domingo, 10 de fevereiro de 2008

Diálogo Sobre a Salvação pela Graça e Suas Conseqüências

2 comentários

O diálogo abaixo foi travado por mim com minha grande amiga Cláudia Rodrigues, através do MSN, na tarde do dia 10 de fevereiro de 2008. Estou publicando-o com sua autorização.

André Aloísio diz:
Algumas verdades nós temos apenas no intelecto
André Aloísio diz:
Mas não no coração
André Aloísio diz:
Sabemos delas, mas não vivemos

Claudia diz:
E é este viver que me incomoda
Claudia diz:
Não há sentido eu saber na teoria e não viver na prática

André Aloísio diz:
Jesus disse: "Se sabeis essas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes" (Jo.13.17)
André Aloísio diz:
E Tiago fala sobre o homem que tem "fé" sem obras
André Aloísio diz:
Essa fé até os demônios tem e tremem
André Aloísio diz:
No entanto, não é uma fé verdadeira, pois "a fé sem obras é morta" (Tg.2.17)

Claudia diz:
E a palavra é bem clara
Claudia diz:
Isso traz medo, pelo menos à minha vida

André Aloísio diz:
Traz um certo temor, mas devemos nos lembrar também que somos justificados pela fé mediante a redenção que há em Cristo Jesus
André Aloísio diz:
Somos salvos por aquilo que Cristo fez, e não pelo que nós fazemos
André Aloísio diz:
Quando olhamos para nós vemos apenas pecados e imperfeições

Claudia diz:
Verdade

André Aloísio diz:
No entanto, quando olhamos para Ele, vemos o imaculado Cordeiro de Deus, o nosso representante, que viveu e morreu em nosso lugar
André Aloísio diz:
E é graças a Ele que teremos um lugar no céu

Claudia diz:
E corremos o risco de ficar com os olhos fixos nisto
Claudia diz:
E esquecer de Cristo
Claudia diz:
É somente por Ele

André Aloísio diz:
Exatamente

Claudia diz:
Isso traz a nós uma dependência diária somente Nele

André Aloísio diz:
Um grande erro dos nossos primeiros pais, da igreja primitiva, era enfatizar tanto nossa vida prática e a necessidade de obedecermos a Deus, que muitas vezes faziam nossa salvação depender de nossa obediência, e esquecer o motivo pelo qual Cristo veio ao mundo: nos libertar dos nossos pecados e trazer vida eterna, através de Sua vida e Sua morte
André Aloísio diz:
Devemos ser equilibrados, reconhecendo nossas responsabilidades como filhos de Deus, de obedecermos a Ele sempre, mas também reconhecendo que não somos salvos por essa obediência, que é muito imperfeita e incapaz de alcançar para nós a vida eterna
André Aloísio diz:
Nossa obediência não é a causa da nossa salvação, mas a consequência
André Aloísio diz:
Nossa salvação depende inteiramente de Cristo Jesus
André Aloísio diz:
E como você mesma disse, de fato, tal pensamento nos faz mais dependentes de Cristo
André Aloísio diz:
E nos ensina a tirar os nossos olhos de nós e fixá-los n'Ele
André Aloísio diz:
"Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus e não há outro" (Is. 45.22)

Claudia diz:
Somente Nele
Claudia diz:
O amor do Senhor é algo que para mim é totalmente perfeito
Claudia diz:
Ele nos amou não porque somos dignos disso

André Aloísio diz:
Nossa, quando eu medito na graça de Deus não posso conter as lágrimas
André Aloísio diz:
Deus não precisava nos salvar
André Aloísio diz:
Ele poderia muito bem nos tratar como tratou os anjos que caíram, condenando-os de uma vez

Claudia diz:
É

André Aloísio diz:
Não seria menos amoroso por isso, seria muito justo, pois era o que nós merecíamos
André Aloísio diz:
No entanto, Ele nos amou quando ainda éramos seus inimigos
André Aloísio diz:
Uma das passagens mais lindas das Escrituras está em Romanos 5:6-8: "Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios..."

Claudia diz:
Surpreendente tal amor

André Aloísio diz:
"Dificilmente alguém morreria por um justo; pois, poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer..."
André Aloísio diz:
"Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores"
André Aloísio diz:
Como John Newton escreveu no seu hino Amazing Grace (Maravilhosa Graça):
Maravilhosa graça, quão doce é o som
Que salvou um miserável como eu
Eu estava perdido, mas fui encontrado
Estava cego, mas agora eu vejo
Claudia diz:
Ainda pecadores

André Aloísio diz:
Tremendo!

Claudia diz:
Tais palavras refletem bem nossa condição

André Aloísio diz:
Exatamente
André Aloísio diz:
E o mais consolador de tudo é a continuação da passagem de Paulo: "Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida" (Rm. 5:9-10)

Claudia diz:
Amém!!!

André Aloísio diz:
O que Paulo quer dizer é que se Deus nos amou tanto assim quando ainda éramos inimigos, a ponto de nos salvar dos nossos pecados quando o que merecíamos era justamente o oposto, então é mais do que certo que Ele nos salvará de Sua ira no último dia, pois agora já não somos mais inimigos, mas amigos, e estamos justificados por Jesus Cristo
André Aloísio diz:
É por isso que eu não creio que seja possível perder a salvação
André Aloísio diz:
A obra que Deus começou Ele certamente completará
André Aloísio diz:
E se fomos salvos como inimigos, certamente, agora que somos amigos, seremos salvos finalmente de Sua ira a se revelar no último dia

Claudia diz:
Amém!
Claudia diz:
Tremendo a parte de inimigos passamos a ser amigos

André Aloísio diz:
Esse assunto me toca muito
André Aloísio diz:
Entender a graça de Deus nos faz cristãos muito mais agradecidos
André Aloísio diz:
E humilhados

Claudia diz:
Hoje ele fala bem mais comigo!!!

