domingo, 25 de maio de 2008

O Peregrino, de John Bunyan: A Obra da Graça

1 Comentário

Este texto é um trecho do livro O Peregrino, de John Bunyan (1628-1688), adaptado por André Aloísio.

A obra da graça, na alma, revela-se à pessoa que a possui e aos outros. À pessoa que a possui, revela-se da seguinte maneira: ela lhe dá convicção do pecado, especialmente da corrupção da sua natureza e do pecado da incredulidade, pelo qual é certa a sua condenação, se não achar misericórdia da parte de Deus, pela fé em Jesus Cristo. O ver e o sentir estas coisas produzem nela dor e vergonha por seus pecados (Salmos 38:18; Jeremias 31:19; João 18:8; Romanos 7:24; Marcos 16:16; Gálatas 2:16).

Além disto, ela encontra revelado em si o Salvador do mundo, e vê a absoluta necessidade de se unir a Ele por toda a vida. Aqui começa a fome e a sede, às quais foi feita a promessa. Ora, conforme a força e fraqueza da fé da pessoa, no Salvador, assim é o seu gozo e a sua paz, assim é o seu amor à santidade, assim são os seus desejos de melhor conhecê-lo e de servi-lo neste mundo; mas ainda que assim se revele a obra da graça, poucas vezes poderá o homem conhecer se ela nele existe, porque, a sua corrupção e a sua razão desvirtuada fazem com que o seu juízo seja iludido nessa matéria. É, pois, indispensável um juízo muito são, para aquele que possui esta obra poder dizer, com segurança, que é a obra da graça (João 16:8; Gálatas 1:15-19; Atos 4:12; Mateus 5:6; Apocalipse 21:6).

Aos outros a obra da graça revela-se da seguinte maneira: 1º - Por meio duma confissão prática da fé em Cristo daquele que possui a obra da graça; 2º - Por uma vida de acordo com essa confissão por parte daquele que possui tal obra, isto é, por uma vida de santidade; santidade no coração, santidade na família, se a tem, e santidade na sua vida, e nas suas relações com outras pessoas. Esta santidade ensina-o, em geral, a aborrecer o seu pecado, do íntimo do coração, e aborrecer-se também a si mesmo, em segredo, e a imprimir estes sentimentos na família, e a promover a santidade do mundo, não só pelos seus discursos, como pode fazer qualquer hipócrita ou charlatão, mas por uma sujeição prática, em fé e amor, ao poder da Palavra (Jó 42:5-6; Salmos 50:9-23; Ezequiel 20:43; Mateus 5:8; João 15:5; Romanos 10:9-10; Filipenses 1:27 e 2:17).

Bibliografia: O Peregrino, John Bunyan, Editora Martin Claret

quarta-feira, 21 de maio de 2008

A Oração de Nosso Senhor

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Este artigo foi escrito por André Aloísio em junho de 2003, para o Jornal O Caminho, um jornal evangelístico e discipulador, idealizado por André Aloísio e publicado de outubro de 2002 à novembro de 2003.

"Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino, faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixe cair em tentação; mas livra-nos do mal [pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém]"
(Mateus 6:9-13).

A oração é uma conversa que travamos com Deus. Deus nos fala por meio da Palavra (Bíblia) e nós falamos com Ele por meio da oração. A oração é tão essencial para o cristão quanto a respiração é para os seres vivos. Entre os vários ensinamentos proferidos por Jesus no Sermão da Montanha, está a Oração Dominical, ou Pai-Nosso. Baseado nessa oração irei retirar várias verdades sobre como devemos orar ao Pai, o que será de grande proveito para todos nós.

Antes de ensinar a Oração Dominical, Jesus falou sobre algumas formas erradas de oração: "E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará" (vers. 5,6). Nossa oração não deve ser feita com o fim de aparecermos e nos mostrarmos às pessoas, para sermos elogiados ou algo assim, mas deve ser feita em secreto. Deus é Quem precisa ouvir nossa oração e não outros. "E, orando, não useis de vãs repetições como os gentios, porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes que lho peçais" (Vers. 7,8). Também não devemos em oração ficar repetindo sempre a mesma coisa, achando que assim Deus nos ouvirá. A oração não é uma reza, uma coisa mecânica, repetitiva, mas é a expressão daquilo que está no nosso coração, por meio das nossas próprias palavras.

Jesus ensinou a Oração Dominical não para que ficássemos repetindo sempre as mesmas palavras que Ele, mas para que tivéssemos um exemplo de como devemos orar. A Oração Dominical é uma oração modelo, para que nós próprios façamos as nossas orações. Repetir o Pai Nosso dezenas de vezes não causa efeito nenhum. Agora, vamos partir para os ensinamentos dessa oração:

"Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome". Toda oração deve começar com louvores a Deus pelo que Ele é. Devemos iniciar a oração engrandecendo o nome de Deus.

"venha o teu reino, faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu". Em nossas orações, devemos convidar a vontade de Deus para operar na terra. Deus espera que peçamos para que realize a Sua vontade.

"o pão nosso de cada dia dá-nos hoje". Deus se importa com cada detalhe de nossa vida, por mais pequeno que seja. Devemos pedir por cada detalhe diário, pois Ele ouve e realiza aquilo que pedimos.

