quarta-feira, 9 de junho de 2010

Pregação Puritana: Demonstração de Espírito e de Poder (Parte 2)

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Esse texto foi retirado do Diretório de Culto de Westminster, elaborado por puritanos ingleses e terminado em 1644. Através deste texto, que é um verdadeiro manual de pregação, podemos ter alguma idéia do segredo do poder da pregação puritana e do porquê a pregação da maioria das igrejas modernas é tão mesquinha e carente de poder espiritual.

O mensageiro não deve demorar tanto na doutrina geral, muito embora não esteja tão esclarecida e confirmada assim, como deve caminhar para seu uso específico, aplicando-a aos ouvintes: aplicação esta que, mesmo provando ser uma obra de grande dificuldade para ele próprio, requerendo muita prudência, zelo e meditação, e sendo desagradável para o homem natural e corrupto, contudo, cabe-lhe a tentativa de fazer cumprir isso de modo tal que os ouvintes possam sentir a Palavra de Deus como penetrante e poderosa e discernidora dos pensamentos e intentos do coração; e, no caso de estar presente qualquer pessoa incrédula ou ignorante, que ela possa ter manifestos os segredos de seu coração e dar glória a Deus.

Ao explicar o uso, ou aplicação prática, das instruções ou informações sobre o conhecimento de alguma verdade, que venha como conseqüência da doutrina apresentada, ele poderá (quando conveniente) confirmá-la com alguns argumentos firmes do texto em mãos, e de outros textos da Escritura, ou pela natureza daquele ponto comum da teologia do qual aquela verdade é derivada.

Na contestação de doutrinas falsas, ele nem deverá ressuscitar do túmulo uma antiga heresia, nem mencionar desnecessariamente uma opinião blasfema: mas se as pessoas estão em perigo de um erro, ele deve refutá-lo redondamente e procurar satisfazer os juízos e a consciência delas contra todas as objeções.

Na exortação a obrigações, quando observar uma necessidade, ele deverá juntamente ensinar os meios que auxiliem sua execução.

Na dissuasão, repreensão e admoestação públicas (que requerem sabedoria especial) que ele, quando existir motivo, não só descubra a natureza e gravidade do pecado, com a miséria decorrente, mas que também mostre o perigo que seus ouvintes têm de ser alcançados e surpreendidos nele, juntamente com os remédios e a melhor maneira de evitá-lo.

Na aplicação de consolo, quer em geral contra todas as tentações, ou contra alguns problemas ou pavores especiais, que ele seja cuidadoso em responder a objeções tais como as que poderão sugerir em contrário um coração atribulado e espírito angustiado.

Também por vezes é necessário apresentar algumas observações sobre provações (o que é muito proveitoso, especialmente quando feitas por ministros capazes e experimentados, que tenham recato e prudência, e as indicações claramente fundamentadas na Bíblia Sagrada) pelas quais os ouvintes possam se examinar, para ver se já conseguiram aquelas graças, e realizaram aquelas obrigações às quais ele exorta, ou se são culpados daquele pecado, repreendidos, e em perigo das ameaças dos juízos, ou se são dos tais a quem pertencem as consolações apresentadas; para que, após exame, de acordo com sua condição, possam ser avivados e incitados ao dever, humilhados por suas deficiências e pecados, movidos pelo perigo em que estão, e fortalecidos com o consolo, conforme requeira sua condição.

E como ele nem sempre precisa levar até o fim cada doutrina encontrada em seu texto, assim ele deve, sabiamente, selecionar os usos que ele julgar mais necessários e oportunos, de acordo com o que mostra seu convívio e conversas com seu rebanho; e dentre estes, os que sejam tais que possam melhor atrair a alma deles a Cristo, a fonte de luz, santidade e consolo.

Este método não é prescrito como necessário para todos os homens, ou sobre todos os textos; mas só é recomendado por ter sido verificado, por experiência, como sendo grandemente abençoado por Deus, e de grande auxílio aos entendimentos e lembranças.

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