sexta-feira, 31 de outubro de 2008

A Nova Reforma Já Começou!

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Hoje, dia 31 de outubro de 2008, a Reforma Protestante completa 491 anos. Nesta mesma data, em 1517, Lutero afixava na porta da Igreja de Wittemberg as 95 teses contra a venda de indulgências, dando início a esse que foi o maior avivamento da história da Igreja.

Muitos nos nossos dias, entre os quais eu me incluo, desejam uma Nova Reforma nos moldes daquela do século XVI, visto que a igreja evangélica moderna está numa situação tão desesperadora quanto à da Igreja Católica na Idade Média. Poucos, porém, têm notado que essa Reforma já começou... Sim! A Nova Reforma que tantos esperam está em pleno andamento!

No final do século XX e início do século XXI tivemos um ressurgimento da Teologia Reformada. Desde então, milhares de cristãos, das mais diversas denominações, têm redescoberto as doutrinas da graça e têm sido incendiados por essas gloriosas verdades. Até mesmo dentro do movimento pentecostal e neopentecostal cristãos têm sido despertados para o evangelho eterno, conforme pregado pelos reformadores. Na internet, muitos sites e blogs têm surgido anunciando o genuíno evangelho. Editoras reformadas têm publicado milhares de livros ensinando a sã doutrina. Simpósios, congressos e outros eventos reformados têm sido realizados em diversos lugares. E o mais maravilhoso é que todas essas coisas têm acontecido não apenas no Brasil, mas em todo o mundo!

Como se não bastasse, a redescoberta da Teologia Reformada tem produzido mudanças profundas na vida desses cristãos. O conhecimento da soberania e glória de Deus manifestada na criação, providência e redenção, a suficiência das Escrituras, de Cristo, da graça e da fé, a obra do Espírito Santo na regeneração, santificação, preservação e glorificação, etc, tem gerado no coração dos cristãos uma gratidão expressa em amor a Deus e ao próximo, numa vida para a glória de Deus.

Por que tudo isso está acontecendo? Quem está por trás desse movimento? Só há uma resposta: isso tudo é obra de Deus, que Ele está levando a cabo soberanamente através de vasos de barro como você e eu. Deus está levantando muitos Luteros em todos os cantos do mundo para apontar, pelas veredas antigas, qual é o Bom Caminho (Jr. 6.16).

Mas se essa Reforma já começou, o que nós devemos fazer para levá-la adiante?

Em primeiro lugar, nós devemos orar. Tudo começa e termina com oração. Com a Reforma do século XVI não foi diferente. É conhecida a frase de Lutero: "Atualmente estou tão ocupado que não posso passar menos de quatro horas por dia na presença de Deus". Se queremos ser úteis nessa Nova Reforma precisamos começar dobrando os nossos joelhos.
 
Devemos orar, porém, não apenas para clamar pela Reforma da Igreja. Não! Nós precisamos ter uma vida de oração e fazer dela nossa respiração espiritual, orando sem cessar (I Ts. 5.17). Quanto tempo passamos na presença de Deus? Será que não dedicamos nem mesmo uma hora por dia, quando Lutero dedicava mais de quatro? Como queremos ser usados por Deus sem oração? Não devemos alegar falta de tempo, porque Lutero orava tanto justamente porque estava muito ocupado! Mas se, pelo contrário, começarmos a orar, experimentaremos o poder de Deus de forma tão grandiosa quanto os discípulos em Atos 4.31, quando, após a oração, "tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus", porque "a oração de um justo pode muito em seus efeitos" (Tg. 5.16).
 
Em segundo lugar, nós devemos pregar. Mas só pode pregar quem conhece o conteúdo que será pregado, que se encontra nas Escrituras. Por isso, precisamos adquirir o hábito de ler e estudar a Bíblia diariamente, de forma sistemática e devocional, e no mínimo uma vez por ano, do começo ao fim. Se a oração deve ser nossa respiração, a leitura e estudo da Palavra deve ser nosso alimento, porque "não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus" (Mt. 4.4).

Conhecendo o conteúdo a ser pregado, como devemos pregar? Há diversos modos. Muitos que têm recebido a Teologia Reformada são líderes em suas igrejas locais. Esses devem aproveitar todas as oportunidades que tiverem para anunciar as doutrinas da graça aos seus irmãos, seja num sermão de domingo, seja num estudo para um grupo pequeno. No caso de pastores que pregam semanalmente, a pregação expositiva de livros completos da Bíblia, como o Evangelho de João e a Epístola aos Romanos, por exemplo, é a melhor forma de anunciar "todo o conselho de Deus" (At. 20.27). Aqueles que não têm direito à palavra em suas congregações podem anunciar o evangelho genuíno em conversas informais com seus irmãos. Os que têm dificuldades em se expressar com palavras podem presentear seus irmãos com livros e artigos reformados. Quem tem facilidade para escrever pode criar um blog reformado e divulgá-lo entre todos os seus conhecidos.

Muitos há que conheceram as doutrinas da graça como pentecostais ou neopentecostais e permaneceram em suas igrejas de origem. Esses devem permanecer o máximo que puderem e buscar uma Reforma em suas congregações, através da pregação. Reformar estruturas denominacionais é algo extremamente complexo, razão pela qual nenhum dos reformadores permaneceu na Igreja Católica. No entanto, para Deus tudo é possível (Mt.19.26). Um belo exemplo é Atanásio (295-373 d.C), que defendeu a divindade de Jesus praticamente sozinho num tempo em que grande parte da Cristandade era ariana*, e assim mudou para sempre a história do Cristianismo. Mas mesmo que uma igreja local ou denominação não seja reformada, podemos reformar cristãos, indivíduos em particular. Portanto, mãos à obra! Haverá perseguições e quem aceitar o desafio provavelmente terá como fim a excomunhão. Mas enquanto isso não acontece, façamos o máximo que podemos!

Não devemos limitar nossa pregação apenas à igreja ou aos cristãos. É verdade que muitos que se dizem cristãos ainda não conhecem o evangelho e devem ouvi-lo. Mas também é verdade que aqueles que estão do lado de "fora" precisam encarecidamente desse evangelho que é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê (Rm. 1.16). Portanto, anunciemos o evangelho entre familiares, vizinhos, colegas de classe, de trabalho, etc. Preguemos também a desconhecidos, através de evangelismo pessoal de casa em casa, evangelismo de massas em grandes centros e outros métodos presentes na Bíblia. Esses métodos têm sido considerados antiquados em nossos dias e muitos os têm abandonado. No entanto, o problema não é a antiguidade desses métodos bíblicos, e sim a novidade desse evangelho anti-bíblico, que tem sido pregado atualmente. Preguemos o verdadeiro evangelho aos pecadores para que vejamos as doutrinas da graça transformarem vidas também fora dos nossos arraiais!

