sábado, 11 de julho de 2009

D.M. Lloyd-Jones e o Livre-Arbítrio

2 comentários

Este é um trecho do livro O Soberano Propósito de Deus, de D.M. Lloyd-Jones, que consiste em uma série de exposições sobre Romanos 9.

Há pessoas que parecem pensar que se você rejeitar esta doutrina de Paulo ficará numa posição feliz. Você dirá: "Não creio que é Deus que elege e que Ele salva a quem Ele quer, e a quem Ele quer endurece. O homem só pode ser livre, deve depender da própria escolha do homem, da decisão do homem". Mas, esperem um pouco, vejamos a coisa assim: deixem que eu lhes mostre onde vocês ficarão se rejeitarem a doutrina de Paulo aqui ensinada. Vejam Atos 28.24. Eis aí o apóstolo Paulo; ele reuniu os judeus em seu alojamento privado em Roma, pregou-lhes o evangelho, e o citado versículo diz: "E alguns criam no que se dizia; mas outros não criam". Não seria esse o problema? Por que alguns crêem e outros não? Aqueles ouvintes eram judeus, todos iguais: mesmos antecedentes, mesmo tudo; mas alguns creram e alguns não. Quantas vezes acontece isso numa família! Dois irmãos, com o mesmo pai e a mesma mãe, o mesmo lar, a mesma criação, alunos da mesma escola, frequentadores da mesma capela e da mesma Escola Dominical, e conhecedores do mesmo evangelho - tudo igual. Um crê, outro não. Que é que decide isso? Que é que o determina?

"Ah", dirá alguém, "é muito simples. O livre-arbítrio!" Muito bem, um por sua livre escolha crê, o outro por sua livre escolha não crê - e você acha que liquidou o assunto quando disse isso, mas não o liquidou. Este é o problema que você deixa comigo, e com todos os psicólogos: por que um escolhe crer e o outro escolhe não crer? Quero saber isso - por quê? Por que foi que alguns creram na pregação de Paulo, enquanto outros não creram? Mas o que é que faz alguns quererem crer e outros não?

"Ah, bem", você diz, "um viu as coisas de um modo, o outro as viu de maneira diferente." Sim, porém você ainda não me ajudou. Vejam vocês, temos que fazer tais perguntas. "Bem, eu não sei", responde-me o tal, "um deles era de um jeito, o outro era diferente." Tudo bem! No entanto, diga-me, por que um deles era de um jeito e o outro era diferente? Aí vamos um pouco mais para trás. "Bem", você diz, "um deve ter nascido assim, e o outro deve ter nascido diferente." Certo! Acaso somos responsáveis pelo que somos ao nascer? Você é responsável pelas potencialidades com as quais nasceu? Claro que não. Mas, se você rejeitar o ensino que temos aqui, em Romanos, capítulo 9, é nessa posição que você é deixado - bem, porque acontece que ele nasceu como nasceu; o outro não crê porque acontece que ele nasceu como nasceu; ele não tem controle sobre isso.

Essa é a questão vital: que é que determina a vontade de um homem? E no momento que você faz essa pergunta, ela se volta para uma destas duas coisas: ou é o propósito de Deus, ou então é puro acidente, é questão de glândulas, de criação, de mil e um fatores que estão inteiramente fora do seu controle. Em nenhum caso você tem livre-arbítrio. Desde que o homem caiu não existe tal coisa. O único homem que teve livre-arbítrio foi Adão, e sabemos o que ele fez com isso. Daí em diante todos nós nascemos em pecado, "formados em iniquidade". E o que faz de qualquer homem um cristão é o propósito e a vontade e a escolha de Deus.

Comentários

2 comentários em "D.M. Lloyd-Jones e o Livre-Arbítrio"

Rodrigo Campos disse...
14/07/2009 11:09:00

Boa abordagem. Me empresta o livro André.... Paz!!!

Davi Luan disse...
12/08/2009 21:06:00

Amém, este livro é realmente uma benção, recomendo fortemente a todos que leiam estas exposições de Romanos, especialmente as do capítulo 3, 8 e 9, que tratam do plano da salvação e da soberania de Deus.

Obrigado por compartilhar, André! Graça e paz!

 

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