"e perdoa-nos as nossas dívidas". Não devemos nos aproximar de Deus sem levar em conta nossa natureza pecaminosa e a necessidade de santidade. Devemos pedir perdão pelos pecados cometidos contra Deus e assim aproximarmos Dele, certos de que Ele nos perdoa: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (I João 1:9).

"assim como nós temos perdoado aos nossos devedores". Não podemos esperar que recebamos o perdão de Deus se não perdoarmos aos nossos semelhantes. Para sermos perdoados, devemos perdoar aqueles que estão nos devendo.

"e não nos deixe cair em tentação; mas livra-nos do mal". Devemos pedir para que Deus não permita que sejamos tentados além das nossas forças. Deus não é o autor da tentação (Tiago 1:13), mas é o nosso protetor nela.

"pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém". Toda oração é encerrada colocando tudo nas mãos de Deus. Devemos reconhecer que, apesar de tudo o que pedimos, a vontade de Deus é a que prevalece sobre todas as coisas.

Encerrando, Jesus não quis que todas as nossas orações seguissem rigorosamente esse modelo, mas que, por essa oração, tivéssemos um exemplo de como devemos nos portar na presença de Deus. Que suas orações, de agora em diante, estejam de acordo com o que Jesus ensinou. Que Deus te abençoe!

segunda-feira, 12 de maio de 2008

4º Culto de Adoração para Jovens

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O Ministério de Música Verdadeiros Adoradores, da Igreja do Evangelho Quadrangular, do Jardim Von Zubem, Campinas-SP, convida você para participar conosco, no dia 17 de maio de 2008, sábado, às 18:00 horas, do 4º Culto de Adoração para Jovens.

O tema do culto será “Minha Graça Te Basta” (II Co. 12.9). Haverá louvor com o Ministério Verdadeiros Adoradores e outros, pregação da Palavra com uma convidada especial, um momento especial de oração, sorteio de CDs, etc.

Contamos com tua presença!

domingo, 11 de maio de 2008

A Trindade, de Agostinho: Consubstancialidade do Pai e do Filho

4 comentários

Este texto é um trecho do excelente tratado teológico A Trindade, de Agostinho de Hipona (354-430 d.C), retirado do Livro 1, Capítulo 6. Neste trecho Agostinho prova que Jesus é Deus assim como o Pai, sendo consubstancial (mesma substância) a Ele.

Aqueles que afirmaram que nosso Senhor Jesus Cristo não é Deus, ou que não é verdadeiro Deus, ou que não é um só Deus com o Pai, ou que não é imortal por ser mutável sejam convencidos de seu erro pelo claríssimo testemunho e pela afirmação unânime dos Livros santos, dos quais são estas palavras: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava em Deus, e o Verbo era Deus" (Jo.1.1). Está claro que nós reconhecemos o Verbo de Deus como o Filho único do Pai, do qual se diz depois: "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós" (Jo.1.14), em referência ao nascimento pela sua encarnação, ocorrida no tempo, tendo a Virgem como mãe.

Nessa passagem, o evangelista declara que o Verbo não é somente Deus, mas consubstancial ao Pai, pois, após dizer: "E o Verbo era Deus", acrescenta: "No princípio, ele estava com Deus. Tudo foi feito por ele e sem ele nada foi feito do que existe" (Jo.1.2-3). Diz "tudo", de modo a incluir tudo o que foi criado, ou seja, todas as criaturas. Consta aí claramente que não foi criado aquele por quem tudo foi criado. E se não foi criado, não é criatura, e se não é criatura, é consubstancial ao Pai. Toda substância que não é Deus, é criatura, e a que não é criatura, é Deus. E se o Filho não é consubstancial ao Pai, é uma substância criada; e se é uma substância criada, todas as coisas não foram feitas por ele. Ora, está escrito: "Tudo foi feito por ele"; portanto, é consubstancial ao Pai. Assim, não é somente Deus, mas verdadeiro Deus.

Bibliografia: A Trindade, Agostinho de Hipona, Editora Paulus

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Debate sobre a Teologia de Ricardo Gondim

2 comentários

Os e-mails abaixo foram trocados entre os membros da lista de e-mails do Caminho da Graça em Campinas, a respeito da meditação Deus e os Ídolos, de Ricardo Gondim. Este debate ainda não terminou e agora está sendo publicado para a participação de qualquer pessoa. Para participar basta escrever um comentário para esta postagem.

De: André Aloísio Oliveira da Silva
Para: Caminho da Graça em Campinas
Data: 29/04/2008, 12:40

Olá irmãos, graça e paz!

Eu creio que o Ricardo Gondim está equivocado em muita coisa do que afirma. Infelizmente o Deus dele, como o de muitos, tem sido afetado pela pós-modernidade e seu relativismo. Ironicamente há uns anos atrás ele mesmo escreveu um livro sobre pós-modernidade (Fim de Milênio: os Perigos e Desafios da Pós-Modernidade na Igreja) que dizem ser muito bom, apesar de eu não ter lido. Ultimamente a teologia dele está muito semelhante à Teologia do Processo, contra a qual o Caio escreveu em seu site, inclusive.

Parece que o Gondim tem dificuldade em relacionar duas verdades que são ensinadas por toda a Bíblia, e aparecem juntinhas em Isaías 57.15: "Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos".

