quarta-feira, 26 de setembro de 2007

O que significa receber a Cristo? (John Piper)

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Neste vídeo, John Piper fala sobre o significado de "receber a Cristo" e como isso tem sido distorcido pelo Evangelicalismo moderno.


John Piper fala sobre a teologia da prosperidade

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Um vídeo incrível onde John Piper fala sobre a teologia da prosperidade.


domingo, 23 de setembro de 2007

A Segunda Vinda de Cristo e as Últimas Coisas: Lição 3

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Sumário

Introdução
Lição 1: Uma Introdução à Doutrina da Segunda Vinda
Lição 2: Linhas Escatológicas
Lição 3: Como Será a Segunda Vinda
Lição 4: Sinais da Segunda Vinda
Lição 5: As Setenta Semanas de Daniel
Lição 6: A Grande Tribulação
Lição 7: O Anticristo
Lição 8: A Ressurreição e o Estado Intermediário
Lição 9: O Arrebatamento
Lição 10: O Milênio
Lição 11: O Juízo Final
Lição 12: Novos Céus e Nova Terra
Lição 13: Visão Panorâmica de Apocalipse
Bibliografia

Lição 3
Como Será a Segunda Vinda

"Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória. E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus"
(Mateus 24:30-31).

Introdução

Na lição um foi visto que a segunda vinda de Cristo será pessoal, visível e terá como conseqüência os acontecimentos finais do mundo: a ressurreição dos mortos, a transformação dos crentes vivos, o arrebatamento da Igreja para encontrar-se com Cristo, o juízo final e o surgimento dos novos céus e nova terra. Mas não foi estudado qual o tempo de cada um desses acontecimentos em relação à volta de Cristo, ou seja, o que acontecerá antes e depois da segunda vinda, e se haverá grandes períodos de tempo entre esses acontecimentos.

Nesta lição, as passagens que tratam da volta de Cristo serão analisadas detalhadamente para saber-se como será a segunda vinda de Cristo e seus eventos relacionados. Para isso, serão tomados como base, inclusive para as próximas lições, os capítulos 24 e 25 de Mateus, e suas passagens paralelas, em Marcos 13 e Lucas 21.

De acordo com estas passagens, a segunda vinda de Cristo será:

I. Precedida por sinais e pelo Anticristo

Em Mateus 24:3-14, após ser interrogado pelos discípulos sobre o sinal de sua vinda e do fim do mundo, Jesus dá uma lista de vários sinais que antecederão esses acontecimentos, como guerras, fomes, terremotos, perseguições, falsos profetas, apostasia, a pregação do evangelho por todo o mundo, etc. E logo depois, em Mateus 24:24, Cristo prediz o surgimento de falsos cristos e falsos profetas, antes de Sua volta: "porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos"

Certamente haverá vários falsos cristos ou anticristos antes da volta de Jesus, como já havia naquele tempo. Mas Paulo menciona um que merece especial atenção: o homem da iniqüidade, que normalmente é quem recebe o nome de Anticristo. Querendo assegurar que Jesus só voltaria após o aparecimento deste anticristo, Paulo ensinou: "Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto [a segunda vinda de Cristo] não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniqüidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus" (II Tessalonicenses 2:3-4).

Tudo isso demonstra que, ao contrário do que ensina o pós-milenismo, o mundo vai de mal a pior, enchendo cada vez mais a medida de seus pecados, até o dia em que a ira de Deus será derramada sobre ele.

II. Logo após a grande tribulação

Depois de falar sobre a grande tribulação, em Mateus 24:15-22, Jesus inicia a descrição de Sua segunda vinda dizendo: "Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem..." (Mateus 24:29-30). Jesus afirma, portanto, que Sua vinda acontecerá logo após a grande tribulação. Interessantemente, os eleitos participarão da grande tribulação, ao contrário do que ensina o dispensacionalismo. Jesus diz, com respeito à grande tribulação: "Não tivessem aqueles dias sido abreviados, ninguém seria salvo; mas, por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados" (Mateus 24:22). Na grande tribulação, a igreja não sofrerá a ira de Deus (I Tessalonicenses 5:9), mas a ira dos homens (Mateus 24:9).

