quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Leitura Bíblica Anual em 2009

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"Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo o dia!" (Sl.119.97)

Assim como tenho feito todos os anos, estarei iniciando em 2009 uma leitura bíblica anual, de Gênesis a Apocalipse. Convido todos os leitores deste blog a empreenderem essa emocionante jornada junto comigo. Lendo apenas 3 capítulos nos dias da semana e 4 capítulos aos sábados e domingos é possível terminar a leitura em um ano. Assuma esse compromisso consigo mesmo, comentando esta postagem.

A soberania de Deus sobre os ímpios, segundo Calvino

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Quando não entendemos como Deus quer que se faça aquilo que proíbe fazer, lembremo-nos de nossa fraqueza e, ao mesmo tempo, consideremos que não é em vão que a luz em que habita é chamada de inacessível, pois está oculta nas trevas [I Tm.6.16]. Portanto, com facilidade concordarão com a sentenção de Agostinho todos os homens devotos e moderados: algumas vezes o homem, com boa vontade, quer algo que Deus não quis, como quando o bom filho quer o pai vivo e Deus o quer morto. Ao contrário, pode acontecer que o homem queira com vontade má o mesmo que Deus quis com vontade boa, como quando o mau filho quer o pai morto e Deus também o quer. Seguramente o primeiro filho quis algo que Deus não quis, e o outro verdadeiramente quis aquilo que Deus quis. Entretanto, a piedade daquele está mais em harmonia com a vontade boa de Deus, mesmo ao querer outra coisa, do que a impiedade deste, ao querer o mesmo. O que importa, para haver aprovação ou desaprovação, é o que concorda com Deus e o que quer o homem, segundo o fim para o qual a vontade de cada qual é dirigida. Assim, o bem que Deus quis, executou-o pela vontade má do homem mau. Aliás, um pouco antes, Agostinho dissera que, com suas revoltas, os anjos apóstatas e todos os réprobos, no que diz respeito a eles, fizeram o que Deus não queria, mas quanto à onipotência de Deus, de modo algum poderiam fazê-lo, pois que obrando contra a vontade de Deus, não puderam impedir a vontade de Deus referente a eles. Por isso se exclama: "Grandes são as obras do Senhor; consideradas por todos os que nelas têm prazer" [Sl.111.2], e de modo admirável é inexplicável o mesmo que se faz contra a sua vontade, não se faz sem seu consentimento; porque não seria feito se Ele não o permitisse, nem Ele permite sem o querer, mas querendo. Nem Ele, bom, permitiria que fosse feito o mal, se o Onipotente também não pudesse fazer do mal um bem [...]

Se não me engano, expliquei claramente de que modo, na mesma obra, tanto manifeste o crime do homem como brilhe a justiça de Deus. Para as inteligências comedidas, sempre bastará a resposta de Agostinho: "Se o Pai tenha entregue o Filho, e Cristo seu corpo, e Judas seu Senhor, por que nessa entrega o coração de Deus é justo e o homem é réu, senão porque fizeram um mesmo ato, mas a causa pela qual fizeram não é a mesma?" [Epístola a Vicêncio]. Mas, se a alguns constrange o que agora dizemos, que nenhum consenso existente entre o homem e Deus, quando Este, com justo impulso, daquele faz aquilo que não é permitido para si, que se socorram do que o mesmo Agostinho adverte em outro lugar: "Quem não teme estes juízos com que Deus age, mesmo no coração dos maus, sempre que quer, concedendo-lhes contudo segundo seus méritos?" [Sobre a graça e o livre-arbítrio]. E certamente, na traição de Judas, atribuir a culpa pelo crime a Deus, porque Ele quis que fosse entregue o seu Filho e o entregou à morte, em nada será mais lícito do que transferir para Judas a glória da redenção. E assim, em outra passagem, o mesmo escritor adverte: "neste exame Deus não pergunta o que os homens tenham podido, ou o que tenham feito, mas o que tenham querido fazer", para que sejam julgadas a deliberação e a vontade.

Bibliografia: A Instituição da Religião Cristã, João Calvino, livro I, capítulo XVIII, Editora Unesp

sábado, 20 de dezembro de 2008

Pescadores de homens

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Este texto foi escrito por mim pouco tempo após minha conversão, em 2001.

"Disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens." (Mateus 4.19)

Existem pescadores de todos os tipos. Existem aqueles que pescam peixes. Outros preferem ir atrás de siris. Outros, ainda, atrás de lulas. Mas diferentemente de qualquer um desses pescadores, existem ainda outros, que não pescam animais marinhos, mas seres humanos!

Jesus, quando foi chamar Seus apóstolos para o trabalho, disse uma coisa que parece estranha a muita gente: "vos farei pescadores de homens". Como alguém pode pescar homens? Jesus disse isso simbolicamente. Só os cristãos podem pescar homens e isso não com varas de pescar, mas com o evangelho de Jesus Cristo. Não com o objetivo de levá-los para casa, para servirem de alimento como os peixes, mas com o objetivo de levá-los para a eternidade com Cristo.

Isso não é um pedido, mas uma ordem! Jesus não disse isso dando aos cristãos a livre escolha para dizerem "não", mas esperando obrigatoriamente um "sim"! Esse chamado não se limita apenas a um grupo de indivíduos em particular, mas se estende a todos os filhos de Deus que "nasceram de novo", sendo agora servos fiéis ao Altíssimo.

Por isso, não fique esperando que alguém pesque almas em seu lugar, mas vá você mesmo e seja um pescador de homens! Pegue sua vara de pescar (a Bíblia) e vá para esse grande mar (o mundo) em busca de pesca (os seres humanos), a fim de levá-la junto com você para sua casa (a Jerusalém Celeste).

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Minha Jornada ao Calvinismo

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Assim como fez o irmão Clóvis, do Cinco Solas, no artigo Como "me reformei", decidi também contar como se deu minha jornada ao calvinismo.

Eu nasci em lar evangélico e frequentei desde pequeno a Igreja do Evangelho Quadrangular do Jardim dos Oliveiras, em Campinas-SP. No entanto, minha conversão só ocorreu em fevereiro/março de 2001, quando eu tinha quatorze anos de idade. Fui batizado alguns meses depois, dia 15 de novembro de 2001, e participei da Ceia do Senhor pela primeira vez no mesmo ano, dia 2 de dezembro.

Desde quando me converti passei a ler e estudar a Bíblia diariamente. Iniciei uma leitura completa da Bíblia em abril de 2001, terminando em janeiro de 2002. Passei a ler vários livros evangélicos do meu pai e comecei a ler estudos bíblicos na internet, em sua maioria neopentecostais e dispensacionalistas, sendo muito influenciado inicialmente por essas teologias.