Nessa passagem Deus afirma tanto Sua transcedência, sublimidade, grandeza e santidade quanto Sua imanência, amor, graça e misericórdia. O Deus imutável (não pela filosofia grega, mas por Sua Palavra: Ml.3.6; Tg.1.17) que está muito acima de qualquer criatura é o mesmo Deus que se despojou de Sua glória (Fp.2.5-7) e relacionou-se diretamente com a criação na pessoa de Seu Filho Jesus Cristo, a imagem do Deus invisível (Cl.1.15). Eu não preciso negar a transcedência de Deus e Seus atributos relacionados (inclusive a imutabilidade) para acreditar que Deus me ama, está interessado em minha vida e quer se relacionar comigo.

O Caio Fábio diz algo interessante em seu livro No Divã de Deus, no final de sua exposição sobre o Salmo 23, que podemos aplicar aqui. Ele fala sobre o Senhor e o Pastor, e como as pessoas têm dificuldade em enxergar simultaneamente esses dois aspectos de Deus. O Senhor que é soberano e a quem devemos adoração, honra e obediência é o Pastor, que se preocupa conosco e cuida de nossas necessidades. O Senhor é o Pastor e o Pastor é o Senhor, diz o Caio. Acho que isso relaciona bem essas duas visões de Deus aparentemente paradoxais.

Abraços!

Nele, que é o Leão da Tribo de Judá e o Cordeiro de Deus,

André Aloísio

O principal dos pecadores (I Tm.1.15)

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De: Silvio Marcos Begatti
Para: Caminho da Graça em Campinas
Data: 29/04/2008, 13:55

Olá André

Pelo que já li do Gondim não vejo nele uma negação do Deus transcendente, sublime e santo. O que verifico é uma preocupação do autor em apresentar o Deus esquecido entre os religiosos, que é esse de graça e misericórdia. Acontece que as características que atribuem tamanha grandeza de certo modo indefinível a Deus estão tão reforçadas pelos religiosos de sempre que é exatamente por isso que as pessoas se sentem distantes Dele e O vêem distante delas. É exatamente pelo fato de estarmos perante um Deus grandioso demais que a religião é reforçada, pois tal caracteristica da dinvindade nos induz não a uma relação com Ele, mas a uma religação no sentido de negarmos nossa humanidade para podemos chegar no grau onde o divino está. A partir daí as neuroses e culpas se instalam. O que a religião não ensina é que Deus só é gracioso, misericordiodo e está no meio de nós justamente por ser transcendente, sublime e santo.

Abraços

Silvio

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De: Silvana
Para: Caminho da Graça em Campinas
Data: 29/04/2008, 14:18

Perfeito Sílvio.Me identifiquei com suas palavras, que promovem
maturidade espiritual acerca do evangelho.

Abraço.

Silvana.

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De: Vitor Hugo Queiroz
Para: Caminho da Graça em Campinas
Data: 29/04/2008, 14:54

É Silvio, acho que você tirou as palavras da minha boca.

O texto do Gondim é mais como os religiosos vêem Deus.

A principio pode se acreditar que Gondim está diminuindo Deus, mas na verdade só está tentando mostrar mais sua "realidade" do que sua "teoria".

Nem sempre concordo com o Gondim, mas há de se dar o braço a torcer, que com a alma de poeta que ele tem, fala mais de Deus que os acadêmicos.

Vitor

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De: André Aloísio Oliveira da Silva
Para: Caminho da Graça em Campinas
Data: 29/04/2008, 15:02

Olá Silvio,

De fato, o Gondim não nega explicitamente a transcedência de Deus, mas em sua ênfase desproporcional ao amor, graça e misericórdia ele acaba diminuindo a ira, justiça e santidade de Deus, cometendo um erro tão grave quanto ao que ele condena. O ser humano gosta dos extremos e tem um problema enorme com o equilíbrio. O mesmo Deus que é amor é fogo consumidor. O Deus que ama e que salva é o que se ira e condena. Eu não creio que exista algum atributo de Deus maior que o outro, nem que exista alguma espécie de conflito entre eles. A maior prova disso é a morte de Cristo, que foi uma demonstração do amor (Jo.3.16) e da justiça (Rm.3.25-16) de Deus simultaneamente.

Mesmo não negando a transcedência de Deus, Gondim nega alguns dos Seus atributos, como a imutabilidade, afirmando ser uma idéia da filosofia grega. Mas uma vez que a Bíblia ensina a imutabilidade divina, o fato de os gregos também ensinarem não afeta em nada a minha fé. Eu creio que em Deus "não há mudança nem sombra de variação" (Tg.1.17) não por causa da filosofia grega, e sim pela Palavra de Deus.

Gondim acha importante negar a imutabilidade como é tradicionalmente ensinada porque não consegue conciliá-la com sua idéia de relacionamento entre Deus e o homem. Por isso no e-mail anterior eu fiz o constraste entre a transcedência e a imanência divina, porque a raiz do problema de Gondim é justamente uma dificuldade em relacionar essas duas verdades. Ele acredita que para Deus se relacionar verdadeiramente com o homem precisa ser afetado por este em Sua divindade. Esquece-se que a encarnação resolveu esse problema sem a necessidade de nenhuma mudança na natureza divina. Pois Cristo, ao assumir a natureza humana, tornou-se verdadeiro homem e continuou verdadeiro Deus, tornando-se o único mediador entre Deus e os homens, o Caminho que nos leva além do véu ao Santo dos santos e nos permite um verdadeiro relacionamento com Ele.

