terça-feira, 29 de junho de 2010

Viagem Missionária ao Amazonas

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Irmãos, graça e paz!

Amanhã, dia 30/06, farei uma viagem à Manaus, Amazonas, para participar da operação Jesus Transforma (também conhecida como Trans), promovida pela Junta de Missões Nacionais da Convenção Batista Brasileira. A Trans é uma ação missionária que envolve centenas de voluntários batistas na proclamação do Evangelho em cidades e bairros não alcançados de todo o Brasil, onde o conhecimento do verdadeiro Deus está ausente, objetivando ao fim a plantação ou a revitalização de igrejas, para a glória de Deus.

Estarei em Manaus do dia 1 ao dia 11 de julho, onde atuaremos com evangelismo pessoal de casa em casa, estudos bíblicos, cultos, trabalho com crianças, ação social, etc. Como nunca saí do estado de São Paulo para fazer um trabalho missionário, essa será uma experiência totalmente nova para mim, o que reveste este momento de especial importância.

Peço a oração dos irmãos "para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra, para, com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho" (Ef 6.19).

Não acessarei a Internet enquanto eu estiver lá, mas já deixei algumas postagens programadas para os dias em que estiver ausente. Pretendo manter um diário dessa missão e, posteriormente, publicá-lo aqui no blog Teologia e Vida, para conhecimento e edificação dos irmãos.

Que Deus abençoe vocês!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Conhecendo a Bíblia Sagrada (Parte 1)

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Parte: [1][2]



Este estudo foi elaborado por mim no início de 2004, para ser ministrado aos adolescentes do Grupo Missionário de Adolescentes (GMA), da Igreja do Evangelho Quadrangular do Jardim das Oliveiras. Estas foram as minhas palavras de apresentação ao estudo: "O versículo tema do GMA neste ano se encontra em II Pedro 3:18: '...antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo'. Isso é um dever de todo cristão, o que inclui todos nós. Porém, não há como crescer no conhecimento de Cristo sem constante leitura e estudo da Bíblia. Por isso, iremos começar os estudos deste ano com um estudo sobre a Bíblia, para que possamos conhecê-la melhor, e, por conseqüência, possamos lê-la e estudá-la todos os dias. Que neste ano, realmente cresçamos na graça e no conhecimento de Cristo! Deus nos abençoe!"

“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” (II Timóteo 2:15)

1. O que é a Bíblia

A Bíblia é uma coleção de 66 livros que, pela semelhança de conteúdo, formam um único livro. Todos esses livros foram escritos por Deus. Porém, Ele se utilizou de cerca de 40 homens diferentes, de épocas, culturas, raças e classes sócias diferentes, para cumprir essa tarefa. A Bíblia foi escrita durante um período de 1600 anos, tendo início em 1500 a.C e sendo completada em 100 d.C, aproximadamente. Tendo como autor o próprio Deus, a Bíblia é verdadeiramente a Palavra de Deus.


2. Propósito e mensagem da Bíblia


A Bíblia foi escrita para que o homem pudesse conhecer a vontade de Deus. Sozinho, o homem nunca saberia que é um pecador e que necessita de salvação. Era necessário, portanto, que Deus revelasse ao homem Suas verdades eternas, mas em linguagem compreensível ao ser humano. A forma que Deus escolheu para isso foi a palavra escrita.

Na Bíblia encontramos vários assuntos. Porém, há em toda Bíblia uma mensagem central: a salvação do pecado provida por Deus ao ser humano, pelo sacrifício de Cristo.


3. Nomes da Bíblia


A palavra “Bíblia” não se encontra no texto original da Bíblia. O nome “Bíblia” vem do grego “Biblos”, que significa “Livros”. Esse nome foi dado à Bíblia pela primeira vez no século IV, por um pai da Igreja chamado João Crisóstomo. Na Bíblia encontramos vários nomes que ela dá a si própria. Alguns dos principais são: Palavra de Deus (Hebreus 4:12); Escritura (II Timóteo 3:16) e Escrituras (João 5:39); Sagradas Letras (II Timóteo 3:15); Lei (Salmos 119:97).


4. Características da Bíblia


A Bíblia apresenta certas características que a diferem dos outros livros. Vamos analisar cada uma delas:


4.1. Inspiração



“Toda a Escritura é inspirada por Deus” (II Timóteo 3:16).


