sábado, 25 de julho de 2009

O que é necessário para a salvação?

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Este texto é um e-mail enviado por mim à Lista Cristãos Reformados, dia 22/07/2009, em resposta ao questionamento de um irmão sobre o que é necessário para a salvação, considerando o seguinte contexto: um missionário prega num local remoto uma porção das Escrituras suficiente para que alguém tenha fé verdadeira e seja salvo. Porém, por alguma razão esse missionário não pode continuar sua missão nesse local, e esse alguém que ouviu a pregação do missionário passa a vida inteira apenas com aquela informação inicial, sem nada mais das Escrituras. Esse alguém seria salvo?

Estive meditando sobre esse assunto nos últimos dias e por isso não cheguei a opinar até o momento. Depois desse tempo de reflexão cheguei a uma conclusão que gostaria de compartilhar com os irmãos.

Creio que todos nós concordamos com as seguintes asseverações:

- A revelação geral não é suficiente para salvar, mas é suficiente para condenar e nos tornar indesculpáveis (Rm.1.18-32);

- Apenas a revelação especial é suficiente para salvar, e essa revelação está contida nas Escrituras (II Tm.3.15-17).

Diante dessas verdades, surge-nos a pergunta: "O que é necessário para a salvação?".

Eu creio que essa questão é genérica demais e esse foi o grande motivo para a variedade de opiniões expostas aqui. Digo isso porque todos sabemos que a salvação pode ser dividida em três tempos (ou passos) que são inseparáveis:

1) Passado: Fomos salvos da culpa do pecado (justificação);
2) Presente: Estamos sendo salvos do poder do pecado (santificação);
3) Futuro: Seremos salvos da presença do pecado (glorificação).

Sendo assim, nossa pergunta poderia ser mais específica como: "O que é necessário para a justificação?". Nesse caso a resposta é mais fácil. Alguém que conheça algo da natureza de Deus, da natureza do homem e do pecado, da salvação providenciada por Deus através de Cristo, de como essa salvação é aplicada a nós pelo Espírito, e da maneira pela qual podemos ser justificados por Deus através da fé em Cristo, está em condições de ser justificado.

Se a pergunta for "O que é necessário para a santificação?", deveremos falar sobre a constante leitura da Palavra, a oração, a comunhão da Igreja, a participação nas ordenanças, etc. Nesse processo a progressão no conhecimento do Senhor, através das Escrituras, é absolutamente fundamental. Alguém que não saiba ler poderá participar desse progresso ouvindo a exposição das Escrituras na Igreja.

Finalmente, para a pergunta "O que é necessário para a glorificação?", a resposta é a perseverança até o fim: "Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo" (Mt.24.13).

Creio que até aqui todos nós, como bons reformados, concordamos. Então chegamos à situação hipotética colocada pelo irmão, de um missionário que só tem tempo para anunciar uma pequena parte das Escrituras em algum lugar remoto, suficiente apenas para a justificação de alguém. No caso colocado por ele essa pessoa justificada passa a vida inteira só com aquela informação inicial, sem nada mais das Escrituras. Mas aqui cabe uma pergunta: seria isso possível? Poderia alguém ser justificado, mas não estar sendo santificado pelos meios que Deus instituiu? Se a justificação e a santificação são inseparáveis, o que todos concordamos, a resposta deve ser não. Portanto, de duas uma: ou essa pessoa que ouviu o evangelho pela boca desse missionário não foi justificada realmente, ou essa pessoa realmente foi justificada, mas não muito depois disso terá acesso aos meios de santificação (Escrituras, Igreja, etc) através de outros missionários.

sábado, 11 de julho de 2009

D.M. Lloyd-Jones e o Livre-Arbítrio

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Este é um trecho do livro O Soberano Propósito de Deus, de D.M. Lloyd-Jones, que consiste em uma série de exposições sobre Romanos 9.

Há pessoas que parecem pensar que se você rejeitar esta doutrina de Paulo ficará numa posição feliz. Você dirá: "Não creio que é Deus que elege e que Ele salva a quem Ele quer, e a quem Ele quer endurece. O homem só pode ser livre, deve depender da própria escolha do homem, da decisão do homem". Mas, esperem um pouco, vejamos a coisa assim: deixem que eu lhes mostre onde vocês ficarão se rejeitarem a doutrina de Paulo aqui ensinada. Vejam Atos 28.24. Eis aí o apóstolo Paulo; ele reuniu os judeus em seu alojamento privado em Roma, pregou-lhes o evangelho, e o citado versículo diz: "E alguns criam no que se dizia; mas outros não criam". Não seria esse o problema? Por que alguns crêem e outros não? Aqueles ouvintes eram judeus, todos iguais: mesmos antecedentes, mesmo tudo; mas alguns creram e alguns não. Quantas vezes acontece isso numa família! Dois irmãos, com o mesmo pai e a mesma mãe, o mesmo lar, a mesma criação, alunos da mesma escola, frequentadores da mesma capela e da mesma Escola Dominical, e conhecedores do mesmo evangelho - tudo igual. Um crê, outro não. Que é que decide isso? Que é que o determina?

