sexta-feira, 27 de junho de 2008

A Igreja de Jesus Cristo

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Este artigo foi escrito por Lucas de Lima Gualda em novembro de 2003, para o Jornal O Caminho, um jornal evangelístico e discipulador, idealizado por André Aloísio e publicado de outubro de 2002 à novembro de 2003.

"Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível." (Efésios 5:27)

"Mas, se tardar, para que saibas como convém andar na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade." (I Timóteo 3:15)

A igreja cristã é a totalidade dos escolhidos e salvos pelo Senhor. Integram a igreja cristã todos os que foram comprados para Deus por Jesus (cf. Apocalipse 5:9,10). Nem todos os membros dessa igreja estão unidos visivelmente, mas todos estão unidos no Espírito Santo, que é o selo de todos os cristãos (cf. I Coríntios 12:13; Efésios 1:13). A igreja é a continuidade do povo de Deus, que antes eram os judeus. Como a maioria dos judeus não creu que Jesus era o Cristo (o Messias), o reino de Deus lhes foi tirado e dado aos que creram em Jesus, os quais, pela fé, são judeus, independente de nacionalidade, posição social ou sexo (cf. Mateus 21:42,43; Gálatas 3:7,28). Esses são os membros da igreja.

Freqüentemente, usa-se o termo "Igreja" para a designação de grupos que têm uma doutrina e um governo diferentes dos demais. Na realidade, esses grupos são denominações, e não Igrejas, pois há uma só igreja. Há denominações que fazem parte da igreja cristã e denominações que não fazem parte dela. Mas, como saber se uma denominação é ou não verdadeiramente cristã? Os reformadores, no processo da separação da Igreja Católica Romana, encontraram nas Escrituras dois critérios que respondem à questão: a pregação da genuína palavra de Deus e a correta ministração dos sacramentos.

A denominação verdadeiramente cristã prega fielmente a palavra de Deus para que haja uma fé verdadeira. As Escrituras dizem: "De sorte que a fé é pelo ouvir, e ouvir pela palavra de Deus" (Romanos 10:17). Sem a fé em Jesus Cristo não há como se apropriar da graça salvadora, e só pode haver fé verdadeira se a genuína palavra de Deus for pregada. Toda denominação que prega a Trindade, a pessoa e a obra de Cristo conforme as Escrituras e a salvação pela graça é verdadeiramente cristã. Toda denominação que distorce o ensino bíblico sobre estas coisas é pseudo-cristã, é uma seita herética.

A denominação verdadeiramente cristã ministra corretamente os sacramentos porque eles são sinais externos das bênçãos espirituais concedidas a todos os crentes. Os sacramentos simbolizam a regeneração, o perdão dos pecados e a participação do indivíduo na igreja cristã. Por esta razão, a denominação verdadeiramente cristã ministra os sacramentos conforme a ordenança bíblica. Qual é a ordenança bíblica acerca da ministração do batismo? "Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo" (Mateus 28:19). E qual é a ordenança bíblica acerca da ministração da ceia do Senhor? "Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice" (I Coríntios 11:28). Toda denominação que desobedece à ordenação bíblica acerca dos sacramentos, como as seitas unicistas, que não efetuam o batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ou como a Igreja Católica Romana, que ministra apenas o pão da ceia do Senhor aos leigos, é pseudo-cristã, é uma seita herética.

Cristo é a pedra fundamental da igreja, e não o apóstolo Pedro (cf. Atos 4:11; Efésios 2:20).

Um dos credos ecumênicos do Cristianismo, o Credo Niceno, diz isto sobre a igreja: "Cremos na Igreja una, santa, católica e apostólica". A igreja, apesar das muitas denominações e igrejas locais, espiritualmente é apenas uma (cf. Efésios 4:3-6); é santificada por Cristo através da palavra de Deus (cf. Efésios 5:26); é católica (= universal), porque abrange pessoas de todas as etnias, nacionalidades, posições sociais e sexos (cf. Gálatas 3:28; Apocalipse 5:9,10); e é apostólica, porque está fundamentada sobre os apóstolos e a sua doutrina (cf. Atos 2:42; Efésios 2:20).

As tarefas da igreja são a evangelização, a observância dos sacramentos e a prática das boas obras.

sábado, 21 de junho de 2008

Certeza da Salvação

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O texto abaixo é uma resposta aos comentários do irmão Fábio, sobre meu Diálogo Sobre a Salvação pela Graça e Suas Conseqüências.

Olá Fábio, a paz seja contigo!

Se me permite, gostaria de fazer alguns comentários sobre sua resposta ao meu diálogo. Peço que não repare na linguagem e na estrutura do meu texto, pois o escrevi na correria. Você escreveu:

"A Salvação é sim por meio de Jesus, mas isso também depende de nossas atitudes."

