sexta-feira, 25 de julho de 2008

Passagens Distorcidas em Favor da Perda da Salvação (Parte 2)

4 comentários

Parte: [1] [2]

O e-mail abaixo é a continuação de um e-mail enviado por mim ao irmão Ricardo Andrei Ferran, sobre algumas passagens utilizadas para defender que a salvação pode ser perdida. Para ler o primeiro e-mail, clique aqui.


De: André Aloísio Oliveira da Silva
Para: Ricardo Andrei Ferran
Data: 25/07/2008

Olá irmão Ricardo, graça e paz!

Como prometido, estou escrevendo este e-mail para comentar as demais passagens enviadas por você em seu primeiro e-mail. Este e-mail é uma continuação do anterior e por esse motivo não desenvolverei novamente os pensamentos expostos anteriormente. Antes de ler este e-mail, portanto, seria interessante reler o primeiro, para ter todas as idéias bem frescas na mente, o que facilitará a compreensão dos próximos textos e comentários.

Neste e-mail, com a graça de Deus, comentarei as passagens de Hebreus 2.1-3, 3.12-14 e I João 1.5-7. Que Deus, pelo Seu Espírito, nos ilumine e nos guie nessa tarefa tão sublime que é a interpretação das Escrituras!

Hebreus 2.1-3: "Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos. Se, pois, se tornou firme a palavra falada por meio de anjos, e toda transgressão ou desobediência recebeu justo castigo, como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram;"

As passagens de Hebreus que são distorcidas em favor da perda da salvação são as mais complicadas de toda a Escritura. A linguagem utilizada pelo autor dessa carta pode confundir o leitor menos atento. Portanto, analisemos tais passagens com atenção.

Um conhecimento dos motivos que levaram o autor da carta aos Hebreus a escrevê-la pode nos ajudar na compreensão dessa e de outras passagens. Muitos cristãos hebreus estavam abandonando a fé cristã e voltando às antigas cerimônias do Antigo Testamento, trocando a salvação pela graça por uma salvação pelas obras da lei. O autor, então, escreve a esses cristãos, demonstrando a superioridade de Cristo e da Nova Aliança em relação às personagens e cerimônias da Antiga Aliança, e fazendo freqüentes exortações para que permaneçam firmes nas verdades cristãs e não as abandonem, como muitos estavam fazendo.

Nessa passagem o autor fala sobre a importância de se apegar com firmeza às verdades ouvidas, para jamais se desviar delas, e sobre o perigo de negligenciar tão grande salvação. O autor fala incluindo-se em ambas atitudes, tanto a de se desviar das verdades ouvidas ("para que delas jamais nos desviemos"), quanto a de se negligenciar essa grande salvação ("como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?").

Esse tipo de linguagem confunde muita gente. Estaria o autor de Hebreus reconhecendo a possibilidade dos cristãos hebreus e dele próprio perderem a salvação? Não. Analisemos o texto sem idéias pré-concebidas. Em nenhum momento no texto é falado sobre perder a salvação, apenas sobre se desviar das verdades ouvidas e negligenciar a salvação. O objetivo do autor é mostrar o perigo dessas atitudes tomadas por alguns hebreus que se chamavam cristãos, atitudes que nem ele e nem seus leitores deveriam tomar. Ele não se preocupa em discorrer sobre a situação espiritual anterior daqueles que se desviaram ou se desviarão, se foram salvos algum dia ou não. O importante no texto não é o passado dos desviados, mas o futuro: eles não escaparão por terem negligenciado tão grande salvação.

Alguém poderia perguntar: ao falar sobre desviar-se das verdades ouvidas, o autor da carta não reconhece que quem se desvia era salvo? A resposta é negativa, porque um incrédulo pode se encaixar perfeitamente nessa descrição. O autor é bastante cuidadoso ao falar sobre as "verdades ouvidas". Alguém pode ouvir o evangelho e simplesmente não receber a mensagem. Ouvir o evangelho não é suficiente para que alguém seja salvo, pois o evangelho precisa ser recebido pela fé. Portanto, se um dos leitores se desviasse das verdades ouvidas, isso não implicaria que ele foi um salvo e perdeu a salvação, porque quem ouviu não necessariamente creu.

