segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A motivação e o alvo das missões

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As missões não representam o alvo fundamental da igreja, a adoração sim. As missões existem porque não há adoração, ela sim é fundamental, pois Deus é essencial e não o homem. Quando esta era se encerrar e os incontáveis milhões de redimidos estiverem perante o trono de Deus, não haverá mais missões. Elas representam, no momento, uma necessidade temporária. Mas a adoração permanece para sempre.

A adoração é, portanto, o combustível e a meta das missões. É a meta das missões porque nelas simplesmente procuramos levar as nações ao júbilo inflamado da glória de Deus. O alvo das missões é a alegria dos povos na grandiosidade de Deus. “Reina o Senhor. Regozije-se a terra, alegrem-se as muitas ilhas” (Sl 97:1). “Louvem-te os povos, ó Deus; louvem-te os povos todos. Alegrem-se e exultem as gentes” (Sl 67:3-4).

Mas a adoração é também o combustível das missões. A paixão por Deus na adoração precede a apresentação de Deus por meio da pregação. Você não pode recomendar o que não aprecia. Os missionários jamais exclamarão: “Alegrem-se os povos”, se não puderem dizer de coração, “Eu me alegrarei no Senhor... Alegrar-me-ei e exultarei em ti; ao teu nome, ó Altíssimo, eu cantarei louvores” (Sl 104:34; 9:2). As missões começam e terminam com a adoração.

Se a busca da glória de Deus não for colocada acima da busca do bem do homem nas afeições do coração e nas prioridades da igreja, o homem não será bem servido e Deus não será devidamente honrado. Não estou pleiteando por uma diminuição de missões, mas pela exaltação de Deus. Quando a chama da adoração arder com o calor da verdadeira excelência de Deus, a luz das missões brilhará para os povos mais remotos da terra. Eu anseio pela chegada desse dia!

Onde a paixão por Deus é fraca, o zelo pelas missões será fraco. As igrejas que não estão centradas na exaltação da majestade e beleza de Deus raramente se inflamam por um desejo fervente de “anunciar entre as nações a sua glória” (Sl 96:3). Até os leitos sentem a disparidade entre a ousadia da nossa pretensão sobre as nações e a brandura do nosso compromisso com Deus.

(…)

O aspecto mais difícil nas missões é colocar Deus como o centro da vida da igreja. Se as pessoas não se estupefazem ante a grandeza de Deus, como podem ser enviadas com a mensagem vibrante: “Grande é o Senhor e mui digno de ser louvado, temível mais que todos os deuses!” (Sl 96:4)? As missões não são o começo e o fim: porém Deus é. Essas não são meras palavras. Essa verdade é a energia vital da inspiração e da perseverança do missionário. Willian Carey, o pai das missões modernas, que velejou da Inglaterra à Índia, em 1793, expressou sua experiência:

Quando deixei a Inglaterra, minha esperança de converter a Índia era muito forte; porém, diante de tantos obstáculos, ela minguaria, se não fosse pelo sustento recebido de Deus. Bem, Deus está comigo e sua Palavra é verdadeira. Embora as superstições dos pagãos fossem mil vezes mais fortes e o exemplo dos europeus, mil vezes pior, mesmo diante do abandono e da perseuição, minha fé, posta na segurança da Palavra, ainda superaria todos os obstáculos e suportaria cada provação. A causa de Deus triunfará.

Carey e milhares como ele têm sido movidos pela visão de um Deus grande e triunfante. Essa visão deve vir em primeiro lugar, devendo o missionário experimentá-la na adoração antes de difundi-la nas missões. Isso se resume em avançar em direção a um grande alvo, a adoração inflamada a Deus e a Seu Filho por todos os povos da terra. As missões não são esse objetivo, são o meio e, por essa razão, são a segunda maior atividade do mundo.

(…)

Uma das coisas que Deus usa para fazer essa verdade se apoderar de uma pessoa e uma igreja é a surpreendente constatação de que isso também é verdadeiro para Ele. As missões não são a meta suprema de Deus, a adoração, sim. Quando isso penetra no coração de uma pessoa, tudo muda. O mundo está freqüentemente mudando seu curso e tudo parece diferente – inclusive o empreendimento missionário.

O princípio fundamental para a nossa paixão de ver Deus glorificado é Sua própria paixão de ser glorificado. Deus é único e supremo em Suas próprias afeições. Não há quaisquer rivais para a supremacia da glória de Deus em Seu próprio coração. Deus não é um idólatra. Ele não desobedece ao primeiro e grande mandamento. Com todo o Seu coração, alma, força e mente, Ele deleita-se na glória de Suas múltiplas perfeições. O coração mais apaixonado para Deus em todo o universo é o Seu próprio coração.

Essa verdade, mais do que qualquer outra que conheço, ratifica a convicção de que a adoração é o combustível e a meta das missões. A razão mais importante para que a nossa paixão por Deus supra as missões é que a paixão de Deus por Ele mesmo provê suprimento para as missões. As missões são o transbordamento de nosso regozijo em Deus porque são o transbordamento do regozijo de Deus em ser Ele próprio. A razão mais importante para a adoração ser o alvo das missões é porque ela é a meta de Deus. Certificamo-nos desse objetivo pelo registro da Bíblia da busca incansável de Deus pelo louvor entre as nações. “Louvai ao Senhor, vós todos os gentios, louvai-o todos os povos” (Sl 117:1). Se essa é a meta de Deus, deve ser também a nossa.

Retirado do livro "Alegrem-se os povos - A supremacia de Deus em Missões", de John Piper, Editora Cultura Cristã.

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