segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Humildade no Lugar Errado: Ludmila, Padre Fábio e o Faustão.

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Domingo à tarde, dia 12 de dezembro, tivemos um momento épico no conhecido programa do Faustão. Tivemos a cantora Ludmila Ferber e o padre Fábio de Melo, juntos, em um encontro ecumênico, representando a tolerância religiosa que deve existir entre o Catolicismo Romano e as comunidades evangélicas do Brasil.

O que para muitos é uma vitória, para o Cristianismo Bíblico é um momento de vergonha. Não que eu defenda violência ou desamor entre pessoas de diferentes religiões, mas o que eu vi foi além disto. O que foi pregado e proposto foi um relativismo teológico sem fronteiras. Claro, eu entendo que o apresentador Fausto Silva, como não-Cristão, defenda que teologia e questões doutrinárias sejam desimportantes, como ele bem disse:

Vocês têm aqui diferentes visões. O importante é que os dois estão aqui [...] mostrando que não importa a igreja, [...] você tem é que respeitar a opção de cada um. [...] Cada um tem que entender as peculiaridades de cada igreja e de cada mandamento.

Agora, o que eu não entendo é como a Ludmila, que se professa pastora e Cristã, pode concordar com as opiniões de tal apresentador, balançando a cabeça em cada palavra expressa por ele.

Faustão: Não é melhor nem pior, cada igreja tem as suas características, seus detalhes.
Ludmila: Cada um anda na luz que tem.

Perceba a força desta frase! “Cada um anda na luz que tem”. Será que Cristo diria isto se, em rede nacional, fosse questionado sobre as divergências doutrinárias nas religiões de seu país? Será que Jesus, o qual foi tão polêmico, incisivo, duro e radical em suas críticas às outras religiões, defenderia que devemos andar cada um em seu próprio entendimento da verdade? Leia sua Bíblia e você verá que não.

Não é difícil perceber que a religião que pretensamente intitula-se de Cristã, a mesma que foi representada no Programa do Faustão, está totalmente distante do Cristianismo que Jesus veio pregar. Quer saber por quê? Isso é culpa de uma humildade manifesta no lugar errado. Deixe-me explicar: o homem foi chamado para ser modesto e, com isso, duvidar sempre de si mesmo. A humildade Cristã deve sempre ser posta em nossa própria capacidade e forças. Com isso, seremos pessoas que transmitem Cristo com o próprio viver. O problema de hoje é que as pessoas põem sua humildade numa área que não deviam: na área do conhecimento de Deus. O homem deve sempre mostrar-se duvidoso a respeito de si mesmo, mas não a respeito da Verdade; e isto foi invertido completamente nos dias atuais.

O que vimos neste domingo foi um verdadeiro show de humildade manifesta no lugar errado. Cada vez que um tema polêmico era posto em pauta, todos se apressavam m dizer que cada um tinha sua visão, cada um tinha sua doutrina, cada um tinha seu cada um. Não era difícil ver o esforço mútuo de não querer parecer “dono da verdade”.

Acho que G. K. Chesterton escreveu uma verdadeira profecia quando, em 1908, disse que es-tamos em vias de produzir uma raça de homens mentalmente modestos demais para acreditar na tabuada. Do modo com as coisas vão indo, o relativismo será a nova lei nas igrejas de nosso país, se já não o for.

Fonte: Cante as Escrituras.

domingo, 28 de novembro de 2010

Nossa Depravação

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Já postei esse poema aqui, mas fiz umas modificações e estou atualizando.

Nossa Depravação

Em delitos e pecados nós morremos,
com olhos furtivos e lábios blasfemos.
No curso do mundo era meu caminhar:
Servo de trevas e potestades do ar.
Minha carne reinava sobre meu ser:
Um filho da Ira, pronto a perecer.

Mesmo depois de toda a afronta,
a salvação já estava pronta.
Das mais densas trevas Ele nos tirou.
Por isso que minh'alma canta:
merecíamos Sua Ira Santa
mas ainda sim Ele nos perdoou,
depois que pecamos como o acusador pecou.

Não há justo na terra, nem um sequer,
ninguém que Te entende, Te busca ou Te quer.
Todos são desviados do teu amor.
Suas obras são más: podridão e fedor.
Todos pecaram, sem Tua glória estão;
mas em Cristo Jesus temos redenção.

sábado, 20 de novembro de 2010

Universidade Mackenzie: Em defesa da liberdade de expressão religiosa

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A Universidade Presbiteriana Mackenzie vem recebendo ataques e críticas por um texto alegadamente “homofóbico” veiculado em seu site desde 2007. Nós, de várias denominações cristãs, vimos prestar solidariedade à instituição. Nós nos levantamos contra o uso indiscriminado do termo “homofobia”, que pretende aplicar-se tanto a assassinos, agressores e discriminadores de homossexuais quanto a líderes religiosos cristãos que, à luz da Escritura Sagrada, consideram a homossexualidade um pecado. Ora, nossa liberdade de consciência e de expressão não nos pode ser negada, nem confundida com violência. Consideramos que mencionar pecados para chamar os homens a um arrependimento voluntário é parte integrante do anúncio do Evangelho de Jesus Cristo. Nenhum discurso de ódio pode se calcar na pregação do amor e da graça de Deus.

Como cristãos, temos o mandato bíblico de oferecer o Evangelho da salvação a todas as pessoas. Jesus Cristo morreu para salvar e reconciliar o ser humano com Deus. Cremos, de acordo com as Escrituras, que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23). Somos pecadores, todos nós. Não existe uma divisão entre “pecadores” e “não-pecadores”. A Bíblia apresenta longas listas de pecado e informa que sem o perdão de Deus o homem está perdido e condenado. Sabemos que são pecado: “prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, rivalidades, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias” (Gálatas 5.19). Em sua interpretação tradicional e histórica, as Escrituras judaico-cristãs tratam da conduta homossexual como um pecado, como demonstram os textos de Levítico 18.22, 1Coríntios 6.9-10, Romanos 1.18-32, entre outros. Se queremos o arrependimento e a conversão do perdido, precisamos nomear também esse pecado. Não desejamos mudança de comportamento por força de lei, mas sim, a conversão do coração. E a conversão do coração não passa por pressão externa, mas pela ação graciosa e persuasiva do Espírito Santo de Deus, que, como ensinou o Senhor Jesus Cristo, convence “do pecado, da justiça e do juízo” (João 16.8).

Queremos assim nos certificar de que a eventual aprovação de leis chamadas anti-homofobia não nos impedirá de estender esse convite livremente a todos, um convite que também pode ser recusado. Não somos a favor de nenhum tipo de lei que proíba a conduta homossexual; da mesma forma, somos contrários a qualquer lei que atente contra um princípio caro à sociedade brasileira: a liberdade de consciência. A Constituição Federal (artigo 5º) assegura que “todos são iguais perante a lei”, “estipula ser inviolável a liberdade de consciência e de crença” e “estipula que ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política”. Também nos opomos a qualquer força exterior – intimidação, ameaças, agressões verbais e físicas – que vise à mudança de mentalidades. Não aceitamos que a criminalização da opinião seja um instrumento válido para transformações sociais, pois, além de inconstitucional, fomenta uma indesejável onda de autoritarismo, ferindo as bases da democracia. Assim como não buscamos reprimir a conduta homossexual por esses meios coercivos, não queremos que os mesmos meios sejam utilizados para que deixemos de pregar o que cremos. Queremos manter nossa liberdade de anunciar o arrependimento e o perdão de Deus publicamente. Queremos sustentar nosso direito de abrir instituições de ensino confessionais, que reflitam a cosmovisão cristã. Queremos garantir que a comunidade religiosa possa exprimir-se sobre todos os assuntos importantes para a sociedade.

Manifestamos, portanto, nosso total apoio ao pronunciamento da Igreja Presbiteriana do Brasil publicado no ano de 2007 [LINK http://www.ipb.org.br/noticias/noticia_inteligente.php3?id=808] e reproduzido parcialmente, também em 2007, no site da Universidade Presbiteriana Mackenzie, por seu chanceler, Reverendo Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes. Se ativistas homossexuais pretendem criminalizar a postura da Universidade Presbiteriana Mackenzie, devem se preparar para confrontar igualmente a Igreja Presbiteriana do Brasil, as igrejas evangélicas de todo o país, a Igreja Católica Apostólica Romana, a Congregação Judaica do Brasil e, em última instância, censurar as próprias Escrituras judaico-cristãs. Indivíduos, grupos religiosos e instituições têm o direito garantido por lei de expressar sua confessionalidade e sua consciência sujeitas à Palavra de Deus. Postamo-nos firmemente para que essa liberdade não nos seja tirada.

Este manifesto é uma criação coletiva com vistas a representar o pensamento cristão brasileiro. Para ampla divulgação.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A importância de uma esposa submissa (Parte 1)

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Parte: [1][2][3]



1) A submissão da esposa ao seu marido é um mandamento divino

"Esposas, sede submissas ao próprio marido, como convém no Senhor" (Cl 3.18).

A submissão da mulher dentro do núcleo matrimonial é um mandamento que deve ser cumprido, tendo como objetivo principal a glorificação e obediência a Deus. Paulo ensina que o homem e a mulher se completam, sendo iguais perante Deus (1Co 11.11-12). Porém, no casamento, o marido tem a liderança, à qual a esposa responde, e essa liderança lhe dá a iniciativa.