Concluindo este pequeno comentário, essa passagem não fala nada sobre perda da salvação. Devemos sempre tomar muito cuidado para não nos dirigirmos ao texto com idéias prontas e assim atribuir-lhe coisas que ele não diz.

Hebreus 3.12-14: "Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado. Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos."

Nesse texto, nos versículos 12 e 13, o autor se dirige aos seus leitores como irmãos, falando sobre o perigo de que houvesse em algum deles perverso coração de incredulidade que os afastasse do Deus vivo, e sobre a importância das exortações mútuas para que ninguém fosse endurecido pelo engano do pecado. A linguagem utilizada pelo autor é forte e novamente pode trazer dúvidas numa leitura superficial.

Um primeiro problema é o fato do autor da carta chamar seus leitores de irmãos e reconhecer que eles poderiam se afastar do Deus vivo, significando aparentemente que um salvo pode perder a salvação. Mas devemos atentar para um detalhe: o autor não sabia quais dos seus leitores eram salvos e quais não. Assim como nós, ele considerava como irmãos todos aqueles que viviam exteriormente como cristãos, pois ele não conhecia o coração de nenhum deles, de modo a saber com absoluta certeza quais deles eram salvos verdadeiramente. Portanto, ele chama todos os seus leitores de irmãos. Tendo em mente tudo o que vimos no e-mail anterior, podemos concluir que o fato de existir em algum dos seus leitores um "perverso coração de incredulidade" não seria uma prova de que um salvo perdeu a salvação, apenas uma indicação de que entre aqueles "irmãos" existiam não-salvos.

Outro aparente problema é a idéia de ser "afastado do Deus vivo". Alguém poderia argumentar que só pode ser afastado quem está perto. Portanto, quem foi afastado do Deus vivo por um perverso coração de incredulidade estava salvo. Mas devemos nos lembrar dos ramos infrutíferos de João 15, que analisamos no e-mail anterior. Eles estavam aparentemente ligados à videira, no entanto, não produziam fruto, o que demonstrava que sua ligação era apenas aparente. Eles estavam muito próximos à videira, mas não havia uma ligação real. Por tal motivo, eles seriam cortados e lançados ao fogo. A situação é muito semelhante nessa passagem de Hebreus. Os leitores poderiam ser afastados do Deus vivo, o que indicaria que eles estavam próximos de certo modo, mas não necessariamente num sentido salvífico. Por isso, a idéia de ser "afastado do Deus vivo" se aplicaria apropriadamente a um cristão nominal.

Outro ponto a ser observado são as exortações mútuas que os leitores deveriam fazer, para não serem endurecidos pelo engano do pecado. Mais uma vez, isso não é uma prova a favor da perda da salvação, apenas uma indicação de que a doutrina da perseverança dos santos não anula nossa responsabilidade de perseverar, como também já vimos no primeiro e-mail: "Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade" (Fp. 2.12-13).

No versículo 14 o autor faz uma afirmação e depois coloca uma condição, de forma muito semelhante ao que Paulo fez em Colossenses 1.13, passagem já vista por nós no e-mail anterior. O autor afirma que ele e seus leitores tem se tornado participantes de Cristo, apenas se guardarem firme até o fim a confiança que tiveram desde o princípio. A perseverança até o fim é novamente apresentada como uma prova de que alguém é salvo. Ela é vista como conseqüência, e não causa, da salvação. Se o autor desejasse apresentar essa condição como causa da salvação, poderia ter colocado sua afirmação no futuro, da seguinte maneira: "porque nos tornaremos participantes de Cristo, se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos". Mas não é isso o que ele faz. Ao afirmar que a participação que eles têm de Cristo é presente, a perseverança até o fim que ele coloca como condição torna-se uma consequência que evidencia a realidade dessa participação presente.