Quando dizemos que a Bíblia é inspirada por Deus, queremos dizer com isso que Deus “soprou” sobre determinadas pessoas escolhidas por Ele Sua vontade, Seus pensamentos e a forma como Ele queria que as palavras fossem escritas.1 Isso garantiu que os escritores bíblicos escreveriam exatamente o que Deus queria, impedindo-os de cometerem erros ou omissões, fazendo com que eles registrassem literalmente a Palavra de Deus.

Assim, a Bíblia tem uma autoria dupla, isto é, a autoria divina e a humana. Do lado divino a Bíblia é a Palavra de Deus no sentido de que se originou nEle e é a expressão de Sua mente. Do lado humano certos homens foram escolhidos por Deus para a responsabilidade de receber a Palavra e passá-la para a forma escrita. A própria Bíblia reconhece essa autoria dupla quando, em Mateus 15:4, é dito que Deus ordenou certo mandamento, enquanto que em Marcos 7:10 é dito que foi Moisés quem ordenou esse mesmo mandamento.


4.1.1. Provas da inspiração


A própria Bíblia reconhece sua inspiração:

O Velho Testamento afirma sua inspiração: Várias passagens afirmam isso. Porém, veremos apenas a passagem de II Samuel 23:2, onde Davi, autor de muitos Salmos, afirma a inspiração de suas palavras: “O Espírito do Senhor fala por meu intermédio, e a sua palavra está na minha língua”.

O Novo Testamento afirma sua inspiração: Da mesma forma muitas passagens afirmam a inspiração do Novo Testamento. Porém, vamos nos limitar apenas à passagem de João 16:13, onde Jesus afirma que depois de Sua partida o Espírito Santo estaria guiando os apóstolos a toda a verdade: “...quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir”.

O Novo Testamento reconhece a inspiração do Velho: Jesus e os apóstolos reconheceram isso em diversas passagens. Fica aqui, porém, somente as palavras de Pedro: “Foi a respeito desta salvação que os profetas indagaram e inquiriram, os quais profetizaram acerca da graça a vós outros destinada, investigando, atentamente, qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos referentes a Cristo e sobre as glórias que os seguiriam”.

A Bíblia faz declarações científicas que só foram descobertas posteriormente: Em Isaías 40:22 a Bíblia afirma a esfericidade da Terra, centenas de anos antes dos cientistas descobrirem: “Ele (Deus) é o que está assentado sobre a redondeza da terra...”.

Diversas profecias da Bíblia já se cumpriram: Todas as profecias do Antigo Testamento a respeito de Jesus se cumpriram perfeitamente, e muitas profecias de Jesus sobre os últimos dias estão se cumprindo: “Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes e terremotos em vários lugares...” (Mateus 24:7).

Tudo isso mostra que a Bíblia é realmente inspirada por Deus e não apenas um livro qualquer.


4.1.2. Teorias da inspiração


Existem algumas teorias e concepções erradas a respeito da inspiração, que estaremos vendo aqui.


Inspiração Dinâmica: Segundo essa teoria, Deus inspirou os homens de tal forma que eles se tornaram infalíveis apenas em questões de fé e prática, somente em ensinamentos doutrinários. Isso significa que eles poderiam errar ao relatar detalhes históricos e outros assuntos não doutrinários. Porém, essa teoria é falsa, porque a Bíblia não apresenta nenhum erro em nenhum assunto, seja doutrinário e prático, ou histórico e arqueológico.



Inspiração Mecânica: Segundo essa teoria, Deus apenas ditou aos homens as palavras da Bíblia, não permitindo a participação da personalidade humana no registro bíblico. Essa teoria é falsa porque nega a autoria humana da Bíblia. Se a Bíblia fosse um mero ditado, ela teria somente um único estilo literário. Porém, a Bíblia é variada em seu estilo, e cada autor que escreveu a Bíblia deixou nela o seu jeito de escrever e traços de sua personalidade.



Inspiração dos Conceitos: Segundo essa teoria, Deus somente inspirou os conceitos, não as palavras, deixando aos autores humanos a liberdade de expressarem os conceitos com suas próprias palavras. Porém, essa teoria é falsa, pois a Bíblia afirma claramente que as próprias palavras escritas na Bíblia foram inspiradas por Deus, e não somente os conceitos que elas representam.



