quinta-feira, 17 de abril de 2008

Debate Sobre a Natureza e Interpretação da Bíblia (Parte 1)

3 comentários

Parte: [1] [2]

Os e-mails abaixo foram trocados entre mim e meu amigo Vitor Hugo Queiroz, mentor espiritual (pastor) do Caminho da Graça em Campinas, movimento idealizado e organizado por Caio Fábio D’Araújo Filho.

De: André Aloísio Oliveira da Silva
Para: Vitor Hugo Queiroz
Data: 26/03/2008, 14:17

E aí Vitor, a paz! Tudo bom?

Conforme você tinha dito no último e-mail, sobre continuarmos aquelas conversas e discussões teológicas que costumávamos ter, decidi escrever este e-mail para iniciarmos mais uma dessas conversas, rsrs.

Nos últimos dias estive lendo mais sobre Martinho Lutero e sua concepção das Escrituras. Para Lutero, nem tudo na Bíblia era igualmente importante, e certos livros eram até mesmo duvidosos, como a Epístola de Tiago, por exemplo. Isso porque para Lutero havia um "cânon dentro do Cânon", isto é, dentro da própria Bíblia havia uma regra segundo a qual toda a Bíblia deveria ser interpretada, e esta regra é Cristo e o Evangelho. Lutero não considerava a Bíblia como sinônimo de Palavra de Deus, porque a Palavra de Deus estava acima da letra e era o próprio Cristo e o Evangelho. Isso pode ser lido no livro História da Teologia Cristã, de Roger Olson, no capítulo sobre Lutero.

Como nós já conversamos sobre isso uma vez e você tem uma concepção sobre o assunto igual à do Caio Fábio, que por sua vez lembra o ensino neo-ortodoxo de Karl Barth, decidi trazer o assunto à nossa discussão novamente. Devo confessar que eu estava errado na época, por considerar a concepção do Caio derivada da neo-ortodoxia, porque, como pude aprender, essa idéia das Escrituras surgiu com Lutero. Parece que nesse aspecto o Caio Fábio foi mais influenciado pela teologia luterana do que pela reformada.

Eu não estou muito certo sobre a exata compreensão de Caio sobre o assunto, por isso também iniciei esta conversa. Pelo que li no site dele, ele defende um método cristológico de interpretação das Escrituras, onde tudo deve ser interpretado à luz do ensino de Jesus e do evangelho. Posso estar errado, mas isso me lembra a idéia do "cânon dentro do Cânon", de Lutero. Minha pergunta para iniciar a discussão é a seguinte: quais as implicações práticas desse método de interpretação? Para Caio, todos os livros da Bíblia são, de fato, Palavra de Deus e inspirados por Deus? Alguns ensinos de Paulo e de outros apóstolos não seriam obrigatórios por não fazerem parte do "evangelho" ou do "ensino de Jesus"?

Que Deus te abençoe grandemente!

Abraços,

André Aloísio

De: Vitor Hugo Queiroz
Para: André Aloísio Oliveira da Silva
Data: 27/03/2008, 11:33

André, tudo bem Graças a Deus.

Bom indo direto as questões.

Sim, nesse ponto o Caio e Lutero tem pensamentos muito semelhantes, uma vez que para ambos a chave hermeneutica para interpretação das Escrituras é o Cristo e seus ensinamentos.

Embora tenhamos quatro "evangelhos" o Evangelho é um só, e esta abordado nos quatro livros escritos sobre óticas diferentes, para publicos diferentes. Basta ler qualquer livro bom de teologia e isso é logo salientado.

Toda a Biblia é inspirada por Deus, disso o Caio nunca discorda nem discordou. No entanto, ela é inspirada, e não escrita por Deus. Quando Deus inspira os escritores, ele inputa no texto a essência do seu Espirito e vontade, mas o texto também é fruto da cultura e época de seu escritor.

Tomemos o livro de Deuteronomio por exemplo, ou mesmo o livro de Levítico. Ambos foram inspirados por Deus, mas são impraticáveis no dia de hoje. Se voce olhar pela lente Cristológica, verá que os ritos e leis descritos nos livros eram apenas uma "sombra do que havia de vir", segundo Paulo, e nisso ele falava sobre Jesus.

