domingo, 29 de agosto de 2010

Relato da Operação Jesus Transforma em Manaus (Parte 3)

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Veja as fotos: Álbum da Trans Manaus 2010


Preparação e planejamento do trabalho


No sábado, dia 03/07, tivemos um café da manhã no Colégio Batista e, logo após, nos preparamos para sairmos com nossas equipes para os bairros designados, às 7:00. Despedi-me de alguns irmãos que ficaram em outras equipes, como Pr. Ordalho, Pr. Daniel, Wendel, Hildo, Osvaldo e outros. Foi um misto de alegria e tristeza: alegria por tê-los conhecido e desfrutado de bons momentos de comunhão; tristeza por pensar que essa poderia ser a última vez que eu os veria. Após as despedidas, minha equipe e eu pegamos a van que nos levaria para o bairro Riachuelo II.

Ao chegarmos no bairro, descarregamos nossas malas numa casa alugada, onde ficaríamos. A casa tinha dois quartos com ar condicionado, dois banheiros (um deles em um dos quartos), sala, copa e cozinha, além de um hall de entrada com uma cadeira de balanço. Apesar disso, a casa era simples. O quarto com suíte, que era maior, ficou com as mulheres, que estavam em maior número. Logo depois de nos acomodarmos, Halysson e eu colocamos uma faixa na frente da casa, com os dizeres: “Operações Jesus Transforma”.

Ainda de manhã, quando Pr. Dinê chegou na casa, cada um dos membros da nossa equipe se apresentou para nos conhecermos melhor e fizemos uma oração em conjunto. Conversei um pouco com Pr. Dinê, descobrindo que ele é carioca e que está como pastor auxiliar na Primeira de Manaus há pouco tempo. Também conversei com uma irmã chamada Simei, da Primeira de Manaus, que iria cozinhar para nós por alguns dias. Ela me falou várias coisas interessantes sobre Manaus e o Amazonas, principalmente sobre a floresta amazônica, os rios do Amazonas e o fenômeno da pororoca. Também descobri que não há rodovias ligando as cidades do Amazonas. O transporte entre cidades é feito de barco ou, nas cidades que têm aeroportos, também de avião.

Depois do almoço, sentados ao redor da mesa da copa e com um mapa do bairro em mãos, fizemos alguns planejamentos, marcando as ruas pelas quais começaríamos o trabalho, e elaboramos um cronograma de nossa rotina, para todos os dias:

6:00-7:00- Devocional particular
7:00-7:30- Devocional coletivo
7:30-8:00- Café da manhã
8:00-11:30- Evangelismo
11:30-14:00- Almoço e descanso
14:00-17:30- Evangelismo
17:30-20:30- Descanso (quando não houvesse outra atividade)
20:30-21:00- Jantar
21:00-22:00- Devocional coletivo e prestação de contas

Combinamos que os cultos seriam realizados aos domingos e terças-feiras, às 19:00, na própria casa onde estávamos hospedados. De segunda a sexta-feira, às 15:00, um pessoal da Primeira de Manaus viria à casa para fazer a EBF (Escola Bíblica de Férias) com as crianças do bairro. E aos sábados, de manhã e à tarde, teríamos ação social numa escola do bairro.

Também dividimos as duplas para o evangelismo: Consolação e Núbia, Maria das Neves e eu, Rainércia e Halysson. Anaylse, que às vezes tinha alguma atividade na Primeira de Manaus, ajudaria alguma das duplas acima ou faria dupla com mais algum voluntário da Primeira de Manaus.

À noite saímos para caminhar pelo bairro, intercedendo pelas pessoas em silêncio, para que Deus abrisse seus corações à Palavra. Foi também uma boa oportunidade para conhecer melhor o nosso campo de atuação.

Quando voltamos para a casa, eu, Núbia e Hallyson ficamos conversando por bastante tempo no hall de entrada. Falamos sobre diversas coisas: diferenças de sotaques, palavras e expressões, entre São Paulo e o Amazonas, frutas exóticas do Amazonas, características do povo manauense, pontos turísticos de Manaus, etc. Foi uma conversa muito interessante, onde aprendi várias coisas sobre a cultura da cidade. O sotaque do povo manauense é muito semelhante ao do Rio de Janeiro. Eles usam muito o “tu” para se dirigir às pessoas, ao invés do “você”, que para eles é mais formal. Algumas coisas tem nomes diferentes, como “lagoa”, que eles chamam de “igarapé”, e “pernilongo”, que eles chamam de “carapanã”. Devido à proximidade da linha do Equador, não existem as quatro estações em Manaus, fazendo calor o ano todo e chovendo um pouco mais no segundo semestre. Por causa da alta temperatura, o ar condicionado é um acessório muito comum em casas de classe média. Por outro lado, os chuveiros não apresentam resistência elétrica, pois não há necessidade. As redes são muito usadas por todo o povo do Amazonas, tanto para descansar quanto para dormir. Devido aos grandes rios que circundam Manaus, a pesca é uma atividade muito comum e o peixe é o principal prato dos manauenses, sendo o Tambaqui um dos mais apreciados e caros. O açaí é uma fruta muita apreciada, tomado puro ou com tapioca.