Meu primeiro contato com a teologia reformada aconteceu pouco tempo após minha conversão, depois de um fato curioso. Certo dia, em 2001, um amigo católico me disse que o fundador do movimento protestante, chamado Martinho Lutero, ensinava que os cristãos poderiam viver da forma como quisessem, pois a salvação não dependia das boas obras. Achei isso bastante estranho e comecei a pesquisar a respeito, pois ainda não conhecia Lutero. Encontrei dois sites, Momentos com Jesus e Textos da Reforma, onde havia vários artigos que contavam a história da Reforma Protestante e dos reformadores. Passei a estudar o assunto e comecei a entender a salvação pela graça e a justificação pela fé. Apesar de meu entendimento sobre esses assuntos ser bem limitado na época, já era suficiente para perceber que a afirmação do meu amigo católico sobre Lutero era bastante distorcida e preconceituosa.

Ainda em 2001 conheci um fórum de discussão evangélico na internet, chamado Fórum Evangelho, do qual me tornei membro e que foi um dos grandes responsáveis pelo meu crescimento espiritual. Nesse fórum havia pessoas de todos os tipos: evangélicos das mais diversas linhas teológicas e denominações, membros de seitas e até ateus. Nesse ambiente eu pude conhecer muitas visões e opiniões a respeito de Deus e Sua Palavra, inclusive o arminianismo e o calvinismo.

Desde então reflexões sobre a predestinação e o livre-arbítrio se tornaram muito comuns em minha mente. Durante todo o ano de 2002 eu refleti sobre o assunto tentando resolver o conflito entre as duas correntes teológicas. Isso pode ser percebido através de um excerto do meu diário na época, dia 29/10/2002: "Em relação à Bíblia, me envolvi num grande problema teológico. Refiro-me à predestinação e ao livre-arbítrio, aos cinco pontos do calvinismo e aos cinco pontos do arminianismo. Achei na Bíblia fundamento para as duas linhas de pensamento contraditórias entre si. Isso não significa que a Bíblia seja contraditória, mas que eu não soube interpretar essa doutrina corretamente". Eu tentava resolver esse conflito apelando para a presciência divina, afirmando que Deus predestinava aqueles que Ele previa que O escolheriam. Mas eu não estava satisfeito com essa posição.

O ano de 2003 foi um ano de mudanças teológicas. Depois de muitos estudos abandonei o dispensacionalismo e o neopentecostalismo que exerciam forte influência sobre mim desde a minha conversão. Mas a principal mudança relacionava-se com a salvação e foi bem mais lenta e gradual. No início do ano eu havia lido alguns livros de uma seita chamada New Life Mission, cujo fundador ensinava que o cristão, após ser perdoado e justificado, não devia mais pedir perdão a Deus pelos seus pecados diários. Por causa disso, eu comecei a estudar mais sobre a salvação pela graça e a justificação pela fé, principalmente na visão dos reformadores, para entender melhor o assunto. Com esses estudos eu passei a crer na justificação da mesma forma que os reformadores, como a justiça de Cristo imputada aos pecadores, recebida mediante a fé n'Ele. Essa visão mais clara da justificação me levou a aceitar a perseverança dos santos, segundo a qual aqueles que foram salvos não podem mais perder a salvação. Foi nessa época, em junho, que eu escrevi um artigo chamado A Ira do Senhor, para o Jornal O Caminho, do qual eu era editor, onde eu deixei implícito que a salvação é eterna e não pode ser perdida. Com isso eu dava o primeiro passo em direção ao calvinismo.

Ainda em 2003 aconteceu um debate no Fórum Evangelho chamado Livre-arbítrio: quem defende, quem ataca, iniciado pelo irmão Clóvis. Nesse debate o Clóvis defendia que o homem é de tal modo depravado devido ao pecado original que não pode ser livre para escolher a Deus. Seus argumentos eram tão bíblicos que eu comecei a achar, pela primeira vez na vida, que os calvinistas poderiam estar certos e eu errado. Por esse motivo eu costumo dizer que esse irmão querido é meu pai na fé reformada, pois foi o primeiro que me apresentou o calvinismo de uma forma bastante bíblica e convincente.

Ainda que eu não tivesse reconhecido de pronto que o homem era desprovido de livre-arbítrio, aceitei a depravação total do homem, tentando conciliá-la, não sei de que modo, com o livre-arbítrio. Mas isso não continuou por muito tempo. Logo eu comecei a perceber que, se de fato o homem era tão depravado que não poderia livrar-se do pecado sozinho, não era possível que existisse um livre-arbítrio no homem. Fui tomado por um raciocínio que me perturbava constantemente, registrado no meu diário, dia 17/11/2003:

"O ser humano natural não pode livrar-se por si próprio do pecado. Só Deus pode livrá-lo. A incredulidade é um pecado. Logo, um ser humano natural não pode deixar de ser incrédulo por si próprio. Se não pode deixar de ser incrédulo, também não pode ter fé por si próprio, visto que a fé é o oposto da incredulidade, e para haver fé é necessário que não haja incredulidade. Sendo assim, para que alguém tenha fé, é necessário, antes, que Deus tire o pecado da incredulidade e Ele mesmo conceda fé a essa pessoa. Concluo, assim, que a fé não é uma característica inata do homem, mas um dom de Deus. O problema vem agora: se Deus é quem opera a fé no coração de uma pessoa, haverá, então, um livre-arbítrio para o bem? Pode alguém escolher ou desejar a Deus por si próprio? Eu acreditava que sim. Acreditava que a pessoa que deseja a salvação, escolhe a Deus e, então, Ele concede o dom da fé, para que a pessoa creia e seja salva. Mas esse pensamento é absurdo! Como alguém pode desejar algo em que não crê? Como pode escolher aquilo em que não acredita? Pois, se o livre-arbítrio para as coisas de Deus é exercido antes da fé, deve, então, ser exercido na incredulidade. Por outro lado, se admitirmos que só podemos escolher algo em que cremos (o que é bem mais racional) teremos que admitir que o livre-arbítrio só pode ser exercido se houver fé. Assim, a escolha por Deus só pode acontecer depois da fé ou simultânea a ela. Conclusão lógica: a salvação é fruto do livre-arbítrio de Deus e não do homem, pois o homem natural, incrédulo, não pode escolher a Deus, nem desejá-lo".

A verdade da depravação total estava me levando à doutrina da graça irresistível e, consequentemente, à eleição incondicional, como pode ser percebido no raciocínio acima. Eu tentei de várias formas refutar minha própria argumentação, mas não consegui, pois ela contava com o próprio testemunho bíblico a seu favor. Apresentei esses argumentos para alguns arminianos, mas eles não puderam me ajudar, com sua doutrina da graça preveniente.

Finalmente, em dezembro de 2003, eu entrei para uma lista de e-mails chamada Cristãos Reformados. Nessa lista apresentei meu raciocínio e fui definitivamente convencido da graça irresistível e da eleição incondicional por aqueles irmãos reformados. Logo depois recebi a expiação limitada sem muitas dificuldades, pois para mim ela era uma consequência lógica da eleição incondicional que eu já havia aceitado. Além do mais, assim como todos os demais pontos, ela era solidamente ensinada nas Escrituras. Assim, tornei-me um calvinista oficialmente em janeiro de 2004, aceitando integralmente os chamados Cinco Pontos do Calvinismo.

