terça-feira, 28 de abril de 2009

D.M. Lloyd-Jones e a Perseverança dos Santos

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Este é um trecho do livro A Perseverança Final dos Santos, de D.M. Lloyd-Jones, que consiste em uma série de exposições sobre Romanos 8.17-38.

A questão final com que nos defrontamos é: que é que impede este ou aquele cristão de cair e perder-se? Se não for o que temos dito aqui, isto é, que somos "chamados segundo o seu propósito" e que, porque é Seu propósito, Ele próprio nos impede de cair, bem, então, que será que nos guarda e nos impede de cair? Consideremos a situação daqueles que acreditam ser possível um cristão regenerado, nascido de novo, ir definitivamente para a perdição, cair e perder a posição de estar "em Cristo".

O que tais pessoas acreditam é que há dois tipos de cristãos: um deles se manterá seguro à verdade e à fé, e finalmente chegará à glória; o outro não consegue manter-se seguro, por um motivo ou outro, cai, e vai para a perdição. Elas explicam a diferença entre estes dois cristãos asseverando que um teve vontade e desejo de manter-se seguro, e que o outro não teve essa vontade e esse desejo. A diferença é determinada inteiramente pela vontade, pelo desejo e pela determinação pessoal do cristão particular. Sobre esse pressuposto, esta é a única conclusão a que se pode chegar.

Entretanto, se isso fosse verdade, uma decorrência seria que tal pessoa é mais forte que Adão antes da Queda. Adão era perfeito e estava sem pecado. Tinha livre-arbítrio completo, mas escolheu deliberadamente dar ouvidos ao diabo, e por isso caiu e causou as consequências que bem conhecemos, nele e em sua progênie. Disso decorre que aquele que por seu próprio esforço conseguisse manter-se na fé teria vontade e determinação mais fortes do que as que Adão tinha. Pode-se, porém, replicar: "O cristão está em melhores condições do que Adão; ele recebeu vida divina de Cristo e, portanto, tem algo superior ao que Adão tinha. Ele recebeu em seu ser nova vida de Deus, e é isso que o capacita a permanecer firme de um modo que Adão era incapaz de o fazer". Mas esse argumento não nos ajuda nada, pois todos os cristãos, por definição, receberam essa mesmíssima nova vida. Por conseguinte, isso não explica a diferença. A causa da diferença não pode ser a nova vida recebida, porque ambos os grupos a possuem. Somos induzidos à inevitável conclusão de que, em última análise, o que mantém o cristão em sua fidelidade ao Senhor não é nada mais nada menos que o poder da vontade e determinação do próprio homem. É uma qualidade natural e, portanto, a sua conclusão final é que não é a regeneração que determina a salvação final; é uma força natural de vontade e de entendimento, um poder inerente ao homem. Quer dizer, você é induzido a uma conclusão que está em completa contradição com a doutrina da graça. O homem não é finalmente salvo devido à ação de Deus pela qual Ele lhe dá nova vida e o regenera. O fator determinante é a capacidade pessoal do homem de persistir apegado à fé; alguns a têm, outros não. É uma qualidade natural e, assim, é uma final contradição de todo o ensino bíblico concernente à salvação, e especialmente da regeneração. Essa é a conclusão à qual você será levado inevitavelmente, se rejeitar esta doutrina da perseverança final dos santos, que se baseia no propósito de Deus [...]

Se a doutrina da perseverança não fosse verdadeira, então, se acaso você se visse na glória, a glória teria que vir a você por ter-se empenhado em permanecer firme e seguro. Você, como muitos outros, receberam a mesma dádiva da salvação; os outros, tolamente, não se agarram a ela, mas você se agarrou e continua assim. Portanto, a glória vem a você por seu empenho em segurar-se à benção da salvação. Entretanto isso é uma completa contradição do ensino das Escrituras, de capa a capa. Não há quem possa gabar-se quanto a esta questão. "Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor". O homem não tem coisa alguma de que se gabar. E quando eu e vocês chegarmos ao céu, perceberemos plenamente que lá estamos, não porque nos seguramos firmemente quando outros desistiram, e sim porque Ele nos segurou, porque estamos no propósito de Deus e porque Ele nos guardou, apesar de nós mesmos, da nossa fraqueza e da nossa tendência de seguir os nossos caprichos pessoais. E daremos a Ele todo o louvor, toda a honra e toda a glória. Veremos que esse foi o Seu glorioso plano do princípio ao fim, e adoraremos o Cordeiro, o Filho de Deus, que realizou tudo isso. A Ele cabe toda a glória. A salvação é um feito inteiramente Seu, e o louvor e a glória são devidos a Ele, e somente a Ele.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Gênesis 22: Justificação pela Fé e pelas Obras