III. Uma vinda gloriosa

No texto chave da lição é dito que "todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória" (Mateus 24:30). Ao contrário de Sua primeira vinda de humilhação, em que Jesus nasceu numa manjedoura, de uma família pobre, e entrou em Jerusalém sobre um jumento, em Sua segunda vinda, Cristo voltará em glória e poder, sobre um cavalo branco, como o Juiz de todos, Rei dos reis e Senhor dos senhores (Apocalipse 19:11-16).

IV. Seguida pela ressurreição de crentes e incrédulos

Durante Seu ministério terreno, Jesus ensinou que haverá um tempo em que todos ressuscitarão, crentes e incrédulos: "Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo" (João 5:28-29). Em Daniel, vemos o mesmo ensino: "Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno". (Daniel 12:2). Paulo ensina posteriormente que essa hora, na qual os crentes ressuscitarão, é o dia da volta de Cristo: "Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro" (I Tessalonicenses 4:16).

Essas passagens que tratam da ressurreição de crentes e incrédulos não falam de um intervalo entre essas ressurreições, como ensina o pré-milenismo. Pelo contrário, a idéia passada é que crentes e incrédulos ressuscitarão ao mesmo tempo. Isso é confirmado por Apocalipse 1:7, onde é dito que "todo olho o verá, até quantos o transpassaram". Até aqueles que abriram o lado de Jesus com uma lança (João 19:34) estarão vivos no dia da volta de Cristo, para vê-lo com os próprios olhos. Isso só será possível porque eles também ressuscitarão, junto com os crentes. Ou seja, com a volta de Cristo haverá uma ressurreição geral, de crentes e incrédulos.

Outro fato interessante quanto à ressurreição está registrado em I Coríntios 15:23-24: "Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda. E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder". Paulo afirma que Cristo foi o primeiro a ressuscitar, os crentes ressuscitarão em Sua segunda vinda e, após isso, virá o fim. Não fala de grandes períodos de tempo depois da vinda de Cristo, como um milênio. Após a volta de Cristo e a ressurreição virá o fim do mundo.

V. Seguida pelo arrebatamento

Após Sua volta, Jesus afirma que "ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus" (Mateus 24:31). Esse evento, acompanhado por um grande clangor de trombeta, é o mesmo descrito por Paulo em I Tessalonicenses 4:17, também seguido pelo toque da trombeta: "depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor". Em I Coríntios 15:52, Paulo também menciona essa mesma trombeta e os eventos que se seguem: "A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados".

Isso significa que o arrebatamento será logo após a segunda vinda de Cristo em glória e poder, e acontecerá quase ao mesmo tempo em que a ressurreição dos crentes. Com o toque da trombeta os crentes mortos ressuscitarão incorruptíveis, os crentes vivos serão transformados, e todos eles serão arrebatados para encontrar o Senhor nos ares e estarem para sempre com o Senhor.

VI. Seguida pelo juízo final

No capítulo 25 de Mateus, Jesus descreve o juízo final: "Quando vier o Filho do homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda; então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posso do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. [...] Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. [...] E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna" (Mateus 25:31-34,41,46).

Nesta passagem, Jesus deixa claro que o juízo final acontecerá logo após a Sua segunda vinda, no mesmo dia. Esse é o mesmo juízo mencionado pelo apóstolo Paulo em Atos 17:31: "Porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos". É também o juízo profetizado por Enoque, como está registrado em Judas 14 e 15: "Eis que veio o Senhor entre suas santas miríades, para exercer juízo contra todos e para fazer convictos todos os ímpios, acerca de todas as obras ímpias que impiamente praticaram e acerca de todas as palavras insolentes que ímpios pecadores proferiram contra ele".

Nesse dia, todos os homens que já viveram neste mundo serão julgados, crentes e incrédulos. João registra o juízo final em Apocalipse, mencionando que os mortos também serão julgados: "Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o livro da vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros" (Apocalipse 20:12). Por esse motivo, a ressurreição dos mortos acontecerá antes do juízo final.