Em terceiro e último lugar, nós devemos praticar. Discursos vazios não produzirão resultados. Pregações não acompanhadas por uma vida transformada de nada valerão. As pessoas precisam ver em nossas vidas aquilo que ouvem de nossos lábios. Isso significa viver em santidade, amando a Deus e ao próximo. Significa ser sal e luz em todos os cantos e recantos (Mt. 5.13-16). Precisamos viver para a glória de Deus, entronizando-O em todas as áreas de nossa vida: família, relacionamentos, estudos, trabalho, lazer, igreja e tudo o mais. "Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus" (I Co. 10.31). Só assim as pessoas verão em nós o reflexo de Cristo e a Reforma avançará transformando nossas vidas, famílias, igrejas, sociedades e governos.

Muitos no dia de hoje escreveram sobre os males da igreja moderna. Eu preferi escrever sobre os bens da Nova Reforma. Que essa seja uma mensagem de esperança e incentivo a todos os cristãos que anseiam, clamam e lutam pela Reforma da Igreja. É hora de nos levantarmos e brilharmos como uma luz que não pode ser apagada! Este é um tempo de mudanças! A Nova Reforma já começou!

"A Reforma da Igreja é obra de Deus e tão independente de esperanças e opiniões humanas quanto a ressurreição dos mortos ou qualquer milagre dessa espécie. Portanto, no que tange à possibilidade de fazer algo em favor dela, não se pode ficar esperando pela boa vontade das pessoas ou pela alteração das circunstâncias da época, mas é preciso irromper por entre o desespero. Deus quer que seu evangelho seja pregado. Vamos obedecer a este mandamento, vamos para onde Ele nos chama. O sucesso não é da nossa conta." (João Calvino, em carta a Carlos V, 1543).

Glossário:

* Ariano: Seguidor dos ensinos de Ário (256-336 d.C), um presbítero de Alexandria que negava a divindade de Jesus, afirmando ser Ele uma criação do Pai.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Minha Posição Sobre a Predestinação

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O texto abaixo é um e-mail de minha autoria, escrito a um leitor deste blog que questinou qual é minha posição sobre a doutrina da predestinação. É importante dizer que minha posição sobre o assunto não é apenas questão de opinião pessoal; pelo contrário, é o ensino das próprias Escrituras.

Como ficou claro nas minhas últimas postagens no blog Teologia e Vida, eu creio que a predestinação é incondicional, ou seja, ela não depende dos objetos da predestinação (os seres humanos eleitos), apenas do autor da predestinação (Deus). A escolha de Deus não é baseada em nada presente nos próprios eleitos, como fé prevista ou boas obras, mas apenas na própria vontade e amor d'Ele mesmo: "Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia" (Rm.9.16).
 
Deus não escolheu a todos, e uma opinião contrária não pode ser encontrada em nenhum lugar da Bíblia. É impossível chegar a uma conclusão diferente depois de ler o capítulo 9 da epístola aos Romanos. Ele escolheu a muitos, mas não a todos. Os que são escolhidos o são para a glória da graça e amor de Deus, os que são reprovados o são para a glória da justiça divina. Isso não é injusto, já que Deus é o padrão de justiça, e Ele é justo por definição. Então, quanto a isso não temos o que reclamar com Deus, pois, como diz o apóstolo Paulo: "Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus? Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra?" (Rm.9.20-21).

Porém, essa doutrina da predestinação não leva o ser humano à inatividade. Deus predestinou o fim e os meios pelos quais esse fim seria atingido. Ou seja, Deus não apenas determinou que eu seria salvo, mas também determinou os meios pelos quais isso ocorreria: Jesus veio e morreu pelos meus pecados, eu ouvi a pregação do evangelho, tive minha vontade mudada pelo Espírito Santo de modo que eu pude desejar a Deus, me arrependi e cri em Cristo sinceramente, fui justificado pela fé e adotado como filho de Deus, estou sendo santificado pelo Espírito Santo e serei preservado por Deus até aquele Dia, quando terei meu corpo glorificado para ser semelhante ao de Jesus.
 
O fato de eu crer na predestinação não me leva a ficar sentado na poltrona esperando Deus fazer alguma coisa. Não, porque eu sei que quando eu faço alguma coisa, o faço porque Ele mesmo já tinha determinado que assim seria. A doutrina da predestinação não nega que o homem tenha uma vontade, mas afirma que essa vontade está sob controle da vontade de Deus, que a inclina conforme deseja, para cumprir Seus propósitos.
 
Essa é a doutrina da predestinação de Agostinho. Eu penso exatamente como ele. Se quiser conhecer melhor como Agostinho encarava a predestinação, veja no Teologia e Vida os livros de Agostinho que eu recomendo, principalmente A Graça I e A Graça II.

sábado, 25 de outubro de 2008

Emoções Religiosas Segundo Jonathan Edwards

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Num tempo em que o emocionalismo assola muitas vidas e igrejas, o livro A Genuína Experiência Espiritual (no original, Tratado sobre as afeições religiosas), de Jonathan Edwards (1703-1758), é como um oásis em meio ao deserto. Transcrevi abaixo os títulos dos capítulos desse excelente livro, que falam sobre o que prova ou não a genuinidade de nossas emoções religiosas.

I. Aquilo que não prova que nossas emoções vêm de uma verdadeira experiência de salvação:

1. Experiências fortes e vivas não provam que nossas emoções sejam espirituais ou não.

2. O fato de nossas emoções produzirem grandes conseqüências no corpo não prova que sejam espirituais ou não.

3. O fato de nossas emoções produzirem grande calor e disposição para falar sobre o cristianismo não prova que sejam espirituais ou não.

4. Emoções que não são produzidas por nosso próprio esforço podem ser ou não espirituais.

5. O fato de nossas emoções virem acompanhadas por um versículo bíblico não prova que sejam ou não espirituais.

6. Se nossas emoções parecem conter amor, isto não prova que sejam ou não espirituais.

7. A existência de experiência de muitos tipos de emoções não prova que sejam ou não espirituais.

8. Se conforto e alegria parecem seguir em determinada ordem, isto não prova que nossas emoções sejam espirituais ou não.

9. Se nossas emoções nos levam a despender muito tempo nas tarefas do culto cristão, aí não há prova que sejam ou não espirituais.

10. O fato de nossas emoções nos levarem a louvar a Deus com nossas bocas não prova que sejam ou não espirituais.

11. O fato de nossas emoções produzirem segurança de salvação não prova que sejam ou não espirituais.

12. Não podemos saber se as emoções de alguém são espirituais ou não, somente por seu relato comovente.

II. Os sinais que distinguem verdadeiras emoções espirituais:

1. Emoções espirituais verdadeiras surgem de influências espirituais, sobrenaturais e divinas no coração.

2. O propósito de emoções espirituais é a beleza das coisas espirituais, não nosso próprio interesse.

3. Emoções espirituais são baseadas na excelência moral das coisas divinas.

4. Emoções espirituais surgem da compreensão espiritual.

5. Emoções espirituais trazem uma convicção da realidade das coisas divinas.

6. Emoções espirituais sempre coexistem com a humilhação espiritual.

7. Emoções espirituais sempre coexistem com uma mudança de natureza.

8. As emoções espirituais verdadeiras diferem das falsas, na promoção de um espírito de amor, humildade, paz, perdão, compaixão à semelhança de Cristo.

