quarta-feira, 23 de junho de 2010

Conhecendo a Bíblia Sagrada (Parte 1)

2 comentários

Parte: [1][2]



Este estudo foi elaborado por mim no início de 2004, para ser ministrado aos adolescentes do Grupo Missionário de Adolescentes (GMA), da Igreja do Evangelho Quadrangular do Jardim das Oliveiras. Estas foram as minhas palavras de apresentação ao estudo: "O versículo tema do GMA neste ano se encontra em II Pedro 3:18: '...antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo'. Isso é um dever de todo cristão, o que inclui todos nós. Porém, não há como crescer no conhecimento de Cristo sem constante leitura e estudo da Bíblia. Por isso, iremos começar os estudos deste ano com um estudo sobre a Bíblia, para que possamos conhecê-la melhor, e, por conseqüência, possamos lê-la e estudá-la todos os dias. Que neste ano, realmente cresçamos na graça e no conhecimento de Cristo! Deus nos abençoe!"

“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” (II Timóteo 2:15)

1. O que é a Bíblia

A Bíblia é uma coleção de 66 livros que, pela semelhança de conteúdo, formam um único livro. Todos esses livros foram escritos por Deus. Porém, Ele se utilizou de cerca de 40 homens diferentes, de épocas, culturas, raças e classes sócias diferentes, para cumprir essa tarefa. A Bíblia foi escrita durante um período de 1600 anos, tendo início em 1500 a.C e sendo completada em 100 d.C, aproximadamente. Tendo como autor o próprio Deus, a Bíblia é verdadeiramente a Palavra de Deus.


2. Propósito e mensagem da Bíblia


A Bíblia foi escrita para que o homem pudesse conhecer a vontade de Deus. Sozinho, o homem nunca saberia que é um pecador e que necessita de salvação. Era necessário, portanto, que Deus revelasse ao homem Suas verdades eternas, mas em linguagem compreensível ao ser humano. A forma que Deus escolheu para isso foi a palavra escrita.

Na Bíblia encontramos vários assuntos. Porém, há em toda Bíblia uma mensagem central: a salvação do pecado provida por Deus ao ser humano, pelo sacrifício de Cristo.


3. Nomes da Bíblia


A palavra “Bíblia” não se encontra no texto original da Bíblia. O nome “Bíblia” vem do grego “Biblos”, que significa “Livros”. Esse nome foi dado à Bíblia pela primeira vez no século IV, por um pai da Igreja chamado João Crisóstomo. Na Bíblia encontramos vários nomes que ela dá a si própria. Alguns dos principais são: Palavra de Deus (Hebreus 4:12); Escritura (II Timóteo 3:16) e Escrituras (João 5:39); Sagradas Letras (II Timóteo 3:15); Lei (Salmos 119:97).


4. Características da Bíblia


A Bíblia apresenta certas características que a diferem dos outros livros. Vamos analisar cada uma delas:


4.1. Inspiração



“Toda a Escritura é inspirada por Deus” (II Timóteo 3:16).


Quando dizemos que a Bíblia é inspirada por Deus, queremos dizer com isso que Deus “soprou” sobre determinadas pessoas escolhidas por Ele Sua vontade, Seus pensamentos e a forma como Ele queria que as palavras fossem escritas.1 Isso garantiu que os escritores bíblicos escreveriam exatamente o que Deus queria, impedindo-os de cometerem erros ou omissões, fazendo com que eles registrassem literalmente a Palavra de Deus.

Assim, a Bíblia tem uma autoria dupla, isto é, a autoria divina e a humana. Do lado divino a Bíblia é a Palavra de Deus no sentido de que se originou nEle e é a expressão de Sua mente. Do lado humano certos homens foram escolhidos por Deus para a responsabilidade de receber a Palavra e passá-la para a forma escrita. A própria Bíblia reconhece essa autoria dupla quando, em Mateus 15:4, é dito que Deus ordenou certo mandamento, enquanto que em Marcos 7:10 é dito que foi Moisés quem ordenou esse mesmo mandamento.


4.1.1. Provas da inspiração


A própria Bíblia reconhece sua inspiração:

O Velho Testamento afirma sua inspiração: Várias passagens afirmam isso. Porém, veremos apenas a passagem de II Samuel 23:2, onde Davi, autor de muitos Salmos, afirma a inspiração de suas palavras: “O Espírito do Senhor fala por meu intermédio, e a sua palavra está na minha língua”.