"Ah", dirá alguém, "é muito simples. O livre-arbítrio!" Muito bem, um por sua livre escolha crê, o outro por sua livre escolha não crê - e você acha que liquidou o assunto quando disse isso, mas não o liquidou. Este é o problema que você deixa comigo, e com todos os psicólogos: por que um escolhe crer e o outro escolhe não crer? Quero saber isso - por quê? Por que foi que alguns creram na pregação de Paulo, enquanto outros não creram? Mas o que é que faz alguns quererem crer e outros não?

"Ah, bem", você diz, "um viu as coisas de um modo, o outro as viu de maneira diferente." Sim, porém você ainda não me ajudou. Vejam vocês, temos que fazer tais perguntas. "Bem, eu não sei", responde-me o tal, "um deles era de um jeito, o outro era diferente." Tudo bem! No entanto, diga-me, por que um deles era de um jeito e o outro era diferente? Aí vamos um pouco mais para trás. "Bem", você diz, "um deve ter nascido assim, e o outro deve ter nascido diferente." Certo! Acaso somos responsáveis pelo que somos ao nascer? Você é responsável pelas potencialidades com as quais nasceu? Claro que não. Mas, se você rejeitar o ensino que temos aqui, em Romanos, capítulo 9, é nessa posição que você é deixado - bem, porque acontece que ele nasceu como nasceu; o outro não crê porque acontece que ele nasceu como nasceu; ele não tem controle sobre isso.

Essa é a questão vital: que é que determina a vontade de um homem? E no momento que você faz essa pergunta, ela se volta para uma destas duas coisas: ou é o propósito de Deus, ou então é puro acidente, é questão de glândulas, de criação, de mil e um fatores que estão inteiramente fora do seu controle. Em nenhum caso você tem livre-arbítrio. Desde que o homem caiu não existe tal coisa. O único homem que teve livre-arbítrio foi Adão, e sabemos o que ele fez com isso. Daí em diante todos nós nascemos em pecado, "formados em iniquidade". E o que faz de qualquer homem um cristão é o propósito e a vontade e a escolha de Deus.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

João Calvino: Vida e Obra

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Hoje está sendo comemorado entre os reformados do mundo todo os 500 anos do nascimento de João Calvino, grande reformador do século XVI e certamente um dos maiores teólogos de todos os tempos. Para comemorar essa data tão significativa, fizemos uma coletânea de sites e livros em português que tratam da vida e obra do reformador francês.

Livros de Calvino

Obras Teológicas e Devocionais

A Verdadeira Vida Cristã (Editora Cristã Novo Século)
A Instituição da Religião Cristã Tomo 1 - Tomo 2 (Editora Unesp)
Cartas de João Calvino (Editora Cultura Cristã)
Ensino sobre o Cristianismo - Resumo das Institutas por J.P.Wiles (Editora PES)
O Livro de Ouro da Oração (Editora Cristã Novo Século)

Comentários

Salmos (Vol.1) (Editora Fiel)
Salmos (Vol.2) (Editora Fiel)
Salmos (Vol.3) (Editora Fiel)
Salmos (Vol.4) (Editora Fiel)
Daniel (Vol.1) (Editora Fiel)
Daniel (Vol.2) (Editora Fiel)
Romanos (Editora Fiel)
I Coríntios (Editora Fiel)
II Coríntios (Editora Fiel)
Gálatas (Editora Fiel)
Efésios (Editora Fiel)
Pastorais (Editora Fiel)

Livros sobre Calvino

A Arte Expositiva de João Calvino - Steven J. Lawson (Editora Fiel)
A Vida de João Calvino - Alister McGrath (Editora Cultura Cristã)
A Vida e a Morte de João Calvino - Theodoro de Beza (Editora Luz Para o Caminho)
Calvino de A a Z - Hermisten Costa (Editora Vida)
Calvino e a responsabilidade social da Igreja - Augustus Nicodemus Lopes (Editora PES)
Calvino, teólogo do Espírito Santo - Augustus Nicodemus Lopes (Editora PES)

Sites

A Bíblia, o Jornal e a Caneta: Allen Porto está fazendo coletâneas dos posts sobre Calvino nos mais diversos blogs reformados
JoãoCalvino.Net: blog com resumos e comentários das Institutas
Monergismo: dezenas de textos de/sobre Calvino
Teu Ministério: informações e links interessantes sobre Calvino

domingo, 5 de julho de 2009

Bens reservados àqueles que gozam de Deus

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Este é um trecho do livro Proslógio, do escolástico Anselmo de Cantuária (1033-1109).