Que Deus te abençoe!

Um abraço!

André Aloísio
O principal dos pecadores (I Tm.1.15)

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De: Carlos Chrischner
Para: Caminho da Graça em Campinas
Data: 29/04/2008, 15:26

Vc está se referindo a este texto? Não entendi...

carlos chrischner

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De: Vitor Hugo Queiroz
Para: Caminho da Graça em Campinas
Data: 29/04/2008, 15:32

Oi André.

Entendo sua opnião sobre o Gondim e a Teologia Relacional.

Mas acho que não é isso que ele diz no texto.

O Foco do texto não necessariamente é esse. É mais sobre as comparações sobre Deus, segundo os fariseus, e Deus segundo Jesus.

Conheço os conceitos do Gondim sobre imutabilidade divina, mas aqui ele tece contra a noção aristotélica de imutabilidade, "Motor Imóvel". Não percebo muito de Teologia Relacional aqui.

Vitor

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De: André Aloísio Oliveira da Silva
Para: Caminho da Graça em Campinas
Data: 29/04/2008, 15:34

Olá Carlos,

Quando falo sobre a negação da imutabilidade de Deus pelo Gondim refiro-me a esse texto também, uma vez que ele a nega explicitamente no segundo parágrafo e implicitamente em outros.

Abraços,

André Aloísio
O principal dos pecadores (I Tm.1.15)

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De: André Aloísio Oliveira da Silva
Para: Caminho da Graça em Campinas
Data: 29/04/2008, 15:45

E aí Vitor, a paz!

O foco de Gondim neste texto pode não ser explicitamente a Teologia Relacional, mas como esta é a teologia adotada por ele, obviamente qualquer opinião dele sobre Deus, Jesus e seu relacionamento com o homem sofrerá influência de sua teologia. Este texto não foge à regra.

Não nego que este texto tenha algo de útil, mas o "background" relacional atrapalha bastante...

Fica na graça,

André Aloísio
O principal dos pecadores (I Tm.1.15)

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De: Carlos Chrischner
Para: Caminho da Graça em Campinas
Data: 29/04/2008, 15:54

Quanto ao Gondin creio que vc esteja certo, embora goste muito dele, existe certo paradoxo ou confusão em algumas de suas afirmações. Agora, quanto a explicar o relacionamento de Deus com o homem é saber Deus, é engolir o universo. Faça simples, viva simples!

Deus te abençoe

Abraço grande

Carlos Chrischner

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De: Vitor Hugo Queiroz
Para: Caminho da Graça em Campinas
Data: 29/04/2008, 16:07

Exato Carlos.

Excluindo as discordâncias com algumas teorias do Gondim, o texto em si carrega uma mensagem preciosa.

Tentemos analisar o texto por si, sem julgar quem o escreveu.

Que Deus abençoe a todos

Vitor

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De: Silvio Marcos Begatti
Para: Caminho da Graça em Campinas
Data: 29/04/2008, 17:29

André, abraços!

Vejo de outra maneira. Como eu disse no final do e-mail anterior, acho que quando o Gondim enfatiza o amor, graça e misericórdia ele acaba reforçando a ira, justiça e santidade de Deus. Isso porque tudo começa e termina na Cruz, onde o juízo foi estabelecido por causa do amor Dele por nós. A condenação do pecado na Cruz é fruto da misericórdia. Portanto, o que prevalece é a misericórdia sempre, por causa do juízo já estabelecido. O Deus que é amor, é também fogo que consome minhas neuras, complexos, medos. Acho que quando a Cruz passa a ser o nosso enfoque tudo se resolve, se reconcilia.

Silvio

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De: Marcelo Marini
Para: Caminho da Graça em Campinas
Data: 29/04/2008, 20:27

Olha,...

Eu não discordo das teorias do Gondim, não.
Discordo é das tentativas dele em teorizar sobre Deus.

É como o Crischner disse..."é saber Deus, é engolir o universo. Faça simples, viva simples!"

Deus é amor. Todo amor.
Tudo o que em mim mudou até hoje, mudou pelo constrangimento que o amor de Deus causou em mim. E pronto.
Temê-Lo não é ter medo Dele, não. É respeitar sua Palavra, que reafirma que Ele é nosso Pai, e não padrasto: "Filho meu...", diz o Senhor!
Toda vez que eu tentei segui-Lo pelo medo, ou tentando "encaixotá-Lo" naquilo que eu consigo entender, só dei com os burros n'água.

Faça simples, viva simples!, disse o Carlão.

É isso aí!

Abraços

Marcelo

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De: André Aloísio Oliveira da Silva
Para: Caminho da Graça em Campinas
Data: 30/04/2008, 10:37

E aí Silvio,

Concordo com quase tudo o que você disse. Na cruz vemos simultaneamente amor e justiça, salvação e juízo. Não concordo quando você diz que enfatizar o amor reforça a justiça, porque essas duas idéias não estão relacionadas na mente humana natural, apenas no evangelho. Nós só conhecemos essa relação quando conhecemos o evangelho, e essas idéias só podem ser relacionadas se ambas forem anunciadas. Portanto, se eu só pregar o amor de Deus sem mostrar o outro lado da moeda, a justiça não será reforçada, mas desprezada.

