domingo, 5 de julho de 2009

Bens reservados àqueles que gozam de Deus

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Este é um trecho do livro Proslógio, do escolástico Anselmo de Cantuária (1033-1109).

Oh! aquele que fruirá desse bem! O que estará ou não reservado para ele? Certamente haverá para ele tudo o que Deus quiser e nada haverá de tudo o que Deus não quiser. Haverá, ali, sem dúvida, os bens do corpo e da alma; os que "o olho nunca viu, o ouvido nunca ouviu, nem o coração humano nunca imaginou" (I Co.2.9). Por que, então, ó homem miserável, vagueias aqui e acolá à procura do bem para o teu corpo e a tua alma? Ama aquele único Bem em que se encontram todos os bens e estarás satisfeito. Deseja aquele Bem sumamente simples, que contém todos os bens, e será o suficiente.

O que estás a amar, ó minha carne; o que estás a desejar, ó minha alma? Somente ali, nEle, é que se encontra o que vós amais e tudo o que desejais. Se amais a beleza, então, deveis saber que os "justos resplandecerão como o Sol" (Mt.13.43); se desejais a rapidez ou a força ou a liberdade do corpo de maneira que nada a ele possa opor-se, sabei que os justos "serão semelhantes aos anjos de Deus" (Mt.22.30), porque "depois de semeado o corpo animal, surgirá o corpo espiritual" (I Co.15.44), certamente pelo poder divino e não pela natureza. Se procurais uma vida longa e cheia de saúde, é nEle que se encontra a eternidade sadia e a sanidade eterna, porque os justos viverão eternamente e, também, porque "a saúde vem aos justos do Senhor" (Sl.37.39). Se quereis ser saciados, eles "serão saciados quando aparecer a glória do Senhor" (Sl.17.15); se procurais a ebriedade, "estarão embriagados com a abundância da casa do Senhor" (Sl.36.8). Se sois atraídos pela música, ali encontram-se os coros dos anjos cantando sem fim a Deus. Se cobiçais o prazer - o prazer puro, não o imundo -, "ó Senhor, tu lhes saciarás a sede com a torrente dos teus prazeres" (Sl.36.9); se a sabedoria, será revelada aos justos a própria sabedoria de Deus; se a amizade, os justos amarão a Deus mais que a si mesmos, e cada um deles amará aos outros como a si mesmo, e Deus os amará mais do que eles possam amar a si mesmos, porque eles amarão a Ele e a si e amar-se-ão entre si mesmos mas por meio dEle, quando, ao contrário, Ele amará a Si mesmo e a eles por meio de Si mesmo. Se é a concórdia que vós buscais, os justos terão todos uma só vontade, porque, ali, não haverá outra vontade a não ser a de Deus; se o poder, eles terão uma vontade onipotente como a de Deus porque, assim como Deus pode o que quer por Si mesmo, assim eles poderão tudo o que quiserem, por meio dEle. E, desde que eles hão de querer tudo o que Deus quer, Deus, portanto, quererá aquilo que eles quiserem; e o que Ele quiser não poderá não ser. Se as honras e as riquezas, Deus elevará os seus servos bons e fiéis acima de todas as coisas, de forma a serem chamados, e o serão realmente, "filhos de Deus" (Rm.8.16) e se encontrarão lá, onde estará o Seu Filho; e lá, eles serão "os herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo" (Rm.8.17). Se desejais a verdadeira segurança, eles ficarão plenamente seguros de que nunca lhes faltará, de modo algum, a felicidade, porque terão a certeza de que, espontaneamente, não abandonarão a Deus, e Deus, que os ama, não poderá abandonar a eles, que O amam. E nada existe de mais poderoso do que Deus, que possa afastá-los dEle contra a vontade deles e a de Deus.

Oh! como há de ser grande e agradável essa alegria, lá onde se encontra tão grande Bem! Ó coração humano, ó coração pobre, atribulado, inquieto, como hás de sentir-te feliz se possuíres, em abundância, desses bens! Sonda o teu âmago, para ver se cabe nele a alegria de tanta felicidade!

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