domingo, 31 de janeiro de 2010

Romanos 9 para um Arminiano

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Como você recebia Rm 9 quando era arminiano? by:Marcelinho :-p

Boa pergunta. Como todo bom arminiano, eu procurava evitar textos como Romanos 9 e outros que falam da soberania de Deus, procurando me focar em textos que supostamente falam do amor de Deus por todos (Jo.3.16) e do livre-arbítrio do homem (Ap.22.17). No entanto, como o capítulo 9 de Romanos está na Bíblia, e eu sempre cri na inspiração de todas as Escrituras, eu não podia simplesmente ignorar esse e outros textos.

Assim, meu entendimento dessa passagem era o entendimento arminiano padrão: Jacó e Esaú na passagem não são indivíduos, mas nações, já que a citação de Paulo, "Amei Jacó e aborreci Esaú", é retirada de Malaquias 1.2-3, onde Deus está tratando com Israel e com Edom como povos. Além disso, eu entendia que esse amor por Jacó e aborrecimento de Esaú não se referiam ao destino eterno de ambos, mas apenas a bênçãos e maldições temporais.

Quanto ao versículo 15, "Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão" e ao versículo 18, "Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz", eu seguia o seguinte raciocínio: Deus quer ter misericórdia daqueles que se arrependem, e quer endurecer aqueles que a si mesmos se endurecem. Com esses raciocínios que eram verdadeiras distorções da argumentação de Paulo eu tentava salvaguardar o livre-arbítrio humano.

Você talvez se pergunte como eu conseguia conciliar esse entendimento distorcido com o teor total da passagem que apresenta Deus como absolutamente soberano, como fica evidente nos versículos 11 e 12, "E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), já fora dito a ela: O mais velho será servo do mais moço", e no versículo 16, "Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia". Ou então, como minha interpretação da passagem naturalmente levava à queixa do versículo 19 que Paulo responde nos versículos seguintes: "De que se queixa ele ainda? Pois quem jamais resistiu à sua vontade?". A resposta é que eu não me esforçava para entender essas contradições da minha interpretação e procurava me contentar com ela, apesar de no fundo me sentir extremamente incomodado. No dia em que eu realmente me debrucei sobre o texto e o estudei em oração e sinceridade para com o raciocínio de Paulo, ou melhor dizendo, do Espírito Santo, eu me tornei um calvinista.

Minha jornada ao Calvinismo pode ser lida com maiores detalhes aqui.

Pergunte-me qualquer coisa

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Irresistível Amor

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Irresistível Amor

Ele era meu inimigo mortal, O odiava
Fugia Dele, o mais longe possível
Ria de Suas Palavras e blasfemava
Considerava-O uma lenda desprezível

Até que um dia percebi minha tolice
Vi, pela fé, o Justo na cruz sangrando
Nunca sonhei que um amor assim existisse
Como passei tanto tempo O ignorando!

Amor divino, que me conquistou
Graça maravilhosa, que me perdoou
Quem é como Jesus, meu Senhor?
Meu coração O louva, fascinado
Cada vez mais O desejo ao meu lado
Eterno, gracioso, irresistível é o Seu amor!

domingo, 24 de janeiro de 2010

Resenha: Livro Justification and Regeneration (Charles Leiter)

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Este livro trata de dois temas centrais no Evangelho: a justificação e a regeneração.

No primeiro capítulo o grande problema humano - o pecado - é apresentado com vários detalhes, e os dois grandes lados desse problema são mostrados: o problema interno, que consiste em um coração mal, e o problema externo, que consiste em uma posição judicial má diante de Deus. Esses dois problemas são a razão de ser das duas doutrinas evangélicas que serão apresentadas no decorrer do livro.

Nos capítulos 2 e 3, a doutrina da justificação é apresentada como a solução para o problema externo do homem, sua posição má diante de Deus. Deus é justo e não pode tolerar o pecado. O homem, por outro lado, é injusto por causa do pecado e merece a condenação eterna. Como, então, pode ser o homem justo diante de Deus? A solução para esse problema foi a vinda de Jesus ao mundo para viver e morrer no lugar do homem, de modo que, pela Sua justiça, os homens pudessem ser justificados, não por uma infusão de justiça, mas pela imputação da justiça de Cristo à conta deles. Nisso consiste a justificação, que é o coração do Evangelho. Sete verdades são apresentadas em relação à justificação: 1) Ela é baseada no sangue de Cristo e é a justiça Dele que nos é imputada como justiça; 2) Ela significa "declarar alguém como justo" e não "fazer alguém justo"; 3) Ela não tem graus ou gradações, mas é um ato único; 4) Ela é mais do que perdão; 5) Ela é tanto positiva (imputação de justiça) quanto negativa (perdão de pecados); 6) Ela é de uma vez por todas, não podendo ser perdida, nem repetida; 7) Ela é recebida pela fé. A apresentação da doutrina da justificação é breve, mas muito clara, didática, bíblica e ortodoxa.