Após tornar-me um calvinista fiquei por um bom tempo guardando a fé reformada para mim, apenas lendo e estudando o assunto, principalmente no Monergismo, sem fazer nenhum tipo de divulgação. A primeira vez que falei publicamente sobre o assunto foi numa aula para jovens no final de 2004, intitulada "Quem é o Senhor do Destino?", onde falei superficialmente sobre predestinação e livre-arbítrio. Mas eu só passei a ser reconhecido como calvinista após um fato ocorrido no final de 2005. Fui convidado para dar uma aula aos professores e líderes da I.E.Q. Jardim dos Oliveiras, aproveitando a oportunidade para falar sobre depravação total e graça irresistível. Incrivelmente quase todos os irmãos concordaram com minha exposição! No final da aula um dos líderes presentes me questionou se eu era calvinista, o que confessei. Depois desse fato passei a falar abertamente sobre calvinismo e decidi criar um blog para divulgar a fé reformada, principalmente no meio pentecostal. Assim surgiu o blog Teologia e Vida, dia 16 de março de 2006.


Veja também:

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Antes de partir

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À convite do meu querido pai na fé reformada Clóvis, do Cinco Solas, descrevo abaixo as oito coisas que gostaria de fazer antes de partir desta para melhor:

1) Ler todos os livros que já foram escritos. Como isso é impossível, serei mais modesto na expressão do meu desejo: quero ler todos os livros de filósofos como Platão, Aristóteles, Descartes, Kierkegaard, etc; de poetas como Homero, Hesíodo, Virgílio, etc; de historiadores antigos como Heródoto, Flávio Josefo, etc; de pais da igreja como Irineu, Tertuliano, Cipriano, Atanásio, Ambrósio, Crisóstomo, Agostinho, Leão Magno, Gregório Magno, etc; de escolásticos como Anselmo, Tomás de Aquino, etc; de reformadores como Lutero, Calvino, John Knox, etc; de puritanos como John Owen, Francis Turretin, John Bunyan, etc; de avivalistas como George Whitefield, Jonathan Edwards, etc; de pregadores como Charles Spurgeon, Martyn Lloyd-Jones, John Piper, etc; todas as teologias sistemáticas reformadas existentes; os livros sagrados de todas as principais religiões; todos os livros de Shakespeare, Dostoievski, Júlio Verne, Mark Twain, Conan Doyle, Agatha Cristie, Monteiro Lobato, C.S. Lewis, J.R.R. Tolkien e outras obras de ficção.

2) Aprender hebraico e grego para ler toda a Bíblia nos idiomas originais, pelo menos uma vez na vida.

3) Fazer um bacharelado em teologia em algum seminário reformado, de preferência no JMC, e uma pós-graduação na área, para dar aulas de teologia.

4) Casar com uma mulher envolvida na obra de Deus e ter dois filhos.

5) Visitar os principais pontos turísticos do Brasil e do mundo, o Oriente Médio, a Ásia Menor e outros locais bíblicos.

6) Plantar igrejas reformadas caseiras em pequenas cidades do Brasil que ainda não conhecem o evangelho da graça de Deus.

7) Fazer o possível para diminuir a injustiça social e os desastres ecológicos no Brasil e no mundo.

8) Assistir o final do seriado Lost ;-)

Esta brincadeira tem algumas regras:

- Escrever uma lista com oito coisas que sonhamos fazer antes de ir embora daqui; 
- Passar o meme para oito pessoas; 
- Comentar no blog de quem lhe passou o meme;
- Comentar no blog dos nossos(as) convidados(as), para que saibam da "intimação"; 
- Mencionar as regras

Meus oito amigos convidados são: 

Andre Scordamaglio, do Descomplicando o Não-Complicável
Charles Grimm, do Deus Pro Nobis
Davi Luan Carneiro, outro colaborador deste blog
Felipe Sabino, do Monergismo
Helder Nozima, do Reforma e Carisma
Juan de Paula, do Café com Deus

Calvinismo na Bíblia (V): Perseverança dos Santos

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Parte: [1] [2] [3] [4] [5]

Perseverança dos Santos


A perseverança dos santos é o quinto e último dos Cinco Pontos do Calvinismo. Essa doutrina afirma que aqueles que foram eleitos e chamados por Deus não podem decair do estado de graça e perder a salvação; pelo contrário, eles estão eternamente salvos e perseverarão firmes até o fim. A perseverança deles não depende do seu próprio livre-arbítrio, mas da imutável eleição divina, da expiação realizada por Cristo que pagou todos os seus pecados, da atual intercessão de Cristo ao lado do Pai e da permanência do Espírito Santo neles, que é o selo e penhor da sua herança. Ainda que os eleitos não percam a salvação, eles podem cair em graves pecados, desagradando a Deus, entristecendo o Espírito Santo, escandalizando os outros e atraindo sobre si juízos temporais. Têm sua comunhão com Deus restaurada através do arrependimento e confissão.

A Bíblia é bastante clara ao afirmar a perseverança dos santos:

Salmos 37.28: "Porque o SENHOR ama o juízo e não desampara os seus santos; eles são preservados para sempre; mas a semente dos ímpios será desarraigada."

Jeremias 31.3: "Há muito que o SENHOR me apareceu, dizendo: Porquanto com amor eterno te amei, por isso com benignidade te atraí."

Jeremias 32.40: "E farei com eles uma aliança eterna de não me desviar de fazer-lhes o bem; e porei o meu temor nos seus corações, para que nunca se apartem de mim."

Ezequiel 11.19-20: "E lhes darei um só coração, e um espírito novo porei dentro deles; e tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne; para que andem nos meus estatutos, e guardem os meus juízos, e os cumpram; e eles me serão por povo, e eu lhes serei por Deus."

Mateus 18.12-14: "Que vos parece? Se algum homem tiver cem ovelhas, e uma delas se desgarrar, não irá pelos montes, deixando as noventa e nove, em busca da que se desgarrou? E, se porventura achá-la, em verdade vos digo que maior prazer tem por aquela do que pelas noventa e nove que se não desgarraram. Assim, também, não é vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequeninos se perca."

Lucas 22.32: "Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, confirma teus irmãos."

João 3.36: "Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece."

João 5.24: "Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida."

João 6.35-39: "E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede. Mas já vos disse que também vós me vistes, e contudo não credes. Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia."

João 10.26-29: "Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas, como já vo-lo tenho dito. As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; e dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai."

João 17.6,11-15: "Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste; eram teus, e tu mos deste, e guardaram a tua palavra [...] E eu já não estou mais no mundo, mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós. Estando eu com eles no mundo, guardava-os em teu nome. Tenho guardado aqueles que tu me deste, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse. Mas agora vou para ti, e digo isto no mundo, para que tenham a minha alegria completa em si mesmos. Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal."

Romanos 5.6-10: "Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer. Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida."

Romanos 5.17: "Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo."

