segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A Parábola da Salvação

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Esta parábola foi retirada do sermão Nº 115 de Charles H. Spurgeon, Por que são salvos os homens?

Num tempo, a Misericórdia estava sentada em seu trono, que era branco como a neve, rodeada de exércitos de amor. Um pecador, a quem Misericórdia se havia proposto salvar, foi trazido à sua presença. O arauto tocou a trombeta, e depois de três chamados, com voz mui alta, disse: “Ó céus, terra e inferno, tenho vos convocado neste dia para que venham diante do trono de Misericórdia, e declarem por que este pecador não deve ser salvo”. Ali estava o pecador, tremendo de medo; ele sabia que havia uma multidão de oponentes, que queriam abrir espaço para entrar no salão de Misericórdia, e com os olhos cheios de ira, diriam: “Ele não deve e não escapará; ele deve se perder!”.

Soa a trombeta e Misericórdia estava sentada placidamente em seu trono até que entrou um com semblante de fogo; sua cabeça estava coberta de luz; falava com voz de trovão, e de seus olhos saiam raios. “Quem és tu?”, perguntou Misericórdia. Ele respondeu: “Eu sou a Lei; a Lei de Deus”. “E que tens a comentar?” “Tenho que dizer isto”, e levantou uma tábua de pedra, escrita dos dois lados; “estes dez mandamentos têm sido quebrados por este miserável. Eu demando seu sangue; pois está escrito: ‘A alma que pecar, esta morrerá’. Assim, pois, pereça ele, ou então perecerá a justiça”. O miserável se enche de tremor, seus joelhos se batem, a medula dos seus ossos se derrete internamente, como se fosse derretida pelo fogo, e treme com muito terror. Já parecia ver o raio lançado contra ele, penetrando sua alma, e o inferno aberto em sua imaginação diante dele, e se considerou perdido ali para sempre. Porém, Misericórdia sorriu e disse: “Lei, eu te responderei. Este miserável merece morrer; a justiça exige que ele pereça; eu concedo tua exigência”. Ó, como treme o pecador! “Porém, há um que veio comigo no dia de hoje, meu Rei, meu Senhor; seu nome é Jesus; ele te dirá como pode ser paga a dívida para que o pecador seja livre”. Então Jesus falou e disse: “Ó Misericórdia, farei o que me pedes. Toma-me, Lei. Põe-me no horto. Faz-me suar gotas de sangue. Então, crava-me num madeiro. Açoita minhas costas antes que me mates. Levanta-me na cruz. Que o sangue das minhas mãos e dos meus pés corra em abundância. Desça-me ao sepulcro. Deixe-me pagar tudo o que deve o pecador. Eu morrerei em seu lugar”. E a Lei saiu e açoitou ao Salvador, o cravou na cruz, e regressou com seu rosto radiante de satisfação, e parou diante do trono da Misericórdia, e Misericórdia perguntou: “Lei, que tens que adicionar agora?” “Nada”, respondeu, “formoso anjo, nada”. “Como!? Nenhum destes mandamentos está contra ele?” “Não, nenhum. Jesus, seu substituto, cumpriu todos eles. Ele pagou a pena por sua desobediência, e agora, em vez de sua condenação, exijo, como uma dívida de justiça, que o pecador seja absolvido”. “Permanece aqui”, disse Misericórdia, “senta-se em meu trono. Tu e eu enviaremos agora uma nova intimação”.

A trombeta soou outra vez: “venham aqui, todos os que tenham algo a dizer contra este pecador, para que não seja absolvido”. E se levanta outro, um que freqüentemente afligiu ao pecador, um que tinha uma voz não tão alta como a da Lei, porém penetrante e estremecedora, uma voz cujos sussurros eram tão cortantes como uma adaga. “Quem és tu?”, perguntou Misericórdia. “Eu sou a Consciência; este pecador deve ser castigado; ele tem feito muito contra a lei de Deus e deve ser castigado; eu o exilo; e não permitirei descansar até que seja castigado, e não me deterei ali, pois o seguirei inclusive até ao sepulcro, e o perseguirei mais além da morte com angústias indizíveis”. “Não”, respondeu Misericórdia, “escuta-me”, e fazendo uma pausa por um momento, tomou um maço de hissopo e limpou com sangue a Consciência, dizendo: “Escuta-me, Consciência, ‘o sangue de Jesus, o Filho de Deus, nos limpa de todo pecado’. Agora, tens algo a dizer?” “Não”, respondeu Consciência, “nada”.

“Coberta está sua injustiça;
Ele está livre de condenação”

“De agora em diante, já não lhe atormentarei. Serei uma boa consciência para ele, por meio do sangue de nosso Senhor Jesus Cristo”.

A trombeta soou uma terceira vez, e uivando desde as cavernas mais profundas, aproximou-se um diabo repugnante, com ódio em seus olhos, e uma majestade infernal em seu semblante. Perguntou-se-lhe: “Tens algo contra esse pecador?”. “Sim”, respondeu, “o tenho; ele tem feito uma aliança com o inferno, e um pacto com a sepultura, e aqui está, firmado por sua própria mão. Ele pediu a Deus que destruísse sua alma na bebedice, e fez votos que nunca se voltaria para Deus; olhem, aqui está seu pacto com o inferno!”. “Vejamos”, disse Misericórdia; e lhe foi entregue, enquanto o diabo mirava com olhar sombrio ao pecador, e lhe atravessava com suas sombrias olhadelas. “Ah!”, disse Misericórdia, “porém, este homem não tinha o direito de firmar a escritura; um homem não pode vender a propriedade alheia. Este homem foi comprado e pago de antemão; ele não se pertencia; o pacto com a morte está anulado, e a aliança com o inferno feita em pedaços. Segue teu caminho, Satanás”. “Não”, disse, uivando de novo, “tenho algo mais a adicionar: esse homem sempre foi meu amigo; sempre escutou minhas insinuações; zombava do evangelho; desdenhava da majestade do céu; acaso, receberá o perdão, enquanto eu tenho que continuar na minha guarida infernal, para suportar para sempre a pena da minha culpa?” Misericórdia respondeu: “Arreda-te, demônio; estas coisas ele fez nos dias anteriores à sua regeneração; mas a palavra ‘não obstante’ (Sl.106.8) as apagou. Vai-te para o teu inferno, e considera isto como outro açoite que se te dá. O pecador será perdoado, porém tu nunca o serás, diabo traidor!”.

