domingo, 10 de janeiro de 2010

Depravação Total e Soberania de Deus

6 comentários

Este texto é um e-mail enviado por mim, dia 09/01/2010, a um irmão com dúvidas sobre a depravação total e a soberania de Deus.

Estou bem, graças a Deus. E você, como está? Lembro-me de você sim.

Respondendo suas perguntas:

1) "Segundo a depravação total ninguém por si próprio consegue deixar a condição de pecador. Então, como Adão deixou a condição de salvo para ser um pecador? Ou ele não era um escolhido?"

A doutrina da Depravação Total ensina que, depois do pecado de Adão, todos os seus descendentes foram corrompidos de tal modo que não podem, por si mesmos, abandonar o pecado e escolher a Deus. Logo, não havia depravação total antes do pecado de Adão, e ele não foi criado depravado.

Por outro lado, a doutrina da Perseverança dos Santos ensina que aqueles que foram escolhidos por Deus na eternidade, por quem Cristo morreu na cruz e que foram regenerados pelo Espírito quando ouviram o Evangelho, nunca perderão sua salvação, mas serão preservados por Deus até a segunda vinda de Cristo, quando seus corpos serão glorificados para serem semelhantes ao de Jesus.

Agora, é importante notar que essas duas doutrinas se aplicam a pecadores, já que onde não há pecado não há depravação total, e sem pecado não há necessidade de salvação. Isso significa que elas não se aplicavam a Adão antes de sua queda. A situação de Adão antes da queda não era a mesma do salvo por Cristo. Deus criou Adão com a capacidade de escolher entre o bem e o mal (Gn.2.16-17) e, ainda que ele tenha sido criado santo (Gn.1.27), ele poderia cair desse estado de santidade, o que de fato aconteceu (Gn.3.6).

Mas isso não significa que Adão não era um escolhido. Após sua queda, o texto bíblico deixa implícito que Deus mesmo fez o primeiro sacrifício animal pelo pecado do homem (Gn.3.21), simbolizando o sacrifício perfeito que seria oferecido por Seu Filho Jesus Cristo de uma vez por todas (Hb.10.12), e que Deus prometeu no chamado proto-evangelho: "Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar" (Gn.3.15). Se Adão recebeu essa promessa pela fé, o que é muito provável, ele foi salvo e, obviamente, era um escolhido.

2) "Se era, por que Deus deu ínicio a isso tudo, se poderia ter resolvido tudo ali mesmo? E mais, como Deus predestinaria um homem a ser um estuprador, sendo sua vítima um escolhido?"

Nós sabemos que Deus criou o mundo e determinou toda a história com um propósito bem definido: Sua própria glória (Rm.11.36) e o bem dos Seus escolhidos (Rm.8.28). Sendo assim, podemos dizer que a forma como as coisas aconteceram, acontecem e acontecerão é a melhor possível para que esse propósito de Deus seja cumprido.

Se Adão não tivesse caído, Jesus não teria se encarnado, morrido e ressuscitado para a salvação dos Seus escolhidos, e Deus não seria glorificado por Seu amor e graça ao salvá-los. Por outro lado, Deus não seria glorificado como justo ao condenar o pecado e aqueles que o praticam.

Vemos como a queda de Adão já estava nos planos de Deus na eternidade quando descobrimos que a vinda de Jesus ao mundo já havia sido determinada de antemão. Ele é o Cordeiro morto desde a fundação do mundo (Ap.13.8) e foi entregue pelo determinado desígno e presciência de Deus (At.2.23).

Quanto ao caso hipotético do estuprador, Deus determina as coisas de tal modo que o estruprador é inteiramente responsável pelo seu próprio pecado, e o eleito, que é a sua vítima, é beneficiado por esse mal, que Deus tornará em bem (Gn.45.7-8; 50.20).

Hoje nós podemos não entender perfeitamente como todas as coisas, mesmo as más, cumprirão o supremo propósito de Deus de glorificar a Si mesmo e dar alegria ao Seus eleitos, porque ainda vemos em parte. Mas quando todo o quebra-cabeça da história estiver montado, veremos a sabedoria de Deus impressa em cada uma das peças.

Essa é a resposta bíblica para essa questão e é o máximo que podemos dizer. Não devemos querer saber mais do que devemos, ultrapassando o que está escrito (I Co.4.6), pois "as coisas encobertas pertencem ao SENHOR" (Dt.29.29). Nem devemos questionar a Deus sobre a forma como Ele lida com o mundo: "Acaso, dirá o barro ao que lhe dá forma: Que fazes? Ou: A tua obra não tem alça" (Is.45.9); "Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?" (Rm.9.20). Devemos, pelo contrário, nos curvarmos em adoração juntamente com Paulo: "Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!" (Rm.11.36).

Espero ter ajudado. Qualquer dúvida, fique à vontade para perguntar.

Que Deus te abençoe!

Comentários

6 comentários em "Depravação Total e Soberania de Deus"

Helvecio.p disse...
20 de janeiro de 2010 01:12

Querido,sinto dizer-lhe, a sua explicação é por demais sofrível e do ponto de vista dos argumentos apresentados bastante frágilpois até se contradizem. Sugiro revê-los cuidadosamente, não lendo teolgia mas a própria Bíblia toda e em oração, perguntando se as coisas são desse modo mesmo.

Para não tomar espaço no seu blog, mas para futuras reflexões se quizer avesse o meu blog e as postagens sobre o mesmo assunto:

http://mensagemdopregador.blogspot.com/2010/01/expressoes-que-biblia-nao-traz.htm

Favor, se puder, postagens posteriores a essas. Por favor faça umcomentário emcada uma. Será bem vindo

Somos de Cristo. A paz.

Rodrigo Campos disse...
20 de janeiro de 2010 16:51

Também faz parte do plano de Deus no tempo ser glorificado pelos seus textos André.

Djalma de Jesus disse...
3 de fevereiro de 2010 15:12

Parabens, colocações perfeitas e irreprensíveis, mais bíblico seria impossivel.

André Aloísio disse...
13 de fevereiro de 2010 14:31

Olá Helvecio,

Como você apenas criticou meus argumentos, mas não mostrou biblicamente onde eu errei, não preciso te responder. Apenas digo que esses argumentos são fruto de cerca de nove anos de estudos nas Escrituras, em oração e em atenção ao contexto histórico-gramatical das mesmas. E mais do que isso, essa é a fé que tem sido defendida pelos santos no decorrer da história da Igreja.

Abraços,

André Aloísio
O principal dos pecadores (I Tm.1.15)

Walter Estofados disse...
26 de fevereiro de 2010 23:07

Ola irmão andré

Quando te fiz essa pergunta tinha duvidas no meu coração, que por sinal foram muito bem esclarecidas
fiquei satisfeito. obrigado.

André Aloísio disse...
25 de abril de 2010 15:04

Olá Walter,

Fico feliz que sua dúvida tenha sido respondida. Qualquer coisa estamos aqui.

Que Deus te abençoe!

Abraços,

André Aloísio
O principal dos pecadores (I Tm.1.15)

 

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