4.1.3. A verdadeira inspiração


A verdadeira doutrina da inspiração, ensinada na Bíblia, é chamada de Inspiração Verbal Plenária. É o poder inexplicável do Espírito Santo agindo sobre os autores humanos, conduzindo-os na transcrição da mensagem, de forma que cada palavra escrita seja inspirada por Deus e livre de qualquer erro ou falha humana. Deus usa a personalidade do homem na transcrição da mensagem, permitindo que cada autor conserve seu próprio estilo e ao mesmo tempo registre com exatidão a Palavra de Deus. Jesus ensinou essa doutrina ao afirmar que “é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til sequer da lei” (Lucas 16:17). Ele mostra que mesmo um simples sinal de uma letra da Bíblia é inspirado por Deus.


4.2. Inerrância



“...a Escritura não pode falhar” (João 10:35).


Sendo inspirada por Deus, podemos dizer que ela está completamente livre de erros. Apesar dos autores humanos da Bíblia serem falhos e tão pecadores quanto nós, seus ensinos foram preservados de erros. Isso não significa que os autores da Bíblia não tinham concepções erradas sobre assuntos científicos e similares, mas que, mesmo as tendo, não as registraram na Bíblia. Assim, a Bíblia, na forma como foi originalmente escrita, não apresenta nenhum erro sequer.

Porém, a inerrância da Bíblia não abrange as cópias dos manuscritos originais, mas somente os autógrafos, isto é, os originais. Isso significa que pode haver erros nas cópias dos originais.


4.3. Animação 2


“Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração” (Hebreus 4:12).

Por ser a própria Palavra de Deus, a Bíblia tem vida em si mesma. Animação é o poder que a Bíblia tem de transmitir vida ao ser humano. A Bíblia é viva porque ela é o sopro (espírito) de Deus (João 6:63). A Bíblia possui vida eterna e permanece para sempre (I Pedro 1:23).

A Bíblia é eficaz. A palavra grega para “eficaz” na passagem acima é “energes”, de onde vem a palavra “energia”. Trata-se da energia que a vida vital fornece. Por isso a Bíblia é comparada a uma poderosa espada de dois gumes com poder para cortar, penetrar e discernir. Efésios 6:17 chama a Bíblia de “Espada do Espírito”. Isso porque a Bíblia é o instrumento usado pelo Espírito para realizar o propósito de Deus. Quando o Espírito Santo empunha a Sua Espada uma energia é liberada dela para animar e realizar o seu propósito (Isaías 55:10,11). É com este poder inerente à Palavra de Deus, a Bíblia, que o Espírito Santo convence os contradizentes, porque a Bíblia é como uma dinamite com poder (dinamos, Romanos 1:16) para salvar e destruir.

A Palavra de Deus é como um alimento nutriente que fornece forças (Mateus 4:4). Paulo escrevendo aos tessalonicenses, revela sua gratidão a Deus por haverem eles recebido a Palavra de Deus a qual estava operando (energizando) eficazmente neles (I Tessalonicenses 2:13). Paulo conhecia o poder da Palavra de Deus, por isso recomendou aos anciãos da igreja que a observassem porque ela “tem poder para edificar e dar herança entre todos os que são santificados” (Atos 20:32; João 5:39).

1) É eficaz na regeneração: Comparada com a “água” (João.3:5; Efésios 5:26), a Palavra de Deus tem poder para regenerar, pois ela coopera com o Espírito Santo na realização do novo nascimento.

2) É eficaz na santificação: A Palavra de Deus tem poder para santificar (João17:17). Com efeito, a santificação é pela fé (Atos 15:9) e a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Romanos 10:17).

3) É eficaz na edificação: A Palavra de Deus tem poder para edificar (Atos 20:32).


4.4. Único fundamento de doutrinas



“Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha” (Mateus 7:24,25).


A Bíblia é o único fundamento de doutrinas da Igreja. Isso significa que todo ensino que não esteja de acordo com a Bíblia, ainda que tenha sido dado por um anjo ou alguém muito importante, deve ser rejeitado. Só o que a Bíblia ensina é a Palavra de Deus e nada além disso. Isso não significa que a Bíblia revele todos os segredos do universo. Muitas coisas a Bíblia não diz. Mas tudo o que Deus quer que saibamos está escrito na Bíblia.