Em Cristo muita coisa da Lei e dos profetas caducou, por não ter mais aplicação depois dele, por ser apenas um indicativo do que estaria por vir. É por isso que não apedrejamos mais prostitutas, cortamos nossa barba, etc.

Em Cristo eu posso entender a indicação de Paulo as mulheres de Corinto, para que não falassem nas assembleias, como algo circunstancial e cultural, que era necessário no momento, mas que nem sempre encontra aplicativo em nossos dias.

Tudo o que os apóstolos escreveram, tem como base o Evangelho, e seus aplicativos práticos nas suas respectivas comunidades, então tudo que tem por base o Evangelho, vem de Deus, disso não há dúvida.

O Fato, é que depois que se reconhece o Cristo ressurreto,e a Graça do Evangelho, tem que se voltar atras e reler as escrituras, que foi o que Paulo fez, relendo tudo segundo o olhar de Cristo e não segundo sua tradição de Fariseu, isso ele explica muito bem em Romanos.

Em Corintios ele tece sobre a deficiencia dos Judeus, que embora lessem moisés não o liam segundo Cristo. Dai ele dizer "ainda hoje quando eles lêem moisés, um véu ainda repousa sobre sua face".

O Caio acredita, que a Bíblia é a palavra de Deus, numa forma propositiva, mas que Cristo é a encarnação da Palavra ou Verbo, e Ele é a Palavra viva. Ou seja, não é a Bíblia que interpreta Jesus, é Jesus que interpreta a Bíblia, pois Jesus é infinitamente maior que a Palavra escrita.

Embora os evangelhos tenham me mostrado a veia histórica da manifestação do Verbo, e me indicado o caminho para encontra-Lo, uma vez Ele encontrado, eu volto e revejo tudo o que eu li, segundo a Vida e Ensinamentos de Jesus.

Os apóstolos nem sempre tiveram um canon, mas sempre tiveram o Evangelho com eles.

Pois sabiam que em Jesus, Deus tem um rosto, atitudes que podem ser assimiladas pela psique humana.

Se eu quero saber como Deus pensa sobre determinado assunto, é só olhar como Jesus tratou esse mesmo assunto, visto que ele é a encarnação do Deus invisível, como dizia Paulo.

aqui vc encontra um texto do Caio, chamado a doença do véu, onde ele trata isso.

Acho q por enquanto é só, mas não necessariamente o fim da discussão

Abraços

Vitor

De: André Aloísio Oliveira da Silva
Para: Vitor Hugo Queiroz
Data: 28/03/2008, 13:13

E aí Vitor, a paz!

Vou comentar um pouco o seu e-mail e fazer mais algumas perguntas, antes de expor meu entendimento sobre o assunto. Já adianto que eu também creio numa hermenêutica cristológica (ou cristocêntrica), mas eu creio que minha concepção disso seja diferente da sua, do Caio e de Lutero. Mas vamos lá.

Embora tenhamos quatro “evangelhos” o Evangelho é um só, e esta abordado nos quatro livros escritos sobre óticas diferentes, para publicos diferentes. Basta ler qualquer livro bom de teologia e isso é logo salientado.

Correto, o evangelho é uma mensagem e não um livro. Quanto a isso, estou de acordo.

Toda a Biblia é inspirada por Deus, disso o Caio nunca discorda nem discordou. No entanto, ela é inspirada, e não escrita por Deus. Quando Deus inspira os escritores, ele inputa no texto a essência do seu Espirito e vontade, mas o texto também é fruto da cultura e época de seu escritor.

Nessa parte eu fiquei com uma dúvida. O que você quis dizer com a Bíblia "é inspirada, e não escrita por Deus"? Você depois explica que Deus "imputa no texto a essência do seu Espírito e vontade", mas essa também foi outra expressão que eu não entendi perfeitamente. Você quer dizer que apenas as idéias foram inspiradas por Deus, mas não as palavras utilizadas? A propósito, você e o Caio aceitam a inspiração verbal-plenária, a infabilidade e a inerrância das Escrituras? Quanto ao texto também ser fruto do contexto cultural e histórico do autor humano, concordo perfeitamente. A Bíblia tem seu aspecto divino e humano.

