domingo, 24 de janeiro de 2010

Resenha: Livro Justification and Regeneration (Charles Leiter)

3 comentários

Este livro trata de dois temas centrais no Evangelho: a justificação e a regeneração.

No primeiro capítulo o grande problema humano - o pecado - é apresentado com vários detalhes, e os dois grandes lados desse problema são mostrados: o problema interno, que consiste em um coração mal, e o problema externo, que consiste em uma posição judicial má diante de Deus. Esses dois problemas são a razão de ser das duas doutrinas evangélicas que serão apresentadas no decorrer do livro.

Nos capítulos 2 e 3, a doutrina da justificação é apresentada como a solução para o problema externo do homem, sua posição má diante de Deus. Deus é justo e não pode tolerar o pecado. O homem, por outro lado, é injusto por causa do pecado e merece a condenação eterna. Como, então, pode ser o homem justo diante de Deus? A solução para esse problema foi a vinda de Jesus ao mundo para viver e morrer no lugar do homem, de modo que, pela Sua justiça, os homens pudessem ser justificados, não por uma infusão de justiça, mas pela imputação da justiça de Cristo à conta deles. Nisso consiste a justificação, que é o coração do Evangelho. Sete verdades são apresentadas em relação à justificação: 1) Ela é baseada no sangue de Cristo e é a justiça Dele que nos é imputada como justiça; 2) Ela significa "declarar alguém como justo" e não "fazer alguém justo"; 3) Ela não tem graus ou gradações, mas é um ato único; 4) Ela é mais do que perdão; 5) Ela é tanto positiva (imputação de justiça) quanto negativa (perdão de pecados); 6) Ela é de uma vez por todas, não podendo ser perdida, nem repetida; 7) Ela é recebida pela fé. A apresentação da doutrina da justificação é breve, mas muito clara, didática, bíblica e ortodoxa.

No capítulo 4, a doutrina da regeneração é apresentada como a solução para o problema interno do homem, seu coração mal. Deus não apenas declara o homem justo externamente, Ele também opera uma mudança moral internamente, de modo que o homem possa obedecer à Lei de Deus voluntariamente e com prazer. A justificação e a regeneração, ainda que atos distintos, são inseparáveis. Todo aquele que foi justificado também é regenerado.

Nos capítulos seguintes, do 5 ao 13, nove representações bíblicas da regeneração são apresentadas, cada uma mostrando a regeneração de um aspecto diferente: 1) Uma nova criação; 2) Um novo homem; 3) Um novo coração; 4) Um novo nascimento; 5) Uma nova natureza; 6) Uma crucificação e ressurreição; e uma mudança de reinos, 7) Da carne ao Espírito; 8) Da terra ao Céu; 9) Do pecado à Justiça.

Nesses capítulos Charles Leiter trata a regeneração com uma profundidade que eu nunca tinha visto em lugar algum. Normalmente, quando este tema é apresentado, o foco sempre é a conseqüência da regeneração, como a mudança da vontade, o arrependimento e a fé, a nova vida de santidade que brota dela, etc. No entanto, eu nunca havia visto uma análise da própria natureza da regeneração, do que ela realmente consiste. Leiter faz isso, e o faz de maneira magistral e bíblica. Chamo a atenção para o fato de Leiter argumentar biblicamente que a velha natureza do cristão já foi crucificada e sepultada, e que agora o seu verdadeiro ser é a nova natureza. Ao contrário da opinião popular, o cristão não é um ser dualístico, com duas naturezas, a velha e a nova, que lutam entre si. A velha natureza já morreu e o pecado que ainda permanece no cristão não está no que ele realmente é, a nova natureza, mas no aspecto mais externo do seu ser, na carne ou corpo do pecado, que é o próprio corpo físico corruptível. A santidade, pois, consiste em reconhecer o que de fato somos como novas criaturas e mortificar os feitos do corpo. Essa posição de Leiter é defendida por David Martyn Lloyd-Jones em suas exposições de Romanos, do capítulo 6 ao 8, e também é encontrada em alguns puritanos do século XVII.

O livro se encerra com dois capítulos, 14 e 15, que continuam as representações da mudança de reinos, mas abarcando nessas representações tanto a justificação quanto a regeneração: 1) Da lei à Graça; e 2) De Adão a Cristo. Nesse último capítulo especialmente, a doutrina da união com Cristo é apresentada como a grande realidade que torna possível a justificação, a regeneração e todas as bênçãos espirituais que temos em Cristo. Um final digno de um livro desse naipe.

O livro contém quatro apêndices muito úteis: A) Um sumário da regeneração com vários versículos; B) Uma explicação de I João 3.4-9, onde o apóstolo diz que o cristão não pode pecar; C) Uma explicação de Romanos 7, principalmente do "eu" dos versículos 14 a 25, mostrando como ele não é um cristão, mas alguém que foi convencido do pecado pela Lei; D) Um sumário de todas as bênçãos espirituais que temos em Cristo.

Este é um livro excelente, muito claro, didático e bíblico, e certamente um dos melhores que já li em minha vida. Leitura obrigatória para todos aqueles que desejam um conhecimento mais profundo da justificação e, principalmente, da regeneração.

Comentários

3 comentários em "Resenha: Livro Justification and Regeneration (Charles Leiter)"

(-V-) disse...
24 de janeiro de 2010 23:37

Rá, eu havia lhe dito ^^

Armando Marcos disse...
25 de janeiro de 2010 01:21

MAs esse livro ainda não existe nem em português e nem em espanhol né?

Abraços
Armando( estou repostando essa postagem no Sola, mas gostaria de pedir que, se possivel, divulgasse o Projeto Spurgeon tambem, pelo Banner disponivel em www.projetospurgeon.com.br
Abraços
Armando

Daniel dliver disse...
11 de janeiro de 2011 23:40

Em espanhol:
http://www.grantedministries.org/press.html

 

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