É importante dizer também que justiça e ira não são apenas demonstradas na cruz de Cristo. Isso seria verdadeiro se todos fossem salvos pelo Seu sacrifício expiatório, mas não é o que ocorre, porque nem todos crêem n'Ele. Por isso João diz: "Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, porém, desobedece ao Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus" (Jo.3.36). E Paulo afirma: "Pois do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça" (Rm.1.18). O inferno existe justamente para isso, um lugar para a plena manifestação da ira de Deus contra o pecado.

Por esses motivos eu acredito que a lei deve ser anunciada antes do evangelho. Pela lei vem o pleno conhecimento do pecado (Rm.3.20) e da justa ira de Deus contra ele, e só aqueles que estão conscientes disso buscarão refúgio em Cristo. Ele veio para os doentes (Mt.9.12-13) e só estes estão aptos para entender e receber o evangelho. Só alguém que ouviu sobre a justiça de Deus poderá entender e se maravilhar com o Seu amor.

Apenas para terminar, você escreveu sobre o fogo consumidor: "O Deus que é amor, é também fogo que consome minhas neuras, complexos, medos". O Deus que é amor faz tudo isso que você disse, mas a figura do fogo consumidor não é utilizada em Hebreus 12.29 para isso, como você sabe. O contexto é de exortação, como vemos no versículo 25: "Vede que não rejeiteis ao que fala; porque, se não escaparam aqueles quando rejeitaram o que sobre a terra os advertia, muito menos escaparemos nós, se nos desviarmos daquele que nos adverte lá dos céus". O autor continua e finalmente faz a afirmação de que o nosso Deus é fogo consumidor. Obviamente o fogo consumidor aqui significa juízo, não salvação.

Que Deus te abençoe grandemente irmão!

Abraços,

André Aloísio
O principal dos pecadores (I Tm.1.15)

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De: André Aloísio Oliveira da Silva
Para: Caminho da Graça em Campinas
Data: 30/04/2008, 11:04

Olá Marcelo, a paz!

Você não discorda das TEORIAS do Gondim, mas discorda de seus tentativas de TEORIZAR sobre Deus. Não entendi, não dá na mesma? rsrs

Sobre a afirmação "é saber Deus, é engolir o universo. Faça simples, viva simples!" eu concordo em certo sentido. Nós nunca iremos conhecer a Deus plenamente. Mas eu acredito que aquilo que Deus revela sobre Si mesmo pode ser conhecido verdadeiramente. Eu posso conhecer a Deus verdadeiramente, ainda que não possa conhecê-lo totalmente. Ele é o "Deus desconhecido" para os gregos, não para os cristãos.

Deus é todo amor sim. Ele também é todo justiça. Cada atributo de Deus não é uma parte de Deus, mas um aspecto de todo o Seu ser. Nós, que fomos feitos filhos de Deus quando recebemos o único Filho de Deus, conhecemos o amor de Deus de uma forma especial e não precisamos mais temer Sua ira. Deus nos trata como filhos. Qualquer disciplina visa nosso aperfeiçoamento, não nossa condenação, pois Cristo já sofreu em nosso lugar a pena pelos nossos pecados.

Agora, a realidade é bem diferente com aqueles que não recebem o Filho, como eu demonstrei no último e-mail para o Silvio. Eles não desfrutam do amor de Deus como nós, mas sim de Sua ira, neste mundo e no vindouro.

Por isso eu digo que as duas coisas devem ser anunciadas, tanto o amor de Deus quanto Sua justiça, como Jesus e os apóstolos fizeram. Voltando ao Gondim, creio que ele falha nesse aspecto e em outros, criando uma caricatura de Deus e não uma fotografia...

Que a graça seja contigo irmão!

Abraços,

André Aloísio
O principal dos pecadores (I Tm.1.15)

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De: Carlos Baldacin
Para: Caminho da Graça em Campinas
Data: 30/04/2008, 11:18

Gente...

Na boa, esse tipo de verborragia teológica não me faz a cabeça! Do contrário, me cansa!

No mais, a justiça, a ira, a santidade, e todos os milhares de atributos que agente possa dar a Deus, estão todos condicionados a Sua essência, que é AMOR.

O que disso passa, é apenas construção teológica. Inclusive, teologia é uma contradição. Ciência de Deus? Deus não se estuda.
AMOR não se estuda, antes, excede todo o entendimento!

Deus é imutável, é verdade, mas eu não sou. E a minha visão de Deus deve sempre estar submetida a Ele, pra que Ele a mude quando quiser. E é assim, vivendo e encarnando boas novas dEle o tempo todo, para que não sejamos "reformados" mas estejamos em constante processo de reforma até que ele venha.

Carlos

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De: Vitor Hugo Queiroz
Para: Caminho da Graça em Campinas
Data: 30/04/2008, 11:31

André.

Anunciar a Cruz é anunciar o Amor e a Justiça de Deus, pois como disseram, a Cristo foi entregue por amor e sofreu a Justiça que estava destinada a nós.