Judas afirma que até anjos decaídos serão julgados no juízo final: "A anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia" (Judas 6). Será o dia em que todos serão julgados e receberão de Deus o seu destino.

VII. Seguida pelos novos céus e nova terra

Finalmente, a Bíblia ensina que a segunda vinda de Cristo será seguida pelo aparecimento dos novos céus e nova terra. Já em Mateus 24:29 é descrito um abalo nos céus, que acompanha a segunda vinda: "o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados". Pedro se refere ao mesmo evento: "Ora, os céus que agora existem e a terra, pela mesma palavra, têm sido entesourados para fogo, estando reservados para o Dia do Juízo e destruição dos homens ímpios. [...]. Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas. Visto que todas estas coisas hão de ser assim desfeitas, deveis ser tais como os que vivem em santo procedimento e piedade, esperando e apressando a vinda do Dia de Deus, por causa do qual os céus, incendiados, serão desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão" (II Pedro 3:7,10-12). Isso acontece ao mesmo tempo em que Cristo volta, no Dia do Senhor. Será o início do fim do mundo.

Porém, logo após mencionar a destruição deste mundo tal como o conhecemos, Pedro fala de novos céus e nova terra: "Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça" (II Pedro 3:13). E em Apocalipse 21:1 João vê os novos céus e nova terra logo após o juízo final: "Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe". Isso significa que o aparecimento dos novos céus e nova terra acontece logo após a volta de Cristo e o juízo final.

Conclusão

Pelo que se pôde perceber pela análise da própria Bíblia, a visão escatológica que mais se aproxima do ensino geral das Escrituras sobre a segunda vinda de Cristo é o amilenismo. De fato, a volta de Cristo será precedida por sinais, pelo anticristo e pela grande tribulação. Com a vinda de Jesus os mortos em Cristo ressuscitarão incorruptíveis, os crentes vivos serão transformados, ambos serão arrebatados para encontrar-se com Cristo, os demais mortos também ressuscitarão, terá início o juízo final, todos receberão de Deus o seu destino e finalmente aparecerão os novos céus e a nova terra. Tudo isso no chamado Dia do Senhor.

Não há lugar para duas vindas de Cristo, uma secreta e outra pública, como ensina o dispensacionalismo. A Bíblia fala apenas de uma única segunda vinda de Cristo, que será pessoal, visível e pública, com poder e grande glória. Também não há lugar para um arrebatamento antes da grande tribulação, com o objetivo de livrar a igreja desse período. Além da Bíblia não mencionar nada semelhante, as passagens estudadas deixam claro que a igreja estará presente na grande tribulação e que o arrebatamento acontece depois. Não é possível que haja duas ou mais ressurreições, separadas por grandes períodos de tempo, como ensina o pré-milensimo. A Bíblia fala apenas de uma única ressurreição geral, de crentes e incrédulos. Um milênio neste mundo, antes ou depois da volta de Cristo, também é impossível diante das passagens analisadas. Finalmente, não haverá vários juízos, para crentes, incrédulos e anjos, mas o mesmo juízo final determinará o destino eterno de todos.

Na próxima lição serão estudados os vários sinais registrados na Bíblia que antecedem e asseguram a segunda vinda de Cristo.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

A operação da graça

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A operação da graça

Uma simples poema não é capaz
De descrever o divino sentimento
Que Deus, em seu coração, traz
Por estes que são seu contentamento

A obra iniciada pelas santas mãos
Não podem ser interrompidas
Sobre nós cairão ricas bençãos
Graça e misericórdia sem medidas

Quem somos nós? Pobres pecadores
Mas a graça trouxe-nos a dignidade perdida
Livrou-nos do pecado e de seus horrores
Das trevas à luz, da morte à vida

Quem é semelhante a Ti, oh Forte!
Contigo está o perdão e a salvação
O poder que venceu a morte
A graça que curou meu coração

A Segunda Vinda de Cristo e as Últimas Coisas: Lição 2

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Sumário

Introdução
Lição 1: Uma Introdução à Doutrina da Segunda Vinda
Lição 2: Linhas Escatológicas
Lição 3: Como Será a Segunda Vinda
Lição 4: Sinais da Segunda Vinda
Lição 5: As Setenta Semanas de Daniel
Lição 6: A Grande Tribulação
Lição 7: O Anticristo
Lição 8: A Ressurreição e o Estado Intermediário
Lição 9: O Arrebatamento
Lição 10: O Milênio
Lição 11: O Juízo Final
Lição 12: Novos Céus e Nova Terra
Lição 13: Visão Panorâmica de Apocalipse
Bibliografia

Lição 2
Linhas Escatológicas

"Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele os mil anos"
(Apocalipse 20:6).