9. As verdadeiras emoções espirituais enternecem o coração e existem juntamente com uma ternura do espírito cristão.

10. As verdadeiras emoções espirituais, ao contrário das falsas, têm simetria e equilíbrio belíssimos.

11. As verdadeiras emoções espirituais produzem um desejo por santidade mais profunda, diferentemente das emoções falsas, as quais se satisfazem em si mesmas.

12. O fruto das verdadeiras emoções espirituais é a prática cristã.

13. A prática cristã é, para outros, o principal sinal da sinceridade de um convertido.

14. A prática cristã é sinal certo de conversão para a consciência da própria pessoa.

Bibliografia: A Genuína Experiência Espiritual, Jonathan Edwards, Editora PES

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Aniversário do André

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Olá irmãos, graça e paz!

Hoje, 21 de outubro de 2008, é aniversário do André, ele completa 22 anos!

Usem o espaço de recados para deixar os parabéns a este irmão e amigo tão querido, que tem sido instrumento de Deus para edificação de muitas pessoas.

Parabéns, André, meu brother! Muitas felicidades, que Deus te abençoe maravilhosamente!

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Conhecer melhor o Senhor Jesus Cristo

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Procure conhecer melhor o Senhor Jesus Cristo. Na verdade, esta é a essência da vida espiritual. É a pedra fundamental do cristianismo. Enquanto você não reconhecer essa necessidade, os meus conselhos e admoestações lhe serão inúteis; e seus esforços, quaisquer que sejam, serão em vão. Um relógio sem a mola principal é tão imprestável quanto uma vida religiosa desprovida de Cristo.

Entretanto, não desejo ser mal compreendido. O que quero dizer não é meramente ter conhecimento do nome de Cristo - é conhecer a sua misericórdia, graça e poder; é conhecê-Lo não por ouvir falar dEle, mas por prová-Lo no coração. Desejo que o conheça pela fé; e, como diz Paulo, que conheça "o poder de sua ressurreição", conformando-se "com ele na sua morte" (Fp 3:10). Espero que você possa dizer sobre Ele: "Ele é a minha paz e a minha força, minha vida e meu consolo, meu médico e meu pastor, meu Salvador e meu Deus".

Por que encaro esse assunto com tanta seriedade? Faço isso porque somente em Cristo reside "toda a plenitude" (Cl 1:19); só nEle há o suprimento de tudo quanto nossas almas necessitam. Por nós mesmos somos criaturas pobres e vazias - sem retidão nem paz, sem vigor nem consolo, sem coragem nem paciência; sem forças para perseverar, prosseguir ou progredir nesse mundo iníquo. Só em Cristo podemos encontrar graça, paz, sabedoria, retidão, santificação e redenção. É à medida em que vivemos na dependência de Cristo que nos tornamos cristãos fortes. Será apenas quando o nosso "eu" for nada e Cristo for toda a nossa confiança que executaremos grandes feitos (Dn 11:32). Só então estaremos armados para a batalha da vida e venceremos. Só então estaremos prontos para a jornada da vida e prosseguiremos avante. Viver em Cristo, obter dEle todas as coisas, fazer tudo na força de Cristo e estar sempre olhando para Ele - esse é o verdadeiro segredo do progresso espiritual. "Tudo posso naquele que me fortalece", disse Paulo (Fp 4:13).

Jovem, apresento-lhe, nesse dia, Jesus Cristo como o tesouro de sua alma; e convido você a iniciar sua caminhada em direção a Ele, se deseja correr de tal modo a alcançar o prêmio. Que ir a Cristo seja o seu primeiro passo. Quer consultar os amigos? Ele é o melhor amigo: "Amigo mais chegado do que um irmão" (Pv 18:24). Você se acha indigno por causa dos seus pecados? Não tema; o sangue de Cristo nos purifica de todo pecado. Ele diz: "Ainda que os vossos pecados são como a escarlate, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que são vermelhos como o carmsim, se tornarão como a lã" (Is 1:18). Sente-se fraco e incapaz de segui-Lo? Não tema; Ele lhe dará poder para que você se torne um filho de Deus. Dar-lhe-á o Espírito Santo para habitar em sua vida e o selará para Ele mesmo. Também lhe concederá um novo coração e colocará em seu interior um novo espírito. Encontra-se perturbado ou afligido por alguma debilidade espiritual? Não tema; não há espírito maligno que Jesus não possa expulsar; não há enfermidade da alma que Ele não possa curar. Tem dúvidas e temores? Deixe-os de lado. Cristo diz: Venha a mim; e "o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora" (Jo 6:37). Ele conhece bem o coração do jovem rapaz. Conhece as suas provações e tentações, suas dificuldades e lutas. Quando aqui viveu em carne, Ele foi como você - um jovem, em Nazaré. Por experiência própria conhece a mentalidade de um rapaz. Pode comover-se por causa das suas fraquezas, moço; pois Ele mesmo sofreu, ao ser tentado. Não haverá desculpas, certamente, caso você vire as costas para um Salvador e amigo como este. 

Ouça o pedido que hoje lhe faço: se você ama a vida, procure conhecer melhor a Jesus Cristo.

Retirado do livro Uma Palavra aos Moços, de J.C. Ryle, publicado pela Missão Evangélica Literária.

domingo, 19 de outubro de 2008

Spurgeon (1834-1892) e a Predestinação

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"Queridos amigos, a mim parece que esse avassalador acúmulo de testemunho bíblico deveria deixar boquiabertos àqueles que ousam rir da doutrina da eleição. Que poderíamos dizer a respeito daqueles que tão frequentemente têm desprezado essa doutrina, e negado a sua origem divina, que têm escarnecido de sua justiça e têm ousado desafiar ao próprio Deus, intitulando-O de tirano todo-poderoso, ao ouvirem dizer que Ele escolheu certo número de seres humanos para a vida eterna? Ó rejeitador da verdade, podes realmente extirpar da Bíblia essa verdade? Podes brandir o canivete de Jeudi e arrancar essa verdade da Palavra de Deus? Preferirias ser semelhante àquela mulher, aos pés de Salomão, que estava disposta a ver a criancinha partida pelo meio, a fim de ficar com a sua metade? Porventura, não é clara a existência dessa doutrina aqui nas Escrituras? E não faz parte do teu dever te inclinares diante da verdade, aceitando humildemente o que por acaso ainda não pudeste entender dela? — e dando-lhe acolhida, embora não possas compreender todo o seu significado?