Romanos 8.1: "Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito."

Romanos 8.28-39: "E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou. Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; Somos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor."

I Coríntios 1.7-9: "De maneira que nenhum dom vos falta, esperando a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual vos confirmará também até ao fim, para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor."

I Coríntios 11.32: "Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo."

II Coríntios 1.22: "O qual também nos selou e deu o penhor do Espírito em nossos corações."

Efésios 1.3-5,13-14: "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade [...] Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa. O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória."

Efésios 4.30: "E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção."

Filipenses 1.6: "Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo."

Filipenses 3.13-16,20-21: "Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Por isso todos quantos já somos perfeitos, sintamos isto mesmo; e, se sentis alguma coisa de outra maneira, também Deus vo-lo revelará. Mas, naquilo a que já chegamos, andemos segundo a mesma regra, e sintamos o mesmo [...] Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas."

I Tessalonicenses 5.23-24: "E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, o qual também o fará."

II Tessalonicenses 2.13-14: "Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade; para o que pelo nosso evangelho vos chamou, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo."

II Tessalonicenses 3.3: "Mas fiel é o Senhor, que vos confirmará, e guardará do maligno."

II Timóteo 1.12: "Por cuja causa padeço também isto, mas não me envergonho; porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele dia."

II Timóteo 4.18: "E o Senhor me livrará de toda a má obra, e guardar-me-á para o seu reino celestial; a quem seja glória para todo o sempre. Amém."

Hebreus 7.25: "Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles."

Hebreus 9.12: "Nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção."

Hebreus 10.14: "Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados."

Hebreus 12.5-13: "E já vos esquecestes da exortação que argumenta convosco como filhos: Filho meu, não desprezes a correção do Senhor, E não desmaies quando por ele fores repreendido; porque o Senhor corrige o que ama, E açoita a qualquer que recebe por filho. Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos. Além do que, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos? Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade. E, na verdade, toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela. Portanto, tornai a levantar as mãos cansadas, e os joelhos desconjuntados, e fazei veredas direitas para os vossos pés, para que o que manqueja não se desvie inteiramente, antes seja sarado."

I Pedro 1.3-5: "Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós, que mediante a fé estais guardados na virtude de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo."

I João 1.8-10: "Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós."

I João 2.19: "Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós."

I João 3.9: "Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus."

I João 5.4,11-13,20: "Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé [...] E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida. Estas coisas vos escrevi a vós, os que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna, e para que creiais no nome do Filho de Deus [...] E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna."

Judas 1.1: "Judas, servo de Jesus Cristo, e irmão de Tiago, aos chamados, santificados em Deus Pai, e conservados por Jesus Cristo."

Judas 1.24-25: "Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória, ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo o sempre. Amém."

Obs: Todas as referências bíblicas são da versão Almeida Corrigida e Fiel.

Punição versus Disciplina

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 PuniçãoDisciplina
FonteIra de DeusAmor de Deus
PropósitoVingança por um erroCorreção de um erro
Resultado socialAfastamentoReconciliação
Resultado pessoalCulpaComportamento justo
DestinatárioIncrédulosFilhos de Deus

Bibliografia: Teologia Sistemática de Franklin Ferreira e Allan Myatt, Editora Vida Nova

domingo, 30 de novembro de 2008

Uma breve palavra sobre Santa Catarina

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Todos nós vimos nos últimos dias as catástrofes que ocorreram no estado de Santa Catarina e nos comovemos. Mais de 110 pessoas morreram, mais de 78 mil estão desabrigadas, cerca de 1,5 milhão foram afetadas pelas chuvas e 14 municípios estão em estado de calamidade pública. Diante de tal tragédia desejo dar uma breve palavra às vítimas e aos leitores deste blog.

Aos cristãos que foram vítimas dessas catástrofes digo: reconheçam a mão da Divina Providência em toda essa tribulação e dêem graças a Deus em tudo (I Ts.5.18). Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (Rm.8.28) e mesmo essa tragédia está dentro dos Seus propósitos, cooperando de algum modo para o aperfeiçoamento dos filhos de Deus (I Pe.5.10). Mesmo passando por aflições, sabemos que Jesus venceu este mundo (Jo.16.33), garantindo nossa vitória futura. Portanto, olhem com esperança ao futuro, quando viveremos num Novo Céu e numa Nova Terra com Deus, onde não haverá mais lágrimas, morte, luto ou dor (Ap.21.1-5).

Às vítimas não-cristãs digo para aproveitarem este momento de perdas e pensarem em suas almas (Mt.16.26). Talvez muitos de vocês estavam apegados aos seus bens materiais e agora eles se foram, porque os tesouros deste mundo passam e se corrompem (Mt.6.19). Mas tudo isso aconteceu para que ficasse manifesto que o verdadeiro tesouro, que é incorruptível e eterno, se encontra no céu (Mt.6.20), o qual é o próprio Deus (Sl.73.25-26). Esse tesouro está disponível a todos aqueles que O desejam, com arrependimento e fé, e o único Caminho a Ele é Jesus Cristo (Jo.14.6), único Mediador entre Deus e os homens (I Tm.2.5-6).

A todas as vítimas, cristãos ou não, quero dizer que estou intercedendo por vocês, juntamente com várias pessoas de todo o Brasil. Não apenas isso, estou fazendo doações financeiras e de alimentos não-perecíveis, e minha igreja local se mobilizou para fazer o mesmo. Estamos recebendo várias doações que enviaremos a vocês através do Corpo de Bombeiros.

Finalmente, quero dizer aos cristãos leitores deste blog que este é o momento para amarmos o nosso próximo como Jesus nos amou, não apenas de língua, mas de fato e de verdade (I Jo.3.18). Ser cristão é andar como Jesus andou (I Jo.2.6). Por isso, não fique parado diante dessa tragédia! Ajude orando e doando. Qualquer doação é bem-vinda, por mínima que seja: alimentos não-perecíveis, calçados, roupas de cama, agasalhos, toalhas, cobertores, travesseiros, edredons, lençóis, colchões, etc. Essas pessoas precisam do nosso amor, mais do que nunca.