No capítulo 4, a doutrina da regeneração é apresentada como a solução para o problema interno do homem, seu coração mal. Deus não apenas declara o homem justo externamente, Ele também opera uma mudança moral internamente, de modo que o homem possa obedecer à Lei de Deus voluntariamente e com prazer. A justificação e a regeneração, ainda que atos distintos, são inseparáveis. Todo aquele que foi justificado também é regenerado.

Nos capítulos seguintes, do 5 ao 13, nove representações bíblicas da regeneração são apresentadas, cada uma mostrando a regeneração de um aspecto diferente: 1) Uma nova criação; 2) Um novo homem; 3) Um novo coração; 4) Um novo nascimento; 5) Uma nova natureza; 6) Uma crucificação e ressurreição; e uma mudança de reinos, 7) Da carne ao Espírito; 8) Da terra ao Céu; 9) Do pecado à Justiça.

Nesses capítulos Charles Leiter trata a regeneração com uma profundidade que eu nunca tinha visto em lugar algum. Normalmente, quando este tema é apresentado, o foco sempre é a conseqüência da regeneração, como a mudança da vontade, o arrependimento e a fé, a nova vida de santidade que brota dela, etc. No entanto, eu nunca havia visto uma análise da própria natureza da regeneração, do que ela realmente consiste. Leiter faz isso, e o faz de maneira magistral e bíblica. Chamo a atenção para o fato de Leiter argumentar biblicamente que a velha natureza do cristão já foi crucificada e sepultada, e que agora o seu verdadeiro ser é a nova natureza. Ao contrário da opinião popular, o cristão não é um ser dualístico, com duas naturezas, a velha e a nova, que lutam entre si. A velha natureza já morreu e o pecado que ainda permanece no cristão não está no que ele realmente é, a nova natureza, mas no aspecto mais externo do seu ser, na carne ou corpo do pecado, que é o próprio corpo físico corruptível. A santidade, pois, consiste em reconhecer o que de fato somos como novas criaturas e mortificar os feitos do corpo. Essa posição de Leiter é defendida por David Martyn Lloyd-Jones em suas exposições de Romanos, do capítulo 6 ao 8, e também é encontrada em alguns puritanos do século XVII.

O livro se encerra com dois capítulos, 14 e 15, que continuam as representações da mudança de reinos, mas abarcando nessas representações tanto a justificação quanto a regeneração: 1) Da lei à Graça; e 2) De Adão a Cristo. Nesse último capítulo especialmente, a doutrina da união com Cristo é apresentada como a grande realidade que torna possível a justificação, a regeneração e todas as bênçãos espirituais que temos em Cristo. Um final digno de um livro desse naipe.

O livro contém quatro apêndices muito úteis: A) Um sumário da regeneração com vários versículos; B) Uma explicação de I João 3.4-9, onde o apóstolo diz que o cristão não pode pecar; C) Uma explicação de Romanos 7, principalmente do "eu" dos versículos 14 a 25, mostrando como ele não é um cristão, mas alguém que foi convencido do pecado pela Lei; D) Um sumário de todas as bênçãos espirituais que temos em Cristo.

Este é um livro excelente, muito claro, didático e bíblico, e certamente um dos melhores que já li em minha vida. Leitura obrigatória para todos aqueles que desejam um conhecimento mais profundo da justificação e, principalmente, da regeneração.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Spurgeon e a Expiação Limitada

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Este texto foi retirado de uma nota de rodapé do livro Entre os Gigantes de Deus (J.I. Packer).

