terça-feira, 26 de maio de 2009

Predestinação e Certeza da Salvação

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Este é um e-mail enviado por mim, dia 25/05/2009, a um irmão que me perguntou como é possível alguém ter certeza da salvação se é Deus quem predestina quem será salvo.

Ao que parece, você não consegue entender como alguém que crê na predestinação pode ter certeza da salvação. Talvez seu raciocínio seja que, se é Deus quem escolhe quem será salvo, então nós não podemos saber se estamos salvos ou não. A verdade, porém, é justamente o contrário: é a doutrina da predestinação que nos dá certeza da salvação. Vou explicar o motivo.

Quando Deus predestina que alguém será salvo e herdeiro da vida eterna, Ele predestina tanto o fim quanto os meios. Ou seja, Ele predestina que essa pessoa ouvirá o evangelho, terá seu coração regenerado, se arrependerá e crerá em Jesus, será justificada e adotada, viverá em santidade e perseverará na fé até o fim. Portanto, se alguém verdadeiramente se converteu a Cristo, em arrependimento e fé, ele pode ter certeza de que foi predestinado à vida eterna e de que está salvo.

Se não existisse predestinação e a salvação dependesse do seu livre-arbítrio, então você não poderia ter certeza da salvação, porque a salvação dependeria de você próprio, e você poderia perdê-la a qualquer momento, se decidisse, pelo seu livre-arbítrio, abandonar Deus. No entanto, como a salvação não depende de você, mas de Deus, que te escolheu antes da fundação do mundo, você pode ter certeza de que tem a vida eterna e de que não irá perdê-la, apesar das suas fraquezas, pois é Deus quem te sustenta.

Se você é um servo de Deus, que tem Jesus como Senhor e Salvador, você pode ter certeza da salvação. O fato de você ser batizado nas águas, frequentar uma igreja evangélica, fazer a obra de Deus e amar o seu próximo, como você disse no seu e-mail, apenas evidencia a sua salvação, e é uma consequência natural dela. Mas o que garante a sua salvação não é nenhuma dessas coisas, nem algo que você próprio faça, e sim o propósito eterno de Deus de te salvar através de Cristo.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Gênesis 25: Jacó, Esaú e a Eleição Incondicional

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Este texto foi enviado por mim ao Grupo Leitura Bíblica, dia 09/01/2009, como um pequeno comentário a um trecho do capítulo 25 de Gênesis.

O capítulo 25 de Gênesis narra que, assim como Sara, Rebeca não podia ter filhos. Mas Isaque orou ao Senhor e Rebeca concebeu de gêmeos. Isso nos mostra o poder da oração, que não reside naquele que ora, mas Naquele que ouve (Tg.5.16-18).

A narrativa continua dizendo que já no ventre de Rebeca os dois bebês lutavam. Ela consultou ao Senhor e Ele lhe revelou: "Duas nações há no teu ventre, dois povos, nascidos de ti, se dividirão: um povo será mais forte que o outro, e o mais velho servirá ao mais moço" (Gn.25.23).

O apóstolo Paulo cita essa passagem em Romanos 9.12, para mostrar que a eleição de Deus é incondicional. Deus fixou o destino de Jacó e Esaú antes mesmo que eles nascessem ou tivessem praticado o bem ou o mal (Rm.9.11), o que nos mostra que a eleição divina é independente de obras (Rm.11.6). Não depende de quem quer ou de quem corre, mas de Deus, que exerce misericórdia (Rm.9.16).

Isso nos ensina que nossa salvação está totalmente nas mãos do Senhor. Foi Ele quem nos escolheu antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante Ele, filhos adotados por meio de Jesus Cristo, para louvor da Sua glória (Ef.1.3-14; Cf. Jo.15.16). Desse modo, só nos resta nos prostrarmos com Paulo e adorarmos a esse Deus gracioso, "porque d'Ele, por meio d'Ele e para Ele são todas as coisas. A Ele, pois, a glória eternamente! Amém." (Rm.11.36).

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Sonhando com avivamento

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Havia, em certa comunidade cristã, um pregador do Evangelho muito simples e, ao mesmo tempo, profundo. Seus sermões eram sempre carregados de graça e poder, de tal modo que muitos pecadores encontravam a Cristo e a Igreja era edificada, crescendo em graça e santidade.

O centro do culto era a pregação da Palavra de Deus, e este era o momento mais solene, aguardado por toda a congregação, pois sabia-se que Deus falaria com Seu povo. E realmente Deus falava! Ele trovejava dos céus com Sua voz poderosa, e os corações não podiam resistir à voz do Espírito. Muitos caiam em lágrimas de arrependimento, por reconhecerem seus pecados; outros, fascinados pela visão da glória de Cristo, prostravam-se em adoração; mais outros ainda, ao entenderem que seus pecados foram perdoados em Cristo, se alegravam com alegria indizível e cheia de glória. Havia um senso tremendo da presença do santo Deus.

As mensagens não eram como as dos púlpitos modernos, carregadas de conceitos de auto-ajuda e psicologia. A teologia da prosperidade não tinha lugar naquela igreja. O povo estava aprendendo que não deveria amar o mundo, nem o que no mundo há. Que o chamado de Jesus é para renúncia, para abrir mão de si mesmo em prol da glória de Deus, e não para viver uma vida rodeada de prazeres mundanos.