Que Deus abençoe o estado de Santa Catarina!

domingo, 23 de novembro de 2008

Diferenças entre Justificação e Santificação

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A justificaçãoA santificação
A justificação é uma ocorrência instantânea, que se completa em um instante. O pecador é declarado perfeitamente justo no momento em que crê em Cristo e no evangelho.A santificação é um processo que exige toda uma vida para se completar, e não será concluída enquanto o cristão não chegar ao céu.
A pessoa ou é justificada ou não é. A justificação acontece pela declaração de Deus de que um homem é justo, com base nos méritos de Jesus Cristo.É possível ser mais ou menos santificado. Ou seja, há diferentes graus de santificação, mas não de justificação.
A justificação é uma questão forense. A retidão que recebemos mediante nossa justificação não é propriamente nossa, mas é a perfeita retidão do nosso mediador, Jesus Cristo, a nós atribuída somente por meio da fé.A santificação é uma transformação real do caráter e da condição do homem. A retidão alcançada por meio da santificação é nossa própria retidão, gerada em nós pelo Espírito Santo, embora misturada com debilidade e imperfeição.
A justificação é uma obra objetiva, um ato de Deus a nossa respeito, que afeta nossa condição perante Deus, nosso relacionamento com ele.A santificação é uma obra subjetiva, uma obra de Deus em nós, que afeta nosso interior.
Na justificação, somos libertos da culpa.Na santificação, somos libertos da corrupção.
Nossas obras não desempenham qualquer papel na justificação.Nossas obras são importantes na santificação. Deus ordena que lutemos, vigiemos e nos esforcemos no caminho da santificação.
A justificação confere-nos o direito de ir para o céu, bem como a ousadia de ingressar nas mansões celestiais.A santificação torna-nos adequados para habitar no céu, capacitando-nos para usufruir do lar celestial quando ali estivermos habitando.

Bibliografia: Teologia Sistemática de Franklin Ferreira e Allan Myatt, Editora Vida Nova

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Lutero (1483-1546) e a Justificação pela Fé

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"Com toda certeza, gostaria de ter compreendido o que Paulo dizia em sua carta aos Romanos. Contudo, o que me impedia de compreendê-lo não era tanto a falta de coragem, mas aquela frase do primeiro capítulo 'Porque no evangelho é revelada a justiça de Deus' (Rm.1.17). Pois eu odiava aquela expressão 'a justiça de Deus', que haviam me ensinado a entender como a justiça por meio da qual Deus, que é justo, pune os pecadores injustos. Embora, como monge, vivesse uma vida irrepreensível, sentia-me um pecador com a consciência culpada diante de Deus. E também não podia acreditar que havia agradado a Deus com minhas obras. Longe de amar aquele Deus justo que punia os pecadores, eu, na verdade, o odiava...

Ficava desesperado para saber o que Paulo queria dizer naquela passagem. Por fim, à medida que meditava dia e noite a respeito da relação que havia entre aquelas palavras, 'porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé', como está escrito: 'O justo viverá pela fé', comecei a entender a 'justiça de Deus' como aquela justiça por meio da qual o justo vive pelo dom de Deus (a fé); em que essa frase: 'é revelada a justiça de Deus', faz referência a uma justiça passiva, por meio da qual o Deus misericordioso nos justifica pela fé, conforme está escrito, 'O justo viverá pela fé'. Imediatamente, tive a sensação de haver nascido de novo, como se tivesse entrado pelos portões abertos do paraíso. Desde aquele momento, vi toda a Bíblia sob a perspectiva de uma nova luz... E agora, aquilo que eu havia uma vez odiado na frase 'a justiça de Deus', comecei a amar e a glorificar como a mais doce das frases, pois essa passagem em Paulo tornou-se para mim o verdadeiro portão do paraíso."

Bibliografia: Teologia Sistemática de Franklin Ferreira e Allan Myatt, Editora Vida Nova.

Depressão e Felicidade em Deus

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O texto abaixo foi originalmente um e-mail enviado por mim a uma amiga com depressão, no dia 28/10/2008.

Ontem eu li uma frase de um cristão muito antigo, do século IV, chamado Agostinho. Ele escreveu: "A busca de Deus é a busca da felicidade. O encontro com Deus é a própria felicidade".

Eu creio que compreender o que está contido na frase acima é o segredo para se superar toda tristeza, decepção e depressão. Digo isso porque eu mesmo já passei por momentos complicados em minha vida, em que fiquei muito depressivo, e tais momentos foram superados com a essência do que Agostinho disse acima.

Toda depressão surge quando nossa vida perde o significado. Isso pode acontecer por vários motivos, dois dos quais são: rotina e apego a coisas ou pessoas. Quando nossa vida fica presa à rotina, com a mesmísse de sempre, perdemos o significado e propósito da vida. Não fazemos nada de novo e a vida começa a se tornar enjoativa, literalmente. Quando nos apegamos a coisas ou pessoas sofremos grandes decepções, pois tanto as coisas quanto as pessoas mudam constantemente e não são eternas. Se fazemos delas o propósito de nossa vida, chega um momento em que elas nos decepcionam, e nossa vida fica destituída de significado.

Quando a vida perde o significado automaticamente entramos em depressão e perdemos a vontade de viver. Parece que já não há motivo para continuar essa caminhada. Muitos têm vontade de se matar, porque não querem mais viver. Eu mesmo já passei por isso.

É em momentos como esse que devemos entender que o propósito de nossa vida neste mundo é a glória de Deus, e somos felizes apenas quando nos satisfazemos n'Ele. Nós só encontramos a felicidade quando Deus passa a ser o alvo da nossa vida. Quando nos apoiamos em coisas ou pessoas nós caímos, porque elas mudam constantemente. Mas se nos apoiamos em Deus estamos seguros, pois Ele é sempre o mesmo e os Seus anos não têm fim (Sl.102.27). Assim, quando nosso coração está em Deus, que é a Rocha Eterna, nós somos felizes, e essa felicidade é eterna, assim como Ele.

Quando Deus é a nossa alegria nada pode nos abalar. Ainda que o mundo caia à nossa volta, os problemas financeiros venham, as pessoas nos decepcionem e tudo dê errado,  permanecemos firmes, porque Deus é a fortaleza do nosso coração e a nossa herança para sempre (Sl.73.26).

Por isso, não deixe nada tirar a sua alegria! Que apenas Deus seja sua felicidade! Medite nisso e você verá como muitas coisas irão mudar e como a depressão irá embora rapidamente.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Jesus, a Esperança dos Pecadores

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Jesus, a Esperança dos Pecadores

Contempla o homem seu próprio coração
E o que vê, senão miséria e pecado?
Não há nada digno de valor ou afeição
Ele se encontra totalmente arruinado

Contempla o homem o bendito Salvador
E o que vê, senão graça e santidade?
Não há nada maior que o Seu amor
Ele é cheio de ternura e de bondade

Oh pecador! Seu estado é deplorável
A sua alma está totalmente contaminada
Mas há uma fonte de graça inesgotável
Beba dela, e terá sua vida transformada

Todos os seus pecados serão perdoados
A graça o acompanhará incondicionalmente
Deus vai adotá-lo como filho amado
E você cantará Seus louvores eternamente

domingo, 9 de novembro de 2008

Calvinismo na Bíblia (IV): Graça Irresistível

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Graça Irresistível


A graça irresistível é o quarto dos Cinco Pontos do Calvinismo. Segundo essa doutrina, aqueles que Deus escolheu antes da fundação são chamados eficazmente por Sua Palavra e Seu Espírito no tempo determinado por Ele, tendo suas mentes iluminadas para compreenderem o evangelho, nascendo de novo para que possam ver o reino de Deus e tendo suas vontades renovadas para que, livre e voluntariamente, venham a Cristo, através do arrependimento e fé, que são dons de Deus. Essa graça é chamada de irresistível porque é impossível a um eleito resistir ao chamado do Espírito Santo em seu coração, sendo ela o único motivo pelo qual alguns pecadores recebem o evangelho e outros não. Mesmo que apenas os eleitos sejam chamados eficazmente, o evangelho deve ser pregado a todos os homens, para testemunho a todas as nações.

