sexta-feira, 9 de outubro de 2009

A Igreja precisa de uma Nova Reforma

8 comentários

Este artigo foi escrito por mim no início de 2003, antes da minha própria Reforma. Que neste mês de outubro, quando a Reforma Protestante completará 492 anos, este artigo possa servir como reflexão sobre a necessidade de Reforma na Igreja moderna.

Analisando a Igreja de hoje percebi que ela está enfrentando duas grandes crises: crise doutrinária e crise moral e espiritual. Ela está, como o Apóstolo já previa, apostatando da verdadeira fé (I Tm.4.1). Vejamos o porquê.

Crise doutrinária

Existem muitas heresias penetrando as igrejas. Muitas dessas heresias vêm da parte dos chamados neopentecostais, que são o maior grupo evangélico do país, com muitos programas de televisão, onde propagam suas estranhas doutrinas, mais centradas no poder do homem que no poder de Deus. Uma delas é a famosa “doutrina da determinação”. Segundo esse ensino, Deus é uma espécie de gênio da lâmpada, que está na igreja (e essa tem que ser neopentecostal!) somente para realizar os nossos pedidos. A maioria dos “cristãos” dessas igrejas estão lá para pedirem, e pedirem não bens espirituais, mas materiais. A adoração passou para 2º plano. Deus já não é mais adorado “em espírito e em verdade” (Jo.4.24), mas as pessoas somente “determinam” que querem tal coisa, e Deus deve dar de qualquer jeito.

Essas heresias estão invadindo até as igrejas que não são neopentecostais. “Quebra de maldição”, “prosperidade” e “determinação” são palavras que estão entrando no vocabulário de muitas denominações. O chamado “evangelho da prosperidade” está conquistando muitas pessoas e muitas igrejas. Mas será esse o evangelho de Cristo?

O conhecimento bíblico nas igrejas vem diminuindo cada vez mais. As pessoas não querem mais saber da Bíblia. Se pregarmos para esses “cristãos” que Maria também pode curar, estejamos certos de que quase toda a cristandade evangélica buscará apoio em Maria, pois não tem conhecimento bíblico, só querem milagres e prosperidade. Seu conhecimento é superficial, não tem nenhuma profundidade.

Hoje as igrejas não querem mais pregar a mensagem da cruz. Isso está fora de moda. Não querem mais Bíblia na igreja, querem shows e mais shows. Bíblia, oração, jejum, adoração, amor ao próximo, evangelismo, tudo isso está ultrapassado, nos dizem. É uma pena, mas o diabo está conseguindo arrebanhar milhares!

Crise moral e espiritual

Por falta de conhecimento bíblico, a moral e a espiritualidade caíram no descaso dentro das igrejas. Vejamos as famílias evangélicas. Podemos chamá-las de famílias cristãs? Não há mais cultos familiares, pois dizem que isso é perda de tempo. Preferem perder seu tempo com a novela das sete ou com o Programa do Ratinho! Conversas obscenas, palavrões e coisas semelhantes são muito comuns em lares “evangélicos”. Deus já não ocupa o 1º lugar na família. Divertimentos mundanos e desejos carnais são os novos “deuses” de muitas famílias cristãs. A Bíblia já não é mais O livro, é apenas UM livro.

As visitas aos necessitados foram esquecidas. A Escola Bíblica Dominical foi abandonada. Estudos bíblicos já não são realizados. E evangelismo de casa em casa? Também não fazemos mais. Temos as Testemunhas de Jeová, que nem são cristãos, mas nos dão o exemplo. Nós, porém, ficamos confinados ao templo, achando que assim ganharemos almas para Cristo. Mas não, “se a montanha não vem à igreja, a Igreja vai à montanha”!

E a juventude evangélica, como está? Indo de mal a pior. O que a juventude quer é cantar, tocar, “louvar”. Mas querem pregar? Não, isso eles não querem. Bíblia debaixo do braço não combina com a moda atual. Pregar nas praças? Não, isso é coisa para fanáticos, nos dizem. Falar do amor de Deus para um colega de escola? Também não, preferem indicar o último lançamento gospel! Precisamos mudar, e mudar muito.

Entre os pentecostais é comum achar que falar em línguas é sinônimo de espiritualidade. Ter dons espirituais é sinônimo de santidade. Mas será isso verdade? Até na igreja de Corinto as pessoas tinham dons espirituais, mas eram carnais! O homem espiritual não é o que tem dons espirituais, mas aquele que produz o fruto do Espírito (Gl.5.22-23). É disso que os cristãos precisam atualmente.