Há outro versículo muito semelhante ao 14 nesse mesmo capítulo, onde o autor faz outra afirmação condicional, mais uma vez apresentando a perseverança final como consequência da salvação: "Cristo, porém, como Filho, em sua casa; a qual casa somos nós, se guardarmos firme, até ao fim, a ousadia e a exultação da esperança" (Hb.3.6). Nós somos a casa de Cristo no presente apenas se guardarmos firme, até o fim, a ousadia e exultação da esperança. Do contrário, a conclusão é que nunca fomos a casa de Cristo.

Além dessas duas passagens de Hebreus comentadas por mim, há outras duas muito mais complicadas: Hebreus 6.4-6, que fala sobre a queda dos iluminados, e Hebreus 10.26-31, que trata do juízo divino contra aqueles que vivem deliberadamente em pecado. Eu fiquei bastante surpreso por você não ter pedido explicação dessas duas passagens. De qualquer modo, se tiver dúvidas quanto a elas, recomendo a leitura dos seguintes artigos: A Queda dos Iluminados de Hebreus 6:4-6 (Moisés Bezerril), Hebreus 6:4-6 e a Possibilidade de Apostasia (Sam Storms) e Hebreus 10:26-31 e a Possibilidade de Apostasia (Sam Storms). Recomendo também a leitura de toda a carta aos Hebreus, se possível mais de uma vez, para você compreender melhor todo o conteúdo dela e o contexto geral no qual estão inseridas essas complicadas passagens.

1 João 1.5-7: "Ora, a mensagem que, da parte dele, temos ouvido e vos anunciamos é esta: que Deus é luz, e não há nele treva nenhuma. Se dissermos que mantemos comunhão com ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado."

Aqui, nos versículos 5 e 6, o apóstolo João demonstra que, pelo fato de Deus ser luz, não havendo n'Ele treva nenhuma, é uma mentira afirmar que mantemos comunhão com Ele se andarmos nas trevas. João explica porque isso é mentira no capítulo 3 dessa mesma carta: "Todo aquele que permanece nele não vive pecando; todo aquele que vive pecando não o viu, nem o conheceu [...] Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus." (vs .6 e 9).

É impossível que aquele que permanece em Cristo viva em pecado. Assim como os ramos de João 15 que permanecem na videira produzem fruto, aquele que permanece em Cristo vive em justiça e santidade, não em pecado. Aquele que nasceu de Deus não pode viver em pecado porque n'Ele há o que João chama de "a divina semente". Se alguém vive em pecado, isso é uma prova de que ele nunca viu a Cristo, nem o conheceu (I Jo.3.6) e, portanto, também não é conhecido por Cristo: "nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade" (Mt.7.23).

No versículo 7 João continua, mostrando que se andarmos na luz, e não nas trevas, mantemos comunhão uns com os outros e o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado. O que mais chama atenção nesse versículo é essa purificação do pecado pelo sangue de Jesus, e isso por alguns motivos. Primeiro, porque João reconhece que aquele que anda na luz ainda tem pecados, mesmo tendo dito no capítulo 3 que quem permanece em Cristo não vive em pecado. Segundo, porque João condiciona essa purificação dos pecados ao andar na luz, o que leva certas pessoas a pensar que nossa salvação depende de algo que fazemos. Analisemos essas duas coisas separadamente.

Primeiro, mesmo aquele que anda na luz ainda tem pecados. Na continuação da passagem, nos versículos 8 e 10, João reconhece: "Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós [...] Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós". Por isso, devemos entender "praticar pecado" e "viver em pecado" como duas coisas diferentes. O cristão ainda pratica o pecado, mas não vive mais nele. O pecado na vida do cristão é a exceção, e não a regra, ao contrário do que acontece na vida do ímpio.