Seguem abaixo algumas das passagens bíblicas que falam desta doutrina:

Gênesis 50.20: "Vós bem intentastes mal contra mim; porém Deus o intentou para bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar muita gente com vida."

Deuteronômio 30.6: "E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, para amares ao SENHOR teu Deus com todo o coração, e com toda a tua alma, para que vivas."

Isaías 43.13: "Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá?"

Isaías 46.9-10: "Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim. Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade."

Isaías 55.10-11: "Porque, assim como desce a chuva e a neve dos céus, e para lá não tornam, mas regam a terra, e a fazem produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come, assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei."

Ezequiel 36.26-27: "E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis."


Daniel 4.35: "E todos os moradores da terra são reputados em nada, e segundo a sua vontade ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem possa estorvar a sua mão, e lhe diga: Que fazes?"

Mateus 11.25-27: "Naquele tempo, respondendo Jesus, disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim te aprouve. Todas as coisas me foram entregues por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar."

Marcos 16.15: "E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura."

João 1.12-13: "Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus."

João 3.3-8: "Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo. O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito."

João 5.21,25: "Pois, assim como o Pai ressuscita os mortos, e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que quer [...] Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão."

João 6.37,44,45: "Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora [...] Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim."

Atos 5.31: "Deus com a sua destra o elevou a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados."

Atos 11.18: "E, ouvindo estas coisas, apaziguaram-se, e glorificaram a Deus, dizendo: Na verdade até aos gentios deu Deus o arrependimento para a vida."

Atos 16.14: "E uma certa mulher, chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e que servia a Deus, nos ouvia, e o Senhor lhe abriu o coração para que estivesse atenta ao que Paulo dizia."

Romanos 8.28-32: "E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou. Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?"

Romanos 9.18-24: "Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer. Dir-me-ás então: Por que se queixa ele ainda? Porquanto, quem tem resistido à sua vontade? Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?1 Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição; para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?"

I Coríntios 4.7: "Porque, quem te faz diferente? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias, como se não o houveras recebido?"

II Coríntios 3.5-6: "Não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus, o qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica."

II Coríntios 5.17: "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo."

Gálatas 1.15-16: "Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça, revelar seu Filho em mim, para que o pregasse entre os gentios, não consultei a carne nem o sangue."

Efésios 1.11,18,19: "Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade [...] Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos; e qual a sobreexcelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder."

Efésios 2.1-10: "E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também. Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas."

Filipenses 1.29: "Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele."

Filipenses 2.13: "Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade."

II Timóteo 1.9: "Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos."

II Timóteo 2.25-26: "Instruindo com mansidão os que resistem, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade, e tornarem a despertar, desprendendo-se dos laços do diabo, em que à vontade dele estão presos."

Tito 3.4-5: "Mas quando apareceu a benignidade e amor de Deus, nosso Salvador, para com os homens, não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo."

Hebreus 9.15: "E por isso é Mediador de um novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna."

Tiago 1.18: "Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como primícias das suas criaturas."

I Pedro 1.23: "Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre."

II Pedro 1.3: "Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude."

Apocalipse 22.17: "E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida."

Obs: Todas as referências bíblicas são da versão Almeida Corrigida e Fiel.

Avivamento e intimidade com Deus

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O trecho abaixo foi retirado do livro "Avivamento Urgente", escrito por Hernanddes Dias Lopes, publicado pela editora Betânia.


Em tempos de avivamento, a igreja não se satisfaz com nada menos do que o próprio Deus. Deus é a sua busca, sua sede, seu alvo, sua meta, sua paixão.

Hoje instalou-se na igreja um deserto. Em muitos lugares, a vida da igreja parece o deserto do Saara, sem as águas do Nilo. Tudo é aridez, sequidão. Não há verdor, não há vida exuberante, não há fruto. Há estiagem e sequidão espiritual. Há um agreste cinzento. Muitos de nós levam uma vida vazia. Estamos desfalecendo. Estamos estiolados.

Temos tudo: templos modernos, boa organização, púlpitos eruditos, conjuntos corais maravilhosos, mas nossa alma está murcha. Ela só se satisfaz com a intimidade de Deus. Temos necessidade de Deus. Carecemos do orvalho fresco do céu (Os 14:5).

"Como o corpo necessita de pão e os rios correm para o mar, como as águias tem sede das alturas, e as flores carecem do orvalho e do sol, nossa alma busca ansiosamente por Deus". Criada por Deus, vivificada pelo Seu sopro, a nossa alma clama por Deus. "... a minha alma anseia por ti como terra sedenta". (Sl 143:6) "Ó Deus ... eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja nume terra árida, exausta, sem água" (Sl 63:1).

Essa sede de Deus vai além da moralidade, do bom comportamento social, do religiosismo. É mais do que ortodoxia teológica; mais do que ser membro da igreja; mais do que trabalhar na igreja e ter ali imporartantes cargos de liderança.

Intimidade com Deus é viver com Deus. É viver em Deus. É viver para Deus. É ser tragado por Deus. É abeberar-se de Deus. É mergulhar no inesgotável oceano da comunhão com Deus. 

Conhecemos nós essa sede de Deus? Nosso coração o anseia? Nossa alma clama pela presença de Deus? Temos orado para que Deus resplandeça sobre nós o seu rosto? Desejamos o Senhor mais do que os guardas pelo romper da manhã? Temos buscado mais a Deus do que os prazeres, do que o dinheiro e do que a fama? Temos nós priorizado mais o Senhor da obra do que a obra do Senhor? Temo-nos reclinado no peito de Jesus? Temo-nos assentado aos seus pés? Temos feito de Deus o nosso maior tesouro, a nossa suprema herança, o maior deleite da nossa alma?

Jonathan Edwards, aos vinte anos, dedicou-se inteiramente a Deus, e o fez por escrito. Embora fosse o maior teólogo do seu tempo, orava com sofreguidão, com o rosto banhado em lágrimas, buscando conhecer a intimidade de Deus. Porventura não é essa a marca de todos aqueles que experimentaram o avivamento na própria vida?

O grande sinal do avivamento é que o povo sempre quer mais de Deus. Como Moisés, mesmo depois de estupendas revelações no Sinai, ainda queria mais, esperava mais, buscava mais, ainda pedia para ver a glória de Deus.

No avivamento, o nosso coração não se distrai com banalidades. Paulo disse que os seus troféus do passado, ele os considerava como refugo, esterco, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo (Fp 3.8). "... para mim o viver é Cristo...", disse ele (Fp 1:21).