Para continuarmos a análise desse primeiro ponto, iremos usar um exemplo bíblico de uma esposa submissa: Sara, esposa de Abraão. Sara era natural da cidade de Ur, dos Caldeus, localizada às margens do Eufrates, ao sul da imponente Babilônia. Era a cidade mais importante da Suméria e possuía um porto por meio do qual se realizava o intercâmbio comercial com outros povos. Seus habitantes estavam entre os mais cultos da Mesopotâmia. Deixar um lugar como esse não era fácil para uma mulher, mas para responder ao chamado, Sara privou-se de uma cidade cosmopolita, bastante desenvolvida e com a infra-estrutura ideal para o estabelecimento de uma excelente residência, além de abrir mão de parentes e amigos. Andou por terras estranhas e desertos, dormindo em tendas (Hb 11.8-16). O exemplo de Sara deve ser seguido, levando em consideração dois pontos principais: a submissão a Deus e ao seu esposo. Seu exemplo é tão patente que o apóstolo Pedro, séculos depois, enalteceu-a pela obediência ao marido:

“Pois foi assim também que a si mesmas se ataviaram, outrora, as santas mulheres que esperavam em Deus, estando submissas a seu próprio marido, como fazia Sara, que obedeceu a Abraão, chamando-lhe senhor, da qual vós vos tornastes filhas, praticando o bem e não temendo perturbação alguma” (1Pe 3.5-6).

Então, já sabemos como deve ser o comportamento da esposa dentro do casamento. Agora vamos entrar em uma questão que gera muitas dúvidas: “a esposa deve ser submissa ao esposo incrédulo?”. A resposta é bem clara e direta: a esposa deve sim ser submissa ao marido, mesmo sendo ele descrente. Como o apóstolo Pedro ensina, a submissão da esposa convertida ao marido não convertido é uma forma clara de evangelismo, pois através do seu santo testemunho, ele vive diariamente com uma serva temente a Deus:

“Mulheres, sede vós, igualmente, submissas a vosso próprio marido, para que, se ele ainda não obedece à palavra, seja ganho, sem palavra alguma, por meio do procedimento de sua esposa, ao observar o vosso honesto comportamento cheio de temor” (1Pe 3.1-2).

As mulheres cristãs são conclamadas a seguir o exemplo de Sara, que em tudo foi submissa ao seu marido. Os maridos, por sua vez, devem se sentir responsabilizados por terem tamanho tesouro em suas mãos (Pv 31.10). Eles devem amar, respeitar e tratar suas esposas com carinho, para que a submissão delas não seja um fardo, mas um privilégio.

Nova colaboradora: Jacilene Santos da Silva

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É com muita alegria que anuncio a entrada de uma nova colaboradora para o blog Teologia e Vida: a irmã Jacilene Santos da Silva.

Jacilene é uma jovem de vinte anos e mora em Parnaíba, PI. Foi convertida aos onze anos e, um ano depois, foi batizada já como uma reformada convicta, herdeira da teologia puritana do século XVII. É membro da Igreja Presbiteriana Filadélfia, onde serve no ministério de evangelismo pessoal e de ensino na Escola Bíblica Dominical da Congregação Presbiteriana Nova Jerusalém. Está no último ano do curso técnico de Construção Civil, no Instituto Federal do Piauí, e trabalha como Técnica em Edificações.

Pela providência de Deus, Jacilene veio a se tornar minha namorada e tem sido uma grande benção em minha vida. Por meio de sua perspicaz inteligência e grande sabedoria, somadas ao seu vasto conhecimento bíblico e teológico, ela tem ajudado muitos cristãos, inclusive eu, em sua peregrinação espiritual. Creio que ela também será uma grande benção na vida de todos os leitores do nosso blog.

Jacilene, minha puritana nordestina, seja bem-vinda e que Deus te use grandemente, para a glória Dele!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Guerra Contra o Pecado

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Para quem não sabe, eu faço parte de um grupo de missões urbanas aqui do Ceará. A Missão GAP prega em escolas, formando reúniões uma vez por semana onde os alunos são convidados a participar. Como as atividades escolares estão acabando, as reuniões do GAP deste ano estão indo junto. Na última reunião do núcleo que faço parte, passamos o vídeo "Faça Guerra", de John Piper e depois pregamos para os cristãos. Quem quiser conhecer nosso trabalho, aqui vai a filmagem da pregação. Orem por nós,para que possamos levar teologia bíblica para jovens cristãos e levar o evangelho para os jovens perdidos. Que Cristo ilumine Sua Igreja.

domingo, 17 de outubro de 2010

Pão e Vinho

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Muito se discute acerca da Ceia do Senhor. Assim, não quero debater em relação à Transubstanciação ou à Consubstanciação ou qualquer tema similar. Tenho como único propósito nesta brevíssima meditação resgatar o significado bíblico de celebrarmos a Santa Ceia e, com isto, trazer à tona o sentimento que deve transbordar no coração do cristão quando prova do pão e do vinho.



"Tomando o pão, deu graças, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: "Isto é o meu corpo dado em favor de vocês; façam isto em memória de mim". Da mesma forma, depois da ceia, tomou o cálice, dizendo: "Este cálice é a nova aliança no meu sangue, derramado em favor de vocês" (Lc 22:19,20).

Jesus deixa algo claro sobre a Ceia: devemos fazer isso em Sua memória. Logo, se não temos algo para lembrar, celebramos um ritual vazio. Nós precisamos de uma imagem vívida em nossa mente que dê sentido a tal momento. Assim, a pergunta é: o que deve ser recordado em um momento tão solene? Acredito que Cristo nos mostrou especificamente o que devemos lembrar.

Cristo não diz apenas que o pão significa Seu corpo, mas Ele deixa claro que era o “corpo dado em favor de” nós. Foi no corpo de Cristo que nosso pecado foi lançado. Foi na humanidade de Cristo que toda impiedade foi imputada. Foi na carne d’Ele que todo o sofrimento foi consumado. Esse corpo foi entregue por nós e é isso que precisamos lembrar enquanto provamos aquele pão. Assim, sempre que meus dentes trituram aquele pão, eu me lembro do chicote triturando o corpo de Jesus, da cruz, da zombaria, do sofrimento indizível. Acredito que é disto que precisamos lembrar quando tomamos o pão.

O vinho, por sua vez, representa o sangue de Cristo, o qual foi “derramado em favor de” nós, representando a nova aliança. Foi o sangue d’Ele sobre nós que nos salvou do inferno. Foi o sangue d’Ele que nos deu vida. Apenas através daquele sangue nós somos perdoados e redimidos. Assim, quando o vinho é derramado daquele cálice, lembro do sangue que foi derramado do corpo de Cristo. O Sangue que me cobre para a salvação.

Não devemos ter pensamentos vagos sobre a obra de Cristo. Jesus teve Seu corpo partido e Seu sangue derramado de modos específicos. Devemos ter a obra d’Ele em mente quando participamos da Santa Ceia. Se não comermos do pão e bebermos do vinho lembrando a obra d’Ele, não estaremos participando verdadeiramente da mesa do Senhor.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Lidando com o orgulho

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"Então, a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal." (Gn 3:4-5)

Talvez possamos dizer que o orgulho é a raiz de todo pecado. Foi por causa do orgulho que o ser humano rebelou-se contra Deus. O homem amou mais a si mesmo do que a Deus; quis ser como Deus, quis elevar sua posição. O orgulho nada mais é do que um amor pelo próprio ego que descaracteriza o homem de seu propósito original, que é amar e glorificar a Deus supremamente.

Mesmo na vida dos crentes, ainda há remanescentes de orgulho, que muitas vezes são difíceis de arrancar do coração. Muitos cristãos, especialmente aqueles a quem o Senhor tem concedido conhecimento, dons e ministérios, travam uma luta interna terrível contra o orgulho.

Como, pois, pode o cristão vencer este dragão insaciável chamado orgulho? Como derrotar esse ímpeto tão poderoso que assombra o coração dos sinceros filhos de Deus? Gostaria de oferecer alguns conselhos, na esperança de que possa ajudá-lo a se humilhar perante o Senhor.

Contemple o Cristo crucificado

Não há nada que humilhe mais um homem do que contemplar o Cristo crucificado. Veja Ele, naquela cruz! Onde está a Sua reputação? Ele é motivo de escárnio e desprezo, é injuriado e blasfemado. O despiram de Suas vestes, lançaram sortes sobre sua túnica, deram-lhe vinagre a beber. Tudo isso para salvar pecadores como nós!

Em lugar da coroa dourada que merecia, Ele recebeu uma coroa de espinhos. Furaram-lhe o lado, de onde jorrou sangue e água. Que cena é essa! Verdadeiramente "Ele esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e achado em forma humana, foi obediente até a morte, e morte de cruz" (Fp 2:7-8).

Olhe para a cruz, meu irmão! Medite nela e veja que você é tão pecador que foi necessário o derramamento do sangue do Filho de Deus para salvá-lo. Suas manchas são tão escuras e estão tão impregnadas em você que somente o sangue do Cordeiro puro e imaculado poderia limpá-lo. Diante de um Salvador tão maravilhoso, que sofreu tanto na cruz pelos seus incontáveis pecados, haveria lugar para o orgulho? Ah, pecador, prostre-se perante Ele, mire seu olhar nessa cruz, e verá seu orgulho ser dissipado.

Contemple a majestade de Deus

Deus é eterno e infinito, grande, além de toda a imaginação. Que direito teria o homem de exaltar a si mesmo? Ah, uma visão da glória exuberante de Deus! É o que o homem orgulhoso precisa para humilhar-se.

Vejamos, por exemplo, Isaías. No capítulo 6 de seu livro, Ele contempla ao Senhor em glória e santidade. Qual é a sua reação? Ele coloca-se no seu devido lugar, dizendo: "Ai de mim, que estou perecendo! Sou homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios, e meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!". Outro exemplo é Jó. Deus havia se revelado maravilhosamente a Jó, de modo que no capítulo 42 de seu livro, ele tem que confessar: "Falei de coisas que não entendia, que eram maravilhosas demais para mim (...) eu te conhecia só de ouvir falar, agora meus olhos Te veêm; por isso, me desprezo e me arrependo no pó e na cinza".

Medite na majestade gloriosa de Deus, meu querido irmão. Ore para que o Senhor abra seus olhos para que você possa ver a Sua glória, que brilha no rosto de Jesus Cristo. Medite em Seus atributos eternos e em Suas obras gloriosas. Isso minará o orgulho de seu coração.