Não tentarei provar a justiça de Deus, por haver Ele escolhido a alguns para a salvação e ter deixado outros de lado. Não cabe a mim vindicar o meu Senhor. Ele falará por Si mesmo. E Ele efetivamente o faz, dizendo: "Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro para desonra?" (Romanos 9:20, 21). Além disso, lemos: "Ai daquele que diz ao pai: Por que geras? e à mulher: Por que dás à luz?" (Isaías 45:10). Eu sou o Senhor, teu Deus, eu crio a luz e crio as trevas. Sou o Senhor de todas as coisas. Quem és tu, que replicas a Deus? Estremece e beija o Seu cetro; prostra-te e submete-te diante de Sua vara; não impugnes a Sua justiça, e nem queiras julgar os Seus atos diante do teu próprio tribunal, ó homem!

Não obstante, há alguns que objetam: "muito difícil aceitar que Deus tenha escolhido a alguns e tenha deixado a outros!" Ora, é por esta altura de minha exposição que desejo fazer a vocês uma indagação: Há algum de vocês aqui que deseja ser santo, que deseja ser regenerado, que deseja abandonar o pecado e andar em santidade? E alguém poderia responder-me: "Sim, eu quero!" Pois muito bem, nesse caso, Deus escolheu a esse alguém. Mas eis que uma outra pessoa talvez replique: "Não, eu não quero ser santo, e nem quero desistir das minhas paixões e dos meus vícios!" Neste último caso, retruco: Por que, então, você fica aí se queixando do fato de que Deus não o escolheu? Pois se você tivesse sido escolhido, não estaria apreciando o fato de ter sido eleito, de acordo com a sua própria confissão. Se Deus lhe tivesse escolhido para a santidade, ainda nesta manhã você teria acabado de afirmar que não se importaria nem um pouco com isso!

Porventura, você já reconheceu que prefere viver no alcoolismo, e não na sobriedade, que prefere viver na desonestidade, e não na honestidade? Você ama mais aos prazeres mundanos do que à piedade cristã. Assim sendo, por qual razão você fica murmurando diante do fato de que Deus não o escolheu para a piedade? Se porventura você ama a piedade, então é que Deus o escolheu para viver piedosamente. Em caso contrário, quais direitos você tem para dizer que Deus lhe deveria ter dado aquilo que você não deseja?

Suponhamos que eu tivesse aqui, em minha mão, alguma coisa a que você não desse valor, e eu dissesse que a daria a esta ou àquela pessoa. Nesse caso, você não teria qualquer direito de queixar-se do fato de que eu não a oferecera a você. Você não seria tão insensato a ponto de murmurar que aquela outra pessoa obteve aquilo que não lhe interessa nem um pouco. De conformidade com as suas próprias confissões, muitos de vocês não apreciam a piedade cristã, não querem ser donos de um coração renovado e nem de um espírito reto, não querem receber o perdão dos pecados e nem querem experimentar a santificação. E isso quer dizer, por sua vez, que vocês não gostariam de ter sido escollidos para essas realidades espirituais. Assim, pois, do que vocês ainda estão se queixando? Vocês consideram todas essas coisas como se fossem apenas lixo. E por qual motivo haveriam de queixar-se de Deus, o qual outorgou essas mesmas coisas àqueles a quem Ele escolheu?

Mas, se vocês acreditam que essas coisas são boas, e se chegam a desejá-las, então elas estão à disposição de vocês. Deus as dá liberalmente para todos aqueles que as desejam. Porém, antes de mais nada, Ele faz com que tais indivíduos realmente desejem essas bênçãos, porquanto, do contrário, jamais poderiam desejá-las. O grande fato é que se vocês chegarem a amar a essas realidades, então é porque Deus terá escolhido vocês para as receberem, e vocês poderão obtê-las. Mas, por outro lado, se vocês não desejam tais bênçãos, quem são vocês para descobrirem alguma falta em Deus, quando é a própria vontade obstinada de vocês que os impede de dar valor a essas coisas - quando é o próprio "eu" de vocês que os leva a odiarem essas bênçãos?

Suponhamos que um homem qualquer, lá na rua, dissesse: "Que vergonha que não me tenha sido garantido um assento no auditório, para eu ouvir o que esse pregador tem para dizer. Não posso tolerar a doutrina dele; e, no entanto, é uma vergonha que eu não tenha nenhum assento reservado ali!" Algum de vocês esperaria ouvir um homem qualquer dizer coisas dessa natureza? Não, pois todos vocês replicariam prontamente: "Aquele homem não se importa com essa oportunidade". Por qual motivo ele se sentiria perturbado porque outras pessoas possuem aquilo a que elas dão valor, mas que ele mesmo despreza? Você não aprecia a santidade; você não aprecia a retidão. E se Deus me escolheu para essas coisas, isso deixa você ofendido?"

Bibliografia: Eleição, Charles Haddon Spurgeon, Editora Fiel. Leia o sermão completo, clicando aqui.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Tabela da Expiação

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Nossa Velha PosiçãoA Obra de Cristo através da CruzNossa Nova Posição
1. Sob juízo, condenados, sem substitutoJesus nos substituiu, morreu em nosso lugarO castigo do pecado foi removido
2. Escravos do pecado, presos, sem direitosCristo nos redimiu, pagou o preço e nos tirou da escravidãoSomos remidos, libertos, e temos novo Senhor
3. Por causa do pecado, sob a santa ira de DeusJesus nos propiciou, satisfez o caráter justo de DeusSomos livres da santa ira divina, propiciados
4. Declarados pecadores no tribunal divinoEle nos justificou, imputou a nós Sua justiçaDeclarados juridicamente justos
5. Éramos inimigos de DeusCristo nos reconciliou com DeusAgora temos amizade com o Deus Triúno
6. Condenados sob a LeiEle nos livrou da LeiLivres da Lei pela fé
7. Espiritualmente e eternamente mortos, sem esperançaJesus liberou a graça do Espírito, nos deu o Espírito e a vida eternaNascidos de novo, regenerados, selados, habitados pelo Espírito, vida eterna
8. Escravos da nossa natureza pecaminosaEle quebrou o poder dominador da velha natureza do pecadoSomos libertos para viver obedientes a Deus
9. Estrangeiros, alienados da família de DeusCristo nos preparou para a adoção do PaiFilhos, herdeiros para a adoção do Pai, maduros, com todos os direitos
10. Sem meios de perdão como crentesEle providenciou a base do perdãoPerdoados, restaurados na comunhão com Deus quando confessamos
11. Subjugados ao pecado, à morte e a SatanásCristo derrotou o pecado, a morte e SatanásLibertos do medo e do poder do mesmo
12. Sem esperança futura, aguardando juízo e o infernoEle é o primogênito na ressurreição, ascenção e glorificaçãoSeremos como Ele, ressurretos, arrebatados e glorificados