Eu entendo sua preocupação ao escrever isso. Você tem medo, como muitos, que a graça de Deus se transforme em libertinagem (Jd.4), e que os cristãos pensem que, afinal, podem pecar o quanto quiserem, pois são salvos pela graça. É uma preocupação sincera, reconheço. No entanto, não posso concordar com sua frase acima, e vou explicar o motivo.

A Bíblia é bem clara ao afirmar que nossa salvação é totalmente pela graça: “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Rm.3.23-24); “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef.2.8-9); etc.

Nós só compreendemos corretamente essa verdade quando conhecemos qual a nossa condição e posição diante de Deus. Já nascemos “mortos em delitos e pecados” (Ef.2.1), “escravos do pecado” (Jo.8.34) e, por natureza, “todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam” (Is.64.6). Além dessa corrupção interior, todos nós nascemos debaixo da condenação do pecado, pois “o salário do pecado é a morte” (Rm.6.23). Em tal situação é impossível que o homem contribua, com o mínimo que seja, em sua salvação. Assim como um morto não pode fazer coisa alguma, um morto espiritual não pode fazer nenhum bem espiritual.

Por isso nossa salvação depende inteiramente de Deus, que por Sua maravilhosa graça, enviou Seu Filho ao mundo para viver e morrer em nosso lugar. E não apenas isto, é Ele quem nos ressuscita espiritualmente (Ef.2.1) e nos traz a Cristo. Sem essa ação de Deus, operando o novo nascimento (Jo.3.3), ninguém viria a Cristo: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer” (Jo.6.44). Nem o arrependimento e a fé podem ser considerados como uma obra nossa da qual depende nossa salvação, pois a Bíblia ensina que até essas coisas são dons de Deus dados a nós: “Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele” (Fp.1.29); “Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento?” (Rm.2.4). A fé não é a causa da nossa salvação, mas o instrumento pelo qual nos apropriamos dela. Além disso, como eu disse acima, a fé, juntamente com o arrependimento, é um dom de Deus.

Talvez você concorde com tudo o que eu disse até agora, mas afirme que se o cristão não permanecer na fé e não for obediente em sua vida cristã poderá perder a salvação. No entanto, ao contrário do que a maioria dos cristãos pensam, a salvação não pode ser perdida, justamente pelo fato de a salvação ser pela graça e não depender de obras! Isso é ensinado em toda a Bíblia e aqui citarei apenas algumas passagens. Jesus disse em João 6.47: “Quem crê em mim tem a vida eterna”. Tudo aqui está no presente. Se alguém crê em Jesus com verdadeira fé, então ele já tem, no presente, a vida eterna. Jesus não disse que aquele que crê n’Ele terá a vida eterna, mas que já tem aqui e agora. Ora, se a vida que o cristão tem é eterna, é ilógico pensar que ela possa ter um fim ou que ele possa perdê-la, afinal, ela é eterna.

Ainda sobre isso, Jesus disse: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar” (Jo.10:27-29). Jesus afirma que Suas ovelhas, que receberam a vida eterna, jamais perecerão, e ninguém (inclusive as próprias ovelhas, obviamente) poderá arrebatá-las de Suas mãos e das mãos do Pai. Paulo também fala sobre isso em Filipenses 1.6: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus”.

Mas talvez a passagem mais forte sobre o assunto se inicie no capítulo 5 de Romanos, onde Paulo começa a argumentar sobre a certeza da salvação. Do versículo 6 ao 11 Paulo apresenta um argumento incrível a respeito disso, que eu não irei repetir pois já o expliquei no meu Diálogo Sobre a Salvação pela Graça e Suas Conseqüências. Do versículo 12 ao 21 Paulo faz um paralelo entre Adão e Cristo, e mostra que, assim como o pecado de Adão foi imputado a todos os seus descendentes resultando em condenação, assim também a justiça de Cristo é imputada a todos aqueles que crêem resultando em salvação. Isso acontece por causa de nossa união com Cristo; nós estamos n’Ele e, graças a essa união, nossos pecados foram imputados a Cristo, e a justiça d’Ele foi imputada a nós.

Depois de um parêntese nos capítulos 6 e 7, Paulo continua o tema da certeza da salvação no capítulo 8 da mesma epístola, e inicia o capítulo dizendo: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”. Ele continua o assunto e no versículo 30 afirma: “E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou”. Veja o que ele afirma: os mesmos que são justificados (todos os que crêem) serão glorificados, isto é, terão seus corpos transformados quando Cristo voltar. Ele não disse que apenas alguns dos justificados serão glorificados, mas que todos os que são justificados serão glorificados. E para mostrar a certeza disso, ele até coloca a glorificação como um fato já consumado, utilizando o verbo no passado: “a esses também glorificou” (e não glorificará). Paulo encerra toda esta argumentação sobre a certeza da salvação com uma passagem muito conhecida, mas pouco compreendida, para a qual peço que você dedique a máxima atenção:

“Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm.8.31-39).