Freqüentemente, dizem que nós limitamos a expiação realizada por Cristo, porque asseveramos que Cristo não efetuou expiação por todos os homens ou que todos os homens não serão salvos. Portanto, nossa resposta a isso é: por um lado, os nossos oponentes é que limitam a expiação, e não nós. Os arminianos dizem: Cristo morreu por todos os homens. Pergunte-lhes o que eles querem dizer com isto. Cristo, de fato, morreu a fim de assegurar a salvação de todos os homens? Eles responderão: “Claro que não”. Nós lhes dirigimos a próxima pergunta: Cristo morreu para assegurar a salvação de qualquer homem em particular? Eles responderão: “Não. Cristo morreu a fim de que qualquer homem pudesse ser salvo, se...”; então, seguem algumas condições para a salvação. Portanto, quem é que limita a morte de Cristo? Você. Por que, você? Porque você afirma que Cristo não morreu para assegurar infalivelmente a salvação de qualquer pessoa. Pedimos-lhe perdão; mas, quando você afirma que nós limitamos a morte de Cristo, nós lhe respondemos: “Não, meu amado, é você quem o faz”. Nós declaramos que Cristo morreu a fim de assegurar infalivelmente a salvação de uma multidão de pessoas que ninguém pode enumerar; não apenas para que, por intermédio da morte de Cristo, pudessem ser salvas, mas sejam salvas, serão salvas e, de maneira alguma, correm o risco de deixarem de ser salvas. Você está satisfeito com a sua doutrina da expiação; fique com ela. Jamais abandonaremos a nossa.

O que significa Teologia e Vida

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Escreva de maneira sucinta sobre o sentido desses dois temas: Teologia e Vida!

"Teologia e Vida" foi um nome cunhado por mim com o objetivo de expressar a verdade contida em João 13.17 e em toda a Escritura: "Ora, se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes". Ou seja, não basta conhecer, é preciso praticar. Por outro lado, não é possível praticar sem conhecer. Assim, Teologia e Vida expressa a inseparabilidade da ortodoxia e da piedade, da doutrina e da prática, do conhecimento e da experiência, da verdade e da caridade, da fé e das obras, da razão e da emoção, ou, como diria Jonathan Edwards, da luz e do calor. Calvino expressou isso de forma perfeita: "O Evangelho não é uma doutrina de língua, senão de vida. Não pode assimilar-se somente por meio da razão e da memória, senão que chega a compreender-se de forma total quando ele possui toda a alma, e penetra no mais íntimo recesso do coração" (João Calvino).

Pergunte-me qualquer coisa

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A diferença entre o Cristianismo e as demais religiões

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Este texto foi retirado do livro Verdades que Transformam (James Kennedy).

Alguém já disse que esta vida se assemelha ao caso de um homem que caiu em um buraco – um profundo, terrível e imundo buraco, com uma horrenda serpente a fazer-lhe companhia lá dentro, a qual o homem procura evitar.

Pois bem, eis que chega um animista. Olha para dentro do buraco e vê a serpente. Seus olhos esbugalham-se e ele foge para a floresta, para que algum espírito maligno não o empurre para dentro do buraco também.

Mais tarde, chega um seguidor de Confúcio, o qual diz: “Ah, os grandes homens nunca caem em buracos, mas andam circunspectos, e, por isso mesmo, cuidam onde põem os pés”.

Chega o hindu, e afirma: “Ah, meu irmão, você pensa que está em um grande buraco escuro, mas isso é apenas um equívoco de sua mente mortal. O fato é que tudo é Brama e Brama é tudo, e este mundo externo é apenas uma ilusão. Esse buraco não existe, e nem existe esta serpente, e tudo terminará bem... paz”.

Aproxima-se então o muçulmano, que percebe o homem dentro do buraco e lhe diz: “Eu o ajudarei, meu amigo”, e então estende o braço, segura a mão do homem e começa a puxá-lo para fora. A meio caminho, entretanto, toma um punhal e indaga: “Você quer tornar-se um islamita, não quer?”. E o homem retruca: “Nunca farei isso!”. E lá se vai o homem de volta para o fundo.

Depois chega o budista, o qual olha para baixo e assevera: “Prezado amigo, você está sofrendo tanto nesse buraco, sem saber que o motivo de seu sofrimento é que você deseja sair do mesmo. O que você precisa fazer é pôr fim a todos os seus desejos, e então você não se importará mais por estar dentro desse buraco”.

Finalmente, chega Jesus e olha compassivamente para o homem no interior do buraco, naquela cova horrível e imunda. Jesus salta entre o homem e a serpente, a qual recua a feia cabeça e, com um golpe, fere o Salvador com suas presas, em Seu lado. Enquanto o veneno da serpente flui para a corrente sangüínea de Jesus, Ele tira o homem do buraco.