Bibliografia: Teologia Sistemática de Franklin Ferreira e Allan Myatt, Editora Vida Nova

Calvinismo na Bíblia (III): Expiação Limitada

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Expiação Limitada


A expiação limitada é o terceiro dos Cinco Pontos do Calvinismo. Essa doutrina ensina que na cruz Jesus se ofereceu como o único e perfeito sacrifício pelos pecados, para satisfazer a justiça de Deus, sofrendo a ira divina, tornando-se maldição e morrendo no lugar de pecadores. Por ser verdadeiro Deus, tal sacrifício oferecido por Cristo é de valor e dignidade infinitos, plenamente suficiente para expiar os pecados do mundo inteiro. No entanto, esta expiação é limitada no sentido de que o propósito de Deus com o sacrifício de Cristo foi expiar apenas os pecados dos eleitos. Portanto, Jesus não morreu por todos os seres humanos literalmente, mas apenas pelos Seus escolhidos, que pelo Seu sangue são purificados de todos os pecados, tanto do pecado original quanto dos pecados atuais, cometidos antes e depois da conversão.

Seguem diversas passagens bíblicas que afirmam a expiação limitada:

Isaías 53.4-12: "Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos. Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca. Da opressão e do juízo foi tirado; e quem contará o tempo da sua vida? Porquanto foi cortado da terra dos viventes; pela transgressão do meu povo ele foi atingido. E puseram a sua sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte; ainda que nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca. Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do SENHOR prosperará na sua mão. Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniqüidades deles levará sobre si. Por isso lhe darei a parte de muitos, e com os poderosos repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma na morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e intercedeu pelos transgressores."

Mateus 1.21: "E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados."

Mateus 26.28: "Porque isto é o meu sangue; o sangue do novo testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados."

Marcos 4.11-12: "E ele disse-lhes: A vós vos é dado saber os mistérios do reino de Deus, mas aos que estão de fora todas estas coisas se dizem por parábolas, para que, vendo, vejam, e não percebam; e, ouvindo, ouçam, e não entendam; para que não se convertam, e lhes sejam perdoados os pecados."

Marcos 10.45: "Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos."

João 1.29: "No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo."

João 3.16: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna."

João 6.37-40: "Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia. Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia."

João 10.11,15,26-28: "Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas [...] Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas [...] Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas, como já vo-lo tenho dito. As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; e dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão."

João 17.6-9,19-21: "Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste; eram teus, e tu mos deste, e guardaram a tua palavra. Agora já têm conhecido que tudo quanto me deste provém de ti; porque lhes dei as palavras que tu me deste; e eles as receberam, e têm verdadeiramente conhecido que saí de ti, e creram que me enviaste. Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus [...] E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade. E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim; para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste."

Atos 20.28: "Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue."

Romanos 3.21-26: "Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas; isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus."

Romanos 5.7-10: "Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer. Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida."

Romanos 8.30-34: "E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou. Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós."

I Coríntios 15.3: "Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras."

II Coríntios 5.18-21: "E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação; isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pós em nós a palavra da reconciliação. Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus."

Gálatas 1.3-4: "Graça e paz da parte de Deus Pai e do nosso Senhor Jesus Cristo, o qual se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de Deus nosso Pai."

Gálatas 3.13: "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro."

Efésios 1.3: "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo."

Efésios 5.25: "Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela."

Colossenses 1.12-14,20-22: "Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz; o qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor; em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados; e que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus. A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, para perante ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis."

Tito 2.14: "O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniqüidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras."

Hebreus 2.9,14: "Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos [...] E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo."

Hebreus 9.15,26: "E por isso é Mediador de um novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna [...] De outra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo. Mas agora na consumação dos séculos uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo."

I João 2.1-2: "Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo. E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo."

I João 3.5: "E bem sabeis que ele se manifestou para tirar os nossos pecados; e nele não há pecado."

I João 4.10: "Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados."

Apocalipse 1.5: "E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o príncipe dos reis da terra. Aquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados."

Apocalipse 5.8-9: "E, havendo tomado o livro, os quatro animais e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos eles harpas e salvas de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos. E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua, e povo, e nação."

Obs: Todas as referências bíblicas são da versão Almeida Corrigida e Fiel.

sábado, 11 de outubro de 2008

Predestinação e Pregação, segundo Agostinho

1 Comentário

"Mas alguns dizem: 'A doutrina da predestinação é prejudicial à utilidade da pregação'. Como se fosse contrária à pregação do Apóstolo: O Doutor dos Gentios não proclamou tantas vezes a predestinação na fé e na verdade e por acaso desistiu de pregar a palavra de Deus? Por ter dito: 'É Deus quem opera em vós o querer e o operar, segundo a sua vontade' (Fp.2.13), não exortou a querermos e a fazermos o que é do agrado de Deus? Ou por ter dito: 'Aquele que começou em vós a boa obra há de levá-la à perfeição até o dia de Cristo Jesus' (Hb.1.6), deixou de aconselhar as pessoas a começar e a perseverar até o fim?

E o próprio Senhor ordenou aos homens que cressem, quando diz: 'Crede em Deus, crede também em mim' (Jo.14.1), e nem por isso é falsa a sentença nem vã a afirmação,  quando diz: 'Ninguém pode vir a mim', ou seja, ninguém pode crer em mim, 'se isto não lhe for concedido pelo Pai' (Jo.6.66). Visto ser verdadeira esta afirmação, não é vão aquele preceito.

Portanto, por que julgamos a doutrina da predestinação, que a Escritura divina proclama, como prejudicial à pregação, aos mandamentos, à exortação e à correção, que aparecem tantas vezes na mesma Escritura?"

Bibliografia: A Graça II (O Dom da Perseverança), Agostinho de Hipona, Editora Paulus

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Calvinismo na Bíblia (II): Eleição Incondicional

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Eleição Incondicional


eleição incondicional é o segundo dos Cinco Pontos do Calvinismo. Segundo essa doutrina, desde a eternidade, por um imutável e soberano propósito de Sua boa vontade, Deus escolheu por pura graça, em Cristo, um número grande e definido de pessoas para serem salvas e herdeiras da vida eterna, para louvor da Sua glória e graça. Essa eleição é chamada de incondicional porque ela não é baseada em nada presente nos próprios eleitos, como fé, boas obras ou perseverança que tenham sido previstas, mas é baseada totalmente na soberana vontade e amor de Deus. Deus não apenas escolheu os eleitos para a vida eterna, mas preordenou todos os meios pelos quais isso seria possível: a expiação de Cristo, o chamado eficaz do Espírito Santo produzindo fé para justificação, adoção e santificação, e a preservação dos eleitos até o fim.

Deus não escolheu a todos. Para louvor de Sua glória e justiça, Deus preordenou as demais pessoas para a desonra e ira por causa de seus pecados, o que é chamado de reprovação.