A Igreja Católica tem três fundamentos de doutrinas: A Bíblia, a tradição apostólica e o magistério da igreja. Por ser fundamentada em coisas além da Bíblia é que a Igreja Católica caiu no pecado da idolatria e em práticas anti-bíblicas. Por isso, tomemos o devido cuidado para não aceitarmos coisas que estejam além da Bíblia, mesmo que pareçam bastante espirituais.


Observações:

1) É importante observar que a inspiração está relacionada com as Escrituras e não com os autores das mesmas. Existe uma distinção entre a obra do Espírito nos autores humanos das Escrituras, movendo-os (II Pedro 1:21), e a obra Dele nas Escrituras, expirando-as, soprando-as ou, como foi traduzido por Almeida, inspirando-as (II Timóteo 3:16-17). Isso significa que não é correto falar sobre "autores inspirados", como foi incorretamente traduzido o texto de II Pedro 1:21 na Almeida Revista e Corrigida.

2) A seção sobre Animação foi baseada quase em sua totalidade num estudo alheio. Porém, como já faz bastante tempo que fiz este estudo, e como na época não guardei o link do estudo no qual me baseei, não consegui colocar sua referência aqui.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Pregação Puritana: Demonstração de Espírito e de Poder (Parte 3)

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Parte: [1] [2] [3]


Esse texto foi retirado do Diretório de Culto de Westminster, elaborado por puritanos ingleses e terminado em 1644. Através deste texto, que é um verdadeiro manual de pregação, podemos ter alguma idéia do segredo do poder da pregação puritana e do porquê a pregação da maioria das igrejas modernas é tão mesquinha e carente de poder espiritual.

Mas o servo de Cristo, seja qual for seu método, deverá desempenhar seu ministério inteiro:

1. Arduamente, não fazendo o trabalho do Senhor de forma negligente.

2. Claramente, para que o mais simples possa entender, expondo a verdade, não em palavras sedutoras de sabedoria humana, mas na demonstração do Espírito e do poder, para que a cruz de Cristo não seja tornada ineficaz; abstendo-se também de um uso sem proveito de línguas desconhecidas, frases estranhas, e cadência de sons e palavras; citando bem poucas vezes sentenças de escritores teológicos ou outros humanistas, antigos ou modernos, por mais elegantes que sejam.

3. Fielmente, com o olhar voltando à honra de Cristo, à conversão, edificação e salvação das pessoas, e não ao seu próprio proveito ou glória: nada retendo que possa contribuir para a promoção desses santos objetivos, dando a cada um sua própria porção, e mostrando respeito indiferenciado a todos, sem negligenciar o mais simples, ou poupar o maior em seus pecados.

4. Sabiamente, expressando todas as suas doutrinas, exortações, e especialmente suas repreensões, de maneira tal a ter a maior probabilidade de prevalecer, mostrando todo o respeito devido à pessoa e posição de cada indivíduo, sem deixar penetrar qualquer mistura de paixão ou amargura própria.

5. Seriamente, como convém à Palavra de Deus, abstendo-se de todo gesto, voz e expressões que possam dar ocasião a que corrupções dos homens levem a desprezá-lo e a seu ministério.

6. Com afeto amoroso, para que a pessoas vejam tudo procedendo de seu zelo piedoso, e desejo sincero de lhes fazer bem. E

7. Como ensinado de Deus, e persuadido em seu próprio coração, que tudo que ele ensina é a verdade de Cristo; e andando diante do rebanho, como exemplo para eles disso; com empenho sincero, tanto em particular como em público, recomendando seu trabalho à benção de Deus, e atentamente vigilante de si e do rebanho do qual o Senhor o fez supervisor. Assim a doutrina da Verdade será preservada incorrupta, muitas almas serão convertidas e edificadas, e ele próprio receberá múltiplos consolos de sua obra, ainda nesta vida, e depois a coroa da glória reservada para ele no mundo por vir.

Onde houver mais de um ministro numa Igreja, e eles de dons diferentes, cada um pode aplicar-se mais especialmente à doutrina ou exortação, de acordo com o dom em que mais sobressai, e como tenham combinado entre si.

domingo, 13 de junho de 2010

Minha Jornada a Cristo

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Eu, André Aloísio Oliveira da Silva, nasci no dia 21/10/1986, em Campinas, SP, numa família evangélica. Meus pais eram membros da Igreja do Evangelho Quadrangular e desde que nasci freqüentei a igreja com eles, todos os domingos. Por essa razão, eu conheci as Sagradas Letras já na minha infância (2Tm 3.15).