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Este texto foi enviado por mim ao Grupo Leitura Bíblica, dia 08/01/2009, como um pequeno comentário ao capítulo 22 de Gênesis.

O capítulo 22 relata que Deus colocou Abraão à prova, pedindo Isaque, o filho da promessa, como sacrifício. Abraão foi obediente ao Senhor e partiu para Moriá, onde o sacrifício deveria ser realizado.

No versículo 5 vemos uma demonstração incrível de fé por parte de Abraão, falando aos seus servos: "Esperai aqui, com o jumento; eu e o rapaz iremos até lá e, havendo adorado, voltaremos para junto de vós". Abraão acreditava que, de algum modo, ele voltaria com Isaque! O autor da Epístola aos Hebreus afirma que Abraão considerou que Deus era poderoso até para ressuscitá-lo (Hb.11.19). Quando Isaque perguntou a Abraão onde estava o cordeiro para o holocausto, novamente Abraão fez uma afirmação de fé: "Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto" (v.8).

Quando chegaram ao local designado por Deus e Abraão iria imolar o filho, o Anjo do Senhor o impediu, reconhecendo que Abraão de fato temia a Deus. No lugar de Isaque, Abraão ofereceu um cordeiro que estava preso pelos chifres entre os arbustos daquele lugar. Abraão deu àquele lugar o nome de "O SENHOR Proverá" (em hebraico, Jeová Jiré). Vemos, assim, a providência de Deus, colocando no caminho de Abraão o cordeiro para o sacrifício. Deus está no controle de todas as coisas, de tal modo que Ele as conduz para o Seu soberano propósito: Sua própria glória (Rm.11.36) e o bem de Seus filhos (Rm.8.28).

Essa história é um tipo da nossa salvação. Assim como o cordeiro morreu no lugar de Isaque, Cristo, o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (Jo.1.36), morreu em nosso lugar (Rm.5.8; I Pe.3.18). 

Esse relato é mencionado por Tiago em sua epístola (Tg.2.21). Ao falar sobre a união existente entre a fé e as obras, Tiago usa como ilustração Abraão, que provou a veracidade de sua fé através de suas obras, disposto a sacrificar Isaque em obediência a Deus (Tg.2.22-23). Essa passagem de Tiago gera muita confusão, pelo fato de ele chamar essa prova da fé de justificação (Tg.2.24). No entanto, a justificação de Tiago não é a mesma de Paulo. Justificação em Paulo é a imputação da justiça de Cristo àquele que crê (Rm.3.21-26; 5.18-19). Justificação em Tiago é a demonstração da veracidade da nossa fé através das nossas boas obras (Tg.2.18). A justificação de Paulo é somente pela fé (Rm.3.28). A de Tiago é pela fé e pelas obras (Tg.2.24). A diferença conceitual entre as duas justificações fica mais clara quando consideramos que os eventos utilizados pelos dois apóstolos, para ilustrar a justificação, são diferentes. Paulo usa como ilustração a fé de Abraão na promessa de Deus de que ele teria um filho (Gn.15.1-6; Rm.4). Tiago usa a fé e as obras de Abraão evidenciadas ao oferecer Isaque como sacrifício. Os dois eventos são diferentes e separados por vários anos. Do mesmo modo, a justificação de Paulo e Tiago são diferentes, tendo em comum apenas o nome.

domingo, 12 de abril de 2009

O Cristão e a Cruz de Cristo - Parte 4

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Parte: [1] [2] [3] [4]

"Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo" (Gl 6:14a)

Por fim, carregar a cruz significa que seremos participantes da glória eterna! Nunca podemos pensar na cruz, sem pensar na ressurreição. Jesus suportou a cruz, contudo ao terceiro dia ressuscitou gloriosamente, e as Escrituras afirmam explicitamente que, assim como Ele ressuscitou de entre os mortos e recebeu um corpo glorificado, nós também o seremos!

