segunda-feira, 30 de março de 2009

Gênesis 12: O Cumprimento Espiritual da Promessa Abraâmica

Comente Aqui

Este texto foi enviado por mim ao Grupo Leitura Bíblica, dia 04/01/2009, como um pequeno comentário ao chamado de Abrão no capítulo 12 de Gênesis.

No capítulo 12 temos o chamado de Abrão. Estando em Harã, Deus lhe disse para que deixasse sua terra e seus parentes, e fosse para a terra que lhe seria mostrada: Canaã. Abrão recebe a promessa de que seria pai de uma grande nação, ainda que sua esposa fosse estéril, e de que nele todas as nações da terra seriam abençoadas. Essa promessa seria cumprida inicialmente em Israel e plenamente no Novo Testamento, com o evangelho sendo pregado a todas as nações da terra.

Abrão, então, sai de Harã, mas leva consigo seu sobrinho Ló, ao contrário do que Deus lhe havia ordenado. Por tal razão, algum tempo depois Abrão terá alguns problemas, o que será visto no capítulo 13. Ele vai para Siquém, em Canaã, onde Deus lhe aparece novamente, prometendo dar aquela terra à descendência dele. De fato, os israelitas irão conquistar essa terra no futuro, mas a perderão por sua desobediência sucessivas vezes na história e definitivamente em 70 d.C., com a destruição de Jerusalém pelos exércitos romanos, liderados por Tito. Por tal razão, no Novo Testamento essa promessa divina é entendida espiritualmente e de forma mais abrangente, não como uma possessão neste mundo, mas no vindouro.

Paulo interpreta essa promessa em Gálatas 3.16: "Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente, que é Cristo". A descendência da qual Deus falou era o próprio Cristo, que veio da descendência de Abrão. Cristo seria o herdeiro de todas as bençãos prometidas por Deus a Abrão e todos aqueles que colocassem sua fé nEle seriam co-herdeiros: "Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes. Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. E, se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa" (Gl.3.26-29; cf. Rm.8.17). A verdadeira possessão que Abrão almejou e que almejam os legítimos descendentes dele, que somos nós, os que cremos em Cristo, é a cidade celestial, como afirma o autor da Epístola aos Hebreus:

"Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber aonde ia. Pela fé, peregrinou na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa; porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador. Pela fé, também, a própria Sara recebeu poder para ser mãe, não obstante o avançado de sua idade, pois teve por fiel aquele que lhe havia feito a promessa. Por isso, também de um, aliás já amortecido, saiu uma posteridade tão numerosa como as estrelas do céu e inumerável como a areia que está na praia do mar. Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas; vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra. Porque os que falam desse modo manifestam estar procurando uma pátria. E, se, na verdade, se lembrassem daquela de onde saíram, teriam oportunidade de voltar. Mas, agora, aspiram a uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porquanto lhes preparou uma cidade" (Hb.11.8-16).

domingo, 29 de março de 2009

A Revelação de Cristo à Alma

2 comentários

Este é um trecho do livro O Peregrino, de John Bunyan (1628-1688), que narra numa emocionante história fictícia a viagem do cristão à cidade celestial.

Cristão: Como Cristo te foi revelado?

