terça-feira, 6 de novembro de 2007

Disciplina e Soberania de Deus

1 Comentário

Os e-mails abaixo foram trocados entre mim e uma grande amiga, nos dias 23 e 27 de outubro, e estão sendo publicados com sua autorização.

Após a leitura do meu e-mail, assim ela se expressou: "Obrigada pelo seu e-mail, suas palavras me edificaram. Quando olhamos que tudo o que acontece está no controle do Senhor, a vida tem outro sentido. Creio que muitos devem compreender esta verdade."

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Olá André, que a paz de Nosso Amado Mestre seja contigo!

Como está? Gostaria de lhe fazer uma perguntinha: Como vc lida com as correções e discplinas que vem sobre sua vida? Tem um espírito submisso? Espero uma resposta....

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Antes de mais nada, peço desculpas pela demora em responder. As coisas andam um pouco corridas.

Indo diretamente à questão da disciplina de Deus sobre nossas vidas, há dois aspectos a se analisar: o teológico e o prático. No nível teológico podemos dizer que há pessoas que não crêem na disciplina de Deus. Elas acham que Deus não castiga seus filhos, já que Jesus sofreu na cruz por nós. De fato, Cristo já sofreu tudo o que merecíamos pelos nossos pecados, mas a disciplina de Deus não tem em vista nos fazer "pagar" pelos nossos pecados, e sim nos levar a ser participantes da Sua santidade. Isso é claramente ensinado no capítulo 12 da Epístola aos Hebreus e como você já crê nisso, não insistirei nesse ponto.

Mas o problema com a maioria das pessoas, ainda no nível teológico, é não saber discernir a disciplina de Deus sobre sua vida, por não crer na sobernia de Deus. Quase sempre, ao passar por um momento difícil ou uma dificuldade, a atitude da grande maioria dos cristãos (e outros que tem o nome "cristão", mas não o são) é atribuir isso ao diabo. Em muitos casos o diabo pode até ser o responsável, mas mesmo nesses casos a mão de Deus está por trás. Quando passamos por uma dificuldade isso pode ser uma disciplina, uma prova ou simplesmente a mão de Deus usando o nosso problema para o tornar em bem. Em todos os casos, mesmo se o diabo estiver envolvido, Deus é o responsável em última análise.

Temos alguns exemplos disso na Bíblia. O caso de José no Egito, que foi vendido pelos próprios irmãos como escravo e foi parar no Egito. Depois de tudo o que ele passou, ele bem que poderia ter dito que tudo isso foi uma conspiração diabólica contra ele. Mas não. No final de Gênesis ele chega a uma conclusão extraordinária, conversando com seus irmãos: "Assim, não fostes vós que me enviastes para cá, e sim Deus, que me pôs por pai de Faraó, e senhor de toda a sua casa, e como governador em toda a terra do Egito" ( Gn.45:8); "Vós, na verdade, intestates o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida" (Gn.50:20). Neste caso, Deus tinha o propósito de usar as adversidades em sua vida para produzir um bem muito maior: a preservação da vida de muitas pessoas no Egito e em Canaã, principalmente os filhos de Israel.

Outro caso, muito conhecido, é o de Jó. E neste caso a própria Bíblia declara que o diabo estava envolvido. Foi ele quem pediu permissão a Deus para destruir os bens, a família e a saúde de Jó. Porém, ao passar por todo esse sofrimento, Jó teve a incrível atitude de se prostrar em adoração e atribuir todo o mal pelo qual tinha passado a Deus: "Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR" (Jó 1:21). Um pouco depois, conversando com sua esposa, ele pergunta: "Temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal?". E o autor do livro observa: "Em tudo isto não pecou Jó com seus lábios" (Jó 2:10). Nesta história, o motivo das aflições de Jó era provar a sua fé. E após todo o sofrimento, ele foi aprovado, de tal modo que Deus restituiu em dobro tudo o que ele havia perdido. Será que Jó teria sido aprovado se tivesse atribuído os males pelos quais passou ao diabo? Tenho certeza que não.

Finalmente, temos o caso de Davi, que foi incitado pelo diabo para levantar o censo de Israel: "Então, Satanás se levantou contra Israel e incitou a Davi a levantar o censo de Israel" (I Cr.21:1). Porém, pasme, na passagem paralela que se encontra em I Samuel 24:1 é dito que quem o incitou a levantar o censo foi o próprio Deus! "Tornou a ira do SENHOR a acender-se contra os israelitas, e ele incitou a Davi contra eles, dizendo: Vai, levanta o censo de Israel e de Judá". Não há como explicar essa aparente contradição, senão que Deus usou o diabo como um instrumento para incitar Davi a fazer o censo e, como consequência, castigar os filhos de Israel. Isso pode parecer loucura para a maioria dos cristãos hoje, mas isso se deve ao fato de não entenderem a importante doutrina da soberania de Deus. Deus é o Rei do Universo e tem o mundo todo em Suas poderosas mãos. Não há nenhuma criatura que esteja fora do Seu controle, nem mesmo o diabo. Como disse Lutero, "o diabo é diabo de Deus".