Veja, por exemplo, esta sublime declaração do apóstolo João: “Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque haveremos de vê-lo como Ele é” (1 Jo 3:2). Paulo disse que Deus nos predestinou para sermos “conformes a imagem de Seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito de muitos irmãos” (Rm 8:29). Oh, que grande é este mistério!

Meus irmãos, Jesus disse que no Seu reino, “os justos resplandescerão como o sol” (Mt 13:43). Ah, irmãos, que grande estímulo essa verdade nos apresenta, diante de todos os sofrimentos e frustrações da vida! Tudo que estamos vivendo e que nos faz sofrer passará; chegará o dia em que Deus limpará de nossos rostos toda a lágrima, e nos coroará de alegria perpetuamente! Paulo diz: “as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Rm 8:18). Vamos aprender a deixar de lado as murmurações, depressões, tristezas, e nos alegrarmos no fato de que em breve estaremos com o nosso Salvador para sempre! Vivamos a vida sob essa perspectiva, com essa esperança, aguardando ansiosamente esse dia, e nós encontraremos forçar para as batalhas.

Semelhantemente, a verdade que estamos tratando é um grande incentivo para nos preocuparmos com as coisas que realmente valem a pena. Quando pensamos na glória que há de ser revelada em nós, entendemos como faz todo sentido o que Jesus disse, quando nos mandou acumular tesouros no céu, e não na terra. Entendemos também que essa vida é passageira, tudo passa, como disse Tiago: “Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa” (Tg 4:14). O que realmente vale a pena é aquilo que é eterno.

Alegremo-nos e nos regozijemos, meus irmãos, pois há uma glória a ser revelada em nós. A Igreja é a obra prima de Deus, e desfrutaremos de alegria eterna diante do nosso Deus, que nos cobrirá com a Sua sombra. “se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” (Rm 8:17).

Eis alguns dos efeitos da cruz de nosso Senhor Jesus Cristo na vida do crente. Reflita sobre todos eles, e pense nos vários outros que as Escrituras ensinam e que não foram contemplados neste artigo. A cruz é o centro do Evangelho e da vida cristã; devemos compreendê-la em todas as suas facetas, pois assim descobriremos a largura, comprimento, altura e profundidade do amor de Cristo. Deus revelou toda a Sua grandeza na obra do calvário e nos frutos decorrentes dela.

Que Deus abençoe tremendamente a todos vocês!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Gênesis 17: A Verdadeira Circuncisão

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Este texto foi enviado por mim ao Grupo Leitura Bíblica, dia 06/01/2009, como um pequeno comentário ao capítulo 17 de Gênesis.

O capítulo 17 relata que, quando Abrão fez noventa e nove anos, Deus novamente lhe apareceu, dessa vez fazendo uma aliança com ele. Abrão teria uma descendência numerosa que possuiria a terra de Canaã. O nome de Abrão foi mudado para Abraão, que significa "pai de uma inumerável multidão", e foi instituído um sinal para identificar os membros dessa aliança: todos os seus descendentes homens deveriam ser circuncidados ao oitavo dia de vida. A circuncisão era uma prática já existente na época, que consistia em cortar-se o prepúcio do órgão sexual masculino. O nome de Sarai também foi mudado para Sara, que significa "princesa". Deus prometeu que o filho da promessa procederia de Sara e seria chamado Isaque. Ismael também seria abençoado, mas a aliança seria estabelecida com Isaque. Após essa aparição divina Abraão circuncida seu filho Ismael, que estava com treze anos, e todos os homens de sua casa.