E para você, leitor, Deus é o maior prazer da sua vida? Você se deleita na contemplação da bondade de Deus? Deus é o centro das suas conversas? Deus é o conteúdo das suas aspirações? Você conhece a intimidade de Deus? Já experimentou o derramamento de amor de Deus em seu coração? Já foi banhado pelo óleo da alegria indizível e cheia de glória da presença do Espírito em seu coração? Já ficou extasiado de gozo diante da meditação e compreensão das insondáveis riquezas de Cristo?

Que o nosso coração corra agora para o Deus vivo, manancial de águas vivas! (Jr 2:13)

domingo, 2 de novembro de 2008

Perseguição na Índia

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Recebi por e-mail e decidi publicar este relato comovente de um pastor que conta sobre as recentes perseguições contra os cristãos da Índia, que ele mesmo está sofrendo. Oremos por ele e por todos os cristãos perseguidos.
  
Meu amor e saudações a todos os meus queridos amigos em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, protetor de minha vida e família da morte. 
  
Aqui é Raj, seu amigo da Índia, pedindo sua gentil oração pela minha família e pelas igrejas no distrito de Kandhamal (Phulbani), Estado de Orissa. 
  
Para informá-los, houve um terrível ataque às igrejas de nosso distrito. Quase todos os vilarejos cristãos foram destruídos, demolidos e queimados. Isso começou no dia 24 de agosto de 2008 e continua de mal a pior. Mais de 100 cristãos mortos, entre eles cerca de 30 pastores, foram mortos de forma brutal ou queimados vivos. Ninguém sabe quantos estão desaparecidos. Os corpos dos mortos estão espalhados nas florestas, montes e vilarejos distantes. Não há ninguém lá para enterrar os mortos. Pessoas são mortas na frente de seus familiares, esposas e filhos. Meninas são raptadas por gangues e queimadas vivas. Não tenho palavras para expressar a agonia e a dor das pessoas. Muitos livros poderiam ser escritos sobre a tristeza de seus corações partidos. Quase todas as igrejas foram arruinadas, demolidas e queimadas. Todos os vilarejos e casas cristãs estão completamente destruídos, suas propriedades foram saqueadas e todos os veículos, queimados. Milhares e milhares de pessoas pobres e inocentes, junto com suas crianças e velhos, correram para salvar suas vidas nas florestas e colinas, e mesmo ali suas vidas não estão seguras. Eles continuam sendo caçados pelos fanáticos hindus. 
  
O toque de recolher vem desde 24 de Agosto de 2008. Sem transportes, sem mercados, parece que todo o distrito está parado e morto. 
  
O último culto que realizei com os crentes de minha igreja foi no domingo do dia 24. No dia 25, recebi notícias de que atacariam a mim e à minha família, e destruiriam minha casa. Para salvar minha vida e a de minha família, deixei minha casa às 5:30 da manhã apenas com a roupa do corpo. Eu, minha esposa e meu filho de 10 anos nos abrigamos e escondemos com um amigo não-cristão. O terror estava por toda a parte em nossa pequena cidade. Com muita aflição e medo, nos abrigamos naquela casa. Assim que a noite caiu, ouvimos o som de pessoas da oposição correndo de lá para cá, gritando "matem todos os cristãos." Seu objetivo era matar todos os líderes e pastores. 
  
Às 12:45 da noite, recebi uma ligação de um irmão. Eles marcharam contra o prédio do meu escritório e, sem perder tempo, arrasaram minha casa com uma bomba. Confiscaram tudo e queimaram o resto das coisas, meu carro e todas as bicicletas. Então avançaram para a casa em que eu estava escondido e arrombaram a porta para pegar e matar nossa família. Graças a Deus, o dono da casa tomou uma atitude corajosa para me proteger, acabou agredido brutalmente. 
  
Na manhã seguinte, com muito medo, eu, minha esposa Purnima e meu filho Comfort corremos para a floresta para nos salvar. Minha esposa é diabética. Eu os levei para a floresta, sem sabermos para onde estávamos indo. Um pastor e sua família nos encontraram naquela floresta. Permanecemos um dia inteiro ali e, ao anoitecer, andamos mais 10km mata adentro para ficarmos a salvo. Por quase cinco dias, o Senhor, com sua mão poderosa, nos protegeu naquela floresta. As pessoas de um vilarejo cristão próximo ficaram sabendo a nosso respeito e vieram nos ajudar trazendo comida. Ficamos sabendo que a floresta também não era nada segura. Com muito cuidado, chegamos ao acampamento de ajuda. Em cada um, de 5 a 6 mil pessoas. Não havia comida nem água, só doenças por toda a parte, crianças pequenas e muitos idosos já mortos. Foi um milagre dois motoristas não-cristãos de bom coração chegarem de 60km de distância com meu primo e nos salvarem da morte 
  
Em cinco minutos, pela manhã, às 7:45, eles nos atravessaram pelo campo dos opositores que queriam minha vida. Por sua graça e mão poderosa, Ele nos salvou. Graças ao seu santo nome, chegamos a um estado vizinho. Não sei o que fazer, peço sua gentil oração por minha família e também que todos vocês sustentem nosso povo e nossas igrejas em suas orações. As pessoas perderam sua esperança, não há apoio do governo, o terror está por toda a parte. Minha oração e confiança são que somente Deus, por sua graça, pode controlar a situação de morte e agonia. 
  
Pastor Raj. 
RK DIGAL, INDIA . 

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

A Nova Reforma Já Começou!

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Hoje, dia 31 de outubro de 2008, a Reforma Protestante completa 491 anos. Nesta mesma data, em 1517, Lutero afixava na porta da Igreja de Wittemberg as 95 teses contra a venda de indulgências, dando início a esse que foi o maior avivamento da história da Igreja.

Muitos nos nossos dias, entre os quais eu me incluo, desejam uma Nova Reforma nos moldes daquela do século XVI, visto que a igreja evangélica moderna está numa situação tão desesperadora quanto à da Igreja Católica na Idade Média. Poucos, porém, têm notado que essa Reforma já começou... Sim! A Nova Reforma que tantos esperam está em pleno andamento!

No final do século XX e início do século XXI tivemos um ressurgimento da Teologia Reformada. Desde então, milhares de cristãos, das mais diversas denominações, têm redescoberto as doutrinas da graça e têm sido incendiados por essas gloriosas verdades. Até mesmo dentro do movimento pentecostal e neopentecostal cristãos têm sido despertados para o evangelho eterno, conforme pregado pelos reformadores. Na internet, muitos sites e blogs têm surgido anunciando o genuíno evangelho. Editoras reformadas têm publicado milhares de livros ensinando a sã doutrina. Simpósios, congressos e outros eventos reformados têm sido realizados em diversos lugares. E o mais maravilhoso é que todas essas coisas têm acontecido não apenas no Brasil, mas em todo o mundo!

Como se não bastasse, a redescoberta da Teologia Reformada tem produzido mudanças profundas na vida desses cristãos. O conhecimento da soberania e glória de Deus manifestada na criação, providência e redenção, a suficiência das Escrituras, de Cristo, da graça e da fé, a obra do Espírito Santo na regeneração, santificação, preservação e glorificação, etc, tem gerado no coração dos cristãos uma gratidão expressa em amor a Deus e ao próximo, numa vida para a glória de Deus.