Tomemos o livro de Deuteronomio por exemplo, ou mesmo o livro de Levítico. Ambos foram inspirados por Deus, mas são impraticáveis no dia de hoje. Se voce olhar pela lente Cristológica, verá que os ritos e leis descritos nos livros eram apenas uma “sombra do que havia de vir”, segundo Paulo, e nisso ele falava sobre Jesus.

Em Cristo muita coisa da Lei e dos profetas caducou, por não ter mais aplicação depois dele, por ser apenas um indicativo do que estaria por vir. É por isso que não apedrejamos mais prostitutas, cortamos nossa barba, etc.

Concordo perfeitamente e já adianto que minha "hemenêutica cristológica" tem muita relação com isso. Creio que o A.T. deve ser interpretado à luz do N.T., tendo como ponto de referência (ou chave hermenêutica, como quiser) Jesus Cristo.

Em Cristo eu posso entender a indicação de Paulo as mulheres de Corinto, para que não falassem nas assembleias, como algo circunstancial e cultural, que era necessário no momento, mas que nem sempre encontra aplicativo em nossos dias.

Tudo o que os apóstolos escreveram, tem como base o Evangelho, e seus aplicativos práticos nas suas respectivas comunidades, então tudo que tem por base o Evangelho, vem de Deus, disso não há dúvida.

O Fato, é que depois que se reconhece o Cristo ressurreto,e a Graça do Evangelho, tem que se voltar atras e reler as escrituras, que foi o que Paulo fez, relendo tudo segundo o olhar de Cristo e não segundo sua tradição de Fariseu, isso ele explica muito bem em Romanos.

Em Corintios ele tece sobre a deficiencia dos Judeus, que embora lessem moisés não o liam segundo Cristo. Dai ele dizer “ainda hoje quando eles lêem moisés, um véu ainda repousa sobre sua face”.

Nesse ponto eu fiquei com uma dúvida também. Não é nada que esteja explícito no texto, pois com o texto em si eu concordo plenamente. No entanto, me parece que tem algo implícito aqui, e gostaria que você me esclarecesse. Qual a sua visão sobre a autoridade das epístolas dos apóstolos? Elas têm a mesma autoridade que as palavras ditas por Jesus nos evangelhos? É possível que um apóstolo, ao escrever uma epístola, errasse em algum assunto, passasse como doutrina fundamental algo que fosse secundário ou falasse algo contrário ao "espírito do evangelho"?

O Caio acredita, que a Bíblia é a palavra de Deus, numa forma propositiva, mas que Cristo é a encarnação da Palavra ou Verbo, e Ele é a Palavra viva. Ou seja, não é a Bíblia que interpreta Jesus, é Jesus que interpreta a Bíblia, pois Jesus é infinitamente maior que a Palavra escrita.

Embora os evangelhos tenham me mostrado a veia histórica da manifestação do Verbo, e me indicado o caminho para encontra-Lo, uma vez Ele encontrado, eu volto e revejo tudo o que eu li, segundo a Vida e Ensinamentos de Jesus.

Os apóstolos nem sempre tiveram um canon, mas sempre tiveram o Evangelho com eles.

Pois sabiam que em Jesus, Deus tem um rosto, atitudes que podem ser assimiladas pela psique humana.

Se eu quero saber como Deus pensa sobre determinado assunto, é só olhar como Jesus tratou esse mesmo assunto, visto que ele é a encarnação do Deus invisível, como dizia Paulo.

