quarta-feira, 2 de junho de 2010

Pregação Puritana: Demonstração de Espírito e de Poder (Parte 1)

3 comentários

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Esse texto foi retirado do Diretório de Culto de Westminster, elaborado por puritanos ingleses e terminado em 1644. Através deste texto, que é um verdadeiro manual de pregação, podemos ter alguma idéia do segredo do poder da pregação puritana e do porquê a pregação da maioria das igrejas modernas é tão mesquinha e carente de poder espiritual.

A pregação da Palavra, sendo o poder de Deus para a salvação, e uma das maiores e mais excelentes obras que cabem ao ministério do Evangelho, deve ser realizada de modo tal que o obreiro não precise se envergonhar, mas possa salvar-se e àqueles que o ouvem.

É pressuposto (conforme as Regras da Ordenação) que o ministro de Cristo seja em alguma boa medida dotado para tão importante trabalho, pela sua habilidade nas línguas originais, e nas artes e ciências que são como servas da Teologia, pelo seu conhecimento de todo o corpo da Teologia, porém sobretudo das Escrituras Sagradas, tendo seus sentidos e coração exercitados nelas mais do que os crentes comuns; e pela iluminação do Espírito de Deus e outros dons de edificação que (junto com a leitura e estudo da Palavra) ele deve buscar ainda por meio de oração e com o coração humilde, resolvido a admitir e receber qualquer verdade a que ainda não tenha chegado, sempre que Deus lha torne conhecida. Tudo isso ele deve aproveitar, e melhorar, em sua preparação particular, antes de entregar de público o que ele providenciou.

Comumente, o assunto de seu sermão deverá ser algum texto bíblico que exponha algum princípio ou título de religião; ou adequado a alguma ocasião especial emergente; ou então ele poderá dar seguimento em algum capítulo, Salmo ou livro da Escritura Sagrada, como ele julgar conveniente.

Que a introdução de seu texto seja breve e perspicaz, tirada do próprio texto, ou contexto, ou de algum lugar paralelo, ou sentença geral da Escritura.

Se o texto for longo (como em histórias e parábolas deve por vezes ser), que ele faça um breve resumo do mesmo; se curto, uma paráfrase dele, se necessário; em ambos, olhando diligentemente pela abrangência do texto, e chamando a atenção para os cabeçalhos principais e bases de doutrina que dali irá levantar.

Ao analisar e dividir seu texto, ele deverá olhar mais para a ordem do assunto do que a ordem das palavras; e nem deverá onerar a memória dos ouvintes no começo, com divisões (e subdivisões) demais, nem preocupar a mente deles com palavras literárias obscuras.

Ao tirar doutrinas do texto, seu cuidado deverá ser: primeiro, que a questão seja a verdade de Deus. Segundo, que seja uma verdade contida ou baseada naquele texto, para que os ouvintes possam discernir como Deus a ensina partindo dali. Terceiro, que ele insista principalmente naquelas doutrinas a que o texto pretendeu dar prioridade, e faça o máximo pela edificação dos ouvintes.

A doutrina deverá ser expressa em termos claros; ou se algo nela precisar de explicação, isso deverá ser exposto, e sua conseqüência esclarecida também pelo texto. Convém que os textos paralelos da Escritura que confirmam a doutrina sejam mais claros e pertinentes do que numerosos, e (se for preciso) deve-se insistir neles, e aplicá-los ao propósito do momento.

Os argumentos ou razões serão sólidos; e, tanto quanto possível, convincentes. As ilustrações, de qualquer natureza, deverão iluminar o texto, e serem aptas a transmitir a verdade ao coração dos ouvintes com deleite espiritual.

Se qualquer dúvida óbvia aparecer, pela Escritura, pelo raciocínio ou pelo preconceito dos ouvintes, é então necessário tirá-la, reconciliando as diferenças aparentes, respondendo às razões, averiguando e tirando as causas de preconceito e erro. Mas, a não ser que por essas causas, não convém deter os ouvintes expondo ou atendo a sofismas vãos ou iníquos, os quais são intermináveis, de sorte que propô-los e respondê-los irá mais impedir do que promover a edificação.

Comentários

3 comentários em "Pregação Puritana: Demonstração de Espírito e de Poder (Parte 1)"

Luis Henrique disse...
3 de junho de 2010 22:11

Maravilha de texto, quem dera nossos pregadores dessem ouvidos a essas palavras!

Iconoclastas do Evangelho disse...
21 de junho de 2010 18:25

Este comentário foi removido pelo autor.
Iconoclastas do Evangelho disse...
21 de junho de 2010 18:35

Muito bom o texto.
Que o Eterno continue lhe abençoando.

 

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