Conhecer a Deus verdadeiramente é conhecer a Deus na simplicidade, como disse o Carlos.

A lei foi o que foi, para o tempo em que ela era necessária, como um pedagogo, para a infantilidade na fé, e é apenas referenciada para mostrar o quanto é impossível segui-la por completo. Ou seja, não há como eu bancar a minha salvação pelas minhas obras, e aqui inclua-se a observância da Lei, pois isso também era obra para Paulo, mas apenas pela misericórdia de Deus.

Anunciar a Justiça é anunciar o Perdão, pois no perdão encontrado na Cruz eu vejo a Justiça e o Amor em plena aplicação. Deus me ama apesar do que eu sou, e se entregou para o sofrimento por esse Amor. Filhos da ira, ou Filhos do Perdão, somente Deus conhece.

O que cabe a mim , é caminhar entre o Joio e o Trigo, tendo consciência que eu mesmo não sei distinguir entre ambos, pois não sou eu quem os separa, mas Deus, anunciando a mensagem do Perdão e Reconcicliação do Evangelho, na esperança que quem é Trigo se fortaleça em Amor, e quem é Joio, se converta em Amor.

Que o inferno existe, ninguém dúvida, mas o medo dele nunca deve ser a motivação da nossa conversão.

Acho que acabei fugindo do assunto, mas é assim mesmo, o Vento sopra para onde quiser, e quem sou eu para dizer para onde Ele deve soprar...rsrsrsrsrs

Fica com Deus maninho

Na Graça

Vitor

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De: Vitor Hugo Queiroz
Para: Caminho da Graça em Campinas
Data: 30/04/2008, 11:38

Cadu mano, obrigado por clamar pela simplicidade

Valew

Vitor

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De: Silvio Marcos Begatti
Para: Caminho da Graça em Campinas
Data: 30/04/2008, 16:00

Não gosto de teorizar a Deus, como o Cadu disse. Acho que algumas discussões não nos edificam em nada. Só nos fazem entrar num campo onde cada um se engana, achando que pode estar edificando ao outro mas na verdade está apenas tentando reforçar suas certezas sobre Deus. Na minha época de "igreja" me cansei disso. Aliás essa pode até nem ser a motivação dos irmãos, mas eu me conheço e julgo por mim. Nos textos que escrevi apenas relatei o que Deus fala comigo hoje. E o que Ele fala pra mim é o seguinte: quem crê que realmente está feito, pago, consumado vive em paz com Deus e com os homens. Quem não crê nisso, vive com o sentimento de condenação latente na consciência e numa busca vã na tentativa de aliviá-la - pra mim é isso que significa João 3.36. E com relação ao Fogo Consumidor, não contextualizei a Bíblia, mas sim a minha vida, que é Dele.

Fiquem todos na Paz

Silvio

quarta-feira, 7 de maio de 2008

O Espírito Santo

Comente Aqui

Este artigo foi escrito por Lucas de Lima Gualda em agosto de 2003, para o Jornal O Caminho, um jornal evangelístico e discipulador, idealizado por André Aloísio e publicado de outubro de 2002 à novembro de 2003.

Vejamos o ensino bíblico a respeito do Espírito Santo:

O Espírito Santo é uma Pessoa, e não uma força ativa, como ensinam as Testemunhas de Jeová. A personalidade do Espírito Santo é bem clara nas Escrituras: Ele possui inteligência (João 16:13; Romanos 8:27; I Coríntios 2:10,11), vontade própria (I Coríntios 12:11), fala às igrejas (Apocalipse 2:7,11,17,29; 3:6,13,22), pode se entristecer (Efésios 4:30), intercede em favor dos crentes (Romanos 8:26,27) e proíbe (Atos 16:6), entre outras coisas.

O Espírito Santo é Deus. Ele é eterno (Hebreus 9:14), conhece todas as coisas (I Coríntios 2:10,11), se faz presente em todos os lugares (Salmos 139:7-10), assistia à Criação (Gênesis 1:1,2), é chamado de "o Senhor" (II Coríntios 3:17,18), torna o homem uma nova criatura (João 3:3-8) e por meio Dele somos salvos (Tito 3:5).

Obras do Espírito Santo: Ele convence o mundo do pecado, do que é justo e do julgamento de Deus (João 16:8-11), é o selo de que pertencemos a Deus (Efésios 1:13; 4:30), nos batiza de modo com que nos tornemos um só corpo, que é a Igreja de Jesus Cristo (I Coríntios 12:13), nos ensina toda a verdade (João 14:26; 16:13), testemunha a respeito de Cristo (I João 5:6-8), concede dons (I Coríntios 12:1,4) e habita no corpo dos crentes (I Coríntios 3:16; 6:19).

Responsabilidades do crente em relação ao Espírito Santo: fugir da imoralidade sexual, que é um pecado contra o templo do Espírito Santo (I Coríntios 6:18,19), não entristecê-lO (Efésios 4:30) e ser cheio Dele (Efésios 5:18).

terça-feira, 6 de maio de 2008

A Trindade Divina

17 comentários

Este artigo foi escrito por André Aloísio em outubro de 2003, para o Jornal O Caminho, um jornal evangelístico e discipulador, idealizado por André Aloísio e publicado de outubro de 2002 à novembro de 2003.