Introdução

A palavra "escatologia" vem da combinação das palavras gregas "escathos", que significa "último", e "logia", que significa "estudo". Logo, a escatologia é o estudo das últimas coisas.

A escatologia é a área de estudo mais complexa e polêmica da teologia sistemática. As diferentes interpretações ocorrem quanto ao significado do milênio e sua relação temporal com a segunda vinda de Cristo. A palavra "milênio" significa "mil anos" e o termo vem do capítulo 20 de Apocalipse, onde é mencionado um reino de mil anos, como no texto chave desta lição. 

Há quatro linhas escatológicas principais entre os cristãos, todas tomando como base o tempo e significado do milênio, e sua relação com a segunda vinda de Cristo: pré-milenismo histórico, pré-milenismo dispensacionalista (ou pré-tribulacional), pós-milenismo e amilenismo. Nesta lição, cada uma dessas linhas de interpretação serão apresentadas com detalhes.

I. Pré-milenismo Histórico

O pré-milenismo histórico é uma interpretação encontrada em alguns pais da igreja, nos três primeiros séculos do Cristianismo, e em alguns protestantes durante a história, mas pouco comum atualmente. O prefixo "pré" significa "antes" e o pré-milenismo histórico ensina que a volta de Cristo ocorrerá antes do milênio.

Para esta visão escatológica, pouco antes da volta de Cristo haverá uma grande tribulação com duração indefinida, da qual a igreja participará. O chamado anticristo aparecerá neste período. Após a grande tribulação Cristo voltará de forma visível e gloriosa, ocorrerá a ressurreição dos crentes mortos, transformação dos crentes vivos e arrebatamento da Igreja para encontrar-se com Cristo em Seu retorno. Muitos dos incrédulos que estiverem vivos durante a segunda vinda se converterão, mas não todos.

Com a volta de Cristo a este mundo, Satanás será preso e Cristo inaugurará um reinado de mil anos sobre a terra, junto com os crentes ressurretos. Há divergência de opinião quanto à duração desse reinado ser de mil anos literais ou não. O milênio será um período de paz e grande progresso, onde o pecado estará controlado, mas não aniquilado, pois ainda haverá incrédulos vivendo sobre a terra.

Ao final do milênio, Satanás será solto e reunirá os incrédulos que se submeteram externamente ao reinado de Cristo, mas que nunca se converteram de fato, e os levará a batalhar contra Cristo e Seus santos. Porém, esses rebeldes serão derrotados definitivamente. Satanás será lançado no inferno, Cristo ressuscitará todos os incrédulos que já viveram neste mundo e se iniciará o juízo final, do qual participarão crentes, incrédulos e os anjos. Após o juízo final, os incrédulos serão lançados no inferno e os crentes entrarão no estado eterno, nos novos céus e na nova terra.

II. Pré-milenismo Dispensacionalista

O pré-milenismo dispensacionalista é uma nova variedade do pré-milenismo e surgiu no século XIX. Conquistou ampla popularidade em círculos fundamentalistas e é atualmente a visão escatológica mais conhecida entre os cristãos protestantes. Esta linha de interpretação também acredita que a volta de Cristo ocorrerá antes do milênio, como o pré-milenismo histórico. Porém, acrescenta-se mais uma vinda de Cristo antes da grande tribulação, que será um retorno secreto para tirar a Igreja deste mundo, e por isso esta visão é também chamada de pré-milenismo pré-tribulacional.