Esperança: Não O vi com os olhos do corpo, mas com os do entendimento (Ef.1.18-19). Foi assim: certo dia estava eu tristíssimo, mais triste, me parece, do que jamais estivera em tempo algum, sendo causada essa tristeza por uma nova revelação da magnitude e vileza dos meus pecados e, quando eu não esperava senão o inferno e a eterna condenação da minha alma, pareceu-me ver, de repente, o Senhor Jesus, olhando-me do céu, dizendo-me: "Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo" (At.16.31). Mas Senhor, repliquei eu, sou um grande pecador, muito grande; e Ele respondeu-me: "A minha graça te basta" (II Co.12.9). Tornei-Lhe eu: Mas o que é crer? E reconheci, por aquelas palavras, "O que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede" (Jo.6.35), que crer e ir era tudo a mesma coisa, e que aquele que vai, isto é, aquele que corre em seu coração e em seus afetos, pela salvação em Cristo, é o que realmente crê em Cristo. Umedeceram-se os meus olhos de lágrimas, e continuei a perguntar: Mas, Senhor, pode, na verdade, um pecador tão grande como eu sou, ser aceito e salvo por Ti? E Ele respondeu: "O que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora" (Jo.6.37). E eu disse: Mas, Senhor, que idéia hei de eu fazer a Teu respeito, ao chegar-me a Ti, para que a minha fé seja perfeita? E Ele me disse: "Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores" (I Tm.1.15). De onde concluí que devo achar a justiça em Sua pessoa, e a paga dos meus pecados em Seu sangue; que o que Ele fez, obedecendo à lei de Seu Pai, e submetendo-Se à penalidade dessa lei, só o fez por aqueles que aceitaram a Sua salvação e Lhe agradeceram. Então, o meu coração encheu-se de alegria, os meus olhos de lágrimas, e os meus afetos expandiram-se em amor ao nome, ao povo e aos caminhos de Jesus Cristo.

Cristão: Isso foi, na verdade, uma revelação de Cristo à tua alma. Dize-me, agora, quais os efeitos que produziu no teu espírito.

Esperança: Fez-me ver que todo o mundo, apesar de toda a justiça própria, existe em estado de condenação; que Deus Pai, posto que seja justo, pode justificar, com justiça, o pecador que a Ele vem; fez-me envergonhar da minha vida anterior, e humilhou-me, fazendo-me conhecer e sentir a minha própria ignorância, porque até então nunca viera ao meu coração um único pensamento, que de tal modo houvesse revelado a formosura de Jesus Cristo; fez-me desejar uma vida santa, e anelar por fazer mais alguma coisa para a honra e a glória do nome do Senhor; chegou a parecer-me que, se tivesse mil vidas, de bom grado as perderia por amor de Jesus!

Cristãos Pecadores

Comente Aqui

Este vídeo de Mark Driscoll, legendado pelo irmão Lucas da Silva Maria, funciona como um complemento ao meu e-mail Testes para Certeza da Salvação. Driscoll responde à pergunta: como eu sei se peco porque sou um mau cristão ou porque não sou cristão? Vale à pena conferir!

sábado, 28 de março de 2009

Testes para Certeza da Salvação

2 comentários

Este é um e-mail enviado por mim, dia 27/03/2009, a um irmão que está com sérias dúvidas sobre a própria salvação.

Desculpe pela demora em responder. Minha intenção era escrever um e-mail mais longo, mas devido à minha falta de tempo e à sua urgência espiritual decidi ser mais sucinto, para não demorar ainda mais com a resposta.

Pelo que me descreveu no e-mail ficou claro que você não tem certeza da salvação; na verdade, você parece ter uma certeza bem diferente, isto é, de que não está salvo. Partindo dessa certeza negativa, por quase todo o e-mail você descreveu várias coisas que, segundo sua análise, provam que você não está salvo. Com a graça de Deus, procurarei neste e-mail te ajudar da melhor maneira possível.

Antes de mais nada, é importante observar que a certeza da salvação não pertence à essência da fé salvadora, sendo possível um verdadeiro salvo não ter essa certeza. Outro ponto a ser observado é que a certeza da salvação é reservada a apenas duas pessoas: Deus e o próprio salvo. Isso significa que ninguém pode ter certeza da salvação de outro, ainda que devamos considerar como irmão um cristão professo que vive exteriormente de conformidade com o evangelho. Sendo assim, eu não poderei te assegurar da sua salvação, mas te tratarei como um salvo e apresentarei alguns testes que você mesmo pode fazer a si próprio para saber se realmente está na fé (II Co.13.5).

