.9

1 Sl 103.1-5; Rm 8.11; 1Co 15.20-26,50-57; 2 Is 53.4-5; Mt 8.16-17; 1Pe 2.24; 3 Ef 1.3; Rm 8.18-23; 1Jo 3.2; Ap 21.1-5; 22.1-5; 4 Fp 1.29; 2Co 12.7-10; Hb 12.4-13; Jó 1.1-22; 2.1-13; 1Pe 4.12; 5 Rm 8.35-36; 2Co 4.7-11; 6.4-10; 11.23-33; Fp 4.11-13; 1Tm 5.23; 2Tm 3.12; 4.20; Hb 11.35-38; 6 Rm 8.37-39; Hb 12.10-13; 1Pe 4.12-19; 7 Mt 9.1-8; At 13.6-8; Gn 13.2; 1Rs 3.13; 2Co 8.1-24; 9.1-15; 1Tm 5.8; 6.17-19; 1Jo 3.17; Mt 19.23-24; Tg 5.1-6; 8 Mt 6.19-21,24; 1Co 7.29-31; Cl 3.1-3; 1Tm 6.6-10; Hb 11.8-10,13-16; 1Pe 2.11; 9 Sl 16.2,5,11; 27.4; 42.1-2; 63.1-3; 73.25-26; 84.1-4; Is 40.9; Mt 5.8; 2Co 4.4,6; Fp 3.8; 1Pe 3.18; Ap 21.3; 22.3-4.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

A Teologia precede a interpretação bíblica?

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A Teologia precede a interpretação bíblica?

Não, a teologia não precede a interpretação bíblica, a teologia procede da interpretação bíblica.

Antes de mais nada, definamos teologia como o conjunto de todo o conhecimento revelado por Deus acerca de Seu ser (Trindade, atributos, etc) e de Suas obras (criação, providência, redenção, etc), assimilado pelo homem.

Deus se revelou de duas formas principais: a revelação geral, na natureza, e a revelação especial, nas Escrituras. O conhecimento de Deus que podemos adquirir pela natureza é superficial e suficiente apenas para nos tornar indesculpáveis (Rm 1.18-21), de modo que falar de uma teologia natural, à parte das Escrituras, é um exagero. Portanto, se, além da revelação geral, a revelação especial nas Escrituras é a única fonte de conhecimento sobre Deus que possuímos, é impossível que a teologia seja anterior à hermenêutica (interpretação bíblica).

Esse fato deve nos tornar cuidadosos ao interpretarmos as Escrituras, para que não nos aproximemos do texto bíblico com idéias preconcebidas, dando ao texto o significado que queremos (eisegese), ao invés de retirar do texto o significado com o qual foi escrito (exegese).

Por fim, é importante mencionar a regra máxima de interpretação das Escrituras, conhecida como analogia da fé, que assim diz: “As Escrituras interpretam as Escrituras”. É importante mencionar esse princípio porque uma pessoa desatenta poderia confundi-lo com a eisegese. Mas eles são absolutamente distintos. Vejamos:

- Na analogia da fé, ao interpretarmos determinado texto bíblico, devemos levar em conta o contexto imediato de nosso texto e o contexto geral de todas as Escrituras. Assim, ao nos aproximarmos de um texto, devemos ter em mente todo o ensino bíblico referente ao assunto tratado naquele texto, para fazermos uma correta interpretação do mesmo.

- Na eisegese, ao contrário, nos aproximamos de um texto bíblico com idéias extra-bíblicas, e deixamos que tais idéias determinem nossa interpretação do texto.

O melhor antídoto contra a eisegese e a melhor receita para a analogia da fé é uma leitura freqüente e atenciosa das Escrituras, do início ao fim, para se familiarizar com todo o seu conteúdo. Assim, teremos certeza que nossa teologia procede das Escrituras e não de opiniões humanas.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Conhecendo a Bíblia Sagrada (Parte 2)

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Parte: [1] [2]


Este estudo foi elaborado por mim no início de 2004, para ser ministrado aos adolescentes do Grupo Missionário de Adolescentes (GMA), da Igreja do Evangelho Quadrangular do Jardim das Oliveiras. Estas foram as minhas palavras de apresentação ao estudo: "O versículo tema do GMA neste ano se encontra em II Pedro 3:18: '...antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo'. Isso é um dever de todo cristão, o que inclui todos nós. Porém, não há como crescer no conhecimento de Cristo sem constante leitura e estudo da Bíblia. Por isso, iremos começar os estudos deste ano com um estudo sobre a Bíblia, para que possamos conhecê-la melhor, e, por conseqüência, possamos lê-la e estudá-la todos os dias. Que neste ano, realmente cresçamos na graça e no conhecimento de Cristo! Deus nos abençoe!"

5. Conteúdo da Bíblia

Apesar de ter uma mensagem central, a Bíblia é variada em seus temas, assuntos e estilos literários. Cada livro da Bíblia tem suas próprias características: estilo, tema, autor, etc. Na Bíblia encontramos histórias, poesias, ficções (em suas parábolas), doutrinas, profecias, ensinamentos práticos, devocionais, etc. Assim, apesar da sua unidade, a Bíblia apresenta grande diversidade.

A Bíblia é dividida em duas partes, que chamamos de Antigo Testamento e Novo Testamento. O Antigo Testamento apresenta 39 livros, e o Novo Testamento, 27. O que separa a Bíblia nessas duas partes é o nascimento de Cristo. O Antigo Testamento recebeu esse nome porque trata da Antiga Aliança feita por Deus com os homens e, principalmente, com Israel. O Novo Testamento recebeu esse nome porque trata da Nova Aliança feita por Cristo com a Igreja.

