domingo, 23 de setembro de 2007

A Segunda Vinda de Cristo e as Últimas Coisas: Lição 3

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Sumário

Introdução
Lição 1: Uma Introdução à Doutrina da Segunda Vinda
Lição 2: Linhas Escatológicas
Lição 3: Como Será a Segunda Vinda
Lição 4: Sinais da Segunda Vinda
Lição 5: As Setenta Semanas de Daniel
Lição 6: A Grande Tribulação
Lição 7: O Anticristo
Lição 8: A Ressurreição e o Estado Intermediário
Lição 9: O Arrebatamento
Lição 10: O Milênio
Lição 11: O Juízo Final
Lição 12: Novos Céus e Nova Terra
Lição 13: Visão Panorâmica de Apocalipse
Bibliografia

Lição 3
Como Será a Segunda Vinda

"Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória. E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus"
(Mateus 24:30-31).

Introdução

Na lição um foi visto que a segunda vinda de Cristo será pessoal, visível e terá como conseqüência os acontecimentos finais do mundo: a ressurreição dos mortos, a transformação dos crentes vivos, o arrebatamento da Igreja para encontrar-se com Cristo, o juízo final e o surgimento dos novos céus e nova terra. Mas não foi estudado qual o tempo de cada um desses acontecimentos em relação à volta de Cristo, ou seja, o que acontecerá antes e depois da segunda vinda, e se haverá grandes períodos de tempo entre esses acontecimentos.

Nesta lição, as passagens que tratam da volta de Cristo serão analisadas detalhadamente para saber-se como será a segunda vinda de Cristo e seus eventos relacionados. Para isso, serão tomados como base, inclusive para as próximas lições, os capítulos 24 e 25 de Mateus, e suas passagens paralelas, em Marcos 13 e Lucas 21.

De acordo com estas passagens, a segunda vinda de Cristo será:

I. Precedida por sinais e pelo Anticristo

Em Mateus 24:3-14, após ser interrogado pelos discípulos sobre o sinal de sua vinda e do fim do mundo, Jesus dá uma lista de vários sinais que antecederão esses acontecimentos, como guerras, fomes, terremotos, perseguições, falsos profetas, apostasia, a pregação do evangelho por todo o mundo, etc. E logo depois, em Mateus 24:24, Cristo prediz o surgimento de falsos cristos e falsos profetas, antes de Sua volta: "porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos"

Certamente haverá vários falsos cristos ou anticristos antes da volta de Jesus, como já havia naquele tempo. Mas Paulo menciona um que merece especial atenção: o homem da iniqüidade, que normalmente é quem recebe o nome de Anticristo. Querendo assegurar que Jesus só voltaria após o aparecimento deste anticristo, Paulo ensinou: "Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto [a segunda vinda de Cristo] não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniqüidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus" (II Tessalonicenses 2:3-4).

Tudo isso demonstra que, ao contrário do que ensina o pós-milenismo, o mundo vai de mal a pior, enchendo cada vez mais a medida de seus pecados, até o dia em que a ira de Deus será derramada sobre ele.

II. Logo após a grande tribulação

Depois de falar sobre a grande tribulação, em Mateus 24:15-22, Jesus inicia a descrição de Sua segunda vinda dizendo: "Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem..." (Mateus 24:29-30). Jesus afirma, portanto, que Sua vinda acontecerá logo após a grande tribulação. Interessantemente, os eleitos participarão da grande tribulação, ao contrário do que ensina o dispensacionalismo. Jesus diz, com respeito à grande tribulação: "Não tivessem aqueles dias sido abreviados, ninguém seria salvo; mas, por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados" (Mateus 24:22). Na grande tribulação, a igreja não sofrerá a ira de Deus (I Tessalonicenses 5:9), mas a ira dos homens (Mateus 24:9).

III. Uma vinda gloriosa

No texto chave da lição é dito que "todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória" (Mateus 24:30). Ao contrário de Sua primeira vinda de humilhação, em que Jesus nasceu numa manjedoura, de uma família pobre, e entrou em Jerusalém sobre um jumento, em Sua segunda vinda, Cristo voltará em glória e poder, sobre um cavalo branco, como o Juiz de todos, Rei dos reis e Senhor dos senhores (Apocalipse 19:11-16).

IV. Seguida pela ressurreição de crentes e incrédulos

Durante Seu ministério terreno, Jesus ensinou que haverá um tempo em que todos ressuscitarão, crentes e incrédulos: "Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo" (João 5:28-29). Em Daniel, vemos o mesmo ensino: "Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno". (Daniel 12:2). Paulo ensina posteriormente que essa hora, na qual os crentes ressuscitarão, é o dia da volta de Cristo: "Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro" (I Tessalonicenses 4:16).

Essas passagens que tratam da ressurreição de crentes e incrédulos não falam de um intervalo entre essas ressurreições, como ensina o pré-milenismo. Pelo contrário, a idéia passada é que crentes e incrédulos ressuscitarão ao mesmo tempo. Isso é confirmado por Apocalipse 1:7, onde é dito que "todo olho o verá, até quantos o transpassaram". Até aqueles que abriram o lado de Jesus com uma lança (João 19:34) estarão vivos no dia da volta de Cristo, para vê-lo com os próprios olhos. Isso só será possível porque eles também ressuscitarão, junto com os crentes. Ou seja, com a volta de Cristo haverá uma ressurreição geral, de crentes e incrédulos.

Outro fato interessante quanto à ressurreição está registrado em I Coríntios 15:23-24: "Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda. E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder". Paulo afirma que Cristo foi o primeiro a ressuscitar, os crentes ressuscitarão em Sua segunda vinda e, após isso, virá o fim. Não fala de grandes períodos de tempo depois da vinda de Cristo, como um milênio. Após a volta de Cristo e a ressurreição virá o fim do mundo.