Isso, meus amigos, é o ato do nosso Salvador. Essa é a grande diferença entre o Cristianismo e todas as outras religiões.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Depravação Total e Soberania de Deus

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Este texto é um e-mail enviado por mim, dia 09/01/2010, a um irmão com dúvidas sobre a depravação total e a soberania de Deus.

Estou bem, graças a Deus. E você, como está? Lembro-me de você sim.

Respondendo suas perguntas:

1) "Segundo a depravação total ninguém por si próprio consegue deixar a condição de pecador. Então, como Adão deixou a condição de salvo para ser um pecador? Ou ele não era um escolhido?"

A doutrina da Depravação Total ensina que, depois do pecado de Adão, todos os seus descendentes foram corrompidos de tal modo que não podem, por si mesmos, abandonar o pecado e escolher a Deus. Logo, não havia depravação total antes do pecado de Adão, e ele não foi criado depravado.

Por outro lado, a doutrina da Perseverança dos Santos ensina que aqueles que foram escolhidos por Deus na eternidade, por quem Cristo morreu na cruz e que foram regenerados pelo Espírito quando ouviram o Evangelho, nunca perderão sua salvação, mas serão preservados por Deus até a segunda vinda de Cristo, quando seus corpos serão glorificados para serem semelhantes ao de Jesus.

Agora, é importante notar que essas duas doutrinas se aplicam a pecadores, já que onde não há pecado não há depravação total, e sem pecado não há necessidade de salvação. Isso significa que elas não se aplicavam a Adão antes de sua queda. A situação de Adão antes da queda não era a mesma do salvo por Cristo. Deus criou Adão com a capacidade de escolher entre o bem e o mal (Gn.2.16-17) e, ainda que ele tenha sido criado santo (Gn.1.27), ele poderia cair desse estado de santidade, o que de fato aconteceu (Gn.3.6).

Mas isso não significa que Adão não era um escolhido. Após sua queda, o texto bíblico deixa implícito que Deus mesmo fez o primeiro sacrifício animal pelo pecado do homem (Gn.3.21), simbolizando o sacrifício perfeito que seria oferecido por Seu Filho Jesus Cristo de uma vez por todas (Hb.10.12), e que Deus prometeu no chamado proto-evangelho: "Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar" (Gn.3.15). Se Adão recebeu essa promessa pela fé, o que é muito provável, ele foi salvo e, obviamente, era um escolhido.

2) "Se era, por que Deus deu ínicio a isso tudo, se poderia ter resolvido tudo ali mesmo? E mais, como Deus predestinaria um homem a ser um estuprador, sendo sua vítima um escolhido?"

Nós sabemos que Deus criou o mundo e determinou toda a história com um propósito bem definido: Sua própria glória (Rm.11.36) e o bem dos Seus escolhidos (Rm.8.28). Sendo assim, podemos dizer que a forma como as coisas aconteceram, acontecem e acontecerão é a melhor possível para que esse propósito de Deus seja cumprido.

Se Adão não tivesse caído, Jesus não teria se encarnado, morrido e ressuscitado para a salvação dos Seus escolhidos, e Deus não seria glorificado por Seu amor e graça ao salvá-los. Por outro lado, Deus não seria glorificado como justo ao condenar o pecado e aqueles que o praticam.

Vemos como a queda de Adão já estava nos planos de Deus na eternidade quando descobrimos que a vinda de Jesus ao mundo já havia sido determinada de antemão. Ele é o Cordeiro morto desde a fundação do mundo (Ap.13.8) e foi entregue pelo determinado desígno e presciência de Deus (At.2.23).

Quanto ao caso hipotético do estuprador, Deus determina as coisas de tal modo que o estruprador é inteiramente responsável pelo seu próprio pecado, e o eleito, que é a sua vítima, é beneficiado por esse mal, que Deus tornará em bem (Gn.45.7-8; 50.20).

Hoje nós podemos não entender perfeitamente como todas as coisas, mesmo as más, cumprirão o supremo propósito de Deus de glorificar a Si mesmo e dar alegria ao Seus eleitos, porque ainda vemos em parte. Mas quando todo o quebra-cabeça da história estiver montado, veremos a sabedoria de Deus impressa em cada uma das peças.