A Bíblia, como a temos hoje, foi resultado de um grande trabalho. Quando foi escrita, a Bíblia não apresentava divisões em capítulos e versículos. E os livros da Bíblia não tinham nome originalmente. Essas facilidades só foram acrescentadas muito tempo depois.

Os livros de cada um dos testamentos que apresentam semelhança de conteúdo são agrupados, formando várias divisões. Vamos estudar um pouco cada uma dessas divisões e seu conteúdo.

5.1. Divisões do Antigo Testamento

Lei ou Pentateuco: É a primeira divisão da Bíblia e compreende cinco livros: Gênesis, Êxodo, Levíticos, Números e Deuteronômio. Todos esses livros foram escritos por Moisés em cerca de 1500 a.C, e foram os primeiros livros da Bíblia a serem escritos.

O Pentateuco fala sobre a criação do mundo, a origem do pecado, os primeiros seres humanos e civilizações, o Dilúvio, a Torre de Babel, a origem do povo de Israel, a escravidão de Israel no Egito e sua libertação por Moisés, a caminhada de Israel pelo deserto por quarenta anos e, principalmente, a Lei que Deus deu a Moisés no Monte Sinai. Por isso, essa divisão também é chamada de Lei.

O Pentateuco é uma espécie de introdução à Bíblia. Antes da Nova Aliança era a divisão mais importante da Bíblia.

História ou Livros Históricos: Compreende os livros de Josué, Juízes, Rute, I e II Samuel, I e II Reis, I e II Crônicas, Esdras, Neemias e Ester, doze livros no total. Ao contrário do Pentateuco, esses livros foram escritos por diversas pessoas durante um período de mil anos.

Os Livros Históricos falam sobre a conquista de Canaã por Israel sob o comando de Josué, os juízes, o reinado de Saul, Davi e Salomão, a construção do templo de Jerusalém, a divisão do reino de Israel em dois reinos, Israel e Judá, o cativeiro de Israel na Assíria e de Judá na Babilônia, a destruição do templo, o retorno dos judeus à Palestina e a reconstrução do templo.

O assunto principal dos Livros Históricos é a história do povo de Israel.

Poesia ou Livros Poéticos: Compreende os livros de Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares, cinco livros ao todo. Também tiveram autores variados e épocas variadas.

Esses livros são chamados de Poéticos porque apresentam seu conteúdo em forma poética. O livro de Jó conta sobre o sofrimento de Jó em poesia. É um dos livros mais lindos da Bíblia. O livro de Salmos apresenta vários cânticos, usados pelos judeus em seus cultos, que foram agrupados para formarem o livro. O livro de Provérbios apresenta vários ensinamentos práticos. Eclesiastes é um livro filosófico onde Salomão reflete sobre a vida. Cantares é uma poesia que fala sobre o amor conjugal.

Profecia ou Livros Proféticos: Essa divisão é subdividida em duas partes: Profetas Maiores: Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel e Daniel; e Profetas Menores: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias. O nome de cada livro é o nome de seu autor. Esses livros foram escritos num período de 500 anos.

Os Livros Proféticos são compostos por profecias. Suas profecias tratam sobre os mais variados assuntos: queda e restauração de Israel, queda de vários reinos e povos, o fim dos tempos e, principalmente, a vinda do Messias: Sua morte, ressurreição e a Nova Aliança instituída por Ele.

Por ser composta quase que totalmente de profecias, essa divisão é a menos aconselhada para leitura daqueles que estão começando seu estudo da Bíblia.

5.2. Divisões do Novo Testamento

Todos os livros do Novo Testamento foram escritos no primeiro século d.C.

Evangelhos: Compreendem os quatro primeiros livros do Novo Testamento: Mateus, Marcos, Lucas e João. Esses livros tratam da vida de Jesus: Seu nascimento, ministério, ensinamentos, milagres, morte, sepultamento, ressurreição e ascensão. É ideal para aqueles que querem conhecer mais sobre Jesus.

História: Compreende somente o livro de Atos dos Apóstolos. Fala sobre a história da igreja no primeiro século: seu início, seu crescimento na Palestina e, posteriormente, em todo o Império Romano. Enfatiza os ministérios de Pedro e Paulo.

Epístolas: Essa divisão se subdivide em duas: Epístolas de Paulo: Romanos, I e II Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, I e II Tessalonicenses, I e II Timóteo, Tito, Filemon e Hebreus; e Epístolas Gerais: Tiago, I e II Pedro, I, II e III João e Judas.

Nas epístolas se encontram as doutrinas da igreja. As epístolas são uma explicação do Evangelho pregado por Jesus. Doutrinas são encontradas por toda a Bíblia, mas é nas epístolas que encontramos mais ensinamentos doutrinários. As doutrinas tratadas são variadas: Humanidade e Divindade de Cristo, Seus ofícios, Sua obra redentora; o Espírito Santo e Suas obras; o pecado e sua universalidade; a salvação: regeneração, justificação, adoção, santificação, glorificação; a volta de Cristo, o arrebatamento, a ressurreição do corpo; e muitos outros ensinamentos.

Profecia: Compreende somente o livro de Apocalipse. Foi escrito pelo apóstolo João, tem como tema a “Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer” (Ap 1.1) e é composto de visões e profecias dadas através de símbolos. Esse livro é o menos aconselhado para leitura daqueles que estão começando um estudo da Palavra.
 

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