Diversas passagens bíblicas ensinam a eleição incondicional:

Êxodo 33.18-19: "Então ele disse: Rogo-te que me mostres a tua glória. Porém ele disse: Eu farei passar toda a minha bondade por diante de ti, e proclamarei o nome do SENHOR diante de ti; e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem eu me compadecer."

Deuteronômio 7.6-8: "Porque povo santo és ao SENHOR teu Deus; o SENHOR teu Deus te escolheu, para que lhe fosses o seu povo especial, de todos os povos que há sobre a terra. O SENHOR não tomou prazer em vós, nem vos escolheu, porque a vossa multidão era mais do que a de todos os outros povos, pois vós éreis menos em número do que todos os povos; mas, porque o SENHOR vos amava, e para guardar o juramento que fizera a vossos pais, o SENHOR vos tirou com mão forte e vos resgatou da casa da servidão, da mão de Faraó, rei do Egito."

Salmo 65.4: "Bem-aventurado aquele a quem tu escolhes, e fazes chegar a ti, para que habite em teus átrios; nós seremos fartos da bondade da tua casa e do teu santo templo."

Provérbios 16.4: "O SENHOR fez todas as coisas para atender aos seus próprios desígnios, até o ímpio para o dia do mal."

Isaías 46.9-11: "Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim. Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade. Que chamo a ave de rapina desde o oriente, e de uma terra remota o homem do meu conselho; porque assim o disse, e assim o farei vir; eu o formei, e também o farei."

Isaías 55.11: "Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei."

Jeremias 1.5: "Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta."

Jeremias 10.23: "Eu sei, ó SENHOR, que não é do homem o seu caminho; nem do homem que caminha o dirigir os seus passos."

Daniel 4.35: "E todos os moradores da terra são reputados em nada, e segundo a sua vontade ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem possa estorvar a sua mão, e lhe diga: Que fazes?"

Mateus 11.27: "Todas as coisas me foram entregues por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar."

Mateus 20.15: "Ou não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom?"

Mateus 22.14: "Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos."

Mateus 24.31: "E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus."

Marcos 13.20: "E, se o Senhor não abreviasse aqueles dias, nenhuma carne se salvaria; mas, por causa dos eleitos que escolheu, abreviou aqueles dias."

Lucas 17.5: "Disseram então os apóstolos ao Senhor: Acrescenta-nos a fé."

João 5.21: "Pois, assim como o Pai ressuscita os mortos, e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que quer."

João 6.37,44-45,65-66: "Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora [...] Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim [...] E dizia: Por isso eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lhe for concedido. Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com ele."

João 15.16: "Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda."

Atos 13.48: "E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna."

Atos 16.14: "E uma certa mulher, chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e que servia a Deus, nos ouvia, e o Senhor lhe abriu o coração para que estivesse atenta ao que Paulo dizia."

Atos 18.10,27: "Porque eu sou contigo, e ninguém lançará mão de ti para te fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade [...] Querendo ele passar à Acaia, o animaram os irmãos, e escreveram aos discípulos que o recebessem; o qual, tendo chegado, aproveitou muito aos que pela graça criam."

Romanos 8.28-32: "E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou. Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?"

Romanos 9.11-24: "Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), foi-lhe dito a ela: O maior servirá o menor. Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú. Que diremos pois? Que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma. Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece. Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra. Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer. Dir-me-ás então: Por que se queixa ele ainda? Porquanto, quem tem resistido à sua vontade? Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição; para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?"

Romanos 11.5-6: "Assim, pois, também agora neste tempo ficou um remanescente, segundo a eleição da graça. Mas se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça. Se, porém, é pelas obras, já não é mais graça; de outra maneira a obra já não é obra."

I Coríntios 1.26-29: "Porque, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; e Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; para que nenhuma carne se glorie perante ele."

Efésios 1.4-7,11: "Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado, em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça [...] Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade."

Efésios 2.4-10: "Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas."

Filipenses 2.13: "Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade."

II Tessalonicenses 2.12-14: "Para que sejam julgados todos os que não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniqüidade. Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade; para o que pelo nosso evangelho vos chamou, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo."

II Timóteo 1.9: "Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos."

Tito 1.1: "Paulo, servo de Deus, e apóstolo de Jesus Cristo, segundo a fé dos eleitos de Deus, e o conhecimento da verdade, que é segundo a piedade."

Tito 3.4-5: "Mas quando apareceu a benignidade e amor de Deus, nosso Salvador, para com os homens, não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo."

Hebreus 12.2: "Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus."

I Pedro 1.1-2: Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos estrangeiros dispersos no Ponto, Galácia, Capadócia, Asia e Bitínia; eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas."

Apocalipse 17.8: "A besta que viste foi e já não é, e há de subir do abismo, e irá à perdição; e os que habitam na terra (cujos nomes não estão escritos no livro da vida, desde a fundação do mundo) se admirarão, vendo a besta que era e já não é, mas que virá."

Obs: Todas as referências bíblicas são da versão Almeida Corrigida e Fiel.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Eleição Incondicional: um ato de injustiça divina?

2 comentários

Uma das acusações mais freqüentes relacionadas à preciosa doutrina da eleição incondicional é que ela torna Deus injusto. Dizem os seus opositores: "por que dentre todas as Suas criaturas humanas, Deus escolhe algumas e outras não? Com que critério? Ou Ele deveria escolher todos, ou ninguém! Por que Ele não as deixa escolher seus próprios caminhos?", e por aí vai.

Todos esses e outros questionamentos sobre a justiça de Deus na eleição são fruto de um conhecimento equivocado ou limitado das verdades das Escrituras, como me esforçarei para demonstrar, mostrando na Bíblia como a doutrina da eleição é totalmente compatível com a justiça divina.

Primeiramente, precisamos estabelecer que "Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos" (Is 6:3), ou seja: Deus é santo e justo em tudo o que faz, sendo Ele mesmo o padrão de justiça no universo. Todos os atos de Deus são, por definição, justos. Dessa forma, se as Escrituras ensinam explicitamente que Deus fez uma escolha eterna a respeito de quem se salvaria, não temos o direito de pensar que tal ato seria injusto, pelo contrário, precisamos nos curvar ao fato de que a vontade de Deus é "boa, agradável e perfeita" (Rm 12:2), por mais que o nosso entendimento limitado não consiga compreender tudo plenamente.

Além disso, a Bíblia nos mostra que essa acusação contra a injustiça de Deus na eleição não é novidade, sendo que os apóstolos a combateram desde a sua época. Em Romanos 9, após Paulo expôr a soberana escolha de Deus por Jacó e não por Esaú, ele já antecipou um possível questionamento de seus leitores: "Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum!" (Rm 9:14). E Paulo continua com sua argumentação: "Pois Ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. (...) Logo, tem Ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz." (Rm 9:15,18).