Mais dúvidas aqui, rsrs. Quanto a Jesus ser maior do que a Palavra escrita não há dúvidas. No entanto, se a Bíblia não interpreta Jesus, só Jesus é quem interpreta a Bíblia e, no entanto, a Bíblia é o único lugar onde eu posso ler sobre Jesus, como fica essa relação? Como eu posso saber qual o "espírito do evangelho" ou conhecer Jesus sem a Bíblia? Você disse que os evangelhos mostram a veia histórica da manifestação do Verbo e, uma vez que O tenha encontrado, relê tudo à luz de Sua vida e ensinamentos. O que significa esse "encontro" com o Verbo para você?

Os apóstolos realmente não tinha um cânon, uma Bíblia bonitinha e prontinha, mas tinham conhecido Jesus, conheciam o evangelho e tinham o dever de anunciá-lo e registrá-lo para as gerações seguintes. Os pais da igreja e outros cristãos pós-apóstolicos não conheceram Jesus pessoalmente. Como então eles conheceram o evangelho? Através dos evangelhos escritos, das cartas dos apóstolos e da tradição oral, que era a "Bíblia" que eles tinham. Desde que Jesus morreu e subiu aos céus, e os apóstolos morreram, a nossa única fonte de informação sobre Jesus é a Bíblia.

Bom, essas são minhas perguntas e comentários. Assim que eu tiver uma idéia clara do que você crê sobre o assunto, eu exponho minha própria visão para que você questione e contrarie, caso necessário.

Que Deus te abençoe!

Abraços,

André Aloísio

De: Vitor Hugo Queiroz
Para: André Aloísio Oliveira da Silva
Data: 29/03/2008, 12:47

E aí Vitor, a paz!

A paz maninho, vou comentar em baixo do que vc escreveu como vc fez comigo ok

Vou comentar um pouco o seu e-mail e fazer mais algumas perguntas, antes de expor meu entendimento sobre o assunto. Já adianto que eu também creio numa hermenêutica cristológica (ou cristocêntrica), mas eu creio que minha concepção disso seja diferente da sua, do Caio e de Lutero. Mas vamos lá.

Embora tenhamos quatro “evangelhos” o Evangelho é um só, e esta abordado nos quatro livros escritos sobre óticas diferentes, para publicos diferentes. Basta ler qualquer livro bom de teologia e isso é logo salientado.

Correto, o evangelho é uma mensagem e não um livro. Quanto a isso, estou de acordo.

Toda a Biblia é inspirada por Deus, disso o Caio nunca discorda nem discordou. No entanto, ela é inspirada, e não escrita por Deus. Quando Deus inspira os escritores, ele inputa no texto a essência do seu Espirito e vontade, mas o texto também é fruto da cultura e época de seu escritor.

Nessa parte eu fiquei com uma dúvida. O que você quis dizer com a Bíblia "é inspirada, e não escrita por Deus"? Você depois explica que Deus "imputa no texto a essência do seu Espírito e vontade", mas essa também foi outra expressão que eu não entendi perfeitamente. Você quer dizer que apenas as idéias foram inspiradas por Deus, mas não as palavras utilizadas? A propósito, você e o Caio aceitam a inspiração verbal-plenária, a infabilidade e a inerrância das Escrituras? Quanto ao texto também ser fruto do contexto cultural e histórico do autor humano, concordo perfeitamente. A Bíblia tem seu aspecto divino e humano.

Quando escrevi o texto, estava com essa mesma idéia que você citou acima, do aspecto humano e divino da bíblia. Quando digo que a essencia de Deus está impressa nos textos, digo isso mesmo. O autor escolheu as palavras para expressar o que Deus colocou no coração dele. Salvo algumas exceções, onde está explicito que Deus mandou reproduzir as palavras dele("Assim diz o Senhor..."). Sim a Bíblia ou Canon, expressa a Verdade, entãso não há como nela haver falhas, ela pode estar mal interpretada, mas nunca errada.

Tomemos o livro de Deuteronomio por exemplo, ou mesmo o livro de Levítico. Ambos foram inspirados por Deus, mas são impraticáveis no dia de hoje. Se voce olhar pela lente Cristológica, verá que os ritos e leis descritos nos livros eram apenas uma “sombra do que havia de vir”, segundo Paulo, e nisso ele falava sobre Jesus.