No Novo Testamento a circuncisão assume um novo aspecto, espiritual. Paulo afirma que a verdadeira circuncisão acontece no coração (Rm.2.25-29; cf. Fp.3.3; Cl.2.11). Há uma prévia dessa circuncisão espiritual em Deuteronômio 30.6, onde Deus diz a Israel que circuncidaria seu coração para obedecer Seus mandamentos. Deus também prometeu através de Ezequiel um novo coração (Ez.11.19-20; Ez.36.26-27) e Jeremias fala sobre uma nova aliança que seria estabelecida com Israel, na qual a lei seria inscrita em seu coração (Jr.31.31-34), que o autor da Epístola aos Hebreus aplica ao Novo Testamento (Hb.8.8-13). Todas essas passagens mostram que a circuncisão carnal do Antigo Testamento era apenas um tipo da verdadeira circuncisão que é espiritual e acontece no coração.

domingo, 5 de abril de 2009

O Cristão e a Cruz de Cristo - Parte 3

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Parte: [1] [2] [3] [4]

"Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo" (Gl 6:14a)

Em terceiro lugar, a cruz de Cristo na vida do cristão implica em viver uma vida de amor. O amor é o grande sinal dos discípulos de Jesus, como Ele mesmo disse: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.” (Jo 13:35).

E é importante notar que o argumento que Jesus usa para exigir que seus discípulos se amem é que, antes de tudo, Ele os amou. “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros” (Jo 13:34).

Aprendemos, na Bíblia, que amor é um sentimento santo que deseja o bem do seu próximo, inclusive acima de seus próprios interesses. Amor é sentimento, é algo que se sente. A Bíblia diz que Jesus várias vezes era “movido de íntima compaixão” (Mt 20:34). O apóstolo Paulo, cheio de amor pelos gálatas, exclamou: “Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós” (Gl 4:19). O apóstolo João se importava tanto com o bem estar de seus filhos na fé, que dizia: “Não tenho maior alegria do que esta, a de ouvir que meus filhos andam na verdade” (3 Jo 1:4).

Contudo, devemos entender que amor, além de um sentimento, é também serviço, como disse certo homem de Deus: “amor é mais serviço do que sentimento”. Jesus é o exemplo vivo, pois não somente disse que nos amava, mas efetivamente demonstrou o Seu amor na cruz. Paulo não somente amava, mas também tudo sofria “por amor dos escolhidos” (2 Tm 2:10). O amor faz acontecer, supre necessidades, acolhe, abraça, ajuda, se sacrifica, se doa. O amor na igreja primitiva era tão grande que todos compartilhavam tudo entre si, de modo que ninguém passava necessidade.

Se a natureza do nosso amor deve consistir em sentimento e serviço, o alvo dele deve ser todos, incondicionalmente, tanto perdidos quanto salvos, incluindo nossos mais cruéis inimigos. Devemos amar os perdidos com todo o nosso coração, levando a eles o Evangelho na esperança de que se salvem. Lemos de homens de Deus no passado que clamavam: “Senhor, dá-me almas, senão morro!”, e nós conseguimos permanecer indiferentes ante às almas que perecem! Muitos grandes evangelistas do passado perdiam o sono, porque pensavam nas almas que estavam indo a passos largos para o inferno e isso os inquietava grandemente!

Como anda o nosso amor pelas pessoas que estão se perdendo? Temos familiares, amigos, colegas com quem convivemos todos os dias e nunca sequer lhes falamos de Jesus, nunca derramamos lágrimas diante de Deus pelas suas almas! Pelo contrário, muitos de nós, pelo nosso procedimento torpe, os afastamos ainda mais de Cristo, que Deus tenha misericórdia de nós! Afirmamos que os amamos mas não nos preocupamos com o estado de suas almas, não investimos tempo e esforço para salvá-los!

Além disso, também há os perdidos de longe, de outros pontos do planeta nunca alcançados pelo Evangelho, onde temos missionários doando suas vidas pelo Reino de Deus, e vários de nós não têm a sensibilidade de sequer orar por eles, ou enviar uma oferta, por menor que seja! Preferimos ficar ouvindo as besteiras da teologia da prosperidade, que os falsos profetas pregam, nos incentivando a ficarmos ricos e conquistar bens terrenos, enquanto muitos perecem sem conhecimento do Cristo!

Também precisamos amar os que, como nós, são salvos e estão conosco na Igreja. O quanto oramos uns pelos outros, o quanto nos dedicamos a ajudar nossos irmãos a ficarem firmes na fé? Entra um irmão abatido na igreja, e ninguém o consola; outro está descaradamente na prática do pecado, e ninguém o repreende; um irmão falta no culto e ninguém sequer liga para ele, para saber se está tudo bem! O Cristianismo não é uma religião individualista, como muitos querem; antes, é um estilo de vida comunitário, pelo vínculo do amor e da fé. “Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade” (1 Jo 3:18).