Um primeiro teste é o seu próprio e-mail. O fato de você ter escrito um e-mail demonstrando preocupação com seu estado espiritual é bastante significante, e pode ser uma forte indicação da sua salvação. Pergunte-se a si mesmo: essa minha preocupação é sincera? Você me disse que não consegue se arrepender, mas não seria essa preocupação e desejo de mudança, que você manifestou no e-mail, um indício de arrependimento? Você acha que não está salvo e que não tem mais perdão, por estar na mesma condição do "cristão" enjaulado do livro O Peregrino (John Bunyan), que na Bíblia aparece como um blasfemador contra o Espírito Santo (Mt.12.31-32), um iluminado que caiu (Hb.6.4-6) e alguém que continua deliberadamente em pecado, profanando o sangue da aliança e ultrajando o Espírito da graça (Hb.10.26-31). Mas poderia alguém nessas condições se preocupar com a própria salvação, como está acontecendo com você? Examine suas intenções e motivações ao escrever seu e-mail e, se elas são espirituais, como eu creio que são, isso é uma grande evidência da sua salvação.

Um segundo teste que você pode fazer a si mesmo é sobre seu desejo pela santidade. Pergunte-se: tenho eu o desejo de ser santo, assim como Deus é santo (I Pe.1.16)? Em sua Primeira Epístola, o apóstolo João mostra como a santidade é uma evidência da salvação: "Ora, sabemos que o temos conhecido por isto: se guardamos os seus mandamentos" (I Jo.2.3); "Todo aquele que permanece nele não vive pecando [...] Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus" (I Jo.3.6,9); etc. Isso não significa, porém, que o cristão não comete mais pecados, pois o próprio João reconhece que o cristão ainda peca: "Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós [...] Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós" (I Jo.1.8,10). Significa, sim, que apesar do pecado, o prazer do cristão e sua busca constante é a santidade. O pecado é a exceção, e não a regra, na vida cristã.

Você disse que se acha um hipócrita e um não salvo, por ter se encaixado nas exposições de D.M Lloyd-Jones sobre o assunto no Sermão do Monte. Mas todos nós, pecadores que ainda somos, temos nossos momentos hipócritas. O cristão neste mundo nunca está como gostaria de estar. Como disse John Newton numa conhecida frase: "Não sou o que posso ser, não sou o que devo ser, não sou o que quero ser, não sou o que espero ser; mas agradeço a Deus porque não sou o que outrora era, e posso dizer com o grande apóstolo: 'Pela graça de Deus, sou o que sou' ". Portanto, sua pergunta deve ser: apesar de ainda pecar, o desejo do meu coração é a santidade e o meu prazer está na Lei do Senhor (Sl.1.2; I Jo.5.3)? Se sim, isso também é uma evidência da sua salvação.

Um terceiro teste tem relação com seu amor pelo próximo. Jesus disse: "Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros" (Jo.15.35). João também mostra que o amor pelo próximo é uma evidência da salvação (I Jo.4.7-21). O amor ao próximo é o segundo maior mandamento (Mt.22.39) e um resumo da Lei (Rm.13.8-10). Logo, o verdadeiro cristão ama o seu próximo. Porque o cristão não é totalmente santo, esse amor também não é perfeito, e muitas vezes está contaminado pelo egoísmo ou mesmo pelo ódio. Mas ainda que imperfeitamente, o cristão pode amar seu próximo verdadeiramente. Examine-se quanto a isso. Você ama seu próximo? Se a resposta é afirmativa, isso evidencia que você está salvo.

O último e, sem dúvida, o mais importante teste relaciona-se com a glória de Deus. O seu supremo desejo é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre, como diz o Breve Catecismo de Westminster? Jesus disse que o maior mandamento é amar a Deus de todo coração, alma e entendimento (Mt.22.37). O verdadeiro salvo tem Deus como seu maior tesouro: "Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra. Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre" (Sl.73.25-26). Ele não quer ir para o céu apenas para ser livre do sofrimento ou para encontrar algum ente querido, e sim para contemplar a glória de Deus na face de Cristo (II Co.4.6)! Para ele, o céu não seria céu se Deus não estivesse lá. Ao ler as descrições da eternidade em Apocalipse 21, o fato mais marcante para o salvo não é que lá não haverá mais morte, luto, pranto ou dor, e sim o que se encontra no versículo 3: "Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles". O maior desejo do cristão é o próprio Deus: "Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água" (Sl.63.1); "Quão amáveis são os teus tabernáculos, SENHOR dos Exércitos! A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do SENHOR; o meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo!" (Sl.84.1,2). Esse é seu maior desejo? Mesmo que algumas vezes, por ainda ser imperfeito, o seu orgulho tente ofuscar a glória de Deus, ou outras coisas tentem ocupar o primeiro lugar em seu coração, te levando ao pecado de idolatria, se o seu maior prazer é o próprio Deus, essa é a maior evidência da sua salvação.