Paulo continua sua explicação, ao supôr outra possível pergunta dos cristãos romanos: "Tu, porém, me dirás: De que se queixa Ele ainda? Pois quem jamais resistiu à Sua vontade?" (Rm 9:19). E o apóstolo repreende a pergunta de modo inconfundível e quebrantador: "Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra? Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?" (Rm 9:20-24)

Ou seja, em todas essas afirmações o apóstolo inspirado apela para a soberania de Deus. Temamos e tremamos, todos nós, pois estamos falando do Soberano do Universo, do Rei Absoluto, do Todo-Poderoso. Ele tem o direito de fazer o que quiser com tudo e com todos, e jamais poderemos questionar a Sua santidade. Coloque-se no seu lugar, oh homem rebelde e orgulhoso! Coloque-se no lugar que lhe pertence, que é o de barro, de criatura, nas mãos do Oleiro e Criador. Ao invés de se levantar contra os claros ensinos das Escrituras, dobre os Seus joelhos em admiração e louvor perante o Deus Eterrno!

Meus irmãos e amigos, acredito que esses dois pontos são mais do que suficientes para demonstrar a justiça de Deus na eleição. Contudo, não posso me deter e apenas dizer que não há injustiça na eleição, é necessário também que se afirme, para deleite dos santos e esperança dos pecadores: a eleição é um ato de pura graça de Deus!

A Bíblia fala da "eleição da graça" (Rm 11:6). Nunca podemos nos esquecer da situação de miséria e pecado do homem perante o Santo Deus, e nunca iremos exagerar ao falar desse ponto. O homem é totalmente depravado, incapaz espiritualmente, e jamais poderia escolher a Deus por si mesmo (Jr 17:9, Jr 13:23, Jo 5.40, Jo 6.44,65, I Co 2.14). Você, pecador salvo pela graça, ousaria dizer que foi você mesmo que, por si próprio, deu o primeiro passo em direção a Deus? Porventura, não andávamos todos nós desgarrados, como ovelhas perdidas, sem esperança, desprezando a Deus em todos os nossos caminhos, quando o Senhor nos chamou com poder e graça, nos deu novo coração e nos fez novas criaturas? Não concordamos de pronto com Jesus, quando Ele disse: "Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós" (Jo 15:16)? Meus irmãos, o que quero fazê-los entender é que, se Deus não tivesse nos amado antes da fundação do mundo e nos chamado soberanamente, jamais escolheríamos a Ele por nós mesmos! Toda a nossa salvação é por causa da soberana graça de Deus, que nos foi concedida desde antes da criação do universo!

Portanto, todos vocês que crêem no nome do Senhor Jesus Cristo e foram alcançados pela Sua graça, alegrem-se sobremaneira, pois foram escolhidos graciosamente por Deus. Joguem fora todo orgulho e soberaba, pois foi tudo por pura graça. Mantenham-se firmes na santificação, mesmo diante de tropeços e quedas, pois "Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus?" (Rm 8:33). Tenham plena segurança de salvação, pois Ele "vos escolheu desde o princípio para a salvação" (Rm 2:13). Alegre-se, louve, adore, oh filho de Deus!

E você, que ainda não confiou em Jesus para sua salvação, não deve encarar a eleição como um obstáculo à fé, ou desculpa para o pecado. Como diria Spurgeon, "pense em Jesus Cristo, e não na eleição", ou seja: não pense ou se questione se é eleito ou não, mas desperte de seu sono, se arrependa de seus pecados e creia no Senhor Jesus, e você será salvo eternamente! Há graça abundante em Jesus para o pior dos pecadores, e Ele jamais desprezará qualquer um que vá até Ele com o coração arrependido, pois foi Ele mesmo quem disse: "Vinde a mim, todos os cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei" (Mt 11:28).

Que Deus abençoe tremendamente todos os leitores, e que continuamente ilumine os olhos do nosso coração!

"Devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade." (2 Ts 2:13)

"Porque Dele, e por meio Dele e para Ele são todas as coisas. A Ele, pois, a glória eternamente. Amém!" (Rm 11:36)

A eleição e algumas práticas cristãs

1 Comentário

Geralmente, a verdade da eleição incondicional, por trazer grande ênfase à soberania de Deus, acaba sendo distorcida na sua relação com coisas práticas na vida cristã. Dessa forma, de modo suscinto, quero destacar três pontos que geralmente são mencionados: orações por conversões de outras pessoas, santificação e evangelismo.

A eleição e as orações por conversão de outras pessoas
Todo cristão pode e deve orar pela conversão de seus familiares, amigos e colegas descrentes. Ele sabe da miséria reservada aos rebeldes e da grandeza e doçura de Deus, e por isso quer que todos experimentem a mesma graça que ele.

Geralmente, os opositores da doutrina da eleição dizem: "Se Deus escolheu quem será salvo, de que adianta eu orar pela conversão de alguém? Afinal, o decreto de Deus não será alterado!". Porém, o principal erro dessa visão é não reconhecer que, ao determinar os fins, Deus também determina os meios, e um dos meios que Deus determinou para salvar pecadores é através das orações de Seu povo (e isso não exclui a necessidade da pregação). E além disso, a visão da oração como algo que muda a Deus é distorcida: a oração deve ser feita conforme a vontade de Deus, e só será atendida se estiver de acordo com essa vontade, que permanece para sempre.

Agora, permitam-me devolver a pergunta: se realmente a doutrina da eleição incondicional é falsa e a decisão final de quem será salvo é do pecador, de modo que Deus não pode interferir na "soberana vontade da criatura", como podemos orar para que Deus converta essa pessoa? Afinal, o Soberano tem que respeitar o "livre-arbítrio" de Sua criatura, não é mesmo?

Portanto, a maravilhosa verdade da eleição e a oração pela conversão são plenamente compatíveis e mais do que isso, uma justifica a outra.

A eleição e a santificação
Outro ponto bastante dito é: "Se Deus me escolheu para ser salvo, não vou me preocupar com a santificação, afinal, serei salvo de qualquer jeito". Esse argumento, na minha opinião, é o mais detestável e ridículo. Sinceramente pensei em nem incluí-lo, mas infelizmente há muitos que amam dizer isso.

Paulo responde isso de modo extremamente claro: "Deus nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante Ele" (Ef 1:4). A eleição é para a salvação, e isso sempre inclui a santidade completa. Foi para isso que Deus nos escolheu, para semos "conformes a imagem de Seu Filho" (Rm 8:29). Aquele que se diz cristão e pensa como o ponto em que estamos discutindo, não passa de um hipócrita, que ainda ama o pecado, e precisa se converter realmente!

A eleição e missões
Por fim, também é dito: "Qual é a necessidade de nos preocuparmos com a pregação do Evangelho, se afinal os eleitos, uma hora ou outra, serão salvos? A eleição desmotiva o esforço missionário". Esse argumento também é facilmente destruído mediante os ensinos bíblicos.