Além disso, a pregação era sempre centralizada em Jesus. Este era o grande tema, tudo apontava para Jesus Cristo, e este crucificado: as orações, canções e a pregação. Falava-se da cruz de Cristo em todos os cultos; Jesus era o tema central, bem como todas as Suas belezas: Sua justiça, soberania, doçura, ira, e especialmente Sua graça! Ah, como a graça era o ingrediente máximo de todos os cultos! Sempre se falava da graça do Salvador, que é a única esperança para os pecadores e o firme sustento dos filhos de Deus!

Lá havia muita oração, e que orações fervorosas eram feitas naquele lugar! Os homens levantavam as mãos santas e clamavam ao Deus do céu; imploravam pela benção lá do alto, para que multidões fossem salvas para glória de Deus e para que a Igreja permanecesse firme e fiel diante Dele. Era comum ver idosos orando, baixinho: "Deus, visita-nos como outrora, como nos dias antigos, visita-nos"! Também se ouvia jovens, no mais pleno vigor de sua juventude: "Custe-nos o que custar, queremos ser santos; brilha sobre nós a luz de Teu rosto, pois somente Te queremos"!

Via-se paixão no rosto de todos. Havia paixão ardendo no coração dos irmãos, eles viviam apaixonadamente para glória de Deus, a fim de ver, experimentar, e manifestar esta glória, na face de Jesus Cristo, em todo o tempo, não importando qual fosse o custo. Por isso, lá havia amor, generosidade, bondade, mansidão, e todo fruto do Espírito. Havia santidade, nojo do pecado, prazer nas Escrituras! Sim, todos podiam fazer do Salmo 119 a oração mais sincera de seus corações, pois amavam a Palavra de Deus apaixonadamente! Meditavam nela dia e noite!

O Evangelho era pregado com suas palavras e com suas vidas. Arriscavam-se por amor de Cristo! Não se importavam em ser zombados, ridicularizados, presos, perseguidos: eles somente queriam expressar as grandezas Daquele que os salvou! Antes dos cultos, passavam pelas ruas convidando os mendigos, prostitutas, drogados, e toda sorte de pessoas desprezadas pela sociedade, para irem à igreja e ouvirem o Evangelho. Eles viviam o Evangelho.

"Senhor Jesus, estes são alguns pensamentos um tanto soltos a respeito de como poderia ser uma igreja agradável a Ti. Na verdade, creio que muito mais poderia ser dito, mas quem dera que pelo menos essas coisas fossem verdade! Salvador, faz isso tudo com o Teu povo! Torna essa descrição uma realidade nas igrejas brasileiras! Livra-nos do mundanismo que tem invadido as igrejas; das teologias perniciosas que desonram Teu nome e enfraquecem Teu povo; visita-nos, põe fogo nos corações, paixão pela Tua glória, por amor de Teu santo nome. Ah, quem dera vivêssemos apaixonadamente! Queremos Te conhecer cada vez mais, oh Deus! Derrama Teu Espírito sobre nós!

Jesus, glorifica o Teu nome! Mostra-te forte, para que as nações Te adorem. Faz que sejamos parecidos contigo, somos chamados pelo Teu nome, somos Teu povo especial. Querido Salvador, confiamos em Ti, descansamos na Tua graça, Rocha da nossa salvação"!

domingo, 10 de maio de 2009

Aprendendo com os pardais

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Os pecadores não tem a metade do bom senso dos pardais. Davi disse: "Não durmo, e sou como o pardal solitário no telhado" (Sl 102.7). Pois bem, você já observou o pardal? Ele mantém os olhos abertos, e no mesmo momento em que vê um grão de trigo ou outra coisa comestível na rua, voa para pegá-lo. Nunca soube que ele espera por um convite, e muito menos que alguém rogue e implore para ele vir alimentar-se. O pardal vê a comida e diz para si mesmo: "Aqui está um pardal faminto, e ali um pedacinho de pão. Essas coisas ficam bem juntas, e não permanecerão separadas por muito tempo". Desce voando, e devora tudo o que conseguir achar, tão logo o ache. Se você tivesse metade do bom senso do pardal, diria: "Aqui está um pecador culpado, e ali está o Salvador precioso. Essas coisas ficam bem juntas, e não permanecerão separadas por muito tempo. Creio em Jesus, e Jesus é meu".

Que o Senhor lhe conceda encontrar Jesus agora. Oro para que assim aconteça. Onde você está você pode olhar para Jesus Cristo, e crer. A fé é o simples olhar, o olhar de confiança simples. É depender de Cristo, crer que Ele poderá fazê-lo, e confiar que Ele o fará, agora.

C. H. Spurgeon, em "Os milagres de Jesus", Shedd Publicações.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Os Atributos de Deus

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Este estudo foi ministrado por mim na Escola Bíblica Dominical da IEQ Jardim Von Zuben, nos dias 25/02/2007 e 04/03/2007.

