quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Fé e Evidências – Uma Breve Meditação

Comente Aqui

Quando me perguntam sobre qual é a principal prova para a existência de Deus, eu sempre dou a mesma resposta: “A Fé!”. Isso pode soar estranho, mas se a Fé é "a prova das coisas que se não vêem" (Hb 11:1), não podemos atribuir a nada além dela o título de “prova para o Cristianis-mo”. O que quero dizer com minha resposta não é que crer em Cristo seja um ato cego e anti-intelectual; quero apenas lembrar que é a Fé, e unicamente a Fé, a responsável pela nossa entrega de vida a Cristo. Apenas uma análise intelectual das evidências filosóficas e científicas não levará as pessoas a Cristo, mas receber a Fé que vem de Deus, através do Espírito Santo (Ef 2:8-9).

Quando percebemos isso, vencemos a tendência de muitos que, por dedicar-se à defesa racional da Fé Cristã, jogam nas evidências todo o crédito da conversão dos céticos. Acreditar que é de um modo meramente intelectual que os homens serão convencidos a crer em Cristo é tão lógico quando acreditar que podemos convencer mortos a comprar sabão. Digo isso porque, se é verdade que os homens são espiritualmente mortos (Ef 2:1), não podemos, sem o poder do Espírito Santo, trazê-los à vida.

Michael J. Vlach, em seu livro “Faith For All of Life” (Fé Para Tudo na Vida), fala sobre quando começou a crer que a Fé é a prova para Deus, e não as evidências:

A Palavra de Deus é clara que o problema primário para os incrédulos é moral e espiritual – não intelectual. O incrédulo é alguém que suprime a verdade (Rm. 1:18b), cuja mente é totalmente escurecida para as coisas de Deus (Ef. 4:18). [...] Tornei-me convicto que co-meçar com a evidência empírica e histórica num apelo ao intelecto do incrédulo não aborda na verdade o cerne do problema. Se o problema principal do incrédulo é moral e espiritual, não deveria minha estratégia como um cristão abordar diretamente os pro-blemas morais e espirituais do incrédulo? [...] [Eu] passei a crer que o ponto de partida para lidar com a incredulidade era a Palavra de Deus e o Espírito de Deus. Eu não pode-ria colocar a existência de Deus ou a autoridade da Bíblia numa mesa de laboratório, pa-ra ser examinada por um incrédulo, que é por natureza alguém que suprime a verdade com a sua mente obscurecida. A Bíblia não concede ao incrédulo tal autonomia, nem eu deveria fazê-lo. [1]
Existe algo nesta citação que é motivo de grande debate. Quando Vlach diz que não pode, de modo algum, permitir que as Escrituras sejam dissecadas pelo incrédulo, ele dá a entender que as evidências a favor do Cristianismo não podem ser usadas nem mesmo como meios para a pregação do Evangelho. Por hora, não quero me posicionar na discussão entre o pressuposiciona-lismo e evidencialismo , mas quero deixar claro um ponto: uma defesa intelectual do Evangelho é vã se não for acompanhada da pregação desse mesmo Evangelho. A Palavra de Deus é a se-mente incorruptível que regenera o homem (I Pe 1:23) e sem a pregação desta Palavra, ninguém será salvo. Não importa o quanto eu argumente a favor da veracidade da Fé cristã, se eu não expuser Cristo aos homens eles continuarão mortos em seus pecados.

Algo precisa ser mais bem considerado: existem, sim, evidências filosóficas e científicas para o Cristianismo. Não quero, em momento algum, negar isso. Se a Fé em Deus é real, quando anali-samos a realidade encontraremos evidências para essa crença. Mesmo assim, precisamos lembrar que evidências não farão com que as pessoas escolham a Cristo, mas a pregação do Evangelho de Deus, precedida ou não de um debate intelectual.

Referencias:

Comentários

Nenhum comentário em "Fé e Evidências – Uma Breve Meditação"

 

Teologia e Vida © Revolution Two Church theme by Brian Gardner
Converted into Blogger Template by Bloganol and modified by Filipe Melo