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Alegria no Salvador

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Alegria no Salvador

Quando as notícias ruins chegam impiedosamente
O coração é tomado pelo desespero e tristeza
Nos sentimos acuados, perdidos, impotentes
A vida perde um pouco do brilho, da beleza

Várias de nossas expectativas são frustradas
Quantos sonhos vêm e vão, apagados pelo tempo!
Memórias tristes que, no coração, são fixadas
Feridas profundas que incomodam a todo momento

Mas vejo o raiar de um novo dia
Meu coração é cheio de alegria
Vendo que estou com o meu Salvador
Minha vida tomada por Sua doçura
Ele estende Suas mãos com ternura
E me sacia para sempre com Seu amor!

Esperai inteiramente na graça

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"esperai inteiramente na graça" (1 Pe 1:13)

Todo cristão é uma pessoa que espera inteiramente na graça do Seu Salvador. Ele não confia mais em si mesmo; já perdeu todas as esperanças de salvar-se mediante seus próprios esforços; enxerga que é um pecador indigno e totalmente incapaz de fazer algo para adquirir, por méritos próprios, a sua salvação. Antes, o cristão se lança totalmente nos braços de Jesus Cristo, confiando que Ele é poderoso para salvá-lo e preservá-lo eternamente, e que a Sua graça superabundante triunfará sobre todo o pecado e o levará, com toda certeza, ao Reino da Glória!

Veja, portanto, quão firmes e inabaláveis são as bases sobre as quais descansa o filho de Deus! Ele espera pela graça dAquele que não pode mentir, vive firmado em Suas promessas de bondade e, por isso, pode desfrutar de alegria no presente século. O cristão entende que não é tratado segundo seus próprios merecimentos, pois se assim fosse, há muito que teria perecido. Ele é tratado por Deus segundo o Seu amor em Cristo, e movido por graça pura e livre Deus concede ao cristão bençãos espirituais inigualáveis, mesmo ele merecendo, em si mesmo, maldições sem fim.

E que consolo maravilhoso esta passagem concede aos cristãos que caíram em pecado! Há graça para você, amado irmão, que tem tropeçado e caído em tentações. Há graça perdoadora, restauradora e santificadora. Graça sobre graça! Não tenha medo, filho de Deus, pois seus pecados não lhe tirarão do domínio da graça, porque a graça é de natureza tal que, na vida dos amados de Deus, sempre superabunda onde o pecado abunda. Portanto, se você é um cristão que caiu em pecado, arrependa-se, confesse suas falhas, abandone seus caminhos de iniqüidade e descanse inteiramente na graça para sua salvação e santificação.

Oh, bendita graça! Graça maravilhosa, que surpreende o universo inteiro, concedendo a pecadores como nós o amor do Deus eterno! Graça eficaz e poderosa, que não consiste em tolerar o pecado do homem; antes, ela trata com o pecado dele e o santifica. A vida cristã é graça do começo ao fim: fomos salvos pela graça, somos santificados pela graça, seremos glorificados pela graça. Queridos irmãos, meditem nesta graça, desfrutem das riquezas de Sua graça, e esperem inteiramente na graça de Jesus Cristo! "Provai e vede que o Senhor é bom"!

Com carinho,
Um miserável pecador salvo pela graça,
Davi.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Esclarecimento sobre minha mudança denominacional

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Como as notícias correm rápido, muitos irmãos já devem estar sabendo que eu estou deixando a Igreja do Evangelho Quadrangular para ingressar na Igreja Batista Central de Campinas, filiada à Convenção Batista Brasileira. Para esclarecer com mais detalhes os motivos que me levaram a tomar tal decisão e, assim, evitar comentários incorretos a respeito, decidi redigir este texto.

Eu estive na Igreja do Evangelho Quadrangular desde que nasci. Meus pais já eram membros da IEQ Jardim dos Oliveiras e lá fui consagrado pelo Rev. Dorival Martins Junior quando eu ainda era um bebê. Minha conversão ocorreu entre fevereiro e março de 2001 e fui batizado pelo Rev. Dorival no mesmo ano, dia 15 de novembro.