Em Cristo muita coisa da Lei e dos profetas caducou, por não ter mais aplicação depois dele, por ser apenas um indicativo do que estaria por vir. É por isso que não apedrejamos mais prostitutas, cortamos nossa barba, etc.

Concordo perfeitamente e já adianto que minha "hemenêutica cristológica" tem muita relação com isso. Creio que o A.T. deve ser interpretado à luz do N.T., tendo como ponto de referência (ou chave hermenêutica, como quiser) Jesus Cristo.

Em Cristo eu posso entender a indicação de Paulo as mulheres de Corinto, para que não falassem nas assembleias, como algo circunstancial e cultural, que era necessário no momento, mas que nem sempre encontra aplicativo em nossos dias.

Tudo o que os apóstolos escreveram, tem como base o Evangelho, e seus aplicativos práticos nas suas respectivas comunidades, então tudo que tem por base o Evangelho, vem de Deus, disso não há dúvida.

O Fato, é que depois que se reconhece o Cristo ressurreto,e a Graça do Evangelho, tem que se voltar atras e reler as escrituras, que foi o que Paulo fez, relendo tudo segundo o olhar de Cristo e não segundo sua tradição de Fariseu, isso ele explica muito bem em Romanos.

Em Corintios ele tece sobre a deficiencia dos Judeus, que embora lessem moisés não o liam segundo Cristo. Dai ele dizer “ainda hoje quando eles lêem moisés, um véu ainda repousa sobre sua face”.

Nesse ponto eu fiquei com uma dúvida também. Não é nada que esteja explícito no texto, pois com o texto em si eu concordo plenamente. No entanto, me parece que tem algo implícito aqui, e gostaria que você me esclarecesse. Qual a sua visão sobre a autoridade das epístolas dos apóstolos? Elas têm a mesma autoridade que as palavras ditas por Jesus nos evangelhos? É possível que um apóstolo, ao escrever uma epístola, errasse em algum assunto, passasse como doutrina fundamental algo que fosse secundário ou falasse algo contrário ao "espírito do evangelho"?

Os evangelhos eram as narrativas da vida e ensinamentos de Jesus, carregavam o Evangelho em si, as epístolas, são as tentativas dos apóstolos de vivenciar essa Verdade, aplicando-a nos mais diversos contextos. Não existe nada de errado nas epístolas ou no livro de Atos, mas existem sim expressões culturais do contexto do escritor. Tem pessoas que hoje acreditam que deve ser como era em Corinto. É o que "está escrito", mas não necessariamente é o que "está dito". Um apóstolo em sua epístola, se é inspirado, não pode dizer nada que seja contra o "espirito do evangelho", mas as cartas assim como todo o resto devem ser analisadas à luz de Jesus, do Verbo encarnado. Mais uma vez, não existem erros nas epístolas, existem sim más interpretações, que não conseguem diferenciar o que é circunstancial do que é fundamental.

O Caio acredita, que a Bíblia é a palavra de Deus, numa forma propositiva, mas que Cristo é a encarnação da Palavra ou Verbo, e Ele é a Palavra viva. Ou seja, não é a Bíblia que interpreta Jesus, é Jesus que interpreta a Bíblia, pois Jesus é infinitamente maior que a Palavra escrita.

Embora os evangelhos tenham me mostrado a veia histórica da manifestação do Verbo, e me indicado o caminho para encontra-Lo, uma vez Ele encontrado, eu volto e revejo tudo o que eu li, segundo a Vida e Ensinamentos de Jesus.

Os apóstolos nem sempre tiveram um canon, mas sempre tiveram o Evangelho com eles.

Pois sabiam que em Jesus, Deus tem um rosto, atitudes que podem ser assimiladas pela psique humana.

Se eu quero saber como Deus pensa sobre determinado assunto, é só olhar como Jesus tratou esse mesmo assunto, visto que ele é a encarnação do Deus invisível, como dizia Paulo.