Porém, logo cedo, o pecado original que me acompanhava desde a minha concepção (Sl 51.5) começou a se manifestar em pecados pessoais. Com cinco anos de idade eu já era um grande pecador, provando a veracidade das palavras de Salomão: “A estultícia está ligada ao coração da criança” (Pv 22.15). A mentira era o meu maior prazer e a lascívia dominava todo o meu pensamento. Esses dois pecados me escravizaram por toda a minha vida sem Cristo.

O contato constante com a Palavra de Deus na igreja levava-me à convicção de pecado (Rm 3.19-20). Eu sabia que era um pecador e que meu destino era o inferno (Rm 3.23; 6.23). Ao contrário do que alguns me ensinavam, baseados numa falsa interpretação das Escrituras, dizendo que todas as crianças eram inocentes e seriam salvas, eu me via como um imundo aos olhos de Deus que merecia Sua justa ira. Essa convicção de pecado era tão forte que muitas vezes, enquanto dormia, eu sonhava com o juízo final, no qual Jesus, olhando-me com indignação, lançava-me ao inferno com os demais pecadores (Mt 25.41,46).

Por conta dessa convicção dos meus próprios pecados, muitas vezes eu tentava abandoná-los com a minha própria força. Fazia votos durante o culto de que, à partir daquele momento, seria obediente aos mandamentos de Deus. Porém, essas resoluções eram fruto de justiça própria, preocupando-se apenas com mudanças exteriores (Cl 2.20-23) e não com o coração (Mt 15.11,19). Eu não buscava o livramento dos meus pecados em Cristo, mas na minha própria justiça e obediência, que é como trapo da imundícia (Is 64.6). Assim, tais resoluções não duravam nem uma semana. Tão logo o calor da empolgação passava, eu voltava aos meus pecados, como a porca lavada volta ao lamaçal (2Pe 2.22).

Esses pecados foram se agravando no decorrer da minha infância e pré-adolescência, um pecado levando a outro pecado, um abismo chamando outro abismo (Sl 42.7). Eu estava vivendo como se Deus não existisse. Até que em minha adolescência, ao entrar em contato com as teorias do Big Bang e da Evolução das Espécies, comecei a duvidar da existência de Deus, consumando em minha mente o que já era realidade em minhas ações. Esse foi o ápice da minha rebelião contra Deus e o mais profundo abismo no qual me encontrei.

Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que me amou (Ef 2.4), não me deixou perecer em minha própria miséria. Através de uma série de acontecimentos que começaram no final do ano 2000, Deus começou a manifestar o Seu amor eterno por mim, atraindo-me para Si com bondade (Jr 31.3).

O primeiro deles foi a morte de um amigo muito próximo, que caiu do décimo andar de um prédio em construção, no poço do elevador. Essa morte trágica chocou-me profundamente e levou-me a uma séria reflexão sobre minha própria vida e o que seria de mim após a morte. Percebi a brevidade e a transitoriedade da vida e de todos os seus prazeres, que não teriam valor algum depois da morte (Lc 12.19-20).

O segundo foi um milagre que Deus operou em minha vida. Desde a infância eu tinha verrugas no joelho direito e em alguns dedos das mãos. Cheguei a fazer uma cirurgia para retirá-las na minha pré-adolescência, mas elas voltaram a aparecer. Então, em certo dia, no final de 2000, meu pai resolveu fazer uma oração para que Deus me curasse dessas verrugas. Milagrosamente, poucos dias depois, todas as verrugas desapareceram completamente! Fiquei maravilhado com o fato e, como meu coração já estava sendo amolecido desde a morte de meu amigo, passei a aceitar a realidade da existência de Deus.

O terceiro foi um programa de TV, no início de 2001, onde determinado pregador argumentava em favor da ressurreição de Jesus. Nessa época eu ainda não estava plenamente convencido de que Jesus havia ressuscitado dentre os mortos. Mas aquele pregador, argumentando que os primeiros discípulos não aceitariam morrer por uma mentira, e usando muitos outros argumentos, conseguiu me persuadir da ressurreição de Cristo.

Durante esses acontecimentos eu desenvolvi um interesse histórico pela Bíblia. Eu gostava muito de estudar História e passei a ler a Bíblia para conhecer sua visão sobre a origem dos povos e outros assuntos de caráter histórico. Além disso, comecei a ler alguns livros evangélicos, também por pura curiosidade. Porém, através dessas leituras despretensiosas, Deus começou a trabalhar em meu coração, mostrando a necessidade que eu tinha de Cristo para ser salvo de todos os meus pecados (At 16.31).