Foi nessa denominação que passei alguns dos momentos mais maravilhosos da minha vida. Nela fiz amizades para toda a vida e tive muitas oportunidades ministeriais. Na IEQ Jardim dos Oliveiras participei do coral Selah, fui professor do Departamento de Educação Bíblica Quadrangular e auxiliar na liderança do Grupo Missionário de Adolescentes. No final de 2004 fui à IEQ Jardim Von Zuben, juntamente com os pastores Amarildo e Marinalva, para auxiliar a pequena congregação com o ministério de louvor, como dirigente, e desde então passei a congregar naquela igreja. Nela fui líder do Ministério de Louvor Verdadeiros Adoradores, professor do Departamento de Educação Bíblica Quadrangular, líder do Grupo Missionário de Jovens e líder do Departamento de Missões.

No entanto, desde 2003 eu passei por várias mudanças em minhas convicções doutrinárias, que me afastaram cada vez mais da doutrina pentecostal e da pregação e prática da Igreja do Evangelho Quadrangular, de modo que em 2005 eu já sabia que minha estadia na Quadrangular não seria permanente, tendo em vista o que é dito em sua Declaração de Fé, capítulo XXIII, sobre Membros: "Se em algum tempo qualquer membro sentir que não está mais sendo leal ou tenha perdido a simpatia para com esta associação e, bem assim, não seja mais, como outrora, uma voz unânime para com ela, pedirá o mesmo uma carta de demissão e, discretamente, se retirará do rol de membros, reservando-se às autoridades da associação o direito de induzi-lo a assim proceder, caso se prolongue em abster-se disto".

Essas mudanças doutrinárias podem ser resumidas em três sentenças que esclarecem a minha fé:

1) Eu sou reformado

Como narrei no artigo Minha Jornada ao Calvinismo, em 2003 eu comecei um processo que terminou em janeiro de 2004, no qual gradativamente tornei-me um reformado. Já que eu expliquei com vários detalhes a fé reformada no artigo Em que crê um cristão reformado, aqui apresentarei apenas umas linhas gerais.

Como reformado eu creio que o propósito supremo do homem, da história e de toda a criação é a glória de Deus (Rm.11.36; I Co.10.31). Deus é soberano sobre todas as coisas (Dn.4.35; Mt.6.26; 10.29) e conduz todos os acontecimentos a esse propósito supremo (Gn.50.20; Rm.8.28). Isso é evidenciado principalmente na salvação, quando Deus soberanamente salva pecadores escravos (Rm.8.29-30; Ef.2.1-10), escolhendo-os antes da fundação do mundo por pura graça (Rm.9.10-13,23,24; 11.5-6; Ef.1.3-12), enviando Seu Filho para morrer por eles (Is.53.11-12; Jo.3.16), chamando-os por Sua Palavra e Espírito no tempo determinado (At.13.48; 16.14) e preservando-os na graça até o fim (Jo.6.39; Rm.8.30; Fp.1.6). Isso significa que a salvação não depende de um livre-arbítrio humano, mas de uma escolha divina (Jo.6.44; 8.34-36; Rm.9.15-16. Fp.2.13); que o propósito da morte de Cristo era salvar apenas os eleitos (Jo.10.11,15; 17.9; Ef.5.5-27); e que os salvos não podem perder sua salvação (Jo.10.28-29; Rm.8.1,31-39).

2) Eu não sou pentecostal

A doutrina distintiva do pentecostalismo é o batismo com o Espírito Santo como uma experiência posterior à conversão, evidenciado pelo falar em línguas e concedido apenas a alguns cristãos. Em 2004 eu comecei a estudar melhor esse assunto e cheguei à conclusão de que a doutrina pentecostal não correspondia ao ensino bíblico. Seria necessário todo um artigo para discutir esse assunto, mas apresentarei resumidamente aqui qual é a minha fé nesse ponto.

Eu creio que o batismo com o Espírito Santo é concedido a todos os cristãos (I Co.12.13), que isso acontece no momento da conversão como regra (Jo.7.37-39; At.2.38-39; 10.44-47) e que não é acompanhado necessariamente por sinais visíveis, como dons espirituais.