O Novo Testamento afirma sua inspiração: Da mesma forma muitas passagens afirmam a inspiração do Novo Testamento. Porém, vamos nos limitar apenas à passagem de João 16:13, onde Jesus afirma que depois de Sua partida o Espírito Santo estaria guiando os apóstolos a toda a verdade: “...quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir”.

O Novo Testamento reconhece a inspiração do Velho: Jesus e os apóstolos reconheceram isso em diversas passagens. Fica aqui, porém, somente as palavras de Pedro: “Foi a respeito desta salvação que os profetas indagaram e inquiriram, os quais profetizaram acerca da graça a vós outros destinada, investigando, atentamente, qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos referentes a Cristo e sobre as glórias que os seguiriam”.

A Bíblia faz declarações científicas que só foram descobertas posteriormente: Em Isaías 40:22 a Bíblia afirma a esfericidade da Terra, centenas de anos antes dos cientistas descobrirem: “Ele (Deus) é o que está assentado sobre a redondeza da terra...”.

Diversas profecias da Bíblia já se cumpriram: Todas as profecias do Antigo Testamento a respeito de Jesus se cumpriram perfeitamente, e muitas profecias de Jesus sobre os últimos dias estão se cumprindo: “Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes e terremotos em vários lugares...” (Mateus 24:7).

Tudo isso mostra que a Bíblia é realmente inspirada por Deus e não apenas um livro qualquer.


4.1.2. Teorias da inspiração


Existem algumas teorias e concepções erradas a respeito da inspiração, que estaremos vendo aqui.


Inspiração Dinâmica: Segundo essa teoria, Deus inspirou os homens de tal forma que eles se tornaram infalíveis apenas em questões de fé e prática, somente em ensinamentos doutrinários. Isso significa que eles poderiam errar ao relatar detalhes históricos e outros assuntos não doutrinários. Porém, essa teoria é falsa, porque a Bíblia não apresenta nenhum erro em nenhum assunto, seja doutrinário e prático, ou histórico e arqueológico.



Inspiração Mecânica: Segundo essa teoria, Deus apenas ditou aos homens as palavras da Bíblia, não permitindo a participação da personalidade humana no registro bíblico. Essa teoria é falsa porque nega a autoria humana da Bíblia. Se a Bíblia fosse um mero ditado, ela teria somente um único estilo literário. Porém, a Bíblia é variada em seu estilo, e cada autor que escreveu a Bíblia deixou nela o seu jeito de escrever e traços de sua personalidade.



Inspiração dos Conceitos: Segundo essa teoria, Deus somente inspirou os conceitos, não as palavras, deixando aos autores humanos a liberdade de expressarem os conceitos com suas próprias palavras. Porém, essa teoria é falsa, pois a Bíblia afirma claramente que as próprias palavras escritas na Bíblia foram inspiradas por Deus, e não somente os conceitos que elas representam.



4.1.3. A verdadeira inspiração


A verdadeira doutrina da inspiração, ensinada na Bíblia, é chamada de Inspiração Verbal Plenária. É o poder inexplicável do Espírito Santo agindo sobre os autores humanos, conduzindo-os na transcrição da mensagem, de forma que cada palavra escrita seja inspirada por Deus e livre de qualquer erro ou falha humana. Deus usa a personalidade do homem na transcrição da mensagem, permitindo que cada autor conserve seu próprio estilo e ao mesmo tempo registre com exatidão a Palavra de Deus. Jesus ensinou essa doutrina ao afirmar que “é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til sequer da lei” (Lucas 16:17). Ele mostra que mesmo um simples sinal de uma letra da Bíblia é inspirado por Deus.


4.2. Inerrância



“...a Escritura não pode falhar” (João 10:35).


Sendo inspirada por Deus, podemos dizer que ela está completamente livre de erros. Apesar dos autores humanos da Bíblia serem falhos e tão pecadores quanto nós, seus ensinos foram preservados de erros. Isso não significa que os autores da Bíblia não tinham concepções erradas sobre assuntos científicos e similares, mas que, mesmo as tendo, não as registraram na Bíblia. Assim, a Bíblia, na forma como foi originalmente escrita, não apresenta nenhum erro sequer.

Porém, a inerrância da Bíblia não abrange as cópias dos manuscritos originais, mas somente os autógrafos, isto é, os originais. Isso significa que pode haver erros nas cópias dos originais.