Mais dúvidas aqui, rsrs. Quanto a Jesus ser maior do que a Palavra escrita não há dúvidas. No entanto, se a Bíblia não interpreta Jesus, só Jesus é quem interpreta a Bíblia e, no entanto, a Bíblia é o único lugar onde eu posso ler sobre Jesus, como fica essa relação? Como eu posso saber qual o "espírito do evangelho" ou conhecer Jesus sem a Bíblia? Você disse que os evangelhos mostram a veia histórica da manifestação do Verbo e, uma vez que O tenha encontrado, relê tudo à luz de Sua vida e ensinamentos. O que significa esse "encontro" com o Verbo para você?

Os apóstolos realmente não tinha um cânon, uma Bíblia bonitinha e prontinha, mas tinham conhecido Jesus, conheciam o evangelho e tinham o dever de anunciá-lo e registrá-lo para as gerações seguintes. Os pais da igreja e outros cristãos pós-apóstolicos não conheceram Jesus pessoalmente. Como então eles conheceram o evangelho? Através dos evangelhos escritos, das cartas dos apóstolos e da tradição oral, que era a "Bíblia" que eles tinham. Desde que Jesus morreu e subiu aos céus, e os apóstolos morreram, a nossa única fonte de informação sobre Jesus é a Bíblia.

Não sou contra a Bíblia, e é óbvio que ela me indica sobre jesus, me mostra o caminho para o Caminho. No entanto a simples leitura da Bíblia, não te leva a compreensão do Verbo. Se assim fosse a maioria do mundo contemporâneo seria Cristão msm, já que a Bíblia é o livro mais vendido do mundo. Ler a Bíblia, ou as escrituras ou as cartas é um exercício de reflexão. A mensagem só é assimilada quando ganha significado dentro de nós ("a Lei escrita no coração").

Concordo que depois da morte dos apóstolos a Biblia é a nossa fonte de informação sobre Jesus, mas no entanto Jesus nunca quis que fossemos a "religião do livro" com os Judeus foram. Se prender apenas na letra, procurando por concordancias e obediencia inscocientemente cega, nos faz viver apenas pela letra e não pelo espírito, e corremos o risco de virarmos Bibliolátras e não Cristãos. Os apóstolos não precisavam abrir um Bíblia para falar, pq tudo estava no coração. Se eu entender a mensagem do perdão e da minha insuficiencia eu poderia entender o sermão do monte sem nunca te-lo lido. Não estou dispensando aqui a leitura da Bíblia, estou apenas pedindo para que não se viva pela letra.

Se Jesus é maior que a bíblia então ele a interpreta. Se ela me leva a Ele e fica dificil entender essa relação, então...paciência. A essência da Graça é e sempre será paradoxal, Deus não precisa atender nossas necessidades lógicas de explicação. Viver pela fé também é crer quando tudo diz o contrário.

Bom, essas são minhas perguntas e comentários. Assim que eu tiver uma idéia clara do que você crê sobre o assunto, eu exponho minha própria visão para que você questione e contrarie, caso necessário.

Que Deus te abençoe!

Deus te abençoe tb maninho, apareça um dia para a gente trocar informações ao vivo, vai ser legal

Comentários

3 comentários em "Debate Sobre a Natureza e Interpretação da Bíblia (Parte 1)"

Mozart disse...
26 de abril de 2008 21:38

Parabéns

Que dialogo produtivo,com tolerancia e argumentos,jamais demonstrando que os homens envolvidos estavam em luta,mas compreensões...Estou cansado de gente que em nome do zêlo parece odiar...Deus abençoe vcs.
Mozart

Vitor disse...
28 de abril de 2008 15:07

Obrigado Mozart.
Tentamos buscar sempre um enriquecimento mútuo pela compreensão de nossas posições individuais.

Vitor

André Aloísio disse...
28 de abril de 2008 23:27

Olá Mozart, graça e paz!
Obrigado pelo comentário. Eu creio que é possível debater sem ofender, como tem acontecido nesse debate. É possível ter zelo por Deus sem perder o respeito e amor pelo irmão. Sei que o Vitor pensa da mesma forma, razão pelo qual o debate está nesse nível.
Que Deus continue te abençoando!
Abraços!

 

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