Para terminar o sábado, tivemos nosso primeiro devocional coletivo, onde cantamos, oramos e eu trouxe uma meditação sobre o Salmo 40.1-3. Falei sobre nossa desesperadora situação quando estávamos no pecado (“poço de perdição” e “tremedal de lama”); como Deus nos salvou poderosamente, inclinando-se para nós, ouvindo nosso clamor, tirando-nos da lama do pecado, firmando os nossos pés na Rocha que é Cristo e colocando em nossos lábios um novo cântico; e sobre como essa poderosa salvação, evidenciada em nossa nova forma de viver (“um novo cântico, um hino de louvor ao nosso Deus”), é um testemunho salvador para os incrédulos (“muitos verão essas coisas, temerão e confiarão no SENHOR”). Ficou combinado que a cada devocional um irmão diferente faria a meditação.

Na hora de dormir, apesar do quarto dos homens ter uma cama de casal, eu decidi dormir no meu colchonete, deixando a cama para Halysson. Fiz isso todos os dias em que estive lá.


Início do trabalho e métodos utilizados


Domingo, depois do devocional particular e coletivo, e do café da manhã, saímos para fazer o evangelismo de casa em casa, uniformizados com a camiseta da Trans 2010, sob o forte Sol de Manaus. Começamos pela rua da nossa própria casa, a Rua das Flores. Nós usávamos uma ficha chamada “Pesquisa Religiosa”, onde eram registrados dados pessoais da pessoa abordada, além de conter várias perguntas, como: “Quais as maiores necessidades desta comunidade? Qual a sua religião? Com que freqüência você assiste às reuniões? Já freqüentou uma igreja evangélica? Possui uma Bíblia? Costuma ler? Deseja conhecer mais a Deus? Você tem certeza da salvação?”. A conversa era iniciada através das perguntas da pesquisa. Enquanto um membro da dupla conversava com a pessoa, o outro anotava as informações na ficha. A pergunta “Deseja conhecer mais a Deus?” abria caminho para oferecermos os estudos bíblicos e, à partir da pergunta “Você tem certeza da salvação?”, apresentávamos o nosso testemunho pessoal e o plano da salvação.

O testemunho pessoal era apresentado em quatro partes: como eu era antes de conhecer a Cristo, como descobri minha necessidade Dele, como se deu minha conversão e como sou agora. O plano da salvação era apresentado de várias formas. Eu, particularmente, optei por usar o método de um folheto chamado “Como ter a Vida Eterna”, que apresenta a salvação em quatro passos: a vida eterna que Deus preparou para Seus Filhos, o pecado que impede o homem de alcançar a vida eterna, a redenção de Cristo para salvar o homem do pecado e a resposta humana para receber a vida eterna, através do arrependimento e da fé em Cristo. Os estudos bíblicos eram baseados no Evangelho de João, quatro estudos ao todo, compostos por perguntas que eram respondidas pelas próprias pessoas, através das referências bíblicas ao lado das perguntas. Esses estudos se assemelham, na forma, aos catecismos históricos, mas apresentam um conteúdo doutrinário mais superficial e uma linguagem mais simples.

Esse método evangelístico nos permitia fazer um recenseamento das casas do bairro, dando-nos uma idéia da realidade sócio-econômica e religiosa das pessoas, ao mesmo tempo em que nos permitia falar do Evangelho e oferecer os estudos bíblicos, que aprofundariam aquilo que havia sido falado na primeira conversa.

A primeira pessoa evangelizada pela minha dupla foi um católico não-praticante chamado Edson. Ele aceitou o estudo bíblico para a segunda-feira, às 20:00, mas não recebeu a Cristo. Na parte da manhã minha dupla recenseou 7 casas, marcou 2 estudos bíblicos e distribuiu 2 Evangelhos de João. Não pudemos ser mais produtivos porque choveu em determinado momento, o que nos obrigou a voltar para a casa. O que pudemos perceber nesse primeiro evangelismo foi que as pessoas de Manaus são bastante educadas, receptivas, hospitaleiras e abertas para ouvir a Palavra, o que nos animou bastante.

Almoçamos e à tarde tomamos açaí com tapioca. Uma maravilha e novidade para mim, que nunca havia tomado açaí! Às 15:30 saímos por várias ruas do bairro para convidar as pessoas para o culto que teríamos à noite. Muitos disseram que iriam. O culto foi realizado às 19:00. Um pessoal da Primeira de Manaus veio nos ajudar com o louvor e Pr. Dinê pregou um sermão evangelístico em Mateus 11.28-30. Infelizmente tivemos como visitantes apenas um casal que já era evangélico. Após o culto ficamos algum tempo conversando no hall de entrada. Encerramos o dia com o devocional coletivo e a prestação de contas, na qual entregamos nossas fichas de recenseamento e fizemos um relatório do trabalho diário.

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