Essa é a resposta bíblica para essa questão e é o máximo que podemos dizer. Não devemos querer saber mais do que devemos, ultrapassando o que está escrito (I Co.4.6), pois "as coisas encobertas pertencem ao SENHOR" (Dt.29.29). Nem devemos questionar a Deus sobre a forma como Ele lida com o mundo: "Acaso, dirá o barro ao que lhe dá forma: Que fazes? Ou: A tua obra não tem alça" (Is.45.9); "Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?" (Rm.9.20). Devemos, pelo contrário, nos curvarmos em adoração juntamente com Paulo: "Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!" (Rm.11.36).

Espero ter ajudado. Qualquer dúvida, fique à vontade para perguntar.

Que Deus te abençoe!

Pré-conhecimento no Arminianismo e no Calvinismo

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Este texto é um e-mail enviado por mim, dia 06/05/2009, a um irmão que me perguntou o que é o pré-conhecimento de Deus na visão de um arminiano.

Você me perguntou sobre o que é pré-conhecimento para um arminiano. Na visão do arminiano, como Deus é onisciente e conhece todas as coisas, Ele também conhece o futuro e todas as decisões que suas criaturas irão tomar. Assim, Deus sabe quem irá escolhê-lo e quem irá rejeitá-lo, e Deus escolhe na eternidade aquelas pessoas que Ele já sabe que irão escolhê-lo. Ou seja, a eleição divina é baseada na escolha humana.

Para o calvinista Deus também é onisciente e conhece todas as coisas (Sl.139.1-6), inclusive o futuro (Is.46.9-10). No entanto, para o calvinista Deus não só conhece o futuro, é Ele próprio quem determina o futuro e todos os seus acontecimentos. Deus não sabe o futuro simplesmente porque Ele prevê o que irá acontecer, mas porque Ele mesmo planejou tudo o que acontece (Sl.139.16; Dn.4.35; At.2.23; 4.28). Assim, Deus escolhe aqueles a quem Ele quer, por pura graça e misericórdia (Jo.15.16; Ef.1.3-14), e aqueles a quem Ele escolheu na eternidade O escolherão no tempo (At.13.48). Ou seja, a eleição divina é baseada somente na vontade de Deus. Depende apenas de Deus, que exerce misericórdia (Rm.9.11-18).

A visão do arminiano é incorreta, porque se Deus escolhesse aqueles que Ele sabe que O escolherão, então ninguém seria escolhido, porque ninguém escolheria a Deus por conta própria (Jo.5.40). O homem foi de tal forma depravado pelo pecado que não tem a mínima vontade de servir a Deus (Rm.3.10-20). É Deus quem tem que tomar a iniciativa, escolhendo o pecador na eternidade e regenerando seu coração através do Espírito no tempo, para que o homem esteja disposto a escolhê-lo (At.16.14), arrependendo-se e crendo (At.11.18; Fp.1.29).

sábado, 9 de janeiro de 2010

10 melhores livros em 2009

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Motivado pelas postagens dos irmãos Allen Porto e Pr. Juan de Paula, decidi também publicar uma lista com os dez melhores livros lidos por mim em 2009.



A obra-prima de João Calvino, constituída por quatro livros: o conhecimento de Deus Criador, o conhecimento de Deus Redentor, a maneira de receber a graça de Cristo e os meios exteriores da graça. Excelente para quem quer conhecer João Calvino e o seu pensamento direto da fonte. E mais do que isso, para quem deseja melhor manejar a Palavra da Verdade.







O livro mais vendido no Ocidente, depois da Bíblia. Bunyan conta uma grande alegoria sobre a viagem do Cristão até a Cidade Celestial. Spurgeon lia esse livro todos os anos, e desde 2005 eu tenho feito o mesmo. Este é um livro que não pode faltar na prateleira de nenhum cristão.








Este é o livro onde John Piper apresenta a chamada Teologia da Alegria com maior clareza e argumentos: Deus é mais glorificado em nós quando estamos mais satisfeitos Nele. Ou, como diria o Breve Catecismo de Westminster, “O fim principal do homem é glorificar a Deus AO gozá-lo para sempre”. Ou seja, a alegria do homem em Deus e a glória de Deus estão em plena harmonia. Excelente para quem quer uma espiritualidade mais profunda, fundamentada na Palavra.