Paulo mostra na passagem acima que nossa salvação depende totalmente de Deus e do Seu amor por nós, que foi demonstrado na obra que Cristo realizou em favor dos Seus escolhidos. E esse amor é tão grande que absolutamente nada – nada mesmo, nem mesmo nós – pode nos separar dele! Em nenhum momento Paulo afirma que a salvação depende de nossas atitudes. O grande problema de muitos cristãos é achar que a salvação depende daquilo que fazem, e não daquilo que Deus fez em Cristo de uma vez por todas. Às vezes pensam e falam de tal forma que parecem crer que eles mesmos se salvam. No entanto, nossa salvação é, do começo ao fim, uma obra exclusiva de Deus, como Jesus, Paulo e todos os demais apóstolos demonstram várias vezes. “Ao Senhor pertence a salvação” (Jn.2.9). Não é por obras, “para que ninguém se glorie” (Ef.2.9).

Somente quando compreendemos tudo isso é que entendemos o que significa ser salvo pela graça e podemos louvar a Deus juntamente com Paulo, humilhados e agradecidos diante do Trono da Graça: “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém” (Rm.11:33-36).

Depois de tudo isso talvez você volte à preocupação inicial sobre a graça transformada em libertinagem. Pois se a salvação não depende em nada de nós, parece que podemos fazer o que quisermos e isso não fará diferença nenhuma. Mas Paulo responde a essa questão no capítulo 6 de Romanos, demonstrando que não é possível que aqueles que foram salvos continuem a viver no pecado, porque eles estão unidos com Cristo em Sua morte e ressurreição. Eles não apenas foram justificados, mas também regenerados. A velha natureza dos cristãos foi crucificada e agora eles têm uma nova. Não são mais escravos do pecado, mas da justiça (Rm.6.18). O prazer deles não é mais o pecado, mas a santidade. A obediência e as boas obras surgem agora naturalmente, frutos de um coração que foi transformado por Deus: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef.2.10). Assim como uma árvore boa produz bons frutos, um verdadeiro cristão produz boas obras (Mt.12.33).

Isso não significa que os que foram salvos não pecam mais, pois o próprio apóstolo João reconhece que isso ainda irá acontecer: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós [...] Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós” (I Jo.1.8,10). Então, nós podemos perder a nossa salvação, devido a esses pecados que ainda cometemos? Não, e nessa mesma passagem João apresenta a solução: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça [...] Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo; e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro” (I Jo.1.9; 2.1-2). O sacrifício de Cristo é suficiente para nos perdoar de todos os nossos pecados, passados, presentes e futuros. Além disso, Jesus ainda está diante do Pai, como nosso Advogado.

Mas e se não confessarmos os nossos pecados a Deus, seremos perdoados? Primeiramente, aquele que foi verdadeiramente salvo confessa seus pecados a Deus. Isso é natural para ele. No entanto, é óbvio que há muitos pecados que cometemos e não lembramos. E é possível que um salvo morra sem ter confessado seus últimos pecados. Em tais casos obviamente a pessoa é perdoada, porque o perdão não está alicerçado em sua confissão, mas na obra objetiva de Cristo em Sua vida e morte. Nossos pecados foram imputados sobre Cristo e Ele já levou a condenação por eles. Por outro lado, a justiça de Cristo é imputada a nós quando cremos, e graças a isso recebemos a vida eterna. Retomando o que já foi dito, “já não há mais condenação...” (Rm.8.1).

Se nossa salvação dependesse em algum momento de nossas obras todos estaríamos perdidos, pois mesmo as nossas melhores obras que praticamos como cristãos ainda são imperfeitas. Quantas vezes ajudamos o nosso próximo com o fim de cumprir o mandamento de Cristo de amarmos o nosso próximo como a nós mesmos, mas quando olhamos para dentro de nós encontramos uma raiz de interesse próprio? Quantas vezes nós, que somos ministros de louvor, fomos tomados de orgulho em meio à adoração, pelo fato de Deus nos usar como instrumentos para edificação da igreja? Sejamos sinceros, mesmo as nossas melhores obras não chegam aos pés do que é exigido pela lei de Deus: "Dela não te desvies nem para a direita, nem para a esquerda". Citando novamente o profeta Isaías: “todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia” (Is.64.6).