"Pois há três que dão testemunho no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um" (I João 5:7).

A Bíblia ensina que há somente um Deus. Mas também ensina que esse mesmo Deus é composto por três pessoas distintas: o Pai, o Filho (Jesus) e o Espírito Santo. A essa tri-unidade de Deus dá-se o nome de Trindade Divina.

A unidade de Deus é claramente ensinada na Bíblia (Deuteronômio 6:4; Efésios 4:6). Há no Ser divino apenas uma essência indivisível. Deus é um em Sua natureza constitucional.

A tri-pessoalidade de Deus também é ensinada nas Escrituras. A Bíblia apresenta cada uma das pessoas divinas como sendo Deus:

Pai- Toda a Escritura afirma ser Ele o Deus verdadeiro (João 6:27; Efésios 1:3,17; Filipenses 2:9; etc);

Filho- Jesus é chamado de Deus em diversas passagens bíblicas (João 1:1,18; 20:28; Romanos 9:5; Filipenses 2:5,6; Tito 2:13; I João 5:20; etc); recebe nomes divinos (Salmos 24:8-10 e I Coríntios 2:8; Isaías 9:6; Mateus 1:23; Apocalipse 1:8,17; 22:13; etc); exerce ofícios divinos: Criador (João 1:3; Colossenses 1:16), Preservador (Colossen-ses 1:17), Perdoador de pecados (Marcos 2:5,7,10; Lucas 7:49); apresenta atributos divinos: Onipotência (Mateus 8:26,27; 28:18; Hebreus 1:3; Apocalipse 1:8), Onisciência (João 1:47-51, 4:16-19,29, 6:64, 16:30), Onipresença (Mateus 18:20, 28:20; João 14:23; Efésios 1:23); recebe e aceita adoração (Mateus 2:11; 14:33; Lucas 24:52; João 5:22,23; Hebreus 1:6; etc);

Espírito Santo- O Espírito é apresentado na Bíblia como uma pessoa e não uma energia ou mera influência, pois apresenta características pessoais (I Coríntios 2:10,11; Romanos 8:27; I Coríntios 12:11; Romanos 15:30; etc) e atos pessoais (Apocalipse 2:7; Gálatas 4:6; João 15:26; Romanos 8:26; João 14:26; etc). Também é apresentado como Deus: recebe nomes divinos (Atos 5:3,4; II Coríntios 3:18; etc) e atributos divinos: Eternidade (Hebreus 9:14), Onipotência (Lucas 1:35), Onisciência (I Coríntios 2:10,11) e Onipresença (Salmos 139:7-10).

Apesar de serem o mesmo Deus, as três pessoas da Divindade são distintas. A Bíblia deixa bem clara essa distinção. Em Mateus 3:16,17, quando Jesus é batizado, o Espírito Santo desce sobre Ele como uma pomba e, ao mesmo tempo, o Pai fala dos céus. E em outras passagens Jesus se refere ao Pai e ao Espírito como pessoas diferentes de si mesmo (João 14-17). Isso mostra que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são pessoas diferentes.

À luz da doutrina da Trindade passagens antes obscuras são claramente compreendidas. Em Gênesis 1:26, por exemplo, ao decidir criar o homem, Deus diz: "Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança...". Deus fala com outras pessoas na 1ª pessoa do plural, o que indica que essas outras pessoas também participariam da criação do homem. Essa passagem só tem uma explicação com a doutrina da Trindade. Levando-se em consideração a verdade bíblica de que só Deus criou o homem, temos que concluir, logicamente, que essas outras pessoas participantes da criação do homem também são Deus. Da mesma forma, alguns termos bíblicos só podem ser entendidos com a doutrina da Trindade. O nome "Deus" no idioma original, o hebraico, é Elohim. Elohim é uma palavra plural e não concorda com os verbos no singular utilizados para com ela. Apesar da forma plural, Elohim (Deus) é apresentado como um único Deus. Esse fato só pode ser explicado com a doutrina da Trindade.

Assim, a doutrina da Trindade é explanada em toda a Bíblia, direta e indiretamente, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, de modo a não deixar dúvidas. Só há um Deus, composto por três pessoas distintas, mas unidas na mesma essência divina.

Apesar de ser uma doutrina bíblica, a Trindade Divina é negada por muitos grupos que se dizem cristãos. Alguns negam a unidade da Trindade, afirmando que cada pessoa divina é um deus diferente, e não um único Deus. Outros, negam a tri-personalidade de Deus, afirmando que as três pessoas divinas são apenas três modos de parecer do mesmo Deus, três pseudônimos de uma mesma pessoa. Outros, ainda, negam a divindade de Jesus e do Espírito Santo, afirmando que só o Pai é o Deus verdadeiro, sendo o Filho e o Espírito criaturas subordinadas a Ele. Porém, todas essas posições são distorções da Palavra de Deus e devem ser rejeitadas por todos aqueles que se professam cristãos ou que desejam a salvação.

domingo, 4 de maio de 2008

A Eucaristia para Luteranos, Reformados e Católicos

12 comentários

O e-mail abaixo é uma resposta ao e-mail de uma pessoa desconhecida que me fez algumas questões teológicas e históricas, duas das quais referem-se à Ceia do Senhor e às diferentes visões a respeito.