V. Seguida pelo arrebatamento

Após Sua volta, Jesus afirma que "ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus" (Mateus 24:31). Esse evento, acompanhado por um grande clangor de trombeta, é o mesmo descrito por Paulo em I Tessalonicenses 4:17, também seguido pelo toque da trombeta: "depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor". Em I Coríntios 15:52, Paulo também menciona essa mesma trombeta e os eventos que se seguem: "A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados".

Isso significa que o arrebatamento será logo após a segunda vinda de Cristo em glória e poder, e acontecerá quase ao mesmo tempo em que a ressurreição dos crentes. Com o toque da trombeta os crentes mortos ressuscitarão incorruptíveis, os crentes vivos serão transformados, e todos eles serão arrebatados para encontrar o Senhor nos ares e estarem para sempre com o Senhor.

VI. Seguida pelo juízo final

No capítulo 25 de Mateus, Jesus descreve o juízo final: "Quando vier o Filho do homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda; então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posso do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. [...] Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. [...] E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna" (Mateus 25:31-34,41,46).

Nesta passagem, Jesus deixa claro que o juízo final acontecerá logo após a Sua segunda vinda, no mesmo dia. Esse é o mesmo juízo mencionado pelo apóstolo Paulo em Atos 17:31: "Porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos". É também o juízo profetizado por Enoque, como está registrado em Judas 14 e 15: "Eis que veio o Senhor entre suas santas miríades, para exercer juízo contra todos e para fazer convictos todos os ímpios, acerca de todas as obras ímpias que impiamente praticaram e acerca de todas as palavras insolentes que ímpios pecadores proferiram contra ele".

Nesse dia, todos os homens que já viveram neste mundo serão julgados, crentes e incrédulos. João registra o juízo final em Apocalipse, mencionando que os mortos também serão julgados: "Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o livro da vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros" (Apocalipse 20:12). Por esse motivo, a ressurreição dos mortos acontecerá antes do juízo final.

Judas afirma que até anjos decaídos serão julgados no juízo final: "A anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia" (Judas 6). Será o dia em que todos serão julgados e receberão de Deus o seu destino.

VII. Seguida pelos novos céus e nova terra

Finalmente, a Bíblia ensina que a segunda vinda de Cristo será seguida pelo aparecimento dos novos céus e nova terra. Já em Mateus 24:29 é descrito um abalo nos céus, que acompanha a segunda vinda: "o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados". Pedro se refere ao mesmo evento: "Ora, os céus que agora existem e a terra, pela mesma palavra, têm sido entesourados para fogo, estando reservados para o Dia do Juízo e destruição dos homens ímpios. [...]. Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas. Visto que todas estas coisas hão de ser assim desfeitas, deveis ser tais como os que vivem em santo procedimento e piedade, esperando e apressando a vinda do Dia de Deus, por causa do qual os céus, incendiados, serão desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão" (II Pedro 3:7,10-12). Isso acontece ao mesmo tempo em que Cristo volta, no Dia do Senhor. Será o início do fim do mundo.

Porém, logo após mencionar a destruição deste mundo tal como o conhecemos, Pedro fala de novos céus e nova terra: "Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça" (II Pedro 3:13). E em Apocalipse 21:1 João vê os novos céus e nova terra logo após o juízo final: "Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe". Isso significa que o aparecimento dos novos céus e nova terra acontece logo após a volta de Cristo e o juízo final.

Conclusão

Pelo que se pôde perceber pela análise da própria Bíblia, a visão escatológica que mais se aproxima do ensino geral das Escrituras sobre a segunda vinda de Cristo é o amilenismo. De fato, a volta de Cristo será precedida por sinais, pelo anticristo e pela grande tribulação. Com a vinda de Jesus os mortos em Cristo ressuscitarão incorruptíveis, os crentes vivos serão transformados, ambos serão arrebatados para encontrar-se com Cristo, os demais mortos também ressuscitarão, terá início o juízo final, todos receberão de Deus o seu destino e finalmente aparecerão os novos céus e a nova terra. Tudo isso no chamado Dia do Senhor.

Não há lugar para duas vindas de Cristo, uma secreta e outra pública, como ensina o dispensacionalismo. A Bíblia fala apenas de uma única segunda vinda de Cristo, que será pessoal, visível e pública, com poder e grande glória. Também não há lugar para um arrebatamento antes da grande tribulação, com o objetivo de livrar a igreja desse período. Além da Bíblia não mencionar nada semelhante, as passagens estudadas deixam claro que a igreja estará presente na grande tribulação e que o arrebatamento acontece depois. Não é possível que haja duas ou mais ressurreições, separadas por grandes períodos de tempo, como ensina o pré-milensimo. A Bíblia fala apenas de uma única ressurreição geral, de crentes e incrédulos. Um milênio neste mundo, antes ou depois da volta de Cristo, também é impossível diante das passagens analisadas. Finalmente, não haverá vários juízos, para crentes, incrédulos e anjos, mas o mesmo juízo final determinará o destino eterno de todos.

Na próxima lição serão estudados os vários sinais registrados na Bíblia que antecedem e asseguram a segunda vinda de Cristo.

Comentários

1 comentário em "A Segunda Vinda de Cristo e as Últimas Coisas: Lição 3"

Missionário Márcio Antonio Gomes De Brito disse...
12 de novembro de 2015 13:00

Muito bom estudo, parabéns que Deus continue a abençoar esse blog.

 

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