Todos esses acontecimentos tiveram seu desfecho em um dia de fevereiro ou março de 2001, aos meus 14 anos. Que dia bendito foi aquele! Meus pais estavam brigando e eu me tranquei em meu quarto. Comecei a chorar em profusão. Senti mais do que nunca o peso dos meus pecados. Eu sabia que merecia todo aquele sofrimento e, mais ainda, uma eternidade de sofrimento, por causa dos meus pecados. Entre lágrimas e soluços, eu tentei fazer breves orações. Senti a minha miséria e pequenez e o quanto eu dependia e precisava de Deus. Então, peguei meu caderno de anotações e comecei a escrever várias frases simples e desconexas, com pensamentos que vinham espontaneamente à minha mente, memórias do que eu havia lido no Evangelho de João:

“Deus é o único e Seu amor é incomparável” – “É o Criador, o eterno e perfeito Deus” – “Sua misericórdia é imensa e Seu plano para a humanidade maravilhoso” – “É o Deus Todo-Poderoso que opera grandiosos milagres” – “É o Senhor da justiça, pois Seu julgamento é justo” – “A Sua glória se eleva dentre os povos da terra” – “A Sua luz resplandece nas trevas e o inimigo não prevalece contra ela” – “Mandou à terra Seu único Filho, para nos salvar do pecado” – “Para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” – “Deus é maravilhoso, o nosso Pai, em quem podemos confiar” – “É o consolo na hora das dores, o perdão na hora dos erros e a vitória na hora da salvação” – “Deus é amor, a luz do mundo e a salvação dos perdidos” – “Deus é a sabedoria que triunfa sobre as trevas da ignorância”.

À medida que eu escrevia, derramando lágrimas e chorando audivelmente, algo aconteceu. Eu vi o Senhor Jesus Cristo de uma forma que nunca O havia visto antes. Vi-O como meu Salvador pessoal, Aquele que havia morrido por mim e poderia me salvar completamente de todos os meus pecados. Ele não era apenas o Salvador, Ele era o “meu” Salvador (1Tm 1.15). Naquele momento, ainda que minha mente estivesse confusa em meio a tantos pensamentos e sentimentos, eu abandonei toda confiança em minha própria força, confiei Nele para a salvação (Sl 20.7) e uma paz encheu o meu coração (Fp 4.7).

Eu não entendi imediatamente o que aconteceu. Mas à medida que os dias passavam notei uma mudança em meus desejos e atitudes. Agora eu desejava ler a Bíblia, orar, falar de Cristo aos meus amigos da escola e viver em santidade, e esses desejos se manifestavam em minhas atitudes. Por outro lado, eu já não sentia o mesmo prazer na mentira e na lascívia, desejando, pelo contrário, viver longe delas.

Assim, olhando retrospectivamente para aquele glorioso dia, reconheci que lá estava a fonte de todas essas mudanças. Aquele foi o dia do meu novo nascimento (Jo 3.3,5; 2Co 5.17)! O Deus que uma vez disse “das trevas resplandecerá a luz”, Ele mesmo resplandeceu em meu coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo (2Co 4.6). Ele me ressuscitou espiritualmente e me fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus, para mostrar a suprema riqueza da Sua graça, em bondade para comigo (Ef 2.6-7). Curou-me da cegueira espiritual e abriu-me os olhos para que pudesse olhar para Cristo, pela fé, e ser salvo (Is 45.22). Trocou meu coração de pedra por um coração de carne, disposto a obedecer-Lhe (Ez 11.10-20). Perdoou completamente todos os meus pecados e me justificou gratuitamente pela graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, de modo que já nenhuma condenação há para mim (Rm 3.23; 5.1; 8.1). O encontro com a Verdade livrou-me das minhas mentiras e ao desfrutar dos eternos prazeres da presença de Deus (Sl 16.11) abandonei os prazeres lascivos!

