domingo, 13 de junho de 2010

Minha Jornada a Cristo

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Eu, André Aloísio Oliveira da Silva, nasci no dia 21/10/1986, em Campinas, SP, numa família evangélica. Meus pais eram membros da Igreja do Evangelho Quadrangular e desde que nasci freqüentei a igreja com eles, todos os domingos. Por essa razão, eu conheci as Sagradas Letras já na minha infância (2Tm 3.15).

Porém, logo cedo, o pecado original que me acompanhava desde a minha concepção (Sl 51.5) começou a se manifestar em pecados pessoais. Com cinco anos de idade eu já era um grande pecador, provando a veracidade das palavras de Salomão: “A estultícia está ligada ao coração da criança” (Pv 22.15). A mentira era o meu maior prazer e a lascívia dominava todo o meu pensamento. Esses dois pecados me escravizaram por toda a minha vida sem Cristo.

O contato constante com a Palavra de Deus na igreja levava-me à convicção de pecado (Rm 3.19-20). Eu sabia que era um pecador e que meu destino era o inferno (Rm 3.23; 6.23). Ao contrário do que alguns me ensinavam, baseados numa falsa interpretação das Escrituras, dizendo que todas as crianças eram inocentes e seriam salvas, eu me via como um imundo aos olhos de Deus que merecia Sua justa ira. Essa convicção de pecado era tão forte que muitas vezes, enquanto dormia, eu sonhava com o juízo final, no qual Jesus, olhando-me com indignação, lançava-me ao inferno com os demais pecadores (Mt 25.41,46).

Por conta dessa convicção dos meus próprios pecados, muitas vezes eu tentava abandoná-los com a minha própria força. Fazia votos durante o culto de que, à partir daquele momento, seria obediente aos mandamentos de Deus. Porém, essas resoluções eram fruto de justiça própria, preocupando-se apenas com mudanças exteriores (Cl 2.20-23) e não com o coração (Mt 15.11,19). Eu não buscava o livramento dos meus pecados em Cristo, mas na minha própria justiça e obediência, que é como trapo da imundícia (Is 64.6). Assim, tais resoluções não duravam nem uma semana. Tão logo o calor da empolgação passava, eu voltava aos meus pecados, como a porca lavada volta ao lamaçal (2Pe 2.22).

Esses pecados foram se agravando no decorrer da minha infância e pré-adolescência, um pecado levando a outro pecado, um abismo chamando outro abismo (Sl 42.7). Eu estava vivendo como se Deus não existisse. Até que em minha adolescência, ao entrar em contato com as teorias do Big Bang e da Evolução das Espécies, comecei a duvidar da existência de Deus, consumando em minha mente o que já era realidade em minhas ações. Esse foi o ápice da minha rebelião contra Deus e o mais profundo abismo no qual me encontrei.

Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que me amou (Ef 2.4), não me deixou perecer em minha própria miséria. Através de uma série de acontecimentos que começaram no final do ano 2000, Deus começou a manifestar o Seu amor eterno por mim, atraindo-me para Si com bondade (Jr 31.3).

O primeiro deles foi a morte de um amigo muito próximo, que caiu do décimo andar de um prédio em construção, no poço do elevador. Essa morte trágica chocou-me profundamente e levou-me a uma séria reflexão sobre minha própria vida e o que seria de mim após a morte. Percebi a brevidade e a transitoriedade da vida e de todos os seus prazeres, que não teriam valor algum depois da morte (Lc 12.19-20).

O segundo foi um milagre que Deus operou em minha vida. Desde a infância eu tinha verrugas no joelho direito e em alguns dedos das mãos. Cheguei a fazer uma cirurgia para retirá-las na minha pré-adolescência, mas elas voltaram a aparecer. Então, em certo dia, no final de 2000, meu pai resolveu fazer uma oração para que Deus me curasse dessas verrugas. Milagrosamente, poucos dias depois, todas as verrugas desapareceram completamente! Fiquei maravilhado com o fato e, como meu coração já estava sendo amolecido desde a morte de meu amigo, passei a aceitar a realidade da existência de Deus.

O terceiro foi um programa de TV, no início de 2001, onde determinado pregador argumentava em favor da ressurreição de Jesus. Nessa época eu ainda não estava plenamente convencido de que Jesus havia ressuscitado dentre os mortos. Mas aquele pregador, argumentando que os primeiros discípulos não aceitariam morrer por uma mentira, e usando muitos outros argumentos, conseguiu me persuadir da ressurreição de Cristo.

Durante esses acontecimentos eu desenvolvi um interesse histórico pela Bíblia. Eu gostava muito de estudar História e passei a ler a Bíblia para conhecer sua visão sobre a origem dos povos e outros assuntos de caráter histórico. Além disso, comecei a ler alguns livros evangélicos, também por pura curiosidade. Porém, através dessas leituras despretensiosas, Deus começou a trabalhar em meu coração, mostrando a necessidade que eu tinha de Cristo para ser salvo de todos os meus pecados (At 16.31).