Por fim, é importante fazer uma observação: nossa salvação e nossa certeza dela não estão alicerçadas em algo que nós mesmos fazemos, mas naquilo que Deus fez em Cristo de uma vez por todas. Depois de fazer esses testes a si mesmo, alguém poderia ter a falsa impressão de que sua salvação depende, de alguma forma, de algo feito por ele mesmo. Mas a verdade é que todas essas coisas são apenas a consequência, e não a causa, da salvação. Elas evidenciam a salvação, mas não são o fundamento dela. Para um melhor entendimento desse ponto, sugiro a leitura do meu artigo Certeza da Salvação.

Se depois de todos esses testes você reconheceu que realmente está salvo, te aconselho a olhar mais para Cristo e menos para si mesmo, a fim de ter uma completa certeza. Eu mesmo passei a ter certeza da salvação, em 2003, após ter entendido melhor a obra de Cristo em meu favor, na expiação e na justificação. E além das promessas das Escrituras e da evidência interna da graça de Deus em nossas novas disposições, podemos também contar com o testemunho do próprio Espírito a respeito da nossa salvação: "O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus" (Rm.8.26).

Se, ao contrário, depois dos testes você se convenceu de que não está salvo, não se desespere. Como eu disse no início do e-mail, a sua preocupação com seu estado espiritual é um bom sinal. A salvação é prometida a todos aqueles que a desejam: "Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida" (Ap.22.17). Se você deseja a salvação, como ficou bastante evidente no seu e-mail, isso significa que o Espírito Santo já está operando em seu coração. Portanto, vá a Cristo, como Ele mesmo diz: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei" (Mt.11.28). Contemple-O pela fé e você será salvo: "Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os termos da terra, porque eu sou Deus e não há outro" (Is.45.22); "Crê no Senhor Jesus e serás salvo" (At.16.31).

Espero ter ajudado. Continue mantendo contato para me falar sobre como anda sua vida espiritual.

quarta-feira, 11 de março de 2009

O Senhor seja glorificado!

1 Comentário

Jesus, o Senhor me encontrou quando eu estava perdido
Estava escravizado pelo pecado e odiava o Teu nome santo
Teu amor me envolveu e minha vida passou a ganhar sentido
Tirou meus pés da lama, pôs nos meus lábios um novo canto

Passei a crer de todo coração na Tua cruz e ressurreição
Me arrependi de meus pecados e decidi mudar minha história
E movido por Teu Espírito tomei minha grande resolução
Não viverei para mim mesmo, mas somente para Tua glória

O Senhor é maravilhoso em todas as Tuas perfeições
A beleza da santidade de Teu rosto brilha intensamente
A Tua graça comove, vivifica e restaura os corações
O Teu amor excede o entendimento, permanece eternamente

A Tua sabedoria magistral planejou todos os acontecimentos
O Teu poder é maior que todas as coisas, inclusive a morte
A Tua fidelidade e justiça nos consolam em nossos sofrimentos
A Tua palavra é vida, me levanta, faz de mim um homem forte

Oh querido Salvador! Como o Senhor é belo, desejável, precioso
Meu coração está transbordante, estou encantado e maravilhado
Meu Tesouro, minha Vida, meu Amado, meu Tudo, meu Maior Gozo
Que em minha vida, em todas as coisas, o Senhor seja glorificado!

domingo, 8 de março de 2009

O Cristão e a Cruz de Cristo - Parte 2

2 comentários

Parte: [1] [2] [3] [4]

"Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo" (Gl 6:14a)

Em segundo lugar, carregar a minha cruz significa que estou renunciando a mim mesmo. Estou abrindo mão de viver para mim mesmo, como Paulo ensinou: "O amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou." (2 Co 14-15). Em outro lugar, ele diz: "Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço." (1 Co 6:19-20). O próprio Paulo cumpria esse mandamento, ao dizer: "já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim." (Gl 2:20) e "para mim, o viver é Cristo" (Fl 1:21).