Alguns meses depois, dia 15/11/2001, fui batizado nas águas, em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, testemunhando publicamente minha fé em Cristo, que pode ser resumida em uma palavra: graça. Creio que foi pela graça que Deus enviou Seu Filho ao mundo para morrer por mim há dois mil anos atrás (Jo 3.16). Foi pela graça que Deus, através de Seu Espírito, me salvou há nove anos (Ef 2.8-9). É pela graça que tenho sido sustentado a cada dia em minha peregrinação neste mundo e serei sustentado até o fim (2Ts 2.16-17). Nada do que sou, tenho ou faço é propriamente meu; pelo contrário, tudo é graça (1Co 15.10; 1Co 4.7; Jo 15.5). E é essa maravilhosa graça que me permite afirmar com todo o meu coração:

“Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim”
(Gl 2.19-20).

“Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para conseguir Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé; para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte; para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos”
(Fp 3.7-11).

Veja também:

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Pregação Puritana: Demonstração de Espírito e de Poder (Parte 2)

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Parte: [1] [2] [3]


Esse texto foi retirado do Diretório de Culto de Westminster, elaborado por puritanos ingleses e terminado em 1644. Através deste texto, que é um verdadeiro manual de pregação, podemos ter alguma idéia do segredo do poder da pregação puritana e do porquê a pregação da maioria das igrejas modernas é tão mesquinha e carente de poder espiritual.

O mensageiro não deve demorar tanto na doutrina geral, muito embora não esteja tão esclarecida e confirmada assim, como deve caminhar para seu uso específico, aplicando-a aos ouvintes: aplicação esta que, mesmo provando ser uma obra de grande dificuldade para ele próprio, requerendo muita prudência, zelo e meditação, e sendo desagradável para o homem natural e corrupto, contudo, cabe-lhe a tentativa de fazer cumprir isso de modo tal que os ouvintes possam sentir a Palavra de Deus como penetrante e poderosa e discernidora dos pensamentos e intentos do coração; e, no caso de estar presente qualquer pessoa incrédula ou ignorante, que ela possa ter manifestos os segredos de seu coração e dar glória a Deus.

Ao explicar o uso, ou aplicação prática, das instruções ou informações sobre o conhecimento de alguma verdade, que venha como conseqüência da doutrina apresentada, ele poderá (quando conveniente) confirmá-la com alguns argumentos firmes do texto em mãos, e de outros textos da Escritura, ou pela natureza daquele ponto comum da teologia do qual aquela verdade é derivada.

Na contestação de doutrinas falsas, ele nem deverá ressuscitar do túmulo uma antiga heresia, nem mencionar desnecessariamente uma opinião blasfema: mas se as pessoas estão em perigo de um erro, ele deve refutá-lo redondamente e procurar satisfazer os juízos e a consciência delas contra todas as objeções.

Na exortação a obrigações, quando observar uma necessidade, ele deverá juntamente ensinar os meios que auxiliem sua execução.

Na dissuasão, repreensão e admoestação públicas (que requerem sabedoria especial) que ele, quando existir motivo, não só descubra a natureza e gravidade do pecado, com a miséria decorrente, mas que também mostre o perigo que seus ouvintes têm de ser alcançados e surpreendidos nele, juntamente com os remédios e a melhor maneira de evitá-lo.

Na aplicação de consolo, quer em geral contra todas as tentações, ou contra alguns problemas ou pavores especiais, que ele seja cuidadoso em responder a objeções tais como as que poderão sugerir em contrário um coração atribulado e espírito angustiado.

Também por vezes é necessário apresentar algumas observações sobre provações (o que é muito proveitoso, especialmente quando feitas por ministros capazes e experimentados, que tenham recato e prudência, e as indicações claramente fundamentadas na Bíblia Sagrada) pelas quais os ouvintes possam se examinar, para ver se já conseguiram aquelas graças, e realizaram aquelas obrigações às quais ele exorta, ou se são culpados daquele pecado, repreendidos, e em perigo das ameaças dos juízos, ou se são dos tais a quem pertencem as consolações apresentadas; para que, após exame, de acordo com sua condição, possam ser avivados e incitados ao dever, humilhados por suas deficiências e pecados, movidos pelo perigo em que estão, e fortalecidos com o consolo, conforme requeira sua condição.

E como ele nem sempre precisa levar até o fim cada doutrina encontrada em seu texto, assim ele deve, sabiamente, selecionar os usos que ele julgar mais necessários e oportunos, de acordo com o que mostra seu convívio e conversas com seu rebanho; e dentre estes, os que sejam tais que possam melhor atrair a alma deles a Cristo, a fonte de luz, santidade e consolo.