Segundo o dispensacionalismo (o sistema teológico onde o pré-milenismo dispensacionalista está incluído), a história da humanidade pode ser dividida em sete dispensações ou períodos, na qual Deus trata com o homem, especialmente com a nação de Israel, que é o centro do propósito de Deus. A Igreja do Novo Testamento seria um povo diferente de Israel do Antigo, e a atual era da Igreja, apenas um parênteses no plano divino para com os judeus.

No final da nossa era, chamada de dispensação da graça ou da Igreja, haverá um retorno secreto de Cristo antes da grande tribulação. Este retorno será invisível ao mundo e com ele haverá a ressurreição dos crentes mortos, transformação dos crentes vivos e o arrebatamento de ambos para encontrar-se com Cristo nos ares, ser julgados no chamado "tribunal de Cristo" e celebrar no céu as "bodas do Cordeiro". Este retorno secreto é conhecido como a primeira fase da segunda vinda.

Com o arrebatamento da Igreja se iniciará um período de grande tribulação no mundo, com duração de sete anos, pois segundo o dispensacionalismo este período será a última semana de anos de Daniel 9:24-27 (as setenta semanas de Daniel serão estudadas em detalhes na lição 5). Neste período, o anticristo terá um governo mundial em todo o mundo e perseguirá o povo judeu, que aceitará a Cristo como o Messias. No final da grande tribulação, Cristo retornará visivelmente ao mundo com a Igreja, no Monte das Oliveiras, e restaurará a nação de Israel. As nações serão julgadas e algumas delas deixadas para viver no milênio com Cristo. O anticristo e o falso profeta serão lançados no inferno, Satanás será preso, os crentes mortos durante a grande tribulação serão ressuscitados e se iniciará o milênio. Esta vinda visível de Cristo no final da grande tribulação é conhecida como a segunda fase da segunda vinda.

No milênio, haverá dois povos de Deus: Israel e Igreja, sendo a nação de Israel o principal povo do milênio. Haverá outros povos no milênio que foram julgados e tiveram sua participação permitida nesse reino. Porém, muitos dentre eles ainda serão incrédulos. Devido a isso, no final do milênio, Satanás será solto e levará os rebeldes a guerrearem contra Cristo e Seu povo, sendo destruídos por fim. Haverá, então, a ressurreição dos incrédulos e o juízo final, onde apenas os incrédulos serão julgados e lançados no inferno. Após o juízo final surgem os novos céus e a nova terra, onde os crentes habitarão eternamente com Deus. Alguns dispensacionalistas crêem que na eternidade ainda haverá uma diferença entre Israel e Igreja, enquanto outros crêem que os dois serão unidos num único povo.

III. Pós-milenismo

O pós-milenismo surgiu no século XVIII e é mais comum entre os protestantes de tradição reformada, apesar de atualmente alguns neopentecostais estarem adotando esse posicionamento. O prefixo "pós" significa "depois" e o pós-milenismo ensina que a vinda de Cristo acontecerá após o milênio.

Segundo esta interpretação, o milênio é simbólico e se refere ao reinado de Cristo na terra através da Igreja, que se iniciou com a Sua primeira vinda, mas que terá sua plenitude no futuro. Com a pregação do evangelho em todo o mundo, a Igreja aumentará em número, a ponto de quase todos se tornarem cristãos. Quando isso acontecer haverá um período de paz, prosperidade e grande avivamento em todo o mundo, de maneira sem precedentes na história. Esse período em particular é considerado como a plena manifestação do milênio e terá uma duração bastante longa, mas não necessariamente de mil anos. 

Para o pós-milenismo, não haverá um anticristo futuro, uma grande tribulação ou uma grande apostasia antes da volta de Cristo. As passagens que falam desses assuntos são normalmente interpretadas como já tendo se cumprido, através de uma linha de interpretação das profecias chamada preterismo, que será estudada na lição treze, sobre o Apocalipse. Outro distintivo do pós-milenismo é ensinar que o número de salvos será maior que o número de perdidos, tamanho será o número de conversões durante o milênio.

Após o milênio, Cristo voltará de forma visível, os mortos crentes e incrédulos ressuscitarão, os crentes vivos serão transformados, haverá o arrebatamento da Igreja, o juízo final para crentes, incrédulos e os anjos, e finalmente os novos céus e a nova terra.