Se Jesus me adquiriu completamente na cruz, com o preço de Seu próprio sangue, como eu posso continuar vivendo para mim mesmo? Eu simplesmente devo tudo a Ele! E se Ele morreu pelos meus pecados, como posso eu ainda viver na prática do pecado? O Libertador me tirou do Egito com mãos poderosas, e eu ainda ouso sentir saudades das iguarias de Faraó?

Deus sente um ódio mortal pelo pecado. Ele odeia tudo aquilo que é mau. Deus odeia tanto o pecado que jamais poderia nos adotar como Seus filhos sem, antes, nos purificar de todo o pecado por meio do sangue de Jesus. Agora, eu pergunto: odiamos também nós o pecado, assim como Deus? Sentimos nojo de nós mesmos quando pecamos, evitamos transgredir a lei de Deus a todo custo e resistimos ao pecado até o sangue, se for necessário?

Acredito que dificilmente vamos exagerar ao falar da malignidade do pecado e da necessidade de santificação. Penso também que uma das causas porque caímos tanto e fracassamos em tantas tentações é porque não compreendemos exatamente o que o pecado significa. Pecado é um desafio ao próprio Deus, é um ultraje contra a Sua glória, é uma rebelião contra um Deus amoroso e cheio de graça. O pecado desperta a ira de Deus, porque o pecador está trocando o seu Criador por outras coisas, está dando às suas próprias cobiças o lugar que só pertence a Deus, está vivendo para si mesmo e pouco se importando com o que Deus pensa! Precisamos atender ao chamado de Deus: "sede santos, porque Eu sou santo" (1 Pe 1:16).

E quando falamos em renúncia, não falamos somente em termos de pecado. Algumas vezes, pode ser necessário renunciarmos a coisas legítimas, que em si mesmas não são pecaminosas, por amor de Cristo. Renúncia significa que a vontade que prevalece é a de Deus; o que Ele quer, eu também quero, custe o que custar. Se Ele requerer que eu abra mão de certos sonhos que cultivo desde a infância, assim o farei; caso Ele deseje que eu renuncie propriedades e bens, eu o farei com alegria; se eu tiver de abrir mão de minha profissão para servir ao Seu reino, direi: eis-me aqui! O coração que renuncia a si mesmo diz: "Senhor, Tu és o bem mais precioso que possuo, o Tesouro supremo de minha vida; eu Te quero mais do que tudo; manda-me, e eu farei; nada se compara a Ti e eu submeto tudo que eu sou e tudo que eu tenho sob o Seu Senhorio, porque O Senhor é o Meu dono, e eu me alegro e exulto em ser propriedade inteiramente Tua"!

Que aprendamos a viver sob a perspectiva da renúncia, negando a nós mesmos e não nos apegando às coisas dessa vida. Paulo dá um grande motivo para isso, ao dizer: "Portanto, se já ressuscitastes juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, e não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória." (Cl 3:1-4).

domingo, 1 de março de 2009

Oração confessando a supremacia de Deus

3 comentários

Escrevi esta oração em um momento de profunda tristeza e desilusão. Que Deus encha nosso coração com esse sentimento! Ele é supremo sobre tudo em nossas vidas!

"Pai, o que quer que aconteça, que aconteça de modo que glorifique o Teu nome do modo mais especial possível, porque a Tua glória é mais importante que meus sentimentos, e eu me torno plenamente feliz quando, por minha vida, custe o que me custar, o Senhor é magnificado, exaltado, e todas as Suas belezas brilham com mais força. Confio em Teus propósitos! Sei que são muito bons, que concorrem para o meu bem, sei que o Senhor é sábio e amoroso. Ensina-me a viver além de mim mesmo e que busca incessante da minha alma seja a Tua presença. Meu coração desfalece e está profundamente triste, mas Tu és a força do meu coração, a minha porção para sempre! Amém!"