Nova Reforma

A Igreja precisa de uma Nova Reforma, de um avivamento. Quando se fala em avivamento as pessoas logo pensam numa igreja poderosa, cheia do Espírito, onde acontecem muitos milagres e curas. O avivamento pode trazer todas essas coisas, mas não começa por elas. O verdadeiro avivamento começa quando a Igreja volta à verdade pregada pelos apóstolos, e que se encontra na Bíblia. O avivamento vem pela Palavra! Quando a Igreja volta à pregação da Palavra, volta ao ensino das Escrituras, então o avivamento acontece. Um exemplo é a Reforma Protestante, que foi um verdadeiro avivamento na Igreja cristã, tendo início quando o monge Martinho Lutero redescobriu as verdades bíblicas. Hoje precisamos de algo parecido. Precisamos redescobrir as verdadeiras doutrinas apostólicas e deixar de lado todo esse lixo doutrinário trazido pelos neopentecostais e outros grupos que se dizem cristãos. Quando fizermos isso teremos igrejas fortes, com cristãos verdadeiros, soldados armados com a Espada do Espírito (Ef.6.17). Aí sim veremos Deus operar como nos dias apostólicos e teremos igrejas cheias do Espírito, pois onde a Palavra de Deus é pregada de verdade, aí também se encontra aquele que é a Verdade: Jesus!

Coloquei abaixo algumas coisas que devemos voltar a fazer, e que podem desencadear essa Nova Reforma:

Unidade: A Igreja, mais do que nunca, deve buscar a unidade. Não digo unidade dentro de uma denominação apenas, mas unidade entre as denominações. As igrejas devem ser mais unidas, não só em espírito, como dizem, mas também em doutrinas, pois “andarão dois juntos, se não houver entre eles acordo?” (Am.3.3).

Estudos bíblicos nas igrejas: As igrejas devem promover mais estudos bíblicos, incentivar os membros a lerem e estudarem a Bíblia constantemente, tudo de uma forma sistemática.

Culto familiar: As igrejas devem incentivar a prática do culto familiar. Ele deve voltar a ser um elemento fundamental nas famílias cristãs, o que deixou de ser há muito tempo!

Evangelismo de casa em casa: A Igreja deve criar vergonha na cara e seguir o exemplo das Testemunhas de Jeová, pregando o evangelho de casa em casa, como faziam os apóstolos. Se queremos crescimento nas igrejas, não só em quantidade, mas principalmente em qualidade, temos que promover evangelismos todas as semanas.

Abandono das inovações: A Igreja deve tomar cuidado com as inovações promovidas por muitas denominações, e abandonar as práticas antibíblicas. Isso não significa que tudo o que é novo seja antibíblico, mas todas as inovações devem ser vistas com olhos críticos, para não termos nas igrejas coisas estranhas à Bíblia.

Irmãos, vamos juntos promover uma Nova Reforma na Igreja, um grande avivamento. Voltemos à pregação da Palavra, voltemos à mensagem da cruz. Deixemos as inovações. Deixemos o “outro evangelho” (Gl.1.8-9), que é o “evangelho da prosperidade”, e voltemos à pregação do evangelho de Cristo (Mc.16.15). Voltemos à doutrina dos apóstolos (At.2.42) e deixemos os falsos profetas com seus falsos ensinos. Vamos reformar a Igreja!

Comentários

8 comentários em "A Igreja precisa de uma Nova Reforma"

Jorge Fernandes disse...
9 de outubro de 2009 23:03

André,
Muito bom texto. Providencial, também.

Infelizmente as pessoas têm se escandalizado com o Evangelho, porque é muito mais fácil viver o antievangelho, sem arrependimento, sem santificação, sem negar a si mesmo, sem ter de tomar a cruz e seguir a Cristo. Isso representa renunciar à carne, mas a maioria quer se deleitar nela.
Então, qualquer subterfúgio é suficiente para o ímpio desejar ainda mais a depravação. É como se alguém, em densa escuridão, pudesse ver uma névoa e considerasse-na luz.

Como você tão bem relatou, a igreja está fraca porque não se tem pregado o Evangelho e, então, os crentes são mantidos em estado de inanição, sem alimento sólido; sem cura para a sua doença espiritual, a qual o corroerá como gangrena.

Não sabemos mais responder ao mundo qual a razão da nossa fé; ao contrário, ouvimos e nos atentamos cada vez mais para a irracionalidade do secularismo; cedendo-nos convictos à débil argumentação do ceticismo, o qual é tenaz em sua pregação diabólica.

Sobretudo, falta ao crente humilhar-se diante da poderosa mão de Deus, submeter-se ao senhorio de Cristo, e abandonar toda e qualquer rebeldia.
É difícil para o homem, mas não impossível, porque para Deus tudo é possível.

Forte abraço.
Cristo o abençoe!