Aprofunde-se na graça

Em Efésios 2, é dito que a salvação é pela graça, "para que ninguém se glorie". Graça é o favor imerecido de Deus para com os homens. É Deus amando aqueles que merecem ser justamente odiados. É o Rei do Universo reconciliando Seus inimigos com Ele mesmo. Isso é graça.

A graça nos diz que não somos capazes de fazer nada por nós mesmos. Cumprir a lei de Deus? Jamais seremos capazes disso. Crer no nome do Senhor Jesus Cristo? Abandonarmos nossos pecados? Oh, não, não, a graça ensina que você não pode fazer nenhuma dessas coisas, não é capaz, a sua limitação é tão gritante que você não pode mover um centímetro para ajudar a si mesmo. Você depende da graça para ser salvo. Até mesmo suas ações voluntárias de arrependimento e fé são fruto de uma obra da graça de Deus no seu coração. A perseverança, que é seu dever como cristão e deve ser buscada por você, é também, no fim das contas, fruto da graça de Deus na sua vida.

Cristão, você está debaixo dessa graça onipotente e irresistível. Esse é o ensino bíblico. Humilhe-se e deleite-se diante dessa graça maravilhosa que alcançou sua vida. Consuma-se a si mesmo nesse oceano de graça; ela é infinita, exuberante, gloriosa. Quanto mais compreender e alegrar-se na graça do Senhor Jesus Cristo, mais se humilhará perante Ele.

Conclusão

Talvez mais conselhos poderiam ser dados. Para vencer o orgulho, também é bom exercitar-se no amor. Pensar sobre a eternidade também será bom para conscientizá-lo de que você nada é. Observar que nossas vidas dependem absolutamente de Deus e que, se por um momento sequer Ele nos deixasse, certamente morreríamos, também nos fará parar de superestimarmos a nós mesmos. Comece a valorizar mais o seu próximo do que você mesmo. Abra mão de seu desejo de ter a última palavra. Veja que alguns sofrimentos e tribulações na sua vida servem justamente ao propósito de humilhá-lo perante Deus. Aprenda a humilhar-se dia após dia. Que Cristo cresça e que você diminua.

Acima de tudo, minha exortação final, com todo amor e com um desejo ardente de que isso seja uma realidade na sua vida: glorie-se unicamente na cruz. Sejamos, todos nós, como Paulo, que disse: "longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo" (Gl 6:14), sabendo que Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.

De seu irmão, que depende absolutamente do Senhor,
Davi.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Breve comentário sobre 1 Timóteo 2.4

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"...o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade" (1Tm 2.4).

Muitos utilizam este texto como prova de que Deus deseja a salvação de todos sem exceção. Mas se observarmos o contexto da passagem veremos que não era isso que Paulo pretendia dizer:

"Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade" (1Tm 2.1-4).

Paulo exorta Timóteo a orar por "todos os homens" no verso 1. E no verso 4 diz que Deus deseja a salvação de "todos os homens". Ora, ambas as expressões estão no mesmo contexto e devem ter necessariamente o mesmo significado. Se no verso 4 o significado é que Deus deseja que todos os homens sem exceção sejam salvos, todos do passado, do presente e do futuro, então no verso 1 Paulo deve ter pretendido o mesmo significado. Porém, como Timóteo poderia cumprir esse dever? Orar por todos os homens sem exceção não só é impossível, como também é antibíblico, pois não podemos orar pelos mortos.

Mas, então, qual é o significado de "todos os homens" no texto? Paulo mesmo explica: "em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade" (vs.1-2). "Todos os homens" significa todos os tipos de homens, neste caso, especialmente os governantes. Isso está em harmonia com o restante da Bíblia, que afirma que pessoas de todos os povos, tribos, línguas, nações (Ap 7.9), classes sociais e sexos (Gl 3.28; Cl 3.11) serão salvas. Mas Deus não deseja a salvação de todos os homens sem exceção, assim como Timóteo não poderia orar por todos os homens sem exceção.

André Aloísio
11 de outubro de 2010
Campinas, SP

domingo, 10 de outubro de 2010

A Harmonia da Lei de Deus e do Evangelho

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Este é o capítulo 11 da Confissão de Fé do Voltemos ao Evangelho, escrito por mim, o qual mostra a correta relação entre a Lei e o Evangelho segundo as Escrituras.

Cremos que a Lei de Deus, compreendida resumidamente nos Dez Mandamentos, e ainda resumida no amor a Deus e ao próximo, é a expressão do próprio caráter de Deus, e, como tal, é a regra eterna e imutável de Seu governo moral, sendo santa, justa e boa.1 No entanto, devido ao estado pecaminoso no qual todo ser humano se encontra naturalmente, ninguém pode obedecê-la perfeitamente, de modo que todos estão debaixo de maldição e justamente condenados à morte.2 O Evangelho não é contrário à Lei; antes, lhe dá pleno cumprimento,3 através da obediência perfeita de Cristo e de Seu sacrifício na cruz, que livrou todo o Seu povo da penalidade e maldição da Lei,4 e através da obra regeneradora e santificadora do Espírito Santo, que capacita os crentes a se conformarem cada vez mais a essa Lei até aquele Dia, quando serão glorificados para tornarem-se semelhantes a Cristo e perfeitos em sua obediência.5

1 Ex 20.1-17; Dt 10.4; Mt 7.12; 22.34-40; Rm 13.8-10; Mt 5.17-19; Tg 1.25; 2.8-12; 1Jo 3.4; Rm 7.12,14; 2 Rm 3.9-20,23; 7.7-25; Gl 3.10-12; Tg 2.10; 3 Rm 3.31; Gl 3.21; 4 Rm 8.1-3; Gl 3.13-14; 5 Jr 31.33; Ez 11.19-20; 36.26-27; Rm 8.4-9; Hb 8.7-13; Fp 3.11-16; 1Jo 3.2.

sábado, 9 de outubro de 2010

Se o Senhor quiser

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“Ouçam agora, vocês que dizem: ‘Hoje ou amanhã iremos para esta ou aquela cidade, passaremos um ano ali, faremos negócios e ganharemos dinheiro’. [...] Ao invés disso, de-veria dizer: ‘Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isso ou aquilo’” (Tg 4:13,15).



Se o Senhor quiser – Uma escolha interessante de palavras. Tiago não disse “se o Senhor permitir” ou “se o Senhor deixar”, mas “se o Senhor quiser”. Há algo muito claro nisso: tudo aquilo que acontece no universo acontece porque Deus assim o quis e tudo aquilo que não acontece no universo não acontece porque Deus não o quis assim.

Muitos têm a idéia de que há um fluxo natural de acontecimentos independentes de Deus, os quais Ele permite que aconteçam ou não. Por exemplo, o fluxo natural diz que vai chover amanhã, pois as nuvens já estão carregadas. Deus pode ou não intervir nessa chuva. Ou então, o fluxo natural diz que alguém vai morrer, pois ele levou um tiro em um órgão vital. Deus pode ou não intervir nessa morte. Essa é a concepção moderna que muitos têm da Soberania de Deus.

O problema nessa idéia é que não existem forças independentes de Deus nem um fluxo natural à parte d’Ele: "... por meio dele... são todas as coisas..." (Rm 11:36). Não há tal coisa como permissão ou vontade permissiva de Deus. As coisas acontecem, não porque Deus permitiu, mas porque Ele quis. O teólogo e filósofo Gordon Clark Comenta:

"A Idéia de permissão é possível somente onde há uma força independente... Mas essa não é a situação no caso de Deus e o universo. Nada no universo pode ser independente do Criador Onipotente, pois nele vivemos, nos movemos e temos nossa existência [At 17:28]. Portanto, a idéia de permissão não faz sentido quando aplicada a Deus"[1]

Virtualmente, todos os cristãos crêem veementemente que Deus é Soberano [2]. O problema é que uns atribuem isso a Deus permitir ou não que os fatos aconteçam. Na verdade, essa não é a Soberania que as Escrituras dão a Deus. As Escrituras monstram um Senhor poderoso sobre cada detalhe do universo: Ele é Soberano sobre os corações (Pv 21:1). Ele é Soberano sobre a natureza (Mt 10:29). Ele é Soberano sobre a oração (Lc 22:42). Ele é Soberano sobre a vida e a morte (Dt 32:39). Ele é Soberano sobre as nações (Dn 4:17). Ele é Soberano sobre o arrependimento (Rm 2:4). Ele é Soberano sobre a evangelização (At 13:48). Ele é Soberano sobre cada dia meu (Sl 139:16). Ele é Soberano sobre os homens (Dn 4:35). Ele é Soberano sobre cada ínfimo detalhe da vida (Mt 10:30). Essa é a Soberania Bíblica! Se essa não é a Soberania que você acredita que Deus possui, então você não acredita no Deus da Escritura.

Alguns tentam afirmar que Deus escolheu criar uma realidade onde Ele permite que algumas coisas funcionem independentes d’Ele. Um exemplo seria a teoria do livre-arbítrio, a qual afirma que o homem possui a escolha final sobre sua salvação [3]. A questão é: Deus pode levar o homem a querê-lo? Se não, não é Soberano; se sim, não há isso de livre-arbítrio.

A Onipotência de Deus não diz que Ele pode ir contra a própria natureza: Deus não pode mentir (Hb 6:18), não pode ser tentado (Tg 1:13) e não pode deixar de existir (Sl 102:25-27). Assim, Deus também não pode deixar de ser Soberano sobre algo. Se Ele houvesse criado algum ser cuja vontade não pudesse ser inclinada, Deus estaria abrindo mão de Sua soberania, o que é anti-bíblico. Eu diria mais: ou Deus é definitiva e completamente Soberano ou Ele não é e nunca foi Deus de verdade.