Oh! aquele que fruirá desse bem! O que estará ou não reservado para ele? Certamente haverá para ele tudo o que Deus quiser e nada haverá de tudo o que Deus não quiser. Haverá, ali, sem dúvida, os bens do corpo e da alma; os que "o olho nunca viu, o ouvido nunca ouviu, nem o coração humano nunca imaginou" (I Co.2.9). Por que, então, ó homem miserável, vagueias aqui e acolá à procura do bem para o teu corpo e a tua alma? Ama aquele único Bem em que se encontram todos os bens e estarás satisfeito. Deseja aquele Bem sumamente simples, que contém todos os bens, e será o suficiente.

O que estás a amar, ó minha carne; o que estás a desejar, ó minha alma? Somente ali, nEle, é que se encontra o que vós amais e tudo o que desejais. Se amais a beleza, então, deveis saber que os "justos resplandecerão como o Sol" (Mt.13.43); se desejais a rapidez ou a força ou a liberdade do corpo de maneira que nada a ele possa opor-se, sabei que os justos "serão semelhantes aos anjos de Deus" (Mt.22.30), porque "depois de semeado o corpo animal, surgirá o corpo espiritual" (I Co.15.44), certamente pelo poder divino e não pela natureza. Se procurais uma vida longa e cheia de saúde, é nEle que se encontra a eternidade sadia e a sanidade eterna, porque os justos viverão eternamente e, também, porque "a saúde vem aos justos do Senhor" (Sl.37.39). Se quereis ser saciados, eles "serão saciados quando aparecer a glória do Senhor" (Sl.17.15); se procurais a ebriedade, "estarão embriagados com a abundância da casa do Senhor" (Sl.36.8). Se sois atraídos pela música, ali encontram-se os coros dos anjos cantando sem fim a Deus. Se cobiçais o prazer - o prazer puro, não o imundo -, "ó Senhor, tu lhes saciarás a sede com a torrente dos teus prazeres" (Sl.36.9); se a sabedoria, será revelada aos justos a própria sabedoria de Deus; se a amizade, os justos amarão a Deus mais que a si mesmos, e cada um deles amará aos outros como a si mesmo, e Deus os amará mais do que eles possam amar a si mesmos, porque eles amarão a Ele e a si e amar-se-ão entre si mesmos mas por meio dEle, quando, ao contrário, Ele amará a Si mesmo e a eles por meio de Si mesmo. Se é a concórdia que vós buscais, os justos terão todos uma só vontade, porque, ali, não haverá outra vontade a não ser a de Deus; se o poder, eles terão uma vontade onipotente como a de Deus porque, assim como Deus pode o que quer por Si mesmo, assim eles poderão tudo o que quiserem, por meio dEle. E, desde que eles hão de querer tudo o que Deus quer, Deus, portanto, quererá aquilo que eles quiserem; e o que Ele quiser não poderá não ser. Se as honras e as riquezas, Deus elevará os seus servos bons e fiéis acima de todas as coisas, de forma a serem chamados, e o serão realmente, "filhos de Deus" (Rm.8.16) e se encontrarão lá, onde estará o Seu Filho; e lá, eles serão "os herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo" (Rm.8.17). Se desejais a verdadeira segurança, eles ficarão plenamente seguros de que nunca lhes faltará, de modo algum, a felicidade, porque terão a certeza de que, espontaneamente, não abandonarão a Deus, e Deus, que os ama, não poderá abandonar a eles, que O amam. E nada existe de mais poderoso do que Deus, que possa afastá-los dEle contra a vontade deles e a de Deus.

Oh! como há de ser grande e agradável essa alegria, lá onde se encontra tão grande Bem! Ó coração humano, ó coração pobre, atribulado, inquieto, como hás de sentir-te feliz se possuíres, em abundância, desses bens! Sonda o teu âmago, para ver se cabe nele a alegria de tanta felicidade!
 

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