IV. Amilenismo

O amilenismo foi a linha escatológica mais aceita entre os cristãos desde o século IV até o século XIX. Foi desenvolvido por Agostinho no século IV e V, mas é anterior a ele. Atualmente é a posição mais comum entre os cristãos reformados.

O nome dado a esta interpretação é inadequado, pois parece significar que para esta posição não há milênio algum, o que não é verdade. Para o amilenismo, o milênio é simbólico e não se refere a um reino físico de Cristo na terra por mil anos, mas ao seu reino celestial, com os santos que morreram e estão no céu, durante toda a era da Igreja. O número 1000 não é literal, mas simbólico, sendo derivado do número 10 (10 x 10 x 10 = 1000), que na Bíblia significa plenitude.

Com a primeira vinda de Cristo e o início do Novo Testamento, Satanás foi preso num sentido espiritual, e sua influência sobre as nações foi reduzida de forma que é possível a pregação do evangelho por todo o mundo. No final da era da Igreja, Satanás será solto, o anticristo surgirá e terá início a grande tribulação, pela qual a Igreja também passará. Após a grande tribulação, Cristo voltará de forma visível para todo o mundo, ressuscitará os crentes mortos, transformará os crentes vivos e os arrebatará até Sua presença. Ao mesmo tempo, os demais mortos também serão ressuscitados e se iniciará o juízo final, do qual todos participarão, crentes, incrédulos e os anjos. Após o juízo final o destino eterno de todos será proclamado: nos novos céus e nova terra com Deus ou no inferno com o diabo. Após o juízo final surgirão os novos céus e a nova terra, onde os salvos habitarão com Deus por toda a eternidade.

Conclusão

Nesta lição foram estudadas as principais linhas escatológicas, mas sem uma análise profunda das passagens bíblicas que cada uma delas utiliza para apoiar sua visão, devido ao tempo e propósito deste curso. A intenção não é estudar cada visão escatológica em particular, com todas seus argumentos e implicações, mas estudar o que a Bíblia ensina sobre a segunda vinda de Cristo, utilizando para isso a visão amilenista especificamente. Cabe aqui, porém, alguns comentários sobre os erros das diferentes interpretações estudadas nesta lição.

O principal erro do pré-milenismo histórico e dispensacionalista é interpretar o milênio literalmente, como sendo um reino físico e material de Cristo neste mundo, desprezando o simbolismo de Apocalipse em torno dos números e figuras. Outro erro é a crença em duas ou mais ressurreições, algumas antes do milênio para crentes e uma depois do milênio para os incrédulos. O dispensacionalismo em particular falha ao entender Israel e Igreja como dois povos diferentes, ao inventar uma vinda secreta de Cristo antes da grande tribulação apenas para crentes e ao separar os momentos de julgamento. O pós-milenismo é muito semelhante ao amilenismo, mas falha também por entender o milênio como um reino a ser implantando neste mundo e por sua visão otimista do futuro, distorcendo as passagens bíblicas que falam sobre uma grande tribulação e apostasia finais.

O amilenismo é a visão mais simples, natural e bíblica de todas, como se perceberá no decorrer deste curso. Como foi dito no início desta lição, a base para as divisões escatológicas existentes é o milênio e não a segunda vinda de Cristo propriamente dita. Isso é muito triste, pois a Bíblia não dá tal ênfase ao milênio, que só aparece uma única vez na Bíblia, em Apocalipse 20. A ênfase bíblica é sobre a segunda vinda de Cristo, que era a esperança da igreja primitiva. É perigoso montar todo um sistema teológico em cima de uma única passagem, de um livro simbólico como Apocalipse, e assim tentar acomodar toda a Bíblia segundo essa visão. Ao contrário, o milênio e todo o Apocalipse devem ser acomodados dentro do ensino geral das Escrituras sobre a volta de Cristo. O Apocalipse deve ser interpretado à luz da Bíblia, e não a Bíblia à luz do Apocalipse. E o amilenismo é a linha escatológica que cumpre essa tarefa com mais perfeição, colocando o milênio em seu devido lugar e enfatizando a grande doutrina da segunda vinda de Cristo, como faz o Novo Testamento.