Todos esses acontecimentos tiveram seu desfecho em um dia de fevereiro ou março de 2001, aos meus 14 anos. Que dia bendito foi aquele! Meus pais estavam brigando e eu me tranquei em meu quarto. Comecei a chorar em profusão. Senti mais do que nunca o peso dos meus pecados. Eu sabia que merecia todo aquele sofrimento e, mais ainda, uma eternidade de sofrimento, por causa dos meus pecados. Entre lágrimas e soluços, eu tentei fazer breves orações. Senti a minha miséria e pequenez e o quanto eu dependia e precisava de Deus. Então, peguei meu caderno de anotações e comecei a escrever várias frases simples e desconexas, com pensamentos que vinham espontaneamente à minha mente, memórias do que eu havia lido no Evangelho de João:

“Deus é o único e Seu amor é incomparável” – “É o Criador, o eterno e perfeito Deus” – “Sua misericórdia é imensa e Seu plano para a humanidade maravilhoso” – “É o Deus Todo-Poderoso que opera grandiosos milagres” – “É o Senhor da justiça, pois Seu julgamento é justo” – “A Sua glória se eleva dentre os povos da terra” – “A Sua luz resplandece nas trevas e o inimigo não prevalece contra ela” – “Mandou à terra Seu único Filho, para nos salvar do pecado” – “Para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” – “Deus é maravilhoso, o nosso Pai, em quem podemos confiar” – “É o consolo na hora das dores, o perdão na hora dos erros e a vitória na hora da salvação” – “Deus é amor, a luz do mundo e a salvação dos perdidos” – “Deus é a sabedoria que triunfa sobre as trevas da ignorância”.

À medida que eu escrevia, derramando lágrimas e chorando audivelmente, algo aconteceu. Eu vi o Senhor Jesus Cristo de uma forma que nunca O havia visto antes. Vi-O como meu Salvador pessoal, Aquele que havia morrido por mim e poderia me salvar completamente de todos os meus pecados. Ele não era apenas o Salvador, Ele era o “meu” Salvador (1Tm 1.15). Naquele momento, ainda que minha mente estivesse confusa em meio a tantos pensamentos e sentimentos, eu abandonei toda confiança em minha própria força, confiei Nele para a salvação (Sl 20.7) e uma paz encheu o meu coração (Fp 4.7).

Eu não entendi imediatamente o que aconteceu. Mas à medida que os dias passavam notei uma mudança em meus desejos e atitudes. Agora eu desejava ler a Bíblia, orar, falar de Cristo aos meus amigos da escola e viver em santidade, e esses desejos se manifestavam em minhas atitudes. Por outro lado, eu já não sentia o mesmo prazer na mentira e na lascívia, desejando, pelo contrário, viver longe delas.

Assim, olhando retrospectivamente para aquele glorioso dia, reconheci que lá estava a fonte de todas essas mudanças. Aquele foi o dia do meu novo nascimento (Jo 3.3,5; 2Co 5.17)! O Deus que uma vez disse “das trevas resplandecerá a luz”, Ele mesmo resplandeceu em meu coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo (2Co 4.6). Ele me ressuscitou espiritualmente e me fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus, para mostrar a suprema riqueza da Sua graça, em bondade para comigo (Ef 2.6-7). Curou-me da cegueira espiritual e abriu-me os olhos para que pudesse olhar para Cristo, pela fé, e ser salvo (Is 45.22). Trocou meu coração de pedra por um coração de carne, disposto a obedecer-Lhe (Ez 11.10-20). Perdoou completamente todos os meus pecados e me justificou gratuitamente pela graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, de modo que já nenhuma condenação há para mim (Rm 3.23; 5.1; 8.1). O encontro com a Verdade livrou-me das minhas mentiras e ao desfrutar dos eternos prazeres da presença de Deus (Sl 16.11) abandonei os prazeres lascivos!

Alguns meses depois, dia 15/11/2001, fui batizado nas águas, em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, testemunhando publicamente minha fé em Cristo, que pode ser resumida em uma palavra: graça. Creio que foi pela graça que Deus enviou Seu Filho ao mundo para morrer por mim há dois mil anos atrás (Jo 3.16). Foi pela graça que Deus, através de Seu Espírito, me salvou há nove anos (Ef 2.8-9). É pela graça que tenho sido sustentado a cada dia em minha peregrinação neste mundo e serei sustentado até o fim (2Ts 2.16-17). Nada do que sou, tenho ou faço é propriamente meu; pelo contrário, tudo é graça (1Co 15.10; 1Co 4.7; Jo 15.5). E é essa maravilhosa graça que me permite afirmar com todo o meu coração:

“Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim”
(Gl 2.19-20).

“Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para conseguir Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé; para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte; para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos”
(Fp 3.7-11).

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Comentários

1 comentário em "Minha Jornada a Cristo"

Pr. Francisco Lima disse...
15 de junho de 2010 01:17

Caro irmão, seu testemunho é muito parecido com o meu. Não em todos os aspectos, mas em grande parte assemelha-se. Fui convertido pelo E.S, em 18/08/01 e batizado em 21/10 do mesmo ano. Hoje sou pastor batista e moro no RJ.
Pelo seu testemunho percebemos que hoje sua vida é edificada sobre a Rocha (Mt 7.24-27), foi esta palavra que Deus usou para derrubar minha "Tapera" e construir uma nova casa (2Co 5.1)edifica sobre a verdade (Jo 17.17).
Sempre acompanho com bastante atenção seus artigos e o conteúdo em geral publicado no blogger, e naturalmente percebo a consistência de suas posições, apesar de compreender Calvinismo e Armianismo com outros primas... mas isso não vem ao caso, ok!
Quero apenas louvar a Deus pelo seu testemunho. É a isso, apesar de não lhe conhecer pessoalmente, que entendo por conversão.
Um grande abraço,
Franciso

 

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