André Aloísio diz:
Quando conhecemos nossa real condição e o amor de Deus, com Sua graça imerecida, é impossível não vivermos uma vida de completa obediência a Ele, em agradecimento por tão grande salvação

As Duas Naturezas de Cristo

4 comentários


Este é um esboço de uma aula sobre as duas naturezas de Cristo ministrada por André Aloísio na I.E.Q. Jardim Von Zubem, no dia 10 de fevereiro de 2008.

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo.1:14).

+ Introdução
  • A Bíblia ensina que Jesus é tanto verdadeiro homem quanto verdadeiro Deus, duas naturezas em uma única pessoa;

+ A Natureza Humana de Cristo

  • Jesus foi concebido por obra do Espírito Santo em Maria (Mt.1:18; Lc.1:35);
  • Jesus possuía um corpo, mente e emoções humanas (Lc.2:40; Mt.4:2; Lc.23:46; Mc.13:32; Jo.11:35; Jo.13:21);
  • Jesus não possuía o pecado original, nunca pecou e, sendo verdadeiro Deus também, não era sujeito a pecar (Hb.4:15; 7:26; I Pe.1:16; 2:22; I Jo.3:5);
  • Jesus precisava ser verdadeiro homem para: a) obedecer a lei em nosso lugar (Rm.5:18-19); b) se oferecer como sacrifício por nós (Hb.2:16-17); c) compadecer-se como sumo sacerdote (Hb.2:18);
  • Jesus será um homem para sempre (Jo.20:25-27; At.1:11; 7:56);
  • Heresia: Gnosticismo: Ensina que Jesus não possuía um corpo humano real;

+ A Natureza Divina de Cristo

  • Jesus é chamado diretamente de Deus na Bíblia (Is.9:6; Jo.1:1; 20:28; Rm.9:5; Tt.2:13; Hb.1:8; II Pe.1:1);
  • Jesus possuía atributos divinos (Jo.5:58; Ap.22:13; Jo.21:17; Mt.18:21; 28:20);
  • Jesus recebe adoração (Fp.2:9-11; Hb.1:6; Ap.5:12-13);
  • Jesus precisava ser verdadeiro Deus: a) para arcar com toda a pena de todos os pecados dos que crêem; b) porque, como a salvação vem do Senhor (Jn.2:9), só Deus poderia salvar o homem; c) porque só alguém que fosse verdadeiro Deus e verdadeiro homem poderia ser mediador entre Deus e os homens (I Tm.2:5);
  • Heresias: a) Arianismo: Ensina que Jesus não era o verdadeiro Deus, mas um deus menor que o Pai; b) Kenoticismo: Ensina que Jesus abriu mão de atributos divinos quando se tornou homem e deixou de ser plenamente Deus;

+ A Encarnação: União das Duas Naturezas na Pessoa Única de Cristo

  • Heresias: a) Apolinarismo: Ensina que Jesus possuía apenas um corpo humano, mas não um espírito humano, pois o lugar do espírito foi ocupado pela natureza divina de Cristo; b) Nestorianismo: Ensina que havia duas pessoas em Cristo, uma pessoa humana e outra divina; c) Monofisismo: Ensina que Cristo possuía uma só natureza, originada de uma mistura das naturezas divina e humana;
  • Ensino bíblico: Jesus assumiu uma natureza humana em sua encarnação, e desde então possui uma perfeita humanidade (corpo e alma) e uma perfeita divindade, duas naturezas completas que, apesar de unidas, preservam suas propriedades, formando uma única pessoa, Jesus Cristo (cf. Definição de Calcedônia). Desta forma: a) Uma natureza faz coisas que a outra não faz (Jo.16:28; Mt.28:20); b) Tudo o que uma das naturezas faz, a pessoa de Cristo faz (I Co.15:3); c) Títulos que nos lembram de uma natureza podem ser empregados em referência à pessoa, mesmo quando a ação é realizada pela outra natureza (Lc.1:43; I Co.2:8).

Bibliografia:

Jesus Cristo: Verdadeiro Homem, Verdadeiro Deus, Revista, CPAD
Wayne Grudem, Teologia Sistemática, Vida Nova, capítulo 26

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Do Ego Nada, e Tudo de Ti!

Comente Aqui

Amarga vergonha e tristeza
haver alguma ocasião
em que o Salvador, com piedade,
clame em vão e obtenha a resposta:
"Do ego tudo, e nada de Ti!"

Mas Ele me achou; contemplei-O
na maldita cruz a sangrar,
e Lhe ouvi orar: "Pai, perdoa-lhes!"
Minha alma anelante suspira:
"Do ego um pouco, e um pouco de Ti!"

Sua eterna mercê, dia a dia,
curando, ajudando em plena graça,
vigoroso, suave e paciente,
me fez abaixar, e eu sussurrei:
"Do ego menos, e mais de Ti!"

Mais alto que o mais alto céu,
mais fundo que o mais fundo mar,
Senhor, Teu amor enfim venceu;
atende agora esta oração:
"Do ego nada, e tudo de Ti!"

(Teodoro Monod, retirado do livro "As insondáveis riquezas de Cristo", de Lloyd Jones, editora PES)
 

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