Na próxima lição e na lição dez veremos como será a segunda vinda de Cristo e o milênio de acordo com a visão amilenista, desta vez analisando o que a própria Bíblia diz a respeito. E nas demais lições, cada um dos eventos mencionados nesta aula, relacionados com a segunda vinda de Cristo, serão estudados com detalhes.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

A Segunda Vinda de Cristo e as Últimas Coisas: Sumário, Introdução e Lição 1

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Sumário

Introdução
Lição 1: Uma Introdução à Doutrina da Segunda Vinda
Lição 2: Linhas Escatológicas
Lição 3: Como Será a Segunda Vinda
Lição 4: Sinais da Segunda Vinda
Lição 5: As Setenta Semanas de Daniel
Lição 6: A Grande Tribulação
Lição 7: O Anticristo
Lição 8: A Ressurreição e o Estado Intermediário
Lição 9: O Arrebatamento
Lição 10: O Milênio
Lição 11: O Juízo Final
Lição 12: Novos Céus e Nova Terra
Lição 13: Visão Panorâmica de Apocalipse
Bibliografia

Introdução

A presente apostila foi preparada inicialmente para servir de apoio nas aulas de escatologia para a classe de jovens e adolescentes, da igreja local do autor. Mas a intenção do autor é que ela seja utilizada por qualquer professor, para ensino de qualquer classe, em qualquer igreja.

Ao contrário da maioria dos trabalhos sobre escatologia existentes no meio pentecostal atualmente, com uma perspectiva pré-milenista dispensacionalista, a abordagem desta apostila é amilenista. É convicção do autor que o amilenismo é a mais fiel expressão do ensino da Palavra de Deus quanto à segunda vinda de Cristo e às ultimas coisas.

Esta apostila foi dividida em treze lições, para duração de um trimestre, conforme o modelo padrão de revistas e apostilas de Escola Bíblica Dominical. Cada lição tem um formato padrão, com o texto bíblico chave e o conteúdo dividido em tópicos. 

É desejo do autor que este trabalho seja um instrumento valioso nas mãos de professores e alunos, para o ensino e aprendizado desta importante doutrina que é a segunda vinda de Cristo. E que, ao final deste estudo, a esperança da volta de Jesus encha de tal forma os corações que todos possam orar junto com o apóstolo João: "Vem, Senhor Jesus!" (Apocalipse 22:20).

André Aloísio Oliveira da Silva
Campinas, 1 de setembro de 2007

Lição 1
Uma Introdução à Doutrina da Segunda Vinda

"Eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras"
(Apocalipse 22:12).

Introdução

A doutrina da segunda vinda de Cristo é uma das mais importantes doutrinas da Bíblia. O Novo Testamento está repleto de referências a ela. Jesus e os apóstolos falaram muito freqüentemente sobre o assunto. Todos os principais credos, confissões e declarações de fé dos cristãos, produzidos no decorrer da história, fazem menção desta doutrina. Por todas essas razões, é importante ter-se um conhecimento exato desta grande verdade da Palavra de Deus. 

I. A certeza da Segunda Vinda

Que Cristo virá novamente, é tão certo quanto Sua primeira vinda. O Novo Testamento menciona a volta de Cristo trezentos e dezenove vezes, além das centenas de referências no Antigo Testamento. Capítulos inteiros foram dedicados ao tema, como Mateus 24 e 25, Marcos 13 e Lucas 21; e livros inteiros foram escritos para tratar deste assunto, como I e II Tessalonicenses.

Jesus disse: "E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também" (João 14:3). Paulo escreveu: "Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus" (I Tessalonicenes 4:16). Na Epístola aos Hebreus é dito que Cristo "aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação" (Hebreus 9:28). Tiago disse que "a vinda do Senhor está próxima" (Tiago 5:8). E, finalmente, o livro de Apocalipse, que contém várias referências à volta de Cristo, registra uma promessa de Jesus no final: "Certamente, venho sem demora" (Apocalipse 22:20).