Referências
[1] Gordon H. Clark, Religion, Reason and Revelation (Jefferson, MD: Trinity Foundatiom, 1986), 199. p.206.
[2] Deixo claro que o Teísmo Aberto não é um movimento legitimamente cristão, e deve ser tratado como uma heresia.
[3] Sei que há uma definição diferente de livre-arbítrio para cada pessoa que crê nele, mas, no final, o que todos querem dizer é que o homem é quem tem a escolha final por Deus.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Deus Conosco

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"Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco)" (Mt 1:23)

Jesus é Deus conosco. É a Palavra eterna que tudo criou e, fazendo-se carne, habitou entre nós, cheio de graça e verdade (Jo 1:14). É Aquele que prometeu estar conosco até o fim, por meio do Seu Espírito (Mt 28:20). Ele é também aquele que garantiu que virá novamente, a fim de reunir Seu povo e estar para sempre conosco (1 Ts 4:17).

Jesus é Deus conosco em meio ao sofrimento. Nosso Senhor nunca nos prometeu uma vida livre de sofrimentos e angústias, pelo contrário, Ele nos assegurou que teríamos aflições neste mundo (Jo 16:33). A porta é estreita; o caminho, apertado. O apóstolo Paulo nos informa que "todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos" (2 Tm 3:12). Jesus chega a dizer que, por causa do Seu nome, todos nos odiariam (Mt 10:22). Contudo, mesmo em meio ao sofrimento, nosso Senhor não nos desampara. Ele é "homem de dores e que sabe o que é padecer" (Is 53:3). Ele entende o sofrimento e está conosco nos piores momentos. Como bradam as Escrituras: "Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?" (Rm 8:35).

Jesus é Deus conosco em meio à depressão. O salmista disse certa vez: "Sinto abatida dentro de mim a minha alma" (Sl 42:6). Ele chegou ao ponto de dizer: "As minhas lágrimas têm sido o meu alimento dia e noite" (Sl 42:3). Que grande tristeza e depressão ele estava sentindo! Todos, mesmo cristãos, estão sujeitos a passar por momentos assim, onde parece que a vida perde o brilho, o ânimo vai embora, o sorriso desaparece. Mesmo nesses momentos, Jesus está sempre conosco. O próprio Senhor, em um momento crítico de sua vida, chegou a dizer: "A minha alma está profundamente triste até à morte" (Mc 14:34). Ele sabe o que é tristeza. Entende as decepções, frustrações, feridas, conhece as profundezas dos coração do ser humano. Mas, graças a Deus, Ele está disposto a vir ao nosso encontro e nos saciar com alegria verdadeira e duradoura, como Ele mesmo prometeu aos seus discípulos: "outra vez vos verei; o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém poderá tirar" (Jo 16:22).

Jesus é Deus conosco em meio às tentações. Todos nós, mesmo nascidos de novo, sofremos tentações diariamente. Ainda há nos cristãos uma natureza pecaminosa que os incita para o pecado (Gl 5:17), contra a qual temos que lutar no poder do Espírito, pela Sua Palavra. Aqueles que tem andado com Jesus sabem que há algumas tentações que são terríveis, muito pesadas, a ponto de parecer que não há como escapar. Mas, novamente, Jesus está conosco nesses momentos, mesmo naquelas horas em que o peso da tentação nos oprime, onde parece que o nosso entendimento está escurecido e nossos sentidos seduzidos, ao ponto de nem conseguirmos raciocinar direito. Aquele que em tudo foi tentado, porém sem pecar, está ao nosso lado, compadecendo-se de nossas fraquezas e pronto para nos socorrer (Hb 4:15). No momento da tentação, podemos nos lembrar da presença real e constante do Salvador ao nosso lado e encontrar no Seu amor forças para fugir do pecado.

Jesus é Deus conosco mesmo quando caímos. O apóstolo Tiago asseverou que "todos tropeçamos em muitas coisas" (Tg 3:2). Se alguém diz não pecar é um mentiroso, que engana a si mesmo (1 Jo 1:8). Mesmo os cristãos, embora tenham um estilo de vida de santidade, estão sujeitos a cair em pecados graves. Contudo, ainda nesses momentos, Jesus não desampara Seus queridos. Não podemos imaginar que o nosso Amado Salvador nos deixaria sozinhos a cada tombo que levássemos. Não é assim o bendito Salvador de nossas almas. O amor com que Ele nos ama é perfeito e imutável; Sua graça é doce e poderosa; e Sua justiça é plenamente capaz de nos purificar de toda injustiça (1 Jo 1:9). Ele é nosso Advogado junto ao Pai e Seu argumento é o Seu próprio sangue, vertido na cruz por todos os nossos pecados. Que ninguém me entenda mal: não estou dizendo que Jesus é cúmplice de nossos pecados ou que temos uma desculpa para pecar. O que estou dizendo é que Ele não nos despreza quando caímos, mas vem ao nosso encontro e nos levanta, nos conduzindo ao arrependimento e transformando o nosso caráter, nos fortalecendo para que não mais caiamos. Ele é tão amável e poderoso! Podemos confiar no Seu amor que nos perdoa e nos levantarmos no Seu poder santificador!

Jesus é Deus conosco em todo tempo, em qualquer situação. Poderíamos enumerar diversas outras situações, tantas quantas passamos dia após dia. Mas em todas elas o Senhor está conosco. Aquele que morreu na cruz por nossos pecados é o mesmo que ressuscitou e está conosco para sempre. Se entregamos nossos corações a Ele, Sua presença nunca nos deixará, Sua companhia será constante em nossos dias. Ele nunca rejeita você, crente! Nunca o abandona, não importa o que aconteça, independente de como está o seu coração. Que o Espírito Santo o console com essa verdade e o leve a apreciar a grande misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para Sua glória.

De seu irmão, que foi grandemente consolado com essas verdades,
Davi.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Em Defesa da Expiação Eficaz

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Esse é um livreto escrito para introduzir o assunto da Expiação Eficaz, em uma breve defesa da dourina. Tenho usado-o para defender a Soteriologia Reformada diante daqueles que não conhecem (ou conhecem superficialmente) o Calvinismo. Espero que esse material seja útil para o ensino, assim como vi ser útil aos meus conhecidos.


terça-feira, 5 de outubro de 2010

Contra o sistema do mundo

1 Comentário

Por Jacilene Santos da Silva

O termo “mundo” dentro do contexto do estudo designa a maneira de viver indiferente e oposta aos preceitos de Deus. Essa maneira de viver surgiu logo após a queda do homem e foi por causa dessa infeliz circunstância que todos os descendentes de Adão tornaram-se internamente portadores de uma natureza pecaminosa e extremamente opositora a Deus.

“Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Romanos 5:12).

Agora que já temos um conceito e uma visão bíblica, vamos analisar três pontos importantes relacionados a esse tema, todos à luz das Santas Escrituras:

1- Os atrativos do mundo

“Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne” (Gálatas 5:16).

Temos que ter em mente que quando o cristão se deixa enganar pelas propostas desse mundo, torna-se escravo de um sistema maligno que rouba, mata e destrói.

Lembramos, então, o que aconteceu com o filho pródigo, que desprezou o amor do pai e a vida abençoada no lar e resolveu seguir os atrativos do mundo a fim de desfrutar os seus prazeres. Todavia, após perder toda a sua riqueza, se tornou um miserável. Então, decidiu retornar ao conforto do lar, e foi festivamente recebido pelo pai, que lhe restitui tudo o que no mundo ele havia perdido (Lucas 15:11-32).

Todo servo fiel deve evitar esse tipo de experiência. Devemos sempre procurar ter prazer nas leis do Senhor e nelas meditar dia e noite, ou seja, sermos servos que procurem sempre glorificar a Deus em espírito e em verdade.

2- O mundo e os filhos de Deus

“Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia” (João 15:19).

Sabemos que antes do nosso nascimento já tínhamos sido predestinados à salvação, mas nem todos nós já nascemos em uma família cristã ou tivemos desde criança um acompanhamento adequado nessa área. Ou seja, muitos desfrutaram dos prazeres mundanos.

Assim, como fomos resgatados do mundo, outros eleitos precisam ser resgatados desse sistema de vida. E essa deve ser a relação dos filhos de Deus com o mundo: não viver de acordo com ele, mas sempre ter em mente o resgate dos eleitos. Ou seja, vivermos uma vida santa diante de Deus e dos homens para que possamos ser exemplos para as pessoas que vivem no mundo. Além disso, não devemos negligenciar a evangelização, para que, quando for o tempo de Deus, nos tornemos um instrumento nas mãos divinas, e que através de nós os eleitos de Deus sejam resgatados.

3- Os elementos que identificam “o homem do mundo”

“Porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo” (1 João 2:16).

A Palavra de Deus nos alerta contra as concupiscência da carne, dos olhos e contra a soberba. Vamos agora analisar esses três pontos separadamente:

a) A concupiscência da carne:

Engloba desejos impuros, vícios e prazeres sensuais.

A Bíblia exorta-nos a fugir de toda e qualquer impureza (1 Coríntios 6:18). O crente deve estar ciente de que ele é templo do Espírito Santo e, portanto, deve viver uma vida piedosa e consagrada a Deus. Fugir da imoralidade é dever do crente.

Os vícios também são considerados concupiscência da carne, pois servem para saciar a sede da mesma. Então, devemos viver longe deles.

b) A concupiscência dos olhos:

Sabemos que o homem torna-se cativo daquilo que ele vê. Para que isto não seja prejudicial é preciso que o crente esteja sempre vigiando e orando, assim se fortalecendo para não ser atraído pelos desejos pecaminosos dos olhos.

