terça-feira, 15 de setembro de 2009

João, Policarpo e os Hereges

3 comentários

Este texto é um trecho do livro Contra as Heresias, de Ireneu de Lião (130-202 d.C.), discípulo de Policarpo (70-160 d.C.).

Podemos ainda lembrar Policarpo, que não somente foi discípulo dos apóstolos e viveu familiarmente com muitos dos que tinham visto o Senhor, mas que, pelos próprios apóstolos, foi estabelecido bispo na Ásia, na Igreja de Esmirna. Nós o vimos na nossa infância, porque teve vida longa e era muito velho quando morreu com glorioso e esplêndido martírio. Ora, ele sempre ensinou o que tinha aprendido dos apóstolos, que também a Igreja transmite e que é a única verdade. E é disso que dão testemunho todas as Igrejas da Ásia e os que até hoje sucederam a Policarpo, que foi testemunha da verdade bem mais segura e digna de confiança que Valentim* e Marcião* e os outros perversos doutores. É ele que no pontificado de Aniceto, quando esteve em Roma, conseguiu reconduzir muitos destes hereges, de que falamos, ao seio da Igreja de Deus, proclamando que não tinha recebido dos apóstolos senão uma só e única verdade, aquela mesma que era transmitida pela Igreja. E há os que ouviram dele que João, o discípulo do Senhor, tendo ido, um dia, às termas de Éfeso e tendo notado Cerinto* lá dentro, precipitou-se para a saída, sem tomar banho, dizendo ter medo que as termas desmoronassem, porque no interior se encontrava Cerinto, o inimigo da verdade. O próprio Policarpo, quando Marcião, um dia, se lhe avizinhou e lhe dizia: "Prazer em conhecê-lo", respondeu: "Eu te conheço como o primogênito de Satã"; tanta era a prudência dos apóstolos e dos seus discípulos, que recusavam comunicar, ainda que só com a palavra, com alguém que deturpasse a verdade, em conformidade com o que Paulo diz: "Foge do homem herege depois da primeira e da segunda correção, sabendo que está pervertido e é condenado pelo seu próprio juízo" (Tt.3.10-11). Existe também uma carta importantíssima de Policarpo aos filipenses na qual os que desejam e se importam com a sua salvação podem conhecer as características da sua fé e a pregação da verdade. Também a igreja de Éfeso, que foi fundada por Paulo e onde João morou até os tempos de Trajano, é testemunha verídica da tradição dos apóstolos.

* Cerinto, Marcião e Valentim: hereges gnósticos do século II d.C.

Para maiores informações sobre Policarpo, veja o livro Padres Apostólicos, que traz duas epístolas de Policarpo escritas aos filipenses e o relato de seu martírio escrito pela Igreja de Esmirna. No blog Voltemos ao Evangelho também há um vídeo muito proveitoso onde John Piper narra o martírio de Policarpo.

Comentários

3 comentários em "João, Policarpo e os Hereges"

anselmo disse...
17 de outubro de 2009 00:48

Assistindo uma explanação do Professor Adauto Lourenço, sobre Criacionismo, tendo convidados um genro para fazê-lo comigo, a fim de evangelizá-lo, pois o mesmo diz-se ateu, não me contive e em explosão o chamei de "burro", quando no final da explanação o mesmo perguntou-me quem seria o criador de Deus, tendo visto que tudo surgiu através da criação. Algum tempo depois fui dormir e algo me angustiavã, pois mesmo tendo pedido desculpas me sentia inquieto. Lenvantei-me para orar, no entanto senti desejo de ligar e computador e vi a mensagem contida em "João, Policarpo e os Hereges". Bendito seja Deus. Não perdi nada em chamá-lo do que realmente o meu genro é. Que o meu Santo e soberano Deus tenha misericórdia da sua alma, e se ele for um dos eleitos, peço ao Santo Espírito de Deus que o toque com sua preciosa sabedoria para que juntos possamos glorificar ao Senhor e Salvador das vidas daqueles por Deus escolhidos. Amém!

André Aloísio disse...
17 de outubro de 2009 13:39

Olá irmão Anselmo, graça e paz!

Quanto à sua atitude em relação ao seu genro, seria interessante analisá-la também à luz do texto Agostinho e a Correção dos Pecados Alheios, publicado neste blog. Tudo depende da motivação com a qual você o chamou de "burro", se o fez por amor ou não.

Que Deus te abençoe!

Abraços,

André Aloísio
O principal dos pecadores (I Tm.1.15)

anselmo disse...
17 de outubro de 2009 22:04

Graça e paz, irmão André Aloísio! Obrigado irmão, por acompanhar o meu comentário. Compreendo a preocupação do irmão em saber o que me motivou a expressar-me daquela forma com o meu genro. Creio firmemente que a conversão é algo pertencente exclusivamente ao Espírito Santo e a mais ninguém. A única coisa que podemos fazer é levar a Palavra de Deus a todo o mundo, pois não sabemos quem são os escolhidos e predestindos para a Vida Eterna. Amor, meu irmão. Foi o amor que me levou a ser, de certo modo, até grosseiro. Ele é um simples psicologo-simples em relação a sapiência divina-e após ouvir uma explanação sobre a criação e ainda duvidar da existência de Deus, retorne-se a carta aos romanos, quando o Espírto Santo, através de Paulo, diz em 1.20-22 "Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindde, clarmente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens sã, por isso, indesculpáveis; portanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaam como Deus, nem lhe deram grças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-lhes o coraçao insensato. Inculcando-se por sábios, tornara-se loucos...".
Acho necessário dar uma sacudidela em alguem a quem amamos para acordá-lo da estagnação em qevive espiritualmnte, principalmente quando este alguem representa uma família constituída por minha filha e netos. Preciso ouvi-lo, que concorde ou não com a minha opinião, pois venho aprendendo muito com o voce, meu prezado irmão. Que Deus te abençõe e faça-o cada vez mais sábio no entendimento da Sua Palavra. Amém!

 

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