Neste livro, John Piper apresenta Deus como o dom mais essencial do Evangelho. Acima do perdão, da justificação, da regeneração, da adoção e de todas as demais bênçãos prometidas no Evangelho, a maior é que desfrutaremos do próprio Deus, ao contemplarmos Sua glória na face de Cristo. Recomendado para quem deseja enxergar a salvação de uma perspectiva tão ampla que é de tirar o fôlego.







Uma excelente apresentação dos atributos de Deus com clareza, profundidade, biblicidade e piedade, como é próprio de Pink. Ideal para quem deseja conhecer mais a Deus através do ensino das Escrituras.









Uma série de exposições de D.M. Lloyd-Jones, sobre Romanos 8.17-38, pregadas entre 1961 e 1962. Lloyd-Jones expõe essa passagem de forma magistral, com seu estilo peculiar, apresentando a grande doutrina da perseverança dos santos, segundo a qual aqueles que foram salvos por Deus serão preservados por Ele até o fim. Este é um livro interessante mesmo para aqueles que não leram as exposições anteriores de Lloyd-Jones.






John Stott apresenta com clareza e forte argumentação bíblica o batismo com o Espírito Santo, a plenitude do Espírito Santo, o fruto do Espírito e os dons espirituais. Um livro excelente para quem quer entender melhor a obra do Espírito Santo na vida do cristão.









Uma das obras mais importantes de Agostinho, constituída de quatro livros: as verdades a serem descobertas nas Escrituras, os sinais a serem interpretados nas Escrituras, as dificuldades a serem dissipadas nas Escrituras e a maneira de ensinar a doutrina. Neste livro, a Teologia da Alegria é bastante evidente, sendo Deus apresentado como o prazer supremo a ser desfrutado pelo homem. Especialmente recomendado para aqueles que desejam beber da mesma fonte da qual beberam homens como Blaise Pascal, Jonathan Edwards, C.S. Lewis e John Piper.





Sete livros contando a melhor história fantástica já escrita! Apesar de terem sido originalmente escritas para crianças, As Crônicas de Nárnia encantam pessoas de todas as idades. C.S. Lewis faz constantes paralelos entre suas histórias e a Bíblia, de modo que o Cristianismo aparece em muitos lugares, ainda que disfarçadamente. Ao terminar a leitura do último livro, como bem observou uma amiga, entendemos perfeitamente que “o viver é Cristo e o morrer é lucro”.






A trilogia de Tolkien que mudou para sempre os rumos da literatura fantástica posterior. Um livro obrigatório para todos aqueles que gostam de livros do gênero.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Vencendo a tentação

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O que é que se precisa entesourar no coração para vencermos a tentação? Precisamos de uma consciência do amor de Deus em Cristo, de um conhecimento do propósito eterno de Sua graça; de um gozo no sangue de Cristo e no Seu amor ao morrer por nós. Encha seu coração de regozijo pelos privilégios obtidos pela morte de Cristo - nossa adoção, justificação, e aceitação com Deus. Encha o coração com pensamentos a respeito da beleza e da santidade. Esse é um dom conquistado por Cristo. Foi o supremo propósito de Sua morte - "para sermos santos e irrepreensíveis perante Ele" (Ef 1:4). O coração que tenha armazenado estas riquezas terá, no curso normal do andar com Deus, grande paz e segurança contra as perturbações das tentações.

[...]

Confronte sua tentação com pensamentos de fé a respeito de Cristo na cruz. Se desejar ser preservado de entrar na tentação, nunca pense em assinar uma trégua com ela. Isso não pode acontecer! Não debata sobre o assunto. Resista dizendo: "É Cristo quem morreu - quem morreu por estes pecados". É isso que significa "tomando sobre tudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno" (Ef 6:16). A fé faz isso apoiando-se no Cristo crucificado e se lembrando do Seu amor ao voluntariamente ser crucificado e suportar grandes agonias pelos nossos pecados. Qualquer que seja a sua tentação, ela pode ser conquistada pela fé na cruz de Cristo.

Retirado do livro:
"A Tentação, A Mortificação do Pecado, O que todo cristão precisa saber", escrito por John Owen, editado pela PES.

"a Tua destra está cheia de justiça"

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"Como o teu nome, ó Deus, assim o teu louvor se estende até aos confins da terra; a tua destra está cheia de justiça." (Sl 48:10)

A destra de Deus, isto é, o símbolo da autoridade, supremacia e ação divinas, é cheia de justiça. Todos os atos de Deus são justos por definição, mesmo que o senso comum insista em dizer o contrário.