As passagens de Atos usadas para embasar a interpretação pentecostal devem ser entendidas dentro do seu contexto. Atos 2.1-4, que narra a vinda do Espírito Santo em Pentecostes, foi uma experiência única na história da Igreja, sendo um cumprimento da profecia de Joel sobre o derramamento do Espírito (Jl.2.28-29; At.2.16-21) e a inauguração de uma nova era na história do povo de Deus. Atos 8.14-17, Atos 10.44-47 e Atos 19.1-7, que narram o batismo com o Espírito entre samaritanos, gentios e discípulos de João Batista, respectivamente, também têm um caráter único, representando importantes momentos históricos nos quais o evangelho deixou de ser confinado ao povo judeu para ser proclamado até aos confins da terra (cf. At.1.8). Sendo fatos históricos únicos, essas experiências não podem ser tomadas como padrões que devem se repetir hoje. O padrão é o que se encontra no ensino de Jesus e dos apóstolos (Jo.7.37-39; At.2.38-39; I Co.12.13). O batismo com o Espírito Santo é um dom importante demais, como se percebe nas promessas de João Batista e Jesus (Mc.1.8; Lc.24.49; At.1.4-5), para ser posterior à conversão e restrito apenas a alguns cristãos (cf. Rm.8.9).

Essa doutrina pentecostal leva a uma prática muito comum, ainda que não apoiada por todos os pentecostais, que é o falar em línguas sem interpretação no culto público. Sou contrário a tal prática, pois ela contradiz abertamente o ensino de Paulo de que as línguas só podem ser usadas publicamente se houver interpretação (I Co.14.27-28), provocando grande desordem no culto (I Co.14.40).

Outro problema muito comum no pentecostalismo, que alguns pentecostais mais esclarecidos rejeitam, é a ênfase nas experiências, ferindo a autoridade única das Escrituras. É fato que muitos preferem acreditar em suas próprias experiências do que na própria Palavra de Deus. Rejeito tal ênfase e a considero perigosa, levando em consideração o que Paulo diz sobre rejeitarmos até o ensino de um anjo, se for contrário ao evangelho (Gl.1.8-9).

O fato de eu não ser pentecostal não significa que eu não creia no poder do Espírito Santo ou que seja frio espiritualmente. Essa acusação é muito comum contra irmãos que não são adeptos do pentecostalismo, mas é uma acusação falsa, como todos os irmãos que me conhecem pessoalmente podem confirmar. Creio que o Espírito Santo regenera (Jo.3.5-6; Tt.3.4-7), santifica (Gl.5.16-23; II Ts.2.13), enche (At.4.31; Ef.5.18) e habita em todos os crentes (I Co.6.19). Creio também que Ele concede dons espirituais para o aperfeiçoamento dos santos (I Co.12.4-11; Ef.4.11-12) e que pelo Seu poder nossos corpos serão transformados quando Jesus voltar (Rm.8.11).

3) Eu não sou neopentecostal

O neopentecostalismo apresenta vários ensinos perigosos, mas o principal deles, sem dúvida alguma, é a teologia da prosperidade. Segundo esse ensino todos os benefícios alcançados pela morte de Cristo estão disponíveis a todos os cristãos aqui e agora. Isso significa que o cristão não deve mais sofrer, ter enfermidades, passar por problemas financeiros ou mesmo pobreza. Se algum cristão passa por esses problemas isso é sinal de falta de fé, e para se ver livre de todas essas dificuldades basta tomar posse das promessas, decretando a vitória e exigindo de Deus as bençãos que Ele supostamente prometeu em Sua Palavra.