II. Como será a Segunda Vinda

Existem diferentes interpretações a respeito de como será a segunda vinda de Cristo. Há discordância sobre alguns detalhes, como a seqüência da volta de Cristo, ou seja, o que acontecerá logo antes e logo depois. Apesar de serem detalhes que não devem dividir os cristãos, se não entendidos corretamente podem levar a interpretações antibíblicas, algumas delas muito perigosas. Estaremos estudando as principais linhas de interpretação sobre a volta de Jesus na próxima lição, e na lição três veremos com mais detalhes como será a segunda vinda de Cristo. Neste momento nos concentraremos naquilo que todos os cristãos crêem (ou deveriam crer) em comum sobre esta doutrina.

A Bíblia ensina que a segunda vinda de Cristo:

a) Será pessoal: Isso significa que o próprio Jesus virá novamente, em pessoa, com o mesmo corpo glorificado com que ressuscitou e da mesma forma como subiu aos céus. Algumas seitas, como as Testemunhas de Jeová, ensinam que a volta de Cristo é espiritual e que nem todos saberão quando isso acontecer. Outros, como os preteristas radicais, ensinam que Jesus já voltou na destruição de Jerusalém, em 70 d.C. Há quem argumente que a segunda vinda de Cristo foi o derramamento do Espírito Santo no Pentecostes. Porém, a Bíblia ensina claramente que Jesus voltará pessoalmente. Enquanto Jesus subia aos céus, dois anjos disseram aos discípulos: "Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do mesmo modo como o vistes subir" (Atos 1:11).

b) Será visível: A Bíblia ensina que todos verão Jesus quando Ele voltar. Será um evento público e muito visível. Jesus disse, referindo-se à Sua vinda: "Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória" (Mateus 24:30). E em Apocalipse lemos: "Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o transpassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amém" (Apocalipse 1:7).

c) Terá como conseqüência os acontecimentos finais do mundo: Com a volta de Cristo haverá a ressurreição dos mortos (I Coríntios 15:22-23), a transformação dos crentes vivos (I Coríntios 15:51-52), o arrebatamento da Igreja para encontrar-se com Cristo (I Tessalonicenses 4:15-17), o juízo final (Atos 17:31) e o surgimento dos novos céus e nova terra (I Pedro 3:11-13). Cada um desses eventos e seu tempo em relação à volta de Cristo serão estudados detalhadamente nas próximas lições.

III. Quando será a Segunda Vinda

Durante a história, muitos falsos profetas tentaram marcar datas para a volta de Cristo. Mas a Bíblia ensina que a vinda de Cristo será repentina, como ladrão de noite, e que ninguém sabe o momento de Seu aparecimento. A respeito disso, Jesus disse: "Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai" (Mateus 24:36). Alguns argumentam que nós não sabemos apenas o dia e a hora, mas podemos saber o mês e o ano. Isso é uma distorção das palavras de Jesus, pois é claro pelo contexto que Sua intenção foi demonstrar a impossibilidade de se prever o Seu retorno em qualquer sentido. Além disso, a Bíblia não dá pista alguma sobre a data de Sua volta.

Na continuação da passagem, Jesus diz: "Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor... Por isso, ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do homem virá" (Mateus 24:42,44). O fato de não sabermos quando Jesus voltará deve nos levar a viver em constante vigilância, nos santificando a cada dia e confirmando a nossa vocação e eleição (II Pedro 1:10), para que não sejamos pegos de surpresa naquele dia (I Tessalonicenses 5:4).

IV. A Esperança da Segunda Vinda

A segunda vinda de Cristo deve ser a maior esperança do cristão, pois quando Ele voltar nossa salvação finalmente se completará, com a glorificação de nossos corpos mortais para serem semelhantes ao de Jesus (Romanos 8:11,17-25,30). O cristão deve estar sempre "aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus" (Tito 2:13). Em seu viver diário ele deve refletir essa expectativa, vivendo de modo santo e piedoso, esperando e apressando a vinda de Cristo (II Pedro 3:11-12), aguardando o grande dia em que "seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é" (I João 3:2).
 

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