Primeiramente, podemos aplicar o mesmo raciocínio do primeiro questionamento, sobre os fins e meios: Deus determinou que o grande meio através do qual os pecadores serão salvos é através da pregação do Evangelho. "A fé vem pela pregação" (Rm 11:7).

Além disso, lembremo-nos do que Jesus falou a Paulo, quando ele estava evangelizando a cidade de Corinto: "Não temas; pelo contrário, fala e não te cales; porquanto eu sou contigo, e ninguém ousará fazer-te mal, pois tenho muito povo nesta cidade." (At 18:9-10). Vejam só, que preciosa consolação e encorajamento! O Senhor Jesus incentiva Paulo a continuar pregando, pois Ele tem "muito povo nesta cidade". Com certeza, não era isso que Paulo estava vendo: ele via uma cidade idólatra, cheia de deuses estranhos, filosofias baratas e misticismo desprezível. Um povo idólatra e imoral. Porém, Jesus tinha muito povo naquela cidade, ou seja, lá haviam muitos eleitos, muitos que haveriam de ser salvos, que creriam por estarem "destinados para a vida eterna" (At 13:48).

Assim, irmãos, a eleição é um dos grandes motivadores para a atividade missionária. Podemos ter plena convicção de que há eleitos em todas as tribos, povos, línguas e nações. E, através de nossa pregação, eles serão salvos para glória de Deus! A nossa função é pregar e ensinar com clareza toda a verdade de Deus, e descansar na soberania Dele para mudar os corações e fazer crescer a semente plantada! Vamos obedecer o mandamento de Jesus: "ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda a criatura" (Mc 16:15)!

Conclusão
Diante disso tudo, vemos como são infundadas as críticas arminianas, e todas elas acabam se voltando contra eles diante de simples análises de alguns pontos das Escrituras. A eleição incondicional é uma doutrina ensinada claramente em toda a Bíblia, portanto devemos nos livrar de nossos preconceitos e abraçar aquilo que Deus nos ensina.

Graça e paz a todos os leitores! Provem a doçura do Salvador! "Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum lançarei fora." (Jo 6:37)

domingo, 5 de outubro de 2008

Agostinho (354-430 d.C.) e a Predestinação

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"Procuremos entender a vocação própria dos eleitos, os quais não são eleitos porque creram, mas são eleitos para que cheguem a crer. O próprio Senhor revela a existência desta classe de vocação ao dizer: 'Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu quem vos escolhi' (Jo.15.16). Pois, se fossem eleitos porque creram, tê-lo-iam escolhido antes ao crer nele e assim mereceram ser eleitos. Evita, porém, esta interpretação aquele que diz: 'Não fostes vós que me escolhestes'.

Não há dúvida que eles também o escolheram, quando nele acreditaram. Daí o ter ele dito: 'Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi', não porque não o escolheram para ser escolhidos, mas para que o escolhessem, ele os escolheu. Isso porque a misericórdia se lhes antecipou segundo a graça, não segundo uma dívida. Portanto, retirou-os do mundo quando ele vivia no mundo, mas já eram eleitos em si mesmos antes da criação do mundo.

Esta é a imutável verdade da predestinação da graça. Pois, o que quis dizer o Apóstolo: 'Nele ele nos escolheu antes da fundação do mundo?' (Ef.1.4). Com efeito, se de fato está escrito que Deus soube de antemão os que haveriam de crer, e não que os haveria de fazer que cressem, o Filho fala contra esta presciência ao dizer: 'Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi'. Isto daria a entender que Deus sabia de antemão que eles o escolheriam para merecerem ser escolhidos por ele.

Consequentemente, foram escolhidos antes da criação do mundo mediante a predestinação na qual Deus sabia de antemão todas as suas futuras obras, mas são retirados do mundo com a vocação com que Deus cumpriu o que predestinou. Pois, os que predestinou, também os chamou com a vocação segundo seu desígnio. Chamou os que predestinou e não a outros, justificou os que assim chamou e não a outros; predestinou os que chamou, justificou e glorificou (Rm.8.30) e não a outros com a consecução daquele fim que não tem fim.

Portanto, Deus escolheu os crentes, mas para que o sejam e não porque já o eram. Diz o apóstolo Tiago: 'Não escolheu Deus os pobres em bens deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam?' (Tg.2.5). Portanto, ao escolher, fá-los ricos na fé, assim como herdeiros do Reino. Pois, com razão, se diz que Deus escolheu nos que crêem aquilo pelo qual os escolheu para neles realizá-lo.

Pergunto: quem ouvir o Senhor, que diz: 'Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi', terá atrevimento de dizer que os homens têm fé para ser escolhidos, quando a verdade é que são escolhidos para crer? A não ser que se ponham contra a sentença da Verdade e digam que escolheram antes a Cristo aqueles aos quais ele disse: 'Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi'."

Bibliografia: A Graça II (A Predestinação dos Santos), Agostinho de Hipona, Editora Paulus

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A glória de Deus!

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"Então ele disse: Rogo-te que me mostres a tua glória." (Ex 33:18)

A glória de Deus é a Sua beleza infinita. É o brilho supremo que emana de todas as Suas perfeições. Deus é glorioso em Sua graça, ao amar um vil pecador; em Sua justiça, ao punir os pecados e requerer santidade; em Sua sabedoria, ao ordenar todos os eventos do mundo para Sua glória; em Sua soberania, ao realizar todo o seu desígnio sem restrições; em Seu poder, ao sustantar o mundo com Sua Palavra poderosa; em Sua fidelidade, ao manter firme sua aliança com o Seu povo, e em várias outras de suas qualidades divinas.

Assim sendo, quando Moisés implorou para ver a glória de Deus, ele estava com o coração totalmente tomado pelo desejo de conhecer a Deus e a todas as Suas perfeições.

Moisés queria isso, mais do que tudo!

E o que acontece ao homem que vê a glória de Deus? Os efeitos disso são tremendos.

"Passando, pois, o SENHOR perante ele, [Moisés] clamou: O SENHOR, o SENHOR Deus, misericordioso e piedoso, tardio em irar-se e grande em beneficência e verdade; Que guarda a beneficência em milhares; que perdoa a iniqüidade, e a transgressão e o pecado; que ao culpado não tem por inocente; que visita a iniqüidade dos pais sobre os filhos e sobre os filhos dos filhos até à terceira e quarta geração. E Moisés apressou-se, e inclinou a cabeça à terra, adorou." (Ex 34:6-8)

Primeiramente, Moisés alegremente reconheceu e confessou os traços gloriosos do caráter do Senhor. Depois, "apressou-se". Não há como ver a glória de Deus e permanecer inerte, são necessárias mudanças. Em seguida, "inclinou a cabeça", se humilhando perante o Rei da Glória, e por fim, "adorou", entendendo que deveria levar uma vida de adoração constante. É isso que acontece quando vemos a glória de Deus. 

"Então eu disse: Rogo-te que me mostres a tua glória."
 

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