Eu não creio nesse ensino pernicioso, tendo abandonado-o em 2003, após estudos que me levaram a reconhecê-lo como não bíblico. A Bíblia ensina que Jesus morreu para nos salvar do pecado e de todas as suas consequências, inclusive as enfermidades e a morte (Is.53.4-5; Rm.5.21). No entanto, ao contrário do que ensina a teologia da prosperidade, a Bíblia diz que a posse plena de todos os benefícios da morte de Cristo está reservada para o futuro, para quando formos glorificados (I Co.15.20-58; Ap.21.1-7; 22.1-5). Neste mundo o cristão ainda terá sofrimentos, como Jesus e os apóstolos (Mt.24.9; Jo.15.18-19; 16.33; Rm.8.17-18; I Pe.4.12-16). Enquanto estamos aqui podemos ter enfermidades (I Tm.5.23), pobreza (Fp.4.11-12) e problemas diversos (II Co.12.7). Além disso, nem sempre Deus atende ao que lhe pedimos em oração (II Co.12.7-9), pois muitas vezes esses pedidos não correspondem à Sua vontade (I Jo.5.14-15).

Além da teologia da prosperidade, existem várias práticas neopentecostais anti-bíblicas nas quais eu não creio. Mas como tomaria muito tempo falar de cada uma delas, apenas farei algumas citações. Não creio em: atualidade do ministério apostólico; objetos que trazem benção ou maldição; espíritos territoriais e atos proféticos; nomeação e entrevistas com demônios, práticas como "queimar" e "amarrar" demônios e ensinos relacionados; quebra de maldição e regressão; unção do riso, unção dos quatro seres e outros tipos de "unção"; etc.


Dentre essas mudanças doutrinárias, a única que contraria diretamente a Declaração de Fé da Quadrangular é a minha visão sobre o batismo com o Espírito Santo, pois a Declaração não se posiciona quanto à fé reformada, nem em relação às doutrinas e práticas neopentecostais. No entanto, o neopentecostalismo e o pelagianismo de Charles Finney, que é anti-reformado, têm influenciado de tal modo a pregação e a prática da denominação, que a convivência como líder nesse ambiente tornou-se cada vez mais complicada. Além do mais, se algum dia eu fosse chamado para o ministério pastoral, teria grandes problemas dentro da denominação.

Por esses motivos, eu tomei a decisão de mudar de denominação. Depois de conhecer a Igreja Batista Central de Campinas, cuja doutrina e prática se harmonizam com o que creio, e depois de refletir e orar para deixar a Quadrangular num momento apropriado, conversei com a Pra. Marinalva sobre minha decisão, dia 8 de março. Ela foi bastante compreensiva e respeitou minha decisão. Assim, minha despedida aconteceu na IEQ Jardim Von Zuben, durante o culto do dia 15 de março, e foi bastante calorosa. Os pastores e toda a igreja oraram por mim, despedindo-me na paz do Senhor, com abraços e palavras carinhosas. Ontem, dia 31 de março, conversei com o Rev. Dorival para pedir minha carta de transferência e, assim, deixar a denominação oficialmente. Hoje, por fim, conversei sobre minha transferência com o Pr. Valdir, pastor auxiliar da Igreja Batista Central de Campinas. Serei recebido como membro da igreja por aclamação após o término de um curso para novos membros.

Antes de terminar, gostaria de deixar claro que minha mudança denominacional se relaciona com questões doutrinárias e não com pessoas ou relacionamentos. Estou saindo em paz com todos os irmãos da Quadrangular e continuarei com minhas amizades na denominação. Tenho um grande amor por todos esses irmãos e um profundo respeito por muitos deles. Também gostaria de pedir aos irmãos reformados que ficaram na Quadrangular que falem a verdade em amor, com carinho e respeito por aqueles que pensam de modo diferente.

Que todos nós conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor (Os.6.3), crescendo na graça e no conhecimento do Senhor Jesus Cristo (II Pe.3.18), caminhando de força em força (Sl.84.7), sendo transformados de glória em glória (II Co.3.18), até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo (Ef.4.13)! Amém.


Veja também:

Encerramento do Concurso de Aniversário

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Concurso de Aniversário do Teologia e Vida chegou ao fim. O vencedor foi o irmão Saulo Rodrigo do Amaral, com a frase:

"Teologia, não experiência, é o pressuposto para uma vida santificada; teocentrismo, não humanismo, é o que deve pautar a caminhada cristã, pois, afinal, é a mente de Deus (Sua Palavra) que deve subjugar a nossa, não o oposto."

Solicitamos ao irmão Saulo que nos envie por e-mail o seu endereço postal, para receber os livros em sua residência.

Parabéns ao vencedor e agradecimentos a todos os irmãos que participaram!
 

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