Um exemplo bastante conhecido é o exemplo de Acã, que viu dentre os despojos dos inimigos de Deus uma capa babilônica, desejou-a, trouxe-a para si e por conseqüência morreu com toda sua família. Temos que ter muito cuidado com isso, pois o que parece simples pode levar a um fim trágico.

c) A soberba da vida:

O homem que vive de acordo com o mundo tem a falsa idéia de que é possível se igualar a Deus. Ele tenta a todo custo viver à parte de seu Criador, buscando sua exaltação através de riquezas, títulos e posições, com o intuito de ser honrado por isso. A Palavra de Deus nos assevera que isto não vem de Deus, mas do mundo. A Bíblia nos ensina que o propósito de um servo é glorificar o nome de Deus e que devemos sempre buscar Seu reino e Sua justiça.

O autêntico crente, que pratica os princípios do Cristianismo bíblico, não deve adequar-se ao presente sistema mundano. Fomos chamados a viver uma vida santa, separada deste mundo, com objetivos infinitamente mais nobres, que são glorificar a Deus e desfrutar de Seus bens.

domingo, 3 de outubro de 2010

Por que Deus não salva todos?

4 comentários




A postagem a seguir é a resposta a uma pergunta feita no meu formspring.







Para responder essa pergunta, primeiro, precisamos responder outra famosa questão: Deus deseja salvar a todos? Creio que a resposta bíblica é um sonoro “Não!”, pois se ele quisesse, definitivamente, todos seriam salvos [1]:

Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado (Jó 42:2). Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes? (Dn 4:35). No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada. (Sl 115:3; cf Ef 1:11).
Sabemos que Deus faz tudo que quer e que nada pode impedi-lO de cumprir Seus propósitos. Logo, se o plano d’Ele para a humanidade fosse levar todos os homens à salvação, Ele assim faria e nada – nem mesmo a escolha dos homens – impediriam Sua vontade.

Muitos ficam fortemente escandalizados quando estão frente a essa verdade. Somos acostumados a pensar que o Plano Áureo de Deus no universo é o benefício do homem. Muitos daqueles que pregam sobre missões fazem um desserviço por motivar as pessoas com uma paixão pelo homem, ao invés de uma paixão por Deus que transborda aos outros. Como diz John Piper: “As missões não representam o alvo fundamental da igreja, a adoração sim. As missões existem porque não há adoração, ela sim é fundamental, pois Deus é essencial e não o homem”.

Não é raro ouvirmos alguns filósofos, ao defenderem que vivemos no melhor mundo possível que Deus podia criar, atribuírem isso a levar o maior número de pessoas a Cristo. William Lane Craig, em um debate com o famoso ateu Christopher Hitchens, declarou: “O propósito de Deus para a história humana é trazer o número máximo de pessoas, livremente, ao Seu Reino para encontrar salvação e vida eterna”. Essa declaração parece óbvia e inegável, mas a pergunta que faço é: o que a Bíblia diz sobre isso? Qual a resposta bíblica para o propósito-mor de Deus para a humanidade?

Observando toda a Escritura, só posso concordar que a resposta para esse questionamento seria que, como diz John Piper, “o alvo principal de Deus é manter e demonstrar a glória do seu nome”, o que também é expresso por Jonathan Edwards: “A grande finalidade das obras de Deus, expressas na Bíblia de modo diverso, é, de fato, apenas uma; e essa finalidade única é mais apropriada e compreensivelmente chamada de A Glória de Deus”. Essas não são apenas opiniões pessoais, mas considerações pautadas numa gama imensa de textos bíblicos [2], como Isaias 48:

Por amor do meu nome retardarei a minha ira, e por amor do meu louvor me refrearei para contigo, para que te não venha a cortar. Eis que já te purifiquei, mas não como a prata; escolhi-te na fornalha da aflição. Por amor de mim, por amor de mim o farei, porque, como seria profanado o meu nome? E a minha glória não a darei a outrem (v. 9-11).
Se é por amor d’Ele próprio que Deus age, como podemos pôr os homens como o fim principal das ações do Senhor? Acho que um texto que mostra de um modo claro como o propósito final de Deus não é salvar o maior número de pessoas possível é Mateus11:

Ai de ti, Corazim! ai de ti, Betsaida! porque, se em Tiro e em Sidom fossem feitos os prodígios que em vós se fizeram, há muito que se teriam arrependido, com saco e com cinza. [...] E tu, Cafarnaum, que te ergues até aos céus, serás abatida até aos infernos; porque, se em Sodoma tivessem sido feitos os prodígios que em ti se operaram, teria ela permanecido até hoje (v. 21,23).
Existe um ensino que, devido ao atual crescimento da filosofia molinista, tem crescido: se o Evangelho não chegou a um determinado lugar, é porque Deus sabia que aquelas pessoas não creriam na pregação. Creio que essa é uma explicação superficial. No texto citado, Jesus diz que se milagres tivessem ocorridos em Tiro, Sidom e Sodoma, eles teriam se arrependido e o julgamento não teria sido necessário. Deus sabia o que fazer para que eles cressem e Ele não fez.

Creio que não podemos entender isto satisfatoriamente se não tivermos em mente que o propósito final de Deus não é o homem, mas Ele próprio. Deus fará tudo para o louvor de Sua glória (Ef 1:6,12,14) e não para que o homem seja beneficiado. O problema é que nós pensamos que Deus deveria, sim, salvar aqueles homens e muitos outros que existiram no mundo. Como pode Deus deixar que homens pereçam se Ele podia salvar quem Ele bem entender? Isso não seria injusto ou malévolo?

Primeiro, precisamos lembrar que Deus tem toda a sabedoria.

Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Porque quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém (Rm 11:33-36).
Como podemos questionar a Deus ou acusá-lo, dizendo: “que fazes?”. Ele age como acha melhor para Seu Supremo propósito e nós, como seres desconhecedores dos intentos de Deus, não podemos questioná-lo.

Segundo, nossos padrões de justiça não podem ser aplicados a Deus. Se nós tivéssemos a oportunidade de salvar alguém da perdição do Inferno e não o fizéssemos, estaríamos cometendo um pecado terrível. Isso é certo. O erro está em tentar aplicar isto a Deus. Sabemos que o Senhor manda que não nos vinguemos, mas Ele vinga-se; Ele manda que não matemos, mas Ele mata; Ele manda que perdoemos todos, mas Ele não fará isso. Isso seria hipocrisia? Logicamente, não. Ele não é um homem nos dando regras que Ele próprio não segue, Ele é um Deus Soberano que não tem nossa mesma natureza e, por isso, vive em padrões que não podemos viver.

Sobre este ponto, precisamos considerar a justiça de Deus em não salvar todos. Muitos consideram que Deus deve salvar os homens e que Ele seria injusto em não fazê-lo. O que nos esquecemos de considerar é que o ser humano é mal e depravado (!), sendo merecedor do inferno. O livro de Provérbios diz claramente que aquele que justifica o ímpio é abominável ao Senhor (17:15), assim, se Deus simplesmente perdoasse os homens, Ele estaria cometendo uma abominação. É unicamente porque a culpa dos filhos d’Ele foi castigada em Cristo que podemos ser salvos de um modo justo, pois nossos pecados não ficaram impunes. Assim, se Deus escolhe deixar alguém continuar seguindo sua própria vontade (ir contra Deus, segundo Rm 8:5-8), Ele não está sendo injusto, pois os ímpios irão para onde escolheram ir: para longe de Deus.

Terceiro, Deus quer manifestar Sua glória tanto na salvação quando na condenação dos homens. Paulo explicita isso de um modo que poucos pregadores modernos têm coragem:

“Que diremos pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma. Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece. Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra. Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer. Dir-me-ás então: Por que se queixa ele ainda? Porquanto, quem tem resistido à sua vontade? Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição; Para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou” (Rm 9:14-23).
Resumindo: Deus não salva todos porque a salvação dos homens não é Seu propósito final. Sua glória é o propósito final de tudo. Assim, Ele planeja manifestar Sua majestade tanto na salvação quando na condenação. Ele não é injusto em fazer isso porque nossos padrões não são aplicáveis a Ele e os homens merecem ir mesmo para o inferno.

Referências:
[1] Alguns tentam usar I Tm 2:3-4 para defender que Deus quer salvar a todos. O problema aqui é que esses se esquecem de considerar o contexto da argumentação de Paulo, em que ele fala sobre homens de todos os tipos, e não todos os homens.
[2] John Piper, entre as páginas 19 e 24 do livro “Alegrem-se os Povos: a supremacia de Deus em missões”, lista 36 textos bíblicos que mostram como objetivo final de Deus em tudo que ocorreu, ocorre e ocorrerá em toda a história é Sua própria glória, e não o bem estar do ser humano.

sábado, 2 de outubro de 2010

Soberania de Deus: Logicidade x Biblicidade

1 Comentário

Uma das mais famosas objeções à Soberania de Deus é a suposta incoerência lógica em aceitar que O Senhor preordena cada detalhe do universo e, mesmo assim, os homens continuam agentes responsáveis. É interessante notarmos, primeiramente, que essa não é uma critica teológica, mas filosófica. Ou seja, ela apresenta uma falta de comprometimento com os textos bíblicos que defendem a Soberania Absoluta de Deus sobre tudo e atem-se às considerações decorrentes da análise teológica. Logo, essa questão não é o centro da discussão (que são os textos bíblicos), mas um ponto secundário.

É triste ver que algumas pessoas rejeitam algum ensino ou por não gostarem dele ou por o acharem intelectualmente confuso, quando, na verdade, o único ponto que deveria influir na aceitação de uma doutrina deveria ser sua coerência com as Escrituras. Quando vejo alguém rejeitar a Soberania de nosso Deus porque isso soa paradoxal, só posso acreditar que tal homem não crê verdadeiramente na Sola Scriptura.