Olá, boa tarde!

Neste e-mail responderei apenas a primeira e última pergunta, devido ao tempo e por estarem relacionadas. As outras perguntas responderei aos poucos, conforme minha possibilidade.

1) Se, tal como o Luteranismo, o Calvinismo assenta as suas bases na soberania de Deus através das Escrituras, por que razão então os calvinistas não crêem no fenômeno da consubstanciação?

A doutrina luterana da consubstanciação não está fundamentada na soberania de Deus, mas na ubiqüidade do corpo de Cristo. Lutero acreditava que os atributos da natureza divina de Cristo foram comunicados à Sua natureza humana, inclusive a onipresença, de tal forma que o corpo de Cristo pode estar presente em mais de um lugar ao mesmo tempo (ubiqüidade). Por isso, o corpo e o sangue de Cristo estão presentes juntamente com o pão e o vinho na Eucaristia* (consubstanciação).

Os calvinistas não aceitam a doutrina da ubiqüidade do corpo de Cristo e, por conseqüência, não aceitam a consubstanciação. Para Calvino, a natureza humana de Cristo é em tudo semelhante à nossa, com exceção do pecado, sendo impossível para ela a onipresença. Não ocorreu comunicação de atributos divinos à natureza humana. Como Cristo subiu aos céus, em Sua natureza humana Ele não está mais entre nós, e sim assentado à direita de Deus Pai, como nos diz o Credo Apostólico. Por isso, é impossível que o corpo e o sangue de Cristo estejam presentes literalmente na Eucaristia.

Essa é a diferença essencial entre luteranos e calvinistas no que se refere à Eucaristia. Lutero queria entender as palavras de Cristo "isto é o meu corpo" de forma literal e para isso teve que afirmar a ubiqüidade do corpo de Cristo. Zwínglio e Calvino, com algumas diferenças, entendiam essas palavras figuradamente, crendo que o pão e o vinho eram apenas símbolos ou sinais do corpo e do sangue de Cristo. Cristo está presente na Eucaristia, mas apenas espiritualmente, em Sua natureza divina, já que a natureza humana está nos céus. Aqueles que participam da Eucaristia se alimentam de Cristo num sentido espiritual, pela fé.

Eu particularmente entendo a Eucaristia como Zwínglio e Calvino. Afirmar a literalidade das palavras da instituição "isto é o meu corpo, isto é o meu sangue" ignora a simplicidade das palavras de Jesus, gera muita especulação e pode levar a heresias, como a doutrina católica da transubstanciação. Jesus usava uma linguagem bastante figurada e devemos ter isso em mente ao interpretar Suas palavras. Eu não acredito, por exemplo, que Jesus seja uma porta literalmente, apesar de Ele ter dito que era a "porta das ovelhas" (Jo.10.7,9). Nem que Ele seja um pão real, embora Ele tenha dito que é o "pão vivo que desceu dos céus" (Jo.6.51).

5) Por que os protestantes rechaçam a idéia de que o pão e o vinho tenham se transformado em corpo e sangue de Cristo durante a consagração da Eucaristia ao longo da missa?

A doutrina segundo a qual o pão e o vinho se transformam literalmente em corpo e sangue de Cristo é a transubstanciação, que eu mencionei acima. Os protestantes rejeitam essa doutrina como heresia por causa do absurdo de afirmar-se uma transformação dessa espécie e devido aos problemas que ela acarreta, como a idolatria e a negação da suficência do sacrifício de Cristo.

Essa transformação é absurda porque o pão e o vinho, após a consagração, continuam sendo pão e vinho. Se eles se transformassem no corpo e no sangue de Cristo deveriam mudar sua aparência, gosto e odor. Mas isso não ocorre. Os católicos, desde Tomás de Aquino, tentam explicar esse fato apelando a Aristóteles e sua teoria sobre as transformações e seus "acidentes". Mas como essa teoria é extremamente especulativa e sem sentido, de modo que não explica nada, acabam dizendo que a transubstanciação é um mistério que deve ser recebido pela fé. Seria mais fácil admitir que as palavras de Jesus, ao instituir a Eucaristia, eram figuradas, como a maioria dos protestantes faz.

A idolatria ocorre porque, segundo a doutrina da transubstanciação, quando o pão e o vinho se transformam no corpo e no sangue de Cristo, eles passam a ser o próprio Cristo (corpo, sangue, alma e divindade), dignos de adoração, portanto. Mas a Bíblia proíbe a idolatria em diversos lugares (Ex.20-1-5; Dt.4.9-18).

A negação da suficiência do sacrifício de Cristo ocorre porque, de acordo com esta doutrina, a Eucaristia é um outro sacrifício de Cristo, que é oferecido todos os domingos, na missa, pelo sacerdote. A Bíblia, no entanto, nos ensina que o sacrifício de Cristo foi único, oferecido uma vez por todas na cruz, e tal sacrifício é suficiente para salvar os pecadores de todos os seus pecados (Hb.7.26-27; 9.11-28; 10.1-18).

Espero que tenha ficado claro.

Que a graça do Senhor Jesus Cristo seja contigo!

Abraços,

André Aloísio
O principal dos pecadores (I Tm.1.15)

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* Eucaristia: Ceia do Senhor

 

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