Graças a Deus!

O Cristão e a Cruz de Cristo - Parte 1

1 Comentário

Parte: [1] [2] [3] [4]

"O Cristão e a Cruz de Cristo" foi uma mensagem pregada por mim em 15/11/2008, no culto de jovens da Igreja do Nazareno do Jd. Nova Europa, Campinas, SP. Ele será publicada em quatro partes, semanalmente, durante este mês. Que Deus o abençoe tremendamente!

A Igreja do Nazareno em que esta mensagem foi pregada está localizada na av. Baden Powel, nº 550, no Jd. Nova Europa. Faça uma visita!

Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo” (Gl 6:14a)

Paulo, o apóstolo que escreveu estas palavras, era um homem que, antes de sua conversão, se gloriava em muitas coisas. Ele mesmo diz que se orgulhava em ser “da linhagem de Israel”, “fariseu”, “perseguidor da igreja” (Fp 3:4-6). Ele tinha a si mesmo em alta estima e se gloriava de toda a sua posição diante dos homens.

Mas um dia, montado em seu cavalo em direção à Damasco para afligir a Igreja, uma luz do céu brilhou sobre ele, e quão sublime e resplandescente era tal luz! Era o próprio Senhor Jesus aparecendo diante de Paulo e mudando para sempre a sua história. A partir daquele dia, aquele homem que se gloriava em tantas coisas passou a considerá-las como “esterco” (Fp 3:8), porque ele havia conhecido ao Salvador e Ele é mais precioso do que tudo. Todas as coisas de que Paulo se orgulhava foram substituídas pela cruz de Cristo, a qual foi gravada em seu coração pelo Espírito. Agora, ele podia dizer: Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo” (Gl 6:14a). Ele foi mais além, dizendo: “Já estou crucificado com Cristo” (Gl 2:20), porque ele havia descoberto que a palavra da cruz é o “o poder de Deus e sabedoria de Deus” (I Co 1:24).

Entender o evento da crucificação é a maior necessidade todos os homens. Foi justamente ali, no monte do calvário, que o Deus Eterno estava realizando o Seu maior projeto: garantir perdão, justificação e vida eterna a inúmeras pessoas de todas as épocas, idades e nacionalidades, para a Sua própria glória. Na cruz, Jesus carregou todos os pecados de todas as Suas ovelhas, satisfez a justiça de Deus e se tornou o Perfeito Salvador de todos os que se achegam a Ele pela fé. As chagas de Jesus no calvário resolveram o problema que somente Deus poderia resolver: reconciliar o homem Consigo mesmo e declará-Lo justo apesar de toda a sua impiedade. Ali estava sendo posto em prática todo o glorioso plano da salvação, para glória de Deus e eterna felicidade do homem.

Muitas coisas de grande preciosidade poderiam ser ditas a respeito do evento glorioso da crucificação, porém quero me concentrar em apenas algumas delas, que dizem respeito à relação entre o cristão e a cruz. Somos chamados a imitar Jesus em tudo, inclusive em carregarmos a cruz e sermos crucificados juntamente com Ele. É justamente isso que o Senhor disse aos seus discípulos, após anunciar que seria crucificado: “Se alguém quiser vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.” (Mt 16:24). É como se Jesus estivesse dizendo: “Se eu vou ao calvário ser crucificado, vá também, e seja crucificado comigo! Vocês têm que me imitar em tudo, precisam se unir a Mim em tudo!”. Dessa forma, o que significa para o cristão “tomar a sua cruz”? Quais são as implicações práticas de se estar “crucificado com Cristo”? Quero considerar apenas quatro delas:

Primeiramente, a cruz de Cristo implica em que eu estou renunciando toda a minha justiça própria. Estou abrindo mão de confiar em mim mesmo; estou reconhecendo que por mim mesmo sou totalmente incapaz, inútil e desprezível em todos os meus pensamentos, sentimentos e ações. Eu olho para a justiça de Deus, e olho para o meu pecado, e vejo que a distância é enorme, maior do que a mente humana pode calcular, imaginar ou projetar. Eu aceito, totalmente humilhado, o veredicto da Escritura a meu respeito: “(...) todos estão debaixo do pecado; como está escrito: não há um justo, nem um sequer, não quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, e à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Rm 3:9-9-12).