E logo Misericórdia se voltou ao pecador sorrindo e disse: “Pecador, a trombeta deve soar pela última vez!”. Outra vez foi tocada, e ninguém respondeu. Então se levantou o pecador, e Misericórdia disse: “Pecador, faz tu mesmo a pergunta: pergunta ao céu, à terra e ao inferno, pergunta se alguém pode te condenar”. E o pecador, permanecendo de pé, com uma voz alta e ousada perguntou: “Quem acusará os escolhidos de Deus?”. E olhou para o inferno, e Satanás estava ali, mordendo suas cadeias de ferro; e olhou para a terra e ela estava silenciosa; e na majestade da fé, o pecador subiu ao céu mesmo, e perguntou: “Quem acusará os escolhidos de Deus? Deus?”. E veio a resposta: “Não, ele justifica”. “Cristo?” E foi sussurrado docemente: “Não, ele morreu”. Então, olhando ao seu redor, o pecador perguntou com alegria: “Quem me separará do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor?” E o pecador que estava condenado antes regressou à Misericórdia e permaneceu prostrado aos seus pés, e fez votos de ser seu para sempre, se ela o guardasse até ao fim, e o convertesse no que ela desejava que fosse. Então, já não mais soou a trombeta. Os anjos se regozijaram, e o céu se alegrou, pois o pecador tinha sido salvo.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Dependência Total de Cristo

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"sem mim nada podeis fazer" (Jo 15:5)

Creio que dentre todos os textos das Escrituras, nenhum fala da dependência de Cristo tão explicitamente quanto este. A afirmação é incontestável, não deixa brechas para contornos ou distorções: dependemos absolutamente de Jesus Cristo.

Viemos a nos arrepender de nossos pecados e crer em Jesus para sermos salvos? Sim! Nós fizemos isso, contudo, sem Cristo, jamais o teríamos feito. Ou algum de vocês imagina que pecadores completamente mortos e alienados de Deus teriam tal capacidade? Jamais, pois "ninguém pode vir a mim [Jesus], se o Pai que me enviou não o trouxer" (Jo 6:44). Nenhum homem é capaz de dar um passo sequer em direção a Cristo, devido ao seu estado de pecaminosidade e miséria espiritual, no qual todos se encontram. É necessária uma obra sobrenatural e divina no coração do pecador, concedendo-lhe soberanamente arrependimento e fé. Quando alguém se volta para Jesus, é devido ao fato que o próprio Jesus graciosamente concedeu-lhe vida, "pois, assim como o Pai ressuscita os mortos, e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que quer" (Jo 5:21).

Estamos perseverando na fé e crescendo em santidade? Sim! Temos feito isso, contudo, sem Cristo, já estaríamos totalmente desviados há muito tempo! Ah, como vivemos em um mundo tenebroso, sedutor, cheio de enganos e pecados! Se o Senhor não mantivesse o nosso coração firmado, será que conseguiríamos nos manter de pé? É certo que não, pois "enganoso é o coração" (Jr 17:9). É Deus quem nos santifica e nos mantém no caminho da vida, como Ele próprio prometeu: "porei o meu temor nos seus corações, para que nunca se apartem de mim" (Jr 32:40). O apóstolo Paulo entendeu isto e nos mostrou que, apesar de nosso esforço na santificação, é Deus quem cria em nós o desejo e a capacidade de nos santificarmos: "operai a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade" (Fp 2:12-13). Por fim, há a garantia bendita de nosso Salvador, que disse: "Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia." (Jo 6:38-39).

Poderíamos continuar e fazermos uma lista mais completa. Temos conhecido a Deus em Sua Palavra cada vez mais profundamente? Estamos aprendendo a amar o nosso próximo ardentemente? Temos exercido nossos ministérios com excelência? Nos dedicamos com fervor à uma vida de oração comprometida? Sem Cristo, nada disso poderíamos fazer.

Jesus, somente Ele, é a fonte de toda graça e benção espiritual. Todos os tesouros eternos de Deus estão nEle, estando disponíveis a nós pela fé, por causa do Seu sangue precioso vertido na cruz em nosso favor. Oh crente, sem Cristo você nada é, nada pode fazer, mas também saiba que com Cristo você é muito, e na Sua força você também pode fazer muitas coisas para Sua glória. Sem Cristo, nada; com Cristo, "tudo é vosso" (1 Co 3:22) e "tudo podeis" (Fp 4:13).

"Pai querido! Imploramos que nos ensine que, sem Cristo, nada podemos fazer. Que esta verdade esteja cravada em nosso coração e nos leve a um estado de humilhação perante Sua face, onde nos alegramos profundamente em sermos nada para que o Senhor seja, de fato, tudo em nossas vidas. Que esta humildade alegre tome conta de nós e expurgue toda soberba espiritual. Da mesma forma, que também reconheçamos que somente mediante Cristo temos acesso a todas as dádivas celestiais, e Sua força nos capacita a glorificar Seu nome neste mundo. Aprofunda em nós o senso de dependência e união com Cristo! Em nome de Jesus, amém!"
 

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