“Assim diz o SENHOR: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força, nem o rico, nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o SENHOR e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR” (Jr.9:23,24).

Introdução: A importância do conhecimento de Deus

Deus pode ser conhecido verdadeiramente (Jo.17.3), ainda que não possa ser conhecido plenamente (Sl.139.6; Rm.11.33-34).

Conhecer a Deus é a tarefa primordial e mais importante no que se refere às coisas espirituais. Sem um verdadeiro conhecimento de Deus é impossível ser salvo ou servi-lo e adorá-lo verdadeiramente (Jo.4:22). Para conhecermos a Deus é necessário que Ele se revele a nós (Mt.11:27; Rm.1:19), pois não podemos conhecê-lo com nossos próprios esforços (I Co.1:21). Deus se revela na natureza e principalmente em Sua Palavra.

O que são os atributos de Deus

Os atributos divinos são as características de Deus, a soma das quais definem quem Ele é. Eles refletem diversos aspectos da mesma essência divina.

Os atributos de Deus

Trindade: Deus existe eternamente como três pessoas (Pai, Filho e Espírito Santo), cada pessoa é plenamente Deus, e existe só um Deus. Todos os atributos divinos aplicam-se a cada pessoa da Divindade (Mt.3:16,17; Mt.28:19; I Jo.5:7).

Independência: Deus é um ser não causado e ninguém além d’Ele próprio sustenta Seu ser. Ele não precisa de nós nem do restante da criação para nada, pois existe por si mesmo e não depende de qualquer coisa externa a si próprio para existir (Jo.5:26; At.17:28; Ap.4:11);

Eternidade: Deus não tem princípio nem fim nem sucessão de momentos no Seu próprio ser, e percebe todo o tempo com igual realismo. Ele criou o próprio tempo e, portanto, é independente dele (Ex.3:14; Sl.90:2; II Pe.3:8);

Imutabilidade: Deus é imutável no Seu ser, nas Suas perfeições, nos Seus propósitos e nas Suas promessas. Deus não pode mudar porque é eterno e perfeito (Sl.102:25-27; Ml.3:6; Tg.1:17; Sl.33:11; Nm.23:19);

Unidade: Deus não está dividido em partes, mas percebemos atributos diversos enfatizados em momentos diferentes. Não existe um atributo mais importante do que o outro (I Jo.1:5; 4:16);

Espiritualidade: Deus é espírito e, portanto, não tem corpo. Ele existe como ser que não é feito de matéria e que não tem partes, formas ou dimensões (Jo.4:24; I Tm.1:17; Ex. 20:4-6; Dt.4:15-16). As passagens que atribuem a Deus partes corporais (II Cr.16:9; Sl.91:1-4) devem ser entendidas em sentido figurado, pois são antropomórficas;

Onipresença: Deus está presente em todo lugar, estando envolvido na criação e na vida dos indivíduos (Sl.139.7-10);

Onisciência: Deus possui todo o conhecimento, o que significa que Ele conhece inclusive o futuro e os nossos pensamentos (Jó 37.16; Sl.139.1-4; Is.46.10; Rm.11.33; Hb.4.13);

Onipotência: Deus pode fazer tudo aquilo que deseja (Gn.17.1; Jó 42.2; Sl.115.3; Is.43.11-13; Mc.10.27). Ele não pode pecar ou agir contra Sua própria natureza (Tg.1.13);

Amor: Deus é amor, o que significa que Ele se doa eternamente aos outros (I Jo.4:8; Jo.17:24). Deus ama a todos, mas não da mesma forma (Mt.5:45; Rm.8:35-39; Rm.9:13);

Justiça: Deus sempre age segundo o que é justo, e Ele mesmo é o parâmetro da justiça (Dt.34:4; Gn.18:25; Is.30:18; Jr.9:24; At.17:31);

Ira: Deus odeia intensamente todo o pecado e aqueles que o praticam (Rm.1:18; 9:22-23; Jo.3:36). O cristão não deve temer a ira de Deus, visto que foi salvo dela pela justiça de Cristo (Rm.5:9);

Vontade: Deus aprova e decide executar todo ato necessário para a existência e para a atividade de si mesmo e de toda a criação. A vontade de Deus envolve as escolhas divinas do que fazer e não fazer (Mt.10:29; Ef.1:11; Ap.4:11; At.4:27-28; Tg.4:13-15). É dividida em vontade secreta e vontade revelada (Dt.29:29). A vontade revelada refere-se a tudo aquilo registrado na Bíblia, e a vontade secreta refere-se aos decretos pelos quais Deus rege o mundo e determina tudo o que irá acontecer;

Santidade: Deus é santo (I Sm.2.2; Sl.99; Is.40.25; Ap.15.4) em dois aspectos: transcendência e pureza moral. A transcendência mostra como Deus está separado e é independente do espaço e do tempo, não sendo limitado por eles (Is.57.15). A pureza moral mostra como Deus está separado de tudo o que é pecaminoso (Lv.20.26; I Pe.1.15,16).

Bibliografia:

CHEUNG, Vincent. Teologia Sistemática. Reformation Ministries International, cap.3.
GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. Editora Vida Nova, caps.11, 12, 13.
 

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