domingo, 11 de maio de 2008

A Trindade, de Agostinho: Consubstancialidade do Pai e do Filho

4 comentários

Este texto é um trecho do excelente tratado teológico A Trindade, de Agostinho de Hipona (354-430 d.C), retirado do Livro 1, Capítulo 6. Neste trecho Agostinho prova que Jesus é Deus assim como o Pai, sendo consubstancial (mesma substância) a Ele.

Aqueles que afirmaram que nosso Senhor Jesus Cristo não é Deus, ou que não é verdadeiro Deus, ou que não é um só Deus com o Pai, ou que não é imortal por ser mutável sejam convencidos de seu erro pelo claríssimo testemunho e pela afirmação unânime dos Livros santos, dos quais são estas palavras: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava em Deus, e o Verbo era Deus" (Jo.1.1). Está claro que nós reconhecemos o Verbo de Deus como o Filho único do Pai, do qual se diz depois: "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós" (Jo.1.14), em referência ao nascimento pela sua encarnação, ocorrida no tempo, tendo a Virgem como mãe.

Nessa passagem, o evangelista declara que o Verbo não é somente Deus, mas consubstancial ao Pai, pois, após dizer: "E o Verbo era Deus", acrescenta: "No princípio, ele estava com Deus. Tudo foi feito por ele e sem ele nada foi feito do que existe" (Jo.1.2-3). Diz "tudo", de modo a incluir tudo o que foi criado, ou seja, todas as criaturas. Consta aí claramente que não foi criado aquele por quem tudo foi criado. E se não foi criado, não é criatura, e se não é criatura, é consubstancial ao Pai. Toda substância que não é Deus, é criatura, e a que não é criatura, é Deus. E se o Filho não é consubstancial ao Pai, é uma substância criada; e se é uma substância criada, todas as coisas não foram feitas por ele. Ora, está escrito: "Tudo foi feito por ele"; portanto, é consubstancial ao Pai. Assim, não é somente Deus, mas verdadeiro Deus.

Bibliografia: A Trindade, Agostinho de Hipona, Editora Paulus

Comentários

4 comentários em "A Trindade, de Agostinho: Consubstancialidade do Pai e do Filho"

Fred disse...
31 de maio de 2009 17:55

emunhas de Jeová acreditarem mais na palavra de um homem(Charles T. Russel)do que na palavra de Deus.

Carlos Amaral disse...
10 de maio de 2016 19:54

Acreditar em Agostinho é acreditar na palavra de um homem...

Samuel Carvalho disse...
10 de maio de 2016 20:54

entre acreditar em Russel ou Agostinho n pensaria duas vezes em acreditar no segundo,
sua contribuição tanto para a teologia quanto para a filosofia é imensamente,incomensuravelmente superior,ademais sua superioridade n se baseia meramente em sua capacidade logica (da qual o senhor Russel n dispõe)mas vem de sua submissão a autoridade da palavra de Deus,na qual se baseia para esclarecer-nos sobre a consubstancialidade do Pai e do Filho,diferente desse outro que cometendo erros de interpretação de texto indignos até mesmo de uma educação primaria, deturpa o texto,fazendo-nos um desserviço,pois é a ele a quem devemos agradecer pelo precioso tempo de domingo que perdemos atendendo suas testemunhas.Por esse motivo credito ao "senhor" Agostinho toda a credibilidade em suas palavras.

André Aloísio disse...
11 de maio de 2016 10:16

Carlos Amaral,

A questão não é acreditar em Agostinho como se ele fosse uma autoridade ao lado da Bíblia. A questão é entender que a interpretação da Bíblia não ocorre em isolamento, mas dentro da comunidade da fé, a Igreja, e nessa interpretação comunitária contamos com a ajuda de muitos mestres, entre os quais está Agostinho. Aquilo que Agostinho disse que está em desacordo com as Escrituras ninguém precisa aceitar. Mas aquilo que ele disse que é uma fiel interpretação do ensino bíblico não só pode como deve ser aceito por todo cristão, não porque foi dito por Agostinho, mas porque corresponde ao ensino da Palavra de Deus. Creio que as palavras de Agostinho acima, sobre a relação do Pai com o Filho, estão de acordo com o ensino da Palavra de Deus, e é por isso que eu as aceito como verdade de Deus.

Abraços,

André Aloísio

 

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