quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Eleição Incondicional: um ato de injustiça divina?

2 comentários

Uma das acusações mais freqüentes relacionadas à preciosa doutrina da eleição incondicional é que ela torna Deus injusto. Dizem os seus opositores: "por que dentre todas as Suas criaturas humanas, Deus escolhe algumas e outras não? Com que critério? Ou Ele deveria escolher todos, ou ninguém! Por que Ele não as deixa escolher seus próprios caminhos?", e por aí vai.

Todos esses e outros questionamentos sobre a justiça de Deus na eleição são fruto de um conhecimento equivocado ou limitado das verdades das Escrituras, como me esforçarei para demonstrar, mostrando na Bíblia como a doutrina da eleição é totalmente compatível com a justiça divina.

Primeiramente, precisamos estabelecer que "Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos" (Is 6:3), ou seja: Deus é santo e justo em tudo o que faz, sendo Ele mesmo o padrão de justiça no universo. Todos os atos de Deus são, por definição, justos. Dessa forma, se as Escrituras ensinam explicitamente que Deus fez uma escolha eterna a respeito de quem se salvaria, não temos o direito de pensar que tal ato seria injusto, pelo contrário, precisamos nos curvar ao fato de que a vontade de Deus é "boa, agradável e perfeita" (Rm 12:2), por mais que o nosso entendimento limitado não consiga compreender tudo plenamente.

Além disso, a Bíblia nos mostra que essa acusação contra a injustiça de Deus na eleição não é novidade, sendo que os apóstolos a combateram desde a sua época. Em Romanos 9, após Paulo expôr a soberana escolha de Deus por Jacó e não por Esaú, ele já antecipou um possível questionamento de seus leitores: "Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum!" (Rm 9:14). E Paulo continua com sua argumentação: "Pois Ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. (...) Logo, tem Ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz." (Rm 9:15,18).

Paulo continua sua explicação, ao supôr outra possível pergunta dos cristãos romanos: "Tu, porém, me dirás: De que se queixa Ele ainda? Pois quem jamais resistiu à Sua vontade?" (Rm 9:19). E o apóstolo repreende a pergunta de modo inconfundível e quebrantador: "Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra? Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?" (Rm 9:20-24)

Ou seja, em todas essas afirmações o apóstolo inspirado apela para a soberania de Deus. Temamos e tremamos, todos nós, pois estamos falando do Soberano do Universo, do Rei Absoluto, do Todo-Poderoso. Ele tem o direito de fazer o que quiser com tudo e com todos, e jamais poderemos questionar a Sua santidade. Coloque-se no seu lugar, oh homem rebelde e orgulhoso! Coloque-se no lugar que lhe pertence, que é o de barro, de criatura, nas mãos do Oleiro e Criador. Ao invés de se levantar contra os claros ensinos das Escrituras, dobre os Seus joelhos em admiração e louvor perante o Deus Eterrno!

Meus irmãos e amigos, acredito que esses dois pontos são mais do que suficientes para demonstrar a justiça de Deus na eleição. Contudo, não posso me deter e apenas dizer que não há injustiça na eleição, é necessário também que se afirme, para deleite dos santos e esperança dos pecadores: a eleição é um ato de pura graça de Deus!

A Bíblia fala da "eleição da graça" (Rm 11:6). Nunca podemos nos esquecer da situação de miséria e pecado do homem perante o Santo Deus, e nunca iremos exagerar ao falar desse ponto. O homem é totalmente depravado, incapaz espiritualmente, e jamais poderia escolher a Deus por si mesmo (Jr 17:9, Jr 13:23, Jo 5.40, Jo 6.44,65, I Co 2.14). Você, pecador salvo pela graça, ousaria dizer que foi você mesmo que, por si próprio, deu o primeiro passo em direção a Deus? Porventura, não andávamos todos nós desgarrados, como ovelhas perdidas, sem esperança, desprezando a Deus em todos os nossos caminhos, quando o Senhor nos chamou com poder e graça, nos deu novo coração e nos fez novas criaturas? Não concordamos de pronto com Jesus, quando Ele disse: "Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós" (Jo 15:16)? Meus irmãos, o que quero fazê-los entender é que, se Deus não tivesse nos amado antes da fundação do mundo e nos chamado soberanamente, jamais escolheríamos a Ele por nós mesmos! Toda a nossa salvação é por causa da soberana graça de Deus, que nos foi concedida desde antes da criação do universo!

Portanto, todos vocês que crêem no nome do Senhor Jesus Cristo e foram alcançados pela Sua graça, alegrem-se sobremaneira, pois foram escolhidos graciosamente por Deus. Joguem fora todo orgulho e soberaba, pois foi tudo por pura graça. Mantenham-se firmes na santificação, mesmo diante de tropeços e quedas, pois "Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus?" (Rm 8:33). Tenham plena segurança de salvação, pois Ele "vos escolheu desde o princípio para a salvação" (Rm 2:13). Alegre-se, louve, adore, oh filho de Deus!

E você, que ainda não confiou em Jesus para sua salvação, não deve encarar a eleição como um obstáculo à fé, ou desculpa para o pecado. Como diria Spurgeon, "pense em Jesus Cristo, e não na eleição", ou seja: não pense ou se questione se é eleito ou não, mas desperte de seu sono, se arrependa de seus pecados e creia no Senhor Jesus, e você será salvo eternamente! Há graça abundante em Jesus para o pior dos pecadores, e Ele jamais desprezará qualquer um que vá até Ele com o coração arrependido, pois foi Ele mesmo quem disse: "Vinde a mim, todos os cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei" (Mt 11:28).

Que Deus abençoe tremendamente todos os leitores, e que continuamente ilumine os olhos do nosso coração!

"Devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade." (2 Ts 2:13)

"Porque Dele, e por meio Dele e para Ele são todas as coisas. A Ele, pois, a glória eternamente. Amém!" (Rm 11:36)

Comentários

2 comentários em "Eleição Incondicional: um ato de injustiça divina?"

Lucas Louback disse...
10 de outubro de 2008 14:36

ótimo

Gisely Costa disse...
6 de janeiro de 2016 16:40

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