Deixe-me citar um exemplo. Se considerarmos as “Testemunhas de Jeová”, veremos que elas submetem as Escrituras à sua lógica, e não o contrário. Elas alegam que é logicamente incoerente um Deus amoroso mandar pessoas para sofrerem eternamente no inferno. Essa é a base para a interpretação delas. Assim sendo, ao invés das Escrituras ditarem o que é lógico ou não, essa análise fraca delas é quem guia a leitura bíblica. Logo, todo verso que fala do inferno de fogo é deturpado, retalhado e ignorado. É certo que a maioria das pessoas age assim. Os conceitos pré-formados é que ditam o entendimento das Sagradas Letras. No lugar de submeter o que cremos ser lógico à Luz das Escrituras, queremos que a Bíblia siga nossos pobres e inferiores padrões de raciocínio. Com isso, não só minimizamos Deus, mas também deturpamos Sua Palavra.

Voltando a questão inicial, precisamos responder a alegação de que é contraditório Deus preordenar cada detalhe do universo, até mesmo os desígnios dos homens, e os seres humanos continuarem sendo responsáveis pelas suas atitudes. Para isso, precisamos definir o que é um pa-radoxo, uma contradição e um mistério.

Resumidamente, paradoxo é uma aparente contradição que, com uma análise mais profunda, poderá ser descoberta como uma contradição ou não. Por exemplo, quando Jesus disse que quem perdesse a vida por causa d'Ele a acharia (Mt 10:39), isso é um verdadeiro paradoxo. Como eu acho a minha vida perdendo-a? Com um estudo mais cuidadoso, vemos que o que Jesus estava dizendo era que quem perde sua vida nesta terra, encontrará vida novamente nos céus. Logo, esse paradoxo revelou-se como coerente e não como uma contradição.

Sobre o que significa uma contradição, R. C. Sproul o define muito bem em seu livro Essential Truths of the Christian Faith:

O termo paradoxo é freqüentemente mal-interpretado como sendo sinônimo de contradição; agora, inclusive, aparece em alguns dicionários como um significado secundário desse termo. Uma contradição é uma afirmação que viola a lei clássica da não-contradição. A lei da não-contradição declara que A não pode ser A e não-A ao mesmo tempo e no mesmo contexto. Quer dizer, algo não pode ser o que é e não ser o que é ao mesmo tempo e no mesmo contexto. Essa é a mais fundamental de todas as leis da lógica. Ninguém pode entender uma contradição, porque uma contradição é inerentemente incompreensível. Nem mesmo Deus pode entender contradições; entretanto, certamente Ele pode reconhecê-las pelo que são - falsidades. [1]
Já o termo mistério refere-se a algo que ainda não nos foi revelado pelas Escrituras. Algo que nós não conseguimos compreender nesta terra, mas que entenderemos quando Cristo nos revelar nos céus.

Então, depois que consideramos esses termos, o que dizer sobre a Soberania de Deus e a responsabilidade do homem? Primeiro, precisamos analisar o que as Escrituras dizem sobre isso. E neste ponto, podemos ver claramente o Senhor mostrando-se Soberano sobre o homem enquanto este é responsável por suas escolhas:

1. Deus engana o profeta e o pune por ter sido enganado;
"E se o profeta for enganado, e falar alguma coisa, eu, o SENHOR, terei enganado esse profeta; e estenderei a minha mão contra ele, e destruí-lo-ei do meio do meu povo Israel. E levarão sobre si o castigo da sua iniqüidade; o castigo do profeta será como o castigo de quem o consultar" (Ezequiel 14:9,10).
2. O Faraó endurece o próprio coração, sendo Deus o responsável por tal atitude;
“Vendo Faraó que cessou a chuva, e a saraiva, e os trovões, pecou ainda mais; e endu-receu o seu coração, ele e os seus servos. Assim o coração de Faraó se endureceu, e não deixou ir os filhos de Israel, como o SENHOR tinha dito por Moisés. Depois disse o SENHOR a Moisés: Vai a Faraó, porque tenho endurecido o seu coração, e o coração de seus servos, para fazer estes meus sinais no meio deles, e para que contes aos ouvidos de teus filhos, e dos filhos de teus filhos, as coisas que fiz no Egito, e os meus sinais, que tenho feito entre eles; para que saibais que eu sou o SENHOR” (Êxodo 9:34 – 10:2).
3. Os homens mataram Jesus, porém Deus havia pré-determinado tal ato;
"A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendes-tes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos" (Atos 2:23).
"Porque verdadeiramente contra o teu santo Filho Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel; para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer" (Atos 4:27,28).
4. Satanás incitou Davi a fazer um censo, sendo isso uma punição do próprio Deus.
"Tornou a ira do SENHOR a acender-se contra os israelitas, e ele incitou a Davi contra eles, dizendo: Vai, levanta o censo de Israel e de Judá” (II Sm 24:1).
“Então, Satanás se levantou contra Israel e incitou a Davi a levantar o censo de Israel” (1 Cr 21:1)
Como negar tais textos? O próprio Deus, cuja vontade ninguém pode resistir, engana o pro-feta para profetizar e condena-o por ter profetizado. O Faraó endurece o próprio coração – sendo condenado por isso – ao mesmo tempo em que Deus é quem endurece o coração dele. Os homens cometeram o pecado de matar Jesus, mas Deus havia predeterminado tal ato desde antes da fundação do mundo. Foi Satanás quem incitou Davi ou foi Deus quem o fez? Existem várias considerações que precisariam acompanhar esses textos, mas, por ora, a resposta suficiente é: Deus é Soberano sobre tudo de um modo tal que, incompreensivelmente, os seres continuam agentes livres e responsáveis.

Muitos poderão levantar-se e retrucar: “Isso é contraditório!”. Na verdade, isso é paradoxal. Não encontramos a regra da não-contradição sendo quebrada em parte alguma. Ou seja, precisamos de uma análise mais profunda para descobrir se esse paradoxo é coerente ou não.

Embora isso não seja unânime, acredito que esse paradoxo, na verdade, é um mistério. As Escrituras não revelam como Deus opera para que o homem seja responsável por suas atitudes ao mesmo tempo em que Ele preordena cada atitude dos homens. Outros podem questionar que, por ser algo que não nos foi revelado, não pode ser ensinado ou crido. Mas será que isso é realmente coerente? Para muitos, os elétrons se comportarem como ondas e partículas simultaneamente é paradoxal, mas isso não deixa de ser ensinado nas escolas, pois eles acreditam que, no futuro, quando homens com mentes mais elevadas surgirem, os estudos avançarão e conseguiremos compreender esse mistério.

A questão real é: o que define uma doutrina como ilógica? Creio que sua incoerência com as Escrituras, e não sua facilidade de ser entendida. Sei que teremos uma resposta lógica de Deus nos céus, quando nossa mente for restaurada e elevada, mas, hoje, só posso esperar que os homens contentem-se com a informação que temos: “A Bíblia assim ensina”. Desta maneira, confiaremos mais no que Deus revela através de Sua Palavra, e não em nossa pobre ignorância. Obedeceremos, assim, o mandamento de Deuteronômio: “As coisas encobertas pertencem ao SENHOR...” (29:29).

Referências:

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Pensamentos sobre plantação de igrejas

2 comentários

Este texto foi escrito por mim originalmente como resposta a uma pergunta no FormSpring. Publiquei aqui com alguns acréscimos.

Pergunta: O que é uma igreja? O que um plantador deveria ter em mente, que tipo de comunidade ele deve imaginar quando ele se dispõe a começar uma igreja local?

Uma igreja local é uma organização que reúne crentes professos, dos quais se espera que sejam regenerados (At 2.44; Rm 1.7), onde a Palavra é verdadeiramente proclamada (At 2.42; 1Tm 3.15), os sacramentos são corretamente administrados (Mt 28.19; 1Co 11.23-29) e a disciplina é sabiamente exercida (Mt 18.15-20).

Creio que essa é uma boa definição, mas para o tema em questão - plantação de igrejas - gostaria de enfatizar e acrescentar alguns pontos, que não estão, necessariamente, em ordem de importância:

1) A tarefa primária de uma igreja é a adoração (Rm 11.36; 1Co 10.31; Ef 1.6,12), sendo a evangelização e a comunhão dos santos objetivos secundários e dependentes do primeiro, ainda que extremamente importantes;

2) Por ser composta por pessoas, uma igreja não é um templo feito por mãos humanas e nem precisa de um (Jo 4.23-24; At 17.24);

3) Uma igreja é um corpo onde cada membro tem uma função, sendo inconcebível um "crente de banco" ou um pastor que quer fazer tudo por todos (1Co 12.12-31; 14.26);

4) Uma igreja deve gozar de certa autonomia em relação a outras igrejas locais (Ap 2 e 3), sendo capaz de sustentar-se financeiramente, governar-se escolhendo seus próprios presbíteros (At 14.23) e multiplicar-se em outras igrejas (At 13.1-5);

5) Sendo a comunhão dos santos uma importante característica da igreja (At 2.42), uma igreja local deveria ser pequena em número de membros, crescendo não por expansão de si própria, mas por multiplicação em outras igrejas. Várias igrejas pequenas em vários lugares diferentes são preferíveis a uma igreja grande em um único local.

Diante disso, um plantador deveria ter como objetivo principal e geral estabelecer uma comunidade com as características acima. Ele poderia alcançar seu objetivo através de algumas atitudes, que eu coloco aqui como conselhos e não como regras absolutas:

1) Visitando cada uma das casas do local onde pretende plantar uma igreja, conhecendo as pessoas e anunciando a elas o Evangelho (Mt 10.12-14);

2) Oferecendo estudos nos lares, que tratem com simplicidade e abrangência todo o fundamento da fé cristã. Uma boa opção seria o Breve Catecismo de Westminster ou algum equivalente;

3) Pregando o Evangelho em lugares públicos para várias pessoas ao mesmo tempo (At 17.22-33), procurando manter contato posterior com elas através dos estudos nos lares (At 17.34);

4) Iniciando o culto público em alguma casa espaçosa (At 20.7-8), reunindo nela os que forem sendo salvos nos estudos e em eventos públicos, dando atenção especial à pregação expositiva (Lc 24.27; At 20.27) e não negligenciando o Princípio Regulador do Culto (Ex 20.4-6; Dt 12.32; Mt 15.9);

5) Batizando os que forem salvos e terminarem os estudos fundamentais (At 2.41), iniciando com eles a Ceia do Senhor, que deve ser celebrada com frequência (At 2.42; 20.7);

6) Estando atento aos novos crentes, procurando descobrir seus dons e dando oportunidades para eles servirem tão logo tais dons sejam descobertos. É importante uma ênfase sobre esse aspecto da igreja logo no início, para que os próprios crentes percebam os dons uns dos outros e elejam seus presbíteros e diáconos, naturalmente e biblicamente (At 6.1-6);

7) Ensinando sobre a importância da contribuição para a manutenção do ministério ordenado (1Co 9.13-14; 1Tm 5.17-18), para a expansão do Reino de Deus e para o auxílio dos pobres, órfãos e viúvas (2 Co 8 e 9);

8) Enfatizando a evangelização e a multiplicação de igrejas, para que a nova comunidade nasça e cresça com um DNA missionário (Mt 28.18-20; At 8.4).