Resumindo tudo o que foi dito até agora, a salvação depende inteiramente de Deus e é totalmente por Sua graça, sem nenhuma contribuição de nossa parte. Todas as demais coisas que você escreveu em seu comentário, falando sobre a necessidade do cristão se santificar, foram respondidas por tudo o que eu disse acima. A santificação não é a causa de nossa salvação, mas uma conseqüência. Só se santifica quem já foi salvo. E quem já foi salvo necessariamente se santifica. Por isso, todo aquele que foi salvo verá a Deus e pode ter certeza de sua salvação. Jesus já fez tudo por nós. Portanto, descansemos n’Ele pela fé.

Meu desejo é que este texto possa esclarecer essas verdades a você e a todos os cristãos que, por não compreenderem a graça de Deus e a justiça de Cristo, ainda vivem temendo a morte e o inferno!

“Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante de sua glória, ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, glória, majestade, império e soberania, antes de todas as eras, e agora, e por todos os séculos. Amém”. (Jd.24-25)

Abraços,

André Aloísio
O principal dos pecadores (I Tm.1.15)

domingo, 8 de junho de 2008

Os Sacramentos

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Este artigo foi escrito por Lucas de Lima Gualda em setembro de 2003, para o Jornal O Caminho, um jornal evangelístico e discipulador, idealizado por André Aloísio e publicado de outubro de 2002 à novembro de 2003. Este artigo apresenta os sacramentos de uma perspectiva reformada que pode discordar em alguns pequenos detalhes da visão batista.

Os sacramentos são ordenanças do Senhor Jesus que devem ser observadas pela sua igreja até ao fim dos tempos. Não são meros ritos, mas são sinais da graça e de bênçãos espirituais. O crente deve observá-los para que toda a igreja e o mundo vejam que ele é salvo e pertence ao corpo de Cristo – a sua igreja.

A Bíblia apresenta dois sacramentos: o batismo e a ceia do Senhor. Os demais ritos que a Igreja Católica Romana apresenta como sacramentos não foram ordenados pelo Senhor Jesus; logo, não passam de costumes e tradições humanas, as quais nenhum crente é obrigado a observar.

O sacramento do batismo foi instituído pelo Senhor Jesus quando ordenara aos apóstolos que pregassem o evangelho a todos (Mateus 28:19; Marcos 16:15,16). O batismo é o sinal de que somos discípulos de Cristo (Mateus 28:19), de que fazemos parte do seu corpo (I Coríntios 12:13), da remissão dos nossos pecados (Atos 2:38; 22:16), do novo nascimento (João 3:3,5), da nossa morte, sepultamento e ressurreição com Cristo (Romanos 6:3,4; Colossenses 2:12) e de que dele nos revestimos (Efésios 3:27).

Externamente, o batismo consiste em várias coisas: mergulhar em água (imersão), borrifar água (aspersão) e derramar água (efusão). Muitos dizem que só o batismo por imersão é correto. Essa idéia, porém, não tem fundamento nas Escrituras. Nem Jesus nem os apóstolos exigiram uma única forma de ministrar a água batismal; logo, a imersão, a aspersão e a efusão são igualmente corretas.

O batismo deve ser ministrado uma só vez a uma mesma pessoa (Efésios 4:5). O ministro deve efetuá-lo conforme ordenou o Senhor Jesus: "em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito" (Mateus 28:19).

O sacramento da ceia do Senhor foi instituído na noite em que Jesus fora traído, quando celebrava a Páscoa com os seus discípulos. A ceia do Senhor é um memorial da sua morte (I Coríntios 11:23-26).

Os elementos externos deste sacramento são o pão e o vinho (ou suco de uva). O pão representa o corpo de Cristo, a sua igreja, à qual pertencem os que participam deste sacramento; o vinho ou suco de uva representa o sangue de Cristo, derramado para remissão dos pecados (Mateus 26:26-28; Marcos 14:22-24; Lucas 22:19,10; I Coríntios 10:16,17).

Deve-se rejeitar a prática romanista de ministrar somente o pão aos leigos, contrária ao que as Escrituras ensinam. Todos devem receber todos os elementos externos da ceia do Senhor.

Deve-se rejeitar, também, a doutrina romanista de que a ceia do Senhor é uma repetição do seu sacrifício. As Escrituras ensinam que o sacrifício de Jesus foi único e perfeito (Hebreus 7:27; 9:25,26,28; 10:10-12,14). Apóstolo Paulo, em sua carta aos cristãos de Corinto, mostra que na celebração da ceia do Senhor o seu sacrifício é relembrado. Relembrado, e não repetido.

É necessário que a pessoa faça um auto-exame para participar da ceia do Senhor (I Coríntios 11:28). Há pessoas que podem participar deste sacramento sem que estejam nas devidas condições para tal. No entanto, elas fazem isto para a sua própria condenação (I Coríntios 11:27,29).
 

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