Este método não é prescrito como necessário para todos os homens, ou sobre todos os textos; mas só é recomendado por ter sido verificado, por experiência, como sendo grandemente abençoado por Deus, e de grande auxílio aos entendimentos e lembranças.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Pregação Puritana: Demonstração de Espírito e de Poder (Parte 1)

3 comentários

Parte: [1] [2] [3]


Esse texto foi retirado do Diretório de Culto de Westminster, elaborado por puritanos ingleses e terminado em 1644. Através deste texto, que é um verdadeiro manual de pregação, podemos ter alguma idéia do segredo do poder da pregação puritana e do porquê a pregação da maioria das igrejas modernas é tão mesquinha e carente de poder espiritual.

A pregação da Palavra, sendo o poder de Deus para a salvação, e uma das maiores e mais excelentes obras que cabem ao ministério do Evangelho, deve ser realizada de modo tal que o obreiro não precise se envergonhar, mas possa salvar-se e àqueles que o ouvem.

É pressuposto (conforme as Regras da Ordenação) que o ministro de Cristo seja em alguma boa medida dotado para tão importante trabalho, pela sua habilidade nas línguas originais, e nas artes e ciências que são como servas da Teologia, pelo seu conhecimento de todo o corpo da Teologia, porém sobretudo das Escrituras Sagradas, tendo seus sentidos e coração exercitados nelas mais do que os crentes comuns; e pela iluminação do Espírito de Deus e outros dons de edificação que (junto com a leitura e estudo da Palavra) ele deve buscar ainda por meio de oração e com o coração humilde, resolvido a admitir e receber qualquer verdade a que ainda não tenha chegado, sempre que Deus lha torne conhecida. Tudo isso ele deve aproveitar, e melhorar, em sua preparação particular, antes de entregar de público o que ele providenciou.

Comumente, o assunto de seu sermão deverá ser algum texto bíblico que exponha algum princípio ou título de religião; ou adequado a alguma ocasião especial emergente; ou então ele poderá dar seguimento em algum capítulo, Salmo ou livro da Escritura Sagrada, como ele julgar conveniente.

Que a introdução de seu texto seja breve e perspicaz, tirada do próprio texto, ou contexto, ou de algum lugar paralelo, ou sentença geral da Escritura.

Se o texto for longo (como em histórias e parábolas deve por vezes ser), que ele faça um breve resumo do mesmo; se curto, uma paráfrase dele, se necessário; em ambos, olhando diligentemente pela abrangência do texto, e chamando a atenção para os cabeçalhos principais e bases de doutrina que dali irá levantar.

Ao analisar e dividir seu texto, ele deverá olhar mais para a ordem do assunto do que a ordem das palavras; e nem deverá onerar a memória dos ouvintes no começo, com divisões (e subdivisões) demais, nem preocupar a mente deles com palavras literárias obscuras.

Ao tirar doutrinas do texto, seu cuidado deverá ser: primeiro, que a questão seja a verdade de Deus. Segundo, que seja uma verdade contida ou baseada naquele texto, para que os ouvintes possam discernir como Deus a ensina partindo dali. Terceiro, que ele insista principalmente naquelas doutrinas a que o texto pretendeu dar prioridade, e faça o máximo pela edificação dos ouvintes.

A doutrina deverá ser expressa em termos claros; ou se algo nela precisar de explicação, isso deverá ser exposto, e sua conseqüência esclarecida também pelo texto. Convém que os textos paralelos da Escritura que confirmam a doutrina sejam mais claros e pertinentes do que numerosos, e (se for preciso) deve-se insistir neles, e aplicá-los ao propósito do momento.

Os argumentos ou razões serão sólidos; e, tanto quanto possível, convincentes. As ilustrações, de qualquer natureza, deverão iluminar o texto, e serem aptas a transmitir a verdade ao coração dos ouvintes com deleite espiritual.

Se qualquer dúvida óbvia aparecer, pela Escritura, pelo raciocínio ou pelo preconceito dos ouvintes, é então necessário tirá-la, reconciliando as diferenças aparentes, respondendo às razões, averiguando e tirando as causas de preconceito e erro. Mas, a não ser que por essas causas, não convém deter os ouvintes expondo ou atendo a sofismas vãos ou iníquos, os quais são intermináveis, de sorte que propô-los e respondê-los irá mais impedir do que promover a edificação.
 

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