Segundo, somos purificados de todos esses pecados que ainda praticamos pelo sangue de Jesus quando andamos na luz. Para compreendermos perfeitamente isso, precisamos entender o que é essa purificação de pecados pelo sangue de Jesus.

Observemos que ela acontece no presente: "o sangue de Jesus nos purifica". Por isso, essa purificação não pode ser sinônimo de justificação ou regeneração, porque para o cristão essas duas coisas aconteceram no passado: "Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus" (I Co.6.11); "pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente" (I Pe.1.23).

Além disso, essa purificação, como o próprio nome diz, é uma transformação moral, e não apenas um ato legal, como a justificação ou o perdão de pecados. No versículo 9 do mesmo capítulo João menciona o perdão de pecados juntamente com essa purificação, indicando que são coisas diferentes, ainda que relacionadas: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça". Se essa purificação não é a justificação, o perdão ou a regeneração, a conclusão a que chegamos é que ela é a própria santificação, um processo que dura toda a vida cristã e é sempre presente. Mesmo que a santificação seja normalmente apresentada como uma obra do Espírito Santo, biblicamente nada nos impede de entendê-la como uma obra de Cristo também, no sentido de que Seu sacrifício, representado na passagem como Seu sangue, é suficiente não apenas para nos livrar da culpa do pecado (perdão), mas também do poder do pecado (santificação).

Entendendo dessa forma, fica fácil interpretar as palavras de João no versículo 7: quando andamos na luz somos santificados pelo sangue de Jesus. Como é impossível que aquele que nasceu de Deus viva em pecado (ou ande nas trevas), obviamente todos que nasceram de Deus vivem em justiça (ou andam na luz). Portanto, todo verdadeiro cristão anda na luz e assim é santificado pelo sangue de Jesus.

Esse versículo lembra bastante a ilustração da videira verdadeira, em João 15, já vista por nós no e-mail anterior. Nessa passagem, Jesus diz: "Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda" (Jo.15.2). Tal passagem faz um paralelo incrível com I João 1.7: se o ramo produzir fruto ele é limpo pelo Pai; se alguém andar na luz ele é purificado pelo sangue de Jesus. Além desse paralelo, João 15.2 ainda mostra a constância desse processo santificador: o ramo produz fruto, é limpo e produz mais fruto ainda; produzindo mais fruto, conseqüentemente ele será limpo novamente, para produzir ainda mais fruto, e isso num processo constante, de força em força (Sl.84.7), de glória em glória (II Co.3.18), até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo (Ef.4.13), naquele grande Dia, quando seremos semelhantes a Ele, porque O veremos assim como Ele é (I Jo.3.2)!

Concluindo o comentário de I João 1.5-7, principalmente o versículo 7, percebemos que nada aqui é dito a respeito da perda da salvação. O fato da purificação pelo sangue de Jesus estar condicionada ao "andar na luz" não deve nos preocupar, porque isso apenas demonstra com absoluta certeza como os verdadeiros cristãos estão sendo santificados pelo sangue de Jesus. A santificação é apresentada como uma consequência natural na vida daqueles que um dia foram verdadeiramente justificados por Deus e regenerados pelo Espírito Santo.

Antes de terminar este e-mail, acho interessante fazer alguns comentários gerais sobre tudo o que escrevi até agora, inclusive no primeiro e-mail. Em primeiro lugar, vimos que muitas passagens apresentam a perseverança até o fim como evidência de uma verdadeira salvação. No entanto, isso não significa que é impossível ter certeza da salvação antes do término desta vida. Paulo diz em Romanos 8.16-17: "O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados". Esse testemunho interno do Espírito nos dá certeza, já no presente, de que somos filhos de Deus, estamos salvos e somos herdeiros de todas as coisas maravilhosas que Deus tem preparado para aqueles que O amam (I Co.2.9).