Evandro Marinho disse...
10 de outubro de 2009 01:33

Excelente tema a ser tocado,pois este tal de "Evangelho da prosperidade" Não tem nada a ver com o Evagelho de Jesus, não se fala em arrependimento, ou mesmo pecado. Parece que ninguém é mais pecador. Estão enchendo as igrejas com promessas de prosperidade finaceira. E a proseridade de "Amor, sabedoria, paz, harmonia e PRESENÇA DE JESUS em nossas vidas? Não deveria ser esta as prosperidades desejadas por nós "Cristãos? Estão querendo traformar o evangelho de JESUS em uma receita milagrosa para alançar bens materiais. Temos que mudar isto meus amados. Deus é muito mais do estão dizendo nestas igrejas. Vida com Abundancia é nos Céus ao lado do nosso Criador.

Carlos disse...
10 de outubro de 2009 02:20

Olá!!!

Bem André, eu não lhe conheço, mas quis dar uma opinião sobre seu texto.
Eu acho que evangelismo de casa em casa não funciona mais. Nossa sociedade moderna exige outros meios de envangelização mais eficazes. Penso que talvez seja mais fácil transmitir a mensagem de Cristo penetrando um pouco mais na realidade das pessoas, especialmente os jovens. Para isso são necessárias novas e boas estratégias para que se possa atrair especialmente os jovens. Atualmente estou morando na Austrália, um dos países mais seculáres deste mundo e o que tenho visto aqui, em grupo católico, representa uma verdadeira revolução no modo de evangelização e que é muito eficiente. Através de clipes, shows, teatro, workshops, tudo de altíssimo nível, falam do amor de Deus primeiramente. Entende? Numa realidade muito próxima a que os jovens já estão acostumados. Pude presenciar muitos jovens entregando suas vidas pra Deus durante um recente encontro desses que tivemos aqui...

Bem é isso.
Um abraço, fique em paz!

Clóvis disse...
10 de outubro de 2009 17:09

André e "associados",

Na segunda-feira, publicarei um post sobre o Prêmio Dardos, onde indico alguns blogs em retribuição à indicação recebida pelo Cinco Solas. Também fiz uma menção honrosa a outros blogs dignos de visita e linkagem.

É claro que o seu foi considerado.

Mesmo que você não curta esse tipo de promoção mútua, vale a pena dar uma olhada. A final, não é sempre que podemos dizer "and the Oscar goes to..."

Em Cristo,

Clóvis

André Aloísio disse...
12 de outubro de 2009 22:43

Irmãos Jorge Fernandes e Evandro Marinho, muito obrigado pelos comentários, que complementaram muito bem o meu artigo.

Carlos, também agradeço seu comentário. Você acredita que evangelismo de casa em casa seja um método evangelístico ultrapassado nesses tempos pós-modernos. Podemos analisar se isso é assim de duas maneiras: pela Escritura e pela experiência.

1) Escritura: Vemos na Bíblia que Jesus enviou tanto os doze apóstolos (Lc.9.1-6) quanto os setenta discípulos (Lc.10.1-12) para que anunciassem o evangelho em cada cidade, visitando as casas. Esse método evangelístico não se limitou ao ministério terreno de Jesus, pois em Atos vemos os discípulos evangelizando da mesma forma (At.5.42). Na própria Bíblia podemos reconhecer a eficácia desse método, pois em vários momentos no livro de Atos menciona-se o crescimento extraordinário da igreja (At.2.41,47; 4.4; 5.14; 6.7; 9.31; etc), motivado em grande parte por esse método.

2) Experiência: Igrejas que se utilizam desse método evangelístico testemunham o seu valor e eficácia para a conversão de almas. Minha igreja local tem evangelizado principalmente dessa forma, indo de casa em casa e oferecendo estudos bíblicos para as famílias. Numa cidade pequena do estado de São Paulo, uma missão da nossa igreja está com cerca de cinquenta lares tendo estudos bíblicos, com resultados extremamente satisfatórios. Além do mais, pelo censo religioso, percebe-se que as Testemunhas de Jeová são um dos grupos "cristãos" que mais crescem. E nós sabemos bem qual é o principal método que elas utilizam para propagar suas doutrinas.

Portanto, ao contrário do seu pensamento, o evangelismo de casa em casa se prova como um método bíblico e eficaz para anunciar o evangelho, mesmo nesses tempos pós-modernos. Eu não nego a validade de outros métodos evangelísticos presentes na Bíblia, como pregação em lugares públicos para várias pessoas. Mas creio que o evangelismo pessoal de casa em casa deveria ser um dos principais métodos evangelísticos da igreja, à exemplo do que acontecia na igreja primitiva.