Deixando um pouco essa questão da soberania de Deus e voltando à disciplina, temos um exemplo de disciplina divina na vida de Moisés. Por ter desobedecido à ordem de Deus de falar à rocha, ao invés de feri-la, ele perdeu o direito de entrar na terra prometida, morrendo pouco antes disso (Nm.27:12-14; Dt.34:1-8). No Novo Testamento temos a história de Ananias e Safira. É difícil afirmar se eles eram verdadeiros cristãos ou apenas joio no meio do trigo. Mas é bem provável que fossem filhos de Deus realmente, que devido ao pecado de mentirem ao Espírito Santo (At.5:3) foram disciplinados por Ele com uma morte fulminante (At.5:5,10). Na igreja de Corinto havia pessoas que estavam doentes e outras que tinham morrido por terem participado indignamente da Ceia do Senhor (I Co.11:30-31). Claramente, uma disciplina de Deus sobre a igreja.

Analisando agora o aspecto prático da disciplina, alguém poderia perguntar: como agir diante de uma dificuldade, encará-la como disciplina de Deus ou obra do diabo? É necessário certo discernimento para saber a forma correta de se agir. Mas quando temos em vista que Deus é soberano e nada acontece por acaso, mesmo as artimanhas do diabo, somos muito mais receptivos aos sofrimentos dessa vida e conseguimos agir com mais sabedoria. Eu diria que diante de uma dificuldade o melhor a se fazer é orar e buscar em Deus o alívio do sofrimento. Se Deus é diretamente responsável pelo problema, ou se está usando o diabo como um instrumento e causa secundária, nos dois casos o único que poderá resolver a situação é o próprio Deus.

A soberania de Deus também é o segredo do poder na oração, pois só podemos crer verdadeiramente que para Deus não há impossíveis se cremos que Ele tem o mundo e todo ser que nele há debaixo de Seu controle absoluto. Quando oramos a Deus vendo-o como o soberano de todo o Universo, conseguimos orar com poder e humildade, podendo dizer como Pedro disse à discipula morta - Tabita, levanta-te! - ou como Jesus disse no Getsêmani: "Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua" ( Lc.22:42). Deus pode fazer a nossa vontade (como no caso de Pedro) ou não (como no caso de Jesus, sem entrar em detalhes sobre Sua divindade). Mas em todos os casos, Deus fará a Sua vontade, e é isso que importa. "Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu", diz a Oração do Senhor. Mesmo que Ele não atenda ao nosso pedido e nos responda como fez a Paulo - a minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza - sabemos que Ele faz sempre o melhor, e que "todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito" (Rm.8:28). Se é uma disciplina, uma provação, uma tentação de Satanás, ou qualquer outra coisa semelhante, nada foge da regra de Romanos 8:28 e a solução de todas essas dificuldades é o próprio Deus: "Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós" (I Pe.5:6-7).

Lançando toda essa base teológica e prática, finalmente respondo sua pergunta. Eu confesso com humildade que muitas vezes tenho dificuldades em aceitar com um espírito submisso certas disciplinas que sobrevêm à minha vida. Sou um pecador que precisa ser conformado cada vez mais à imagem de Cristo, e espero pela salvação inteiramente na graça de Deus. Mas posso te garantir que após conhecer e crer na soberania de Deus, como a Bíblia nos ensina e como demonstrei neste e-mail, passei a olhar as adversidades e toda a minha vida com outros olhos, como se tudo fosse parte do grande plano de Deus para mim e para o mundo. Esse tipo de pensamento tem me ensinado a aceitar as disciplinas, provas e demais adversidades com submissão e humildade cada vez maior, e dou a Deus toda a glória por isso.

Não sei como você tem encarado seus problemas e dificuldades. Não sei se tem a atitude de Jó ou a de muitos cristãos modernos, que consideram todo problema como satânico. Mas gostaria de te dizer, concluindo este e-mail, que a única forma de encarar as adversidades como os homens de Deus mencionados na Bíblia encaravam é crendo e vivendo esta bendita doutrina da soberania de Deus. Muitos acham assuntos como esse muito teóricos e sem aplicação prática. Nada mais longe da verdade. Uma compreensão correta dos ensinos bíblicos quanto a esses assuntos pode mudar completamente a vida de uma pessoa, como aconteceu comigo. Minha oração é que Deus use este e-mail para te dar uma compreensão maior dessas verdades e, neste caso específico, te ensinar a lidar com a disciplina com um espírito quebrantado e contrito.

Que Deus te abençoe grandemente!

Comentários

1 comentário em "Disciplina e Soberania de Deus"

david santos disse...
26 de nov de 2007 11:10:00

VEJAM A VERDADE

HÁ TANTO SEGUIDOR DE DEUS,
MAS AMANTE DO DIABO,
QUE NADA FAZ PELO SEU
CORPO INERTE, ALI PROSTRADO.

David Santos

 

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