Deus é cheio de justiça ao salvar pecadores. A justiça de Deus demanda que o pecado seja punido: "a alma que pecar, essa morrerá" (Ez 18:20). Moisés nos informa que Deus "ao culpado não tem por inocente" (Ex 34:7). Ora, como conciliar a salvação de pecadores com textos assim? Como Deus poderia perdoar pecados sem macular sua justiça, visto que o pecado clama por punição?

A resposta é que Jesus Cristo, o Filho de Deus que tomou a forma de homem, perfeito e sem pecado, suportou o castigo demandado pela justiça divina. Ele foi o representante e substituto do povo de Deus, vivendo uma vida de plena obediência que jamais poderíamos viver e morrendo a nossa morte no calvário, suportando todo o peso da justiça divina sendo exercida contra o pecado. Por isso, com base no sangue imaculado de Jesus, Deus pode perdoar e justificar os crentes. É por esse motivo que Paulo diz aos Romanos que "a justiça de Deus se revela no Evangelho" (Rm 1:17).

Você já parou para pensar nisso, caro leitor? Acho incrível quando converso com alguns crentes e eles parecem nunca ter meditado sobre essas coisas gloriosas. A sabedoria suprema de Deus uniu a misericórdia e a justiça em Jesus Cristo. A misericórdia de Deus é cheia de justiça. Seria inconcebível que Deus permitisse que algum pecado no universo permanecesse impune, pois seria uma mancha à Sua plena santidade.

Da mesma forma, Deus é cheio de justiça ao condenar os pecadores que rejeitam ao Senhor Jesus. Deus não é obrigado a salvar ninguém, porque Ele é soberano e não deve absolutamente nada a homem algum. Caso Deus desejasse, poderia ter lançado no inferno todos os seres humanos, o que só não aconteceu por causa de Seu imensurável amor. Se Deus decidiu não salvar toda a raça humana e decretou que todos que não conhecem a Cristo continuem eternamente perdidos, só me resta encher-me de temor e reverente gratidão, reconhecendo que Ele é Deus e tem o direito de fazer o que bem entender, e louvando Seu nome por ter tido compaixão de mim e me salvado. Falando desse assunto, Paulo não poderia ter sido mais claro: "Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum! Pois ele diz a Moisés: terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão." (Rm 9:14,15).

Agora, pensando um pouco nas atuais tragédias que tem acontecido no Brasil e no mundo, causadas por fortes chuvas e fenômenos naturais, o que temos a dizer sobre a justiça de Deus? Os incrédulos são prontos a falar da inocência das vítimas e que Deus é injusto diante dessa situação. Será que é verdade?

É verdade que Deus é soberano sobre todos os fenômenos da natureza e que é Ele mesmo quem ativamente ordena chuvas, terremotos, maremotos, ou mesmo a queda de uma folha de uma árvore. Contudo é necessário que nos lembremos de que o homem tem sido extremamente descuidado com a natureza, provocando-a ao extremo, trazendo-lhe prejuízos irreparáveis e usando-a como bem lhe apraz para obter lucro. Ora, tudo isso tem conseqüências! O próprio homem é culpado por fazer mau uso das dádivas de Deus. Se alguém é culpado nessa história, é o próprio ser humano.

Além disso, essa história de se falar da inocência das vítimas é uma grande mentira do egocentrismo humano. Se alguém é vítima de algum desastre ou acidente, saiba que esse sofrimento não é nada perto do que ela realmente merece em si mesma. As Escrituras deixam claro que o homem merece a condenação eterna, o que é infinitamente pior do que qualquer angústia deste mundo. Portanto, basta de questionar a justiça divina, corações rebeldes! Saibam que "se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis." (Lc 13:3).

Poderíamos continuar falando sobre diversos atos justos de Deus. Leitor, sugiro que você continue meditando sobre a destra de Deus, cheia de justiça. A sua mão não falha. A sua justiça é perfeita. Se você está em Cristo, saiba que a justiça de Jesus é sua, e você jamais poderá ser condenado. Mas, se você está longe do Salvador, busque-O enquanto há tempo, creia nEle de todo o coração, e você também terá a maravilhosa justiça de Jesus revestindo sua alma diante de Deus.

Com amor,
De seu irmão,
Davi.

 

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