Você fala sobre novas estratégias para alcançar principalmente os jovens. Vejo que muitas pessoas na atualidade se utilizam de um discurso semelhante. Mas, sinceramente, essa argumentação não entra em minha cabeça. O problema com a igreja atual não é que seus métodos são antiquados, mas que o conteúdo da sua mensagem é uma novidade, que não é a Boa Nova. Se a igreja não está pregando o evangelho, não é de se admirar que ela não esteja alcançando os pecadores. A solução para esse problema não é a invenção de novos métodos, mas um retorno ao antigo evangelho. Lembremos que a palavra e pregação de Paulo "não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder" (I Co.2.4). Vamos nos preocupar mais com o conteúdo de nossa mensagem do que com os métodos, pois o evangelho "é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê" (Rm.1.16), e "a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo" (Rm.10.17). Quanto aos métodos, nos limitemos à simplicidade da igreja primitiva, dobrando os nossos joelhos em oração e pregando a Palavra com ousadia, cheios do Espírito Santo (At.4.31).

Por fim, esse discurso ainda me causa estranheza pelo fato de eu ser um jovem, com 22 anos, e não ser atraído por esses novos métodos que pretendem atrair os jovens, como shows e teatros. Percebo a mesma coisa em muitos outros jovens, o que significa que eu não estou falando só por mim. O que me atrai, ao contrário desses novos métodos, é uma fiel exposição bíblica, no poder do Espírito.

Abraços,

André Aloísio
O principal dos pecadores (I Tm.1.15)

guidesce disse...
14 de outubro de 2009 23:14

Ola Andre! (Desculpe pela falta de acentos, mas nao tem no meu teclado aqui)

Talvez estejamos falando de realidades distintas, quero dizer o que funciona ai nao funcionaria onde vivo. Por aqui as pessoas se assustam e te evitam se vc menciona a palavra Deus. Ninguem atende testemunha de Geova na porta nao, enfim...
O termo evangelizar, me parece um pouco inadequado as vezes. E como se quisessemos persuadir alguem a todo o custo e acho que nao e esse nosso papel. Por isso penso que a verdadeira evangelizacao antes de qualquer palavra passa pelo amor e pela assistencia aos mais necessitados.
1)Acho otimo que na Biblia a dois mil anos atras, este metodo tenha sido eficiente, mas e claro o fato de terem feito dessa forma, nao quer dizer que devemos nos restringir a isso, podemos usar um grande presente que Deus nos deu, nossa imaginacao e criar algo novo etc...Pense, nos tempos de Jesus eles nao tinham nenhum estrutura. Nao tinham equipamentos de multimidia, caixas acusticas, musicos, internet...Acho que se pudessem fariam assim tb. Alias, Jesus na minha visao deveria ser uma pessoa muito alegre, bem humorada e adoraria participar de teatro, brincadeiras, filmes, dancas, etc.
2) Sinceramente nao acho que devemos nos espelhar nos nossos irmaos testemunhas de Jeova...Por dois motivos:
a) As pessoas sao tao carentes que acreditam em qualquer coisa, inclusive na mentira que ensinam. E isso mostra que apesar de atingirem um grande numero nao se trata de verdadeira conversao (pois e mentira).(Quantidade nao e qualidade, etc)
2) Posso garantir que o metodo que utilizam so e "eficaz" porque ainda nao aplicamos em nosso pais, o que eu presenciei por aqui...

Sou jovem como vc. Mas sabe como e as pessoas sao diferentes, e eu, ao contrario de vc, realmente aprecio a mistura da arte (de todas as formas) com "evangelizacao". Mas isso nao e problema. Afinal nossa igreja e diversificada, cada um tem um dom diferente, e pensa de um jeito e isso e otimo, pois podemos crescer uns com os outros. Acho que cada um deve fazer como pensa, conforme os talentos que Deus que Deus confiou, e encontrar a melhor forma pessoal de se fazer isso..

Um grande abraco Andre! (Obrigado)

Cida Gomes disse...
15 de outubro de 2009 18:13

Texto maravilhoso!

Parabéns!!!

Quanto a mim já estou te seguindo.

ARIEL disse...
4 de fevereiro de 2010 18:56

Ariel
Mano, concordo com voce que precisamos urgente de uma reforma, avivamento, precisamos do Senhor.
Realmente quando se fala em avivamento logo vem na cabeça um grande evento, uma igreja animanda, mas não lembramos das lágrimas, da dor pelo pecado, da mudança de vida literalmente.
tenho um sonho hoje, os grandes avivalistas muitas vezes nem falavam nada, por onde passavam Deus operava e pessoas eram salvas, e eles não queriam merito, exemplo o avivamento do pais de Gales, este é meu sonho, Deus agindo sem o homem precisar ser visto, sei que isso só vai acontecer quando dobrar-mos nossos joelhos e derramar muitas lágrimas

 

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