Quando uma igreja ficar grande demais para se reunir em uma casa, pode alugar ou comprar um salão, se assim achar melhor (At 19.9). No entanto, é importante que ela conserve sempre um tamanho reduzido, crescendo através da multiplicação de igrejas e de discípulos.

Não tive a pretensão de esgotar o assunto, mas creio que consegui expressar em linhas gerais como tenho entendido a plantação de uma igreja.

André Aloísio
1 de outubro de 2010
Campinas, SP

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Fé e Evidências – Uma Breve Meditação

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Quando me perguntam sobre qual é a principal prova para a existência de Deus, eu sempre dou a mesma resposta: “A Fé!”. Isso pode soar estranho, mas se a Fé é "a prova das coisas que se não vêem" (Hb 11:1), não podemos atribuir a nada além dela o título de “prova para o Cristianis-mo”. O que quero dizer com minha resposta não é que crer em Cristo seja um ato cego e anti-intelectual; quero apenas lembrar que é a Fé, e unicamente a Fé, a responsável pela nossa entrega de vida a Cristo. Apenas uma análise intelectual das evidências filosóficas e científicas não levará as pessoas a Cristo, mas receber a Fé que vem de Deus, através do Espírito Santo (Ef 2:8-9).

Quando percebemos isso, vencemos a tendência de muitos que, por dedicar-se à defesa racional da Fé Cristã, jogam nas evidências todo o crédito da conversão dos céticos. Acreditar que é de um modo meramente intelectual que os homens serão convencidos a crer em Cristo é tão lógico quando acreditar que podemos convencer mortos a comprar sabão. Digo isso porque, se é verdade que os homens são espiritualmente mortos (Ef 2:1), não podemos, sem o poder do Espírito Santo, trazê-los à vida.

Michael J. Vlach, em seu livro “Faith For All of Life” (Fé Para Tudo na Vida), fala sobre quando começou a crer que a Fé é a prova para Deus, e não as evidências:

A Palavra de Deus é clara que o problema primário para os incrédulos é moral e espiritual – não intelectual. O incrédulo é alguém que suprime a verdade (Rm. 1:18b), cuja mente é totalmente escurecida para as coisas de Deus (Ef. 4:18). [...] Tornei-me convicto que co-meçar com a evidência empírica e histórica num apelo ao intelecto do incrédulo não aborda na verdade o cerne do problema. Se o problema principal do incrédulo é moral e espiritual, não deveria minha estratégia como um cristão abordar diretamente os pro-blemas morais e espirituais do incrédulo? [...] [Eu] passei a crer que o ponto de partida para lidar com a incredulidade era a Palavra de Deus e o Espírito de Deus. Eu não pode-ria colocar a existência de Deus ou a autoridade da Bíblia numa mesa de laboratório, pa-ra ser examinada por um incrédulo, que é por natureza alguém que suprime a verdade com a sua mente obscurecida. A Bíblia não concede ao incrédulo tal autonomia, nem eu deveria fazê-lo. [1]
Existe algo nesta citação que é motivo de grande debate. Quando Vlach diz que não pode, de modo algum, permitir que as Escrituras sejam dissecadas pelo incrédulo, ele dá a entender que as evidências a favor do Cristianismo não podem ser usadas nem mesmo como meios para a pregação do Evangelho. Por hora, não quero me posicionar na discussão entre o pressuposiciona-lismo e evidencialismo , mas quero deixar claro um ponto: uma defesa intelectual do Evangelho é vã se não for acompanhada da pregação desse mesmo Evangelho. A Palavra de Deus é a se-mente incorruptível que regenera o homem (I Pe 1:23) e sem a pregação desta Palavra, ninguém será salvo. Não importa o quanto eu argumente a favor da veracidade da Fé cristã, se eu não expuser Cristo aos homens eles continuarão mortos em seus pecados.

Algo precisa ser mais bem considerado: existem, sim, evidências filosóficas e científicas para o Cristianismo. Não quero, em momento algum, negar isso. Se a Fé em Deus é real, quando anali-samos a realidade encontraremos evidências para essa crença. Mesmo assim, precisamos lembrar que evidências não farão com que as pessoas escolham a Cristo, mas a pregação do Evangelho de Deus, precedida ou não de um debate intelectual.

Referencias:

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O propósito de Deus para o casamento

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Por Jacilene Santos da Silva


O primeiro e o maior propósito do casamento não difere do propósito inicial de um servo, que é glorificar a Deus e desfrutar de Seus bens. O casal deve ter isso em mente. Mas além desse propósito prioritário, o casamento exige algo mais dos cônjuges, que vamos analisar à luz da Palavra de Deus:

Companheirismo e complementação mútua do casal

“Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea” (Gn 2.18).

Depois da análise do texto podemos observar a necessidade do homem em ter uma auxiliadora, uma companheira. O homem vivia em meio aos vários elementos da criação, mas mesmo assim ele se sentia sozinho. Então, Deus fez cair um sono pesado sobre o homem e de sua costela fez a mulher e a chamou de varoa, pois do varão foi tirada. O homem e a mulher se completam, pois assim como a mulher provém do homem, o homem também é nascido da mulher.

“No Senhor, todavia, nem a mulher é independente do homem, nem o homem, independente da mulher” (1Co 11.11).

Prazer amoroso do casal

“Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias de tua vida fugaz, os quais Deus te deu debaixo do sol; porque esta é a tua porção nesta vida pelo trabalho com que te afadigaste debaixo do sol” (Ec 9.9).

Devemos ter em mente que há uma grande necessidade do cumprimento dos deveres conjugais relacionados à área sexual, o que é de grande importância para se manter o casamento, pois quando uma das partes negar em cumprir seu dever ela abre a porta para o pecado do adultério, podendo levar ao divórcio. Pode haver um momento em que ambas as partes decidam abster-se do sexo, por motivo espiritual ou outro, mas quando o tempo determinado por ambos acabar é necessário que se volte às atividades normais dentro do núcleo matrimonial.

“Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência” (1Co 7.5).

Preservação da pureza e da moral na família e na sociedade

“Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo” (1Co 6.18).

A preservação moral é uma das responsabilidades de um servo de Deus. Lutar contra os prazeres carnais é algo muito importante. Antes do casamento é necessário que se mantenha o corpo puro, longe dos prazeres carnais, mas mesmo depois do casamento é muito importante que se busque a pureza. Sabemos que o prazer amoroso é algo fundamental no casamento, mas que isso não seja um pretexto para fazer do sexo uma prática de todo momento, tornando-o um ídolo. Sabemos que somos espelhos para outras pessoas, por isso devemos ser cautelosos também dentro do casamento, para que as pessoas não se escandalizem com nossos atos. Além disso, não devemos esquecer de que o propósito prioritário do casamento é glorificar a Deus, como foi dito no início do texto.

“Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” (1Co 6.19-20).

Formação e propagação do gênero humano através dos filhos

“E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra” (Gn 1.28).

Uma das principais ordenanças acerca do casamento consiste na propagação da espécie humana, ou seja, em ter filhos. A Bíblia relata que no início da história da humanidade esse foi um dos primeiros mandamentos, o qual prevalece até hoje. Portanto, que a união dos corpos tenha esse objetivo. Não apenas “saciar a sede da carne”, mas reproduzir e assim dar continuidade à vida da espécie humana até o dia em que Deus permitir.

“Tomai esposas e gerai filhos e filhas, tomai esposas para vossos filhos e dai vossas filhas a maridos, para que tenham filhos e filhas; multiplicai-vos aí e não vos diminuais” (Jr 29.6).

Depois da análise desses quatro pontos podemos ter uma visão mais simplificada do propósito de Deus para o casamento.

domingo, 26 de setembro de 2010

Carta a Eliel Vieira

4 comentários

Caro irmão,

Foi lendo um dos seus artigos sobre a existência do “inferno de fogo” que me deparei com uma declaração interessante. Você diz: "...um inferno com tortura e sofrimento eterno é algo que nenhuma pessoa que já viveu merece, pois seus erros foram ‘finitos’ ao passo que o castigo no inferno seria infinito".

Embora haja várias considerações que eu gostaria de comentar em seus artigos sobre o “inferno”, essa chamou minha atenção de um modo especial porque foi uma dúvida que carreguei por muito tempo. Claro que não pretendo argumentar sobre tudo que você considerou em seu estudo e, muito menos, encerrar o debate, mas gostaria de lidar com essa sua afirmação. Antes disso, deixe-me lidar com alguns poucos dos incontáveis textos que pregam a eternidade do inferno:

"Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno" (Daniel 12:2)
Alguns argumentam que o termo hebraico ‘olam (עוֹלָם) nem sempre significa eterno e que pode significar algo de “longa duração”. Mas, neste caso, há uma comparação entre a duração do céu (vida eterna) e a duração do inferno (vergonha e horror). Então, assim como a vida com cristo é eterna, o horror dos condenados será eterno.