4.3. Animação 2


“Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração” (Hebreus 4:12).

Por ser a própria Palavra de Deus, a Bíblia tem vida em si mesma. Animação é o poder que a Bíblia tem de transmitir vida ao ser humano. A Bíblia é viva porque ela é o sopro (espírito) de Deus (João 6:63). A Bíblia possui vida eterna e permanece para sempre (I Pedro 1:23).

A Bíblia é eficaz. A palavra grega para “eficaz” na passagem acima é “energes”, de onde vem a palavra “energia”. Trata-se da energia que a vida vital fornece. Por isso a Bíblia é comparada a uma poderosa espada de dois gumes com poder para cortar, penetrar e discernir. Efésios 6:17 chama a Bíblia de “Espada do Espírito”. Isso porque a Bíblia é o instrumento usado pelo Espírito para realizar o propósito de Deus. Quando o Espírito Santo empunha a Sua Espada uma energia é liberada dela para animar e realizar o seu propósito (Isaías 55:10,11). É com este poder inerente à Palavra de Deus, a Bíblia, que o Espírito Santo convence os contradizentes, porque a Bíblia é como uma dinamite com poder (dinamos, Romanos 1:16) para salvar e destruir.

A Palavra de Deus é como um alimento nutriente que fornece forças (Mateus 4:4). Paulo escrevendo aos tessalonicenses, revela sua gratidão a Deus por haverem eles recebido a Palavra de Deus a qual estava operando (energizando) eficazmente neles (I Tessalonicenses 2:13). Paulo conhecia o poder da Palavra de Deus, por isso recomendou aos anciãos da igreja que a observassem porque ela “tem poder para edificar e dar herança entre todos os que são santificados” (Atos 20:32; João 5:39).

1) É eficaz na regeneração: Comparada com a “água” (João.3:5; Efésios 5:26), a Palavra de Deus tem poder para regenerar, pois ela coopera com o Espírito Santo na realização do novo nascimento.

2) É eficaz na santificação: A Palavra de Deus tem poder para santificar (João17:17). Com efeito, a santificação é pela fé (Atos 15:9) e a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Romanos 10:17).

3) É eficaz na edificação: A Palavra de Deus tem poder para edificar (Atos 20:32).


4.4. Único fundamento de doutrinas



“Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha” (Mateus 7:24,25).


A Bíblia é o único fundamento de doutrinas da Igreja. Isso significa que todo ensino que não esteja de acordo com a Bíblia, ainda que tenha sido dado por um anjo ou alguém muito importante, deve ser rejeitado. Só o que a Bíblia ensina é a Palavra de Deus e nada além disso. Isso não significa que a Bíblia revele todos os segredos do universo. Muitas coisas a Bíblia não diz. Mas tudo o que Deus quer que saibamos está escrito na Bíblia.

A Igreja Católica tem três fundamentos de doutrinas: A Bíblia, a tradição apostólica e o magistério da igreja. Por ser fundamentada em coisas além da Bíblia é que a Igreja Católica caiu no pecado da idolatria e em práticas anti-bíblicas. Por isso, tomemos o devido cuidado para não aceitarmos coisas que estejam além da Bíblia, mesmo que pareçam bastante espirituais.


Observações:

1) É importante observar que a inspiração está relacionada com as Escrituras e não com os autores das mesmas. Existe uma distinção entre a obra do Espírito nos autores humanos das Escrituras, movendo-os (II Pedro 1:21), e a obra Dele nas Escrituras, expirando-as, soprando-as ou, como foi traduzido por Almeida, inspirando-as (II Timóteo 3:16-17). Isso significa que não é correto falar sobre "autores inspirados", como foi incorretamente traduzido o texto de II Pedro 1:21 na Almeida Revista e Corrigida.

2) A seção sobre Animação foi baseada quase em sua totalidade num estudo alheio. Porém, como já faz bastante tempo que fiz este estudo, e como na época não guardei o link do estudo no qual me baseei, não consegui colocar sua referência aqui.

Comentários

2 comentários em "Conhecendo a Bíblia Sagrada (Parte 1)"

Beronildo Caetano disse...
31/07/2012 13:06:00

Que Deus em cristo abençoe sua vida por transmitir esse rico conhecimento retido sobre a bíblia para o povo

Beronildo Caetano disse...
31/07/2012 13:06:00

Que Deus em cristo abençoe sua vida por transmitir esse rico conhecimento retido sobre a bíblia para o povo

 

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