Em segundo lugar, as exortações sobre perseverança que se encontram em várias partes da Bíblia não devem ser vistas como provas de que é possível a um cristão perder a salvação, e sim como indicações de que temos a responsabilidade de perseverar. Mas ainda que isso seja uma responsabilidade nossa, podemos ter certeza que perseveraremos até o fim, porque é Deus quem nos preserva: "Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus" (Fp.1.6; cf. Jo.10.27-29; Rm.8.30-39).

Em último lugar, a perseverança até o fim não deve ser considerada um mérito nosso, pelo fato de termos a responsabilidade de perseverar. Como já vimos, é Deus quem nos sustenta e preserva até o fim, sendo a perseverança um dom de Sua graça. Na verdade, nada de bom que temos ou fazemos vem de nós mesmos: "não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus" (II Co.3.5); "Pois quem é que te faz sobressair? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias, como se o não tiveras recebido?" (I Co.4.7). Isso acontece "a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus" (I Co.1.29) e para que "aquele que se gloria, glorie-se no Senhor" (I Co.1.31), como também Paulo bem expressa em outro lugar: "Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo" (Gl.6.14). Portanto, proclamemos com Paulo: "Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!" (Rm.11.36).

Bom irmão Ricardo, espero que tudo o que foi dito tenha esclarecido essas passagens a você. Perdoe-me se não fui tão claro como poderia ser, pois confesso que comentei todas essas passagens fazendo minha própria exegese, sem consultar nenhum comentário bíblico. Por isso, talvez eu tenha deixado escapar algum detalhe que poderia ser esclarecido. Se ficou alguma dúvida, fique à vontade para perguntar.

Que Deus continue te abençoando!

Abraços,

André Aloísio
O principal dos pecadores (I Tm.1.15)

Comentários

4 comentários em "Passagens Distorcidas em Favor da Perda da Salvação (Parte 2)"

(-V-) disse...
31 de julho de 2008 00:38

"Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou. Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?"

No Amor e na Verdade que nos une,
Vini
(-V-)

kenia disse...
4 de abril de 2010 13:27

André, muito boa, suas colocaçoes e de facil, comprienção! pra mim ficou bastante claro.
grande abraço,

indianara santa catarina disse...
30 de março de 2013 10:56

so tenho uma duvida..gostaria de saber se um eleito pode se desviar do caminho por algum tempo(estar no mundo como dizem)?ou isso quer dizer que ele não é um eleito se ele se desvia?e se eu estiver na igreja mas preso a tal pecado que eu não consigo me libertar eu não sou um eleito?

André Aloísio disse...
18 de abril de 2013 10:25

Antes de responder a pergunta, temos que fazer uma diferenciação entre eleito e salvo. Uma pessoa pode ser eleita e não ter sido salva ainda, uma vez que a eleição é desde a eternidade, e a salvação acontece no tempo. Então, vou entender a sua pergunta sobre o eleito no sentido de que ele é um eleito que já foi salvo no tempo, já ouviu o Evangelho, creu em Jesus e se arrependeu dos seus pecados.

Um salvo pode se desviar do caminho por algum tempo, mas ele retornará à comunhão do povo de Deus. Isso não significa que ele perdeu a salvação, apenas que ficou por algum tempo distante da comunhão com Deus e com Seu povo.

Agora, é possível que uma pessoa seja membro da Igreja, mas não seja salva. Então, ela se afasta da Igreja, depois de algum tempo retorna e só então é verdadeiramente salva. Essa também é uma possibilidade.

É possível que um verdadeiro crente esteja preso a um determinado pecado na Igreja, o que é semelhante àquele que deixou a Igreja por algum tempo. Mas assim como no outro caso, essa pessoa que está presa em um pecado irá abandoná-lo, se for realmente um salvo.

Espero que tenha ajudado.

 

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