"E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna" (Mt 25:46).
Esse verso lembra o caso anterior, onde há uma comparação entre a duração da vida e do castigo. O termo grego aionios (αιωνιος) que é traduzido como 1. eterno pode significar, também, 2. Sem início ou 3. Sem início nem fim. Não é difícil perceber que “eterno” é a tradução mais coerente com esse contexto.

"Em verdade o Filho do homem vai, como acerca dele está escrito, mas ai daquele homem por quem o Filho do homem é traído! Bom seria para esse homem se não houvera nascido" (Mt 26:24).
A pergunta é: Se podemos ter uma vida de prazeres e satisfação e depois apenas deixar de existir, por que seria melhor não nascer? A punição ser eterna é a resposta bíblica mais plausível.

"Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder, quando vier para ser glorificado nos seus santos e ser admirado em todos os que creram" (I Ts 1:9,10).
Olethros (ολεθρος), aqui traduzido como destruição, pode ser traduzido, também, como ruína (como em I Ts 6:9 e I Co 5:5). Assim, esse texto não trata, necessariamente, de uma aniquilação da alma, mas de uma ruína que durará para sempre.

"Estes são manchas em vossas festas de amor, [...] Ondas impetuosas do mar, que escumam as suas mesmas abominações; estrelas errantes, para os quais está eternamente reservada a negrura das trevas." (Jd 12,13).
Judas diz que para os falsos mestres está reservado um lugar negro. Além disso, há uma informação adicional: esse lugar está reservado eternamente!

"A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, e não têm descanso algum, nem de dia nem de noite, os adoradores da besta e da sua imagem e quem quer que receba a marca do seu nome" (Ap 14:11).
Creio que a clareza deste verso é inegável. O tormento dos infiéis não será apenas pelos séculos dos séculos, mas também será sem descanso algum.

"E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre" (Ap 20:10).
A expressão grega traduzida por “para todo sempre” (ou pelo século dos séculos) é a mais forte de todas para designar algo eterno. É evidente, no texto, que esse tormento será para todo o sempre. Alguns, lutando contra o texto, tentam argumentar que quem sofre não são os homens, mas apenas o diabo. Mas, quando continuamos lendo apocalipse 20, vemos no verso 15 que “aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo”. Tanto os homens quanto satanás serão lançados no mesmo lago. Assim, é pouco provável que uns sejam aniquilados e outros não.

Ainda existem muitos outros versos que pregam a eternidade do inferno, mas creio que essa lista de textos é suficiente para convencê-lo que a punição eterna não é apenas uma conjectura de Dante, mas sim uma realidade bíblica.

Sobre sua afirmação, creio que ela seja bem pertinente, sendo ela também efetuada por teólogos famosos como Clark Pinnock e John Stott, os quais declararam, respectivamente: “Apenas não faz sentido dizer que um Deus de amor torturará pessoas para sempre por pecados cometidos no contexto de uma vida finita.” [1] e “Não haveria uma séria desproporção entre pecados cometidos conscientemente por um tempo e o tormento experimentado conscientemente através da eternidade?” [2]

Sobre essas indagações, imagino por que não poderíamos considerar o pensamento de Jonathan Edwards [3], perfeitamente sintetizado por John Piper, que diz:

“... a gravidade do pecado origina-se do que ele diz acerca de Deus. Deus é infinitamente digno de ser honrado. Mas o pecado diz o oposto. O pecado diz que existem coisas mais desejáveis e mais dignas. Até que ponto isso é grave? A gravidade de um crime é determinada, em parte, pela dignidade da pessoa e do cargo que está sendo desrespeitado. Se a pessoa for infinitamente digna, infinitamente ilustre, infinitamente querida e ocupar um cargo de infinita dignidade e autoridade, rejeitá-la é um crime infinitamente ultrajante. Portanto, merece um castigo infinito. A intensidade das palavras de Jesus acerca do inferno não é uma reação exagerada a pequenas ofensas. As palavras de Jesus são um testemunho ao infinito valor de Deus e à desonra ultrajante do pecado humano.” [4]

Acredito que essa é uma consideração importante. Se pararmos para contemplar a Infinita Dignidade de Deus, ficaremos atônitos diante Daquele que mede todo o mar na concha de Sua mão; toma a medida dos céus aos palmos; recolhe, numa medida, o pó da terra e pesou os montes com peso e os outeiros em balanças. Como continua dizendo Isaías: “Eis que as nações são consideradas por ele como a gota de um balde, e como o pó miúdo das balanças; eis que ele levanta as ilhas como a uma coisa pequeníssima. Nem todo o Líbano basta para o fogo, nem os seus animais bastam para holocaustos. Todas as nações são como nada perante ele; ele as considera menos do que nada e como uma coisa vã. A quem, pois, fareis semelhante a Deus, ou com que o comparareis?” (40:12-18).

Creio que, como Cristãos que somos, só podemos concordar que Deus é Infinitamente Santo, Infinitamente Perfeito, Infinitamente Digno e Infinitamente Soberano. Você acredita, assim como eu, que nunca houve, não há e nunca haverá ser superior ao sempiterno Deus Jeová. Creio que defender que Deus é grande não é necessário, já que isso é uma das principais bases do pensamento Cristão.

“Quem entre os deuses é como tu, ó Senhor? a quem é como tu poderoso em santidade, admirável em louvores, operando maravilhas?” (Êx 15:11).

Agora, algo que não sei se concordaremos é sobre a gravidade do pecado. Considerando que a gravidade de um crime é medida, em parte, analisando a dignidade daquele contra quem essa ofensa é dirigida, só podemos pensar que um pecado contra alguém infinitamente digno só pode ser infinitamente grave. Como Deus é Infinitamente Justo, Ele não deixará impunes tais criminosos. Então, se esses homens cometeram um crime infinito, eles precisam de uma punição infinita. Pense bem: Se você encontra seu filho esmagando formigas em sua casa, você não vai dar muita atenção para isso. Já se você encontrá-lo esmagando gatos, você reagirá diferente, pois, para você, gatos são mais importantes que formigas. E ainda, se você encontrasse alguém esmagando seu filho, sua reação seria bastante diferente do que nos casos passados, pois seu filho é muito mais valioso que gatos e formigas. E o que é o pecado? É uma tentativa de esmagar a glória do Deus Todo Poderoso. E nada é mais valioso do que a glória d’Ele.

Quando falo da gravidade do pecado, não posso deixar de me lembrar de Davi quando pecou com Bate-Seba em II Samuel 11. Sabemos que o rei pecou contra todos. Ele pecou contra Bate-Seba, pois a profanou; ele pecou contra o marido dela, pois o matou; ele pecou contra o exército, pois o usou para seus interesses; ele pecou contra o povo, pois deveria representá-los justamente. Creio que é difícil encontrarmos alguém contra quem Davi não pecou com seu ato. Ainda assim, quando o rei escreve um salmo em arrependimento, ele diz: “contra Ti, contra Ti somente pequei” (Sl 51:4). Em certo nível, isso é uma mentira, pois ele pecou contra todos, mas, quando analisamos isso de um modo mais profundo, vemos que é a mais profunda verdade, pois cada pecado que é cometido, por mais banal que pareça, é um pecado direto contra O Senhor.

Creio que o problema, bom irmão, é que nossa cultura atual trata o pecado como pisar acidental no pé de um amigo quando, de certo, deveríamos tratar como cuspir na cara do presidente. Claro que é uma analogia pobre comparado com nosso Crime Universal contra o Salvador. Como diz o psiquiatra americano Karl Menninger: "[O pecado é] uma qualidade implicitamente agressiva — uma crueldade, um ferimento, um afastamento de Deus e do restante da humanidade, uma alienação parcial, ou um ato [supremo!] de rebelião... O pecado possui uma qualidade voluntariosa, desafiadora ou desleal: alguém é desafiado ou ofendido ou magoado".

Lembre-se, também, que a concepção cristã de inferno não é como a idéia romanista de purgatório, onde homens são melhorados pelo sofrimento. O inferno não melhora ninguém. A natureza má dos homens só piora ao longo da punição, tornando-os ainda mais culpados.

Espero que essa curta meditação possa levar-te a reconsiderar, pelo menos, o argumento citado inicialmente: “um inferno com tortura e sofrimento eterno é algo que nenhuma pessoa que já viveu merece, pois seus erros foram ‘finitos’ ao passo que o castigo no inferno seria infinito”. Oro a Deus, pedindo que Cristo Ilumine nossas mentes pela Sua eterna Palavra.

De seu irmão,

Yago Martins.

Referências:

[1] Clark Pinnock e Delwin Brown, Theological Crossfire: Na Evangelical/Liberal Dialogue [Grand Rapids: Zondervam Publishing House, 1990], p. 226.
[2] David Edwards, Evangelical Essentials, with a Response from John Stott.
[3] “O crime de algum ser de desprezar e lançar desonra sobre outro é, proporcionalmente, mais ou menos infame, como se ele tivesse maior ou menor obrigação de obedecê-lo. Conseqüentemente, se houver algum ser que temos obrigação infinita de amar, honrar e obedecer, o contrário concernente a ele deve ser infinitamente censurável. Nossa obrigação de amar, honrar e obedecer algum ser está em proporção com sua amabilidade, honradez e autoridade. [...] Mas Deus e um ser infinitamente amoroso, porque ele tem excelência e beleza infinitas. [...] Portanto, o pecado contra Deus, sendo uma violação de obrigações infinitas, deve ser um crime infinitamente infame e, assim, merece punição infinita. [...] A eternidade do castigo de homens incrédulos torna-a infinita... e, logo, faz com que não seja mais do que proporcional a infâmia daquilo de que são culpados.” (Jonathan Edwards, The Justice of God in Damnation of Sinners: The Works of Jonathan Edwards, vol. 1 [edinburgo: The Banner of Truth Trust, 1974], p. 669.)
[4] John Piper, O que Jesus espera de seus seguidores: Mandamentos de Deus para o mundo. Editora Vida.
 

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