Por que tudo isso está acontecendo? Quem está por trás desse movimento? Só há uma resposta: isso tudo é obra de Deus, que Ele está levando a cabo soberanamente através de vasos de barro como você e eu. Deus está levantando muitos Luteros em todos os cantos do mundo para apontar, pelas veredas antigas, qual é o Bom Caminho (Jr. 6.16).

Mas se essa Reforma já começou, o que nós devemos fazer para levá-la adiante?

Em primeiro lugar, nós devemos orar. Tudo começa e termina com oração. Com a Reforma do século XVI não foi diferente. É conhecida a frase de Lutero: "Atualmente estou tão ocupado que não posso passar menos de quatro horas por dia na presença de Deus". Se queremos ser úteis nessa Nova Reforma precisamos começar dobrando os nossos joelhos.
 
Devemos orar, porém, não apenas para clamar pela Reforma da Igreja. Não! Nós precisamos ter uma vida de oração e fazer dela nossa respiração espiritual, orando sem cessar (I Ts. 5.17). Quanto tempo passamos na presença de Deus? Será que não dedicamos nem mesmo uma hora por dia, quando Lutero dedicava mais de quatro? Como queremos ser usados por Deus sem oração? Não devemos alegar falta de tempo, porque Lutero orava tanto justamente porque estava muito ocupado! Mas se, pelo contrário, começarmos a orar, experimentaremos o poder de Deus de forma tão grandiosa quanto os discípulos em Atos 4.31, quando, após a oração, "tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus", porque "a oração de um justo pode muito em seus efeitos" (Tg. 5.16).
 
Em segundo lugar, nós devemos pregar. Mas só pode pregar quem conhece o conteúdo que será pregado, que se encontra nas Escrituras. Por isso, precisamos adquirir o hábito de ler e estudar a Bíblia diariamente, de forma sistemática e devocional, e no mínimo uma vez por ano, do começo ao fim. Se a oração deve ser nossa respiração, a leitura e estudo da Palavra deve ser nosso alimento, porque "não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus" (Mt. 4.4).

Conhecendo o conteúdo a ser pregado, como devemos pregar? Há diversos modos. Muitos que têm recebido a Teologia Reformada são líderes em suas igrejas locais. Esses devem aproveitar todas as oportunidades que tiverem para anunciar as doutrinas da graça aos seus irmãos, seja num sermão de domingo, seja num estudo para um grupo pequeno. No caso de pastores que pregam semanalmente, a pregação expositiva de livros completos da Bíblia, como o Evangelho de João e a Epístola aos Romanos, por exemplo, é a melhor forma de anunciar "todo o conselho de Deus" (At. 20.27). Aqueles que não têm direito à palavra em suas congregações podem anunciar o evangelho genuíno em conversas informais com seus irmãos. Os que têm dificuldades em se expressar com palavras podem presentear seus irmãos com livros e artigos reformados. Quem tem facilidade para escrever pode criar um blog reformado e divulgá-lo entre todos os seus conhecidos.

Muitos há que conheceram as doutrinas da graça como pentecostais ou neopentecostais e permaneceram em suas igrejas de origem. Esses devem permanecer o máximo que puderem e buscar uma Reforma em suas congregações, através da pregação. Reformar estruturas denominacionais é algo extremamente complexo, razão pela qual nenhum dos reformadores permaneceu na Igreja Católica. No entanto, para Deus tudo é possível (Mt.19.26). Um belo exemplo é Atanásio (295-373 d.C), que defendeu a divindade de Jesus praticamente sozinho num tempo em que grande parte da Cristandade era ariana*, e assim mudou para sempre a história do Cristianismo. Mas mesmo que uma igreja local ou denominação não seja reformada, podemos reformar cristãos, indivíduos em particular. Portanto, mãos à obra! Haverá perseguições e quem aceitar o desafio provavelmente terá como fim a excomunhão. Mas enquanto isso não acontece, façamos o máximo que podemos!

Não devemos limitar nossa pregação apenas à igreja ou aos cristãos. É verdade que muitos que se dizem cristãos ainda não conhecem o evangelho e devem ouvi-lo. Mas também é verdade que aqueles que estão do lado de "fora" precisam encarecidamente desse evangelho que é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê (Rm. 1.16). Portanto, anunciemos o evangelho entre familiares, vizinhos, colegas de classe, de trabalho, etc. Preguemos também a desconhecidos, através de evangelismo pessoal de casa em casa, evangelismo de massas em grandes centros e outros métodos presentes na Bíblia. Esses métodos têm sido considerados antiquados em nossos dias e muitos os têm abandonado. No entanto, o problema não é a antiguidade desses métodos bíblicos, e sim a novidade desse evangelho anti-bíblico, que tem sido pregado atualmente. Preguemos o verdadeiro evangelho aos pecadores para que vejamos as doutrinas da graça transformarem vidas também fora dos nossos arraiais!

Em terceiro e último lugar, nós devemos praticar. Discursos vazios não produzirão resultados. Pregações não acompanhadas por uma vida transformada de nada valerão. As pessoas precisam ver em nossas vidas aquilo que ouvem de nossos lábios. Isso significa viver em santidade, amando a Deus e ao próximo. Significa ser sal e luz em todos os cantos e recantos (Mt. 5.13-16). Precisamos viver para a glória de Deus, entronizando-O em todas as áreas de nossa vida: família, relacionamentos, estudos, trabalho, lazer, igreja e tudo o mais. "Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus" (I Co. 10.31). Só assim as pessoas verão em nós o reflexo de Cristo e a Reforma avançará transformando nossas vidas, famílias, igrejas, sociedades e governos.

Muitos no dia de hoje escreveram sobre os males da igreja moderna. Eu preferi escrever sobre os bens da Nova Reforma. Que essa seja uma mensagem de esperança e incentivo a todos os cristãos que anseiam, clamam e lutam pela Reforma da Igreja. É hora de nos levantarmos e brilharmos como uma luz que não pode ser apagada! Este é um tempo de mudanças! A Nova Reforma já começou!

"A Reforma da Igreja é obra de Deus e tão independente de esperanças e opiniões humanas quanto a ressurreição dos mortos ou qualquer milagre dessa espécie. Portanto, no que tange à possibilidade de fazer algo em favor dela, não se pode ficar esperando pela boa vontade das pessoas ou pela alteração das circunstâncias da época, mas é preciso irromper por entre o desespero. Deus quer que seu evangelho seja pregado. Vamos obedecer a este mandamento, vamos para onde Ele nos chama. O sucesso não é da nossa conta." (João Calvino, em carta a Carlos V, 1543).

Glossário:

* Ariano: Seguidor dos ensinos de Ário (256-336 d.C), um presbítero de Alexandria que negava a divindade de Jesus, afirmando ser Ele uma criação do Pai.
 

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