Na cruz de Cristo, vemos Jesus morrendo por causa dos nossos pecados. Vemos o quanto o Justo precisou sofrer por todas as nossas injustiças, a fim de nos tornar justos perante Deus. A cruz demonstra com todas as letras a nossa incapacidade e miséria: não fomos capazes de cumprir a Lei para termos vida; foi necessária a vinda de um “Segundo Adão” para viver uma vida de plena justiça e santidade, cumprindo minuciosamente cada um dos mandamentos de Deus, e morrer como nosso Substituto, de forma que, assim como os nossos pecados estiveram sobre Ele no calvário, a Sua justiça seja imputada a nós, pela fé! O apóstolo Paulo entendeu muito bem isso, a ponto de dizer: “e ser achado Nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé” (Fp 3:9).

Deus, o Santíssimo, deu o Seu próprio Filho a nós, pecadores! Ele nos amou a despeito de todo o nosso ódio; nos chamou quando estávamos na lama do pecado; nos deu vida, quando éramos defuntos espirituais sem forças nos levantarmos; conquistou nosso coração, quando ele era mais duro que as grandes rochas. O Espírito Santo invadiu a nossa vida e, com a Lei de Deus, nos mostrou a nossa pecaminosidade e nos quebrantou poderosamente. Porém, ao nos mostrar a nossa própria miséria, Ele não nos deixou desesperados e sem esperança; pelo contrário, Ele apontou o caminho da vida; nos tomou pela mão, e nos levou Aquele que é o Manancial de águas vivas e saciou a nossa sede para sempre!

Meus irmãos, a cruz de Cristo foi o ponto máximo da graça de Deus, e “pela graça sois salvos, mediante a fé” (Ef 2:8). Ah, que graça maravilhosa, que me deixa desconcertado, que me constrange, que me deixa admirado e encantado! A nossa salvação, do começo ao fim, deve ser totalmente atribuída à graça de Deus! Minha alma, tomada de alegria e gratidão, canta:


"Nada trago em minhas mãos,
Simplesmente me apego à Tua cruz;
Venho nu a Ti, para vestir-me;
Indefeso, busco a graça em Ti!
Sujo, eu corro até a Tua fonte;
Lava-me, Salvador, ou morro!"

Concurso de aniversário do Teologia e Vida

2 comentários

Março é o mês de aniversário do blog Teologia e Vida. No dia 16 deste mês completaremos três anos de existência, anunciando a doutrina e a prática da Palavra de Deus. Para comemorar essa data tão significativa resolvemos abrir um concurso para todos os freqüentadores do nosso blog, cujos prêmios serão os livros Deus é o Evangelho (John Piper) e Teologia Sistemática de Wayne Grudem.

O concurso terá duas fases:

1ª fase: Os participantes escreverão uma frase curta e objetiva, relacionando teologia e vida, doutrina e prática, e mostrando a interdependência desses dois aspectos do Cristianismo. A frase será enviada para o e-mail teologia.vida@gmail.com, juntamente com o nome completo do participante, até o dia 15 deste mês, quando esta fase será encerrada.

2ª fase: No dia 16, aniversário do blog Teologia e Vida, será iniciada uma enquete com todas as frases enviadas, para que os freqüentadores do blog escolham a melhor. Cada pessoa deverá votar apenas uma vez, sendo sincera e exercendo seu Cristianismo. A enquete será encerrada dia 31 deste mês.

O dono da melhor frase será o vencedor do concurso e receberá os prêmios em sua residência sem nenhuma despesa.

Não perca tempo e mande sua frase agora mesmo! Ajude a divulgar este concurso em seu blog e entre seus amigos e conhecidos.
 

Teologia e Vida © Revolution Two Church theme by Brian Gardner
Converted into Blogger Template by Bloganol and modified by Filipe Melo